- O Casamento vai começar! Vai começar!- Exclamou uma borboleta animada para entrar pela primeira vez dentro do pessegueiro.

Tamanha animação das jovens borboletas poderiam ser explicada, afinal, muitas delas só ouviram falar de como era a residência das realezas por dentro. Por mais irritadas que tivessem pelo matrimônio do tão cobiçado Cross, nenhuma delas perderia a oportunidade de adentrar o tronco do pessegueiro.

Ora, toda a árvore estava decorada de dentro pra fora com flores e folhas das cores mais vivas e variadas. Cada flor exalava um cheiro doce marcante, que deixava todo aquele ambiente agradável.

Enormes cortinas de seda coloridas com as próprias pétalas das flores marcavam o local de entrada para o salão, onde Top já estava na porta, comprimentando a todos com X-Gaster, ambos muito animados para que a cerimônia começasse.

Claro que não era segredo que tudo aquilo fora idealizado por eles, Top não tinha pressa alguma de casar seu filho, mas quando o menor começou a namorar Cross que se mostrou uma borboleta dedicada a se tornar um bom rei no futuro, o de cartola não poderia perder a oportunidade de ouro que estava diante de seus olhos. Era tão simples como um mais um são dois, ele só precisava garantir que Ink escolheria Cross como seu parceiro e por influência do noivo, ele poderia tomar gosto pela coroa.

Mas conhecendo o seu filho como conhecia, ele sabia que Ink facilmente desapegava das coisas, temia que Cross quem sabe fosse uma dessas coisas, até por que a cada dia que passava Ink estava mais dedicado a suas criações, o que o desesperou a ponto dele desabafar com X-Gaster que sugeriu o casório, pois ele desejava que as fêmeas parassem de perseguir seu filho para que ele ficasse totalmente em seus treinos.

Não que Cross fosse mulherengo, longe disso! Mas, era difícil estudar ou treinar quando uma garota aleatória invadia a sua casa para se jogar em cima de si, e seu filho concordava que já estava na hora daquilo acabar, os dois reis então acertaram, que a melhor solução para ambos dos problemas, era fazendo Ink se casar com Cross.

Mesmo que isso não levasse em conta os sentimentos de ambos dos meninos que só estavam juntos como casal a exatos 15 dias.

" Blém! Blém! Blém!"


O som da sineta anunciação a chegada da noiva. Todos os que estavam presentes no salão florido localizado bem no meio do tronco da árvore se colocaram de pé para receber Ink que estava na porta do salão.

Cross tremeu as asas ao vislumbrar seu amado de véu e saia, o vestido era feito por pétalas rosas de Sempre-Floridas, que caiam de sua cintura até o chão, e em sua mão estava uma pequena flor de azaléia, planta que dera nome a sua mãe quando ela era pequena.

Dream, príncipe das abelhas que estava presente na cerimônia, limpou suas lágrimas usando suas próprias anteninhas, ele não tinha conhecimento algum do drama que o amigo estava vivendo, apenas recebeu o convite e veio correndo, acreditando que o seu amigo finalmente decidiu deixar suas loucuras de lado e se focar no amor uma única vez.

Não é que Dream não apoiasse o amigo, ele era aquele que o ajudava a fugir e lhe trazia metais e botões humanos mais do que qualquer um! Porém a abelhinha temia que o amigo morresse sozinho, posso dizer que o zangão era romântico demais pra ter tamanha amizade com Ink, que se quer pensava em namorar, Cross fora o seu primeiro e único amante, só por que insistiu muito.

Muito mesmo! Fora praticamente um mês de paquera frustrada, se não fosse Dream interferindo e dizendo ao príncipe borboleta o que o amigo gostava e desgostava, quem sabe eles nunca estariam namorando.

Então ver o amigo de véu a caminho do altar era como o prêmio de todo o seu trabalho árduo e bem feito.

- Você está deslumbrante.- Sorriu Cross sussurando para Ink que forçou um sorriso entrelaçando o seu braço com o do noivo, que lhe olhara com preocupação ao notar que ele estava mais magro e que havia leves olheiras em seus olhos.

