Notas iniciais
Atualmente posto minhas fics nos seguintes sites/plataformas de fanfics e histórias: Spirit https://www.spiritfanfiction.com/perfil/eucaristia Nyah! https://fanfiction.com.br/u/175167/ Wattpad https://www.wattpad.com/user/LillielEucaristia Acompanhe. Comente. Incentive. Todo autor precisa de sua dose de retorno para que as histórias não morram. Também escrevo uma série baseada em Percy Jackson e os Olimpiano, quem tiver interesse pode visitar meu perfil.

Data Terrestre: 11 de Outubro

O som persistente do celular ecoou pelo quarto por alguns segundos antes de Andrew levantar e sentar na cama um pouco desorientado.

—Você já tem que ir? –A voz sonolenta de Christine chamou a atenção dele.

—Eu até tenho algumas horas ainda, mas não quero ficar preso no trânsito.

—Vai sair mais cedo?

—Vou sim.

—Quero ir junto... –A garota estava com a voz manhosa.

Andrew riu daquilo e se virou beijando a testa da namorada.

—Acho que sua mãe não aguenta outra professora cancelando as aulas hoje.

—Ela supera. –A garota abriu os olhos e o encarou. –Sério, minha mãe não vai ligar.

—E eu não preciso que você fique cuidando de mim durante o meu turno, não importa o quanto isso seja bom.

Christine suspirou e fechou os olhos novamente.

—Venha quando seu turno terminar. –Ela riu. –Você foi ótimo essa noite.

O garoto sentiu o rosto queimar e seus cabelos pegarem fogo.

—Eu vou tomar banho. –Disse sem jeito.

—Te vejo mais tarde.

Andy concordou e seguiu para o banho.

Quando terminou e já estava pronto ele observou Chris dormindo profundamente.

No relógio marcava seis e meia, mas o garoto sabia que ela ainda tinha mais meia hora antes de precisar levantar.

Ele sorriu e saiu fechando a porta, seguindo até o carro oficial da Shield.

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O sol não havia nascido direito, mas Pepper já estava administrando um imprevisto.

—Você quer o quê?

—Visitar o Instituto Xavier. –Não que Ur parecesse minimamente preocupada.

—Por que?

—Nenhum motivo muito grande. –A garota deu de ombros. –Eles são meio parecidos comigo e eu já terminei de ler tudo que podia sobre a sua cultura e sociedade, inclusive algumas séries e documentários.

—Tem certeza de que se sente pronta para isso? –Pepper confiava na garota, mesmo assim tinha um pouco de medo dela ter algum surto com os poderes.

—Não se preocupe, estou mantendo contato com Helena para caso algum outro incidente aconteça novamente.

A ruiva suspirou vencida.

Mesmo com pouco tempo de convivência ela havia aprendido que Ur era determinada demais para abrir mão de certas coisas e a visita ao Instituto provavelmente era uma delas.

—Certo, vou pedir para o motorista te levar...

—Não precisa. –Ur interrompeu. –Eu li sobre seu sistema de transporte e quero tentar chegar lá usando o que puder.

Pepper desanimou.

—Não vou discutir isso com você, mas vai levar um celular, um dispositivo de localização do Tony, vai levar uma boa quantidade de dinheiro para caso precise pegar um táxi e quero que me mande mensagens a cada dez minutos até chegar no Instituto. Quando chegar lá me avise.

—Você sabe que eu tenho dezenove anos, não é?

—E que não é da Terra, o que significa problemas, algo que eu já tenho em excesso nos últimos dias.

Ur pareceu pensar um pouco.

—Tudo bem. E não se preocupe, estou indo como vocês porque parece interessante, se me cansar uso meus poderes para chegar de uma vez.

A ruiva ficou surpresa.

—Você pode fazer isso?

A garota riu.

—É só rastrear a garota Rasputin.

Pepper suspirou.

—Vai, antes que eu me arrependa.

Ur acenou desaparecendo da sala e a ruiva pediu que Jarvis orientasse a garota onde pegar os dispositivos, além de ficar de olho nela.

A mulher encarou seu celular.

Não queria começar o dia tão cedo, mas já que estava acordada e não voltaria a dormir tão cedo era melhor fazer alguma coisa produtiva, mesmo que isso significasse ler relatórios das empresas. O que não era tão ruim no final já que representaria a maior dose de normalidade da sua semana.

