Mariposas Atrapalhadas dentre Teias Emaranhadas.-

1 Capítulo 1- Era uma vez, um jardim e uma mariposa.



Uma folha de papel desce lentamente dos céus, até cair no meio da Doodle speare. O guardião das au's que estava a riscar o seu fiel cachecol olhou a folha com curiosidade e a pegou do chão.

O esqueleto ficara encucado com o nome diferente daquele universo, mas o coloca dentre as outras folhas penduradas com um enorme sorriso. Naturalmente, ele entraria no mesmo, para conhecer aquele mundo e seus habitantes, mas achou que pelo nome, muito dificilmente na história iria caber.

" Minusculetale" era o nome da au, onde nossa história, por hora, se inicia.


Dentro daquela folha, que ninguém além do guardião daria atenção, havia um lindo e enorme jardim de árvores e rosas, localizado no meio de uma campina próximo ao monte ebott, onde em alguns anos os humanos selariam os monstros, mas isso já é outra au, focaremos nesta no momento.

Naquele enorme jardim havia todos os tipos de incetos e animais, dos gigantes, grandes, médios aos miúdos e piquetuchos, moravam e até faziam casinhas embaixo das folhas, de pedras e até dentre as árvores poderiam observar colônias de abelhas, vespas, formigas e até de mariposas.

Nesta colônia em questão, localizada dentro de uma árvore velha de pessegueiro havia um rei de nome Top, ao qual toda a colônia tinha muita estima e admiração e claro que um tão grande rei, tinha a sua prole, para continuar o reinado.

Este príncipe, de nome Ink, que, bem, infelizmente não tinha a estima do povo, que por sua vez não ligava se ele acordava ou não.

- Aí!- Gemeu Ink ao ser atingido por uma bolota, se virando a mariposa viu um grupos e adolescentes rindo e apontando para si gritando " aberração!", " Polegarzinha!".- Seus!

- Hahaha!- As borboletas voaram batendo nas antenas do príncipe que rosnou jogando uma pedrinha neles, que voaram pra longe dentre gargalhadas.

Não que a mariposa fosse desagradável, pelo contrário, era gentil e bem reservado, seria apenas mais uma dentre tantas mariposas daquela colonia, se não fosse, bem, especial demais. Ink era a única mariposa macho que nasceu com a intimidade e corpo de uma fêmea na história daquela colônia.

Isto, fora motivo de surpresa para seus pais e claro, para o povo que não sabia se o chamava de príncipe ou princesa Ink.

- Huff.- Suspirou seguindo o seu caminho para o tronco, que era onde morava.- Imbecis.- Reclamou subindo as escadas que o levariam até os enormes portões do pequeno palácio.

O príncipe por mais maltratado que fosse pelos jovens de sua colônia, sabia que poderia contar com o carinho dos mais velhos, ao menos os que moravam na árvore com ele.

- Bom dia Ink!

- Bom dia! — Acenou para um dos seguranças do castelo lhe entregando um pacote feito com folhas, de folhas de boldo.- Trouxe umas folhas de boldo, soube que sua esposa esta mal do estômago.

- Ah! Muito obrigado! Fiquei preocupado de não as conseguir pegar.- Exclamou alegre segurando o pacote após deixar a lança graveto na parede.

- Fique tranquilo, você já as tem.- Sorriu batendo levemente as asas.- Adeus! — Acenou indo até o seu quarto desfazendo o sorriso aos poucos enquanto os guardas do castelo iam chegando próximo ao colega dizendo que ele poderia ir levar as ervas para sua esposa.

Ele retribuía todo aquele carinho como podia, trazendo ervas de suas caminhadas e até mesmo invenções suas que ajudavam de uma idosa que não poderia andar á correr, para um serviçal sem energia, ser mais acesso que os vagalumes que passam a noite em claro. Mas por mais que Ink ajudasse a todos, ele não poderia se ajudar.

Ele tinha outra coisa que o diferenciava das outras borboletas.

- Hm~- Gemeu tirando a faixa que cobria sua asa, se olhando no pequeno espelho feito de metal.- Aí.- Reclamou ao ver a sua asa esquerda partida ao meio, segurada apenas por uma fina veia que ligava a sua asa até o seu corpo.- Nada de melhora.- Bufou indo até um cesto de folha em seu quarto e pegando uma espécie de pó, feito com ervas medicinais e o misturou com seiva de árvore que trouxe de fora.

Uma enorme ferida, um corte que dividia sua asa esquerda em dois pedaços que só não caiu de seu corpo por conta daquela veia que ainda a segurava, lhe causando imensa dor só de mexe-la. E não importa o quanto tentasse, nada curava aquela feia cicatriz que lhe impedia de voar com os outros.

