Marshall Cole E Os Olimpianos: O Filho Da Lua

9 Cap. 9: Quem tem medo do lobo mal?


Notas iniciais
Olá de novo galera. Está aqui mais um capítulo do minha fic. Espero que gostem.

Corri em direção ao teatro para avisar meus amigos sobre a armadilha.

Tarde de mais.

Quando cheguei lá, vi meus eles cercados por monstros. Eram escorpiões do tamanho de bezerros bem alimentados.

Pensei em pegar meu arco, mas ele estava escondido dentro da minha mochila. Não havia tempo para pega-lo, então puxei a adaga escondida no meu casaco.

“Ok”, pensei, “só tenho que matar uma dúzia de escorpiões gigantes com uma faca... moleza”.

Antes que eu pudesse pular em cima de um deles, o que teria sido uma péssima ideia, os escorpiões começaram a tremer e fazer barulhos estranhos. Mas estranho mesmo foi quando eles formaram uma fila atrás da Sara.

Simples assim, eles ficaram em fila indiana atrás dela.

–Mas o que?! –disse Sara confusa.

–Acho que eles gostaram de você. –brincou Drake.

–Péssima hora para piadas. –ela respondeu nervosa.

Nesse momento, o cheiro ruim que eu havia sentido mais cedo ficou bem mais forte. Ele lembrava coisas ruins e assustadoras.

No palco, um homem vestido em um terno preto apareceu. Ele tinha cabelos encaracolados escuros e olhos escuros e olhos completamente pretos, como os de um tubarão. Tudo nele cheirava medo, trevas e caos. Quando ele começou a falar, sua voz era igualmente terrível.

–Eu realmente achei que esses escorpiões seriam o suficiente para testá-los. Parece que os subestimei. O poder do fascínio nesse nível é raro de se ver, minha jovem.

–Do que você está falando? –perguntou Sara.

–Algumas filhas de Afrodite podem convencer os outros apenas com sua voz. Outras podem atrair a atenção de multidões que ficam completamente hipnotizados com sua beleza. Isso é o fascínio.

–Quem é você? Por que está aqui? Que história é essa de nos testar? –perguntei já irritado com a situação.

–Não seja tão impaciente, filho da caça. A paciência é uma virtude importante para um caçador. Meu nome é Érebo. Eu sou o deus primordial da escuridão profunda. Irmão de Gaia e filho do Caos. Não era minha intenção feri-los. Mas se não me mostrarem do que são capazes logo... pode ser que eu mude de ideia. Então –ele estalou os dedos e sumiu numa pequena nuvem de fumaça, que nem um ninja –vamos continuar.

As sombras em volta começaram a ganhar vida e criaturas sem forma surgiram. Fiquei terrivelmente assustado, mas não havia tempo para medo e isso também não iria ajudar meus amigos. Puxei minha adaga e corri para o monstro mais próximo.

As sombras se moviam de forma lenta mas tinham tentáculos pegajosos saindo do corpo. Cortei um deles com a adaga de baixo a cima com um único golpe. Ele desapareceu, porém mais apareciam das paredes.

Drake e Sara haviam sacado suas espadas, distribuindo cortes e estocadas para todos os lados. “Nós devíamos ter treinado mais”, pensei.

Quando Sara foi cortar um deles onde deveria ser a cabeça, o monstro agarrou seu braço com um tentáculo. Ela deixou cair a espada.

Sara ficou indefesa enquanto o monstro a puxava como se fosse absorvê-la. De onde deveria ser a barriga dele, pequenas garras escuras saíram tentando agarrar Sara. Ela tentou manter a calma mas viu que não tinha força para escapar sozinha.

–Socorro –ela gritou.

Antes mesmo que eu pudesse chegar perto, um escorpião gigante deu uma ferroada na sombra matando ela instantaneamente. Os outros escorpiões passaram a fazer o mesmo, acertando várias das sombras.

–Impressionante –a voz de Érebos ecoou no ar –Parece que eles não gostam de ver a menina em perigo –disse ele rindo. –Essa menina tem talento. Mas e vocês, heróis? Onde estão seus poderes. Mostrem-me do que são capazes.

Ainda mais sombras apareceram. A sala estava cheia delas. Vários dos escorpiões já haviam sido derrotados. Meus amigos e eu estávamos ficando encurralados.

