Marvel Universe: All Different World
74 Capítulo LXXIV: Family Ties.
Notas iniciais

20 de Outubro
—Como é que é? –Franklin falou mais alto do que pretendia.
Rachel gemeu.
—Mais baixo, por favor. –A ruiva estava com uma dor de cabeça infernal e quase qualquer ruído a fazia querer morrer, mesmo depois dos remédios.
—Desculpa. –Frank sorriu, afinal sua namorada era tão responsável que era estranho vê-la daquele jeito. –Só é… Hum… Maluco? –Ray indicou que o namorado para prosseguir o raciocínio. –Quero dizer, James é filho da Alison Blaire?
—Eu sei, pensei algo parecido. –A garota gemeu de dor. –Ao menos explica porque ele chama a Alison Mackenzie de Esperanza, afinal ela e a mãe dele tem o mesmo primeiro nome.
—Eu nem lembrei disso, só estou surpreso. –O rapaz parou por um segundo. –Não que o fato de você ter parado no meio dessa confusão seja menos estranho.
—Nem me fale, a Alison bebe demais, não consegui acompanhar.
—Não é como se você tivesse a habilidade de beber da Christine, mesmo assim acho que vale a tentativa. –A ruiva gemeu um misto de raiva e dor. –Falando na Frost, acha que ela sabe quem é a mãe dele?
—Você duvida que ela seja capaz de descobrir isso sozinha? –Frank negou. –Considerando tudo, acho um milagre ela ainda não saber quem é o pai.
—Talvez seja algo genético, como se ele não pudesse ser afetado.
—Isso não faz sentido, senão ela não poderia ver muito mais coisa relacionada a ele.
—Mas existem formas dela ver através das ações de outras pessoas, não é?
Rachel parou encarando o namorado.
—E se algo escapar mesmo assim?
—Acho que depende um pouco, talvez parte seja uma habilidade e outra a capacidade dela de compreender o que capta desse poder, o resultado é apenas uma parte do todo. Assim como a possível mutação que desencadeia essa habilidade de ver através do que se distorce a frente dela.
—É uma forma de ver.
—Mudando de assunto, faz alguma ideia de como foi que Logan e Alison ficaram juntos? Quero dizer, é estranho demais para não imaginar a história.
—Ela comentou com James, parece que mesmo ele não sabia muito a respeito disso e não posso dizer que Alison e Emma tenham tido opiniões diferentes sobre o assunto. Ela parece confiar na Frost mais do que eu posso considerar seguro para qualquer um, mas levando em conta que Emma nunca quebrou sua promessa sobre cuidar do James…
—Bom, de uma forma ou de outra, independente das brigas com a tia Jean, Emma sempre priorizou os filhos e os alunos, especialmente a segurança deles. –Ray concordou. –Agora, me conte essa história sobre Alison e Logan.
—Você está muito curioso para quem dormiu só seis horas.
—Eu dormi bem e vou ter muito trabalho no correr do dia nesse apartamento, então preciso de algo para me distrair.
—Isso significa que não vamos sair, não é?
—Ah. Droga, eu esqueci.
Rachel riu.
—Tudo bem, você parece animado e isso é bom.
Franklin acabou sorrindo.
—Eu posso aceitar uma ajuda ou, pelo menos, companhia.
—Posso fazer isso. Agora, sobre o que Alison contou…
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Assim que passaram pela porta da enfermaria, Emma e Jean deram de cara com uma cena estranhamente engraçada: Hank dormia de ponta cabeça na frente do monitor de sinais vitais, Christine estava largada em um sofá velho e Sussan dormia debruçada sobre o teclado do computador enquanto que Alexis e Nate estavam sentados em duas cadeiras, lado a lado, com os pés apoiados na cama de Rebecca, essa última olhando para os lados confusa e preocupada.
—Acabou de acordar? –A garota assentiu. –Qual a última coisa que lembra? –A Frost tentou ver os estragos.
—Eu… Terminei o treino da tarde e… Acho que tinha que tomar banho, mas não sei. –Becky encarou a vice-diretora. –Eu não sei o que houve. Tenho certeza que comi bem, então não foi por fome, e estou me hidratando como James mandou, com o apoio do McCoy. –A garota gemeu sentindo a cabeça doer e depois pareceu assustada. –A Dazzler é mãe do James?
As duas mulheres mais velhas se olharam e suspiraram, ao mesmo tempo que Nate riu.
—Eu sabia que ela lembraria. –O Summers comentou abrindo os olhos.
—Não interfira. –Alexis levantou se esticando. –Como se sente Rebecca?
—Confusa, cansada e com dor. –A garota parou novamente. –Espera, a Helena sequestrou a Rachel? E vocês começaram a namorar? –Ela apontou para a Rasputin e depois gemeu de dor, apertando a cabeça com as mãos. –Por que eu continuo pensando em botânica e literatura? Parece que a minha cabeça vai explodir.
—Ideia da Rachel. –Christine abriu os olhos e encarou os demais, que levantaram, menos Sussan. –Ollie te atacou e você, de algum modo, impediu ele de roubar seus poderes, o que causou um surto de crescimento nos seus poderes e poderia ter causado danos no seu cérebro.
—Ray achou que valeria a pena tentar bombardear sua mente com informações, para aproveitar o surto ao mesmo tempo que evitaria danos maiores a longo prazo. –Alexis sentou na ponta da cama da garota. –Aparentemente, você perdeu uma parte da memória referente aos momentos depois do treino da tarde, o que é um milagre.