Muitos ali deveriam achar que Ink não dormira de ansiedade, mas Cross sabia e sentia que ele não dormira por angústia, a cerimônia fora marcada e feita com tantas pressas que eles nem puderam conversar sobre a carta ou sobre aquele festejo que estava ocorrendo. Ele queria saber, ele precisava saber o lado de ink, se ele já sabia do plano dos pais, como ele sabia, o por que lhe negava tanto falar sobre o casório, óbvio, era para não o magoar! Mas se ele explicasse entenderia.

Ele queria entender por que Ink se deixou sofrer até lá, se, se casar com ele lhe era um fardo, ele mesmo não gostaria de se casar com Ink, por mais que o amasse.

- Estamos reunidos, aqui no nosso grande lar!- Exclamou Top estendendo as mãos para o ar batendo suas asinhas.- Para homenagear o amor, a união, entre meu filho Ink, e o príncipe Cross.- Falou de forma orgulhosa tocando em seu peito, olhando para o filho que sorria com os seus olhinhos fechados.

- Hm?- Cross se virou para Ink o vendo sorrindo, mas suas mãos o apertaram um pouco, ele preocupado, as alisou com delicadeza usando os polegares.- Amor~- Sussurou.- Amor, você está bem?~

- Sim!~- Cantarolou rindo, abrindo seus olhos cançados e olhando para o noivo com seu peito agitado.- É o melhor dia da minha vida.- Disse de forma doce, porém, o príncipe das borboletas não engoliu isso, ele poderia sentir as mãos do namorado lhe apertando.

A cada palavra que saia da boca de Top, mais agitado ficava seu pulmão, Ink estava hiperventilando, mas a cerimônia ocorria bem, o inventor não protestou, não bufou, nem esboçou nada de sua infelicidade, o que para os reis era perfeito, mas para o noivo lhe era desesperador.

Aquele sorriso não era o verdadeiro de seu amado, aquele riso parecia tão falso que lhe dava agonia, e ele sabia, sabia que ele mentia quando concordava com cada piadinha solta pelo seu pai que só faltava saltitar de alegria. Aquele não era o seu Ink, ele não sabia com quem estava se casando.

- Aqui, selaremos suas almas...- Começou Top, vendo Bluberry trazendo em suas mãos uma bolota cheia de flores de verbena e a estendeu para os noivos.- seus destinos e suas vidas.- Continuou enquanto assoprava pô de marimo em nas antenas dos noivos.- Verbena.

- A erva do amor e da proteção.- Respondeu Cross, olhando para Ink, tocando em seu rosto o fazendo abrir os seus olhos que estavam marejados, ele sabia que seu amado não aguentaria muito tempo.- Por que como a Verbena eu estarei com você, lhe amarei e lhe protegerei de tudo.- Ele olhou para o sogro e depois para Ink com um olhar meio sério.- E de todos meu amor.

- Hic! Hic!- Choraram as borboletas com inveja de Ink, pois desejavam fortemente aqueles votos para si, e não para o príncipe.

- E Marima.- Continuou Top, enquanto via a joaninha amarrando as flores de verbena nos punhos de ambos enquanto eles juntavam as costas das mãos na frente um do outro, saindo logo depois, o rei olhou para o filho que finalmente esboçava o seu olhar triste e dolorido.

Ao ver a expressão tão tristonha nos olhos do filho, por um instante ele pensou em acabar com tudo ali, afinal não desejava a infelicidade de seu filho, por isso mesmo o estava cansando com alguém que ele gostava. Mas cancelar aquele casamento estava completamente fora de seus planos. Não, ele não poderia ceder, isso era para o bem dele e da colônia, ele com certeza entenderá no futuro o por que tomou medidas tão frias para com ele.

- Ink?- Chamou seu filho, lhe entregando o pote com o pó de Marina em suas palmas abertas com as costas das suas mãos tocando as de Cross.- E a Marima.

