Margaret
8 Indícios de um dia bom
Notas iniciais
A segunda-feira chegou depois de um domingo preguiçoso.
Eu me sentia completamente desperta pela ansiedade do primeiro dia, tanto que acordei antes do despertador e um pouco antes do sol. Puxei o ar fresco da manhã e saltei da cama.
A cafeteira já tinha preparado meu café e enchido o apartamento com o conforto de seu aroma.
Eu não estava atrasada, nem com dores, e a euforia estava na dose certa, o que era bem atípico. Então, aproveitaria ao máximo.
Uma calça jeans clara, camisa branca e um tênis confortável. Maquiagem leve, mas que cobria qualquer resquício de noite mal dormida. E não podia esquecer o bom humor e o sorriso, que vieram até mim a contragosto.
Esses dois odiavam acordar cedo, então treinei algumas vezes diante do espelho.
Mochila. Chaves. Um último gole de café.
Estava pronta, finalmente.
Caminhei até o ponto de ônibus com calma e até consegui me sentar em pleno horário de pico.
Será que eram indícios de um dia bom?
Cheguei cedo à empresa, então pude parar um instante para pegar meu crachá, colocá-lo no pescoço e contemplar a imponência daquele prédio. Os andares da construção cinza pareciam infinitos, e seu nome, "HYBE", me deu um frio na barriga.
— Eu vou ter um ótimo dia... não é?
Não esperei muito pela resposta de Deus, mas tomei aquele como um "sim" silencioso e entrei.
Me pediram para aguardar na recepção e logo me deparei com Ji-na. Ela vinha em minha direção com seu tubinho preto e scarpins da mesma cor. Ela flutuava, como se pisasse em nuvens. Me curvei quando se aproximou.
— Srta. Quinn, é um prazer revê-la. —Ela sorriu e me fez abrir um sorriso também.
— Srta. Na, posso dizer o mesmo.
Minha fala quase lhe arrancou uma risada.
Toda aquela formalidade era estranha depois do fim de semana, mas foi convincente para a recepcionista e para os curiosos que chegavam, passavam e nos observavam.
— Bom, me siga. Vou te levar até o andar em que vai trabalhar.
Assenti com a cabeça e entramos no elevador. O décimo primeiro andar foi acionado.
— Como foi o fim de semana? — perguntou.
— Foi ótimo, bem tranquilo. Obrigada por perguntar.
Nós duas rimos dessa vez.
— Ai, eu não aguento toda essa formalidade. Você chegou bem em casa aquele dia?
Olhei para ela com uma sobrancelha erguida.
— Cheguei, apesar da minha carona ter tido a cara de pau de furar em cima da hora.
— Ah, vai me dizer que voltar com ele foi ruim?
— Não, foi... ótimo, na verdade.
— Viu? Eu te fiz um favor.
— Tá bom — disse com uma risada.
— Primeiro dia e chamando a chefe de "cara de pau". Esses jovens... — reclamou.
Porém, nossa compostura teve de ser retomada quando as portas se abriram.
Adentramos o Departamento de Audiovisual. Era enorme e muito bem organizado. Até o volume das vozes dos colaboradores era um pouco contido, o que me surpreendeu bastante.
Teria que aprender a falar baixo.
Foi minha primeira anotação mental.
Eles tinham os melhores computadores e equipamentos de última geração sobre algumas mesas. Eu me sentia uma caloura entrando em uma sala cheia de veteranos universitários.
Todos pareciam extremamente competentes, o que me deixou bem nervosa.
Entramos em uma sala depois de duas batidas leves na porta.
— Danielle, essa é Ko Min-ji, a líder da sua equipe. Tudo que precisar, pode perguntar e se reportar diretamente a ela.
— É um prazer conhecê-la. — Eu a cumprimentei.
— Oi, pode me chamar só de Min-ji, tudo bem? — Ajustou o crachá no pescoço e me olhou com um sorriso simpático.
Min-ji era franzina, da minha altura e sua franja a deixava com aparência bem mais jovem.
— Cuida bem dela, hein, Min-ji. Eu já vou. Divirtam-se! — Sorriu mais uma vez antes de deixar a sala.
— Eu já falei pra ela que ninguém tem essa energia a essa hora da manhã — comentou, bem-humorada.
— Acho que ela não está muito preocupada com isso.
— Não mesmo. Bom, vem comigo, vou te mostrar a sua mesa e quero que conheça uma pessoa.
— Claro.
Saímos da sala. Nem todos pareciam alheios à minha presença agora. Eu tentava não olhar diretamente para ninguém.
Até que paramos diante de uma mesa carregada de post-its e um tanto bagunçada. Ao lado, um computador desocupado.
— Aqui, seu computador é esse, pode deixar a mochila aqui.
— Tá bem. — Deixei a mochila na mesa ao lado.
— Ah, ele sempre some quando eu preciso...
— Min-ji! — uma voz falou mais alto enquanto se aproximava de nós.