Claro que os mais novos da colônia não tinham conhecimento do acidente que seu príncipe havia sofrido quando pequeno.

Sua mãe havia se sacrificado por ele quando ainda era uma criança, ele fora voar mais pra perto do jardim e uma aranha o avistando distraído o perseguiu, ele só a notou quando ela já lhe abocaou a sua asa, a perfurando com suas presas.

A sua progenitora, agiu rápido e lhe puxou de volta, fazendo com que a presa da aranha partisse sua asinha, o predador não tardou em atacar a rainha em seu lugar, e saindo dali com a presa entre os dentes, o menino nunca esqueceu os gritos da mais velha, que mesmo com dor sendo dilacerada pelos enormes dentes da criatura, gritava para Ink fugir.

- Sniff...- Chorou, dolorido enquanto enfaixava a asa partida que estava embebida com o unguento de ervas e seiva.- Algum dia vou lhe arrancar fora!-Reclamou com dor enquanto se levantava da sua cama, indo até a mesa e retirando de sua bolsa variados objetos de metal e latão como tampa de garrafa, um brinco, clipe e até mesmo pedras.- Huff, okay.- Respirou fundo limpando o rosto.- Vamos começar.- Sorriu suavemente, pegando uma pedra e o juntando a um graveto fazendo um pequeno martelo que usou para começar a bater em um pedaço de metal.

Ah, bem, o príncipe podemos dizer, não era o filho obediente que o rei Top esperava, o garoto tinha sonhos, sonhos e ambições, era desde muito novo, muito criativo e tal criatividade o levou a se tornar a primeira mariposa inventora daquela colônia.

Não que ser inventor fosse ruim, mas , Ink parecia mais entretido com suas bugigangas que com as suas obrigações como príncipe, chegando a passar horas, dias e teve uma vez que passou semanas em seu quarto criando coisas que aos olhos do rei, eram inúteis! Sem falar no lixo humano que o menor pedia para os servos buscarem próximos ao jardim já que ele não conseguia ir além dos limites da colônia.

Preocupado com o futuro de seu filho, e com a segurança dos seus servos que eram mandados por ele para ir ao jardim, Top teve de começar a tomar umas medidas, desesperadas.

- Ink eu não estou pedindo!- Exclamou a mariposa mais velha.- Eu estou mandando!

- Estás louco!- Retrucou o mais jovem que abriu levemente as asas com fúria.- Eu e Cross mal começamos o namoro e já quer nos casar?! Eu conheci o pai e a colônia dele ontem! Ontem!

- Pelo santo pólen, Ink! Já está na hora de você assumir o seu lugar nesta colônia!- Explicou-se se aproximando do menor que se afastou do toque de seu pai, com grosseiria.- Entenda que eu quero o melhor para você, o príncipe Cross com certeza será um bom rei, marido...- Falou se sentando na cama do filho pegando o seu bonequinho feito de pólen que ele tinha desde bebê.- E pai também.

A mariposa se virou para o pai boquiaberto, sem acreditar no que escutara.

- Pai?! Já está pensando em crianças?!- Perguntou incrédulo retirando um par de óculos de grama e orvalho, que utilizava para não cair sujeira nos olhos.- Pai! Quantas vezes tenho que dizer que acabamos de começar a namorar! Eu nem lhe beijei a mão direito pra já pensar, n-naquilo.- Retraiu se de forma envergonhada, corando as bochechas envergonhado só de imaginar o seu namorado despindo-se para a noite de núpcias.

- Não mude de assunto agora Ink, sabe que não falo apenas de crianças, estou dizendo que ele vai lhe ajudar a governar esta colônia.- Falou encarando o jovem que estava de bochechas coradas.- Eu fico feliz que tenha escolhido um homem tão bom e de família como ele, eu ficarei tranquilo de os casar, afinal, sei que terá a mariposa mais forte da colônia como seu marido.

- Huff.- Ele já sabia o que aquela frase realmente significava, com a mariposa mais forte no seu encalço ele quis dizer " alguém forte o sufiente para lhe dar um freio quando eu não estiver ".- Pai, eu amo o Cross, mas não posso me casar com ele agora, a gente está, se conhecendo!

- Vocês terão bastante tempo para se conhecer depois do matrimônio.- Falou se levantando e colocando o boneco no lugar.- Acredite, não há forma melhor de conhecer o outro do que dormir ao lado dele.

- O senhor não está, me escutando!- Reclamou novamente olhando para o pai que ia na direção da janela a fechando, afinal não precisava que o reino inteiro ouvisse a gritaria vinda daquele quarto.- Eu nem sei as manias dele! Eu não sei se ele solta pum enquanto dorme! O-ou, ou se fala de boca cheia! Eu não posso me casar assim!