—O dano poderia ter se estendido a muito mais do que uma hora da sua memória, talvez até uma semana, mas Sussan não hesitou em usar o eletrochoque para controlar os danos a longo prazo e a ideia das garotas ajudou a contornar outros problemas. –McCoy apontou para a mutante albina. –Ela queria ter certeza que você ficaria bem então não esqueça de agradecer.
Rebecca concordou e encarou os demais.
—Como eu faço para esquecer a história da mãe do James? Ele vai me matar.
—Não se preocupe, Helena está com ele, acho que temos chances dele voltar mais calmo do que imaginamos ser possível.
A LeBeau fez uma careta.
—Minha cabeça ainda dói.
—Não é algo que podemos resolver com facilidade, antes de mais nada, você precisa comer e depois podemos pensar em te dar um remédio por hoje. –McCoy comentou pegando Sussan nos braços. –Seus poderes cresceram e por isso você precisa se adaptar a essa questão antes de conseguir ficar livre da dor ou do incômodo eventual. –Ele seguiu para a porta que Jean segurava aberta. –Vou fazer uma bateria de exames quando voltar.
—Posso te acompanhar para ajudar a colocá-la na cama? –A ruiva notou que a mutante albina estava exausta.
—Se puder, eu agradeço.
Assim que saíram pela porta, Emma se aproximou mais de Rebecca.
—Da próxima vez que Oliver tentar roubar seus poderes, fuja. –A garota assentiu. –Vamos evitar outro problema como esse só por precaução.
—Tudo bem, só não entendi como isso aconteceu.
—Um aluno usou os poderes para te fazer perder o equilíbrio, foi como seu irmão conseguiu te alcançar. –Nate não parecia preocupado com Becky, mas não era indiferente. –Já estamos cuidando dele.
—Eu deveria ter pena dele por deixar o Nate irritado? –LeBeau já havia provado da raiva do Summers em primeira mão.
—Provavelmente. –Christine levantou e seguiu para a saída. –Agora, preocupe-se em fazer o que o Hank mandou.
—Ah, sim. Vou comer. –E antes que qualquer um pudesse falar, Rebecca tentou levantar, caindo em seguida sem conseguir ficar em pé. –O quê…?
—Esse é outro dos motivos para o Hank querer fazer exames, seu corpo ficou sob grande tensão e pode ter alguns problemas por alguns dias. –Alexis segurou a mão da mais nova, a ajudando a voltar para a cama. –Ele me garantiu que não é permanente, então não se preocupe demais, apenas respire fundo e espere as coisas voltarem aos seus lugares.
—Tem como eu treinar alguma coisa? Ou, pelo menos, estudar?
Todos trocaram um olhar preocupado, então Nathan tomou a frente.
—Até o McCoy terminar sua avaliação, tanto os treinos como os estudos estão suspensos. –A garota pareceu desanimada. –Depois eu vou fazer uma avaliação sobre as suas habilidades mentais, especialmente que seus poderes, que estavam crescendo de forma controlada, praticamente explodiram e isso significa que precisamos avaliar o tamanho do seu controle sobre sua verdadeira mutação.
—Eu ainda não faço ideia do que fiz ou como usei meus poderes ontem.
—O que é outro motivo pelo qual deve esperar o Hank te avaliar antes de pensar em treinar ou estudar mais. –Alexis sorriu. –Pode não parecer, mas você passou a noite estudando enquanto seus poderes cresciam.
Becky fez outra careta de dor.
—Por isso minha cabeça está doendo?
—Em partes, outras é pelo cansaço e também pelo crescimento dos poderes, então escute o que falamos e descanse um pouco.
A LeBeau encarou a mutante demônio e suspirou.
—Tudo bem professora.
—Sabe, eu entendo porque James ficou desconfiado, afinal nunca poderia ter imaginado que Rebecca ficaria tão obediente e focada. –Todos encararam Nate. –Não que esteja reclamando, só que essa nova versão dela é muito mais suportável. –Alexis deu um tapa no braço do namorado. –O que foi?
—Seja gentil.
—Sou só eu ou mais alguém acha que o relacionamento deles vai ser sempre assim? –Becky comentou distraída.
—Não, todos pensamos o mesmo. –Christine comentou fazendo Emma rir
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Claire encarou Oliver caído no chão, a respiração pesada e o corpo arrebentado.
Não era do feitio dela torturar os alunos com treinamentos desumanos, mas para garoto ela havia aberto uma exceção nem um pouco caridosa depois do que ficou sabendo na noite anterior, motivo pelo qual Laura continuava a alguns metros observando a situação e garantindo que o LeBeau iria sobreviver. Ollie era incapaz de roubar os poderes de Claire pela própria natureza reflexiva deles e por isso a surra que levava da loira era pior, especialmente porque a morena estava proibida de deixar que ele tomasse seus poderes para se curar.
Logan se aproximou de Laura que encarava a cena um pouco apreensiva com o próximo passo da namorada.
—Não se preocupe, ela não vai deixá-lo morrer.
—Não é bem com isso que estou preocupada.
—Então o que foi Sarah?
Ela encarou seu “pai”.
—Por que me chama de Sarah sempre que fica realmente preocupado?
—É seu nome.
—Não foi o que eu perguntei. –Ela ignorou o silêncio dele e voltou a encarar a cena à sua frente. –Sinto que ultimamente ela tem resolvido muitas questões como essa e vários assassinatos, mesmo com a nossa suposta folga das missões.