Isso me deixou com raiva. Com raiva de toda essa situação. Eu cresci sem conhecer minha mãe. Quando descubro quem ela realmente é, não posso falar com ela. Fui sequestrado por garotas e levado para um acampamento de semideuses. Fui mandado em uma missão para achar minha mãe, que pode me matar assim que me ver. E agora meus amigos iam ser mortos por sombras pegajosas?

Senti minha raiva se transformando em fúria. Cada fibra do meu corpo gritava de frustração. Meus amigos olhavam para mim como se as sombras em volta não fossem tão perigosas quanto eu.

Comecei a sentir um formigamento na base da coluna que logo se tornou uma onda de dor passando por todo meu corpo. Senti vontade de gritar mas ao, invés disso, eu uivei.

Tinha certeza de que a cidade toda tinha ouvido isso.

Larguei a adaga e cai no chão. Meu corpo explodiu em chamas brancas. Quando elas apagaram, eu me sentia diferente.

Eu podia sentir o cheiro de todos a minha volta. Podia ouvir tudo, podia ver tudo. Via meus amigos atrás de mim. Via as sombras avançando.

Corri em direção a elas e mordi a que estava mais próxima. Dilacerei, mordi, cortei e esmaguei cada uma delas como se não fossem nada além de folhas secas.

Quando olhei novamente para meus amigos, eles estavam em cima do palco. Sara pegou um espelho grande que estava encostado em um canto e apontou para mim.

O que vi me assustou mais do que qualquer outra coisa até agora. Eu havia me transformado em um lobo gigantesco. Tão grande quanto o próprio Sírius. Meu pelo era completamente branco, exceto por uma mancha negra em forma de lua crescente em volta do meu olho direito. Meus olhos mantinham o mesmo tom azul que sempre tiveram.

Abri a boca e vi minhas presas. Todas brancas e assustadoramente afiadas, com os caninos do tamanha de adagas.

Nesse ponto eu já estava bem mais calmo, porém preocupado por não saber o que fazer.

Drake e Sara pareciam mais tranquilos também, mas tentavam manter certa distancia. Após alguns minutos, Sara veio até mim e tocou em meu focinho.

–Você está bem, Marshall? –ela disse com a voz preocupada –O que aconteceu com você?

Tentei responder, mas não podia. O único som que eu podia emitir eram latidos bem altos. Embora isso devesse ter assustado ela, Sara continuou com a mão no meu nariz.

–Calma, Marshall. Vai ficar tudo bem. Nós vamos resolver isso.

Fechei os olhos e respirei fundo. Senti a batida do meu coração ficando mais leve. Novamente senti o formigamento na base da coluna e as chamas brancas reapareceram em volta de mim.

Voltei a minha forma humana. Vendo meu reflexo no espelho, notei que a mancha negra envolta do olho direito ainda estava lá, como uma tatuagem.

–Você pode virar lobo e ganhou uma tatuagem – disse Drake- por que isso nunca rola comigo?

–Como você está, Marshall? –perguntou Sara, um pouco mais tranquila.

–Eu acho que... –cai no chão por causa de uma dor forte nas costas.

Pela sensação, eu tinha levado um corte que ia da cintura até a escápula esquerda. Aquilo não parecia bom.

–Precisamos de ambrosia. Rápido Drake, na sua mochila.

–Ok. Um segundo –ele tirou o pote com a ambrosia de emergência da bolsa. Então guardou de volta.

–O que foi, Drake? Ele precisa disso agora.

–Eu sei, mas... Eu quero testar uma coisa.

Drake veio até perto de mim e ficou com a mão pairando sobre o meu ferimento. Ele estava totalmente concentrado no que quer que estivesse fazendo.

–Anda logo. Isso tá me matando –falei agoniado.

–Já estou quase conseguindo... eu acho.

–Você acha?

Então um pequeno brilho começou a aparecer na palma da mão do Drake. Pelo menos é o que eu pensei ter visto, difícil ver do jeito que eu estava. Lentamente a dor foi parando o ferimento cicatrizou.

–Incrível. Parece que seu sonho estava mostrando isso –disse.

–É, provavelmente. Mas isso ai vai deixar uma cicatriz.

–Eu vou viver.

Mais uma vez a voz de Érebos se manifestou.

–Devo dizer que todos estão de parabéns. Tão jovens e já tão poderosos. Mas seu tempo está encurtando. Dias sombrios aguardam –ele riu –Vai ser tão divertido brincar com vocês.

E com isso, a voz se foi.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Logo logo vem o próximo ;)