Notas iniciais
Sim, vamos ser felizes com um capítulo fresquinho. Na imagem de referência: Billy Maximoff. Então... BOA LEITURA!!!

20 de Outubro

Edith resmungou irritada.

Era a quinta vez em três horas que seu “chefe” começava a repetir sobre o escândalo envolvendo Alison Blaire e o garotão, que Vargas lembrava ser um dos filhos adotivos de Emma Frost e se chamar James, embora a jornalista de fofocas não tenha feito questão de avisar seu superior imediato sobre aquele detalhe.

—Consiga que ela conte a verdade! –O homem gritou batendo na mesa.

—Já falei que vou fazer o meu serviço, como sempre. –Ela encarou Gareth Grimm parado ao lado do diretor geral do jornalístico, ele tinha um sorriso presunçoso que a enervava. –O que me lembra, o que esse imbecil está fazendo aqui?

O diretor-geral a olhou confuso.

—Gareth é nosso melhor jornalista e eu pensei que seria ótimo se…

—Nem pense! –A latina foi imperativa. –Ele não vai participar do meu programa apenas para compensar a incompetência de ter perdido a maior oportunidade jornalística da última década.

—Mas Gareth é o maior…

—O maior cretino e filho da puta que existe nessa emissora. Ele já chamou meu filho de bicha fodedora na minha cara, então não espere que eu aceite dividir meu programa com ele.

—Isso…

—E eu duvido muito que Alison Blaire aceite falar com ele. –E Edith finalmente jogou sua carta mestre. –Ou acha que Dazzler, a Mutante Popstar, vai aceitar ser questionada por um ativista anti-mutantes?

—Anti-mutante? –Gareth fez de conta que não ouviu o diretor falar. –Responda Grimm!

—Eu mereço essa entrevista mais do que essa mulherzinha incompetente. –Grimm rosnou.

—Essa mulherzinha aqui sabe o nome do rapaz e conhece a família dele. –O momento em que os dois homens pararam para encarar Edith foi o ápice da sua satisfação pessoal com aquela questão. –E se for obrigada a aturar esse filho da puta, pode ter certeza que aviso eles e a Dazzler não aparece.

Grimm ficou vermelho de raiva e o chefe do departamento de jornalismo ficou pálido.

—Eu… –O homem olhou para Gareth. –Você está fora e se eu ouvir outra reclamação a respeito do seu envolvimento com outros grupos de ódio, juro por Deus que vou fazer com que nunca mais grave uma matéria nessa emissora.

Grimm parecia à beira de um ataque, mas apenas se virou, saindo da sala e batendo a porta atrás de si. O editor suspirou cansado e Edith finalmente sentou na cadeira à frente dele, parecendo muito mais relaxada do que minutos antes.

—Eu não sei o nome inteiro do garoto, só ouvi de relance no sábado e ele é intimamente relacionado a família Frost. –Ela mentiu parte da informação propositalmente.

—Cacete. –O homem resmungou.

—Provavelmente. Então não quero ninguém além do meu pessoal de confiança nessa confusão.

—Os outros entrevistadores…

—Louis e Ellie vão participar, isso não vai ser alterado, só quero as garotas com quem tenho trabalhado ao lado de Tom Harry na sala de edição e no meu ponto.

—Brant, Everhart e…

—Colton. Ela é da outra emissora, o que não é um problema, já que sei que a garota vai se empenhar em ajudar. Também vou querer o Zhou como meu ajudante nas câmeras, especialmente com o Grimm perseguindo o pobre coitado depois do fiasco que causou na Shield. Talvez até o pegue de forma fixa para o meu programa, estou mesmo precisando de alguém competente como diretor de câmera.

—Eu fico um pouco preocupado com a Colton, mas se você realmente acha que ter ela e os outros nos bastidores vai te ajudar, tudo bem.

—Nesse caso Ransom, espero que entenda que as coisas podem não sair como o esperado. –E aquela era uma afirmação sincera da parte da latina sobre o assunto.

—Devo ficar muito preocupado com isso?

—Por enquanto não, em todo o caso, eu te aviso se descobrir algo que mude essa afirmação.

==========X==========

A sala de edição estava um caos com quase todos procurando alguma informação sobre o caso Dazzler e como conduzir o programa daquela noite. Em meio ao turbilhão de pessoas correndo para todos os lados, um grupo com três mulheres e um homem permaneciam calmos e inabaláveis, o que levou Edith a perguntar se o resto da equipe não sabia respirar.

—Silêncio! –Todos pararam onde estavam. –Quero todos para fora, só os quatro ali ficam.

—Mas senh…

—Isso não é um pedido. Não me interessa se vão fumar, comer, descansar ou chorar no banheiro, só preciso que saiam, se acalmem e me deixem conversar com eles. –Levou alguns segundos para todos reagirem e finalmente esvaziarem a sala. –Agora que estamos sozinhos… –Edith se voltou para seus parceiros de trabalho. –Me digam que conseguiram alguma coisa.

—Temos alguma coisa, especialmente com o que nos deixou de antemão do sábado, mas… –Olivia Colton hesitou preocupada com o que diriam. –Temos uma teoria que, sinceramente, parece uma história de louco.

Vargas não gostou daquilo, mesmo assim indicou que continuassem.

—O rapaz, James, tem vinte e dois anos e nasceu em Hokkaido, no Japão. –Rose Brant não parecia feliz. –Ele foi adotado por Emma Frost com um ano de idade.

