Margaery Tyrell: A Rosa Dourada de Highgarden 🌹
44 Tramas obscuras
Sansa aguardava Arya em seus aposentos. Havia dispensados suas damas e copeiro, e até a Lady Alys Mormont. Apenas Sandor estava com ela, fazendo-lhe alguma companhia, tal qual a loba que Arya lhe deu, a filha de Nymeria.
A pensar na loba, Sansa se indagou: por que Arya não andava com Nymeria? A loba estava há dias no fosso do urso, com alguns de sua alcateia. Por qual motivo Arya não estaria com ela? Era de se esperar que as duas estivessem inseparáveis.
Quando a porta se abriu, Arya entrou, trajando um belo vestido azul e cheio de joias.
Aquilo devia valer uma fortuna! As jades no peitilho e na bainha de ouro eram insanamente caras! Como ela arrumou aquele vestido? E por que não deu aos ourives? As joias podiam ajudar na dívida e…
Balançou a cabeça. Os empréstimos de Braavos estavam tomando tempo demais de sua mente. Precisava mantê-la limpa.
A loba de Sansa rosnou ao ver a figura de Arya. Acalmou-a com um cafuné.
— Você demorou — ralhou Sansa, enquanto observava a irmã se aproximar.
Arya deu um sorriso zombeteiro.
— Estava ajudando nosso irmão e o meu marido a cumprir o seu dever?
Sansa franziu o cenho, confusa.
— O quê? Que quer dizer?
A irmã mais nova deu de ombros.
— Onde está o seu amado Esfinge, irmã? — Olhou para um canto do quarto. — Bem, não está na sua cama.
— Arya! Já chega! Pare com isso, agora!
Ela deu um risinho de escárnio em resposta. Sansa fitou a sua coroa.
— Devia se livrar dessa coisa — aconselhou. — É a coroa de um falso rei, não de uma princesa. E quem a usou era um demônio.
— Preocupa-se demais, irmã. A coroa me cai bem. — Deu um sorriso lascivo.
Sansa torceu os lábios. A irmã estava numa soberba que não lhe cabia.
— Não estou com paciência para com as vossas pirelheias, irmã — avisou-a. — Deixa de graça. Agora.
A irmã fez um muxoxo, irritada, mas nada mais falou.
— Ótimo — Sansa disse.
— Que tem de tão importante?
Sansa respirou fundo, ignorando as viradas de seu estômago e o nó na garganta.
— Creio que Petyr está por aqui, em algum lugar — ela revelou. — Creio que ele também devia estar em Correrrio.
— Por que pensa assim?
— Aquele covarde mentiu que ia para o Vale, mas ficou aos arredores de Porto Real, para me tirar da Capital. Ele é capaz de tudo.
— Tá, mas e daí? — indagou a irmã, pegando uma jarra cheia de vinho dourado da Árvore. Verteu o conteúdo numa taça de estanho e sorveu-o. — Por que não isso para os outros?
Quando Arya aproximou-se da irmã, a Loba de Sansa ficou atenta, e levantou-se, rosnando e dando um andar para frente.
— Quieta, garota! — ordenou Sansa. — Quieta! Que deu em você?
A loba deu um passo para trás, mas ainda continuava atenta contra Arya.
— Parece que a princesa não cheira bem — brincou Sandor, com um meio sorriso.
Arya o olhou, irritada.
— Devia ter te matado no Tridente!
O homem fez uma careta triste.
— Arya…
Antes que ele pudesse falar, ela voltou-se para a irmã e disse:
— Anda, fala logo.
Sansa ignorou a arrogância da irmã mais nova. Vendo que era melhor terminar aquilo o quanto antes, revelou os motivos, sem rodeios:
— Petyr matou Lysa. Eu vi tudo, mas menti. Agora, precisamos matá-lo, antes que ele use isso contra mim num julgamento.
O rosto de Arya ficou anuviado, e ela arregalou os olhos. Até Cão de Caça pareceu surpreso. (Não estavam realmente chocados que ele tinha matado Lysa, mas nunca souberam do encobrimento de Sansa.)