—Você sabe que mesmo que como freelancers, ambas são agentes de infiltração, proteção e assassinato, igual ao James e a Alexis ou mesmo o Nathan, certo? –Logan notou que sua filha estava tensa. –Vocês são diferentes de mim, matam para evitar perdas maiores do que as que já aconteceram ou podem acontecer, como na frente do Distrito de Polícia na segunda-feira.
—Já matei por raiva ou vingança e a Claire também.
—Ainda assim, nunca mataram fora das suas ordens, estou errado? –Laura negou. –Eu já matei apenas pelo prazer, mesmo sem a necessidade, então acredite quando digo que não fizeram nada de errado. –Ele notou que a Rogers voltava na direção dele, largando o corpo de Oliver onde estava. –Devo levá-lo para a enfermaria ou apenas emprestar meus poderes?
—Não quero ele perto da Rebecca e acho perigoso deixar que se cure por completo, mesmo assim…
—Tudo bem, vou deixar que ele se cure apenas o suficiente para o Hank conseguir cuidar dele sem precisar descê-lo.
—Valeu tio. –E assim que Logan se afastou, ela encarou Laura. –Ele tem razão no que disse, então não se preocupe.
—É difícil quando a fonte da preocupação é você.
—Eu sei, mas isso não mexe comigo tanto quanto parece, embora seja irritante.
—Porque você nunca tentaria machucar seu irmão, nem por brincadeira.
—Eu machuco Jay nos treinos, o que é difícil.
Laura segurou a mão da namorada.
—Você o treina para ajudá-lo a ficar forte, o que pode fazer ele se machucar, você nunca o machucaria de forma proposital pelo prazer de fazer isso.
Claire abraçou Laura que ficou surpresa, enquanto Logan passou por elas arrastando um Oliver meio consciente pela barra da calça. Ele ignorou a cena e seguiu pela porta, permitindo que as duas garotas ficassem sozinhas.
—Quero dormir.
—Tudo bem. –A morena se afastou um pouco da namorada. –Vamos comer e tomar um banho, depois vamos dormir. Sem treinamentos ou lições hoje.
A loira não questionou aquela afirmação, apenas seguiu Laura sem resistir.
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Ororo encarou Scott, que reclamava sem parar dos problemas que a suspensão de aulas vinha causando nas últimas semanas e como a postura irresponsável de Emma a tornava culpada pela atual situação de caos que se instalou no Instituto. Não era como se a mutante negra discordasse que eles realmente estavam cancelando muitas aulas nas últimas semanas, mas também não era inteligente ignorar os problemas que levavam a isso ou como manter os professores presos às suas turmas em meio aos dramas pessoais de cada um e de todos fosse inteligente.
—Você está me ouvindo!
A mulher alva encarou o Summers de óculos com a sobrancelha arqueada enquanto tentava entender com quem ele pensava que estava falando.
—Eu ouvi.
—Então o que vai fazer?!
Ela descruzou as pernas e levantou fulminando o antigo amigo com o olhar.
—Estou pensando em comprar uma briga com a Jean depois de te matar por achar que pode me tratar como uma vagabunda qualquer à qual está a sua disposição para ser humilhada. –Scott recuou dois passos e caiu no chão. –É, esse lugar combina mais com você do que a cadeira de diretor.
—Vo… Você não vê que Emma vai destruir nossa escola? Aquela vagabunda que não consegue controlar os próprios filhos. Onde está o James? Ou a Alexis? Todos são causas perdidas e ela os protege como se não houvesse na…
O raio entrou pela janela e acertou a mesa do diretor antes mesmo de a mutante do clima perceber o que tinha feito, o que assustou um pouco os dois por várias razões. Mesmo assim, Ororo se recuperou do incidente sem hesitar e usou o vento para jogar o Summers pela janela direto no jardim.
Os alunos que presenciaram a cena, correram para dentro do prédio procurar por ajuda e outros professores.
—A escola também é dela, esqueceu? –Scott engoliu em seco. –Isso faz com que os filhos dela tenham direito de morar aqui do que qualquer um, sem falar que ela se preocupa com todos mais do que você, um vadio sem responsabilidade alguma que é incapaz de fazer qualquer coisa para ajudar na administração do Instituto a anos.
—Isso não…
—Calado! –Um raio acertou um para raios da escola, indicando que o que acertou a sala foi o que escapou do sistema de controle. –Você é só um rostinho bonito que serve para vendermos a imagem da escola, mas é Emma o verdadeiro rosto do sucesso do Instituto, aquela que mudou e se tornou a melhor versão dela mesma apesar de todas as rasteiras que a vida apresentou, enquanto você… Não pense que te perdoei pelo que aconteceu há dezoito anos, porque está muito enganado.
—Eu…
—Eu mandei ficar quieto! –Scott se encolheu. –James está tendo problemas e foi conversar com a mãe, só que a Helena sequestrou a Ray e invadiu o jantar. Alexis se acertou com o seu filho e está cuidando da Rebecca LeBeau que teve uma sobrecarga no crescimento dos poderes. O que me lembra que ela, Nate e Christine viraram a noite cuidando da Becky como suporte para o Hank e a Sussan. –O homem não ousou retrucar. –O único inútil atrasando o dia dos outros por besteira é você, então pare de ser infantil. –Ororo se virou para entrar novamente no prédio quando parou e se virou para o diretor. –E te aconselho a nunca mais chamar a minha amiga de vagabunda ou eu te mato.
A mulher alva notou que Jean e Emma estavam paradas do outro lado da porta quando ela entrou no corredor.
