Margaret
6 Min Yoongi nas horas vagas
Notas iniciais
Não sei dizer quanto tempo ficamos ali, com os olhares cravados um no outro.
Por um momento, pareceram horas de uma conexão inexplicável ou segundos no interior de uma galáxia, mas fomos puxados de volta à realidade quando um de seus amigos chamou sua atenção, fazendo-o virar o rosto.
Eu também me virei para o outro lado, num reflexo envergonhado, soltando o ar que nem havia percebido que prendia.
Era estranho.
O que diabos tinha sido aquilo?
Chacoalhei a cabeça, tentando espantar os últimos segundos da minha mente. Não podia nem mensurar o quão perigoso seria continuar com aquilo nos meus pensamentos.
Caminhei, então, até o bar com o intuito de me distrair, mas meu olhar perdido logo entregou que eu não fazia ideia do que beber. Espantei-me com a quantidade de whisky que havia ali, e ficou claro que tudo parecia forte demais para mim.
Suspirei, frustrada.
Tanto whisky, nenhuma latinha de energético.
— Você eu não conheço.
Uma voz surgiu à minha direita, dando-me um leve susto.
Seus cabelos eram longos o suficiente para cobrir parte do pescoço. A pele branca, quase transparente, contrastava com a roupa preta da cabeça aos pés e com o brinco em uma das orelhas.
— Veio com a Ji-na, não é? Vi vocês na entrada.
— Danielle. — Assenti com a cabeça, apresentando-me.
— Suga... Min Yoongi nas horas vagas.
— Eu sei. É um prazer conhecê-lo. — Sorri levemente.
Apesar de Ji-na ter me dito para chamá-lo da forma que me deixasse mais confortável, não sabia se, naquele momento, usar Min Yoongi seria forçar uma intimidade que eu não tinha. Também não estava confiante no meu coreano o suficiente para usar todos os honoríficos corretamente.
Era nesses momentos que eu me lembrava de que era uma estrangeira, praticamente um peixe fora d'água.
— Então, o que você bebe? — Ele foi para trás da bancada do bar, ficando de frente para mim, curioso pela minha resposta.
— Hum... — Olhei para todas aquelas bebidas, perdida novamente.
Eu não queria rejeitar sua boa vontade, mas também não queria correr o risco de beber algo forte demais e acabar bêbada ali.
— Não bebe? — Ele levantou uma das sobrancelhas.
— Na verdade, a única coisa que consegui beber na minha vida foi champanhe, e eu nem me lembro do teor alcoólico — respondi, sincera.
Suga sorriu de lado, como se tivesse apreciado minha sinceridade.
— Certo, vem comigo.
Mandou mais do que pediu antes de pegar uma garrafa.
Saímos do bar em direção à cozinha. Ele pegou um copo um pouco maior do que os que os outros estavam usando, um pote de morangos, Sprite e duas bebidas que pareciam versões um pouco maiores de Yakult, colocando tudo sobre a ilha.
Eu não fazia ideia do que ele estava fazendo. Apenas acompanhei sua habilidade com as bebidas; parecia saber exatamente qual quantidade utilizar apenas olhando.
Suga colocou três morangos no copo e os amassou. Em seguida, acrescentou uma dose de soju de morango, Sprite e as duas bebidas fermentadas. Misturou tudo muito bem com gelo.
Olhei para ele, apreensiva.
— Pode beber, senhorita champanhe. Garanto que é seguro.
Respirei fundo, peguei o copo e tomei um gole.
O álcool estava ali, descendo e queimando levemente a minha garganta, mas o gosto era doce e não parecia tão forte. O sabor do morango, com certeza, fez com que eu quisesse mais.
— Isso é muito bom!
Ele pareceu satisfeito, e qualquer apreensão que houvesse desapareceu naquele instante.
— Uma dica: se você quer se aventurar com álcool, mas tem dificuldade, comece assim. Drinks, coquetéis...
— Até chegar ao nível supremo — completei, apontando para o bar.
— Exatamente.
— Obrigada pelo drink, Suga. — Bebi mais um gole.
— Fiquei sabendo que você é nova por aqui. Vai trabalhar em que área?
— Audiovisual. Entrei como assistente de conteúdo digital e produção audiovisual.
— Focando no show em Busan, imagino.
— Por agora, sim. Busan é a prioridade.
— Ji-na vai ser sua chefe?
Assenti.
