Notas iniciais
Yo, nekos! Saudades de vocês ♥ Não vou deixar o aviso aqui, mas peço que leiam as notas finais. É IMPORTANTE. Boa leitura.

O som forte das águas chocando-se constantemente preenchia o ambiente, alguns salpicos ainda podiam ser sentidos, mesmo as duas figuras presentes ali estando mais afastadas da beira do pequeno rio. Vez ou outra um animal aparecia por perto para saciar a sede, mas ao sentir uma presença ameaçadora, voltava acuado para sua toca.

Marion estava parada, de pé, observando o garoto escorado na árvore, não fazia muito tempo que Sasuke havia proposto uma trégua. Suspirou cansada, ultimamente estava sempre fadigada devido o uso continuo de sua magia. Por mais que já tivesse adquirido um controle maior sobre ela, ainda doía usá-la repetidas vezes.

– É a terceira vez que você suspira desde que concordou me falar o que sabe. – Observou cruzando os braços – O que está acontecendo?

– Eu posso lidar com isso. – Afirmou desconfortável – Não há nec-

– Vai confiar em mim ou não? – Perguntou sério, interrompendo a fala da rosada.

– Hunf... – Bufou irritada – É apenas... Incômodo usar tanto assim esse poder.

– Você sente dor, não é? – Indagou a fitando com olhos especulativos.

– Nós ainda não temos esse tipo de relação, contente-se.

– Tudo bem, tudo bem. Uma coisa por vez. – Ponderou, não podia botar as coisas a perder agora.

– Sente-se. – Ordenou assim que fez o mesmo, apoiando suas costas na madeira enegrecida do velho carvalho.

Sasuke obedeceu. Estavam agora sentados lado a lado, os ombros quase se tocando. Marion mantinha um olhar distante, como se estivesse pensando na melhor maneira de falar aquilo. E estava. Não podia simplesmente dizer suas suspeitas dessa forma, causaria pertubações desnecessárias, afinal, Sasuke era humano acima de tudo e possuía uma crença.

– Não precisa se preocupar tanto. – Afirmou repentinamente – Eu acreditarei no que me contar.

– Então você já consegue sentir minhas vibrações? – Perguntou se referindo ao elo entre pacto e contratante.

– Não, ainda preciso de mais tempo de treino. É você. – Sorriu vendo o desentendimento na face feminina – Sua expressão está mais fácil de ler.

– Entendo. – Os olhos voltaram a vagar perdidos. – Lembra da noite em que nos conhecemos, não é?

– Sim, você quase me matou.

– Naquela noite eu tomei a decisão de ajudá-lo. – Confessou neutra.

– Imaginei que havia sido isso, você estava muito mais disposta a me ouvir no dia seguinte.

– Eu estava aprisionada em Hizel a algum tempo, precisava de alguém para me soltar dos grilhões.

– Você causou todo um alarde. – Balançou a cabeça negativamente.

– Quantas vezes preciso lhe dizer que aquele local havia sido evacuado?

– Você disse quando estávamos na colina, mas o local não estava completamente abandonado.

– O que quer dizer com isso? – Perguntou não compreendendo – É impossível, mesmo selada eu teria sentido as alterações de chakra.

– Aquela não foi a primeira vez que eu havia ido até lá, atrás de você. – Revelou sério – Haviam dois guardas cercando o local, era impossível se aproximar. Eu passei um bom tempo estudando as falhas no perímetro, nada escapava aos olhos e ouvidos daqueles brutamontes.

– Espere um momento. – O parou, olhando-lhe de forma descrente – Está me dizendo que não apenas um, mas dois vigias estavam guardando o calabouço? Isso é impossível.

– Acredite em que preferir. O curioso foi que, de uma hora para outra, os dois sumiram do local. Eu não parei para pensar nisso na época, mas agora vejo o quão estranho realmente fora.

– Aion não me disse nada sobre isso... – Sussurrou para si mesma, semicerrando os olhos.

– Por que tocou nesse assunto?

– É um assunto delicado, eu preciso sentir que você está pronto para ouvir sobre isto.

– Estou pronto, acredite em mim. – Respondeu convicto.

Marion o estudou minuciosamente, cada pequena alteração na respiração, a expressão facial e até mesmo as vibrações de energia. Sasuke estava completamente tranquilo, focado na conversa. Não havia uma mínima atitude que demonstrasse seu receio. Era hora de arriscar.

– Não há outra forma. – Suspirou mais uma vez, nem isto estava mais ajudando a aliviar a tensão da conversa – Sasuke, você acredita em Deus, não é? – Remexeu o nariz ao pronunciar o santo nome.

– Sim. – Foi rápido – Qual o problema?