—Um amigo da embaixada me disse que o pai dele, Wolverine, é canadense, mas a mãe é uma americana com dupla cidadia. –Zhou olhava tenso para a porta. –Ele não pode me passar os detalhes, só que os registros mostram uma burocracia gigantesca sobre o caso dele na época.

—Dazzler fez uma turnê de um ano pelo Japão que terminou mais ou menos cinco meses antes de James nascer e desapareceu por mais ou menos um ano e meio dentro do país, só voltando a dar sinais de vida no mesmo período em que Emma adotou o garoto. –Everhart tremia em sua cadeira.

—Nós ficamos com medo que isso fosse muito… Insano? –Olivia encarou os colegas que concordaram. –Então ligamos para Emma Frost e contamos o que descobrimos, o que acreditamos que era a história.

Edith queria dizer que seus colegas pisaram na bola, só que não acreditava nisso.

—Pela cara de vocês ela não negou.

—Ela não confirmou, apenas disse que se possível a gente esperasse a entrevista para perguntar a Dazzler diretamente. –Brant suspirou. –Não sei se a história do vício em drogas é verdadeira, só me fez questionar sobre as causas da depressão dela, porque nessa parte eu acredito.

—Eu nem quero pensar nas implicações da possível descoberta de vocês, só rezo para que não vire um problema muito grande. –A latina realmente não queria pensar naquilo antes de ver tudo com mais calma.

—Sobre isso… –Everhart tinha uma expressão de medo. –Eu trombei com uma informação sobre as viagens da Alison nos últimos anos e… Você não vai gostar nenhum pouco de ouvir isso.

E Edith Vargas sabia, pela forma como a jovem falou, que Nathalie estava certa.

====================X====================

Rebeca estava cansada, não fisicamente, já que a cadeira de rodas era fácil de usar; o seu cansaço era mental e o fato de estar lendo por horas seguidas sem conseguir lembrar dos detalhes do dia anterior estava deixando tudo mais pesado ainda.

Depois do almoço, a garota foi para a biblioteca próxima do corredor dos quartos dos professores, uma das menos movimentadas, para revisar suas anotações dos últimos dias, o que a fez pegar as anotações que Tristan havia feito. Ver novamente aquelas fórmulas e explicações era estranho, já que por causa delas sua vida tomou um caminho completamente diferente do que imaginava.

Becky parou, relendo o que o Stark deixou até se deparar com algo que não tinha entendido antes; ela observou aquela informação e imaginou se era inteligente usar aquilo, especialmente sem apoio de ninguém. Não era como se a ideia não fosse ruim, Rebecca apenas estava cansada de todos os olhares, piadas e trotes que teve de aguentar desde que Nathan a deixou em seu quarto um pouco antes do almoço.

Era exaustivo.

Ignorando as consequências, a LeBeau focou em sentir a energia dentro de seu corpo, concentrando-a em sua mão e depois no indicador, mentalizando a forma como aquele poder deveria reagir. Becky respirou fundo e visualizou uma pequena parte daquela energia, um milésimo de um por cento daquele poder, invadindo seu cérebro e restaurando sua memória no instante em que seu dedo tocou sua testa.

O choque percorreu seu corpo, que tremeu, fazendo alunos curiosos, que a seguiram, se assustarem e correrem em busca de ajuda.

Rebecca apertou o braço da cadeira, o amassando, e quando tentou segurar na peça de madeira, a mesma desmontou diante da pressão do toque; sem suporte a garota foi ao chão e quando uma segunda onda de choque varreu seu corpo, ela socou o chão, que rachou, causando um estrondo.

Becky ofegou caída no chão sem conseguir mover suas pernas, olhando ao redor surpresa e assustada; de algum modo sua atitude irresponsável havia dado certo e todas as memórias do incidente com Oliver retornaram, fazendo a garota encarar uma verdade infeliz: seu irmão tentou matá-la.

Apesar de ter tomado consciência de como suas ações com Ollie eram ruins e seu relacionamento fraternal tóxico, Rebecca não esperava que a situação fosse chegar aquele ponto; no final ela estava errada e sentia que em partes era sua culpa por ter ajudado a empurrar seu irmão mais fundo naquele abismo.

—Não vou dizer que está errada sobre algumas coisas, porém Oliver é responsável por suas próprias ações. –A LeBeau se virou assustada, perdendo um pouco do equilíbrio, e deu de cara com Nate. –O que me leva a dizer que essa foi uma ideia muito estúpida, mesmo para você. O único lado bom é que deu certo.

—Como você…?

—Os alunos buscaram ajuda e eu era o mais próximo, estava no meu quarto arrumando alguns papéis para as aulas do fim de tarde.

—Sinto muito, não achei que o resultado seria tão violento. –Becky puxou a cadeira de rodas, travando as mesmas. –Acredito que minha mesada vai embora só na cadeira de rodas esse mês. –A garota começou a tentar levantar para sentar novamente no aparelho, sem grande sucesso.

—Você pode pedir ajuda, sabia? –A forma como ela o encarou fez Nathan rir. –Sério, seus problemas são maiores do que Alexis ter uma crise de ciúmes e, vamos ser sinceros, eu seria idiota de olhar para outra garota depois de tanto tempo lutando por ela.

—Isso é verdade. –Rebecca suspirou. –Uma mãozinha, por favor. –O Summers riu e ajudou a LeBeau a voltar à cadeira de rodas. –Algo me diz que Emma pode relevar o chão e a estante baixa, mas Sussan vai comer meu rim por causa da cadeira.

—Se fosse só por isso. –Nate riu da expressão de medo da garota. –Vamos, tenho que te levar para a enfermaria, outra vez.

