Marion Blanchard.
6 Vazio
Notas iniciais

O sol ainda não havia transpassado a linha do horizonte, quando Marion caminhou até Sasuke para despertá-lo. Utilizando de sutis gestos, abaixou próxima a face do moreno e fitou-lhe por incontáveis segundos.
– Como pode haver tamanha semelhança? – Pensou furiosa – É impossível que ele tenha sobrevivido... Então porque esse incomodo não abandona-me?
Permaneceu observando o rosto do jovem por mais algum tempo, até suspirar derrotada e o cutucar com um pequeno graveto.
– Oe, garoto! Está na hora de partir. – Falou apressando-o.
– O que você tem contra uma boa noite de sono? – Perguntou levantando-se.
– Cale a boca e comece a andar. – Respondeu sem paciência.
– Qual o seu problema, afinal? Primeiro ataques desnecessários a demônios durante a madrugada e agora todo esse mau humor! – Questionou irritado.
– Ataques desnecessários? – Perguntou confusa – Salvei sua vida, ou pensavas que aquele youkai o convidaria para um inocente passeio noturno?
– Ainda sim não era necessária sua morte, por Kami, era apenas um filhote.
– Que relataria nossa localização a seu superior, eliminei-o antes que virasse um problema. – Disse após apagar a fogueira e dirigir-se a saída da caverna.
– Você não possui compaixão? Pena, remorso, ou algum outro sentimento que não seja ironia e sarcasmo? – Indagou andando ao seu lado.
– Não seja dramático. Esses tipos de sentimentos não são de minha natureza, acostume-se pirralho.
– Kuso! Tenho nome. – Irou-se parando a sua frente – E gostaria que o usasse quando falar comigo!
– Se um dia eu o considerar digno de respeito, fedelho, o chamarei pelo nome. Agora ande. – Falou ameaçadora transmitindo, através do elo que agora possuíam, uma sensação de medo ao garoto que a olhava espantado.
Horas haviam se passado sem que algum dos dois pronunciasse uma palavra, sussurro e até mesmo liberasse um suspiro. Sasuke ainda sentia-se incomodado com a forma de ser tratado e devido a isso possuía uma expressão emburrada em sua bela face. Marion, sempre atenta, ia mais a frente numa forma sutil de observar se haveria algum perigo pelo percurso que faziam.
Sasuke não compreendia porque havia tamanha repulsa por ele vinda dela, eles se conheciam tinha tão pouco tempo, como ela poderia o odiar tanto? Curioso pela forma que as sensações de ambos agora eram conectadas o moreno resolveu testar esse novo elo, iria tentar entrar no coração de Marion. Respirou fundo e sutilmente esvaziou a mente. Fechou os olhos.
A sua frente surgiu um caminho escuro guiado apenas por pequenos vagalumes, não havia curvas, desvios ou qualquer empecilho que o fizesse quem sabe cair ou desconcentrar-se devido a pouca luminosidade. Era apenas um caminho reto, uma estrada obscura e misteriosa que terminava em um ponto de luz.
Seguiu em frente admirado com a essência do lugar, era totalmente diferente do que qualquer coisa já vista por ele antes. Ao final do caminho existia um grande lago rodeado de flores das mais variadas cores e formatos, a luz cujo emanava do novo lugar deixava o ar leve e atrevidamente puro. Próxima à água se encontrava uma garota de cabelos róseos até a linha do quadril e olhos tão verdes quanto jade. Então esse era o subconsciente de Marion...
Em suas delicadas mãos femininas descansava uma rosa na cor champagne, a flor parecia reter total atenção da jovem, ousou aproximar-se e olhar melhor seu rosto. No susto ao reconhecer-lhe deixou um suspiro pesado sair de seus lábios, fazendo assim a garota o olhar vagarosamente.
Seus olhos eram um oceano morto. Profundos e vazios... Ainda sim encantadores. Não habitava ali sentimento algum, nem mesmo um resquício de que um dia existira. Aquilo atiçou a curiosidade do rapaz.
– Marion ficará uma fera se souber que alguém me visitou. – Pronunciou de forma suave e fria.
– Como assim se ela souber? Vocês não são a mesma pessoa? – Perguntou confuso – Não entendo como...
– E não deve. – Voltou a olhar para a rosa – Nunca fale de mim a ela.
– Qual seu nome? – Olhou mais uma vez no fundo daquele abismo vazio.
– Não venha aqui novamente, por favor. – Disse acariciando a flor.
Agressivamente sentiu-se sendo expelido daquele local, abriu os olhos de súbito e Marion encarava-o compenetradamente.
– Porque está ai parado? Recomece a andar. – Ordenou saindo de sua frente.
– Quem era aquela garota? – Sussurrou atordoado, suas sobrancelhas em um nó.
Marion pode sentir a confusão na mente do rapaz e virou-se para ele curiosa, o que de tão especial teria acontecido para deixá-lo neste estado? Voltou até onde o garoto se encontrava e aproximou seu rosto do dele o observando com atenção.
– Você é esquisito. – Afirmou pegando o rosto do jovem entre as mãos e o virando em diversas direções para, quem sabe, encontrar algo diferente.
– O que pensa estar fazendo? – Falou Sasuke já aborrecido com a proximidade.
– Sua mente está confusa com algo, mas não consigo ler o motivo. O que está escondendo de mim? – Perguntou ameaçadora.
– Nem tudo que se passa em minha mente é relacionado a você. – Bateu em suas mãos aborrecidamente – Você é irritante.
– Ora, ora. Então já começou a ter sentimentos por mim? – Desdenhou.
– Não brinque comigo, eu posso ser bem perigoso também. – Ameaçou o moreno.
– Claro, um bichano acuado é sempre perigoso. – Provocou indo em sua direção. Seu olhar era tão intenso que fez Sasuke tremer um pouco.
– Humpf... – Suspirou virando o rosto emburrado.
– Vamos voltar a andar, ainda temos um longo caminho pela frente. – Completou.
Era impossível para o garoto não pensar na figura idêntica a Marion que havia visto quando invadira seu subconsciente. Se não eram a mesma pessoa, quem era ela afinal? Tinha vontade de voltar imediatamente para aquele belíssimo lugar e encher-lhe de perguntas, entretanto caso o fizesse agora a rosada saberia e pelo que a outra garota havia dito Marion não seria nem um pouco generosa.
– Melhor não abusar da sorte. – Pensou encarando o céu.
Continuaram a caminhada por mais algumas horas até Sasuke queixar-se da fome. A garota prontamente saiu à procura de algum pequeno animal que pudesse servir como refeição.
– Eu deveria ser venerada pela paciência que estou tendo com toda essa situação. – Comentou para si mesma, enquanto andava floresta adentro. Onde estava não podia-se ver a trilha, seria arriscado afastar-se mais, contudo, estava tão cansada da presença do outro ser que não poupou-se ao ir para o mais longe possível. Um erro.
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