Marion Blanchard.
8 Fraqueza
Notas iniciais

A viajem silenciosa parecia ainda mais monótona naquela densa floresta. Já fazia dois dias que o incidente com Grimoreigh ocorrera e mais nenhum empecilho fora encontrado. Marion havia se fechado ainda mais em seu casulo, não falava mais que o necessário. Estava totalmente incomodada com a breve conversa que teve com seu adversário dias antes. Será mesmo que ela sabia que aquele garoto seria sua ruína? Precisava urgentemente encontrar-se com o misterioso amigo que ajudaria, não somente Sasuke, mas como ela também.
– Como se chama esse seu tal amigo? – Indagou o moreno.
– Jiraya. – Respondeu fazendo uma breve face de desgosto.
– Ele... Tem poderes como os seus? – Continuou sem importar-se de levar um fora.
– Não exatamente. Desistiu de quase tudo por uma humana. – Revelou – Tsc, tolo! Humanos estão sempre causando problemas.
– Você deve ter tido bastantes problemas com humanos, não encontro outro motivo para tamanha repulsa. – Argumentou Sasuke, esperando outra revelação.
– Você não irá calar a boca até que saiba tudo sobre mim não é? – Perguntou arisca.
– Exatamente! – Respondeu sorrindo de lado, confiante.
– Então acho que sua boca secará. – Afirmou encerrando a conversa.
– Qual o seu problema comigo? Quando estava ferida na clareira parecia até outra pessoa! Até deixou que eu a toca-se!
– Eu estava atordoada, fazia anos que não usava o poder de cura. Não se sinta especial por ter acariciado meus cabelos. Se soubesse quem já passou as mãos nele molharia as calças. – Soltou um riso de escárnio.
– Acha que sou tão covarde assim? Pois bem, me enfrente e te mostrarei o quão forte sou! – Desafiou orgulhosamente.
– Irá calar a boca caso eu faça isso? – Olhou de soslaio para trás.
– Sim, mas caso eu vença irá me contar mais sobre seu misterioso passado.
– E no fim tudo não passou de um plano bobo para me arrancar alguma história. – Ri.
– A grande Marion Blanchard está com receio? – Debochou.
Como que despertando de um transe, Marion virou-se em direção a Sasuke e lhe lançou um monstruoso sorriso de desdém. Colocou-se em posição de ataque e falou:
– Você sabe como provocar pirralho.
– Tu não tens noção. – Disse enquanto colocava a mochila no chão – Cumprirá com o acordo quando terminarmos, não é?
– Não me lembro de ter concordado com nada.
E após proferir tais palavras, avançou como uma loba desferindo golpes precisos, porém sem muita força, parecia mais estar divertindo-se.
– Pretende me vencer dessa forma? Talvez eu não devesse ter lhe dado tanta atenção afinal. – Provocou a garota.
– Não me sobestime baixinha. – Retrucou totalmente focado na luta.
– Do que me chamou? – Olhou-lhe aturdia – Ora seu pivete, irei te ensinar bons modos! – Rugiu indo ao ataque mais uma vez.
– Ha ha, quer dizer que a grande Blanchard não gosta de ter sua altura mencionada? Mas veja só! – Riu debochado – B-A-I-X-I-N-H-A.
– Moleque, você realmente me tirou do sério. – Falou parando de atacar e concentrando certa quantidade de energia nas mãos – Eu vou esmagar seu sorriso.
Saltou, alto o suficiente para que a claridade do sol ocultasse sua silhueta, direcionando um soco na direção do moreno a frente que por milésimos de segundos conseguiu desviar-se.
– Ei, ei! Não era necessário tanto! – Olhou assustado as rachaduras na terra e árvores devido o impacto.
– Não desvie a atenção da luta. – Sussurrou aparecendo em sua frente e o prensando numa rocha solta do paredão de pedras que levava a parte inferior da floresta – Te venci.
– Acho que esqueceu de conferir se eu não possuía nenhuma arma escondida. – Falou tirando do cós da calça uma adaga e a levando em direção ao rosto da garota.