—Ela vai me matar.

==========X==========

—Você é uma das pessoas mais estupidamente idiotas que eu conheço Rebecca. –Sussan ralhou pela décima terceira vez seguida em menos de cinco minutos. –Se queria testar a teoria do uso da fórmula, era para ter vindo a enfermaria e feito sob uma estrita supervisão médica.

—Desculpa, eu não estava pensando direito. –Becky repetiu a desculpa sincera pela décima vez seguida.

A mutante albina estreitou os olhos e depois encarou Nathan.

—E você, eu acho que avisei que alguém deveria ir verificar a situação dela pelo menos a cada hora, não foi?

—Eu sei. Acabamos pisando na bola já que ela parecia que só estava lendo na biblioteca.

—Eu só estava lendo. –A garota tentou argumentar, mas se calou diante do olhar duro de ambos.

—Vou relevar dessa vez, mas não deixem ela sem supervisão por muito tempo. –Sussan se virou mexendo nas amostras e resultados do exame que havia feito. –Rebecca nunca foi querida pelos outros alunos, mesmo quando não fazia nada de errado, então é provável que as hostilidades contra ela cresçam um pouco agora.

—Entendo.

—Espera. Do que diabos vocês estão falando? –Becky notou o olhar receoso dos dois mutantes e ficou irritada. –Sério, qual o segredo agora? Achei que essas pessoas não gostavam de mim porque eu era um verdadeiro pé no saco de todos.

—Bom, você era mesmo. –Sussan olhou feio para o Summers que deu de ombros. –A questão é que você… Ah. É a sua mãe. –Ele notou que a garota não havia entendido, o que era compreensível, já que ela não conviveu por muito tempo ou guardou grandes lembranças de Anna Marie. –Eles tem inveja de você ser filha da Vampira e não ajuda que, sendo filha dela, você seja uma babaca.

—Eu…

Nathan percebeu que aquilo não terminaria bem e afastou Sussan, que se surpreendeu quando a energia explodiu de dentro de Rebecca, que estava visivelmente furiosa e transtornada; de algum modo a albina entendia o que a mais nova passava e isso era triste, mesmo que não soubesse o que levou Vampira a abandonar a filha.

O escudo telecinético de Nate impediu que os danos causados pela dissipação energética e os itens arremessados pela onda de choque acertassem ele ou a mutante médica às suas costas.

—Como eles ousam! Ela me abandonou. Me largou para trás e nunca se preocupou em mandar pelo menos uma maldita carta. Ela nunca explicou porque foi! Como eles ousam! –Sussan temeu pela integridade física de Rebecca ao liberar aquela quantidade de poder, mas teve mais medo ainda quando tudo desapareceu e a garota se encolheu parecendo desolada, enquanto chorava sem parar. –Eu odeio ela.

E diante da única afirmação inteligível da LeBeau, Nathan sentiu, pela primeira vez na vida, alguma empatia real pela garota; afinal, se havia uma coisa que ele entendia era de famílias quebradas.

—Faça ela dormir por uma hora, vou arrumar algumas coisas para ficarmos de olho nela depois.

Sussan não questionou a afirmação do professor, ela sabia que o que Becky mais precisava naquele momento era dormir e, talvez, esquecer dos problemas mesmo que por um segundo.

====================X====================

Wanda observava calmamente a confusão em sua casa.

Helena e James permaneciam calmos e inalterados, enquanto William estava em silêncio e Thomas gritava como um condenado sobre o absurdo que era toda aquela informação; em sua defesa, a Feiticeira Escarlate não via nenhum motivo para ameaçar o tênue equilíbrio caótico que havia se instalado entre sua cozinha e sua sala de jantar, só para não correr o risco de as coisas piorarem.

Apesar disso, como uma pessoa razoável, a mulher fez o seu movimento sem alertar os mais novos, embora ela desconfiasse que sua filha sabia disso.

Quando as batidas na porta vieram e a mesma se abriu dando passagem para Stephen Strange, o sorriso surgiu de forma involuntária no rosto de Wanda, especialmente quando ele se aproximou para abraçar Helena e parabenizar James por finalmente fazer parte da família (o que deixou a garota mais envergonhada ainda); quando o Mago se virou para os mais velhos, todos ficaram tensos e preocupados.

—Olá Billy. Acredito que você está um pouco bravo com tudo, assim como o Tommy, não é?

—Eu não… –Wiccano hesitou. –Achei que era meu professor e que nunca mentiria para mim.

—Eu sei. Infelizmente, também fiz uma promessa à sua mãe e ela inclui não te contar a verdade antes da hora. –Ele encarou Thomas. –Imagino que a sua raiva é bem explícita a essa altura.

—Explicita? Raiva? Como você acha que eu deveria me sentir sobre anos de mentira? Você é nosso pai e nunca falou nada.

—Em defesa dele, Stephen não sabia que era o pai de vocês por quase três anos. –A Maximoff se pronunciou pela primeira vez.

—Wanda, você não precisa…

—É a verdade. Nem eu sabia quem era o pai deles quando nasceram. –Todos se calaram e James, em particular, parecia achar algo muito interessante para fazer no celular. –Então não é culpa do pai de vocês que as coisas sejam essa bagunça, já que tudo foi uma bagunça naquela época e ele se mostrou muito paciente comigo nesse aspecto.

—Não exagere. Eu apenas sabia que você precisava de tempo e espaço, as coisas não dariam certo de outra forma.

