Notas iniciais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.

18 de Outubro

Quando o dia terminou e Rebecca foi liberada, seu corpo doía em lugares e de formas que ela não achava ser possível, além de se perguntar se uma pessoa poderia ter cãibra no cérebro.

—Como se sente?

A garota encarou James, que sorria como se algo o divertisse imensamente salientando seus olhos incomuns.

—Como se tivesse sido atropelada por um trem e arrastada por cem quilômetros debaixo dele.

—Excelente. –O Howlett riu da cara de raiva dela. –Foi um dia interessante para todos e acho que você surpreendeu tanto a minha irmã quanto a Claire, o que é difícil.

—E os meus resultados?

—Muito mais promissores, como a Alexis falou mais cedo. O que também significa que com essa sua nova habilidade, vamos poder fazer você correr bem rápido na sua evolução.

—E algo me diz que você está feliz por poder me torturar mais do que o previsto.

James riu um pouco seco.

—Pode não parecer, mas me preocupo com a capacidade de cada um se defender no mundo lá fora e sou da política que é melhor vocês aprenderem o que é dor comigo batendo sem piedade, do que nas mãos de um maluco que vai dissecá-los vivos.

Rebecca parou analisando o professor por alguns instantes e lembrando da forma como Alexis disse que ele era, na verdade, muito superprotetor.

—Sabe, as pessoas provavelmente te veriam com outros olhos se você explicasse seus objetivos com mais clareza.

—Como?

—Quantas pessoas realmente sabem que seus treinos infernais são uma forma de nos preparar para o que de pior podemos encontrar?

O mais velho sorriu.

—A questão Becky, é que elas normalmente não tem interesse em saber e as que sabem já tomaram sua decisão.

—Como assim?

—Acha mesmo que as pessoas que participam voluntariamente dos meus treinos avançados e fazem parte do intercâmbio com a Shield não sabem disso? Alguns deles me perguntaram sobre por que eu sou assim antes de entrar no programa, outros depois. –O Howlett entregou um novo cronograma para a LeBeau. –O ponto é que, em algum momento, todos que realmente se importam resolveram agir e de algum modo já sabiam o que esperar de mim, mesmo que não tivessem certeza e precisassem perguntar. –Ele apontou para a papelada. –Continue usando as dicas do Stark, você vai precisar já que aumentei sua carga de exercícios e Christine a de estudos.

A mais nova olhou a papelada.

—Treino especializado?

—Sim, vamos tentar te ajudar a aprender a usar seus verdadeiros poderes.

—São três vezes por semana, isso vai bastar?

—De começo é o necessário, até porque precisamos descobrir como acionar essa sua mutação corretamente e, mais importante, como não deixar ninguém se machucar no processo.

—Então eu tenho tempo para descansar dessa parte que vai ser mais exaustiva e focar nas outras coisas, além de dar tempo para, caso necessário, encontrarmos um lugar seguro para usar meus poderes. –A garota parou e encarou o professor que sorria. –Não fale.

—Por que? É engraçado ver que seus poderes estão te deixando não apenas mais inteligente e capaz de entender coisas simples, mas também parece afetar seu senso de humanidade.

—Eu te odeio.

—Muita gente diz isso. –James se aproximou e bagunçou o cabelo da garota. –Vá jantar e continue estudando mais um pouco, incluindo a dica do Stark, depois vá dormir. –O rapaz se afastou um passo. –Amanhã você estará com a Alexis ou por conta em alguns momentos.

—Por que?

—Amanhã eu estou de folga. –Ele parou e a encarou com um sorriso um pouco pretensioso. –E só para você saber, dá para usar seus poderes para conseguir fazer seu cérebro aprender enquanto dorme ouvindo áudios e documentários. –O rapaz se afastou. –Vamos começar a trabalhar seus poderes por aí, acho que vai ser interessante, não é?

Rebecca suspirou cansada.

Sua nova rotina tinha um cronograma de avanço, então a cada semana seus objetivos aumentariam naturalmente, por vezes dobrar, até que eles encontrassem o limite de suas habilidades.