Ink tremeu, mais do que nunca parecia que o oxigênio lhe faltava, ele não conseguia falar, parecia que o desespero de estar realmente se casamento finalmente caiu sobre suas costas, era só um voto para o " eu vós declaro", dependia dele aquele casamento, e ele não tinha coragem de dizer sim, mas também não tinha de dizer não.

- Ink!- Chamou-o novamente agoniado com a demora de seu filho, que desviou seu olhar choroso para Cross, que ao ver as lágrimas grossas saindo dos olhos de seu amado Respirou fundo.

- Top! Meu sogro eu-

-Eu não posso! Não posso fazer isso!- Exclamou entregando o pote com marima ao seu pai e partindo a corrente de Verbena que lhe unia a Cross.

Todos os convidados olharam para a cena surpresos, mas antes que Ink pudesse se afastar, Cross lhe segura a mão aflito.

- Inky! Amor! Espere! A gente tem que se casar!- enfatizou o lembrando do que aconteceu no quarto, o que fez o menor retrair as suas asas- Eu não ligo se tudo isso for armado! Eu quero passar minha vida ao seu lado! E eu não quero que mude jamais quem você é!

- Me solte.- Chorou tentando afastar o braço de Cross.- Me solta!-Pediu desesperado

-Ink! Colha essas flores agora!- Reclamou o seu pai.-Você só sai desse salão casado!- Rosnou e como em um comando os guardas já correram para o portão e o fecharam montando um cerco na porta assustando os convidados.

-Eu não quero! Eu nunca vou me casar com ele!- Rosnou empurrando o noivo que ao ouvir as palavras de Ink tremeu aflito.

- N-Nunca? M-Mas... Amor, por que se recusa a estar ao meu lado? Sabe que eu jamais lhe faria sofrer! A-Acaso fiz algo que lhe desagradou?!- Perguntou com lágrimas nos olhos por ouvir um "nunca" vindo da pessoa que lhe jurou amor tantas vezes.

Ele sabia que se negasse o casório magoaria Cross, mas por mais que o amasse de todo o seu coração ainda era muito cedo, e ele tinha medo.

Ink temia não ser um bom rei, temia não ser um esposo amoroso que seu namorado merecia, e não era seu desejo que Cross carregasse todas as suas responsabilidades do seu reino nas costas enquanto ele aprendia a governar como o seu pai queria! Um casamento deveria ser algo onde os dois se protegiam, que ambos se ajudassem, mas pelo santo mel, O que Ink ensinaria a Cross? A fazer coisas malucas com gravetos e pedras?! Não, pra que ferramentas se Cross tinha músculos?

Lhe ter como esposo era um fardo pesado demais até mesmo para o forte príncipe Cross.

- Inky!- Chorou o nome do amado, fazendo com o que de vestido de noiva mordesse os lábios com raiva e também desgosto por fazer seu amado marejar seus olhos.- Ink, Por que-

Ink rosnou e afastou com grosseria a mão de seu namorado, lhe dando um forte tapa em sua bochecha, o que fez o maior cambalear e lhe soltar a mão, atordoado com o que aconteceu o de preto e branco tocou a bochecha olhando seu namorado já se debulhando em lágrimas.

- Porque eu não te amo Cross!-Todos ficavam boquiabertos e espatados com o que Ink falara.- Eu não te amo e nunca te amei! Eu te odeio! Te odeio Cross!-Cospiu as palavras com os olhos cheios d'água, batendo o pé.

Cross não estava diferente, com o coração partido em dois ao ouvir as palavras tão frias de seu amado.

- Ah!- Suspirando as mocinhas com pena de seu amado Cross anos tão maltrato pela pessoa que ele escolheu se casar.

- Guardas! — Gritou Top ao ver a situação que seu filho criou.- Você passou dos limites moci-

Fora interropido pela noiva que lhe jogou a corrente de Verbena bem na boca o calando e sem perder tempo, Ink corre em direção a uma das enormes janelas do salão se atirando contra ela, quebrando seus galhos e caindo para fora do salão.

