Marion Blanchard.
5 Memórias
Notas iniciais

Pássaros cantavam suavemente melodias primaveris, veados e alces pastavam tranquilos e os pequenos roedores passavam afobados de um canto a outro com pequenas nozes ou sementes. No meio disso tudo, de pé na grande clareira florida, estava ela: Marion. Sua tez acetinada e pálida contrastava com a negritude da roupa provocante. Seus olhos permaneciam fechados, a respiração era calma e compassada.
Após alguns minutos para acostumar-se ao ar terrestre, Marion expandiu suas asas rajadas de sangue e inclinou os joelhos para impulsionar-se, porém quando estava prestes a alçar voo, acabou atingida por uma flecha dourada no abdômen, seus olhos direcionaram-se para o objeto e um sorriso sarcástico formou-se em seus lábios.
Dirigindo seu olhar para o local de onde a flecha havia vindo, viu ali uma milhar de guerreiros alados armados com arcos, espadas, lanças e maças.
– Ora, ora! Uma comitiva de boas vindas? – Perguntou animada – Ah, por favor! Acho que deixou cair seu brinquedo – Falou enquanto arrancava com total brutalidade a flecha de sua barriga – Não se preocupe, posso devolver-lhe.
Como em um piscar de olhos, apareceu à frente do terceiro anjo da fileira mais próxima e usando somente a ponta da pequena arma decapitou-o, sujando-se completamente com o sangue que jorrara da ferida.
– Acho que usei força demais. – Disse enquanto limpava-se.
– Marion Blanchard! Como ousa matar um de meus guerreiros? – Perguntou o General, vestia ele uma couraça acobreada diferente da dos demais que possuíam um tom opaco de cinza.
– Deveria me arrepender agora? Perdão, estou um tanto irritada, sabe como é... Fiz uma longa viagem, então ao menos ensine bons modos a suas crianças. – Disse fazendo face de reprovação – Por que não aparece no inferno para tomarmos um chá qualquer dia desses? O Diabo e eu adoraríamos sua calorosa presença General. – Questionou debochada.
– Não seja cínica, ataquem! – Ordenou furioso.
Em seguida dezenas de flechas caíram sobre a rosada, centenas de lanças e anjos obedientes vieram logo atrás, acobertados pela chuva dourada. Usando apenas as asas como escudo, Marion bloqueou todos os ataques. Entretanto um anjo audacioso veio por baixo e conseguiu rasgar sua barriga com a maça.
– Sabia que isso dói? – Falou apontando o ferimento e olhando o atrevido – Morra. – Sussurrou ficando com os olhos em um tom obscuro de verde.
O anjo começou a contorcer-se como um invertebrado e poucos segundo depois explodiu, devido tamanha pressão exercida pela guerreira, em um feixe de luz, deixando apenas como rastro uma poeira cintilante e perfumada.
– Ofereço-lhe minha hospitalidade, minha cordialidade e é assim que me agradeces? Gostaria muito de poder permanecer mais um pouco, porém já deixei isso ir longe demais. A brincadeira acabou. – Rugiu indo como um tigre para o ataque.
Quanto mais os derrubava mais anjos surgiam. Parecia algo interminável, principalmente estando desarmada e sangrando. Estava realmente fraca devido a viagem que fizera e sua essência, o poder que mantém os celestiais e infernais vivos, estava quase esgotando-se, o suor começou a tornasse visível em sua face.
– Droga, vocês são mais persistentes que o Satanás! Ao menos me ofereçam uma arma. – Riu perversa.
– Não parem! – Gritava o General – Ataquem-na! Não esqueçam nosso objetivo.
– Bando de abelhas inúteis. – Cuspiu – Por que não mandam a “Rainha” vir acabar comigo? Estou ficando cansada dessa perca de tempo. – Falou enquanto arrancava o arco e uma flecha das mãos do oponente. Só não contava com o braço e a metade de uma asa que vieram junto. – Hunf, tão frágeis! General, não deverias mandar bebês para a morte. – Mirou o amontoado de anjos.
– Rápido, protejam-se! – Gritou o chefe arregalando os olhos castanhos.