- E não irei Ink! — Rosnou olhando para o mais novo que torceu os lábios.- Já está na hora de você assumir a responsabilidade de ser um príncipe desta colônia!-Bateu o pé serio encarando o filho.- Meu filho, entenda de uma vez, que já passou da hora de você parar de brincar de explorador mariposa.- falou apontando para a mesa do quarto do filho que estava tomada por lixo humano e pedras.- E começar a focar no seu reinado, na colonia...- Falou com um tom sério encarando o filho rebelde.- No seu lar Ink.

O de listras pretas nas pernas, mirou a sua mesa de trabalho, relutante quanto a proposta de seu pai, afinal, assumir o trono era desistir de todos os seus ideais, de todos os sonhos e conquistas que pensou em realizar, para Ink, a governança da colônia não era para ele, e sim para seu pai, que já estava a anos fazendo aquele trabalho, por que tinha que ser ele agora?

- Sabe que eu te amo filho.- Falou com calma, se sentando na cadeira próxima a mesa.- E eu adoro tudo o que faz, mas... Por mais que eu adore todas suas aventuras inventadas, e toda essa tranqueira que você faz...- Disse encarando as invenções do filho e depois virando para ele, que mordia os lábios nervoso.- Já passou da hora de você assumir a coroa, eu sei que é um fardo pesado, mas eu sei que você estando casado, com alguém que lhe apoie, será menos sofrido, do que você sozinho.

-E se eu não quiser assumi-la? Serei punido?!- Questionou-lhe com um olhar distante.-Me trataria mal?!

- Sabe que não, mas, eu teria de cortar algumas coisas, você sabe.- Ele viu menor retrair ainda mais as suas asas, o mais velho encarou o par defeituoso do filho com pesar, vendo ali na asa esquerda uma enorme faixa que cobria uma feia ferida.- ... E sua mãe.- O menor virou-se para si com os olhos marejados.- Ela sempre dizia que você seria um ótimo rei, ela tinha certeza disso.- Falou de forma suave, alisando a aliança de madeira em seu dedo.- Ela viu um futuro grande em você, mesmo naquele momento.

Disse ao filho já saindo de seu quarto, obviamente, ele sabia que aquilo mexeria com Ink. Era golpe baixo mencionar a falecida rainha Azaléia, ainda mais contra as vontades de seu filho.

Mas na mente de Top, era preciso, se ele quisesse que o menor entrasse na linha, teria que, infelizmente, usar de todas as maneiras que pudesse utilizar, não apenas para colocar um pouco de responsabilidade no filho, mas também por que estava exausto e velho, a morte chegaria para ele em breve, não teria tempo o suficiente de preparar Ink para governar a colônia se ele saísse para se aventurar e Deus sabe se ele voltaria.

- Sniff...- Chorou Ink com o coração pesado, olhando para a sua mesa cheia de suas invenções, antes poderia visualizar ideias e coisas maravilhosas que elas fariam pelo seu povo, mas agora só via tranqueiras e lixo que seu pai odiava.

Chateado, ele limpou o rosto e pegou um conjunto de cestas de grama, colocando todas as suas coisas ali de qualquer jeito, sem ligar se quebrariam ou não, tomou também os papéis de projetos que estavam presos as paredes de seu quarto e arrancou as sem cuidado amassando e jogando nos cestos, mordendo os lábios para não chorar, mas sentia seu coração partido, estava profundamente magoado e chateado pelas lembranças que seu pai trouxe a tona.

Já não bastava se culpar todos os dias pelo ocorrido, suas asas faziam questão de doer a cada gesto para o lembrar, agora seu pai usou sua mãe para o convencer, ele sabia que fora de propósito, mas , também não era mentira, sua mãe o chamava de príncipe e vivia dizendo para ele que ele um dia governaria aquele reino do jeito fofo e criativo que ele já tinha desde muito novo.

Azaléia, realmente adorava suas peripécias e criações, fora ela quem mostrou as criações de metal dos humanos, ela que o ajudou a fazer as suas primeiras invenções, um estilingue, uma corneta com som alto, um cesto capaz de carregar orvalho, essas, ele não teve coragem de jogar fora.

- Sniff, hic- Soluçou se jogando na sua cama, abraçando fortemente a sua pelúcia de pólen, com o coração quebrado assim como suas invenções que estavam pelo chão e dentro das cestas, Ink havia guardado tudo e deixado o seu quarto vazio livre de todas aquelas tranqueiras que seu pai detestava.- Que ódio!- Gritou batendo na parede com seu punho, chorando ainda mais pela dor, até que em algum momento caiu no sono em meio ao seu lamento.