As três trocaram um longo e demorado olhar antes da ruiva suspirar.
—Vou chamar o reparo e já encontro vocês no escritório para cuidarmos da papelada.
Ela saiu e Emma se virou na direção oposta.
—Você realmente deveria esquecer o passado.
Ororo hesitou enquanto seguia a amiga.
—Talvez, mas depois de tudo que fez por ele quando Jean foi dada como morta, de cuidar do filho dele e manter a escola funcionando, não é justo.
—Eu nunca disse que foi, só que você deveria esquecer o passado.
—Não é como se ele te chamando daquela forma ajudasse a minha boa misericórdia a alcançá-lo.
—Bom, apenas evite matá-lo, não preciso que Jean queira te matar ou me matar.
—Eu não faria isso. –As duas se assustaram quando a ruiva se aproximou. –Na verdade, eu quase pedi para Ororo fritar o Scott agora.
—Sério, qual o problema de vocês? –Emma encarou as duas um pouco preocupada.
—Acho que a pergunta deveria ser qual é o seu problema, mas a gente entende. –A mutante alva e a loira, esperaram Jean concluir o raciocínio. –Você mudou. Se tornou alguém melhor do que nunca poderíamos ter esperado e que tem prioridades muito claras, sendo a mais importante proteger seus filhos.
—Nesse sentido ela tem razão. –Ororo sorria divertida para a amiga.
—Mais um motivo para ambas deixarem esse assunto de lado. –Emma entrou no seu escritório. –Se algum dia eu achar que Scott passou dos limites, não vou me preocupar em comprar uma briga com a Jean, vou simplesmente matá-lo.
—A gente sabe. –As duas mulheres comentaram e depois as três riram daquilo.
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A primeira coisa que chamou a atenção de Alison Blaire quando acordou, foi a cara de pânico do assistente do seu agente ao encará-la do lado da cama.
—Qual é a bomba da vez John? –Sua voz era sonolenta e sua visão ainda estava embaçada.
—Não sei bem como dizer isso, mas alguém filmou o jantar da senhorita ontem e agora está nos jornais como se o senhor James fosse seu novo amante.
Isso fez Alison levantar em um pulo e pegar o tablet do assistente preocupada.
—Como isso aconteceu?
—O restaurante suspeita que algum funcionário temporário era um infiltrado e as plantou a alguns dias. –Ela encarou o homem asiático. –Eles fizeram questão que apenas a equipe fixa atendesse a senhorita ontem.
—Pelo contrato de trabalho e a confiança da discrição para o atendimento.
—Correto. O proprietário já fez contato com nossa assessoria para garantir que está em busca do culpado, mas não sabe se vai conseguir nada antes da entrevista.
—Não, isso não resolveria nada. –A loira levantou e seguiu para o banheiro, seu assistente a seguiu, parando na porta. –As imagens já estão nas mãos da mídia e duvido que tenha algum áudio, não é mesmo? –O homem negou e ela entrou no chuveiro. –A única forma de desmentir as afirmações deles é usar outra mentira ou a verdade, o que me leva a outro problema.
—Senhorita?
—Mande uma mensagem para Emma Frost, diga que preciso conversar com ela.
—Pode ser uma ligação?
—Sim. Depois mande as notícias para o meu namorado, se ele já não estiver sabendo, uma hora vai descobrir. Diga que explicarei os detalhes mais tarde, mas que nada do que eles falam é verdade.
—A senhorita não quer contar para ele antes de resolver qualquer outra coisa?
—Não preciso, tentar tirar Carter dos holofotes dessa fofoca é prioridade e sobre ele… Ele é grandinho e ocupado demais para se preocupar em exigir respostas minhas quando estou resolvendo problemas pessoais.
—Da forma como a senhorita fala, até parece que ele não é um homem perigoso e de personalidade preocupante.
—Ele é, mas sempre deixei claro que se fosse para terminarmos o que temos, eu não mentiria ou hesitar. Mesmo que ele não goste de esperar, sei que vai entender.
—O que mais devo fazer?
—Já avisou Ryan sobre tudo o que aconteceu? –Ele assentiu. –Mantenha ele atualizado e ouça as orientações que forem passadas. Ryan esteve comigo nos piores momentos da minha vida desde sempre e sabe como ajudar com a questão das fofocas, mentiras ou despistar a imprensa e, não menos importante, tudo sobre o Carter.
—A senhorita deseja que eu tente contato com o senhor Carter? –O rapaz tinha esquecido que a sua patroa chamava o filho pelo segundo nome, especialmente que James nunca usava o Carter quando fazia algum pedido a ele para os ingressos dos amigos.
—É melhor eu falar com a Emma primeiro, até porque eu não faço ideia de onde ele e a garota Strange se meteram depois de ontem. –Alison fechou o registro do chuveiro e saiu pegando a toalha no suporte. –Lamento dizer que isso provavelmente vai atrapalhar seus planos com o gerente de organização Rick.
O rapaz corou.
—Pensei que a senhorita não tinha notado.
—Por favor John, eu sou ocupada, não burra e você… –Ela se aproximou dele enrolada na toalha, apertando a bochecha do assistente. –É fofo e esforçado, mas um pouco óbvio. O que tem seu charme, só que também pode virar um problema para relacionamentos. –Ela voltou para o quarto.
—Eu deveria afastá-lo?