- Ink!!- Exclamaram todos correndo até a janela, pois eles estavam literalmente no meio da árvore a queda seria bem feia, considerando que Ink não voava.

Cross que até então estava parado, ao ouvir o som dos gravetos se partindo foi o primeiro a correr para a janela gritando o nome do amado, que estava caindo daquela altura batendo a única asa que tinha.

Claro que fez isso no desespero, ele não sabia que justamente na janela que saltou mal havia galhos para que caísse.

Mas para a sorte do hemafrodita, havia um galho fino com uma folha na ponta, que se partiu assim que ele se bateu contra ela, mas ele havia abraçado o galho, segurando fortemente a sua folha a abriu o fazendo subir bruscamente pela velocidade em que estava caindo.

- Aí! — Gemeu sentindo seus braços reclamando pela puxada brusca.

- Ink!!!- Gritou Top voando até ele com os guardas que batiam suas asas de forma veloz atrás do príncipe.

- Merda!- Xingou batendo a sua asas direita apressando sua ida ao chão, assim que seus pés tocaram a grama próxima da sua colônia ele largou a folha e caiu de cara no solo de terra.- Huff! — Ink se levantou prontamente e começou a correr em direção ao barranco que havia próximo as colônias das borboletas.

Aquele grande deslizamento de terra era o que dividia o vale do jardim, que era conhecido por ter uma grana alta demais e muito grossa, de árvores copiosas e se seiva venenosa, lar de plantas carnívoras e predadores de todos os tipos e claro, era mais próximo dos humanos que o vale.

Cross encarava a situação de longe com os convidados que estavam pasmos, fofocando e maldizendo o príncipe enquanto o noivo estava ainda paralizado, completamente perdido sobre o que acabara de acontecer, se ele o odiava? Por que dizia que o amava?

- Calma filho, v-vai, vai ficar tudo bem.- Consolou X-Gaster ao seu filho que estava ainda tocando a sua bochecha que estava vermelha com o formato certinho da mão de Ink.- Ele não deve ter falado isso de propósito.

Realmente, ele poderia imaginar que Ink fez isso no desespero, mas ele estava muito maguado para acreditar que a primeira vez que Ink mentiu para si, foi naquele momento.

- Huff! Ai!- Tropeçou Ink quase caindo no chão enquato corria rapidamente dentre as gramíneas desperado em direção ao jardim.- Merda de vestido!- Reclamou segurando sua saia com uma mão olhando para cima vendo os guardas indo na sua direção voando.

Ink então começou a correr mais , forçando suas perninhas ao máximo delas, empurrando todos os talos de plantas que via que tinha flores em sua ponta fazendo uma fumaça espessa de pólen que usou para despistar o seu pai e seus servos.

- Huff! Huff!- Ofegou correndo abrindo um enorme sorriso quando de longe visualizava as árvores e a grama grossa tomada por flores do jardim, alegre por não ouvir mais os guardas, finalmente os despistara.- Heh! Hehe!- Riu alegre, desacreditado que pela primeira vez chegou assim tão perto do jardim que tanto sonhava explorar.

Porém, ele não avistara que já estava num caminho quase sem gramíneas, já na entrada do barranco expondo as enormes raízes vindas do pessegueiro que o fizeram tropeçar e praticamente voar e rolar para o precipício.

- Oah! Ai-Aahh!- Gritou, tentando subir de volta para a borda após cair num frio de raiz, mas ele era pesado demais para o galho que se partiu o fazendo cair.

{🌼}


Bem, naquele barranco claro, havia já alguns peedadores que montavam sua armadilha perto do vale já sabendo que ali viviam as melhores presas.

Estas viviam lá gorduchas e seguras, mas como não poderiam escalar o desfiladeiro para caçar, graças as duas colônias de borboletas que defendiam o vale, eles eram obrigados a esperar que algum inceto desavisado caísse naquele precipício diretamente para suas presas.