{🌼}


Quando já era bem tarde a luz da lua invadiu o seu quarto adentrando facilmente em cada canto do cômodo, já que ao contrário de antes que era cheio de suas criações do chão as paredes, estava praticamente vazio.

As suas ferramentas e projetos foram substituidos por vários rolamentos de folhas que contavam a história da colônia e suas leis, entregues pelo seu pai junto com o jantar que ele não comeu.

Não demorou para que Ink escutasse um bater vindo de sua janela, aquele ritmo ele conhecia de longe, não dava pra confundir, afinal, o dono daquele batuque o usava sempre que vinha o visitar.

- Cross...- Chamou o namorado, bocejando e indo até a janela e a abrindo com cuidado para não fazer barulho e acabar alertando aos guardas e o seu pai.

Assim que o príncipe se afastara, a borboleta de cor xadrez, entrou de forma cuidadosa, uma mariposa maior que seu pai, de pelugem branca e preta e asas gigantes e fortes como seus braços.

Este é príncipe Cross da colônia vizinha, além de ser da realeza, o maior fazia parte da guarda real, sendo o mais forte dentre todas as colônias, sendo o único inceto dos reinos que fora capaz de partir uma pedra com os punhos.

Claro que uma borboleta tão viril traria a atenção de muitas fêmeas, mas Cross só tinha olhos para o príncipe reservado e misterioso do reino vizinho, que fora o único que quando demonstrou sua força, não o elogio ou se jogou para ele.

Pelo contrário, o menor nada esboçou, apenas seguiu seu caminho e até fora grosseiro com o de braços musculosos quando tentara mais uma vez chamar a sua atenção, a atitude diferente de Ink tragou o coração do guerreiro que o perseguia como moscas no açúcar.

Até que finalmente ganhara o coração do menor, coisa que fez questão de anunciar aos quatro ventos, o quão apaixonado ele estava pelo príncipe hermafrodita do reino do rei Top.

- Oi meu favo de mel.- Sorriu fechando a janela atrás de si, se aproximando sorridente do namorado, que virou as costas indo guardar o que sobrara de suas coisas.- Ahm, lhe esperei no lugar de sempre, você não ...- Ele ouviu o namorado xiar e bater na própria cabeça.- Apareceu.

- Me perdoe, céus, eu... Eu esqueci completamente, me desculpa Crossy.- Falou com pesar.

Que a memória do príncipe era ruim não lhe era surpresa, mas ele se esquecer de um encontro com ele era, afinal, o quarto de Ink apesar de bagunçado era cheio de presentes e lembranças que Cross lhe entregava justamente, para caso ele se esquecesse, lembrasse dele ao ver algum item que ele já lhe dera.

Então ao passar o olho no quarto do namorado e ver tudo em seus conformes e suas invenções jogadas num canto e seus presentes em outro, imaginara o por que ele deve ter esquecido de si.

- Você não parece bem, aconteceu algo? Você está tão murshinho.- Disse com as asas baixas, virando o rosto de seu amado para si, olhando para seu namorado que mordeu os lábios querendo chorar.- Inky?

- Desculpa, é que...- Ofegou quase chorando.-Meu pai, ah, ele finalmente disse o que acha das minhas invenções, e ele, quem sabe tenha razão, tudo isso que eu faço não passa de lixo!- Reclamou se sentando na mesa abraçando as pernas.

-Mentira! Elas são muito úteis! Se lembra de quando um esquilo tentou tomar nossa árvore?- Exclamou tentando animar o amado.-Se não fosse essa corneta com som de cachorro seu reino não sobrevivido! Você ajudou muita gente Ink!

- É-É, mas meu pai quer que eu assuma o meu lugar no trono... Como rei.- Disse se encolhendo abraçando as pernas tentando buscar conforto.

- E isso é um problema?

- Amor! — Reclamou encarando Cross como se tivesse falado algo óbvio.

- O que?!- Perguntou encolhendo suas antenas peludas.

- É claro que é um problema! Eu sou uma piada, todos riem de mim por ser uma borboleta que não voa e por ter nascido com um sexo "raro"- Reclamou fazendo aspas com as mãos irritadiço, olhando para o seu namorqdo.- Além disso, eu não levo jeito pra governar, ninguém aqui se quer me respeita como príncipe! Nem mesmo como herói por tê-los salvo naquele dia! — Exclamou limpando suas lágrimas com grosseiria.- Um inventor não pode ser rei!

