Notas iniciais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.

Data Terrestre: 11 de Outubro

Tristan encarou Conner e suspirou.

—De certo modo, eu concordo.

—Com o quê? –O Banner se surpreendeu com a forma como o mais velho falou.

—Falta algo.

Os dois haviam saído da sala VIP e estavam almoçando no apartamento funcional que Conner usava.

—Consegue imaginar o que seja?

—Não, mas é estranho. –O Stark encarou a porta. –Sei que não faz sentido sentir isso, só que nós dois concordamos que apesar de nos entendermos muito bem… –Ele notou o sorriso do mais novo, como se dissesse “bem até demais”, e ignorou. –Não parece certo.

—Como uma máquina que mesmo funcionando bem não está perfeitamente calibrada.

—É. Precisamos de um ajuste para não sobrecarregar as outras peças. –Conner gargalhou e Tristan fechou a cara. –Qual a piada?

—Nossas analogias são horríveis, ainda que façam sentido.

O Stark deu de ombros e terminou de beber o café na sua mão.

—Deixando as analogias de lado… –Ele encarou o mais novo. –Tem alguma ideia de como podemos achar essa pessoa que vai fazer as coisas parecerem corretas?

O Banner encarou o teto um pouco pensativo e depois sentou na poltrona da sala.

—Podemos procurar como loucos ou deixar as coisas acontecerem de forma natural.

—Gosto da segunda opção. –Tristan hesitou. –Vamos avisar o outro antes de fazermos algo ou depois?

—É uma boa pergunta. –Conner o encarou. –Não acho que vamos acabar na cama de alguém que não nos atraia de verdade, sabemos como isso funciona, então pode ser que antes seja tão ou mais complicado quanto depois.

—Depois teríamos um pouco mais de certeza. –O mais novo assentiu. –O único problema é que nós dois…

—Odiamos ter que ficar saindo para coisas como paquerar. –O mais velho concordou. –O que me lembra… –O Stark olhou desconfiado para o Conner. –Feliz aniversário de dezessete anos.

Tristan ficou surpreso.

Seus pais e amigos mais próximos haviam o parabenizado, muitos por mensagem de texto (como Claire e Laura). Alexa havia jogado um balde de água nele logo cedo e Robert lhe deu uma coletânea de músicas para dormir (algo bem gentil e necessário para o Stark). Mesmo assim, a festa seria apenas no final de semana, junto com a de Claire, o pequeno James, Nikolai, James Howlett e Nathan, porque depois de tudo, nenhum deles teve uma festa individual (ou teria, como ele e o Summers) por conta dos problemas dos últimos meses.

—Obrigado.

—Você é péssimo recebendo felicitações. –Conner riu. –Aliás, parece que o tal de Daniel fez aniversário logo depois de chegar aqui, sabia disso?

Tristan o encarou surpreso.

—Como sabe disso?

—Informações do servidor que foram liberadas depois da chegada dele e dos asgardianos. Foi em vinte e sete de setembro.

O Stark suspirou.

—Acho que ouvi alguns urros entre ele e os dois Lokison nesse dia, uma coisa literalmente de outro mundo, mas achei que era algum tipo de bizarrice deles. Não pensei que tivesse relação com um aniversário.

—Normal. –Conner encarou o mais velho. –Vai contar aos seus pais?

—Vou. –Ele sentou na outra poltrona. –No final essa é uma festa para celebrarmos que estamos todos juntos, então ele também pode ser homenageado.

—Verdade.

O Stark hesitou.

—É errado eu querer que essa pessoa que falta apareça logo?

O Banner riu

—Nenhum pouco.

====================X====================

Franklin estava a uma boa distância na mesa em que Valéria e Robert sentaram na companhia de Alison e Henrique Mckenzie com as gêmeas Fittz-Simmons. O jovem Richards tinha uma vaga ideia das interações entre o grupo, principalmente sobre o fato de que Ally e Leonora não interfeririam nos assuntos que não tinham relação com elas, ou o fato de que Erick e Elizabeth estavam mais interessados em seu próprio relacionamento que em vigiar o de outras pessoas (o que ficou ainda mais explícito quando os dois saíram para ter um tempo deles).