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A primeira coisa que Valéria notou foi o martelar em sua cabeça e como aquilo era uma droga, não que houvesse qualquer coisa a ser feita depois de chorar tanto no dia anterior. Ela sentou na cama se sentindo destruída e notou outra pessoa ao seu lado: Ally Mackenzie.

Não lembrava de ter visto a garota antes de dormir, exausta, porém imaginava que ela foi até o apartamento atrás de Mack e Yo-Yo, o que ainda não explicava o que Alison fazia na sua cama usando o moletom da Shield e parecendo tão cansada quanto a loira ainda se sentia.

Val ignorou aquilo por hora e saiu do quarto, dando de cara com Erick Mackenzie em sua cozinha.

—Sua família mora aqui?

—No prédio. –O garoto pegou a caneca de café e sentou no balcão. –Meu pai ficou preocupado de deixar você sozinha, então pediu que eu e minha irmã te fizéssemos companhia. Ally decidiu que com o tanto que você tinha chorado era melhor dormir no quarto, já que a presença de uma pessoa poderia te acalmar mesmo que um pouco.

Valéria abriu a geladeira pegando o leite e o cereal no armário.

—Tenho que agradecer depois, embora até hoje apenas o Damian tenha invadido a minha cama dessa forma.

—Damian é o seu primo, filho do Von Doom? –Ela assentiu. –Vocês já namoraram?

—Deus, não. –A careta de Val fez Erick rir. –Vai parecer estranho, mas nossa relação é fraternal demais para algo acontecer entre nós e apesar dele nunca ter falado nada, acho que não sou exatamente o tipo do Damian.

—Por ser loira ou por ser mulher?

—Essa é a pergunta que não sei responder. –A garota riu. –Damian é muito discreto e não fala sobre isso, não significa que ele não seja bem resolvido, qualquer que seja a opção. –Ela deu de ombros. –E seus pais estão pelo prédio?

—Trabalhando ou prestando suporte para outros agentes.

—Depois procuro eles, preciso agradecer por ontem. Eles foram legais comigo, muito mais do que eu poderia esperar.

—Bom, eu não sei se entendo como é, mas eu ouvi os rumores. –Erick notou o olhar surpreso de Val. –Acho que todos já ouviram os rumores, não é? –Ela assentiu. –Posso perguntar se é verdade?

A garota sentou e suspirou.

—Não sei.

—Mesmo?

A risada dela foi seca.

—Para a minha eterna infelicidade. –Valéria deixou o cereal de lado. –As minhas memórias daquele período são confusas e não fazem muito sentido, o que não é algo que possa explicar o que quer que tenha acontecido.

—E o que você lembra?

—O laboratório escuro, os gritos do meu pai com a minha mãe, um ruído abafado, o grito da minha mãe, minhas mãos doendo e uma descarga elétrica que iluminou tudo. Depois disso meu tio Ben derrubou a porta, eu chamei pelo meu irmão e ele nunca veio, lembro que minhas mãos ficaram estranhas, latejando, por vários dias, meu tio Johnny apareceu e brigou com meu pai. Em algum momento nos dias seguintes, que são mais confusos ainda, tio Victor chegou e disse que eu iria viver com ele, fomos para o avião e de alguma forma ele me livrou da sensação estranha nas minhas mãos, quando ele me abraçou eu chorei muito e meu padrinho me enrolou no seu manto. Acho que dormi, porque minha memória seguinte é de estar chegando no castelo na Latvéria

—Realmente é muito vago... –Erick hesitou. –Acha que Victor pode ter apagado sua memória?

—É pouco provável. –Val notou que o garoto não acreditou naquilo. –Fiz meu tio ser sincero e ele jura que não mexeu, mas que sabe o que aconteceu. Pedi para ele me contar e o padrinho disse que não faria isso, não pelo meu pai ou pela minha mãe e acho que meu tio nem liga para eles. Ele diz que eu não preciso lembrar do que houve, que é melhor ficar na dúvida do que sofrer com a realidade, então é difícil imaginar uma mentira.

—Não é impossível, você sabe.

—Verdade. –Valéria terminou de comer seu cereal. –Tio Victor disse que se eu realmente quiser saber o que houve ele me conta, quando eu fizer vinte e um.

—E você quer saber?