-Você pode ser o primeiro! Pode ser um rei inventor!- Sorriu segurando os ombros do amado com entusiasmo, mas só recebera um olhar morto do outro, enquanto ele largava suas pernas.- Você usaria suas invenções para o bem do povo! Como sempre fizeste amor!

Ink bufou em respostas e virou a cara chateado.

- Não me dê esperanças vazias Cross.

- Poxa, Cross?- Questinou com uma cara de ofendido, se sentando ao seu lado olhando o amado que limpou as lágrimas do rosto com certa grosseiria.

- Desculpa, amor, eu, eu não tô bem.- Disse com a voz embargada.- N-Não tô nada bem.- Soluçou, escondendo o rosto e chorando.

O peito do maior apertou, não suportava ver seu Ink chorar, ele suspirou e carregou o menor até a cama e se deitou com ele.

- Ah! Cross! O que você está fazendo?! A gente não pod- Fora interrompido por um beijo depositado em sua mão pelo namorado.

- Calma, só vim lhe aninhar, detesto lhe ver assim triste Inky.- Disse sincero, lhe afagando as antenas peludas.- Suas lágrimas doces não merecem ser desperdiçadas jamais.

O de bochecha pintada lhe abraçou com força, respirando fundo, aos poucos se acalmando, sabia que Cross estaria ao seu lado em qualquer situação, e, saber disso o deixava triste, pois ele não desejava se casar com Cross, ao menos não ainda.

Por mais que o amasse, ele já conseguia imaginar a reação do príncipe das borboletas caso soubesse do casamento, ficaria tão entusiasmado quanto no dia que aceitou ser seu namorado, e ink não teria coragem de negar aqueles olhos alegres e esperançosos que seu amado tinha.

- Quer ver o que eu trouxe pra você?-Riu beijando a bochecha de ink.- Hm?- E deu mais um beijo.- Juro que vai adorar, e vai parar de chorar ~

- Huff...- Bufou olhando o namorado que sorria amplamente, isso fez Ink rir um pouco.- Tá deixa eu ver.

O de pelugem branca puxou de seu peito felpudo uma pequena flor branca fechada, ele abriu duas de suas pétalas para que Ink visse dentro, e lá havia tinha uma pequena gota de orvalho dourada por estar misturada ao pólen, ao ver o presente Ink se sentou na cama surpreso.

- Uma, uma flor de-

- De mel, sim hah, eu fiz pra você, com todo o meu amor.- Sorriu estendendo o presente para o namorado que pegou com pesar.- Meu pai deu uma flor dessas para minha mãe quando eles noivaram, ele me disse que significa amor eterno.

E realmente significava amor eterno, porém ela também era um pedido de noivado.

Essas flores eram raras, só nasciam na época de chuva e no meio do grande jardim, para consegui-las era um trabalho árduo, as gotas de chuva poderiam facilmente perfurar suas frágeis asas, e a preparação daquele néctar era delicada e trabalhosa, saber que Cross fez tanto somente para lhe dar aquele presente deixava o coração de ink ainda mais pesado por não querer o noivado.

- Significa sim... Ahm...- Suspirou, mas com um sorriso.- Eu amei Crossy.- Disse encostanto a testa na de seu amado que se sentou para abraça-lo de lado.

- Fico feliz que gostou do presente heh, valeu a pena cada segundo de preparação!- Ink encolheu-se de leve desconfortável em saber o quanto Cross trabalhou para fazê-lo.- Inky?

- Eu tô bem.- Sorriu de forma forçada.- Eu tô bem melhor agora, graças ao... seu presente.- Sorriu estendendo-lhe a flor com carinho.- Posso dividir?

- Ah, mas era só pra você.

- Vamos! Aceite seu bobo, se você não tomar comigo eu não vou querer!- Riu estendendo a flor de volta para seu criador.

- Ink!- Protestou ouvindo o amado rir alto, seu sorriso fez o coração de Cross papitar, alegre que realmente fez seu namorado feliz.- Heh... Tá bom, só um golinho.

O de pelugem amarela colocou a flor entre eles, abrindo suas pétalas com cuidando expondo a gota dourada como ouro, ambos se sentavam um na frente do outro e se olharam, desviando de leve os olhares corados.

- Juntos?- Perguntou Ink usando suas antenas felpudas para cobrir as bochechas vermelhas.

- A-Ah! Sim! Juntos!- Sorriu de forma envergonhada respondendo ao amado, ambos se aproximaram e beberam do orvalho juntos, a gota foi diminuindo e seus rostos foram ficando mais próximos, seus lábios acabaram se encostando assim que o néctar acabou.

Ambas das borboletas travaram, arregalando os seus olhinhos, percebendo o que aconteceu, suas bochechas se tornaram ainda mais vermelhas e suas asas se abriram refletindo a luz da lua que entrava pelos gravetos da janela, dando ao quarto uma iluminação rosada vinda do par de Ink e um branco suave vindo das de Cross.