— Mas…
— Minha imagem corre risco — Sansa cortou Sandor. — Serei julgada.
— Você era jovem. Foi coagida.
— Sim, mas menti, não menti? E mantive a mentira… Me dependendo de Petyr e seus espiões. Olhe em que armadilha me meti?
— Sansa — Arya a chamou. — Petyr matou Robin? Você o acobertou sobre isso?
A princesa mais velha a olhou, chocada.
— Responde — mandou Arya, como se fosse a chefe dela.
Sansa evitou olhar para Sandor. Abaixou a cabeça.
— Talvez ele o tenha feito. — Balançou a cabeça, sabendo que talvez sempre soubesse a verdade. — O meistre nos proibiu de dar muito sonodoce para o rapaizinho… Claro, ele era muito fraco, dado a ataques…
— Sonodoce não deixa o organismo — crocitou Arya. — Como pode ter sido tão estúpida?
Sansa encolheu-se com o ralhar de sua irmã.
— Sei muito bem os efeitos! — defendeu-se, sentindo a fúria em seu corpo aumentar. — Eu dei apenas o que o meistre permitia, como poderia imaginar? O meistre do Vale…
— Ele está vivo? — indagou Arya. — Teremos de matá-lo.
— Morreu no desabamento que ocorreu nas Montanhas da Lua — revelou Sansa. — De todo o modo, ele lhe diria o que lhe disse: nós demos apenas o que ele achava seguro.
— Petyr teve como colocar sonodoce nas bebidas de Robert? — perguntou Arya. — Ele é bom doce. Nosso primo tomava doces?
Sansa escondeu o rosto por entre as mãos, balançando a cabeça.
Como foi tão tola? Como deixou-se levar por este deslize?
É claro, estava ocupada: cuidava do torneio, cuidava de seduzir Harrold… Estava ocupada demais com os próprios problemas, aceitando a iminente morte do primo, e deixou para lá os sinais.
Como fui tola, pensou. Aceitou a ideia de quem Robin ia morrer, sem se tocar que Petyr pudesse estar por trás dela.
Mas não foi apenas ela: todos os lordes aceitaram como um fato a morte natural do primo de Sansa. Ah, sim, todos estavam ansiosos para livrar-se do garotinho remelento e trocá-lo por um rosto bonito e galante. Ninguém queria criar caso com isso.
Sentiu um toque acalentador no ombro. Uma mão muito grande para ser a de Arya. Ao erguer a cabeça e afastar-se das mãos, ergueu o olhar e encontrou o olho escuro e o olho cego de Sandor, com um olhar compassivo que ela nunca imaginou que ele teria.
— Vamos cortar a garganta de Petyr e entregar os corpos aos lobos — prometeu ele.
Sansa assentiu, agradecida, com um sorriso cansado.
Sim, estava exausta. Cansada daquela vida de joguetes, rivalidade e falsos sorrisos. Tinha de voltar para casa. Voltar para o Norte e esquecer do Sul. Que seu irmão ficasse com Daenerys, que Arya ficasse com as areias de Dorne, e que Bran fosse para onde quer que os Outros o levassem. Sansa voltaria para Winterfell, onde resolveria as coisas. Somente assim retiraria aquele peso em seus ombros.
— Vamos ter de limpar a sua sujeira — sibilou Arya.
Sansa a olhou, sentindo-se culpada.
— Arya…
— Como você pode falar mal de Daenerys, sendo tão ruim quanto ela?
O queixo de Sansa caiu. Sua mente ficou lívida. Tão chocada, mas tão chocada, que nem sequer pode sentir raiva ou tristeza por ouvir aquelas palavras da irmã.
— Como pode me comparar com aquela…?
— Ora, Sansa! — Vociferou Arya. — Daenerys pelo menos tem dragões, e quanto a você? O que tem a acrescentar?
Sandor iria falar algo, entretanto, Sansa, no auge da cólera, ergueu-se, aprumou-se e encarou Arya nos olhos. Era bem mais alta que a irmã mais nova.
— Eu defendi Winterfell! — retrucou, severa. — Eu quase dei minha carne pelo Norte! Como pode…?
