Notas iniciais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.

Data Terrestre: 11 de Outubro

Natasha soube que algo não estava certo no momento em que leu a mensagem do filho pedindo por um jantar em família no apartamento funcional da Shield. Não que usar o apartamento fosse algo raro, mas Robert nunca pedia por jantares como aquele, o que era um sinal.

Então ela a viu.

Sorriso simpático, bonita, inteligente, educada, prestativa e problemática.

A Viúva Negra conhecia a história de Valéria Richards melhor do que gostaria e soube na hora em que viu os olhares entre a garota e o filho no que aquilo daria: um casamento na capela do palácio da Latvéria.

Não.

Natasha estava pulando partes importantes, como todas as brigas com Reed Richards antes do casamento, brigas que provavelmente aconteceriam no dia por vir e depois também.

A ruiva grunhiu.

—Tudo bem senhora Barton? –Ela encarou Valéria. –Quer um copo d’água?

A mulher suspirou.

Não havia muito o que fazer sobre Robert e Valéria, só sobre colocar Reed em seu devido lugar, longe do jogo deles.

—Estou bem Valéria, e me chame de Natasha.

A menina hesitou e a Viúva Negra precisou conter o rolar de olhos.

Outra adolescente excessivamente bem-criada e educada.

—Sim senhora.

A garota se afastou e Clint se aproximou.

—Pensei que fosse surtar. –Comentou ao lado dela.

—Não foi preciso que ele falasse, está escrito na cara de ambos.

—Como isso aconteceu com nossos filhos em tão pouco tempo?

—Considerando a média de idade dos outros, acho até que tivemos sorte, mesmo com Alexa e Wolf.

—Nem me lembre disso, ainda me sinto traumatizado.

—Exagerado.

==========X==========

Levou um pouco mais de tempo do que Natasha esperava, mas depois de um jantar divertido, em que Valéria conseguiu conversar até com Wolf de forma descontraída, Robert resolveu falar.

Ele esperou a sobremesa, o que era completamente previsível vindo do garoto.

—Bom, eu queria agradecer por todos terem aceito o meu pedido de última hora para esse jantar em família…

—Ainda estou me perguntando porque estou aqui. –Wolf comentou distraído.

—Você namora a Alexa, é parte da família agora. –Robert respondeu sem hesitar. –E é por isso que queria todos aqui, para apresentar a Valéria. –Ele esperou um segundo antes de continuar. –Eu a pedi em namoro essa tarde.

—Vocês ainda não transaram. –Wolf comentou.

Tanto Valéria como Alexa ficaram vermelhas de vergonha, Natasha e Clint negaram diante da lógica estranha do asgardiano e Robert suspirou.

—Seu pai conhecia sua mãe e suas madrastas antes de casar com elas e acho que não transou com todas na primeira vez que as viu, certo? –Wolf assentiu. –Siga a mesma lógica.

—Certo. –O deus olhou para Valéria e sorriu sem jeito. –Sinto muito, eu sou idiota em muitos momentos.

Apesar de ainda estar vermelha, a garota sorriu de volta.

—Tudo bem, não foi nem de longe a pior coisa que já ouvi na minha vida e muitas vieram da minha família.

Nesse momento Wolf apenas levantou de surpresa e seguiu até Valéria a puxando para um abraço repentino.

Todos os outros levaram alguns segundos para notar a cara que o rapaz fazia: como um cachorro que caiu do caminhão de mudança enquanto afagava os cabelos da loira.

O asgardiano se afastou tentando fazer uma cara séria, o que tornava aquilo um tanto cômico.

—Pode me considerar seu irmão mais velho de agora em diante e eu quebro a cara de qualquer idiota que agir errado com você. Até ele. –Apontou para Robert.

Valéria ficou um pouco chocada.

—Obrigada. –Respondeu ainda confusa.

—Relaxa, eu explico para ele mais tarde. –Alexa disse ao se aproximar. –Mas é legal te ter na família, até porque, acho que ainda vou no casamento de vocês na Latvéria, já que seu tio nunca vai te deixar casar em outro lugar.

As duas acabaram rindo.

Quando Alexa se afastou com Wolf, já explicando o quadro familiar de Valéria para o namorado, foi a vez de Clint se aproximar com um abraço.