Para seus estudos as coisas estavam parecidas, já que ela teria dez dias para demonstrar controle sobre os aspectos gerais de conversação do português e Christine havia garantido que ela não gostaria das consequências de falhar. A LeBeau já tinha até uma previsão de que na semana seguinte teria que começar a aprender alemão e depois japonês, o que significava que ela teria que aprender três idiomas em um mês.

Pensar naquilo era cansativo e, ainda assim, menos assustador do que aprender a usar sua mutação recém-redescoberta.

Manipulação de energia.

Ainda não sabiam ao certo se a mutação derivada que herdou de seu pai poderia ser usada da mesma forma, embora houvesse semelhanças.

Becky não possuía nenhuma característica física que indicasse algo sobre isso, embora Fera tenha descoberto em meio aos testes que sua visão detinha algumas das mesmas qualidades que a de Remy, sem as fraquezas, o que a tornava uma bagunça para o médico e Sussan lidar. A própria carga de energia que seu corpo gerava desde que nasceu era o principal motivo dos aparelhos eletrônicos não funcionarem corretamente em suas mãos, já que eram afetados diretamente pelo toque da garota, que inconscientemente queimava os circuitos a partir do núcleo interno.

Esse era o principal motivo da mutante albina odiar a chegada de Rebecca na enfermaria.

Agora eles tinham esperança que isso parasse de acontecer, já que a garota seria treinada apropriadamente para controlar seus poderes inatos.

A LeBeau terminou de pegar sua comida no refeitório e seguiu para seu quarto, ignorando os olhares estranhos que recebia, já que algum boato sobre seu dia talvez já tivesse se espalhado.

Assim que entrou no quarto, a garota se deparou com duas caixas sobre sua cama e suspirou um tanto desanimada e pressentindo que talvez aquilo fosse um problema, o que não foi o caso.

Dentro das caixas havia diversas fitas cassete e três aparelhos que pareciam novos.

Junto delas um bilhete com uma letra extremamente bem desenhada.

Ainda não sei o que pensar sobre a sua mudança, mas James e Alexis acham que vale a pena investir tempo e esperança em você.

Se fosse apenas a Alexis, eu declinaria, só que o James costuma ser mais desconfiado, então vou participar disso.

Nessas caixas estão algumas explicações sobre temas que você pode precisar, matérias do dia a dia e também alguns temas especiais.

Como sua mutação afeta aparelhos antigos menos que os novos, pedi para o tio Tony fazer algumas modificações nos resistores e capacitores desses toca fitas e para o Andrew usar o conversor da Shield para gravar o conteúdo em uma mídia compatível.

Sugiro que as deixe tocando enquanto dorme e ouça enquanto faz seus exercícios diários. Quando terminar me avise, já preparei uma segunda leva de conteúdo para as próximas semanas.

Sobre sua negociação com o Tristan, lamento informar que você se deu mal.

Ele não vai exigir nada absurdo, só que também não vai deixar passar nada e a compensação vai ter que ser algo que ele realmente queira, então acho que você vai entender quando eu disser que é impossível te ajudar.

Se cuide,

Claire.

E era isso.

Claire não poderia ajudá-la mais do que qualquer um dos outros amigos do Stark, que era, na melhor das hipóteses, uma raposa traiçoeira ao negociar seus termos em um acordo. Outra prova de que Rebecca deveria ter aproveitado a primeira oferta que ele fez de forma tão arrogante, já que Tristan devia imaginar muito bem o resultado que teria.

Becky suspirou parando por um momento ao lembrar que em muitos momentos no dia seguinte estaria sozinha, então teria que ter um desempenho exemplar para que James e Alexis não pensassem que ela se esforçava apenas na presença deles.

Ela se voltou para seu prato de comida um pouco mais frio do que gostaria e começou a comer a montanha de comida surpresa por não se sentir cheia antes de terminar com algo que provavelmente não teria ingerido em dois dias inteiros antes de seus treinos. O que a fez lembrar do aviso de Hank sobre como o fato dela ter começado a usar sua mutação e os treinos a deixaria mais faminta e precisando de mais nutrientes. A LeBeau também tinha um novo cronograma alimentar do médico e Sussan havia dito que ela não fosse leviana só por achar que estava comendo em excesso.