– Tsc. – Irritou-se com a resposta rápida – Quando você estava sozinho, sem a única pessoa a quem podia chamar de família, o que Ele fez por você?

– Talvez eu ainda não tenha feito nada que valesse apena para ele, já que nunca fui agraciado com sua benção. – Sua voz soou melancólica.

Um silêncio pesado se instalou por poucos segundos antes da garota continuar, agora com o timbre mais cuidadoso. Sabia pouco sobre humanos, porém sabia que este era um assunto extremamente delicado para eles.

– Continuaria acreditando se Ele fosse um dos responsáveis pelo desaparecimento do seu mestre?

– Mas o que... – Sua voz morreu de súbito. Não podia compreender o que estava ouvindo.

– Deixe-me explicar melhor. – Consertou a postura desleixada para uma mais ereta – O céu é divido em camadas, sete para ser mais precisa. Na última camada, a mais distante e de difícil acesso, é onde está o palácio de Yaweh, só os Arcanjos possuem permissão para ir até lá.

– Eu pensei que todos os anjos...

– Não. – Riu de forma desdenhosa – O grande Soberano não possui tempo para lidar com seus medíocres filhos, isso é trabalho para seus príncipes herdeiros.

– Eu não imaginava que fosse dessa forma, como sabe tanto? – Questionou curioso.

– O fato é – ignorou a pergunta feita – que Ele não é visto desde o final do sexto dia, quando se recolheu em Tsafon* para o descanso.

– Não compreendo como isso tem a ver com minha busca.

– Pense um pouco. – Respondeu franzindo um pouco a testa com a dor incessante em seu braço – Quando nos conhecemos, de quem você havia dito que seu Sensei tinha raiva?

– Do sol, mas essas coisas... – Teve sua fala interrompida pela garota.

– Miguel é o sucessor direto de Yaweh, o que guarda o poder de governar. – E finalizou encarando-lhe de forma intensa – E detém o singelo apelido de Sol Celestial.

– Hey! – Sua respiração estava descompassada, o medo era evidente em sua face – Está dizendo que nosso inimigo é o Criador?

– Não, Ele virou as costas para todos, deixou tudo a mercê do tempo. – Pensou numa forma mais fácil de explicar – Estou dizendo que ele é o culpado pela existência de um inimigo.

– Certo, eu havia dito que acreditaria em qualquer coisa que me contasse... Mas, isso não faz o mínimo sentido!

– Não tenho certeza dos fatos, mas as chances são altas demais para serem ignoradas. – Explicou tranquila – O que quero dizer é que Miguel é nosso inimigo direto.

– Um Arcanjo! – Bufou contrariado – Me deixa mais calmo saber que meu oponente será o primogênito de Deus. – Riu sarcástico.

Seu oponente? – Questionou confusa – Não se superestime. Miguel é meu, eu irei destroná-lo, você apenas trará seu mestre de volta.

– Você lutará sozinha contra um príncipe? – Perguntou assustado – Sei que é imensamente poderosa, mas não existe algo como castas e níveis de poder entre os seus?

– Eu sou um demônio, Sasuke. – Olhou-lhe de uma forma estranha, intensamente incômoda, a voz agressivamente amarga – Estou banhada em sangue e desgraça. Meu poder não vem do seu Deus.

Dor. Sasuke sentiu algo dentro de si se acender, algo como uma chama intensa e crepitante. Não soube explicar no começo de onde vinha essa angustiante sensação de traição, mas bastou tocar sutilmente seu ombro na pele da garota e pode compreender. Ele sentiu, por um milésimo de segundo, o que Marion sentia. Tomou um susto, sabia que estava sentindo apenas uma fração do real sentimento, porém isso fora o suficiente para atordoá-lo.

Teve uma súbita falta de ar, seguido de um desespero assombroso. Não estava preparado para o uso do elo e isso causou reações. As pupilas dilataram e ele, num ímpeto, tomou uma decisão, algo que pôs todo o credo de uma vida abaixo. Colocando os fatos numa balança imaginária, sentiu o lado da racionalidade pender para baixo. Acreditava em Deus porque lhe foi ensinado dessa forma, mas era exatamente como Marion havia dito: desde que se entendia pro gente nunca havia sentido sua proteção. Pelo contrário, se via constantemente desamparado nos mais dolorosos momentos. Foi assim com a morte de seus pais e depois com aquele a quem chamava de família.

Estava disposto a lutar, lutar por aquela que cedeu sua vida através do pacto para protegê-lo.

– Eu irei junto. – Disse confiante.

– Você tem noção do peso do que acaba de dizer, não é? – Indagou. Não imaginava que ele tomaria tal decisão.