—Sei que Mack e a família estão cuidando de você, então avise eles. –Ele sorriu. –Fico feliz de você ter se dado bem com meu filho. Feliz pelos dois.

Valéria notou o olhar de Natasha indicando a cozinha e seguiu a ruiva até o cômodo com um pouco de medo.

—Robert sempre foi diferente, especial de certa forma. –A mulher começou a falar enquanto mexia na geladeira. –Ansioso por aprender, falava pouco, desatento para coisas bobas e extremamente tranquilo. O exato oposto da irmã que nunca calava a boca ou conseguia se concentrar nos estudos por mais de cinco minutos. –Natasha encarou a loira. –Mesmo quando ele passou por aquele momento que a maioria de vocês passam, ele não pareceu abalado, só irritado com as complicações ocasionais. Então acho que é muito mais do que sério com você. –Ela sorriu para o olhar assustado de Valéria. –Não se preocupe, não quero que casem agora, só sei que você é parecida de algum modo e estou feliz.

—Como?

—Estou feliz. –Natasha se aproximou de Valéria. –Algumas pessoas dizem que são os opostos que se atraem, outras os iguais. Eu acredito que pessoas com objetivos e visões parecidas se atraem, mesmo que seus gostos sejam opostos. –Um suspiro feliz escapou da mulher. –Clint queria uma família feliz, se possível com filhos, e eu queria uma vida feliz, mesmo achando que não teria filhos. Nossos gostos pessoais não são parecidos, nossos objetivos sempre foram os mesmos, então demos certo. Mais do que certo se considerar os gêmeos.

—Acho que entendi. –Valéria comentou um pouco pensativa.

—Não precisa se preocupar com os detalhes agora, estão começando.

A garota hesitou.

—Acha que Alexa tem razão da previsão dela?

—Sobre o casamento na Latvéria? –A loira assentiu. –Com certeza. Victor vai dar uma festa de, pelo menos, dois dias.

—E Reed vai fazer uma cena, não é?

—Provavelmente. –Natasha parou por um momento. –Realmente acha que vão casar um dia?

Valéria sorriu um pouco culpada.

—Eu espero que sim. –Ela olhou para Robert. –Ele tem os mesmos olhos do senhor Clint para você. –E voltou a encarar a ruiva. –Tio Victor e Damian têm olhos parecidos, mas são diferentes, como o Erik Mackenzie.

—Diferentes?

—Achei que eram iguais, mas não é a mesma coisa. –Valéria sorriu culpada. –Quando Erik olhava para a namorada eu percebi a mudança. Tio Victor e Damian me olham como uma filha ou irmã a ser protegida, assim como Erik olha para mim e para Leonora. Quando o senhor Clint olha a senhora é com instinto protetor, mas também com uma certa adoração e desejo, assim como o Erik para a Elizabeth. –Ela ficou um pouco envergonhada. –É errado gostar desse sentimento?

E Natasha sorriu ao ver que estava certa no que via sobre a garota à sua frente: ela era um problema, um que valeria a pena seu filho aceitar.

—Não tem nada de errado com isso. –Um sorriso divertido surgiu no rosto da mulher. –Vamos para a sala, tenho que desempenhar meu papel de mãe e deixar meu filho envergonhado com o álbum de fotos e… –Um sorriso mais divertido e um pouco sacana tomou lugar no rosto da Viúva Negra que falou baixinho para Valéria. –Não hesite se precisar de conselhos sobre sexo, sou sua sogra, mas gosto de ajudar garotas com problemas, não importa quais sejam.

E pela cara que Valéria fez a intenção de Natasha de deixá-la sem jeito havia dado certo.

“Ponto triplo”, pensou a Viúva Negra.

====================X====================

Mack entrou em seu apartamento um pouco preocupado, o que não melhorou quando viu a forma como todos estavam agindo.

Jemma e Elizabeth cercavam Leonora como se a garota fosse quebrar.

Turbo tinha um olhar duro lançado da cozinha em direção a um ponto qualquer, onde o engenheiro receava que ele estava visualizando a ex-namorada da filha.

Gregory encarava a irmã como se tentasse encontrar um jeito de consertar o estrago causado.

Elena tentava ser uma pessoa normal, brincando e fazendo piadas que arrancavam sorrisos eventuais da sobrinha.

Henrique tinha um semblante cansado, como se não soubesse mais o que fazer.

O homem suspirou e procurou a única pessoa sã naquele lugar.