De forma rápida se afastaram bebendo todo o mel de sua boca, cobrindo com a mão para que não cospissem sem querer, as asas de ambos abanavam levemente suas costas, querendo se tocar, sem graça Ink puxou as suas tentando as fechar.

- D-Desculpa!

- Não! Ahm! Me perdoe! Eu...- Se Interrompeu tentando abaixar também as suas asas, que pareciam tão rígidas quanto as de ink, mesmo a esquerda estando ferida, ela era a que menos cedia.- Eu... Aí céus eu t-tirei sua pureza!- Agitou-se se levantando da cama desesperado.

- N-Não seja ridículo a gente, a-a gente ainda não fez nada!

-Mas eu te beijei! E-Eu, eu não acredito, Ink me desculpa, eu, eu entendo se não quiser me ver mais, S-Se quiser que eu, eu va embora, eu-

- Espera!- Falou lhe segurando a mão com presa, fazendo suas asas abrirem novamente, sem graça ele soltou sua mão e tentou novamente abaixa-las.-N-Não, eu, não estou assim tão bravo, pode ficar.- Falou vendo ele se sentar.

- Me desculpa meu amor, de verdade, Santo pólen dourado, meu pai vai me matar.

- Não está planejando contar para ele o que aconteceu está?!- Perguntou Ink surpreso, tentando ainda abaixar suas asas rosas, enquanto Cross já estava aos poucos conseguindo abaixar as suas.

- Como não contaria?! Nós beijamos! Ink isso é grave! Por minha culpa agora você não pode se casar com outro além... Bom, não que você queira, você, não quer casar comigo?

- Ahm, q-que pergunta é essa?! — Exclamou Ink nervoso.

- Não! Digo! Ainda não, claro que você quer.-Riu nervoso.- Casar comigo, mas a gente acabou de se conhecer, eu ainda não sei das coisas que você adora pra lhe fazer no café da manhã, provavelmente eu seria um...- Suspirou abaixando finalmente as asas.- Um péssimo marido.

Ver o olhar tristonho de Cross lhe partia o coração tanto quanto lembrar de sua mãe, por mais que quisesse mentir e falar para seu amado que sim, que ele adoraria se casar com ele, ele não tinha coragem de falar falsidades para agradar o príncipe. Ele sempre foi sincero e fiel a sua personalidade, fora isso que atraiu seu amado para começo de conversa, não se manter assim, isso sim arruinaria não só o casamento deles, também seu namoro e claro, sua própria vida, era renegar a si mesmo se mentisse para ele.

-N-Não seja duro assim consigo mesmo Crossy! V-Vai, vai ficar tudo bem ta?- Sorriu lhe dando um beijo na bochecha vendo as asas do maior abrirem de novo e o mesmo desviar o olhar coradissimo.- Crossy, eu, eu quero, quero lhe pedir um favor.

- A-Ahm, diga, eu faço.- Respondeu com certeza, apesar de gaguejar pela vergonha.

Ink, ficou um tempo calado, muito envergonhado e desconfortável, sabia que o seu pai mandaria um pedido de noivado em breve para o reino vizinho, e logo sua casa estaria cheia de presentes de cortejo vindo da colônia de Cross.

Agora que se beijaram, pelas leis das borboletas era devido que se casassem, seria um crime não o fazer, e se o rei Top soubesse da flor e daquele beijo, ele estaria com a faca e o queijo em mãos, e Ink não teria como desviar, já que fora um pedido de Cross, seu amado e não uma ordem de seu pai.

- Se... Se chegar uma correspondência de meu pai, por favor, n-não abra.- Perdeu de forma delicada abaixando sua cabeça lacrimejando, pois finalmente suas asas amoleceram e sua ferida reclamou.

- O que?

- Por favor, Crossy, eu... Eu não tenho como explicar isso agora, mas, se meu pai lhe enviar uma carta, por favor, não leia.

- Farei isso meu favo de mel.- Disse envergonhado largando as asas que estavam finalmente moles.- Ahm, mas é muito sério? Sabe, que, posso até não ler, mas meu pai, com certeza leria.

- Se for assim tudo bem, você não tem culpa se seu pai ler, mas, é sim, muito sério, evite as correspondências dele se puder, por favor Crossy.- Pediu segurando as mãos do amado lhe olhando nos olhos, o que deixou o outro príncipe ainda mais aflito.

- É assim tão ruim?

- É péssimo... E eu.- Suspirou largando suas mãos desviando de seu olhar.- Eu não quero lhe ver magoado.