— Ora, é claro! Tudo para ser a Lady de Winterfell! Por isso você aceitou tão facilmente a morte de nosso primo? Por isso foi cúmplice na morte de nossa tia?
— Como se atreve? — indagou ela. — Não fale do que não sabe!
Arya a olhava sem medo.
— Chega! — bradou Sandor, indo até ela e colocando-se entre as duas, afastando-as. — Vocês duas são irmãs, não devem digladiar-se!
— Eu não vou ajudar uma assassina de parentes! — disse Arya, furiosa, com o rosto ficando avermelhado.
O veneno na voz da irmã era exacerbado. Nunca imaginaria aquilo vindo dela. Estava tão irritada, que Sansa deixou a própria raiva de lado, dando um passo para trás. Algo nela a assustava.
— Arya, estou lhe avisando…
— Você não me avisa sobre nada! E pensar que eu ainda ajudei você a pegar aquela puta de Highgarden! Mas, quer saber de uma coisa princesa? Cuide você mesma da sua sujeira!
A loba de Sansa se empertigou, e avançou contra Arya, rosnando. Sansa se interpôs entre a Loba e os outros dois no cômodo.
— Agora tenta me atacar? — acusou Arya, tentando avançar, mas sendo bloqueada pelo braço de Sandor.
— Arya, pelos deuses…
— Não! Você tem seus pecados, irmã? Faça como o resto da família: resolva-os!
Antes que mais pudesse ser dito, Arya rodopiou, dando as costas para a irmã, deu passos largos até a porta.
— Irmã, não me deixe! — implorou a Sansa, abalada com a irmã.
Foi em vão, entretanto. Arya nem pareceu lhe ouvir. Abriu a porta e saiu, sem sequer falar nada, fechando a porta com relativa raiva.
Abalada, Sansa voltou para seu assento, sentindo-se cansada. Culpada.
— Não é sua culpa, passarinho — sandor lhe disse, mas ela nem sequer lhe escutou.
A loba cinzenta foi até a dona, fazendo um ganido triste e pousando o queixo no colo de Sansa, que deu um leve sorriso triste e acariciou a cabeça da loba, sentido o pelo felpudo. O animal a observava com seus belos olhos de âmbar-dourado.
Suspirando ela voltou a olhar Sandor.
— Temo que está errado, meu Cão — disse ela. — Arya tem mais motivos para me censurar do que você imagina.
— Você estava desesperada — ele pontificou. — Certo, talvez devesse ter matado Mindinho antes, mas…
— Oh, eu falo de muito antes disso.
Ele franziu o cenho.
— Que quer dizer?
Foi difícil não chorar. Foi difícil falar. Falar sobre como ela entragara os planos de seu falecido pai para a Rainha Cersei; contara sobre a briga com Arya no dia anterior, do vestido manchado, sobre os navios, as cartas que escreveu, como chamou a irmã de “sangue do traidor”...
As palavras foram vomitadas, sem contexto. Falava uma coisa, depois falava outra que ocorrera antes, e sem sentido algum.
Quando terminou, seu rosto era uma pedra. O rosto de uma estátua de porcelana cortado pelas lágrimas de azeite que desciam e queimavam.
Sandor, por um momento, ficou quieto. Temeu que ele também a repudiasse; entretanto, ele apenas repetiu:
— Não foi culpa sua.
Sansa estalou a língua.
— Amoleceu, Cão? Antes, você não me pouparia de…
— Não, princesa, entenda: você não é culpada da morte de seu pai. Pode ser culpada pelo seu destino de focar em Porto Real, e talvez da merda de vida que você e Arya tiveram de ter, mas não da morte de Ned Stark.
Sansa franziu o cenho.
— Eu contei…
— Dos navios — ele pontificou. — Seu pai já estava condenado antes disso, posso garantir.
As mãos de Sansa tremeram. Parecia não querer ouvir aquilo. Temia acreditar ser verdade, só para depois alguém puxar seu tapete.