Mack encontrou Alison na cozinha, longe o bastante de Fittz para não ligar para o que o outro fazia.

—Está assim a muito tempo?

A garota deu de ombros.

—Desde que mandei as mensagens.

Ele grunhiu.

—Isso não vai levar a lugar nenhum. –O engenheiro mecânico resmungou.

—Tente explicar isso para tia Jemma e Elizabeth, que são médicas.

—Elas são médicas, não psicólogas Ally.

—Já tentou explicar a diferença para as duas, porque eu já. –A garota suspirou irritada. –O pior dia da minha vida depois daquela merda.

Mack pensou em falar algo para a filha, mas sentiu seu celular vibrar com uma mensagem na tela.

“Como as coisas estão indo?”

Ele leu a mensagem de Hill mais duas vezes antes de mostrar para a filha que soltou um xingamento em espanhol.

—La misma mierda de siempre.

—Não posso escrever isso para a minha chefe.

Alison encarou o pai e deu um sorriso torto.

—Acredite, Hill vai entender perfeitamente bem o que você vai dizer.

O homem hesitou, mas, por fim, escreveu o que a filha disse (especificando para a Comandante quem escolheu as palavras).

A resposta o surpreendeu.

“Esqueça as palavras, isso é um desastre.

Me avise se algo mudar dessa vez.”

Ele olhou da mensagem para Alison e suspirou.

—Te mandei para a mesma escola que a Hill?

—Não que eu saiba, por quê?

—Ela concorda com você e… –Mack apontou para situação as suas costas. –Que isso é um desastre.

Ally deixou a faca sobre a pia e se virou, apoiando as costas no balcão enquanto encarava o teto.

—Nada vai mudar enquanto Lya continuar fugindo na terapia. –Um suspiro cansado escapou dela. –A psicóloga me pediu ajuda essa semana, porque Leonora não fala, fica apenas encolhida no sofá por uma hora. –Ela encarou o pai. –A doutora disse que se ela, pelo menos, chorasse poderia indicar algo bom, uma chance de se abrir, mas ela não responde o “bom dia” quando a consulta começa.

—Jemma e Elizabeth também não parecem muito dispostas a se tratarem. –Ele encarou o amigo absorto em seu ódio. –O Turbo não tá melhor e o Gregory… é o Gregory.

Alison voltou a mexer na pia e Mack esperou.

—Vou começar a terapia essa semana.

O homem ficou surpreso.

—Segunda-feira? –A garota assentiu. –Fico feliz. –A inumana deu de ombros. –Nós todos nos culpamos por algo sobre aquele dia, até a Hill.

—Eu era a líder do grupo de resposta. –As mãos de Alison agarraram a beira do balcão. –Devia ter sido mais rápida.

Mack segurou o ombro da filha que o olhou com lágrimas nos olhos.

—Nem a Claire e a Alexis conseguem salvar todos. –Alphonso virou Alison até ela estar de frente para ele. –Nem todos que salvamos saem sem cicatrizes ou sequelas e… –Ele respirou fundo. –Não importa o quanto seja difícil admitir, mas sempre é mais pesado quando as vítimas são as pessoas que conhecemos e amamos.

Alison abraçou o pai e deixou as lágrimas, que segurou desde que Leonora desabou, caírem.

Mack tentou ser positivo sobre aquilo, porém era difícil.

Henrique e Alison eram os mais racionais entre os jovens daquele apartamento.

Seu filho estava na terapia a algumas semanas e Ally havia finalmente aceitado ajuda.

Eles não tinham culpa.

Erick estava de folga com Elizabeth.

Uma tarde de folga depois de dias de trabalho dobrado.

Ally estava monitorando três pessoas na mesma região, todos distantes.

Ela sabia que os outros tinham baixa possibilidade de problemas, então ficou mais próxima de onde Leonora estava, mesmo assim não era perto.

Ele e Elena estavam na Shield, como sempre, assim como o casal Fitts-Simmons e Gregory, que estava estudando.

Ainda assim era difícil fazer todos entenderem que não havia o que ser feito.

Eles alertaram Leonora sobre as atitudes e ações da outra garota, não que sua sobrinha tivesse aceitado os avisos.

Lya ficou irritada com todos eles, tentou afastá-los de si.

Ela foi ingênua.

