Notas iniciais
Reeditei alguns trechos da fic. Dica? RELEIAM TUDO COM A MÁXIMA ATENÇÃO antes de ler este capítulo. Deixei inúmeras dicas sobre o futuro da estória. AH! Um conselho: Do prólogo basta ler o último parágrafo!!!

Aos poucos ia distanciando-se da clareira onde deixara o moreno a esperar. A densa floresta, escura e silenciosa, parecia reconhecer sua presença. Nenhum animal era visto vagando pelas redondezas, nem mesmo o canto dos pássaros era ouvido, o que fazia a caçada tornar-se irritantemente prolongada. Marion observava cautelosamente até mesmo o sútil movimento das folhas ao vento na copa das árvores que sobressaiam as outras. Subitamente a brisa cessara.

– Algo está errado. – Pensou parando de caminhar.

Galhos secos trincando foram ouvidos, a terra vibrou tão delicadamente que apenas um corpo treinado seria capaz de sentir. Um som de respiração descompassada chegou aos ouvidos da rosada. Havia alguma coisa correndo em sua direção.

Marion flexionou os joelhos colocando-se em posição de luta, os olhos atentos movidos a todas as direções. Sua atenção fora voltada para sua esquerda quando os arbustos mais próximos tremeram revelando o causador de toda tensão.

Um javali de médio porte e pelos negros surgiu correndo acuado. Sorriu quando reconheceu o animal. Finalmente poderia voltar.

– Você me fez esperar muito criatura. – Disse cortando o pescoço do animal com as pontiagudas unhas.

O animal ainda contorceu-se por alguns minutos antes de desistir da vida e ficar inerte definitivamente.

– E pensar que fiquei em alerta por tão pouco. Esse humano realmente está atordoando meus sentidos. – Pensou rumando à clareira.

Estava a meio caminho do local quando sentiu-se zonza. Caiu de joelhos na terra úmida e sentiu o peito sendo dilacerado. A dor era algo sufocante e a visão tornou-se turva. Moveu os olhos para o peito e não viu ali nenhum corte ou algo que pudesse causar tal tormento, então significava que...

– Aquele moleque! – Rosnou levantando-se – O deixo sozinho por uma hora e ele não consegue defender-se! Irei estraçalhá-lo quando isso acabar.

Tentou andar, porém seu corpo estava entorpecido, isso iria atrasá-la. Foi então como se uma luz acendesse em sua mente. Moveu rapidamente a mão direita como uma navalha em sua perna, o corte produzido não era profundo, contudo foi o suficiente para espertá-la. Sem demora expandiu suas asas e como um raio, estrondosa e reluzente, pousou a frente do moreno caído.

Seja bem vinda a nossa pequena confraternização, Marion Blanchard. – Falou um homem de cabelos negros e olhos azuis cristalinos, no extremo oposto.

– Sinto relatar, mas não sou do tipo que diz tadaima. – Debochou analisando a figura. – Não é nada confortável que saibas quem sou quando não sei seu nome.

– Oh! Que gafe. – Sorriu curvando-se cavalheiramente – Chamo-me Grimoreigh. Também conhecido como o espírito do bosque South Satan.

– Então Grimoreigh, é bom que possua uma boa explicação para que meu protegido esteja desacordado e ferido dessa forma. – Ameaçou a rosada intensificando o olhar.

– Seu protegido! – Riu divertido – Como pude ser tão indelicado? Perdoe-me, mas demoravas muito a retornar e ele me pareceu tentador. Pena que era apenas conversa. – Fingiu-se ofendido.

– Entendo... Ele é apenas um garoto mimado. – Inclinou o corpo para frente e saltou – Porém eu não.

A luta começou voraz, destemida e intensa. Marion dava fortes investidas no adversário que defendia-se como podia, pego de surpresa pela força da mulher.

– Parece assustado agora, Grimoreigh. Por acaso não estava se superestimando não é? – Elevou as sobrancelhas divertidamente.

– Não se gabe, demônio Marion. – Rosnou enraivecido.

– Sinto não poder prolongar nossa conversa, mas se o moleque perder mais sangue do que já perdeu eu serei prejudicada. Vamos acabar logo com isso.

Os golpes dela eram certeiros, os dele atingiam levemente sua pele. Se não estivesse fraca devido a Sasuke estar ferido, Marion já teria aniquilado o incomodo. Estava prestes a dar o último ataque quando em um movimento astuto, aproveitando que a rosada desviara os olhos rapidamente para checar se Sasuke estava bem, que Grimoreigh atingiu-lhe a barriga com uma adaga enfeitiçada.

– Acha realmente que isso pode me parar? – Perguntou ao mesmo tempo em que atravessava o peito do homem com as garras.

– Está tão desatenta junto a essa criança, que ao menos notou o feitiço na arma. – Lamentou – Ele é assim tão importante?

– Tenho assuntos inacabados com ele. – Sorriu aproximando os lábios do ouvido do adversário – Além do fato dele ser meu pacto.

– Pacto! – Tossiu enquanto seu corpo lentamente virava pó – Por isso a força...

– Quem o mandou aqui? Não nos atacaste por acaso.

– Desculpe, mas não possuo essa informação. Cuidado! – Alertou – Esse jovem será sua ruína.

– Obrigada por preocupar-se, entretanto eu já sabia disso. – Falou retirando a mão da ferida e vendo o corpo a frente sucumbir.

Tentou retirar a adaga do ventre, mas ao tocar o armamento suas mãos foram eletrocutadas. Utilizando de passos lentos dirigiu-se ao moreno deitado de forma desengonçada e abaixou-se o pegando nos braços e levando-o até a árvore próxima.

O encostou ao tronco e posicionou-se entre suas pernas, o que faria agora era extremamente arriscado depois de anos sem prática, principalmente estando fraca. Esticou o braço e uma luz esverdeada surgiu envolvendo as mãos, direcionou-as até os ferimentos do jovem e ali as manteve. Aos poucos a cicatrização teve inicio e não mais que dez minutos depois tudo já estava resolvido.

Sasuke abriu os olhos de supetão, encontrando-a em tempo de amparar-lhe a queda. Os olhos verdes semicerrados demonstravam o cansaço e a fragilidade da guerreira, antes sempre imponente.

– Marion! – Exclamou confuso – Ei, o que aconteceu? Fale comigo! – Gritou.

– Argh. – Resmungou – Fale baixo, tenho ouvidos sensíveis.

– Como minhas feridas estão cicatrizadas? – Perguntou sentindo o alivio de vê-la bem invadindo-lhe o peito.

– Uma herança de meus tempos juvenis. – Confessou delirante – Preciso... De sangue. – Disse para logo em seguida abocanhar o pulso do jovem.

– Então até a grande Marion possui fraquezas. – Riu acariciando-lhe os cabelos, distraidamente.

– Pare de falar. – Falou ríspida parando brevemente o que fazia – E retire logo essa porcaria de minha barriga antes que fique com uma cicatriz.

Pela primeira vez Sasuke corou. Moveu delicadamente a mão disponível pela extensão da alva pele até encontrar a adaga e a puxou com força. Marion urrou.

– Eu vou estraçalhar você da próxima vez que fizer isso. – Ameaçou.

– Claro que irá. – Debochou o moreno – Assim que terminar de sorver meus fluidos.

– Moleque, não duvide de mim. – Disse limpando os lábios sujos de sangue – Eu te trouxe comida. – Aponta para o javali morto.

– Já não era sem tempo! – Falou a deixando apoiada na árvore e indo até o animal.

Notas finais
O próximo cap. será postado somente no ano que vem! Obrigada por esperarem meus Nekoos :*