Como reflexo, Marion acabou girando o corpo para desviar do golpe, no entanto Sasuke não acompanhou o movimento e desequilibrou-se. Teria caído pelo paredão se a rosada em mais um movimento astuto não o tivesse puxado pela camisa. Só não contavam com o galho pesado de sequoia que ali estava os fazendo ir ao chão.
– Vamos! Saia de cima de mim. – Disse a jovem guerreira de forma autoritária.
– Desculpe-me, não havia notado que algo tão pequeno estava aqui. – Brincou.
– Ora seu... – Parou pensando em algo para xingar-lhe – Bobo! – Falou vermelha de raiva.
– Bobo? – Gargalhou – É o melhor que consegue? Não esperava isso de você, parece mais uma criança birrenta. – Falou ainda por cima da garota apoiando-se nos braços para lhe olhar.
– Hunf. – Resmungou virando a face corada pela vergonha de não ter pensado em nada melhor.
– Oe, Oe! – Admirou-se quando notou o que acontecia – Você fica realmente fofa quando envergonhada. – Afirmou dando um sorriso lateral.
Estava prestes a se levantar quando olhou mais para baixo e viu os seios da rosada cobertos apenas pelas faixas. Na última batalha a blusa da guerreira havia sido transformada em ataduras para ele e agora ela andava, sem nenhuma vergonha, com os seios expostos daquela forma. Sentiu a face queimar e certa parte de seu corpo despertar. O que não passou despercebido pela garota.
Marion lhe encarou agora com o semblante debochado. Ergueu o corpo apenas o suficiente para apoiar-se aos cotovelos e olhou dentro do abismo negro do moreno a frente. Como se nunca tivesse sido vista envergonhada, passou a língua pelo lábio superior e sussurrou:
– Está realmente gostando do que vê, garoto? – Riu sedutora.
Saindo do transe e percebendo o que acontecia, o garoto sentou-se de frente para a mulher e virou a face totalmente enrubescida tentando controlar a respiração ofegante. Marion engatinhou lentamente até parar entre suas pernas e dirigiu-se ao seu ouvido.
– Você fica realmente fofo quando envergonhado. – Afirmou para logo em seguida dar uma suave mordida em seu lóbulo da orelha – Vamos, pela manhã chegaremos a nosso destino. – Disse satisfeita por descobrir o ponto fraco dele.
Sasuke ainda demorou alguns minutos antes de levantar-se e acelerar o passo para alcançar à rosada. Seu corpo estava pegando fogo, suas pupilas dilatadas e seu amiguinho não dava sinais de que pararia de latejar nem tão cedo. Sua cabeça estava com um turbilhão de pensamentos e nenhum deles era de cunho casto.
Ao alcançar a companheira de viagem não lhe olhou nenhuma vez, o que fez Marion rir zombeteiramente. Estava quase escurecendo quando decidiram montar acampamento.
– Ainda tenho forças para andar, podemos continuar. – Afirmou Sasuke
– Descanse por hoje, aposto que viveu fortes emoções. – Gargalhou provocativa.
– Não sei se gosto dessa nova Marion. – Sussurrou largando a mochila e preparando o espaço para a fogueira.
– Acostume-se a ela. – Aproxima-se e sussurra em seu ouvido – Agora que sei o quão divertido é te tentar não irei parar.
– Qual o motivo para tudo isso? – Perguntou ofegante, fechando os olhos.
– Considere uma forma de punição por ter me chamado de baixinha. Agora fique bem quietinho enquanto vou me banhar na cachoeira aqui perto. – Disse o provocando com o olhar.
Estava perplexo diante de toda aquela mudança repentina, pelo visto a convivência a partir daquele momento seria bastante conturbada. Permanecia perdido em pensamentos até começar a imaginar o corpo da rosada sendo refletido pela luz da lua na água gélida.
– Preciso de um banho gelado. – De repente sentiu algo em suas calças, olhou frustrado para baixo e resmungou irritado – Um pouco de colaboração não seria de todo mal!
Fale com o autor