Cross ficou sério após ouvir tal declaração, e se pôs na frente do amado de joelhos lhe segurando as mãos.

- Eu juro pela minha honra, não lerei carta alguma meu amor!

- Não precisava de ajoelhar.- Disse limpando os olhinhos que estavam ameaçando derramar mais lágrimas.

- Mas falo sério.- Disse-lhe, beijando as mãos.- Não vou chegar nem perto das correspondências meu favo de mel, então fique tranquilo, quando estiver mais calmo, me conte, tá?- Disse-lhe alisando o rosto de seu amado.- Quando estiver pronto meu fofinho.

- Hehehe!- Riu, após sentir seu amado bagunçando-lhes os pelos do peito.- Certo, eu acredito em você.

- Vai ficar bem?- Perguntou com carinho.- Se eu for?

- Vou, e ... É melhor ir, a gente, não deveria ficar assim tão... Você sabe.- Sussurou envergonhado, olhando para suas asinhas.

- Eu sei e, novamente, eu sinto muito Inky.

- Está tudo bem, foi, foi sem querer.

Cross lhe alisou as bochechas felpudas e lhe beijou a testa, Ink puxou as antenas do maior com delicadeza, o fazendo se abaixar e ele lhe beijou também a testa de forma demorada.

Se despediram de forma silenciosa, Cross então abriu a janela e saiu voando para sua colônia, o inventor aos poucos foi até a mesma e olhou o maior voando até que sumisse no horizonte, ele encarou a flor branca em suas mãos e tocou os lábios.

Se antes pudesse fugir daquele destino, aquele beijo fodeu todos os seus futuros planos de fuga.

{🌼}


— Oh! Como está lindo majestade!- Exclamou a conselheira real, que segurava uma prancheta com todos os afazeres do dia.

- Expendido eu diria!- Comentou a costureira que cortava um pedaço de tecido, feito de seda bem fina.

- Essas pétalas ficaram tão lindas nele!

- Sim! São da mesma flor que fizemos o vestido da senhorita Azaléia, ela não estava deslumbrante?- Exclamou outra costureira, porém mais velha.

- Sim! Sim! Assim como o filho.- Sorriu a idosa puxando o tecido transparente e o prendendo a pétala rosada na saia do príncipe.- Ou o senhor prefere ser chamado de ela? Sabe, devido a sua-

- Não, ele está bom e... Está, está ficando bonito.- Respondeu ink desconfortável, se encarando no espelho que tinha a sua frente.- Ahm... vocês, não acham que este decote não está muito revelador?- Perguntou incomodado, puxando a pétala que cobria seu peito para cima.

A horas ele estava de pé, enquanto as servas ajustavam em seu corpo o vestido de casamento. Realmente, deslumbrante, perfeito para uma bela noiva, só lhe faltava o sorriso e a alegria de uma, Ink permaneceu sério respondendo de forma seca as servas que lhe arrumavam antecipadamente para o grande dia.

Para sua sorte o seu pai não veio lhe dizer nada, apenas reclamou que o menor não estava comendo, ele havia pulado todas suas refeições desde a noite antepassada, claro que durante a prova da roupa as moças puderam ouvir o estômago de Ink protestando pela falta de comida.

Mas ele não queria comer, sabia que não teria coragem de fugir, mas preferia passar mal na cerimônia a dizer não para o amado.

- Não, não, ele valoriza todos os seus pelinhos!- Disse a mais velha das costureiras bagunçando seus pelinhos do peito.- Amarelo fica otimo com rosa!- Sorriu.- Assim como suas asas!

- Cross é realmente um príncipe de sorte, vai se casar com uma espécie raríssima e um jovem muito belo.- Disse a mais jovem e mais magras das servas com um toque de inveja, o que deixou indo ainda mais incomodado.

Não era segredo que as garotas de seu reino não gostavam do seu relacionamento com Cross, e agora que Top anunciara as servas de sua casa que haveria casamento, muitas começaram a mostrar o seu descontentamento.

- Sim, sim! Muito sortudo! Aposto que terão filhos lindos!- Disse a segunda mais velha, apertando um pouco mais a tira de grama na cintura de Ink que xiou um pouco.- Ops! Desculpa meu príncipe, eu vou folgar mais.

- N-Não...- Respondeu segurando a faixa para que ela não folgasse, naquele momento todas as servas pararam o que faziam e encararam o inventor que havia começado a chorar.- E-Está lindo... Hic..- Soluçou cobrindo o rosto coms as mãos trêmulo.

As serventes ficaram confusas, não tinham ideia se aquele choro era de emoção ou de tristeza, a conselheira que a tudo observava torceu o rosto, pois já imaginara que pela cara que ele fez durante toda a prova do vestido que ele não estava feliz, por mais que estivesse pra se casar com a pessoa que amava.