Terminou sua refeição e pegou os materiais que precisava estudar antes de dormir. Tinha que aproveitar o tempo antes de deitar ou acumularia coisas para fazer no dia seguinte.

Sobre Tristan e sua negociação perdida, Becky pensaria a respeito quando a hora chegasse.

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Depois de algum tempo esperando, Alexis encarou Ororo novamente e então Jean.

A garota suspirou um pouco decepcionada.

Esperava encontrar Emma em seu escritório depois do jantar, mas agora tinha sua tia e, para piorar, a mãe de Nate, porque as coisas definitivamente tinham que ser ridiculamente constrangedoras.

—Sinceramente Alexis, Emma disse que demoraria e você sabe que pode falar comigo. –A mutante alva notou a forma como a loira inclinou a cabeça para o lado, encarou a sua colega e depois suspirou. –O que houve que você não quer falar com a Jean aqui?

A ruiva encarou a mais nova e depois riu.

—Ela provavelmente quer falar do meu filho. –A Grey notou o olhar um pouco espantado da mestiça, o que a fez rir. –Não sou o Scott, sei que vocês se gostam e, sinceramente, acho que não vou encontrar uma nora melhor nem se tentar.

—Eu… Isso… –Alexis adquiriu um tom vermelho intenso em seu rosto, o que fez as duas mulheres mais velhas conterem a vontade de rir.

—Diga o que quer, não pode ser mais chocante do que Aisha me dizendo que está grávida. –A mutante climática comentou em tom de brincadeira.

—Ah, parabéns por isso. –Alexis comentou distraída. –Esqueci de dizer isso ontem. –A mutante negra assentiu. –Eu vou precisar que alguém supervisione a Rebecca amanhã.

As duas mulheres pararam por um momento.

—Aconteceu algo? –Jean ficou preocupada.

—Não. –A mais nova hesitou. –É complicado explicar agora e eu definitivamente morreria se tivesse que fazê-lo. –A loira resmungou um pouco exasperada. –Se possível, vejam com a Claire e a Laura, já que elas vão ficar até amanhã à tarde, ou o Logan, que já está acostumado com os planos de treino que eu e James usamos.

—Você vai sair? –A telepata não queria invadir a mente da garota, mas estava ficando complicado.

—Não, isso… –Alexis levantou indo até a porta e parou ao tocar a maçaneta. –É uma precaução. –Ela encarou Ororo por um momento. –Cancele as minhas aulas. –Ao abrir a porta a garota engoliu em seco e quando estava fechando a mesma deu a última orientação. –E as do Nate também.

As duas mulheres ficaram olhando para a porta por alguns instantes antes da alva suspirar.

—Faz sentido que ela estivesse tão sem jeito.

—Faz? –A ruiva ainda estava um pouco confusa.

—Considerando a quantidade de pessoas que de certo modo vem pegando no pé dela nos últimos dias, muito. –Ororo sorriu de uma forma que a outra mulher associou a Emma, o que era preocupante. –É claro que ela talvez tivesse ficado mais à vontade para me dizer tudo isso se você não estivesse presente.

—Por que ela dorme com o Nate?

—Não, mas passou perto.

—E por que as pessoas estão pegando no pé dela?

—Por causa do Nate.

Jean parou para pensar por um momento e enfim suspirou.

—Achei que fosse algo mais grave. –Ela fechou um relatório e colocou sobre a pilha de arquivamento. –Acho bom cancelarmos as aulas depois da meia-noite.

—Concordo.

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Nathan largou a caneta sobre o livro e se espreguiçou cansado.

Emma não estava brincando quando disse que faria da vida dos alunos abaixo da média um inferno e essa medida estava refletindo nele, afinal era um dos professores mais exigentes e mesmo assim muitos alunos do seu curso ainda eram ineficientes. Não que ele não soubesse parte do motivo: boa parte de seus alunos estava ali por uma paixonite infantil que nutriam pelo Summers.

Não era arrogância por parte do professor, apenas era a verdade.

Todos os semestres dezenas de alunas se inscreviam no curso de Técnicas para Combate Mental apenas para ficar babando nele. O mesmo acontecia com as aulas de geografia avançada no curso sobre Estudos da Natureza, o que fazia com que sua parte do trabalho fosse triste.