Mack nunca culparia Leonora pelo que aconteceu, sabia como era difícil admitir que os outros tinham razão quando davam uma opinião que não gostava.

A verdade é que não havia culpados entre eles.

Todos fizeram o que podiam.

Eles avisaram antes, Lya decidiu acreditar no melhor de alguém e eles a resgataram quando o estrago foi causado.

Não havia culpados para Mack.

Apenas feridos.

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Andrew riu quando Christine o puxou pela mão e o jogou dentro da sua sala, não que a garota ligasse. Ela acabou com aquele riso no momento em que o beijou, puxando as roupas dele sem ligar de onde estavam ou que outras pessoas tinham a chave daquela porta.

—Parem antes que eu veja algo impróprio.

Os dois se assustaram com a voz séria e firme vinda do assento à mesa, ainda que Andy tenha sido o único a demonstrar qualquer sinal de culpa ao corar e seus cabelos pegarem fogo.

—Comandante Hill. –Ele também havia gaguejando um pouco antes de tentar parecer menos desarrumado. –Eu não sabia que a senhora precisava falar comigo.

—Precisar é uma palavra meio forte. –Ela encarou os dois e apontou para as cadeiras à sua frente. –Sendo sincera, esperava uma chance de encontrar a senhorita Frost para conversarmos.

—O que poderia ser tão importante para a senhora nos esperar aqui?

—Isso. –Hill esticou uma série de papéis para os dois que ficaram surpresos com o conteúdo. –Não sou contra o que fizeram ou pretendo me meter no meio dessa história, mas assinem a documentação oficial. É um saco quando os agentes não fazem isso e depois precisamos correr atrás. –Ela fuzilou Andrew com um olhar. –Não me importa o quão virtualmente imortal você seja, como meu auxiliar mais próximo é seu dever ser o exemplo com isso, mesmo que apenas eu fique sabendo.

—Sinto muito senhora. –O garoto parecia se sentir culpado.

—Sem drama. –A Comandante suspirou. –Eu apenas esperava que você, que sabe o quanto isso pode se tornar um problema para a agência quando cônjuges não são devidamente registrados, não me fizesse passar por essa situação.

—Isso meio que foi minha culpa. –A mulher encarou Christine, que milagrosamente parecia se sentir culpada por algo. –Não quero contar para minha mãe ainda, por isso pedi para o Andy esperar.

—Achou que eu fosse contar para a Emma? –A loira confirmou e Hill suspirou. –Eu sou próxima dela, isso não significa que conto tudo para sua mãe, embora eu ache isso um pouco idiota da parte de todos. –A mulher fez uma careta. –E nem de longe eu quero pensar em como isso vai ser bagunçado. –Ela encarou a garota. –Apenas me diga que vai contar a ela em breve.

—Acho que vou contar antes do fim do ano. –Christine deu de ombros como se aquela questão não a incomodasse.

—Me diga que não está fazendo isso para se vingar da Emma por causa do seu pai.

—Não estou.

—Então o que é? –Christine encolheu e Hill soube que o problema não era apenas o pai idiota da garota. –Certo, não precisa me contar, só escute o que vou dizer e não me pergunte o óbvio. –A loira olhou para a mulher mais velha. –Sua mãe te ama e sempre pensou em apenas uma coisa quando escondeu seu pai, que foi te proteger. Acredite em mim.

A Frost suspirou e abaixou a cabeça.

—A senhora sabe. –A afirmação deixou Andrew um pouco preocupado, mas ele esperou. –Tem certeza que ela conseguiu me proteger?

Hill hesitou.

—Ela errou em alguns aspectos. –Christine olhou para Hill. –Ainda assim, eu consigo entender por que Emma achou que era a melhor opção e, até certo ponto, ela tinha razão.

—A senhora pode me falar algo sobre o meu pai? Qualquer coisa?

Um sorriso triste cruzou o rosto da Comandante.

—Ele é um completo idiota e, sim, ele está vivo. –A mulher suspirou. –Sua mãe amou o desgraçado a ponto de quase morrer por ele e no final ele a abandonou. –A morena notou o olhar surpreso da garota. –Sua mãe nunca te contou que ele abandonou ela, não é mesmo?

A Frost cerrou os punhos sobre os joelhos.

—Ela nunca me falou nada sobre isso, só que minha personalidade é bem dividida entre a dos dois.