Enquanto isso, na colônia das borboletas.


-Meu filho! Meu filho! — Exclamou o rei da colônia correndo até a área de treinamento onde seu filho socava uma salsicha d'água.- Meu filho! Escute!

Cross, segurou o saco de pancadas para que ele não batesse em seu rosto, e encarou o pai ofegante como ele.

- Ora... Pra que essa festa toda?- Riu arfante.- O que aconteceu?

- Recebi uma carta da Colônia das mariposas! Ink aceitou o seu pedido filho! Vocês vão se casar!

O guerreiro abriu as asas muito corado e as bateu com alegria, literalmente voando de animação, indo até seu pai quase colando seus rostos com o maior sorriso que sua boca poderia lhe proporcionar.

- Isso é verdade?!- Berrou batendo as asas ainda mais rápido ficando um pouco mais alto.- Ink aceitou?! Aceitou mesmo!

- Sim! Sim! Aqui diz! " Ink, veio conversar-me que estava muito enamorado por Cross, e com muita alegria eu venho por meio desta convidar o príncipe da colônia das borboletas para participar dos preparativos do seu casamento com o meu filho Ink"!- Leu para o filho também batendo suas asas com animação.- Cross você vai se casar!

Ao ouvir a leitura da carta, logo nos primeiros parágrafos suas asas foram batendo mais fraco, ao ponto dele começar a pousar aos poucos, e assim que seus pés tocaram no chão a sua expressão era de tristeza e suas asas estavam já no chão de tão murshas.

- Filho? Que carinha é essa? Você vai se casar com seu namorado! Não está feliz?- Sorriu segurando o ombro musculoso do seu filho, que mordeu os lábios virando a cabeça de lado. — Cross?

- ... Essa, ahm, carta veio em nome de quem?

- De Top, do rei Top filho, seu sogro.- Respondeu Gaster preocupado.- Filho, você está bem?

- ... Ah, eu... Eu imaginei, ahm, eu preciso, ir.- Disse pausadamente se virando de costas para o mais velho, confuso, a carta era sobre o casamento deles, por que Ink lhe fez jurar que não leria?

- Filho, venha, vamos conversar, você não parece feliz, estava tão animado.

- Eu, eu só preciso de um ar, depois a gente conversa pai.- A

Respondeu sem olhar o seu pai, abrindo as asas, correu até a parte aberta da arena e pronto para abrir vôo.

- Ah! Filho! E o que eu respondo?! O que eu digo a ele sobre o casamento?!

- Que eu aceito!- Respondeu com um grito, que parecia de raiva, ele bateu o pé no chão pegando impulso e abriu vôo para a colônia das mariposas, ele precisava falar com Ink! Descobrir o por que ele havia dito para não ler a carta de seu pai.

E se não era para ele ler, significava que ele não queria se casar com ele? Então, Ink não o amava?

Ele pousou em uma flor lentamente, arfante ainda pelo treino e pelo vôo forçado, ele encarou de longe o povo da colônia vizinha colhendo as melhores flores e sementes, pareciam já se organizar para a cerimônia que nem havia data, ou havia, mas estava na carta que não leu.

O de preto e branco mordeu os lábios, apertando o botão da flor que estava sentado, sujando suas mãos de pólen, lembrando da noite no quarto de ink, haviam se beijado, já era um grande motivo para se casarem, ele havia pedido, mesmo que sem querer ele em casamento, só descobrira o significado da flor quando chegou em casa e comunicou ao seu pai que Ink havia aceitado o presente, então o mais velho lhe disse a verdade.

Era como se Top e X- gaster ouvessem combinado, e quem sabe tenha sido isso realmente, então o motivo era.

- Por isso ele não quis que eu lesse, eles planejaram tudo, talvez para lhe prender, não é amor?- Falou para si mesmo, se deitando na flor encarando suas mãozinhas sujas de pólen, acreditando fielmente, que o motivo de ink não querer que ele lesse a correspondência de seu pai, era por que ele sabia que ele tinha tramado algo com o seu para o colocar na coroa.

Primeiro a invenções de Ink estavam destruídas e agora um casamento forçado. Cross não estava nem um pouco feliz com tudo isso, e imaginara que seu amado também não, mas com certeza Ink não teria coragem de negar-lhe nada, ele já conhecia o seu amado.

Já sabendo que Ink não teria a possibilidade de lhe dizer não no altar, seria ele quem diria, e não lhe importaria se Top o odiasse depois, ele queria seu inventor livre e feliz, era isso que lhe importava.