—Você sabe que meu pai e meu irmão nunca aceitaram não saber quem era o pai dos garotos, o que foi apenas outro incentivo para não revelarmos sobre Lena e Max para ninguém além de Emma.

—Coitada dela, sempre no meio dos maiores problemas… –Stephen lamentou. –Em todo o caso, isso não foi feito por puro e simples egoísmo, também pensamos no bem-estar e qualidade de vida de vocês.

—Isso é verdade. –Wanda encarou seus filhos mais velhos. –Vocês sabem que por serem meus filhos, todos sempre olharam para seus poderes com certo temor e isso não é injustificado, já que eu passei por momentos difíceis que poderiam ter terminado de uma forma muito ruim. –Os garotos sabiam que a mãe falava a verdade. –Por isso, quando fiquei grávida dos seus irmãos mais novos, pedi que Stephen me ajudasse a esconder isso de todos e que ele criasse aquelas crianças como se fossem só dele.

—É verdade que, no começo, não entendia tudo isso, mas havia tantas coisas que sua mãe via melhor do que eu e quando ela finalmente aceitou fazer o exame para termos certeza se vocês eram meus filhos, seus irmãos já estavam para nascer. –O Mago Supremo suspirou. –Acho que foi quando realmente compreendi que se o mundo soubesse que sua mãe e eu tínhamos quatro filhos tão obscenamente poderosos como vocês, as coisas não seriam boas.

—Eu também temia o que meu pai poderia fazer naquele tempo. –A Feiticeira parecia ter um momento difícil. –Magneto estava mostrando sinais de melhora, havia até mesmo começado uma terapia com um mutante, mas ele ainda era, em essência, a mesma pessoa manipuladora e obcecada por poder. Achei que criá-los juntos, anunciando ao mundo sua linhagem poderosa era arriscar mais do que valia a pena ou os danos por ocultar a verdade.

—Eu percebi isso quando era criança. –Todos encararam Helena. –Talvez porque meu poder é ao mesmo tempo parecido com o dos nossos pais e o seu Billy, mas também diferente.

—Por isso foi se afastando de todos nós. –William não se sentia mais tão traído, embora a mágoa fosse outra história.

—Bom, tem outras coisas, mas acho que sobre a nossa questão familiar é isso mesmo.

Houve um silêncio longo e desconfortável que fez todos ficarem um pouco inquietos, mesmo assim ninguém falou nada por quase cinco minutos.

—Max sabe? –Foi Tommy quem perguntou ainda irritado.

—Sabe, eu e ele sempre visitamos mamãe uma vez por ano. Max até mais do que uma vez, se quer realmente saber. –Helena não estava preocupada com aquela parte

—E como diabos isso aconteceu?! –Havia uma raiva muito clara nas ações, postura, expressão e tom de voz do velocista. –Como é que vocês não sabiam quem era o nosso pai? Isso é ridículo!

—Thomas…

—Não se considerar a quantidade de homens com que eu dormi naquela época. –E Wanda cortou Stephen sem hesitar.

Tommy esperava que o pai desmentisse a mãe, mas isso não aconteceu, o que o deixou ainda mais irritado.

—Eu não tô entendendo mais nada.

—Então você deveria parar e sentar. –Billy encarou o irmão que, por fim, obedeceu contrariado. –Agora, será que vocês podem explicar o que aconteceu? Desde o começo, se for possível.

Stephen foi até Wanda e se sentou ao lado dela, segurando sua mão com cuidado.

—Se eu for contar do começo, pulando os detalhes sórdidos e indo ao ponto em que eu e seu pai realmente começamos a nos entender, então acho que as coisas começam com a morte da Jean e… –Ela encarou James. –Isso de certa forma envolve a sua mãe e a história de como Emma te adotou.

O rapaz parecia surpreso dessa vez.

—Eu não sabia que as coisas aconteceram na mesma época.

O Mago riu.

—Garoto, você não faz ideia da metade das coisas que caiam na cabeça da sua mãe sem que mais ninguém tomasse conhecimento.

—Acho até que eu nem fui a mais maluca que ela teve que lidar. –Wanda confessou um pouco contrariada. –Mas, como eu estava falando, acho que a melhor forma de explicar tudo que aconteceu é começar pelo enterro da Jean, mesmo que Billy e Tommy já fossem nascidos.

====================X====================

—Seu pai disse que as coisas ficam caóticas na casa da sua mãe, tem certeza que é inteligente ir a um show em vez de socorrer sua família? –Jason encarava o namorado confuso.

—Minha presença não vai ajudar em nada, talvez até atrapalhe em algum ponto, então não faz diferença para o que eles vão conversar e, no final, minha irmã vai me mostrar a conversa deles ou eles vão me convocar. Se formos mesmo analisar, a minha importância nessa história é quase nula; especialmente que uma vez mamãe prometeu me contar os detalhes no futuro.

—E se ela contar para a sua irmã agora?

—Então ela me conta depois também.

—Você está bem com isso?

—Sim, afinal, mesmo que soe estranho, posso conversar com a minha família depois, mas esse show e essa entrevista serão únicos.

Jason encarou o namorado um pouco preocupado.

—Por que isso é tão importante mesmo? –Ele notou o olhar de Max, como se a pergunta fosse absurda. –Você já assistiu a outros shows dela, então parece estranho.

—Só que a entrevista se tornou bem mais interessante, afinal existe um boato sobre um caso com James, que está oficialmente namorando a minha irmã e aquela ingrata não me contou qual o grande segredo.

—Então você não liga mais para o show em si, mas para a entrevista e o que pode vir dela?