—Não. –Ela pegou algumas roupas na mala aberta e suspirou. –Apenas garanta que se não der certo vai conseguir levantar quando acabar. –Alison encarou o rapaz. –E mantenha seu amor-próprio, é o mais importante.
—A senhorita já passou por isso?
Ela hesitou e terminou de se vestir antes de voltar a encarar John.
—No meu caso foi diferente, mas passei.
—Foi o pai do senhor Carter?
—Não. Foi comigo mesma, sempre fui meu pior inimigo.
—A senhorita se arrepende de algo daquela época? Sobre Carter?
—De não ter pedido ajuda mais cedo, não que isso fosse me tornar capaz de cuidar dele, mas Carter esteve comigo e viu coisas ruins naqueles dias. Me arrependo de deixar isso acontecer.
—Acho que a senhorita é uma boa mãe. –Ela o encarou surpresa. –Tenho certeza que apoiaria o senhor Carter em qualquer coisa que ele resolvesse fazer ou em qualquer relacionamento que tivesse e o fizesse feliz de verdade.
Alison se aproximou de John e o abraçou com carinho.
—Não se preocupe com isso Satoshi, sua família é a única que sai perdendo em não te querer por perto.
O rapaz se sentia envergonhado com aquela demonstração de afeto da mulher mais velha, especialmente com ela usando seu nome verdadeiro.
—Obrigado, senhorita.
Ela se afastou e voltou a apertar as bochechas dele de leve.
—Você é um bom garoto. Agora vamos tentar resolver essa confusão que apareceu.
—Sim, senhorita.
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—Duzentos por cento de aumento?
—Sim, significa que seus poderes triplicaram em um único dia. –Hank suspirou diante da surpresa de Becky que estava acompanhada por Nathan até o fim da consulta. –O que também explica porque você não consegue andar agora.
—A carga de energia que se espalhou pelo seu corpo causou um curto nos seus nervos e danificou a comunicação deles, o que na maioria dos casos poderia deixar uma pessoa paraplégica para sempre. –As palavras de Sussan assustaram a LeBeau. –No seu caso, os danos eram reparados logo em seguida, o que causou uma segunda sobrecarga neles.
—Então eu não estou paraplégica?
—Por algum tempo sim, mas é mais uma questão temporária do que permanente. –Dessa vez Sussan notou que a outra garota estava mais calma. –Seus nervos estão, por assim dizer, dormentes devido ao excesso de danos e reparos consecutivos que a sobrecarga de energia causou, então até que eles se acalmem e voltem a se sentir normais, você está paraplégica.
—E quanto tempo isso pode levar?
—De dois dias a um mês. –Hank informou, fazendo tanto Becky como Nathan suspirarem. –Acredito que não deve levar mais do que uma semana para você voltar ao normal, mas é bom termos a estimativa mais longa como uma base confiável.
—E eu posso tentar treinar e continuar estudando nesse período? –A LeBeau não queria perder mais um mês.
—Gostaria que você não aumentasse sua carga de treinamentos e talvez até diminuísse um pouco o esforço nos primeiros dias.
—E quanto seria esse “primeiros dias”? –A garota temia não conseguir fazer nada.
—Até segunda-feira. –Hank notou o desânimo da garota. –Sendo sincero, quero te proibir de treinar até lá, mas Sussan me proibiu de te proibir.
Nathan encarou a mutante albina.
—Quer explicar?
—Imagino que melhor do que impedir Becky de continuar no caminho que escolheu por causa da lesão, devemos fazê-la entender que, para preservar seus esforços e dedicação, ela deve agir com mais calma, sem parar o que já começou. Assim ela poderá continuar com seus avanços, mesmo que mais lentamente até segunda-feira e, posteriormente, retomar sua nova rotina sem perdas no processo.
O Summers encarou a mais nova.
—Você entendeu?
—Sim, senhor.
—Então foque em estudar e meditar quando estiver sozinha, não se esqueça de manter uma alimentação rica e sempre ter companhia na academia. Está autorizada a fazer os exercícios para os braços e apenas o que é solicitado, sem carga extra ou dobrar os resultados, certo?
—Sim, vou fazer só o mínimo até segunda e… –Ela encarou Hank e Sussan. –Podemos fazer outros exames para ver como estarei depois do fim de semana?
—Podemos. –A mutante albina tomou a frente e se aproximou de Becky. –Por hoje nada de treinos físicos com peso, se contente em mover a cadeira de rodas pelos corredores e carregar livros. –Rebecca se sentiu um pouco contrariada, mas apenas suspirou concordando com as orientações. –Qualquer desconforto venha para a enfermaria ou peça ajuda a alguém para chegar até aqui.
—Entendi.
—Mais alguma orientação imediata? –Nathan ainda teria que repassar aquilo para Alexis e Christine.
—Nenhuma que ela já não tenha recebido nos últimos dias. –Hank comentou já distraído com os resultados no computador.
—Melhor irem, ele está entrando no mundo perdido do doutor McCoy.
Nathan e Rebecca assentiram e o Summers saiu empurrando a cadeira de rodas da garota até a porta do elevador.
—Obrigada por ficar lá comigo, sei que não sou sua pessoa favorita.
—Bom, você melhorou um pouco no meu conceito nos últimos dias, então não foi a pior coisa que poderia ter feito no meu dia.
—Acho que isso é quase um elogio considerando tudo que já fiz. –Ela hesitou. –Eu sinto muito por tudo que fiz para a Alexis.
—Já disse isso a ela?
—Ainda não consegui.