—Então vai ser Valéria Von Doom? –Os dois irmãos encararam Robert. –Eu acessei seus dados de registro.

A garota não pareceu se importar.

—Disseram que eu podia escolher. Só não decidi o que vou fazer por hora. –Valéria olhou para o teto enquanto o irmão se sentia incomodado. –Não que me faltem opções, só não quero me comprometer com nada em termos de projetos.

—Encontros estão fora de questão ou posso alimentar esperanças com isso?

A pergunta do Romanoff fez a loira rir e Franklin fechar a cara.

—Estou completamente disponível para atividades sociais e, sendo bem sincera, gosto da sua companhia, então…

—Já pensou em estudar algo na Shield. –Ele notou a cara de “Sério?” dela. –Não nas áreas que você tá acostumada, algo diferente, como um passatempo.

—Passatempo? –Valéria tentou pensar em algo. –Eu gosto de ler e de estudar artes místicas com o tio Victor, mas se fosse o caso acho que escolheria artes marciais, para aprofundar os ensinamentos que recebi.

—Acho que minha mãe e os outros professores não teriam problema com isso, embora eles sejam bem exigentes.

Na mesma hora Leonora levantou.

—Eu tenho que voltar para o laboratório, aproveitem o dia. –E sem mais, ela saiu.

Alison suspirou.

—Perdoem ela, às vezes Lya tem dificuldade de lidar com socialização, especialmente quando as pessoas começam a flertar perto dela. Não melhora o fato dela ter acabado de sair de um relacionamento ruim.

—Foi mal, esqueci que ela ainda tá meio sensível, não que eu possa culpá-la. –Robert suspirou. –Apesar de um tanto diferentes, ela e a Claire tem muito em comum nesse aspecto em específico.

A morena concordou.

—Término ruim? –Valéria não queria detalhes, apenas não ficar fora de algo potencialmente complicado e ela havia simpatizado com Leonora.

—Lya é bissexual e a namorada dela, bom… Relacionamentos abusivos não são uma exclusividade de heterossexuais, ao contrário do que alguns podem pensar. –O Romanoff não se sentia muito bem em falar daquilo.

—Ela espancou a Lya e… –Alison teve que se controlar por um momento, pois os líquidos do refeitório começaram a reagir. –A atacou sexualmente. –Houve um longo silêncio. –Não foi a primeira vez que algo assim aconteceu com alguém da agência, mas foi a primeira fez que aconteceu com alguém tão próximo.

—Felizmente a Lya está sempre sendo monitorada, então uma equipe chegou antes que algo pior acontecesse, infelizmente ela estava longe e isso tomou muito tempo de resposta. –Robert suspirou. –Ela tá em tratamento psicológico desde que a Claire e a Sussan usaram suas habilidades para curar os machucados físicos, mesmo assim a Lya ficou distante quando não está com a irmã ou trabalhando.

—Ela se esforça bastante para manter um bom fluxo com a gente, muito mais do que acho que seria saudável. –Alison suspirou e levantou. –A Lya tá se esforçando. Vou ver se ela tá bem. –Ela encarou Robert. –Você pode cuidar de levar a Valéria pelo resto do tour pela agência?

—Sem problemas. –E quando Alison se afastou ele olhou para a loira e sorriu sem jeito. –Depois desse assunto pra lá de triste, o que quer ver?

—Gostei da sua ideia, só preciso mesmo passar na logística e ver os móveis para o meu escritório. –Ela fez uma careta. –Também preciso ir em um mercado ou algo do tipo.

—Se eu lembro bem, a logística pode ajudar com itens básicos e, embora coisas mais específicas realmente sejam com você, não é raro que eles acabem tendo alguns itens incomuns na lista de produtos.

—Isso é bom, eu provavelmente vou precisar avisar a Hill se for sair.

—Eu entendo isso. –Os dois riram. –Se precisar eu te acompanho.