—Isso.

—Eu ainda não entendo direito, embora concorde que informações são importantes em todas as épocas e lugares.

Maximillian sorriu para o semideus e o puxou para um beijo, que deixou o asgardiano tonto.

—Eu só não vou tirar a sua roupa agora porque isso nos atrasaria para o show, só que mais tarde vou gostar muito de te ensinar que tenho acesso a muitas informações interessantes.

Jason engoliu em seco e sentiu seu coração falhar uma batida.

Max podia ser muitas coisas, mentiroso não era uma delas.

====================X====================

Becky suspirou exasperada ao ouvir a porta abrir menos de cinco minutos depois de Emma ter vindo verificar como ela estava, o que era frustrante.

—Eu já disse que estou bem e não pretendo fazer nada estúpido como usar as fórmulas do Stark novamente, então podem me deixar estudar em paz por, pelo menos, uma hora inteira.

—E por que você não deveria usar as fórmulas que te passei com tanta boa vontade? –Rebecca se virou assustada e, se fosse sincera, preocupada de ouvir a voz de Tristan, enquanto seu coração acelerava de uma forma que a deixava confusa. –O que houve com você? Se machucou nos treinos do James ou foi algum acidente no percurso do treino especial?

—Isso… –Ela hesitou.

O silêncio longo e desconfortável fez o garoto estreitar os olhos e prestar atenção nela, como se aquilo pudesse responder sua dúvida a respeito do que estava errado.

—Quem foi que te atacou? –A expressão surpresa dela foi a resposta para ele de que sua suposição era correta. –Algum aluno tentou se vingar de você? Ou… –A LeBeau se encolheu. –Então realmente foi ele, Oliver te atacou. –Ela ficou apreensiva diante da forma como o Stark cuspiu a afirmação e o nome de seu irmão, com um desprezo tão grande quanto o que esperava de alguém que realmente se importasse e aquilo era inesperado. –Aquele vermezinho miserável precisa mesmo aprender uma lição. Acho que bati com pouca força nele no sábado; talvez eu deva…

—Não precisa! –Rebecca ficou preocupada com o que o garoto poderia fazer com seu irmão. –Claire já o espancou durante algumas horas e sei que James deve puni-lo com tanto ou mais rigor. –Ela hesitou, sabendo que o fato de se preocupar com a segurança a vida de Ollie não a impedia de se sentir decepcionada com o que aconteceu. –Não gaste seu tempo com isso, em partes sei que a culpa é minha por ter incentivado tanto o comportamento destrutivo dele, então era esperado que uma hora ele se voltasse contra mim.

Tristan encarou a LeBeau, que olhava para baixo, e sorriu.

Ela havia crescido.

Fazia apenas alguns dias desde seu encontro com a garota e ali estava uma pessoa completamente diferente da última sexta-feira, que também não era a mesma com quem conversou na segunda e provavelmente ela também não se sentia a mesma pessoa do dia anterior.

—Acho que você passou por algumas experiências essa semana. –Ela deu de ombros como se não ligasse. –Isso é bom, mostra que houve evolução na sua vida. –Uma risada triste escapou dela. –Então me diga: como seu irmão te colocou em uma cadeira de rodas?

—Bom, na verdade, de uma forma estranha, isso foi culpa minha. –A garota riu um pouco sem graça. –Ollie tentou roubar meus poderes ontem e quando ele me alcançou, agi por impulso e usei a minha mutação para bloquear.

—Então eu tinha razão, você realmente tem uma variação da mutação do Remy.

—O que foi assustador, sendo bem sincera. –O garoto deu de ombros. –Enfim, isso causou um surto de crescimento dos meus poderes e sobrecarregou meu corpo.

—O que te deixou parcialmente paralisada. –Tristan a observou e sorriu. –Imagino que, para todos os efeitos, isso tudo significa que meu presente foi muito mais do que útil no seu objetivo, certo?

Rebecca deixou um gemido choroso escapar.

—Sim, excessivamente útil sendo bem sincera.

—Bom, eu disse que estava vendendo a minha ajuda por um preço barato naquele dia, você que não quis acreditar. –Outro lamento escapou da garota. –Me pergunto se você chegou a alguma conclusão sobre o quanto minha ajuda vale, muito embora eu possa ser generoso o suficiente para aceitar algo mais acessível como recompensa.

Becky encarou o Stark em dúvida sobre o quanto ele entendia a palavra “generoso” em uma negociação que começará com um beijo como barganha; uma barganha que ela confessava ser muito boa para si naquele momento.

—E que tipo de preço você estaria disposto a cobrar por essa informação agora?

E mesmo com medo, Rebecca sabia que o valor do que recebeu era muito mais alto do que poderia mensurar, então talvez não fosse errado saber o quanto o garoto poderia pedir para contrapor a oferta.

Tristan sorriu animado.

—Vamos concordar, um beijo não teria sido nada. –Becky concordou. –E sei que o que te dei é muito mais caro do ponto de vista de utilidade e também emocional para você do que qualquer coisa que possa ter passado por essa sua cabecinha fofa. –Ela bufou irritada com o tom brincalhão dele. –Se eu fosse um canalha sem escrúpulos poderia fazer um pedido bem absurdo, mas… O que me diz de um encontro e três beijos?

O primeiro impulso da LeBeu foi pensar o que o Stark tinha com beijos, até que ela se deu conta de que ele estava sendo realmente generoso com aquela proposta. Pensar nisso a deixou incomodada, afinal nunca fizera nada para merecer que qualquer um a ajudasse, especialmente Tristan, que mal falara com ela até a semana anterior e, quase em um passe de mágica, agora sempre estava à sua disposição caso pedisse.

