Notas iniciais
Yo, nekos! Gomem pela demora eterna, toda vez que eu digo que quero fazer algo quinzenal acontece uma penca de problemas que me atrasam uma vida! Ah! Fiquem atentos! Há um montão de spoilers distribuídos pelo capítulo. Boa leitura, nekos!

Era um cenário calmo, aconchegante. O clima agradável e ameno contrastava com o turbulento que se abateu sobre a Terra. Ao fundo, quase inaudível, podia-se perceber o som de pequenos e delicados sinos. Ali, no centro da vasta planície – rodeada por uma floresta de plantas incomuns – encontrava-se uma gigantesca edificação muito semelhante ao estilo grego, sem muros externos deixando assim que os jardins majestosos revelassem toda a delicadeza do ambiente.

Dentro, logo na entrada, havia um imenso salão circular quase vazio – apenas com uma graciosa fonte ornamentada com a estátua de um guerreiro celeste – que abria espaço para outros oito corredores compridos, além, claro, das colossais janelas intercaladas com os vitrais de tons azul, dourado, verde e branco, iluminando completamente o ambiente. Um piso de mármore branco gelo seguia por toda a extensão da construção, completamente desenhado de linhas finas e douradas, aparentemente sem formar um desenho óbvio.

E era exatamente pelo corredor central que a misteriosa figura seguia confiante. Seus passos precisos e constantes fazia o tinir da bota, do metal entrando em contato com o piso, ecoar pelo recinto. Após findar sua passagem pelo extenso vão, adentrou em outro muito semelhante, embora a parede do lado esquerdo chegasse apenas à metade de sua altura e o restante fosse ocupado pelo vazio e, em alguns momentos, por colunas arredondadas de sustentação.

Olhando dali, mais abaixo, havia um extenso pátio de treinamento e o brandir das armas e urros podiam ser ouvidos. Alheia – ou talvez somente acostumada àquilo – a figura continuou sua caminhada até estancar em frente a uma grande porta de mogno entalhada com inúmeras cenas de batalhas ancestrais. Deu duas batidas recatadas e aguardou o comando para que pudesse adentrar. Assim o fez.

– Senhor. – Cumprimentou de forma respeitosa, ajoelhando-se.

– Olá, criança. – Sorriu de forma acolhedora, mesmo mantendo-se virado para a extensa estante de livros – Então, como vai sua busca?

– É sobre ela o motivo de minha vinda aqui. – Revelou levantando-se – Gostaria de permissão para ir pessoalmente até um determinado local.

– Isso me parece muito perigoso. – Respondeu, virando-se totalmente para observar a figura – Não posso deixar um de meus melhores anjos sair assim. Explique-se melhor.

– Meus subordinados não puderam encontrar o que lhes foi ordenado, dessa forma, só me resta recorrer a um único ser para tal informação. Mas... Ele não revela seu conhecimento a qualquer um, se quero algo, devo ir buscá-lo pessoalmente. – Falou confiante.

– Isso é arriscado, a Terra é um território delicado, embora neutro. Ao contrário do que pensas, nós não podemos ver claramente o que acontece por lá devido a essa instabilidade. Se você sofrer algum ataque sabe no que isso implica, não é?

– Sim, tenho plena noção das consequências. Por favor, Soberano Miguel, permita-me ir! – Implorou deixando a aflição tomar sua face por breves segundos.

– Tenho inúmeros motivos para negar tal pedido, mas confio em você Comandante. Está bem. – Afirmou vendo a expressão de alívio do anjo.

– Peço a benção, irmão. – Curvou-se enquanto esbanjava seu melhor sorriso.

– Vá e leve a sabedoria do Pai com você. – Sorriu vendo o anjo retirar-se do local.

Quando a porta fora fechada por completo moveu os olhos para os delicados afrescos no teto e suspirou pesadamente. – Perdoe-me por esconder a verdade e deixar que vá tão longe, pequeno anjo. –Sussurrou para logo em seguida iniciar uma prece pedindo perdão por seus atos.