—Isso seria bom.

E quando Robert e Valéria levantaram Franklin suspirou.

O Richards não sabia o que era mais frustrante naquela situação toda: sua irmã não olhar na sua cara ou saber que ela havia escolhido o sobrenome do padrinho como registro na Shield. Ele pegou o celular e digitou uma mensagem para a mãe explicando o que tinha visto enquanto seu coração acelerava com medo do que veria em casa, então Franklin tomou a decisão covarde e segura de não voltar para o Edifício Baxter.

“Ray,

sei que as coisas devem estar agitadas no Instituto,

mas posso dormir ai hoje (e talvez o resto da semana)?”

A resposta foi um misto de coisas que ele não esperava.

“Desculpa, meu irmão sumiu com a Rasputin

(no armário dos professores) e a filha do Loki tá aqui.

Pode ficar aqui sim, mas…

Quão ruim estão as coisas na sua casa para isso?

Aliás, eu te ligo em quinze minutos e você me conta.

Te amo.”

Franklin suspirou e pensou se não era justo que Valéria não o quisesse por perto como um irmão, afinal ele mesmo não sabia se gostaria de ter um irmão como era ao seu lado. Talvez fosse por isso que sempre pensava em quanta sorte tinha de Rachel ver algo de bom nele.

====================X====================

Alison passou pela porta da sala e encontrou Leonora sobre o sofá enrolada no cobertor, o que a fez suspirar.

A inumana puxou uma cadeira e sentou ao lado da cabeça parcialmente coberta da amiga encarando o teto enquanto segurava a vontade de abraçar Lya como uma criança ferida, porque era a forma como ela via a garota com que cresceu e tanto aprendeu.

—Você não pode fazer isso Lya, já conversamos antes. Eu sei que você já me disse que dói, que às vezes tudo que quer fazer é sumir, mas isso não vai adiantar e sabe disso melhor do que eu.

Houve um longo silêncio.

Ally esperou que Leonora falasse algo, qualquer coisa, e o silêncio durou dez minutos.

—Eu só disse que precisava ajudar meus pais no trabalho. –“E era isso”, pensou Alison, “ela está revivendo o pior dia da vida dela”. –Já estávamos naquela cabana a cinco dias e eu odeio faltar ao trabalho, mas ela… Por que comigo? O que eu fiz de errado?

—Lya? –A garota se virou lentamente encarando Alison que sorria de forma doce. –Ela é maluca, se é que eu posso ser condescendente a esse ponto; você sabe muito bem que aquela garota não liga para nada e nem ninguém além dela mesma e do que ela quer. Nada do que você fizesse seria o bastante para ela em nenhum momento.

Leonora hesitou e Ally esperou.

Desde o incidente a Fittz-Simmons tinha dificuldade em ter contato físico fora do ambiente de trabalho, onde era ela que iniciava o toque para cuidar dos pacientes. As lágrimas se formaram nos olhos de Lya e desceram pelo seu rosto antes dela puxar a ponta da blusa de Alison, que a abraçou no mesmo instante.

—Dói tanto Ally. Dói demais. –Leonora afundou o rosto no ombro da amiga e chorou.

Alison ficou ali, afagando os cabelos de Lya enquanto repetia “Eu sei” como um mantra que pudesse acalmar a outra. Ela ficou cuidando da amiga até a Fittz-Simmons desmaiar de tanto chorar, então a inumana deitou Leonora no sofá e a cobriu com o cobertor, mandando uma longa mensagem para os pais e irmãos da garota.

Ally hesitou por um momento.

Havia mais uma pessoa que talvez precisasse receber aquela mensagem, ainda que fosse cruel demais atualizar Danielle Cage apenas quando Lya estava mal.

“Que se dane”, pensou digitando.

“Não surte.

Lya teve um dia ruim.

Sei que gosta dela, então não faça nada idiota.”

A mensagem seguinte foi melhor do que poderia esperar.

“Podemos conversar sobre isso?

Mais tarde.”