— Seu pai havia dito sobre o incesto daquela puta Lannister muito antes de você falar dos barcos — Sandor continuou a explicar. — Na verdade, não havia muito o que fazer mesmo ali: Lancel embebedara aquela rolha de poço bêbada que era Robert Baratheon. Seu pai não tinha como saber, e ele revelara todos segredos para Cersei.
Sansa apenas cravou os olhos em Sandor, sem nada a dizer. Não podia acreditar nessas palavras…
— Janos Slynt fora comprado por Petyr e a Rainha, prontificando-se para trair Ned Stark assim que ele chegou ao trono, que foi o que aconteceu.
Sandor esperou que ela falasse. Quando ela não o fez, ele ribombou:
— Pelos deuses! O passarinho ficou mudo?
— Por quê? — ela indagou, sem folêgo. — Por que meu pai fez isso?
Sandor fez uma expressão de dor, como se a voz dela o tivesse machucado de alguma forma.
— Seu pai não queria que os filhos de Cersei, creio. Escute, princesa, culpe seu pai por ser um tolo honrado, culpe a puta da Cersei, o Baelish, pode até me culpar por ter ajudado aqueles corvos… Mas não culpe-se. — Ele levou uma mão até a própria bochecha, tocando a pele queimada e cicatrizada. — Acredite, não vale a pena se martirizar pelo passado. Você deve seguir seu rumo. Você fez uma tolice quando criança? E daí? Pelo que vi, isso a inocenta, e muito, da situação, diferente de Cersei.
Sansa ficou muda por um tempo, fitando-o. Como se ainda estivesse tentando entender tudo que havia acabado de ouvir.
— Sandor?
— Sim, Passarinho?
— Obrigada.
Ele franziu o cenho.
— Pelo que?
Ela lhe deu um sorriso, enquanto acariciava atrás da orelha de sua loba.
— Por ser meu cavaleiro galante.
X O X O X O X O X O X O X O X O X O X O X
Arya estava furiosa.
Como Sansa pode ter sido tão inconsequente? Tão estúpida?
(Ela quis ser burra. Ela quis tomar a coroa tomar o norte.)
Sim, era isso. Ela quis tomar tudo para si… Ela…
Abanou a cabeça. Estava sendo tola. Sua irmã apenas queria voltar para casa. E, mesmo que quisesse ter o Norte, qual o problema? Na época, todos davam os irmãos como mortos, e Jon era apenas um bastardo. Além do mais, ela apoiava Jon. Até aceitou Daenerys como sua nora.
(Não. Sansa sempre foi egoísta. Ela nunca gostou de Jon. Sansa era falsa. Falsa-educada.)
Sim, pensou, ao lembrar da infância das duas. Sansa era falsa, mesquinha. Ela era culpada por tudo. Por causa dela perdera Nymeria. Até quando o pai fora decapitado ela estava bem vestida, aquela cretina!
Ela não merecia a ajuda de Arya. Que ela se virasse. Que Petyr revelasse tudo, Arya nada faria para pará-lo.
Sim, estava na hora de Sansa deixar a falsa perfeição de lado.
Mas… Isso custaria sua cabeça? Sua irmã morreria por isso?
(Seria melhor, ela pensou, bem no fundo de sua mente. Melhor, pois ela era inútil.)
Depois, ela se perguntou: não estava sendo muito cruel? A irmã defendeu o Norte, trouxe o Vale e...
Não. Ela por orgulho deixou pessoas no Norte morrerem no fogo. Ela iria tramar algo contra Daenerys e estragar tudo se ainda detivesse poder algum, Arya sabia.
Sim. Pelo bem de Jon, teria de deixar que tudo ocorresse como devia. Sansa devia ser julgada por ser crimes.
Então, lembrou-se: Harry era culpa dela também.
Sim, isso também. Harrold fez o que fez porque Sansa lhe fez achar ter poder. Ele era culpa dela.
(Culpa dela, culpa dela, culpa dela, culpa dela…)
Estava com um nó no estômago ao ter aqueles pensamentos. Sentia-se solitária, triste, confusa, atordoada. Sua cabeça doía, girava, ia e vinha…
Estava com a mente tão embotada, que nem sequer se lembrava de estar indo até seus aposentos, até que estava de frente para a porta deles.