Becky ergueu a mão com três dedos em destaque.

—Três encontros e seis beijos. –Ele ficou surpreso, o que a deixou um pouco feliz. –Você realmente está sendo generoso comigo, não acho justo não fazer ao menos isso para agradecer.

—Sabe que não falei a parte sobre pedir algo absurdo para sair comigo mais do que uma vez, não é?

—Sei. Mesmo assim, você não mentiu, aquelas fórmulas realmente mudaram a minha vida em menos de uma semana e eu não tenho nenhuma maneira de agradecer o suficiente por isso.

Tristan pareceu desconfortável por um momento.

—Bom, não é como se eu não tivesse te ajudado sem nenhuma intenção, então não precisa ficar tão preocupada assim.

—Eu sei. –Ela sorria para Tristan com sinceridade. –Mesmo assim, isso não me incomoda.

Ele riu.

—Você é estranha.

—Isso é ruim?

—Não, na verdade é ótimo. –O garoto se abaixou na frente da cadeira, a encarando com um sorriso atrevido. –Eu seria uma pessoa ruim perguntando se você aceita sair comigo hoje?

—Como?

—Tipo… –Ele olhou o relógio em seu pulso. –O show da Dazzler começa em duas horas e meu pai tem um espaço VIP na casa de shows, ele me emprestou o quinjet, então a gente pode chegar logo na abertura se sairmos em uma hora e pegarmos um dos carros da minha família na Torre. –Tristan voltou a fitá-la. –O que me diz?

—Que você é maluco e esse show tem tudo pra virar uma confusão.

—Por que?

Becky gemeu irritada consigo mesma.

—Esqueça isso. Eu estou sob supervisão médica e não vão me autorizar a sair sem um acompanhante.

—Eu autorizo. –Os dois jovens olharam para a porta e deram de cara com Sussan. –É claro que para isso, Tristan precisaria me prometer te trazer para o Instituto ao menor sinal de piora ou novo surto dos seus poderes. –Ela encarou o garoto que sorriu.

—Se isso é tudo que preciso prometer, então considere feito.

A mutante albina o encarou com cuidado por alguns segundos.

—Não confio nas suas intenções Stark, mas vou confiar que vai colocar o bem-estar e saúde da Rebecca a frente de qualquer outra coisa, incluindo de você mesmo, fui clara?

—Sim senhora. –Ele se virou para a LeBeau. –Você tem sua autorização e, se não te falaram, tirar uma folga também é parte de treinar e aprender.

Becky se voltou para Sussan.

—Por isso resolveu deixar ele me levar no show?

—Eu disse mais cedo que você deveria pegar leve, mesmo assim aqui está você, estudando como uma condenada por horas. –A estudante de medicina se virou para sair. –Tome um banho e vá arejar a cabeça um pouco, isso é uma ordem médica. Não esqueça de comer, seu metabolismo ainda é o mesmo, independente da cadeira de rodas ou de não se exercitar como nos outros dias.

Assim que a albina saiu, Tristan sorriu animado para a LeBeau.

—Saímos em uma hora?

A garota suspirou.

—Certo, mas vai me comprar comida.

—Não se preocupe Rebecca, vou garantir que você fique bem e segura.

—Não deveria ser que “não te falte um fio de cabelo”?

Ele riu.

—Cabelo cai e… Se eu te beijar ainda hoje, não quero ter que me preocupar em contar os fios de cabelo que podem cair. –E antes que ela pudesse retrucar, Tristan começou a empurrar a cadeira. –Vou te deixar na porta do seu quarto, depois aviso Emma que vamos sair e… Preciso chamar alguém para te ajudar com o banho?

—Não a Sussan já…

—Já me avisou que você vai sair. –Alexis encarou o Stark estreitando os olhos e Christine gargalhou da expressão do garoto. –Ela tem que voltar para o Instituto, nada de passar a noite fora, fui clara?

—Sim senhora. –Ele encarou a Frost. –Ela não tinha se entendido com o Nathan?

—Ela é igual ao James, superprotetora. Não que você possa culpá-la.

Tristan parou na porta do quarto de Rebecca e a olhou com carinho.

—Volto logo.

E depois que ele saiu, a garota encarou as duas loiras.

—Sabe, ele pode ser meio idiota, mas é legal. Não entendo o porquê de tanta implicância.

Alexis suspirou cansada e Christine terminou de levar a garota para dentro do quarto.

—Isso porque você ainda é muito ingênua e desatenta, assim como todo mundo.

—O que isso deveria significar?

A Frost ajudou a mais nova a entrar na banheira e sorriu divertida.

—Que eu não sou heterossexual, nem o James.

A LeBeau olhou para Alexis em busca de algum sinal sobre aquela afirmação, mas a Rasputin apenas deu de ombros.

Rebecca encarou Christine por alguns segundos e depois inclinou a cabeça.

—Existe algum F na sequência de LGBT+ para representar a sua família?

—Ainda não, mas bem que podia.

====================X====================

Dizer que o show surpresa de Dazzler havia se tornado o evento mais importante do ano para o entretenimento era simplesmente uma mentira.

Após um ataque terrorista frustrado, a reportagem sobre Claire e Laura, a audiência no Congresso em menos de um mês (a qual alguns especialistas se mostravam ansiosos e divididos), ter aquele evento e depois uma entrevista de fofocas com Edith Vargas, fazia com que muitos se sentissem aliviados. Afinal, que mal poderia vir de uma noite relaxante, onde a vida amorosa de uma mulher de quarenta e poucos anos seria o foco?