Alison suspirou vencida e respondeu “Sim”, ainda que ela soubesse que era cruel que Danielle não pudesse mais se aproximar de Leonora porque outra pessoa havia machucado sua amiga de forma tão horrível. Para piorar, a jovem Cage se culpava por não ter tido coragem de lutar por Lya ou mesmo se declarar mais cedo.

Romance era uma coisa que Alison definitivamente não sentia falta em sua vida em momentos como esse.

====================X====================

A ideia de Tália para um passeio era algo bem comum e Cassandra estava amando.

Elas haviam acabado de dar uma volta pelo shopping quando a mutante resolveu parar em uma loja de joias e cristais, algo que a loira estranhou.

Obviamente a aparência azul de Tália não era bem-aceita, então o fato de Cassie não hesitar em puxá-la pela mão e ficar grudada nela tornava as ambas alvo de olhares curiosos.

Mesmo assim elas não se preocupavam, já que Hill colocou dois agentes da Shield para segui-la e garantir que ficariam bem.

Cassandra observou a vendedora hesitar em mostrar as peças que Tália pedia e outra mulher tomar o lugar dela, o que melhorou um pouco a tensão do ambiente.

—A senhorita parece ter bastante conhecimentos sobre pedras preciosas. –A vendedora sorria de forma profissional.

—Ah, sim. Tia Emma percebeu que eu podia diferenciar gemas preciosas desde nova e me incentivou. –Tália colocou uma pedra contra a luz e depois pediu um aparelho que estava no balcão interno. –Parece ser algo que vem da família do meu pai, não sei dizer o que é… E essa pedra é falsa.

—Como?

—É falsa. –A mutante farejou a pedra. –Bem feita, é verdade, mas foi trocada a uns dois dias. –Ela andou até a porta e analisou a fechadura antes de voltar para o balcão. –Eu procuraria um funcionário com acesso às chaves e horários sem outros colegas, alguém que use diferentes óleos essenciais para as mãos com muita frequência.

A vendedora encarou a colega que tinha começado o atendimento e gritou para os outros a segurarem.

Levou apenas trinta minutos para imobilizarem a ladra e conseguirem que ela confessasse o crime, além de contar o destino da pedra, já perdida.

A mulher voltou até Tália um pouco triste.

—Agradeço pela ajuda. Como gerente da loja eu não tenho como agradecer.

—Na verdade, eu entrei porque senti algo vindo a sua loja.

—Algo? –A gerente ficou curiosa.

—Sim. Vem daquele armário. –Tália apontou a portinha e a mulher abriu revelando diversas caixinhas empilhadas. –A quarta caixa no centro. –A mulher pegou a caixa colocando-a sobre o balcão e abrindo.

A expressão de Tália se tornou sombria.

Dentro da caixa havia uma delicada pena de cristal trabalhado repousando em uma cama macia.

—Sabe o que é isso? –Cassandra ficou curiosa.

—Quanto está pedindo por essa peça? –Mas Tália estava concentrada.

—Está à venda por mil e quinhentos e…

—Eu pago setenta mil para que você tenha certeza de que todas essas peças que chegarem a sua loja serão entregues a Shield. –A mutante encarou a gerente da loja. –Isso e o valor individual de três mil por peça.

—Senhorita? –A gerente estava assustada.

—Se não quiser dizer que vendeu para a Shield, sei que Christian Frost não terá problemas em ajudar de algum modo. –A mulher arregalou os olhos. –Se encontrar qualquer outra dessas coisas à venda, compre. Vamos pagar por cada uma e garantir que tenha lucro.

Um dos agentes se aproximou e entregou um cartão enquanto Tália aproximava a mão da peça a afastando em seguida, na palma uma marca vermelha de queimadura.

—O que é isso TJ?

—Algo que meu pai usou em mim uma vez. –O agente recolheu a caixa com a peça enquanto a gerente conversava com alguém pelo telefone, provavelmente Sharon Carter. –A pena de um anjo.

—Como o Warren, o Arcanjo?

—Não. Como os anjos da bíblia.