Tarde demais. Usando apenas uma única flecha, Marion foi capaz de derrubar a centena de anjos restantes. Delicadamente largou o armamento e preparou-se para ir embora, todavia ao virar-se sentiu uma lufada de ar no peito.
Devido aos ágeis reflexos conseguiu segurar-se ao General, o sobrevivente e agressor, e partiu em queda livre em direção ao grande campo florido abaixo. O impacto causado destruiu completamente a clareira, restando apenas uma gigantesca cratera. Tentou posteriormente alçar voo, no entanto suas asas estavam travadas.
– O que fez a mim maldito? – Berrou já com com a pele de sua testa e bochecha rachadas, sua expressão era completamente sombria.
– Lancei-lhe um feitiço demônio. Você não será capaz de usar seus poderes! – Riu para em seguida cuspir sangue.
– Não importa, ainda posso seguir mesmo assim. Você falhou.
– Em instantes tropas de humanos chegaram aqui para capturar-lhe.
– Como? – Andou até o guerreiro o olhando confusa.
– Todos esses anjos já sabiam de suas mortes, nós apenas fomos um empecilho.
– Cale a boca miserável, ainda sim matarei todos e beberei até a última gota de seus sangues impuros.
– Tenho pena de você, Haruno Sakura.
A garota direcionou-lhe um olhar furioso e arrancou-lhe a cabeça.
– Já disse para não me chamarem por este nome, qual o seu problema?
Ao tentar sair daquele ambiente empoeirado e perfumado de morte, Marion acabou caindo como um cadáver ao chão.
– Merda! Não consigo mexer-me. Aquele verme, argh! – Gritou enraivecida.
– Por aqui homens, ali está ela! – Gritou um soldado humano a frente da infantaria.
– Rápido, tragam as correntes enfeitiçadas – Ordenou outro, pela armadura estava claro ser o comandante. Rapidamente três soldados as trouxeram.
– Aqui está senhor. – Disse um.
– Prendam-na, pelo visto aquele celeste falou mesmo a verdade. Ela já deve estar enfeitiçada.
Marion apenas permanecia parada, observando. Nas condições em que estava não poderia fazer nada, era deprimente, no entanto a melhor opção até recuperar as forças.
– Nunca mais você verá a luz do dia em liberdade, demônio. Com muito custo descobrimos quem comandava as hordas de sugadores que vinham à noite e roubavam as almas de nossas crianças.
– E o que pretendem fazer comigo? Já devem ter notado que não morro por armas mortais. – Disse encarando o céu azul, em nenhum momento direcionou a vista para os presentes.
– Sabemos disso. – Disse atordoado pela voz da mulher – Mas até que achemos um método, você será aprisionada.
– Rezem para que eu nunca me liberte, porque se eu o fizer comerei até o último de vocês. – Disse e lhes lançou um olhar assassino.
Todos pararam o que faziam de imediato, era como se os ossos de seus corpos houvessem congelado, o pânico era notável.
Marion abriu os olhos de ímpeto. Estava de volta à entrada da gruta, ainda era noite e Sasuke dormia tranquilamente. No final das contas tudo não passou de um sonho sobre algo que vivera há muitos anos.
Levantou-se ao ouvir suaves ruídos vindo da floresta à frente. Silenciosa e traiçoeira como uma serpente caminhou até o centro do barulho. Sorrateiramente saltou para o ataque, em um bote certeiro ao pequeno demônio de aparência infantil.
– O que quer youkai? – Perguntou pressionando suas unhas no pescoço do pequeno.
– Por favor! Deixe-me sair. – Gritou lacrimejando – Por favor, senhora!
– O que queria aqui? – Olha-o séria – Responda!
– E-eu senti cheiro humano... Fiquei com fome! – Gaguejou chorando – Perdão, eu não sabia que ele já possuía dona.
– Vá embora. – Solta o pequeno demônio que começou a correr.
Porém antes mesmo de conseguir dar o sexto passo o pequeno explodiu em um feixe de luz. Marion abaixou a mão delicadamente e virou-se para ir embora.
– Nunca confie em um demônio. – Disse voltando para a caverna – Isso vale para você também garoto. – Falou passando por Sasuke que havia visto tudo.
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