—Vergonha? –Ela assentiu. –Apenas não esqueça de fazer isso quando puder. –Outra concordância muda e Becky moveu a cadeira de rodas para dentro do elevador quando as portas se abriram. –Sei que não é da minha conta, mas notei que Tristan e Conner parecem interessados em você.
—Não acho que seja grande coisa, embora seja bom ter com quem conversar fora do Instituto.
Nathan achou melhor não continuar o assunto, já que ele sabia o que os garotos pensavam e planejavam com aquela aproximação, mesmo que nenhum deles fosse burro o bastante para fazer algo indevido com a garota. Ao menos não sem a permissão dela.
—Alexis me pediu para te deixar com a Christine, parece que ela quer testar o seu português para ver o que já conseguiu aprender desde ontem.
—Eles colocaram áudios em português para tocar enquanto estava inconsciente?
—Músicas.
—Faz sentido. –Rebecca hesitou. –Posso perguntar algo estranho?
—Tipo?
—Desde que eu acordei estou sentindo essa coisa estranha vinda das pessoas que se aproximam de mim, como se fosse uma assinatura única.
—Comentou isso com o Hank?
—Ele acha que é um desdobramento dos meus poderes, mas não sabe o que pode ser ainda.
—Então talvez seja melhor esperar para descobrir.
—Eu sei, é que… –Ela parou e entrou em uma biblioteca vazia, o que forçou Nathan a segui-la. –Desculpa, não quero que qualquer um ouça isso.
—Agora estou preocupado. –O Summers se sentia tenso.
—Depois, quando parei para pensar, notei que a sua energia é semelhante à da sua mãe quando se aproximou de mim mais cedo. Algo com traços próximos, ainda que únicos e acho que se ficar perto do diretor Summers vou sentir a mesma semelhança, especialmente porque sentia essa semelhança de energias entre a Emma e a Christine.
Nathan sentiu seu corpo inteiro travar por um segundo e depois ficou muito mais preocupado do que gostaria de admitir, o que lhe deu uma enorme vontade de gritar com Rebecca, mas sabia que se ela estava falando daquilo com ele talvez estivesse com medo do que sua descoberta poderia causar.
—Eu acho que sei o que você quer dizer e onde quer chegar, é sobre a energia da Christine, não é?
—Eu sei que não é da minha conta e não quero mesmo me meter em meio a outro problema que não é meu, mas… –Ela parecia um pouco desesperada ao dizer aquilo, como se não quisesse que alguém entendesse errado o que aconteceu.
Nathan se sentiu exasperado e ao mesmo tempo aliviado por Becky ter procurado ele em vez de ir falar diretamente com Christine, o que ele sabia que seria um desastre.
—Vamos fazer o seguinte, você não sabe disso e não vai falar com ela a respeito dessa sua nova habilidade até eu conseguir conversar com a Alexis e descobrirmos como lidar com isso, tudo bem? –A garota assentiu e ele suspirou irritado. –Droga.
—Eu sinto muito. –Nate olhou para a Rebecca surpreso. –Fiz algo ruim, não é?
O Summers negou.
—Isso não é sua culpa, nem minha, é só… Adultos são complicados.
—Como a questão da mãe do James?
—Bem isso. Apenas evite entrar nesse problema o máximo que puder.
—E se a Christine perguntar ou insistir? Não sei se posso ir contra ela.
—Diga que eu mandei você não falar ou se meter na questão, ela deve recuar com isso. Apenas fique longe dessa história.
—Não é como se eu quisesse ter esbarrado nisso ou estivesse feliz de imaginar como aconteceu, pode acreditar.
Nathan riu de forma triste.
—Eu te entendo.
E pela primeira vez na vida, Rebecca pensou que Nathan era uma pessoa triste e trágica. Aquilo fez ela se sentir feliz que ao menos agora ele tinha Alexis ao seu lado.
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Maria Hill não era uma mulher feliz naquele exato momento.
Seu corpo doía, sua cabeça latejava, seu estômago estava embrulhado e sua vista embaçada, tudo isso sem nem ao menos ter almoçado. Ela encarou a vídeo chamada a sua frente e suspirou tentando não passar mal na frente de Emma e Alison, mesmo que estivesse difícil.
—Eu não sei se essa é uma boa ideia, mas acredito que as duas tiveram uma longa conversa antes de chegar a essa conclusão como a melhor saída para todos. Apenas me digam o mais importante: já falaram com o Carter?
—Ele e Helena não atendem o telefone, então acho que estão com a mãe dela, mas lá ainda é cedo, por isso estou esperando.
A resposta de Emma e a falta de reação de Dazzler fizeram a Comandante soltar um palavrão.
—Vocês sabem quem é a mãe dela?
—No meu caso foi acidental, já a Emma… Digamos que isso foi algo que ela nem sabia que ficaria assim, mas estava presente desde o começo.
—Nem me lembre.—A Rainha Branca deu um suspira longo e cansado. —Parece que todo o caos caía na minha cabeça naqueles dias.
Hill gemeu diante da pontada de dor que atravessou sua cabeça.
—Me digam que isso não vai virar outro problema.
—Eu te confirmo isso depois que falar com a mãe da Helena.—Não que Emma fosse fazer uma promessa sem fundamento.
—Tudo bem, apenas não causem mais problemas ou complicações do que o necessário para a minha semana.
—Bom, sobre isso… —Alison tentou soar um pouco mais inocente, o que fez a Comandante gemer. —Talvez eu deva te falar do meu namorado.
Emma gargalhou do outro lado.
—Eu amo essa história.