—E é mesmo. O melhor dos dois, sem os defeitos, literalmente. –Christine ainda olhava fixamente para Hill. –Ninguém deveria passar pelo que a Emma passou, especialmente grávida, mas seu pai fez as escolhas dele e sua mãe as dela quando viu o que ele queria. Então, mesmo que seja difícil, acredite na sua mãe e tente contar a verdade para ela, certo?

Christine não falou nada, apenas acenou e desviou o olhar, tentando evitar a direção da Comandante que se voltou para Andrew.

—Vou acreditar que está fazendo isso pela sua esposa e não por algum problema com a Daisy, posso? –O garoto hesitou. –Vai me contar ou vou precisar tentar arrancar isso dela? –Ela apontou para a loira.

Ele negou.

—Eu não sei como ela pode reagir e não sei se quero saber.

Um xingamento nada elogioso cruzou a mente da Comandante.

—Eu quero tanto dar um soco em você e outro na sua mãe agora. –Hill suspirou. –Se o acordo entre vocês é que a Christine conte antes, não atrase um dia para contar a sua mãe.

Andrew hesitou.

—A senhora pode me contar algo sobre meu pai?

Hill não ficou surpresa, mas o caso de Daisy era mais simples e mais difícil que o de Emma.

Eram casos diferentes.

Dores diferentes.

—O que quer saber?

Andrew estranhou a resposta.

—Ele é uma boa pessoa?

—Uma das melhores que já conheci.

O inumano tentou novamente.

—Ele machucou a minha mãe?

“Ah! Aquela pergunta.” Pensou a Comandante

Hill levantou e sorriu para Andy.

—Nunca. –Ela andou até o lado dele e segurou o ombro do garoto. –E depois ele despedaçou completamente o coração dela.

Andrew não teve tempo de reagir, a Comandante já tinha saído e ele encarou Christine que o abraçou com força.

Ele podia sentir as lágrimas dela em sua roupa e sabia que aquelas lágrimas eram pelos dois. O inumano não conseguia mais chorar de verdade e Christine não se permitia realmente chorar a menos que estivesse apenas com ele.

—Ele está morto. –Andrew deixou escapar e Chris negou. –Hill falou dele no passado e… –Ele engoliu em seco. –Uma vez alguém perguntou para ela sobre um agente… –Suas lágrimas secavam antes de caírem e ele odiou não poder chorar naquele momento. –Ela respondeu que ele nunca decepcionou ninguém, nem a namorada, mas quando morreu quebrou o coração dela.

Christine desfez o abraço e o beijou, deixando ambos sem fôlego.

—Estarei sempre ao seu lado. –Ela sussurrou olhando no fundo dos olhos de Andrew.

Ele sorriu.

—Estarei sempre ao seu lado.

A Frost sorriu e os dois se abraçaram com força.

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Tália descobriu tarde demais que Aisha estava na cidade e cedo o bastante para evitar a princesa.

Normalmente, em um dia em que Cassie não estivesse testando cada limite dela, a Wagner teria adorado encontrar com a Monroe e engatado uma longa conversa cheia de brincadeiras e piadas impróprias. Só que a mutante não precisava de nenhuma outra piada imprópria além do fato que sua namorada ainda estava roubando beijos quentes e agarrada ao seu braço.

Assim que se sentou no apartamento funcional dos Lang, Tália suspirou exasperada.

—Por todos os demônios do inferno e anjos no céu, eu peço clemência. –A frase escapou da garota no exato segundo que Hill passou pela porta e as duas se encararam antes da mais nova olhar para o alto. –Eu pedi clemência.

—Dia difícil?

—Como se você não soubesse.

—Tia Hill? –Cassandra tinha voltado do quarto. –Algum problema?

—Não. Recebeu o recado do seu pai?

—Sim, ele e Hope tinham um encontro marcado para hoje. Algo quente. –Ela fez uma careta. –É estranho pensar que meu pai faz sexo.

—Acho que ele pensa o mesmo a seu respeito. –Hill devolveu.

—Ponto para senhora. –Cassie observou a situação na sala por um segundo. –Veio trazer algum serviço para a Tália.

—Na verdade, só vim conferir como vocês estavam. –A Comandante não precisou mentir.

—Estamos bem. Tália me pediu em namoro mais cedo, embora eu tenha certeza que já te contaram isso. –A mulher mais velha confirmou. –Vamos jantar, a senhora quer fazer companhia?