—E seu pai pode tocar nisso?

—Reage diferente nele e é pior em mim.

—O que Kurt fez?

—Ele me fez engolir. –Tália notou o choque de Cassandra. –Não se preocupe, eu consegui ajuda.

A gerente voltou até Tália.

—Entrarei em contato com a senhora Sharon no caso de outras peças cheguem a nossa loja ou de algum conhecido. –Ela hesitou, como se estivesse envergonhada. –Existe alguma forma de retribuir por tudo?

Tália negou.

—Não se preocupe, entrei por causa daquela peça, o resto foram coincidências, se bem que, no lugar da senhora, eu pediria para reavaliarem aquela peça. –Ela apontou para uma pedra lilás. –Se eu estiver correta, e provavelmente estou, ela vale de cinco a dez vezes o valor que está marcado.

—Dez?

—É um erro bem comum, confundem muito por causa da cor e de algumas condições geológicas, então… –Tália parou e sorriu. –Posso ver aquela correntinha? –A gerente pegou a peça sem nem piscar. –Vou levar. Quanto é?

A gerente sorriu.

—Hoje é por conta da casa. –Tália tentou dizer que não podia aceitar, especialmente quando viu que a peça custava mil e quinhentos, mas não teve chance. –Só o aviso da pedra falsa já me garante o seguro do roubo. Ainda recebi uma fortuna por aquela pena de cristal e a sua consulta sobre aquela pedra, com certeza, custaria muito mais do que essa corrente. É minha forma de agradecer.

Tália hesitou e, por fim, suspirou vencida.

—Bom, obrigada.

—Estarei ansiosa pela sua próxima visita à nossa loja.

A mutante sorriu sem graça e se despediu da gerente, saindo ao lado de Cassie e dos agentes.

==========X==========

—Não sabia dessa habilidade com pedras preciosas da sua família.

—Tia Emma acha que é algo que pulou algumas gerações. –A mutante fez uma careta. –Meu avô é um pouco menos idiota que meu pai, mas não tanto, então eu evito contato quando posso. –Tália suspirou. –Mesmo assim Azazel me contou uma vez que o pai dele tinha essa habilidade e o bisavô do bisavô dele também.

—Uma habilidade demoníaca recessiva? Como uma mutação demoníaca hereditária? –Cassie parecia animada.

—Ver você reagir assim é quase assustador para mim, sabia?

—Desculpa, é que isso é muito legal.

Tália sentiu seu rosto arder e tentou se acalmar.

—É… Pode ser. –Ela se xingou mentalmente por ter hesitado. –Mudando de assunto, quero tentar uma coisa.

Cassandra olhou ao redor e reparou que estavam no espaço de jogos do shopping, com muitas pessoas encarando sua futura namorada. A loira não teve problemas em encarar um dos pais que parecia disposto a vir brigar e o homem recuou na mesma hora.

A mutante azul se aproximou de uma máquina de bichos de pelúcia, colocando as fichas enquanto começava a depenar o aparelho com uma habilidade única, o que atraiu a atenção de algumas pessoas.

—Outra habilidade da sua família? –Cassie riu.

—Não, ensinamentos da tia Emma e do Tony. –Ela suspirou. –Eles acreditam que devemos ser bons com jogos em geral, por isso somos proibidos de jogar em Vegas sem avisar a gerência. –Ela desviou o olhar do jogo e mesmo assim pegou mais uma pelúcia. –Alguns cassinos já tem groupies e até apostadores especialmente reservados para nós; especialmente a Christine, que nem precisa se esforçar para fazer contas complexas.

A loira notou que Tália já havia capturado mais de cinco bichos de pelúcia no jogo.

—E você é boa com cartas. –A mutante assentiu. –E com jogos de pegar bichos em máquinas.

—Ah, isso é um passatempo. Eu nunca fico com as pelúcias.

E Cassie viu que era verdade.