Ainda no corredor, direcionando-se para seu escritório, o anjo exibia um sorriso satisfeito. Estava tão feliz que poderia, a qualquer momento, rodopiar e cantar alguma melodia, entretanto, conteve-se e apenas continuou seu caminho.

– Isso é pelos seus dias de glória, sensei. – Sussurrou fechando os olhos e esbanjando um contagiante sorriso.

. . .

A tempestade que se iniciou pela manhã ainda perdurou até a noite, o que fez com que a dupla de garotos permanece dentro da casa. O que não era nem um pouco agradável para Marion, que perdeu as contas de quantas vezes socou Naruto quando ele tentava abraçá-la ainda empolgado com a demonstração de poder de mais cedo, ou somente quando aumentava o tom de voz.

Contudo, nesse exato momento a casa encontrava-se em um silêncio quase sepulcral. Marion havia saído para ir até a cachoeira meditar, Naruto se preparava para dormir – já que Jiraya havia prometido um exaustivo treino para o dia seguinte – e Sasuke parecia absorto em seus pensamentos, sentado na rede da varanda. Devido a isso, não percebeu a aproximação do grisalho. Agora não mais chovia, embora o vento gélido e algumas teimosas gotas ainda pingassem do beiral do telhado e das árvores a margem.

– Ainda acordado? – Questionou de forma amigável, sentando-se na rústica cadeira de balanço.

– Tenho pensado muito esses dias. Sabe, em como me tornar mais forte… – Resmungou suspirando derrotado.

– Pensei que tivesse encontrado o caminho quando cruzou com nossa pequena garota. – Riu da piada feita.

– Você deve ser no mínimo imortal para não ter medo de falar dessa forma sobre ela. – Sorriu. Resolveu então aproveitar a deixa e resolveu tocar em um assunto que há um tempo detinha sua atenção – Jiraya… No dia que chegamos aqui Marion me falou que você não possui coração. O que ela quis dizer com isso?

– Exatamente o que disse. Deixe-me explicar uma coisa, Sasuke. Entre os seres místicos também existe hierarquia. Quanto mais evoluído for, menos semelhanças com as características humanas ele possui.

– Então, aquela centopeia que nos atacou era de uma... Classe avançada? – Perguntou confuso.

– Não. – Riu divertido – As características as quais me referia seria a presença de coração, alma...

– Quer me dizer que você...

Não esperou que o garoto completasse a frase e o interrompeu. – Eu sou uma divindade, o que vocês chamariam de Deus protetor, embora eu recuse esse termo já que estou muito abaixo do próprio Deus e dos arcanjos. Eu só serei útil aos humanos enquanto eles desejarem que eu o seja, diferentemente dos anjos e do grande Criador.

– Está me dizendo que a partir do momento que os humanos perderem a fé em você, você… Morrerá?

– Oh, não! Eu fui criado muito antes dos mortais terem a necessidade de proteção. O que quero dizer é: Se eles não acreditam nos meus poderes, eu sou rejeitado pelo local.

– Que tipo, exatamente, de poderes você possui? – Perguntou realmente interessado no assunto.

– Sou o protetor da terra. Sou o responsável pelo bom aproveitamento das colheitas, do controle das guerras... Alguns até me fazem preces sobre matrimônio! Tudo que esteja relacionado ao meio deste plano espiritual é de minha responsabilidade. – Afirmou erguendo a mão direita e fazendo um pequeno broto nascer no canteiro de flores encostado a parede.

– Isso é fascinante! – Olhou admirado para a minúscula planta, frágil, balançando com o vento.