Por mais de uma vez, quando as coisas ficavam realmente ridículas, ele expulsou alunos de suas turmas, chegando em um semestre a se livrar de metade da turma. Isso causou algumas discussões com Emma e até mesmo Jean sobre como eram feitas as inscrições para as aulas.

—Isso parece uma droga.

O Summers desviou o olhar para a porta e sorriu torto.

—Você que tem sorte, ninguém é idiota o suficiente de se inscrever nas aulas de combate só porque o professor é bonito. –James gargalhou ao ouvir aquilo. –Quero matar esses desgraçados por não levarem meu curso a sério.

—Você está estressado porque não viu as notas da turma da Alexis.

—Muito ruim?

—A turma de física é uma tristeza, parece que erraram as questões de propósito ou não levam a sério que ela é ótima com o que faz. –O Howlett sentou em uma das carteiras. –A turma de magia foi avaliada também, embora na sexta-feira passada pela Emma e o Stephen corrigiu as avaliações, boa parte da turma não mostrou resultados, embora uma garota tenha se sobressaído muito dos demais.

—Estranho. Alexis é a única professora fixa dessa turma, só Ororo faz aulas complementares, que são para aqueles que querem saber mais sobre outras raízes mágicas. –Nate encarou o amigo. –Acha que estão sabotando ela?

—Acho que uma boa parte da turma quer prejudicá-la de alguma forma. –James levantou. –Eu posso puni-los nos meus treinos, mesmo assim, uma parte realmente parece ter um pouco de dificuldades e não posso culpá-los, magia não é uma coisa fácil ou simples para a maioria.

—Vindo do cara que costuma dormir com uma feiticeira, isso deve ser verdade.

—Viu, você entende. –O Howlett seguiu para a porta e parou. –Vá dormir, não tem nada que possa fazer para resolver isso hoje. Amanhã você os esmaga.

—Eu tenho quase certeza que a Emma desaprova essa forma de pensar.

—Eu sei.

Nathan não comentou sobre a folga de James no dia seguinte ou seu encontro com a mãe, que já estava em Nova York, apenas esperava que o amigo tivesse um dia tranquilo e conseguisse conversar com a mulher que tanto evitava.

Ele encarou as notas e os nomes na lista que havia feito mais cedo e suspirou novamente.

Emma e Jean poderiam não aprovar, mas talvez fosse o caso de seguir o conselho de seu amigo e esmagar todas aquelas pessoas que estavam prejudicando não apenas seu trabalho como o progresso dos demais.

Veria isso no dia seguinte.

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Alexandra parou em frente a porta do quarto e respirou fundo, sentindo seu coração bater um pouco fora do ritmo. Ainda ouvia uma parte da sua mente gritando de forma irritante o quanto estava sendo irresponsável e idiota, enquanto uma outra, muito mais barulhenta e forte, berrava que não acreditava que ela havia esperado tanto tempo.

Não que ela não entendesse, sua consciência era uma bagunça naquele momento.

Ela girou a maçaneta e entrou no quarto, surpreendendo Nathan, que estava sentado em sua escrivaninha.

—Alexis, aconteceu alguma coisa?

—Você tem um tempo para conversarmos?

—Tenho. –Nate observou a forma um pouco receosa como a loira se portava e sorriu, pois achava meigo esse aspecto da personalidade dela. –Como está indo o treino com a Rebecca?

A Rasputin se assustou por um momento, ficando confusa antes de conseguir responder.

—Bem, ela está mostrando que realmente quer mudar e conseguir ter uma vida normal, embora descobrir uma mutação completamente diferente da que imaginava ter antes talvez não estivesse nos planos para isso.

—Eu ouvi a respeito.

A mestiça se calou, ficando algum tempo em silêncio, com o Summers a observando.

—Sabia que ela teve uma queda por você?

—Se você falou “teve” significa que finalmente me livrei da obsessão infantil dela. –Ele notou a surpresa da loira. –Sou um telepata habilidoso, mas não preciso usar meus poderes quando as pessoas projetam seus pensamentos sobre mim.