—Não querida. Vou passar um tempo com os meus filhos agora. –Ela encarou Tália. –Alexis ainda não melhorou. Talvez Christine durma aqui, mas Claire e Laura vão voltar com Aisha para o Instituto. Se quer mandar algum recado sugiro que fale com elas.

—Não quero ter que lidar com a princesa agora, outro dia quem sabe. E eu já recebi as atualizações sobre a Alexis, vou ficar por aqui hoje.

Hill encarou a mutante por alguns segundos e depois sorriu se divertindo.

—Só pra você saber, eu não espero milagres nem do Andrew e do Robert no que diz respeito a sexo, então não precisa fazer drama. –Tália olhou para a Comandante assustada, pórém a mulher apenas virou na direção da porta. –Boa noite meninas.

—Boa noite tia. –Cassandra se apoiou no encosto do sofá olhando para a Wagner. –Vamos jantar?

Tália engoliu em seco.

Pedir clemência aos anjos e demônios havia falhado.

Será que ainda tinha tempo de rezar para os asgardianos e fazer oferendas?

==========X==========

Ela sabia como aquilo ia terminar.

Droga, ela realmente sabia que aquilo era uma péssima ideia e mesmo assim concordou.

Aparentemente Cassie tinha um efeito nada bom nas escolhas prudentes de Tália que, contra todas as apostas, era sim uma pessoa ajuizada.

Exceto por Jocelyn, mas nem tudo era perfeito e aquilo já era passado. Felizmente.

—Em que está pensando? –A atenção de Tália foi para Cassandra, que havia acabado de sair do banho.

—Que o meu gosto para mulheres tem melhorado. –A mutante segurou a toalha de rosto que usará para secar o cabelo com força. –Não que isso pareça um consolo agora.

A loira riu e sentou na ponta oposta do sofá cutucando a perna da mais velha com o pé.

—Isso é cruel. –Só que o sorriso de Cassie não mostrava raiva ou culpa pela provocação.

Tália suspirou sentindo que aquilo devia ser um castigo por sempre provocar seus amigos e, não importa o quanto ela tenha sido uma grande amiga, era inegável que mesmo Nate sofreu em suas mãos com as piadas.

Ela olhou para o teto.

—Eu sei que eu sou parte demônio, mas isso é sacanagem também.

O comentário fez Cassandra gargalhar alto e puxar a mão da mutante, que ficou surpresa. Especialmente quando viu que a loira estava ajoelhada sobre o sofá ao lado dela com um sorriso que fez a mais velha engolir em seco.

—Você realmente acha isso? –Cassie mudou de posição sentando sobre o colo de Tália. –Por que eu juro que estou sendo muito mais paciente do que gostaria, então… –Ela envolveu o pescoço da morena com os braços. –Não acha que eu me sinto sacaneada nessa situação?

E o beijo de Cassandra fez a mente de Tália girar.

A mutante sentiu sua mente girar, seu sangue ferver, seu coração disparar e suas mãos formigarem antes mesmo de tocar na loira. Ela até pensou ter ouvido uma aprovação vinda de alguém, mesmo sabendo que estavam sozinhas.

Cassie interrompeu o beijo e encarou Tália.

—Vai mesmo me dizer que não posso querer isso? –A mutante olhou surpresa para a garota. –Vai? –A morena negou. –Então?

Tália afastou as mãos de Cassandra que sorriu de uma forma divertida.

—Eu só acho que… –A Wagner suspirou. –Eu não sei o que acho, só não sei o que fazer, de verdade.

—Bom, você ainda está me segurando. Então eu posso tomar isso como um sinal positivo, não é? –A morena pareceu surpresa e uma risada escapou de Cassie. –Você nem percebeu.

E quando Cassandra a beijou novamente, Tália entendeu porque a mais nova disse que ela ainda a estava segurando: sua cauda havia se enrolado na coxa da loira e ela não tinha notado.

Como suas mãos estavam novamente segurando o corpo de Cassie junto ao seu, a Wagner tentou soltar a cauda, mas a sentiu apertar.

—Não tão forte. –O aviso da loira contra seus lábios fez com que o aperto diminuísse.

Isso deixou Tália em alerta.

Ela finalmente entendeu de onde a aprovação veio: seu lado demoníaco gostava de Cassie e a queria por perto.