—Não tenho certeza. –Ela suspirou um pouco decepcionada. –O esforço do padrinho em todos esses anos foi para proteger algo em mim, então tenho medo do que posso descobrir quando souber a verdade. Por outro lado não saber não vai tirar o amargo da minha boca tão cedo com relação ao que pode ou não significar todas essas memórias distorcidas.

—E o que pretende fazer agora? Sabe, sair por aí? Ajudar a Shield? Continuar estudando?

—Provavelmente um pouco de cada coisa. –Valéria deu de ombros. –Não estou com presa para fazer nada. –Ela se espreguiçou e estalou o pescoço. –Hoje eu vou só dar uma volta pela Shield e conhecer mais o lugar.

—Nesse caso, eu e minha irmã podemos servir de guias. –A loira pareceu surpresa. –Não quer?

—Não é isso. –A garota pareceu desconfortável. –É que sua família me ajudou tanto em menos de um dia que parece até que estou me aproveitando de vocês.

Erick gargalhou e encarou Valéria.

—Relaxa Richards, não é como se a gente não tivesse se oferecido para ajudar. –Ele notou a careta dela ao ser chamada pelo sobrenome do pai. –Prefere usar outro sobrenome?

—Não é como seu eu pudesse mudar isso.

—Na verdade, você pode. –A loira ficou surpresa. –Conversa com a Hill, os associados podem usar o nome como quiserem. –Ela assentiu. –Vai usar o da sua mãe?

—Estava pensando em usar o do padrinho. –O garoto sorriu. –Sua irmã vai demorar pra acordar?

Fóton olhou no relógio em seu pulso e sorriu.

—Uma meia hora se muito.

—Nesse caso eu vou tomar um banho e me trocar.

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James não conseguiu dormir tão bem quanto normalmente acontecia quando se encontrava com Helena, o que devia ser algo preocupante já que ele sempre apagava completamente quando passavam a noite juntos.

O rapaz acordou às cinco da manhã, depois de muito esforço para conseguir pegar no sono, então resolveu tomar um banho, o que em outros dias teria acordado a morena, mas Lena nem ao menos se moveu quando ele levantou, ligou o chuveiro ou voltou para o quarto. Não era como se o Howlett não soubesse o que estava acontecendo, ele só resolveu que não faria nada.

Se Helena estava chateada, James poderia dizer que estava até mais do que ela, então era melhor que eles não conversassem mais do que o necessário. Para ele isso significaria de sete a quinze dias com a garota o ignorando, não que isso o incomodasse naquele momento.

Era difícil para o mutante admitir, mas precisava colocar uma distância entre eles por hora; não era só porque Lena não queria assumir o que tinham ou pela forma cruel como reagia a coisas que não eram se quer relevantes como na noite anterior, afinal ela sempre fazia isso e ele nunca parava de correr atrás dela.

Muitas coisas estavam confusas para James.

Sua mãe biológica estava a caminho e isso o assustava.

Eles nunca foram particularmente próximos e sua mãe biológica tinha pouco ou nenhum espaço comparado com as outras figuras maternas de sua vida.

Ororo ensinou jardinagem a ele, um hobby que o ajudava a ficar calmo e concentrado sempre que tinha muito no que pensar.

Jean, mesmo com os problemas que teve com Emma, lhe ensinou artes plásticas e a pintura o ajudava a expressar coisas que o rapaz nem sabia explicar.

E Emma... Para James ela sempre foi sua mãe, em todos os sentidos.

Foi a Frost que o criou e educou, que teve a conversa sobre sexo e sexo seguro quando ele entrou na adolescência. Ela que ficava preocupada quando ele se machucava ou ia em uma missão perigosa, mesmo com sua mutação, e sempre foi Emma que estava lá para reparar os danos que a falta da mãe biológica de James causou, especialmente depois que ele teve idade suficiente para entender que a mulher que o gerou não era capaz de estar ao seu lado.

Não era algo comum, mas já tinha algum tempo que o rapaz pensava sobre tudo aquilo e a dinâmica do seu relacionamento com Helena. Em algum ponto James teve a impressão de que aquilo parecia refletir um pouco sua própria relação com a mãe de sangue e isso o incomodava.

Terminou de se vestir e encarou a morena ainda deitada na cama.

Ela estava acordada, ele sabia disso pelos batimentos cardíacos dela.