Ao abri-la, empurrando-a para dentro, viu Edric deitado no colchão de palha seca.
Ele estava nu, olhando o teto, e esparramado na cama. Seu olhar vazio virou-se ao ouvir a ela entrando.
— Ned? — ela o chamou, enquanto fechava a porta.
Ele umedeceu os lábios antes de falar.
— Está feito — sua voz era quase um sussurro. — Fiz o que me mandou, Arya. Fiz… — Fez uma careta de dor.
— Você a fodeu?
Ele tremeu ao ouvir aquilo, como se as palavras o machucassem.
— S-sim… Eu… — Seu rosto ficou lívido em horror e em confusão. — Sim, eu o fiz. Trepei com ela, mas nem lembro. Está embotado em minha memória. Tudo parece uma visão de sangue. Um borrão. Sangue… Teve sangue? Machuquei-a? Ou a Jon?
Arya deitou-se ao seu lado, com a cabeça ainda erguida, olhando para ele e seus olhos baços. Sim, era agradável para ela vê-lo assim: triste, machucado, agoniado, precisando dela.
— Só lembro de seu irmão me mandando embora… Lembro de estar em cima dele… Ou era Daenerys? Talvez os dois? Eu sentia a pele deles; morna e fria… E… Eu a mordi. Mordi, como um animal. Ah, e o gozo, sim, o gozo febril. O sal das lágrimas…
Ned também estava chorando. Ele a olhou assustado.
— Nunca quis fazer mal a ninguém, Arya — ele disse. — Não gosto de morte. Você e Gendry não ligo, mas eu chorei quando matei alguém pela primeira vez. Não quero machucar ninguém, quero apenas… Quero apenas amar. Sou uma pessoa de amor Arya. De beijar, abraçar e fazer feliz. — Ele continuou: — Por favor… Por favor, não me faça mais tomar…Tomar…
Arya o calou com um beijo. Aquilo pareceu agitar o pouco do veneno ardente que havia dentro dele, pois ele logo empurrou a língua para dentro dela, enquanto empurrava a cabeça contra a dele.
Quando se afastaram, ela notou o olhar febril dele.
— Diga que me ama.
— Eu te amo.
— Ame-me, Ned.
— Eu amo. Amo tudo em você, princesa. Não ligo para mais nada.
— Seja meu.
— Eu já sou!
— Então, promete que fará de novo? Irá trepar com a rainha?
Edric pareceu hesitar ao ouvir aquilo, retraindo-se.
— Arya, eu não sei…
— Se você me ama, vai fazer!
Ele hesitou por mais algum tempo, até que anuir, de forma bem leve e quase imperceptível.
— Diga — ordenou, incisiva.
— Prometo — respondeu ele, fracamente. — Prometo, Arya.
Arya sorriu, enquanto acariciava os cabelos loiro-acinzentados do rapaz. Sim, ele seria bom para ela. Ia fazer o que ela mandasse.
Arya levantou-se, retirou a coroa, desfez os laços do vestido, deixando-o cair. Deixou que Edric, mesmo exausto, admirasse seu belo, pequeno e machucado corpo. O roxo de suas íris queimaram ao vê-la, enquanto o falo se erguia.
— Está na hora do seu agrado, meu lorde.
Edric deu um sorriso fraco e sem graça.
— Obrigado, princesa. Nada me agradaria mais do que lhe dar prazer. Entretanto, estou exausto demais…
— Não seja bobo. Eu…
Antes que ela terminasse, alguém bateu na porta. No começo ela se irritou e fez um estalo com a língua. Mas logo entendeu quem era e foi até a porta, sorrindo.
— Arya? — Edric ficou incrédulo, mas estava atordoado demais, e acabou nem sendo capaz de se erguer.
Ignorando seu futuro marido, Arya foi até a porta, abriu, e sorriu ao ver a figura de Gendry. Ele estava com os olhos marcados pelo choro, com ombros caídos e as mãos feridas.
Arta deu espaço para que ele entrasse, o que ele fez.