Aquilo causou um arrepio na mutante.

Ela sabia melhor do que Alexis que seus demônios tinham desejos, coisas que queriam como suas propriedades.

A Wagner não tinha certeza, mas apostaria que o da Rasputin era Nathan e o de Nikolai… Bom, ela não gostava do demônio dele.

Agora o demônio de Tália estava dizendo que queria Cassandra e isso era um problema.

Seu demônio nunca pedia nada, então era prudente negar a única coisa que ele poderia desejar?

Ela afastou Cassie um pouco, enquanto um xingamento invadia sua mente, algo que agora a mutante sabia de onde vinha.

—Sério? –Dessa vez a loira pareceu um pouco ofendida.

—Juro que é importante. –Tália não levaria a outra garota para um buraco sem volta.

Nathan entrou naquele barco pensando em casar e ter filhos com Alexis, ele aceitou o pacote de problemas sem piscar, só que ele sabia no que estava se metendo ou, pelo menos, tentando se meter.

—Espero que seja.

—Meu demônio gosta de você. –Cassandra a olhou sem entender. –Demônios gostam de coisas.

—Você comentou. Sexo, comida, sangue, assassinato e eventualmente comer corações de humanos cruéis.

A mutante confirmou.

—Isso é o geral, o problema é que, às vezes, um demônio pode querer algo específico. –Cassie havia se afastado um pouco e a olhava com atenção. –Varia um pouco. O da Alexis, eu acho que é o Nathan e o meu parece que escolheu você.

—Nikolai?

—Vamos deixar aquele imbecil de fora. –Ela notou o olhar preocupado da loira. –Não gosto de falar do demônio dele, é problemático demais; por isso nunca o deixamos se manifestar novamente desde que o Nikolai tinha cinco anos. –Tália suspirou. –O que quero dizer é que ser o alvo do desejo de um demônio é meio que um caminho sem volta, especialmente se eles tem o que querem uma vez. –Ela encarou a mais nova e, para a surpresa da Wagner, Cassie sorria. –O que foi?

—Vocês demônios são estranhamente fofos. –Ela deu um beijo rápido em Tália e sorriu. –Seu demônio ouve tudo que você ouve, certo? –A morena assentiu e a loira olhou no fundo dos olhos da mais velha. –Eu não te conheço, só sei que você é parte da TJ, então eu não me importo se você também gostar de mim, porque como eu gosto dela por inteiro isso significa que de certa forma também gosto de você. Estamos entendidas?

Tália sentiu seu peito se agitar e um grito de concordância ecoar em sua mente.

—Acho que isso foi um sim. –Ela deixou escapar e notou o olhar de Cassie. –O que foi?

—Você é fofa.

E quando Cassandra a beijou de novo, Tália soube que não havia mais volta.

Principalmente quando seu demônio gritou “Quero ela” em sua mente enquanto sua determinação cedia aos seus próprios desejos.

Ela sabia como aquela noite terminaria.

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Hill ficou surpresa quando Daisy apareceu na sua porta.

—Algum problema?

—Não, eu… –A Inumana suspirou exausta. –Andrew vai trabalhar amanhã?

Maria encarou a amiga e indicou que ela entrasse no apartamento funcional.

—Fury está de plantão essa noite e as crianças acabaram de ir dormir, estava revisando alguns relatórios de última hora. –Daisy olhou para a sua superior notando que ela já estava vestida para dormir. –Ele está de folga.

A asiática estranhou.

—Aconteceu alguma coisa?

A Comandante Geral deu de ombros.

—Acho que contei que o pai dele está morto.

—Você fez o quê?!

—Cale a boca. –E o tom irritado e controlado de Hill fez a outra mulher se assustar. –Tive um assunto para tratar com ele e Christine, o assunto do pai dela surgiu e eu contei que ele abandonou Emma. Seu filho me pediu para contar algo sobre o pai dele, eu disse que ele era uma boa pessoa e que nunca te machucou, mas quebrou seu coração.

Daisy desmontou no sofá.

—Você não tinha esse direito. –Respondeu magoada.

—E você tem o direito de fazer o seu filho sentir que não pode confiar em você?

—Eu não… –Tremor parou. –Ele disse isso?

