Notas iniciais
Yo, nekos! Uma breve explicação sobre esse capítulo: Agora é onde a verdadeira história irá começar. Desculpem por fazê-los ler tantos capítulos, mas eles foram necessários. Boa leitura ♥

Na casa da clareira o tom de voz escandaloso de Naruto podia ser ouvido por toda casa, o desespero exagerado quase fazendo Jiraya sorrir.

– Naruto, você precisa se acalmar. – Tentou controlar a afobação do loiro.

– Você precisa acreditar em mim, Jiji! – Continuou nervoso.

– Eu acredito em você, mas, mesmo assim, precisa se acalmar! – Disse com a voz mais firme.

– Você não está entendendo a situação, a Marion-chan estava...

– O que eu estava fazendo, baka? – Sibilou a voz feminina, perversamente ao pé do ouvido do garoto.

– Meu Deus! – Correu para trás de Jiraya, as mãos devidamente protegendo o pescoço.

– Ele estava contando sobre você e Sasuke. – Revelou Jiraya saindo da frente do garoto, o deixando exposto à Marion.

– Oh, então era isso? – Sorriu maligna – Venha cá, Naruto. Deixe-me mostrar a você corretamente.

– Pelos céus, por favor, não! Seja lá o que eu tenha feito, me perdoe! – Choramingou escondendo-se do outro lado da mesa.

– Pare de assustá-lo, Marion. – Disse Sasuke, sentando-se ao chão e escorando-se no portal que ligava a sala a cozinha.

– Como se eu fosse tomar o sangue de uma ratazana como ele. – Ralhou indo sentar-se em seu lugar de costume, a grande janela.

– Naruto, fique tranquilo. – Começou Sasuke – Ela não tomará seu sangue, ela só pode fazer isso com quem assina um pacto com ela. Esqueça o que viu.

– Sério? – Respirou aliviado – Nunca mais me assuste assim, Marion-chan. – Sorriu animado como sempre.

– O fato de não poder tomar seu sangue não quer dizer que não posso arrancar sua língua. Maldição, pare de me chamar assim!

– Não seja tão rude. – Ponderou Jiraya.

– Não tem problema, Jiji. – Sorriu Naruto parando ao lado da garota e afagando-lhe os cabelos – Combina com você, Marion-chan.

– Ora seu... – Saltou na direção do loiro que correu para perto de Sasuke.

– Na minha cozinha não. – Alertou Jiraya, segurando com força o braço da guerreira.

Um suspiro resignado saiu pelos lábios rosados – Desisto. – Deu-se por vencida.

Já de costas para todos, Jiraya se permitiu dar um sorriso satisfeito. Marion estava muito mais sociável, lembrava-se perfeitamente como fora para que ela permitisse que a chamasse assim, longos meses haviam sido necessários, no entanto, com Naruto apenas algumas semanas de convivência fora o bastante. Não podia negar, realmente Sasuke a estava fazendo bem.

❈ ✝ ❈

Naquele dia o Etéreo havia despertado sem afobação. Fazia um belíssimo dia ensolarado, o silêncio incomum – onde nem mesmo o som do choque entre as lâminas dos guerreiros em treinamento podia-se ser ouvido – contrastava com a turbulenta onda de pensamentos que se fazia presente na consciência de um determinado anjo.

Hinata preparava o necessário para sua ida a Haled, enquanto remoía-se em lembranças. Sabia desde o começo que não seria fácil, estava proibida de enfrentar diretamente Marion, ou Sakura como ainda preferia chamar, seja pelo que fosse. Sua função era apenas vigiar a rosada e relatar seus planos à Miguel. Uma tarefa um tanto quanto ultrajante, devido seu posto elevado na hierarquia celeste.

Contudo, por mais que ainda se sentisse incomodada com o fato de não poder entrar em uma peleja direta, mesmo que lhe fosse permitido não sabia se teria coragem para enfrentá-la. Não aquela que havia lhe ensinado tudo que sabia. Não, ela sabia. Jamais seria capaz de enfrentar aquela que ainda considerava como irmã.

Não fazia ideia de como iria se aproximar, não tinha um plano formado. Se deixaria guiar por seus instintos. Estava prestes a dar essa linha de pensamentos por encerrada quando outro acontecimento lhe atingiu com força a mente: o rapaz na catedral. Ele era exatamente como o miserável responsável pela queda de Sakura. Era impossível que fosse ele, no entanto. Seu corpo não emanava a energia pulsante característica, sua aura era completamente humana.

Balançou a cabeça com força, obrigando-se a focar no seu objetivo. Agora tentava achar um jeito de aproximar-se sem que fosse notada, porém, se conhecia bem a ex-comandante isso seria impossível. Sakura quando concentrada em algo – como parecia estar com aquele garoto – se tornava completamente atenta, uma perfeita sentinela.

– Espero que um dia possa perdoar-me por obrigá-la a fazer isso. – A voz suave, soberana, se fez presente.

– Não posso condená-lo, fui criada pelo Pai para servir aos príncipes, mesmo que as vezes isso vá contra meus desejos.

– Por favor, não repita isso. – Suplicou aproximando-se – Jamais diga novamente que fora criada para tal ato. – Abraçou-a de forma fraterna – Yaweh criou a todos nós com o mesmo amor, não há distinção.