— Agora faz sentido ela ter trazido você. Vai facilitar o seu trabalho e o dela.
— Ela tem sido extremamente gentil comigo. Nunca trabalhei com ninguém assim. Ela tem uma... uma...
— Energia diferente — completou.
— É. Uma energia radiante.
— Ela contagia todo mundo ao redor, mas é completamente diferente de mim. Da minha energia.
— Da minha também. Meus níveis de energia são extremamente baixos comparados aos dela.
— É, acho que temos uma coisa em comum, Danielle.
Ele se serviu de uma dose de whisky.
— Você chega lá.
Ergueu o copo na minha direção. Prontamente, ergui o meu também, e brindamos.
— Vai me ensinar a beber, produtor Suga?
— Se você quiser. — Ele sorriu de lado. — E pode me chamar de Yoongi, se quiser.
Abri um sorriso.
Eu estava completamente confortável. De alguma maneira estranha, parecia que conversava com um velho amigo.
— Yoongi — repeti.
Ele também sorriu.
Passamos um bom tempo ali, e os assuntos fluíam com naturalidade. Ele me falou sobre algumas produções, algumas das músicas que havia escrito para o grupo e até me contou sobre Holly quando mencionei que tinha um shih-tzu que, agora, estava bem longe de mim.
Só tomava cuidado para que o assunto permanecesse mais nele do que em mim.
Em determinado momento, Yoongi precisou sair para falar com alguns amigos. Antes de ir, prometeu uma segunda rodada e ainda me desejou boa sorte no trabalho.
Aquele tinha sido o ponto alto da minha noite.
E eu, definitivamente, havia atingido meu limite de interação social.
Estava cansada, e a fadiga começava a me atingir novamente. Não sabia se era por causa da viagem ou da fibromialgia.
Talvez os dois.
Olhei em volta procurando por Ji-na, mas não a encontrei. Ela havia sumido com Taehyung já fazia algum tempo.
Decidi esperar por ela, pelo menos por mais alguns minutos. Não queria perder minha carona segura e ter que pedir um táxi, ainda mais estando de madrugada.
Prestei atenção nas risadas altas e na música tocando ao fundo e percebi que a festa estava longe de acabar. Na verdade, parecia mal ter começado.
Com certeza, algumas pessoas ali não iriam embora antes do amanhecer e deixariam o domingo inteiro para lidar com a ressaca.
Eu só esperava conseguir dar conta daquela minha nova vida.
— Ei!
Ouvi de repente ao meu lado.
— Desculpe. Eu disse oi, mas parecia que você não estava escutando.
Jung Kook estava ali, parado à minha direita.
Meu coração errou uma batida com ele tão perto. Apenas engoli em seco, com os olhos arregalados.
— Danielle, não é? Eu vou te dar uma carona pra casa.
— O quê? Não, não, não. Eu vim com a Ji-na, só tô esperando ela...
Meu celular vibrou.
Peguei-o na mesma hora.
“Danni, eu vou demorar um pouco por aqui. Não sei quanto tempo ao certo, e eu sei que você deve estar cansada da viagem, então consegui uma carona pra você quando quiser ir embora. A gente se fala depois, tchauzinho!”
— Amiga — murmurei, um pouco irritada, antes de suspirar.
Quando levantei os olhos, Jung Kook ainda me encarava. Ele mordia o piercing no canto dos lábios e remexia o pé direito.
Parecia que eu não era a única nervosa ali.
— Ela acabou de me mandar mensagem...
— Você quer ir agora? Parece um pouco cansada.
Seus olhos estavam ligeiramente arregalados, negros e curiosos, mas também ansiosos.
— Olha, não precisa, de verdade — disse, levantando-me. — Eu me viro. Vou pedir um táxi, tá tudo bem.
— Vai demorar muito para conseguir um, e você teria que andar bastante para encontrar. Então, para que ter esse trabalho todo quando...
Ele tirou as chaves do bolso e as chacoalhou.
— Eu tô bem aqui.
Exatamente.
Ele estava bem ali.
Depois de uma intensa e constrangedora troca de olhares que ainda fervilhava nos meus pensamentos.
E eu estava ali, nervosa, querendo recusar a qualquer custo, mesmo correndo o risco de causar uma péssima primeira impressão e jogar a noite inteira fora por causa disso.
Na Ji-na, você me paga.
— E aí? Você vem?
Eu estava sem opções.
— Claro, vamos lá.
Sorri minimamente e o segui até o elevador
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