– Entenda, eu posso restaurar, criar, proteger e destruir o que me for de interesse, mas isso trará consequências. – Falou direcionando os olhos para frente, fazendo Sasuke fazer o mesmo. Uma árvore antiga, situada quase a margem, agora tinha suas folhas ressecadas e morria lentamente. – Não pense que é algo agradável, pelo menos não todo o tempo. – Sorriu olhando para o céu – É uma troca. Para criar a vida é preciso oferecer outra em seu lugar, só assim o equilíbrio poderá permanecer.

– Afinal, quantos anos você tem? – Indagou curioso.

– Quantos deseja que eu tenha? – Brincou – Sou imortal, como pensou, mas isso não significa que eu não possa ser morto.

– Hn? – Olhou-lhe completamente confuso.

– Ser imortal apenas quer dizer que o tempo não afeta sua vitalidade, mas isso não impede que você seja morto por uma criatura. – Suspirou cansado – Eu gostaria que Marion entendesse isso... – Sussurrou pesaroso.

– Nesse tempo todo, sempre esteve sozinho? – Arriscou.

– Oh, não. Marion me fez companhia por um longo período. – Fez uma careta lembrando-se da época – Acredite, ela não é nada comparado ao que era antes. O tempo realmente faz milagres…

– É difícil acreditar nisso. Mas o que eu quis perguntar é… Você nunca se apaixonou?

– Paixão… Sim, eu tive uma. – Fechou os olhos sentindo a brisa – Mas ela já não mais existe.

– Sinto muito. – Disse entristecido, arrependido de ter tocado no assunto.

– Não sinta. A existência dela foi a coisa mais bela que pude presenciar em toda minha vida. Nunca existirá outra, seu rosto estará para sempre intocado em minha memória.

– Sinto inveja de você. – Comentou suspirando derrotado.

– Quando você for capaz de compreender o tempo não sentirá mais isso. – Falou calmo fazendo Sasuke ficar confuso com o real significado daquilo.

O silêncio predominou por um curto período, até Jiraya voltar-se para o moreno:

– Eu farei algo por você, Sasuke. – Revelou.

– O que quer dizer?

– Existe uma determinada criatura capaz de ajudá-lo profundamente com sua busca.

– Oh! Me conte, por favor, onde posso encontrá-la! – Pediu afobado.

– Tenha paciência. Não será fácil chegar até ele e não me refiro a dificuldade para encontrá-lo, mas sim ao fato de que Marion nunca permitiria que você fosse.

– O que quer dizer com isso? Por favor, eu farei qualquer coisa!

– Acredito que tenha visto a catedral situada ao centro do vilarejo… – Esperou a confirmação do mais jovem.

– Sim! – Sorriu animado.

– Ali, na biblioteca aos fundos do corredor lateral, reside uma criatura mística que detém o poder da sabedoria. Seu nome é Dorank. – Falou fazendo uma careta, provavelmente lembrando-se de um fato específico.

– Se é tão perto assim, por que não me disse antes? – Questionou confuso.

– Acredite, não é fácil conseguir algo dele. Precisei observar muito você para decidir se é digno ou não de tal conhecimento. Dorank pode ver a essência de tudo que seus olhos tocam, se você tiver más intenções não receberá nada que irá ser útil. Mas, caso ele o aprove, terá algo realmente precioso em mãos. Basta dizer que está ali em meu nome... Mas, claro que seu maior problema será Marion.

– Ora essa! E por que ela nunca me deixaria ir até lá, sendo tão perto?

– Você não está pensando com clareza. – Respondeu levantando-se e suspirando – Amanhã utilize a ida até o vilarejo por causa dos suprimentos e aproveite a chance. Pense muito bem em como fará, Marion nunca pode saber que soube disso através de mim.

– Muito obrigado, Jiraya! – Sorriu vitorioso, sabia exatamente o que fazer.

Notas finais
Espero que tenham gostado e me desculpem mais uma vez pela demora! O capítulo estava curto, mas o próximo já está finalizado e promete! O próximo sairá no máximo até sexta (estou finalizando as provas na faculdade). Criticas, sugestões, declarações de amor ou ódio... Comentem, por favor!