—Eu estou odiando muito as duas.
—Sinto muito. Mesmo assim, a história toda começou em um voo a alguns anos quando… —Dazzler tentou ocultar o sorriso enquanto contava sobre seu namorado, o que não funcionou muito bem para Hill que podia ver claramente que a cantora não sentia tanto assim por aquilo.
E Maria Hill tinha certeza que aquela era uma história digna de um problema enorme e uma fofoca para o resto do ano.
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Valéria encarou Alison Mackenzie por longos minutos, enquanto a garota ainda se recuperava do longo desabafo sobre “o caso de James” e como ela não podia acreditar que aquilo era verdade. Felizmente para a loira, ela também duvidava que a fofoca que estava em todos os tabloides fosse real, especialmente com a quantidade absurda de vezes que ia aos shows de Dazzler na Latvéria, o que a fez lembrar de mandar um e-mail para Damian.
Para a extrema infelicidade do problema a sua frente, Maximillian apareceu com o namorado a reboque para engrossar o choro de Atlante sobre a notícia.
—Eles vão ficar por muito tempo nesse clima volátil de raiva, negação, aceitação, mágoa e animação? –Jason não parecia feliz com a perspectiva.
—Talvez mais uma hora e meia, não mais do que isso.
—E ainda vamos ao tal show e a entrevista depois?
—Com a confusão que está acontecendo? Eles nunca vão desistir de assistir a tudo da primeira fila.
Jason encarou Valéria por um segundo.
—Por que você está tão calma que dá medo?
—Acreditaria se eu dissesse que é porque não ligo para isso?
—Não, é uma mentira muito óbvia.
Val riu daquela afirmação.
—Então vamos dizer que acho que perdi parte de uma aposta e ganhei outra, funciona assim?
—Muito mais. –Jason sorriu como quem tem uma ideia maravilhosamente perversa. –O que acha de tirarmos aqueles dois dessa fossa de fã com uma aposta que nos permita ter lucros reais?
Um brilho maligno correu pelos olhos de Valéria que sorriu para o semideus.
—Ah, isso sim soa como uma boa ideia.
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Wanda levantou sentindo sua cabeça pesada e muito cansaço, o que a fez suspirar, ainda que aquele tipo de coisa fosse meio óbvia quando se tinha filhos. Ela tomou um banho para aquecer o corpo, trançou seu cabelo de forma rápida, vestiu uma túnica vermelha e com detalhes amarelos, colocou um xale branco por cima, e calçou seus sapatos quentinhos sorrindo.
Pensar na loucura que sua noite tinha sido era cansativo, só que também reconfortante, afinal, amava ser mãe e aquele era um daqueles momentos em que os problemas valiam a pena.
Assim que chegou a sala de jantar teve que conter uma gargalhada, por isso decidiu ir preparar o café da manhã e ignorar seu jardim de inverno pela hora seguinte. Adoraria se sentar ali e tomar uma xícara de café quente, mas ainda não tinha atingido aquele grau de insanidade.
Depois de colocar o pó de café no coador, parou por um momento encarando o celular enquanto a água começava a ferver no fogão. Uma mensagem piscava na tela e quando abriu não houve surpresa que fosse Emma Frost.
"Me diga que isso não vai virar um problema, por favor.
Não preciso de mais caos com seus filhos"
Wanda não pode deixar de rir.
Ela escreveu uma resposta rápida.
"Não se preocupe.
Acho que isso vai ser calmo."
No final das contas ela também não tinha certeza, só esperava que mais nada fosse acontecer. Ao menos nada preocupante.
A Feiticeira Escarlate viu a água ferver e tirou do fogo, derramando o líquido quente no coador, observando o café encher a garrafa térmica por quase dez minutos antes do barulho no jardim de inverno chamar sua atenção. Ela rolou os olhos e suspirou um pouco contrariada.
—Eu não ligo de vocês transarem aí enquanto estou dormindo, mas não quero e nem preciso acompanhar sua maratona enquanto estou preparando o café.
—Foi mal Wanda. –A voz masculina gargalhou em seguida. –Não é como se a sua presença ajudasse a me manter sob controle nesse aspecto. –O rapaz respondeu a outra pessoa, o que levou a outra risada alta.
Wanda ouviu mais barulho de pessoas se movendo antes da garota de cabelos castanhos passar pela porta do jardim de inverno enrolada em um lençol parecendo envergonhada, especialmente ao encará-la.
—Bom dia mãe.
—Bom dia Helena.
Em seguida, o rapaz de cabelo castanho escuro passou pela porta com um cobertor preso à cintura sorrindo e fazendo seus olhos se estreitarem como os da mãe biologica.
—Bom dia Wanda, desculpe por agora a pouco.
—Não se preocupe James, já passei com coisas piores com Billy e Tommy.
O rapaz gargalhou.
—Eu imagino. –Ele olhou para os lados. –Tem problema usar o chuveiro?
—Fique à vontade.
—Valeu.
James sumiu pela porta do corredor, deixando mãe e filha sozinhas.
—Eu já sabia disso, mas seu namorado é uma graça.
—Acho que muitas pessoas discordam da senhora.
—Pelo menos parou de negar que ele é seu namorado.
—Vocês nunca vão me deixar em paz sobre isso?
—Você demorou, não pode nos culpar.
—O que vai fazer? –A garota apontou para o café.
—Bolo. Depois vou fazer uma torta, então eu gostaria que você fosse tomar um banho com seu namorado e depois vocês me ajudassem com a comida.