—Isso é verdade, afinal mesmo a minha telepatia sendo muito mais fraca que a sua ainda passo por isso com alguma frequência. –Alexis hesitou por um momento. –O que me leva a questão, você mantém seus pensamentos represados?

Nathan estranhou.

—Em geral, sim. –Ele observou a mestiça com cuidado. –Sobre o que é essa conversa?

—Você me deixaria ler a sua mente?

—Eu… –O Summers a encarou um pouco preocupado. –Aconteceu alguma coisa? –Ela negou. –A minha mente… –Ele suspirou. –Eu não sou uma boa pessoa como você acredita Alexis, não quero que veja toda a minha raiva.

—Eu não me importo, sei que no fundo você é uma boa pessoa, mesmo que não acredite nisso. –Alexis se aproximou dele e se ajoelhou à sua frente, segurando sua mão. –Eu só preciso ver.

—O que?

—Tudo.

E diante do olhar intenso e gentil dela, Nathan sabia que não tinha outra resposta.

—Tudo bem.

O Summers levantou e sentou no chão, sendo seguido por Alexis que ficou de frente para ele; o telepata então fechou os olhos e abriu sua mente para a meio demônio, abrindo todas as passagens e portas em que seus pensamentos e segredos ficavam guardados, desligando todas as suas defesas diante do gentil toque telepático da pessoa que ele mais amava.

A correnteza de informações fluiu como um rio um pouco furioso e temperamental da mente de Nate para a de Alexis, que em um primeiro momento se assustou, mas logo passou a descartar informações. Ela não precisava saber mais sobre a família dele do que já sabia, eles até conversavam sobre aquilo quando o rapaz se sentia muito pressionado; também não precisava saber sobre as missões ou os problemas que envolviam seus amigos, todas informações que não eram importantes.

A mestiça continuou procurando até se deparar com a primeira imagem, quando ainda eram crianças, pouco depois de voltar para o Instituto com Emma, e sentir como seu retorno havia deixado o garoto feliz. Havia também o dia em que se conheceram e a forma como Nate parecia achar a pequena criança que a Rainha Branca apresentava para ele e James fascinante. Em certo ponto, quando o Summers tinha sete anos, ele disse ao melhor amigo que se casaria com Alexis, porque ela era perfeita.

Ver aquelas memórias deixou a Rasputin sem jeito, porém ela ainda queria ver o que mais tinha na mente dele.

Os registros seguintes foram um pouco chocantes, como quando Nathan surrou alguns alunos do mesmo ano por chamarem a loira de aberração ou o ciúme intenso que ele sentiu quando descobriu que ela havia beijado outra pessoa. Também havia todas as conversas entre ele e James sobre ela e Helena, quando os dois desabafavam sobre como era difícil que as garotas de que gostavam fossem tão complicadas, cada uma à sua maneira.

Mais vislumbres do intenso ciúmes que acometia Nathan sempre que descobria que Alexis tinha ficado com alguém, até chegar em Tália e a verdade sobre a forma como o relacionamento deles começou, com sua amiga tentando ajudar o garoto a se aproximar da Rasputin. O desejo avassalador e quase descontrolado que ele sentia por ela e que era reprimido em cada encontro.

A forma como o Summers a via talvez fosse o que mais a chocou, mais do que seu ciúme descomunal ou seu ódio profundo por qualquer um que a ofendesse: um ódio muito maior do que tinha pelo próprio pai, que era a pessoa que o garoto mais odiava no mundo.

Quando rompeu o contato telepático, Alexis encarou Nate por longos momentos, ainda um pouco chocada e ansiosa.

—Eu sinto muito. –Ele murmurou um pouco constrangido e sabendo em quais memórias ela havia focado.

—Não sinta. –A loira tocou o rosto dele com cuidado. –Quero que veja uma coisa. –O rapaz a encarou um pouco sem jeito, algo raro na forma como estavam acostumados a interagir. –Leia a minha mente.

Nathan ficou surpreso com o pedido, mas fez o que ela disse, sendo bombardeado por uma seleção completa de memórias que a mestiça havia preparado.

Memórias sobre ele, sobre os dois.