– Seja lá o que for, ou para onde serei enviado por tamanha heresia – começou firme –, não deixarei que você lute sozinha. Não importa se estamos indo contra Deus, eu lutarei ao seu lado.

– Eu não tenho nada a perder, Sasuke, mas você ainda tem sua alma. – Alertou.

– Cuido disso depois. – Finalizou o assunto.

– Não me culpe por isso no futuro. – Fez uma breve pausa, incomodada pela dor no braço.

Sasuke havia percebido a inquietação da rosada e direcionou os olhos para a ferida. Mesmo com as intensas sequências de meditação e tendo se passado uma semana nenhum progresso se via. Pode sentir seus ombros pesarem de culpa, ao mesmo tempo em que se recordava que ainda não havia dito a Jiraya o que Dorank o havia entregado.

– Venha. – Chamou abaixando sutilmente a gola de sua camisa. Um convite aberto.

– Já disse que não será o suficiente. – Respondeu posicionando-se entre as pernas do moreno e puxando a gola mais para baixo, deixando o pescoço masculino totalmente visível.

– Mas ajudará, do contrário não estaria aqui agora. – Riu provocativo, antes de sentir a forte mordida – Auch!

Uma das mãos de Marion estava nas costas do rapaz, puxando o tecido da camisa para baixo, enquanto a outra tinha os dedos entrelaçados nos fios negros revoltosos. Fazia tempo que não tomava o sangue de Sasuke, por isso se deixou levar pela sensação de alívio que percorreu seu corpo. Fechou os olhos e suavizou a mordida, permitindo – inconscientemente – que seus dedos fizessem uma sútil carícia nos cabelos do garoto. Em resposta a isso, o moreno a segurou próximo a altura dos quadris.

Estava um clima calmo, silencioso. Até o momento em que um ruído fora captado pelos ouvidos treinados da guerreira. Seus olhos abriram-se e rapidamente passaram a vasculhar todo o local. A lua nascia tímida ao canto, mas, mesmo assim, ela era capaz de enxergar. Foi quando galhos quebrando e um resmungo de dor foi ouvido, para em seguida, um Naruto atrapalhado aparecer entre os arbustos que margeavam a clareira.

– Finalmente achei vocês e... – Parou de falar quando notou a situação – Uou, me desculpem! – Exclamou colocando as mãos em frente aos olhos, porém com os dedos deixando brechas enormes.

– O que você quer, Naruto? – Indagou Sasuke enquanto Marion ainda sugava seu pescoço.

– Er, Jiji me pediu para chamá-los e... – Olhou mais atentamente para ambos, notando Marion afastar a cabeça do pescoço do moreno e lhe olhar – Santa mãe de Deus! – Exclamou notando a boca da garota suja de sangue.

– Diga que já estamos indo. – Respondeu a rosada, limpando-se adequadamente.

– T-tudo bem! – Saiu correndo na frente, aos tropeços.

– Ele fará uma terrível confusão com tudo isso. – Concluiu levantando-se e oferecendo a mão para a guerreira.

– Isso é um problema seu. – Desdenhou aceitando a ajuda e pondo-se a andar na frente.

– Muito obrigado pelo apoio. – Ironizou a seguindo.

Notas finais
Tsafon.: O sétimo céu. É lá que descansa o próprio Deus no topo do monte da Congregação. Bem, nekos, vim aqui explicar o motivo do meu sumiço (justo quando eu estava conseguindo organizar melhor meu tempo). Gente, eu não sei o que está acontecendo com minha conta no Nyah, mas de uns tempos pra cá se tornou uma roleta russa eu conseguir acessar o site. Fora isso estou com o tempo muito mais apertado devido a faculdade (obrigada, Copa do Mundo). Maquetes, seminários, desenhos para finalizar, professores cobrando aulas extra curriculares... Saio de casa as 06:00 am e não tenho hora pra voltar. Dessa forma, escrever fanfics se tornou algo "secundário". Minhas sinceras desculpas. Espero ter uma folga maior agora no feriado de carnaval, tentarei escrever mais um capítulo para compensar o mês de janeiro em branco... Não prometo nada (até porque tenho três plantas para finalizar e entregar na quinta), mas me esforçarei para conseguir. Espero que me perdoem por isso, eu até tentei escrever nos intervalos das aulas, mas a qualidade dos capítulos caiu drasticamente. Eu não irei abandonar a fanfic, JAMAIS. Porém, levarei mais um pouco de tempo para conseguir organizar os capítulos. Conto com a ajuda de vocês, se alguém ainda se dispuser a ler MB! Encontrou algum erro, tem alguma sugestão, uma crítica... Não se acanhe, eu lerei todas com todo o amor do mundo. Obrigada ♥