Margaret
5 Se o amor estiver em apuros
Notas iniciais
Ji-na dirigiu por mais algum tempo entre os vários prédios do condomínio até que, enfim, parou em uma vaga ao lado de um deles.
— Ok, vamos repassar.
— É uma festa privada do Bangtan, ou seja, fora do radar da mídia. Então, nada de vídeos ou fotos.
— Isso.
— Não precisa se preocupar. Assinei um contrato de confidencialidade. Já sei como funciona.
— Ótimo. A privacidade é uma das coisas mais importantes quando se trata deles. Isso mantém tabloides e sasaengs longe.
— E permite que eles tenham uma vida.
Ela sorriu de lado.
— Está se saindo muito bem, Danni.
— Uma pergunta. É uma festa privada, aparentemente mais intimista, o que me leva a acreditar que seja apenas para as pessoas mais próximas. E, com certeza isso não inclui a equipe de trabalho, então por que estamos aqui?
— É, você está certa, não inclui. Isso significa que estou aqui como amiga do Bangtan e você é minha convidada. Então, já é quase amiga deles.
— Quase?
— Uma amizade requer confiança. Essa confiança você vai ter que construir com eles sozinha.
— Eu não sei se deveria estar aqui.
— Pense nesta noite como uma oportunidade. Vai ser bem mais fácil entender o mundo deles assim, e isso vai facilitar o seu trabalho.
— Certo, tudo bem.
Respirei fundo.
— Ei, só se lembre do que eu disse: relaxe e seja você mesma.
Assenti com a cabeça e saímos do carro.
Eu realmente precisava relaxar se quisesse continuar sendo uma companhia agradável. Então, apesar de não saber exatamente quem era naquele momento, decidi que tentaria ser a melhor pessoa possível.
Caminhamos até o elevador e minha chefe apertou o botão da cobertura.
— Ah, esta é a casa do Suga, antes que eu me esqueça.
— Suga... — tentei me lembrar de qual dos sete integrantes ele era.
O que tinha três nomes.
— Suga, Agust D, Min Yoongi. Ele faz parte da rap line e também é produtor e compositor. Pode chamá-lo como se sentir mais confortável.
As portas do elevador se abriram, revelando o maior apartamento que eu já havia visto. O andar inteiro pertencia a ele e incluía uma enorme sacada.
Eu tinha acertado: era uma festa apenas para amigos. Por isso, não estava tão cheia, e as pessoas se espalhavam por todo o local.
O apartamento era quase todo decorado em preto e cinza, com exceção de alguns móveis de madeira envernizada. As janelas eram gigantescas e faziam o espaço parecer ainda maior.
Meus olhos se perderam na grandiosidade daquele lugar.
— Vamos até a sacada. Você vai adorar a vista para o Rio Han.
Segui Ji-na até lá, desviando de algumas pessoas.
— Uau.
Ela estava certa. A vista era esplêndida.
— É a segunda vez que venho aqui e ainda não me acostumei. É incrível.
— Tem como se acostumar?
Ficamos ali por algum tempo, admirando a vista num silêncio muito confortável.
De vez em quando, algumas pessoas se aproximavam para cumprimentar Ji-na. Todas as vezes, ela me apresentava como amiga, evitando que eu me sentisse deslocada ou ficasse quieta demais.
Eu vestia o meu melhor sorriso naquela noite, mesmo estando fora da minha zona de conforto.
— Ji-na! — Uma voz chamou a nossa atenção depois de algum tempo.
Demorei um pouco para me virar, imaginando que fosse apenas mais um amigo da coreana.
Um rapaz alto, de cabelos pretos que caíam sobre os olhos, aproximou-se. Ele parecia muito sofisticado. Usava uma calça de alfaiataria marrom e uma camisa branca.
Pensei, por um momento, se minha escolha apressada de roupa havia sido a mais adequada.
— Tae! — A coreana abriu um sorriso enorme ao vê-lo.
Ele a abraçou por alguns instantes.
Era V. Kim Taehyung. O homem eleito o mais bonito do mundo.
— Esta é minha amiga Danielle. Ela começa na equipe de audiovisual segunda-feira.
— Olá, é um prazer conhecê-lo. — disse, curvando-me em respeito e esperando sua resposta para poder me endireitar.
Talvez relaxar não fosse comigo.
— Não precisa dessa formalidade toda.
Me endireitei, aliviada ao ouvir aquilo.
— Se é amiga da Ji-na, então é minha amiga também. — acrescentou, com um sorriso gentil.
Ele realmente fazia jus ao título. Tudo o que consegui fazer foi sorrir de volta.
— Posso te roubar por alguns minutos? — perguntou Taehyung a Ji-na.
— Danni, eu já volto. Por que não pega alguma coisa para beber?
— Claro, não se preocupe comigo. — respondi, tentando parecer mais confiante.
Não era justo que ela ficasse presa a mim durante a festa inteira.
— O bar é ali. Pode pegar o que quiser. — acrescentou Taehyung antes de sair com Ji-na.
— É, acho que ela é mesmo muito amiga deles. — murmurei para mim mesma.
Meus olhos, então, percorreram o espaço mais uma vez, e fui encontrando os membros, um de cada vez.
J-Hope e Jimin estavam juntos, conversando com um pequeno grupo à direita da sala. Namjoon estava sentado no grande sofá branco, falando de forma animada com um amigo. Jin estava próximo à sacada com uma garota, e eu ainda não havia encontrado Suga.
Minha chefe estava certa. Eles pareciam bem mais humanos e comuns daquele jeito. Não havia nenhuma pressão para que se comportassem como Idols. Ali, eram apenas eles mesmos. Ninguém esperava nada deles.
Imaginei que aquilo fosse um alívio, de certa forma.
Estava prestes a me virar para admirar novamente a vista para o Rio Han quando percebi um par de olhos fixos em mim.
Camisa larga preta, calça da mesma cor, cabelos negros um tanto rebeldes e ligeiramente compridos. Uma fileira de brincos, piercings e tatuagens no braço direito.
Jung Kook tinha uma cerveja na mão e estava rodeado por alguns amigos, mas seus olhos permaneciam em mim.
Por um momento, quis desviar o olhar para amenizar aquela situação constrangedora, mas não consegui. Fui capturada pelas estrelas em seus olhos, que pareciam ser sua característica mais arrebatadora, como se a própria beleza dele já não fosse suficiente.
Eu me perdi ali.
Foi então que percebi que estava com problemas.
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