—Eu tenho que ir. –Disse em um tom de voz normal. –Pode me mandar para o meu quarto?

—Não pode mesmo ficar? –A voz dela foi clara.

—Não.

Helena sentou na cama encarando James.

—Sinto muito por ontem. –Ela parecia sincera e para ele isso era um problema.

—Não tem problema, eu que estava errado. –E de algum modo ambos sabiam que aquilo era verdade.

James sempre se submetia as vontades de Helena ou, pelo menos, a mais vontades dela do que era saudável para qualquer que fosse a relação deles.

—Se tiverem mais problemas com Alexis me liguem.

Ele assentiu e a morena o mandou de volta para o Instituto em um estalar de dedos.

O garoto olhou ao redor do próprio quarto indo até o guarda roupas pegar um conjunto para o dia de treinos. Não tinha nada que pudesse fazer sobre sua relação com Helena naquele momento, então focaria em algo que pudesse controlar ao menos um pouco e depois tentaria relaxar com um dos seus hobbies.

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Laura acordou com o som de uma nova mensagem no celular e esticou o braço para ver o que era, não ficou surpresa com a quantidade de novidades.

As do Instituto já eram esperadas.

As aulas de Nathan estavam suspensas até segunda ordem, o que significava que Alexis ainda estava ruim.

Nikolai e Tália estariam ausentes até que fosse seguro voltarem.

Haveria uma reunião com professores e instrutores no período da tarde.

Todos estariam de sobreaviso até que a situação com os membros ausentes fosse regularizada.

Na Shield tinha muita rotina.

A entrevista e a reportagem seriam exibidas em um especial no dia seguinte, durante o horário mais disputado e significa mais audiência para as emissoras, tempo de edição e visibilidade para todos os envolvidos. A última parte podia não ser tão boa assim, mas não tinha nada que pudessem fazer a respeito.

A Secretária de Educação ainda não havia dado sinal de vida, o que não era exatamente uma boa notícia.

Clayton Booker estava discutindo suas possibilidades junto com a família e um consultor da Shield. Aparentemente ele tinha uma chance de se juntar a agência em um dos projetos paralelos que eles cuidavam, o que não era algo ruim.

O suspeito que foi capturado se recusava a falar qualquer coisa e o próximo passo seria o uso de um telepata para conseguir as informações.

A morena suspirou cansada de ler as notificações e devolveu o aparelho para o criado-mudo.

—Algum problema? –Claire ainda estava sonolenta.

—Não, só informações.

Laura se virou na direção da loira, abraçando-a com força.

—Tá doente?

—Não enche.

Claire riu um pouco e bocejou, voltando a dormir em seguida.

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Rachel encarou a mãe se sentindo estranhamente desconfortável.

—Imagino que já saiba o motivo de ter te chamado aqui tão cedo. –A garota deu de ombros e Jean suspirou. –Olha, eu sei que você e a Christine já foram amigas no passado...

—Tínhamos cinco anos, não sei se podemos considerar isso uma amizade de fato.

—Não complique as coisas Ray, sabe o que quero dizer. Antes da sua telepatia surgir e você ter acesso a tudo que eu pensava sobre a Emma e a filha dela, vocês duas adoravam brincar juntas mesmo quando eu te proibia de fazer isso.

—E?

A mulher mais velha sabia que não seria fácil lidar com a filha e que James não fez aquele ultimato por gostar de mandar, o que só piorava o fato de que aquela situação não era fácil de lidar.

—Vamos ser sinceras, é minha culpa que as coisas com a Emma tenham sido tão complicadas por tanto tempo e é culpa da forma como agi com ela por tanto tempo que você passou a destratar Christine.

—Pelo menos você reconhece isso. –Rachel debochou.

—Sim, eu reconheço. –Jean encarou a filha com uma intensidade que fez a garota engolir em seco. –Então vamos deixar claro uma coisa: você precisa parar de ver a Chris como uma inimiga mortal.

—Agora vou ter que ser amiguinha dela?

—Não.

—Então o quê?

—Apenas pare com as provocações.

—Foi a senhora que me ensinou a ser assim!

—E eu estava errada! –As duas estavam muito nervosas. –Não preciso que seja amiga dela a ponto de pentearem o cabelo uma da outra ou que tente ter uma relação que não consegue ter com ela, só que pare de procurar briga. –Jean massageou o pescoço tensa.