Mas era certo que nenhum predador caçava ao dia, até por que aquele lugar não tinha proteção alguma da floresta, sendo perigoso, pois poderiam acabar sendo vistos por uma latgatixa ou algum passaro faminto, nenhum era louco de se aventurar em plena luz diurna, a menos que estivesse morrendo de fome, como no caso desta viúva negra que estava encarando fixamente uma pequena mosca que voava ao redor de sua teia.

Este era Error, que era considerado um dos predadores mais temidos do jardim, não somente por ser uma aranha, e sim, por que ele em particular gostava de se divertir com suas vítimas, brincava com seus cadáveres após come-los, até às matava sem fome e deixava seus restos para os outros que temiam chegar perto dele para se quer roubar alguma de suas presas.

Todos tinham conhecimento que o veneno daquele inceto poderia ser dez vezes pior que ser engolido por uma planta carnívora e ser dissolvido pelo seu ácido. Ser temido era bom, pois Error gostava de viver e andar sozinho, porém sua fama também afastava as presas de seus locais de presdação, o resultado disso, era que ele estava sem comer já fazia três dias.

Error acompanhava os movimentos da mosquinha com suas oito pupilas, ansioso para comer-la até mesmo salivava, assim finalmente a mosca tocou na sua teia ele veio velozmente até o inceto indefeso.

Porém, para o seu azar, assim que a mosca toca na teia, ele se debateu com força a partindo a teia azulada de Error facilmente batendo suas asas para longe dali.

-Porra! Desgraça!-Rosnou bufando chateado, vendo a sua presa lhe dar o dedo do meio rindo.- Grr! — Rosnou cospindo na sua direção e a mesma desviou.- Essa é a vigésima que foge hoje! Porcaria!- Reclamou, começando a desfiar a sua teia.

Ele já havia visto aquela mosca antes, quem sabe todas as vinte vezes que teve de refazer sua teia fora por culpa dela e seus amiguinhos que estavam pregando peças no predador faminto, e ele estava louco, louquinho para agarrar uma delas, desta vez mudaria de prática! Aquelas crianças iriam se arrepender de ter mexido com ele.

Infelizmente, havia outra coisa que alertava a todos de sua vinda, e isso era suas enormes teias azuladas, nenhuma outra aranha ou viuva negra tinha tal dom, que ao olhar humano era até bonito, até saberem que tipo de inceto peçonhento que estava em seu quintal, mas para a pobre aranha isso já estava lhe custando e muito, afinal, mesmo com os raios de sol batendo bem em cima da teia, ela continuava visível, nenhum inceto bateria nela sem querer desse jeito.

- Essa teia de merda! Vida de merda!- Se amaldiçoou pegando os bolos de teias desfeitos e colocando na boca, geralmente as jogaria fora, mas precisava de energia pra fazer outra, e como não havia nada ao seu alcance, estava tendo que comer suas próprias teias.- Eu tô morrendo de fome já faz três dias! Porra!- Xingou olhando para o céu com a boca cheia.-Deux me odeia! Não é poxível! Deuxme odeia!- Engoliu voltando seu olhar para a teia a rodeando e desfazendo-a- Nem pra acontecer um milagre e cair merda de inceto gostoso do céu direto na minha tei-

-Aahhhhhhh!- Gritou Ink, alertando a aranha que só teve tempo de olhar para cima antes que a borboleta caisse bem em cima do que já havia desmanchado metade da teia, que com o peso dos dois cedeu e ambos caíram pelos desfiladeiro aos gritos.

A queda deles era relativamente alta, mas na hora da queda Ink havia sido amortecido pelo corpo da aranha e das teias de Error que enroscaram em seu corpo e o prenderam de cabeça pra baixo pendurado em uma raiz.

Já a aranha caiu bem em cima de uma pedra de lado, fazendo um som de "Crack" alto.

- Aaahh!- A aranha gritou encolhendo-se todo na pedra, uma de suas patas havia quebrado com seu peso.- S-Seu merda! Olha só o que você fez!- Rosnou olhando para o causador da sua desgraça que estavam tonto por estar girando de cabeça pra baixo, o véu com a tiara de flores já caira no chão por ele estar todo emaranhado dentre as teias azuladas de Error.- Sua borboleta atrapalhada! Acaso não sabe voar não?! — Rosnou.