Era um rapaz alto e de cabelos pretos. Usava jaqueta de couro preta e calça jeans escura. Tinha um rosto bonito e simpático.
Torci para que seu temperamento também fosse.
— Tava brigando com a impressora de novo, Ha-joon?
— Pois é, vou ter que chamar o técnico de novo. Ninguém manda uma nova.
— Ai, eu já fiz o pedido, vou cobrá-los, mas, por favor, não fala mal da empresa perto da novata.
— Ela tem que saber a realidade fora das fanfics, Min-ji.
— Não dê tanta atenção a ele. Ha-joon adora se exibir.
— Que isso, assim você me magoa, chefe. — Colocou as duas mãos sobre o lado esquerdo do peito.
— Tá, chega de papo furado. Essa é a Danielle, é o primeiro dia dela e você vai ser o guia turístico.
— Legal. Muito prazer, sou Kang Ha-joon. — Ele sorriu.
— Oi. — Sorri de volta. — Pode me chamar de Danni.
— Bom, dá uma geral pelos andares e coloca ela por dentro das coisas. Qualquer outra dúvida, Danni, pode vir falar comigo depois.
— Claro.
Min-ji nos deixou e percebi o olhar de Ha-joon sobre mim.
— Então, vamos lá? Mais tarde a Min-ji deve falar o número do seu armário.
Assenti com a cabeça e passei a segui-lo.
— O Departamento de Audiovisual atualmente ocupa três andares oficialmente, mas circulamos por quase todo o prédio dependendo da rotina e do que temos que captar. Aqui é mais trabalho burocrático, reuniões, redes sociais... Mas vamos começar pela parte divertida.
Ele me encarou quando o elevador se abriu à nossa frente.
Visitamos os dois andares acima. Toda a parte de pós-produção ocupava o décimo segundo andar, com ilhas de edição extremamente tecnológicas. Já o décimo terceiro era totalmente composto por salas de equipamentos de diversos tipos, tamanhos e marcas. Dos mais simples aos mais complexos.
— Os equipamentos devem ser solicitados com antecedência à Lindy, então sempre fique de olho no cronograma geral. Mas, olha, um conselho: tenha seu próprio cronograma. Uma vez esqueceram de colocar uma diária de gravação externa e quase nos ferramos.
— Pode deixar — disse, anotando no meu bloquinho.
Ele parou de andar quando percebeu que eu usava papel e caneta.
— Ah, você também usa os métodos de anotação dos incas, maias e astecas. Legal. Já temos uma coisa em comum.
— É mais fácil eu esquecer o celular do que meus cadernos de anotação.
— Certeza que gosta de equipamentos da velha guarda também.
— É, talvez eu tenha uma relíquia ou outra da Kodak em casa.
— Danni, acabei de gostar mais de você.
Nossa risada foi uníssona.
E me dar bem com ele acabou se tornando uma parte muito importante do meu dia, pois, quando voltamos ao décimo primeiro andar, Min-ji o designou como meu "parceiro" temporário até que eu estivesse mais independente no trabalho.
Ele ainda fez questão de me acompanhar na hora do almoço e me colocar por dentro de certas fofocas, coisa que ele julgava parte essencial do trabalho.
No fim do dia, quando nos despedimos, "parceira" e "parceiro" já haviam se tornado os apelidos que ele escolheu para nós.
Consegui falar novamente com Min-ji, que me deu mais alguns papéis para assinar.
Na saída da empresa, meu celular vibrou, mas, antes de pegá-lo, meus olhos encontraram um rosto já conhecido. Jung Kook estava do outro lado do hall, cercado por algumas pessoas, provavelmente membros de sua equipe.
Por um breve instante, seus olhos encontraram os meus. Ele sorriu.
Isso acelerou meu coração por alguns segundos antes de ele desaparecer no elevador, deixando uma sensação calorosa dentro de mim.
Meu celular vibrou novamente. Voltei para a realidade com uma mensagem de Ji-na perguntando sobre meu dia.
Fiquei feliz em contar que havia sido "muito satisfatório".
Na realidade, eu tinha um sentimento muito agridoce sobre aquele dia. Várias vezes, olhando em volta, eu me perguntei se ainda sabia exercer minha profissão.
Ao assistir a algumas produções, me senti realmente amadora, mas, no fim, não conseguia deixar de me sentir feliz por estar cansada depois de um dia de trabalho como qualquer pessoa comum.
Pela primeira vez em muito tempo, aquela felicidade conseguiu ser mais forte do que meus pensamentos inseguros.
Pouco depois, Ji-na mandou outra mensagem.
"Jung Kook pediu seu número. Posso passar?"
Fiquei alguns segundos encarando a tela antes de responder.
"Pode."
Não demorou muito para que outra notificação surgisse, dessa vez de um número que eu não tinha salvo. Uma mensagem havia chegado com o link de uma música.
A pessoa nem precisou se identificar. Eu sabia quem era, e foi impossível evitar o sorriso.
"Para comemorar o seu primeiro dia."
GROWING UP IS _____ — Ruel
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