—Não com essas palavras. –Hill sentou encarando a amiga, que parecia devastada. –Olha, eu sei que você sofreu e que ainda sofre pela sua perda. Não sei como teria sido se eu tivesse passado pelo mesmo, mas isso não significa que precise se afastar do seu filho.

Daisy hesitou.

—Eu fui a um encontro. –Maria se surpreendeu. –Foi a dois anos e foi horrível. –O silêncio durou por alguns segundos e Hill esperou. –Jemma me incentivou a tentar novamente e eu tentei, não foram meus melhores dias.

—Não é fácil voltar depois de tanto tempo.

—Eu conheci alguém. –A Comandante olhou assustada para a amiga. –Foi a uns seis meses. –Outro silêncio desconfortável que Hill não podia quebrar. –Ele é médico, cirurgião ortopédico, e ficou viúvo a cinco anos. –Daisy encarou a amiga. –Ele é maravilhoso.

—Conheceu a família dele? –Uma negativa. –Falou do Andrew. –Uma afirmativa. –O que houve?

—Eu pedi um tempo. –A inumana voltou a olhar para o nada. –Eu estava me sentindo mais feliz, leve e até mesmo animada, como não me sentia a anos. Então eu pensei nele e no Andy e em tudo que nós não pudemos viver. Eu me senti culpada.

—Você gosta do médico. –Daisy olhou para a amiga assustada. –Você se sentiu culpada porque quer viver isso com o médico, essa coisa boa, especialmente se ele aceitar o Andrew, o que imagino ser o caso. –A outra mulher concordou. –Então faça isso.

—Eu não sei se posso. Eu… Eu tenho medo.

Maria observou a amiga por alguns segundos e pensou em como toda a dor que a enterrará por anos havia deixado marcas em sua personalidade outrora tão enérgica e extrovertida.

—Vá conversar com seu filho.

—O quê?

—Vá conversar com Andrew. Se não hoje, amanhã ou sexta-feira. Tirem o dia livre se isso for facilitar as coisas, mas converse com o seu filho.

—Eu não quero que ele saiba o que houve. –Daisy engoliu em seco. –Eu não posso deixar ele descobrir por que o pai morreu.

—Então não conte. –A asiática ficou confusa. –Tem tantas formas de você explicar isso para ele sem contar tudo, assim como a Emma só precisava ter falado que o pai da Christine as abandonou. –A Comandante suspirou. –Vocês precisam entender que contar algo não significa contar todos os detalhes, apenas conte sobre o pai dele e conte sobre o médico.

—E o que eu devo fazer depois? Se o Andrew não confia em mim, de que isso vai adiantar?

—Depois, se você achar que vale a pena, vá atrás do médico e se o Andrew não se opor, apresente ele ao seu filho. –Hill levantou e sentou ao lado da amiga. –Emma reencontrou a felicidade dela no meio dos filhos que teve e adotou, já passou da hora de você reencontrar a sua felicidade.

Daisy assentiu e levantou com os olhos marejados.

—Eu vou falar com ele amanhã. –Ela hesitou. –Acho que por hoje é melhor deixar ele com a Chris.

—De certa forma eu agradeço por isso.

A inumana concordou.

—Eu vou voltar…

—Pode ir.

Daisy passou pela porta e Hill pegou o tablet indo para o quarto.

Ela terminou de ver a última atualização do dia satisfeita que tudo parecia tranquilo.

Deitou na cama e dormiu, mentalmente exausta.

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Continua...

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No próximo capítulo: Overstatement.

Notas finais
Eu sei que alguns leitores tem suas suspeitas sobre a história do pai da Christine e a Emma, mas esse plot tem seu próprio tempo e eu estou começando a trabalhar nele. Embora eu deva avisar que o plot do James Howlett provavelmente vai ser resolvido antes. Ah, o demônio da Tália. Isso foi algo divertido de escrever e isso ainda vai ter mais desdobramentos com os três personagens que tem sangue de demônio (um deles vai ser tenso). Não fiquem bravos com a Hill por contar só parte da verdade ou por se meter na vida dos outros, ela tem que fazer controle de danos, mesmo que pra isso precise causar algum dano prévio antes. É, eu achei que precisava falar um pouco por que essa Daisy (livremente baseada na de AoS) é tão diferente da personagem em que me inspirei e comecei por aqui. Mais alguém amou o modo sogra legal da Natasha? Por mais sogras divertidas como ela no mundo.