—Vocês vão contar a verdade para ela? –Rachel parecia furiosa.

—Não é decisão minha. Isso só cabe a Emma, mesmo que eu ache que ela deve falar não é algo em que posso interferir.

—Não! –Jean olhou para a filha surpresa. –Você não pode!

—Rachel…

—Você me disse que ninguém jamais poderia contar para ela a verdade. Você disse que Emma jurou.

—Ela não jurou nada, só disse que não pretendia contar isso para Christine, mesmo que isso fizesse a garota a odiar.

A porta do escritório abriu e as duas se assustaram quando James entrou.

—Desculpa a intromissão, mas suas energias mentais tão assustando os estudantes, o que não é algo divertido depois do estrago que o Nathan fez ontem.

—Emma está ocupada? –Jean estava confusa.

—Toneladas de relatórios para serem postos em dia até a reunião da tarde para que ela tenha o dia de amanhã um pouco mais livre do que o normal. Parece que Ororo a convenceu a tirar o dia de folga, o que é um milagre, então ela deve passar o dia tentando não desviar a atenção daquela papelada.

—Acho que vou ajudar um pouco. –Jean pegou uma garrafa de café e seguiu até a porta. –Podem usar a sala se quiserem conversar. –E sem mais a mulher saiu deixando os dos jovens sozinhos.

O garoto encarou Rachel e suspirou.

—Você poderia colaborar um pouco, não acha?

—Com essa amizade bizarra e sem sentido entre minha mãe e Emma? Não, obrigada.

—Com você mesma. –Ela encarou James confusa. –Olha, eu entendo, tá legal? –Ele sentou na outra cadeira. –É como você foi criada, então é difícil de simplesmente ignorar isso e fazer de conta que não aconteceu nada ou que essa mudança não te afeta, mas você não é a única sofrendo com tudo isso.

—Eu... Eu não sei se consigo. –Rachel confessou.

James ficou em silêncio por alguns minutos pensando no que poderia dizer, ainda que nada parecesse bom.

—Eu acho que tenho que parar de ver a Helena. –A ruiva olhou surpresa para o Howlett. –Nós temos dormido juntos pelo menos duas vezes por semana a alguns anos, desde que ela tinha uns quinze anos, mas eu acho que as coisas não estão nada bem para continuar com isso.

—Tá saindo com ela a três anos?

—Transando. Sair implica que fossemos a lugares públicos além de Miami, o que não é o caso, então somos amigos de sexo.

—James... –E Rachel entendeu o quanto aquilo machucava o amigo.

Ela conhecia James Howlett mais do que como um colega, ele era uma espécie de protetor e irmão mais velho para todos que eram mais novos, o que incluía a ruiva (mesmo quando ela resolvia implicar com Christine).

—Tudo bem, não é como se a culpa não fosse minha, afinal eu nunca enfrento ela.

—E por que Helena faz isso?

—Provavelmente pelo mesmo motivo que Alexis afasta seu irmão, elas querem nos proteger de algo. Pelo menos sabemos que no caso do Nate é por causa dos poderes absurdos da sua pseudo-cunhada. –Ele suspirou cansado. –Não muda o fato de que eu pareço projetar algo nela.

—Sua mãe?

—Sabe quem ela é?

—Não. É como se a informação estivesse protegida na mente de todos os adultos que sabem quem ela é.

—Emma fez isso a pedido da minha mãe e eu também pedi por isso quando tinha uns dez anos.

—Acha que fica correndo atrás da Helena por que sua mãe te abandonou? –O garoto deu de ombros. –Acredita mesmo nisso?

—Não exatamente, mas é uma excelente desculpa, não é mesmo?

—Você sabe por que sua mãe fez isso?

—Depressão pós-parto. –Rachel estava surpresa com a sinceridade de James. –Emma me contou que ela levou três anos desde que eu nasci para se recuperar o suficiente para voltar à rotina normal de antes de engravidar. Ela só conseguiu vir me ver a primeira vez desde que vim morar no Instituto quando eu estava pra fazer cinco anos.

—Sinto muito.

—Não se preocupe, não é a coisa mais complicada na minha vida.

—O quanto você sabe de coisas que eu não sei?

—Eu sei quase tudo que se pode saber.