Tália esvaziou uma máquina de pelúcias, mas pegou apenas um dos brinquedos, um gato azul, e deixou que as crianças que estavam nos outros brinquedos escolhessem entre as outras pelúcia aquelas que quisessem. Quando viu que ainda havia muitas pelúcias sobrando, ela perguntou aos agentes se a Shield aceitava a doação e eles concordaram.

Para Cassandra, ver aquilo foi muito interessante, afinal ainda havia muito sobre Tália que ela não sabia e estava ficando cada vez mais curiosa.

As duas voltaram a caminhar pelos corredores até sentarem ao lado de uma fonte de água.

—Eu imagino que é difícil usar joias com o seu poder. –A mutante continuava segurando a pelúcia.

—Um pouco. Meus brincos foram feitos usando meu DNA como base para que se adaptassem a minha alteração de tamanho.

Tália pegou a correntinha de prata que ganhou na joalheria e a prendeu no pescoço da pelúcia dando três voltas.

—Nesse caso, vamos considerar que a corrente é um símbolo de compromisso e a pelúcia vai ser uma extensão de você. –Ela notou o olhar chocado de Cassie. –Estou te pedindo em namoro e se você aceitar a pelúcia com a corrente…

Cassandra beijou Tália antes de terminar de ouvir e, ainda que o beijo tivesse sido simples, algumas pessoas pararam para olhar de longe. A loira se afastou um pouco e pegou a pelúcia das mãos da morena.

—Não pense que vou te deixar em paz TJ. E isso foi um sim, pode ter certeza.

E o sorriso de Cassie fez Tália suspirar.

—Bom, não acho que tenha tido outra saída depois de tudo.

A loira levantou e puxou Tália pela mão, atraindo mais olhares, porém elas apenas ignoraram todos.

====================X====================

Já era meio da tarde quando Valéria sentou ao lado de Robert.

Haviam passado na logística fazer as encomendas para alimentos que Val precisava, depois passaram algumas horas olhando as atividades que a garota poderia fazer para se distrair e agora estavam ali.

—Artes plásticas e jardinagem no Instituto? –O garoto perguntou sem olhá-la.

—Tio Victor é um amante desses assuntos, eu que nunca levei muito a sério. –Valéria deu de ombros.

—Aulas práticas com armas de longo alcance, combate com faca e combate urbano com armas diversas?

—Foi difícil lutar na última guerra da Latvéria sem conhecimento prático. Especialmente quando a guerra meio que começou por minha causa.

—Como? –Robert a encarava curioso.

Valéria corou.

—Eu levei um tiro. –Ela notou o olhar intenso dele, muito parecido com o de seu tio e Damian. –Estávamos caçando na floresta, um rito de passagem anual em comemoração ao reinado do tio Victor e um grupo de invasores do exército do país vizinho atirou na nossa direção. –Ela hesitou, pois sabia que a guerra foi noticiada de outra forma pelo resto do mundo, como se seu padrinho tivesse iniciado tudo. –Um tiro pegou de raspão no meu braço e o outro atravessou meu pulmão. –Valéria suspirou. –Tive um colapso pulmonar, fiquei em coma e eles quase precisaram remover o meu pulmão, no final conseguiram reparar, o que ainda me deixou um tempo sem poder fazer nada.

—Eu fiquei sabendo da guerra, embora esses detalhes tenham sido deixados de fora.

—Eu imagino.

—E depois você foi ajudar?

—Com meus poderes elétricos e os poderes do Damian nós avançamos mais rápido que o normal e muitos jovens se alistaram mesmo que os robôs do tio Victor pudessem fazer quase tudo.

—Fiquei sabendo que seu tio reivindicou duas cidades e o acesso sul a principal fonte de água do país vizinho como recompensa e ressarcimento pelos problemas.

—As duas cidades saíram ganhando, porque eles estavam literalmente morrendo quando chegamos. Parece que pegaram todos os recursos das cidades para a guerra e deixaram as pessoas para morrer de fome.

—E o rio?

—Ter acesso à água é essencial em uma guerra e ter acesso às pontes que cruzam os rios é mais essencial ainda, por isso destruímos as pontes e criamos uma forte vigilância no lugar.