- A-ai! Ai!- Gemeu tentando se soltar das teias ao notar que estava diante de uma aranha.- Ahh! Céus! Me desculpa! Me desculpa! Não foi me intenção! Eu juro senhor aranha!

- Cale a boca! Eu vou te mata- Fora interropido pela mariposa que se balançou batendo justamente na sua cara.- Huff!

- Não! Não! Não!- Gritou se balançando batendo duas vezes no rosto da aranha, que já preparou as presas para morder Ink caso ele viesse no seu rosto novamente, mas a teia se partiu o fazendo cair no chão todo embolado nas teias de Error.

Ambos se encararam por um segundo calados, antes que Error comessasse a rastejar para fora da pedra na direção de Ink que começou a tombar seu corpo pro lado para rolar dali.

- Fica parado! Você quebrou minha perna! O mínimo que pode fazer é me deixar lhe comer!

- Eu não gosto de ser devorado obrigado!- Gritou começando a tentar saltitar, chegando a tentar roer a corda enquanto fugia, mas a aranha mesmo ferida não parecia desistir de Ink, que assim que viu seu corpo livre das amarras azuis, sentiu uma puxada de um fio que ainda enrolava o seu pescoço o fazendo cair no chão dando de cara com a aranha que lhe olhou de cima.

- Te peguei!- Lambeu os lábios faminto olhando para a mariposa abaixo de si que começou a chorar.

- Ihhh~ Por favor, por favorzinho, não me devore! Eu não sou gostoso! Tô sem comer a dias não vai lhe dar nutriente algum!- Chorou balançando a cabeça tentando cavar para afastar mais sua face da bocarra de Error que já a abrirá para devorar sua cabeça.- Eu sou defeituoso! Vou lhe dar dor de barriga! Eu sou defeituoso!

- Oh! Olhe meu amor!- Falou o louva Deus que limpava seus olhos com as patas, chamando o seu amado que era uma verdadeira mariposa imperador.- Error finalmente pegou uma presa.

- Eca.- Revirou os olhos com nojo, enquanto lambia sua pata e a esfregava em suas antenas felpudas.- Não vai dizer que vai querer os restos.- Olhou para Reaper com asco.

- Não, não, hah! Aquela borboleta é muito magra Genin~-Riu olhando para baixo.- Até você é mais gordo.

- Borboleta?- Se interessou olhando para baixo vendo Ink se arrastando para fugir de Error.- Nossa, eu acho que eu conheço essa aí.

- Lhe é familiar?

- Sim, eu o conheço, Link, whink? Era um nome assim, ele era importante.

- Era?- Levantou suas antenas piscando.- Vai me dizer que era da realeza.

- Possivelmente, eu gosto de ver os príncipes dormindo, ele em particular ronca baixo.- Falou, olhando um pouco mais além da aranha e da borboleta de asas rosas.- Hm.

- O que foi?

- Parece que aquela largatixa vai ter um jantar duplo.

- Largatixa?!- Sorriu amplamente, olhando no horizonte vendo o vértebrado indo diretamente na direção de ambos.- Uhhh! Isso vai ser muito bom de ver!

- Tsk, nojento.- Reclamou o de asas brancas de seu amado, com nojo dele ser tão mórbido.

- Você não vai ver? Parece que Error já devorou ele!

- Eca! Veja você!

- Vamos conversar! Por favor!- Chorou segurando a boca de Error tomando cuidado com seus dentes.

- Ahm,alahm,aihm!- Tentou falar com a borboleta lhe segurando a boca, mas bruscamente se afastou ao ver Ink recuando até se bater no corpo da largatixa, que os olhava parada.- Aí merda.- A aranha travou ficando parada no lugar com esperança que a largatixa não o notasse.

Ink também parou, quieto bem abaixo do pescoço do bicho, ele poderia facilmente rastejar para fora, pois o animal tinha um bom espaço abaixo do peito.