—Tipo?

—O pai da Christine, sua mãe, o pai do Andrew, a mãe da Tália e o tio Kurt, o que meu pai esconde da Laura, além de coisas que eu desconfio.

—Devo ficar preocupada?

—Sobre as coisas que eu sei? Não. Sobre o que eu desconfio? Talvez, afinal é terreno de especulação.

—Eu sempre achei que Tália fosse uma palhaça e você um monte de músculos desligado ou que Alexis fosse de pouca confiança.

James gargalhou.

—Quer saber a verdade ruiva? –A garota assentiu. –Apesar de não ligarmos para isso, era exatamente o que queríamos que vocês todos pensassem. Assim não nos metemos mais nesses problemas do que o necessário.

—E o que mais vocês querem que a gente pense que vocês são que não são?

O garoto levantou indo até a porta.

—Que tal começar com a nossa fama de pervertidos que transam com uma pessoa diferente por dia? Isso não é tão exato quanto muitos imaginam, afinal, eu nunca mais fiquei com outra pessoa desde que dormi com a Helena a primeira vez e Alexis segue um padrão bem parecido, mesmo com o lance entre seu irmão e Tália com ela. –Ele abriu a porta. –Tenho uma aula agora, depois nos falamos.

E sem esperar James saiu da sala deixando Rachel dividida sobre tudo aquilo.

Definitivamente o Instituto era uma bagunça muito maior do que a ruiva gostaria.

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Hill encarou o celular e suspirou vencida.

Levantou da cama e encarou o marido com cara de sono tentando ler as notícias no celular, algo que mesmo ela também teve dificuldades de fazer.

—Vamos mesmo comprar essa briga com Reed Richards? –Nick Fury encarou a esposa.

—Sue disse que vai assinar a emancipação e ele quer que a mandemos para a Latvéria, não posso dizer que estou confiante sobre o que a Mulher Invisível pretende, mas não podemos ignorar que esse é um dos muitos eventos incomuns dos últimos dias.

Fury suspirou enquanto Maria foi para o banheiro e voltou.

—Sabe, sinto saudade da minha vida de um mês atrás. –Ela encarou o marido curiosa. –Nossas preocupações eram tão pequenas e menos pessoais.

—Menos pessoais eu até posso concordar, pequenas nem tanto.

—Destruição mundial não me parece mais algo tão preocupante quanto o que vem acontecendo com nossos sobrinhos e filhos dos nossos amigos. –O homem comentou divido entre a raiva e o cansaço.

—Me sinto em um daqueles momentos “o sangue sempre fala mais alto”, não acha? Seja pela amizade ou o sentimento, eles são nossa família e nos colocamos no lugar de cada um, mesmo que suas situações não se apliquem a nós em todos os aspectos.

—Queria tanto que tivesse um manual de instruções sobre como agir nesses casos. –O homem resmungou indo para o banheiro.

—Sabe que está fazendo tudo certo, não é? –Hill falou mais alto colocando seu uniforme.

—Como pode me garantir isso? –Fury voltou para o quarto.

—Você e o Rogers são bem parecidos nesse sentido. –Ele pareceu não entender. –São duros com os adversários e aqueles que colocam as pessoas que amam em perigo, mas com seus filhos e protegidos? Vocês os aceitam e protegem, mesmo quando não tem certeza de como podem ajudar.

—O problema é que isso não parece ser o suficiente. –Nick confessou.

—Nunca é.

Continua...

No próximo capítulo: Nathan.

Notas finais
Sobre a ligação da Valéria com a Família Von Doom: isso vem das HQ's onde, originalmente, a personagem é filha do Doutor Destino com a Mulher Invisível em uma linha editorial que foi resetada (sim, ele fizeram um reboot a algum tempo) e ela veio do futuro dessa linha do tempo. Quando essa realidade foi resetada pelo Franklin Richards, o garoto usou seus poderes para garantir que Valéria nascesse nessa nova realidade como filha da Sue e do Reed, mas o Victor permaneceu ligado a ela como padrinho da garota, que realmente gosta dele e por quem o Doutor Destino tem grande afeição. Sim, a história é uma bagunça. Aliás, apenas a Valéria original (filha do Destino) tem poderes, enquanto a versão atual (filha do Reed) só é muito inteligente (coisa que a anterior já era).