Ouvir o nome sagrado a fez tremer, a saudade tomou posse de seu corpo de forma brutal. Isso devia-se ao fato de, após criar o homem, Deus havia partido para o sétimo dia, o descanso. Desde então nem mesmo os Arcanjos haviam o visto novamente. Lágrimas irromperam dos olhos perolados, sentia-se sufocada. Estava com medo do que estava por vir e sentia-se desamparada.

– O que há, Hinata? – Perguntou Miguel angustiado com o sofrimento da irmã.

– Sinto falta de nosso Pai. – Revelou soluçando baixo, apertando-o fortemente contra seu corpo.

– Oh, pequena! – Compadeceu-se mediante a fragilidade do anjo.

– Ele acordará, não é? – Indagou afastando-se, enxugando o rosto com os dedos trêmulos – Ele voltará para nos amar, como antes, não é?

Miguel, presenciando o momento de fraqueza da irmã, não deixou de sentir o peito comprimir. Doía-lhe ver um dos seus em descrença.

– Ele está aqui, nesse exato momento.– Sorriu afagando-lhe os cabelos – Está em tudo que nos cerca. Feche os olhos e apenas sinta.

Ela ainda estava chorosa quando Miguel a deixou só para que pudesse descansar antes de ir a Terra.

Haviam segredos que nem mesmo os anjos conheciam. Um deles era o dia do despertar de Yaweh. Enganam-se aqueles cujo pensam que anjos não possuem temores. Eles o possuíam, principalmente quando o assunto era o grande Criador. Falar sobre o sétimo dia era um tabu, muitos ainda não haviam superado a dor da separação. Hinata era um desses.

Foi quando sentiu a angustia adormecer novamente que partiu para a Haled. Sua missão havia sido iniciada.

❈ ✝ ❈

Em outro lugar, numa sala com poucos moveis, porém luxuosa, uma figura repousava em sua grande poltrona, de costas para a porta e observando a grande janela – que se estendia do chão ao teto – todo o território. Sua tez acetinada adornava a face doce, sendo modelada por longos fios loiros cujo quase se igualavam ao branco. Uma aparência deveras suave e infantil.

Entretanto, seu descanso fora interrompido por sutis batidas na porta.

– Entre. – Pronunciou, a voz como uma melancólica sinfonia de violinos.

– Senhor – proferiu cauteloso –, trago notícias.

Não houve resposta, devido a isso prosseguiu.

– O inimigo iniciou sua movimentação, nossos generais estão preparando-se para suas ordens.

– Minha ordem é para apenas observarem.

– Como queira, Soberano. – Sua língua vibrou, imitando o chiado de uma serpente. Os olhos faiscando em malícia.

– E sobre “aquilo”? – Indagou especulativo.

– Aion o encontrou. – Contorceu a face em inveja – Estamos o levando para o calabouço de Tártaros. – Deixou que o tom de regozijo escapasse por entre a língua bifurcada.

– Não.

– Como? – Questionou confuso.

Orochimaru, meu caro. – Sibilou virando-se para o subordinado, a voz outrora convidativa agora assumia um tom pesado, macabro – Tragam-no até mim.

– Se assim o deseja, mestre. – Saiu de pronto, a boca contorcida em desagrado.

No meio do caminho avistou Aion junto a guarnição cujo resguardava a criatura encontrada. Com um tom superior e mesquinho reproduziu as ordens do mestre e retirou-se. Aion, mesmo contra vontade, prontamente tratou de conduzir ele mesmo a figura até a sala de seu superior, entrando assim que permitido.

– Aqui está. – Afirmou com a voz neutra, porém o olhar desconfiado.

– Aion, meu confiável Grão Duque. – Umedeceu os lábios, pronto para mais provocações – Ou devo chamar-lhe de Itachi, assim como ela?

– Chame da forma que preferir. – Respondeu tentando esconder a acidez das palavras.

– Acredito que Itachi seja algo intimo, não? – Proferiu andando na direção do artefato recuperado.

– Se permitir, estou me retirando. Ainda há tropas aguardando treinamento. – Virou-se e seguiu para a saída.

– Oh, o atingi com memórias desagradáveis? – Seus olhos faiscaram em prazer – Desculpe minha indelicadeza.

Antes de se retirar, deixou que sua raiva extrapolasse – Não brinque comigo, Lúcifer.

Voltando sua atenção para o objeto presente em sua sala, a expressão maliciosa deu lugar a uma perversa. Os olhos, antes azuis, brilhavam no mais profundo rubro. Estava na hora do despertar.

❈ ✝ ❈

Na Haled uma sútil alteração no véu que separava as dimensões fora sentido no mesmo instante em que Hinata atravessou o portal, e em que a criatura misteriosa era entregue nas mãos de Lúcifer. Era o prenúncio de tempos conturbados e violentos.

– Então é assim que será? – Indagou Jiraya olhando para o abismo aos fundos de sua casa – Não há outro jeito, não é? – Fechou os olhos, cansado. A expressão tornando-se fúnebre – Qual lado sairá vitorioso no fim?

Suas palavras foram arrastadas pelo vento furioso cujo cortou o local, tudo parecia mais sensível, turbulento. Não havia mais volta, todas as peças haviam sido atiradas a mesa em um jogo de morte e cobiça.

Era o inicio da era do Armagedom.

Notas finais
Espero que tenham gostado, pra falar a verdade, esse foi o capítulo que mais me deixou satisfeita. Acho até que foi o melhor que já escrevi. Ja ne ♥