Porém, ele não teve coragem de recuar, afinal Error não teria como correr com a pata daquele jeito, e Ink se sentia culpado por isso.

O animal virou sua cabeça para o outro lado olhando fixamente para Error que estava tão travado como uma estátua, mas infelizmente não poderia se esconder graças as cores, azul, amarelo e vermelho vibrantes do seu corpo. Ink olhou para si, vendo que seu véu não estava ali para usa-lo, então pegou um punhado de terra seca e jogou na direção do olho da largatixa que xiou se afastando quase esmagando o de vestido.

- HISSS!- Xiou o animal.

- Corre!- Gritou Ink indo na direção da aranha que olhou a borboleta surpreso pela sua coragem, ele até cogitou em o elogiar.

Mas ele não teve tempo pra pensar em algo bom para dizer pois Ink se jogou em cima de si fazendo com que ambos caíssem em uma parte da terra mais fina fazendo eles caírem hum túnel que estava bem abaixo deles.

Que fazia parte de uma enorme colônia de cupins, a borboleta e a mariposa ficaram espremidas naquele buraco apertado, até que Ink bateu no chão o fazendo ceder de novo, e de novo até caíem bem em cima do ninho dos cupins que lhe olharam com ódio.

- Eu te odeio!- Rosnou a aranha que foi puxado pela borboleta que pegou uma pedra no chão e bateu contra a terra fazendo ceder a terra abrindo novamente uma passagem para a superfície.

Ink correu para fora arrastando a aranha consigo, a largatixa que já se livrara da terra no olho os avistou não muito longe de si e correu até eles, mas acabou pisando nos cupins que saíram raivosos atrás deles, fazendo com que a largatixa ficasse ocupado demais com os incetos menores que não viu os dois entrando no jardim.

- Huff! Huff!- Ofegaram juntos , enquanto Ink praticamente carregava a aranha em todo percurso, quando estavam mais longe ambos deitam no chão exaustos.

- Sua bola amarela estúpida! O que você tinha na cabeça?!- Reclamou tirando um cupim de suas costas que o mordia e o devorando sem mais nem menos.

- E-Eu- Arfou tirando outro de seu corpo e jogando para a aranha que o engoliu.- Tava tentando salvar você!

-Me salvar?!- Perguntou surpreso mastigando o comedor de madeira que ink lhe jogou.- Eu iria te comer seu besta!

- Eu sei! Mas...- Começou se sentando, olhando para a pata de Error que estava torta de um jeito estranho, não deixando ele permanecer de pé.- Eu lhe feri, não seria justo fugir e lhe deixar para morrer.- Falou de antenas baixas olhando para o chão.

A viúva negra encarava a borboleta de vestido a sua frente realmente surpreso, nunca havia conhecido uma borboleta com tanta coragem e estupidez como Ink.

- Em verdade lhe digo, nunca vi borboleta mais estúpida e corajosa como você.- Falou lambendo as presas após se alimentar.

- Heh, vou levar isso como elogio.- Sorriu a noiva olhando ao redor atrás de alguma erva que pudesse usar na pata da aranha.

- Não leve, não é um elogio.- Respondeu de forma seca lambendo suas patinhas para limpar sua presa, arrancando risos da borboleta.- Tsk, retardado.- Reclamou olhando a mariposa rindo mais.

{🌼}


Ambos avançam para dentro do jardim após descansarem, Ink fez um curativo na perna da aranha usando as gramas e flores que tinha ali mesmo pelo chão.

Durante a caminhada em agradecimento por ter salvo a sua vida Error decidiu que não o mataria, mas também não queria Ink junto de si, mas a de vestido parecia ter outros planos pois desde que a aranha lhe agradeceu vem lhe seguindo jardim a dentro.

- O que está fazendo?- Rosnou afastando as folhas de grama enquanto andava.

- Te seguindo! Você ainda não me disse seu nome!- Falou andando logo atrás da aranha, que parou de andar quando chegaram em um cogumelo vermelho no meio do mato.