—O país vizinho disse que a floresta era propriedade deles.

—Era mesmo, a mil e duzentos anos atrás, quando o rei da época entrou em uma guerra com a Latvéria reivindicando o trono pois o irmão mais velho dele, deposto em um golpe promovido por ele, havia casado com a filha do rei da Latvéria. Como os dois não deixaram herdeiros, o trono foi para o primo dela, mas o irmão mais novo disse que ele era o legítimo herdeiro.

—Deixa eu adivinhar essa parte. –Robert suspirou já vendo a confusão. –Os dois países entraram em guerra e a Latvéria ganhou. –A garota concordou. –Como recompensa pelos problemas eles tiveram que dar a floresta para a Latvéria. –Outra afirmativa. –Eles são burros? Até onde sei ninguém quer uma guerra com a Latvéria desde que Von Doom assumiu o trono por conta do poder do exército dele.

—Bom, tio Victor diz que “inteligência não é um item de série nos seres humanos”, o que é a versão dele para um ditado popular que diz “inteligência não é requisito obrigatório”.

—Não posso discordar do seu padrinho. –O Barton hesitou. –Você vai voltar para a Latvéria?

—Não agora, mas um dia é provável. –Ela abaixou a cabeça. –É lá que a minha família vive, então mesmo que eu não vá morar lá por toda a vida, ainda é o meu lar.

Robert sorriu.

Aquilo ele podia entender.

—Seria estranho se eu dissesse que gosto de você?

Valéria riu.

—Pra dizer a verdade seria sim, mas acho que não é mais estranho do que eu sentir que gosto de você.

Os dois se encararam por um momento e caíram na gargalhada.

—Nunca pensei que me sentiria assim. –Ele notou o olhar dela. –Tão estupidamente apaixonado quanto os meus amigos dizem que se sentem.

—Isso é ruim?

—Não. Só é diferente.

—O padrinho e o Damian dizem que diferente é bom.

—Gosto cada vez mais do seu padrinho e do seu primo desde que nos conhecemos.

—Isso é bom, seria um grande problema se você não gostasse deles.

Robert segurou a mão de Valéria sorrindo.

—Eu sei que muita gente diz que é inútil tentar ir devagar e ter calma, só que quero fazer as coisas do meu jeito.

—Que seriam?

—Primeiro vou conversar com seu tio.

—Por que?

—Quero saber se ele acha ruim eu te pedir em namoro.

—E se ele disser que é ruim?

—Acho que ele vai dizer que é escolha sua e que vai me matar se fizer algo errado.

—É, você tá certo. –Ela sorriu. –E depois?

—Então eu vou te pedir em namoro e, supondo que sua resposta seja sim, te apresentar para os meus pais. –Robert hesitou. –E espero que minha mãe não surte.

—Pensei que ela era supertranquila pelo que ouvi sobre sua irmã e o namorado.

—As reações geralmente são inversamente proporcionais. Alexa é a princesinha do papai e eu…

—O bebê da mamãe? –Val se arriscou enquanto continha uma risada.

—Basicamente. –Os dois acabaram gargalhando daquele comentário. –E depois nós vamos a um encontro, ou o mais perto disso que eu conseguir com as nossas restrições.

—Fiquei sabendo que vai ter uma festa no fim de semana.

Ele a encarou por um momento.

—Você não se importa?

—Nem um pouco, parece que vai ser divertido e toda a sua família estará lá, não é? –Ele concordou. –Um dia vamos para a Latvéria e o tio Victor vai tentar te intimidar com um banquete, então uma festa dessas vai ser moleza.

—Verdade. –Robert levantou ainda segurando a mão de Valéria e a encarou. –Vamos falar com seu tio?

Ela sorriu.

—Vamos.

====================X====================

Hill olhou o relógio preocupada.

Já estava avisada da chegada de Aisha Monroe, mas aquilo não era preocupante depois de tudo, na verdade era algo esperado.

A preocupação real da comandante era em como seu dia estava calmo.