—Só isso?
Wanda assentiu e Helena seguiu atrás de James.
A Maximoff voltou a trabalhar na cozinha, separando ingredientes, formas e assadeiras. Para alguns aquilo era trabalho, para ela era terapia, uma que a ajudava a anos e a fazia relaxar diante dos problemas.
Sua mente viajou para longe, pensando em como Stephen parecia preocupado com a situação da filha a alguns dias, não porque ele achasse que Helena era especial, o Mago Supremo se preocupava com os filhos igualmente. De certa forma Wanda entendia a preocupação dele, afinal seus filhos não eram tão complicados quanto a garota podia se mostrar.
A Feiticeira suspirou.
—Tudo bem mãe?
A mulher encarou Helena e James já de banho tomado e vestidos.
—Estava pensando na vida. –Os dois não perguntaram mais nada. –Pode cortar o chocolate e derreter James? –O rapaz assentiu. –Me ajude com o frango desfiado Lena.
A garota concordou e logo os três estavam ocupados com os preparativos para o almoço, o que durou mais de uma hora sem qualquer interrupção, até o celular de Wanda começar a vibrar sem parar e ela se assustar, ligando a televisão em um canal de fofocas, o que causou estranheza nos jovens.
Na tela, imagens sem som de James e Alison Blaire jantando na noite anterior eram acompanhadas de uma legenda que causou uma careta no rapaz e uma risada nas duas mulheres.
"O novo affair de Dazzler é um garotão.
O rapaz parece ter pouco mais de vinte anos e ele é quente."
—Que nojo. –E o tom de indignação do Howlett era óbvio. –Como eles conseguiram essas imagens, eu sei que o maitre não… –Ele parou por alguns instantes. –Ah. O lustre lateral, a prateleira no bar e a planta do nosso lado.
—Você é bom nisso. –Wanda comentou. –Acho que pode ser um funcionário infiltrado, esses restaurantes sempre tem um que passa por lá, fica um tempo e depois sai, especialmente se não conseguem nada, mas parece que dessa vez eles tropeçaram em algo. Não exatamente o que eles pensam, ainda que alguma coisa com certeza. –A mulher desviou o olhar para a nova mensagem no celular. –Alison mandou dizer que o dono do restaurante está caçando o responsável, o problema é que resolver essa confusão vai ser difícil.
—O que ela acha que pode fazer?
A Maximoff leu a mensagem algumas vezes antes de passar o celular para o rapaz.
—Acho melhor você ligar para ela e resolver isso diretamente.
James concordou e foi para o jardim de inverno, sendo seguido por Helena. Como as cortinas que davam vista para o outro cômodo estavam fechadas, o casal teria privacidade com aquele assunto.
Wanda voltou sua atenção para o bolo, a torta e seu novo projeto em construção, o que se tornou um pouco mais difícil sem seus dois ajudantes. Não facilitava que ela não usasse seus poderes quando cozinhava, mesmo assim não havia o que fazer.
A Feiticeira respirou fundo e começou a trabalhar em cada uma das receitas, sem deixar nenhuma parada por muito tempo, o que durou meia hora até a porta da cozinha abrir, dando passagem para Billy e Tommy. Um xingamento passou pela mente da mulher com o timing para os gêmeos mais velhos aparecerem ali quando Helena estava de visita.
—Mãe, a senhora sabia que a Alison Blaire tá saindo com o James Howlett. –Tommy gritava parecendo chocado.
Antes que a Vingadora pudesse falar algo, um grito foi ouvido.
—Eu não tô saindo com ela, porra!
Os gêmeos olharam para a mãe assustados.
—Não falem nada, ele tá conversando com a mãe.
—Espera. O quê? –Enquanto Thomas continuava assustado, William tomou a frente.
—Mãe, o que o James está fazendo aqui?
Helena voltou pela porta do jardim de inverno.
—Ele veio comigo.
Os dois garotos pareciam chocados, afinal a Strange nunca foi próxima da sua família, mesmo que Stephen fosse o professor de William.
A garota encarou a mãe que tomou a frente.
—Billy. Tommy. Acho melhor vocês se sentarem.
—Por quê? –O velocista questionou enquanto o mago obedeceu.
—Vocês vivem me perguntando quem é o pai de vocês e se eu realmente vou cumprir a minha promessa de contar a verdade, então vamos lá. –Ela apontou para Helena. –Acho que já conhecem Helena Stephanie Maximoff Strange, sua irmã mais nova.
—Irmã? –William perguntou enquanto Thomas parecia não saber reagir, olhando perdido da mãe para a garota mais nova. –Não é meia-irmã?
—Não.
—Então o Stephen é o nosso pai? –Wiccano se sentia um pouco confuso naquele momento.
—Sim.
—Espera. –Todos olharam para James, parado na sala de jantar, com o telefone na mão. –Pode fazer isso mãe, te ligo depois. –Ele voltou sua atenção para Wanda. –Então Billy, Tommy, Lena e Max são irmãos por parte de pai e mãe?
—São. Eu e Stephen tivemos um começo incomum, se é que posso dizer isso. –Não que a Feiticeira estivesse desconfortável, na verdade ela parecia relaxada.
—Que maluco. –O Howlett suspirou e deu de ombros. –Não que eu possa falar algo.
Billy pareceu voltar a si e encarou James.
—Estava falando com a Emma?
—Não, minha mãe biológica, Alison Blaire.
E depois disso Tommy finalmente desmaiou.
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Continua...
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No próximo capítulo: Caos.
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