Obviamente, Rebecca discordava completamente dos comentários no rádio e na entrada VIP do show, onde pessoas menos ricas que os Stark haviam gasto verdadeiras fortunas para ocupar um dos exclusivos camarotes.

—Por que seu pai tem um camarote fixo aqui?

—Hum? Ah, nós somos donos de uma parte do lugar, então temos esse espaço exclusivo.

—Donos?

—Sim. Não somos os únicos, mas isso ajuda sempre que decidimos fazer algo impulsivo.

—Como me chamar para sair. –Ele gargalhou. –Conhece os outros donos?

—Alguns, mas os Frost são parte dos acionistas.

—Eu nem deveria ficar surpresa com isso.

—Pois deveria, Emma tem uma parte própria, mas também é responsável pelas ações de dois herdeiros que são menores de idade. Os pais deles investiram um bom dinheiro em áreas que a Rainha Branca orientou e a família tem bastante dinheiro hoje em dia.

—Herdeiros? Então, os pais morreram?

—Algo assim. –Tristan desconversou.

Becky não reclamou, ela sabia que sua vice-diretora cuidava de muitas crianças órfãs além dela e Ollie, por isso não seria estranho que algumas com dinheiro estivessem na lista de beneficiados da sua tutoria.

—E seremos apenas nós no camarote VIP da sua família?

—Sim, eu deveria ter chamado mais alguém?

—Não é isso. Apenas lembrei que James conseguiu ingressos especiais para Alison Mckenzie e Max, parece que eles vão trazer Valéria e Jason como acompanhantes.

—Ah, então se eles devem usar o espaço dos Frost ou disputar um lugar na área em frente ao palco.

—O espaço dos Frost?

—Compartilhado com o espaço da tia Ororo e do Von Doom, ambos donos de parte do lugar; apesar que no caso do nosso monarca, a tia Emma é quem administra por causa das sanções do pós-guerra.

—Não entendo como podem culpar o rei Victor por querer reparação após quase matarem a sobrinha dele, é como esperar que a América não reaja ao assassinato do presidente por um soldado estrangeiro.

—Verdade, mas isso é política e, nesse caso em específico, existe um interesse antigo nos recursos da Latvéria.

—Que tipo de recurso?

—Você não sabe? Eles são a Wakanda das gemas preciosas com propriedades mágicas. –Tristan notou a surpresa da garota. –Antes do Von Doom assumir o trono, a realeza latveriana era conhecida por sua estrutura intrinsecamente corrupta que usurpou tudo do povo, eles também tinham o hábito de vender as riquezas do país como se não valessem mais do que o normal. Quando Victor assumiu, ele acabou com tudo e abriu as minas para estudo, foi quando as coisas ficaram complicadas.

—Eu sei algo sobre isso, a respeito de como organizações de tratados entre países ameaçaram ele, mas a população saiu em defesa da sua forma de governar.

—Sim, o povo da Latvéria tem o rei Victor como um salvador e, mesmo com suas posturas rígidas e relacionamento agressivo com outros países, todos dizem o mesmo sobre ele: desde que o rei Von Doom assumiu, a comida nunca mais faltou.

—Imagino que as coisas eram ruins antes.

—Eu li uma vez um relato sobre canibalismo ser uma prática não incomum entre os mais pobres, embora muitos tenham desmentido essa possibilidade. Imagino que por questões de imagem pública.

—Eles matavam pessoas para poder comer?

—Acredito, e posso estar errado, que era mais comer os mortos para não morrer de fome. Considerando que as taxas gerais de mortalidade eram superiores a cinquenta por cento da população quando o rei era criança e mesmo a população de animais de rua e esgoto quase desapareceram antes do Von Doom tomar o trono, acho que não é tão estranho.

Os dois entraram no camarote da família Stark e tomaram seus lugares.

—Então eles fizeram igual as pessoas na guerra, comendo ratos, pombos, cães e gatos. –Becky suspirou. –Realmente, faz sentido a população gostar dele.

—E se tivesse parado aí, a população já teria ficado satisfeita, mas Victor continuou erguendo o país e eles hoje são um dos territórios mais desenvolvidos tecnologicamente do mundo. Acredite ou não, mesmo com o inverno europeu, a Latvéria produz culturas de colheita o ano inteiro em estufas além de ser autossuficiente energeticamente.

—Como ele fez isso?

—Tendo cinco reatores nucleares com o maior nível de segurança contra vazamentos e sendo capaz de enriquecer mais urânio que os Estados Unidos em um ano. –A garota riu da forma como Tristan falou. –Ele também investiu pesado em encontrar pessoas inteligentes e com dons, não apenas mutantes e poderes especiais, oferecendo segurança e reconhecimento para qualquer um que estivesse disposto a contribuir para o país se tornar mais forte. Sabia que ele é o único governante do mundo com um regimento formado apenas por magos e feiticeiros nas forças armadas?

—Não, mas é bem surpreendente.

—Ele fez um acordo com o Stephen a alguns anos, os homens dele treinam no Kamar Taj e, caso seja algo que nosso amigo Vingador discorde, o Strange tem direito de vetar o uso desses soldados em conflitos.

—Ele vetou na guerra de três anos?

—Não, ele autorizou. Foi o Victor que pediu que os magos e feiticeiros ficassem na retaguarda e cuidassem dos feridos, o que evitou mais problemas políticos para a Latvéria.