Seus relatórios pareciam completamente comuns dentro do esperado para os indivíduos que estavam descritos.

Alexa e Wolf passaram parte do dia treinando em uma das salas seguras, o que foi bom para que um relatório fosse gerado sobre as novas habilidades da garota.

Tristan havia se “perdido” nos corredores da Shield, então ele ainda estava no apartamento de Conner, o que nem de longe era um problema para Hill.

Os Booker finalmente aceitaram conhecer mais sobre suas futuras oportunidades de trabalho e parceria, então era um problema a menos para todos na Shield e no Instituto.

Leonora teve um dia ruim, mas os dias bons eram tão raros depois do incidente que a comandante não podia reclamar dos dias ruins. Isso levaria a uma noite em família entre os Fittz-Simmons e os Mackenzie, então era melhor verificar com Elena e Mack como as coisas terminaram no dia seguinte.

Tinha que lembrar de perguntar a Alison sobre Danielle Cage, já que aquele era um efeito colateral dos dias ruins de Lya.

Andrew estava de mau humor, assim como Daisy continuava sendo teimosa, embora isso também fosse esperado. Apenas teria que lembrar depois que Christine grudaria no namorado mais tarde e que a Frost não era só namorada do garoto… Aquilo poderia virar um problema, mesmo Hill considerando que tinha levado algum tempo para achar o registro oficial. Emma desmaiaria e Daisy…

Porque sua amiga tinha que ser tão teimosa era uma das coisas que a comandante mais queria saber.

Um agente informou sobre o passeio de Tália e Cassie, assim como o estranho pedido de namoro da mutante, ainda que Hill considerasse muito oportuno que a Wagner tivesse pensado em detalhes tão simples como a forma que o poder de Cassandra agia sobre jóias em geral.

O relatório sobre a pena de anjo também foi recebido e prontamente encaminhado para investigações.

A comandante sabia melhor do que ninguém que penas de anjos tinham mais uso do que apenas torturar descendentes de demônios e em mãos erradas… Ela não queria ter que passar por outra situação como a anterior.

Valéria e Robert estavam se dando bem, o que poderia trazer alguma dor de cabeça para Hill, o que ainda não era totalmente inesperado. A única surpresa foi com quem a garota acabou interessada e o fato do Barton ter correspondido, especialmente quando ele era o mais tranquilo dos seus recrutas.

Algumas informações de Emma davam conta da situação no Instituto.

Claire e Laura tinham tido um dia tranquilo (mesmo com o incidente com os LeBeau).

James estava com um humor infernal, o que nunca era coisa boa para ninguém.

Ur e Daniel apareceram para uma visita, ela por vontade própria e ele a seguindo. Ignoraria o possível problema dos dois por hora.

Alexis teve uma recuperação aparentemente temporária, presente de Ur. Talvez devessem dar um presente a asgardiana por aquele gesto, especialmente quando isso deixava Nate sob controle.

Os Lehnsherr eram talentosos, o que era tanto um alívio quanto uma preocupação, mas poderiam pensar nisso depois.

Hill suspirou.

—Devo ficar preocupado que esse é o vigésimo suspiro que você solta em menos de quinze minutos olhando esse relatório do dia? –Fury encarou a esposa tentando não parecer tenso.

—Estou errada de ver a calmaria desse dia como uma “calmaria antes da tempestade”? –Maria suspirou novamente. –Por que é exatamente o que me parece.

Fury fechou seu próprio relatório.

—Não acho que esteja errada, infelizmente. –A mulher fez uma careta. –O problema é que não sabemos dizer quando a tempestade da qual essa calmaria é prenúncio vai chegar e nos atingir. Então só podemos nos preparar da melhor forma possível.

—Vou querer saber que tipo de preparação tem em mente?

—Tudo que já estamos fazendo, nada mais.

Hill grunhiu.

—Odeio isso.

A risada seca e levemente bem-humorada escapou do homem.

—Eu sei, sou casado com você há mais de vinte anos.

—

—

—

Continua...

—

—

—

No próximo capítulo: Victims.

Notas finais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.