A forma como ela se sentia sobre ele e a ansiedade que sentia todas as vezes que Nate se aproximava; o desejo por protegê-lo de qualquer ameaça, principalmente de si mesma. Sua crença de que ele merecia algo melhor e como isso a machucava, mesmo que o evitasse em muitos momentos.

O amor gentil e tão abnegado que Alexis tinha por ele, algo que mesmo assim não a impedia de sentir ciúmes quando descobria que o Summers havia ficado com outra garota. A forma como ela se sentiu quando ele se afastou depois de completar quinze anos, algo que o garoto lembrava com dor, já que estava tentando não fazer algo idiota.

Ele rompeu o contato telepático antes de terminar de ver tudo e encarou Alexis.

—Você…

—Eu não preciso ver mais nada. –Nate ergueu o rosto dela delicadamente a beijando de forma suave. –Me diz.

A mestiça hesitou diante da intensidade do olhar dele.

—Eu… –Ela engoliu em seco, ficando vermelha. –Eu gosto de você.

Ele sorriu.

Não era uma declaração completa como ele sonhara toda a sua vida, mas era perto o suficiente.

—Eu vi. –Nathan sorriu e a trouxe para mais perto de si. –Eu te amo, Alexis.

A loira ficou ainda mais vermelha de vergonha e abaixou a cabeça, tentando se esconder; o que foi em vão quando o Summers a puxou para o seu colo, fazendo-a encará-lo.

O rapaz observava o rosto corado da Rasputin com um sorriso suave e gentil tirando os fios loiros do rosto da garota, enquanto ela continuava a desviar o olhar dele.

—Isso não é justo. –Ela murmurou.

—Não é. –A voz baixa dele a surpreendeu. –Nada parece justo na forma como as coisas aconteceram com a gente. –Ele segurou a mão dela, beijando os nós dos dedos. –Mesmo assim, eu ainda quero a mesma coisa que falei para James quando éramos crianças, quero que seja minha e de mais ninguém. –Nathan a encarou com uma intensidade nova, algo como se ele estivesse olhando para um deus e devotando toda a sua vida aquele ser. –Quero poder ser o único que te toca, que te dá prazer, que pode te deixar constrangida e o único que você vê como indispensável na sua vida.

—Isso…

—É, completamente estranho e insano, nenhum pouco racional ou razoável. Eu sou completamente louco por você, da maneira mais possessiva e ridiculamente irracional que posso colocar. –Alexis acabou sorrindo ao ouvir aquilo, o que pareceu deixar o Summers chateado. –Estou falando sério.

—Você e James são realmente parecidos. –Nate a olhou um pouco confuso. –Sabe o que quero dizer. –Ele acabou concordando. –Você sabe que se isso continuar, você nunca mais vai ser livre, não é?

—Por causa do seu demônio. –Era uma afirmação, o que chocou um pouco Alexis, já que ele havia pulado a parte de suas memórias sobre o assunto. –Eu não ligo. Cassandra não é a única pessoa que ama um descendente de demônio sob todos os seus aspectos e com todas as consequências que puderem vir. –Nathan se aproximou e a beijou novamente, dessa vez com um pouco mais de intensidade. –No que dependesse de mim, faríamos como a Chris e o Andy. –Aquilo chocou a garota. –O problema é que você não concordaria. –Ele riu quando ela confirmou. –Então, vou ser um pouco mais paciente e fazer uma pergunta diferente. –A loira o olhou com curiosidade. –Quer ser minha namorada, Alexis?

A mestiça parou por um momento, absorvendo a verdade de que ele estava sendo mesmo razoável, ou teria feito o pedido de casamento que viu em seus pensamentos.

Ela sorriu.

—Sim.

O Summers a abraçou com força, a beijando de forma animada antes de parar e sorrir como se tivesse algo muito bom em mente para esperar.

—Eu acabei de pensar que isso vai ser minha melhor oportunidade.

—Para quê?

Nathan levitou os dois, os colocando de pé e depois voltou a beijar Alexis.

—Para uma última primeira vez.

—Como?

Havia um sorriso perigosamente sexy e sacana na expressão do rapaz.

—Nenhum de nós foi o primeiro um do outro, o que me chateia em certo ponto, só que nenhum de nós namorou ninguém ou teve um relacionamento sério de verdade.