—Você disse que eles são a Wakanda das gemas preciosas com propriedades mágicas, o que isso quer dizer? –Rebecca achava que aquilo era importante

—Que todas as pedras preciosas do mundo podem armazenar magia, mas as da Latvéria são as únicas no mundo que parecem ter propriedades mágicas naturais, o que permite a fusão de feitiços tão raros que nunca poderiam ser performados por menos de três pessoas versados em alta magia ou um deus.

—E o mundo sabe disso?

—Sabe. A informação se tornou de conhecimento público nos últimos vinte anos, o que causou um alvoroço na comunidade internacional e levou a uma tentativa de desmantelamento do país por parte de muitos governos, incluindo o nosso.

—Eu quero mesmo saber uma coisa agora, como o Von Doom conseguiu impedir que colocassem as mãos no país dele?

—Ele tem um dos maiores arsenais nucleares do mundo, literalmente faz inveja a alguns dos países do Conselho de Segurança, e está com a bunda em cima da maior mina de pedras magias do mundo, que podem ser usadas para um feitiço de destruição em massa que pode obliterar o mundo.

—Entendi, ele os ameaçou dizendo que se o país fosse tomado ou o povo ferido, não restaria mundo para ninguém.

—Eu não o culpo por ser tão radical.

—Nem eu, pelo menos ele pensou em como o povo seria usado e enganado para depois ser descartado. Seria certo que usariam uma propaganda para salvar a Latvéria do governo tirânico do Von Doom, depois sugar todos os recursos e quando não houvesse mais nada, deixariam o país à mercê de qualquer aproveitador. Haveria um aumento do tráfico de pessoas e venda de drogas, provavelmente muitos estrangeiros estuprariam mulheres e garotas, homens seriam colocados para trabalhar por trocados e coisas como prostituição infantil seriam as mais comuns sem que ninguém prestasse atenção na comunidade internacional.

Tristan olhou para Rebecca surpreso que ela fosse capaz de olhar tão longe.

—Uau.

—Eu tenho estudado. –Ela deu de ombros.

—Mesmo assim, você está certa. –Ele desviou o olhar. –Apesar de não ser o ideal, não é raro que muitos casos como esse aconteçam ainda hoje, especialmente quando o país-alvo tem algum reservatório de interesse ou é caminho para invadir outros países que se opõe à vontade dos mais poderosos.

—Política e ambição sem limites podem ser um saco.

—O ódio sem restrições também ajuda, acho que você entende isso um pouco.

A LeBeau assentiu.

—Realmente, chegamos perto do horário de começar, acho que os outros foram para a multidão.

—Não, eles foram para o camarote, veja. –Tristan indicou a janela de outra sala privativa onde quatro pessoas berravam de forma entusiasmada para a entrada de Dazzler. –Eles têm energia.

—Cara, isso vai ser o caos. –A LeBeau deixou escapar.

O garoto encarou Rebecca.

—Sério, o que é que você sabe que está te deixando tão nervosa?

Becky fez uma careta.

—Acredite, existem coisas que a gente não deve desejar saber antes da hora e essa é uma delas; porque eu, que descobri por acidente, faria de tudo para esquecer.

—E eu tenho alguma chance de descobrir isso cedo ou tarde?

—Igual todo mundo hoje, mas vamos deixar isso de lado.

Tristan concordou, mesmo que algo lhe dissesse que aquilo poderia ser interessante descobrir com antecedência

====================X====================

Christine encarou Claire e Laura sentando no sofá da sala do Instituto.

Todos estavam se reunindo ali para acompanhar a entrevista de Alison Blaire naquela noite e descobrir o que havia acontecido para que o temido James Howlett fosse pego jantando com a diva mutante.

A Frost não pretendia brigar com o irmão apenas para resolver a questão, especialmente sem saber o que ele, Emma e Alison tinham combinado sobre aquilo, mas admitia que achava aquela situação divertida.

—Você está com cara de quem sabe de algo. –Andrew abraçou a namorada por trás.

—Chegou agora?

—Sim, imaginei que já estariam todos em silêncio acompanhando o programa.

—Não, precisamos de alguém que faça todos calarem a boca de qualquer forma e a Claire só chegou agora. –Os dois observaram a Rogers mandar todos calarem a boca e sentarem antes de aumentar o volume do aparelho, que ainda estava no mínimo. –Isso pode ser melhor do que eu esperava.

Andrew não falou nada, mesmo sabendo que a namorada provavelmente estava certa, afinal ele não tinha porque duvidar dela.

No momento em que todos se calaram e o volume do aparelho foi colocado no máximo, Edith fez o questionamento que todos esperavam.

—Bom Alison, eu devo admitir que fiz a minha pesquisa e tenho uma vaga ideia de quem é James Howlett, mas preciso te dar a chance de responder a pergunta que todos se fizeram o dia todo: quem realmente é o rapaz com quem você se encontrou ontem?

A câmera focou na mutante popstar, que sorriu de forma gentil para a entrevistadora.

—Ele é James Carter Blaire Howlett, meu filho.

E naquele momento, não apenas os que assistiam à entrevista no Instituto, mas em todo o país, fizeram apenas uma pergunta:

—Como é que é?!

—

—

—

Continua...

—

—

—

No próximo capítulo: Com Amor, Dazzler.

Notas finais
O próximo capítulo sai por volta do dia 16 de setembro. E olha, vai ter conteúdo e surpresas; vocês acham mesmo que eu revelei tudo? Não mesmo, se preparem.