- Vamos bolinha amarela, volte pra casa! Antes que eu mude de ideia!- Rosnou dando um leve pulinho subindo no chapéu vermelho do fungo ouvindo lá de cima Ink choramingar.

-Anw! Vamos! Por favor!- Implorou pulando e subindo no cogumelo também.- Eu... Eu não tenho pra onde ir.- Falou se sentando no chapéu vermelho olhando Error que parecia estar tentando se localizar.

- Não tem?- Perguntou arqueando a sombracelha o que deu esperança para Ink que balançou a cabeça várias vezes, achando que a viúva negra lhe ajudaria.- Onw~ e desde quando isso é problema meu?- Riu com ironia, descendo do cogumelo usando suas teias para não forçar a pata ferida.

- Ah! Me espera!- Gritou a mariposa descendo do fundo indo atrás da aranha.- É sim seu problema! Nós somos amigos!

- Nós não somos amigos!- Rosnou empurrando as folhas e passando fazendo as mesmas baterem no rosto do inceto de vestido que ia logo atrás dele.

-Vamos! Eu salvei sua vida e curei sua pata!

-Por que quis! Eu não pedi nada disso!

-Por favor!

- Não!- Error gritou rosnando, já virando as costas e batendo em Ink com sua bunda de propósito a mariposa caiu no chão bufando, enquanto a aranha pegou essa oportunidade para avançar e deixá-lo sozinho.

- Huff!- Ink se levantou olhando ao redor e só vendo mato, nem se quer ouvia mais a aranha balançando as gramas.- S-Seu! Seu ingrato!- Gritou chateado, voltando o seu caminho até o fungo vermelho, chateado, pois a aranha não fora tão agradecida como imaginou que seria.

- Urgh! Que borboleta chata!- Reclamou ja bem afastado, ele havia conseguido sair da grama alta e estava agora próximo a primeira árvore que tinha mais perto do enorme lago que cortava o jardim e que corria até a cidade humana.- Hm, ao menos eu já estou perto de casa.- Suspirou aliviado, já descendo do tronco da árvore para ir em direção ao rio, mas de longe seus ouvidos captaram um soluço.

Error seguiria o seu caminho tranquilo, porém, aquele choro lhe era irritante, irritante, será possível que aquela borboleta já se feriu?!

- Ora!- Error voltou o seu caminho, vendo Ink embaixo do cogumelo aos prantos.

- Sniff, sniff.- O motivo de suas lágrimas não era desconhecido, ele estava com medo, finalme caiu a ficha de que estava completamente jogado a sorte, em um lugar desconhecido e estava completamente sozinho.- Merda.- Xiou, soluçando abraçando suas pernas.

A aranha que ouviu os lambetos da mariposa e olhou para Ink o vendo se cobrir com suas asas, que na correria a folha que cobria o corte se desfez. Ao ver a asa partida da borboleta Error retraiu suas presas se sentindo culpado.

Achando, que ele havia se ferido na colônia de cupins quando tentou lhe salvar.

- Droga.- Sussurou a viúva negra, ele não queria levar a mariposa pra casa, mas sentiu um pouco de pena e culpa ao ver que ele estava ferido também mas preferiu cuidar de si, quem sabe realmente na esperança de ser ajudado de volta.

E o pior inceto que ele poderia ter ajudado ele ajudou, justamente o que não ligava para ninguém, mas para a sorte da borboleta, Error estava "caridoso" hoje, até por que aquela fuga maluca lhe rendeu dois cupins gordos que, não encheram seu estômago, mas ao menos foi algo que lhe sustentaria até que ele chegasse em casa.

Então assim que Ink caiu no sono exaustão, a aranha se aproximou com cautela lhe pegando entre as patas e o levou embora para sua toca.

- Eu ainda vou me arrepender disso.- Xiou ajeitando a borboleta que dormia em seu colo enquanto uma pequena lágrima do rosto de ink caiu na terra seca que começou a ficar molhada, não somente pelas lágrimas da noiva e sim, pelo chuvisco que começou a cair do céu.