—A Tália…

—Não conta, ela mesma determinou isso. –A Rasputin ficou chocada ao ouvir aquilo. –Então, essa é a primeira vez para ambos, estando em um relacionamento sério.

—Você está falando sério?

—Você não faz ideia do quanto.

A loira começou a rir.

—Você é realmente maluco, sabia?

—Sabia. E você foi avisada.

—É, eu fui.

Alexis tocou o rosto de Nate e o beijou.

A resposta que ela teve daquele pequeno toque foi o prelúdio para todo o desejo que seu namorado vinha segurando por tantos anos; o que inesperadamente despertou algo em seu interior, algo que mesmo que lhe assustasse parecia reagir exclusivamente a Nathan.

Então, mesmo que não tivesse nenhuma resposta, Alexis se contentou em saber que por hora estava tudo bem.

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Quando Emma chegou ao seu destino, ela não pareceu surpresa em parar em uma clareira no meio de uma floresta ou de seguir a longa trilha que levaria até uma caverna escura e finalmente até o fundo da formação rochosa, onde duas pessoas perfeitamente ocultas em mantos negros já esperavam.

—Você esqueceu de algo? –A voz fria do mais alto deles ressoou pelas pedras.

—Eu tive uma reunião particular antes de vir, não poderia usar nossa roupa habitual. –Ela observou outra figura e suspirou. –Você disse que o Limbo tremeu a semana inteira, então você notou Nikolai?

A figura encarou a Frost e puxou o capuz, revelando as feições jovens e sérias de Illyana Rasputin emolduradas por longos fios loiros esbranquiçados.

—Nikolai?

—Baltazar tomou controle do corpo dele e fez… Fez uma festa, por assim dizer.

A Rainha do Limbo negou.

—As ações de Nikolai e Baltazar não refletem no Limbo, nem as do Limbo neles. –A mulher parou por um momento. –Se quiser posso perguntar ao pai deles se algo diferente aconteceu, melhor?

—Eu aceito. –A Rainha Branca fez uma careta. –Alexis pediu para Ur fazer um estudo de Linhagem Demoníaca para todos os descendentes de demônios.

—Hum… –A figura mais alta pareceu um pouco reticente. –Acho que não temos o que fazer sobre isso, além de não ser algo ruim para eles. Sem falar que estamos ficando sem tempo.

—Isso é verdade. –Todos se viraram e encontraram a figura encapuzada de Magneto parada atrás da Frost. –Desculpem o atraso, tive um contratempo particular.

—Não é um problema. –Uma figura mais baixa saiu das sombras mais profundas. –Todos fomos pegos de surpresa com essa reunião e nossos problemas ou compromissos não tiraram férias apenas por isso. –A voz feminina era calma e relativamente calorosa quando comparada aos demais. –Eu mesma tive uma emergência essa tarde. –A figura olhou ao redor e depois encarou o colega mais alto. –Veio desacompanhado?

—Questões domésticas. –Ele apontou a mão enluvada para a cabeça. –Estão no meu vínculo telepático, quer compartilhar?

—Não. Já tenho muita loucura na minha mente, não preciso acrescentar a da sua família. –A mulher encapuzada se afastou um passo, o que fez a ponta de um longo lenço rosa escapar do seu manto. –Agora, já que estamos todos aqui, qual foi o motivo de nos chamar?

A figura alta hesitou.

—O tempo está acabando.

Todos esperaram.

—Bom, isso a gente meio que já sabia, mas… –A figura feminina comentou.

—Não. Eu quero dizer que estamos realmente ficando sem tempo. –Todos encaram o encapuzado com mais atenção. –Acho que temos no máximo mais um ano, com muita sorte um ano e meio.

—É menos do que eu esperava. –Emma comentou cerrando os punhos.

—É menos do que todos esperávamos. –Magnus tomou a frente e encarou o outro homem. –Se agirmos agora, podemos resolver?

—Sabe que não podemos agir, não somos nós os que podem conseguir. –Illyana não gostava daquilo mais do que os outros.

—Sei disso, só não posso aceitar que não podemos nem mesmo incentivar que eles descubram o que está acontecendo. Tem que ter um jeito de protegermos eles ou ajudar para que tudo saia como precisa para resolver o problema. –O Mestre do Magnetismo estava visivelmente ansioso.

—Se acalme Erik, isso não faz bem a você. –Emma tocou o ombro do homem mais velho com cuidado.

—Já encontrou Krakoa? –A figura feminina perguntou um pouco distraída e Magnus confirmou. –Então por hora essa é a sua parte da nossa missão. –Ela apontou para o mais alto. –Eu e ele buscamos saídas para as possibilidades em nossas visões do multiverso, Illyana garante que todos os portões e caminhos estejam a disposição. Enquanto isso, você e Emma garantem que qualquer um poderoso demais ou importante demais entre os mutantes, Inumanos e aprimorados passe longe de qualquer um que não seja nosso aliado e até deles quando necessário.

—O que me lembra… –Illyana cobriu sua cabeça com o capuz. –Eu tenho um recado do primeiro-ministro japonês para você. –Ela encarou Erik. –Ele diz que aceita a sua proposta.

—Quando se encontrou com ele? –Magneto ficou preocupado.

—Puro acaso. Um demônio comum no país, que faz parte do departamento paranormal deles, me avisou que o ministro estava preocupado e achei que poderia conversar com ele. Foi mais uma visita de cortesia, que o primeiro-ministro se sentiu honrado de receber, já que demônios lá são como espíritos que podem escolher fazer o bem ou o mal de acordo com o que acham justo ou interessante. –Illyana deu de ombros, indicando que aquela era uma questão menor até para ela.

—A Latvéria já tinha aceitado o nosso pedido a algum tempo e já que Victor não tem interesse em acordos desvantajosos, acredito que podemos ver isso como algo promissor. –Emma parecia aliviada.

—Realmente. –Magnus suspirou. –Então eu estou de volta à mesa com Israel. Eles são bem desconfiados, para piorar dessa vez nós nem estamos tentando ferrar ninguém.

—Os russos e os ingleses negaram? –A figura alta pareceu preocupada.

—Eles não cedem, mesmo eu já tendo conversado três vezes, e os chineses não estão mais dispostos a ouvir. Até me disseram para não aparecer mais. –O Mestre do Magnetismo olhava para a entrada preocupado. –Não gosto de dizer isso, mas talvez seja hora de esquecer deles e focar em outros, mesmo que esses decidam ser neutros no futuro.

—Problemas em casa? –Emma arriscou

—Dá pra dizer que sim. –Erik encarou os demais. –Temos mais alguma questão em pauta?

—Nós precisamos nos encontrar essa semana para que eu te passe as novas instruções sobre o que tem que ser feito. –A figura feminina avisou.

—Se você puder passar no meu lugar mais tarde, podemos fazer isso hoje.

—Nos vemos lá Magnus. –E sem mais, Magneto saiu em direção ao lado de fora. –Sendo sincera eu também preciso saber se temos mais algum tema para nosso encontro.

—De modo geral, não. –A figura mais alta recuou um passo. –Apenas achei bom avisar que nosso tempo realmente está acabando e te passar as novas informações que consegui espiando outros universos, afinal muita coisa pode depender de termos opções no futuro. –Ele encarou os demais. –Se não se importarem, eu também tenho questões domésticas para cuidar.

As duas figuras encapuzadas recuaram para as sombras e desapareceram.

Emma encarou Illyana.

—O mesmo pai? –A Rainha do Limbo assentiu. –E vai perguntar para ele sobre o que aconteceu essa semana?

—Até domingo eu te aviso se ele me respondeu.

—Certo. Nesse caso, eu tenho que ir.

—Tudo bem, eu vou ficar até você entrar no carro para voltar.

—Eu agradeço. –E quando já havia se virado para sair, a Rainha Branca parou. –Algum recado para Alexis e Nikolai?

—Não.

A Frost hesitou e, por fim, desistiu.

Se ela não queria que ninguém interferisse nos seus assuntos com Christine, também não interferiria nos problemas dos outros pais com seus filhos.

Pelo menos não naquele momento.

Continua...

No próximo capítulo: Instituto Xavier Para Jovens Superdotados.

Notas finais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.