Edric ficou sem jeito, sentindo as bochechas arderem. Pegou um lençol e começou a se cobrir.
Sor Gendry sentou-se na beirada da cama. Ele e Ned se entreolharam, mas nada falaram. O dornês teve medo de que Gendry o matasse ali mesmo, mas este nada fez, só o olhou de forma um tanto ranzinza.
Arya foi até um pequeno armário, mexeu nas gavetas, pegou um alforje com ervas, levou-o até um aparador e colocou em três taças. Ao invés de vinho, encheu os recipientes com sombra da tarde.
Os dois homens no cômodo nada falaram, apenas observaram a figura da princesa, voltada de costas para eles, aquecendo a bebida no braseiro.
Quando ela virou-se, segurava uma simples bandeja prateada, com três taças de estanho borbulhando. Andou até os amantes na cama.
Quando ela se aproximou, Edric reconheceu o cheiro da erva.
— Oh, pelos deuses — exclamou ele. — Arya, por todo o amor que tem por mim, não me obrigue…
— Shii… — ela o silenciou, sorrindo. — Não me amam? Apenas quero tornar nossas noites de amor mais… intensas — completou, dando um risinho.
Gendry franziu o cenho e olhou com desconfiança para aquela aguardente bizarra. O azul borbulhava, dando um cheiro acre pesado, que queimava suas narinas e quase fazia seus olhos chorarem. Havia um leve odor de canela também.
— O quê é isto? — ele exigiu saber. — Arya?
— Vocês dois podem me ter — ela prometeu, entregando uma taça para cada um e segurando uma apenas para ela. — Mas, para isso, precisam beber.
Edric olhou para o líquido azul. O que era aquilo? Algum tipo de vinho dornês? Acreditava que não… Era azul e mais parecia uma gosma a borbulhar.
Engoliu seco e olhou para a princesa. Esta ergueu a taça, com um sorriso macabro, parecendo estar brindando.
Os dois homens se entreolharam, voltaram a encará-la e tomaram a bebida.
X I X I X X I X I X X I X I X X I X I X X I X I X X I X I X X I X I X X I X I X
Margaery vagueava sem rumo na neve. Sentia os flocos queimando a sua carne, entretanto, nem lhes deu atenção.
Ao ver um grupo de pessoas se dirigindo ao bosque, ela se questionou: teria alguma nova cerimônia? Outro casamento, talvez?
De qualquer forma, ela seguiu a turba pelo longo caminho, e, ao chegar ao bosque, em frente à árvore coração, acabou por ver que estavam apenas a observar o príncipe Bran.
O príncipe estava sentado na imensa e assustadora árvore. Parecia estar num trono entalhado para ele. Usava um manto com a cor cinza dos Stark, usava uma coroa branca de represeiro com lobos entalhados. Os pequenos Filhos da Floresta montavam guarda, assim como uma moça magrela que segurava um tridente. Ao lado dela, Roose Ryswell.
As pessoas davam empurrões para ver o rapaz mais de perto. Sim, Margaery se aproximou o máximo que pode, levada pela curiosidade.
Uma pequena criatura da floresta levou uma tigela pálida até o princípe, que sorveu a pasta branca que havia no objeto. Após isso, ele acenou, dando sinal para falarem.
— Meu princípe! — um homem exclamou. Tinha um forte sotaque nortenho. — A rainha traz demônios para nossas terras! Ela trouxe um demônio cujos adoradores queimam nossa fé!
Bran limpou a garganta e disse:
— Fé é acreditar em algo que move sua vida — respondeu o rapaz. — Nenhuma fé, entretanto, pode se opor a outra. Não julgue aqueles que não adoram os seus deuses; julgue aqueles que tentam impor sua fé para se sentirem superiores.
Uma mulher se ergueu, segurando um bebê, falou em voz altiva:
— Quero nomear meu filho em seu nome!
Bran sorriu.
— É uma honra para mim.
— Ele será um grande homem?
— Ele viverá e será quem ele é. Adore-o por isso, assim como ela a adorará.
A mulher assentiu, sorriu e abraçou o bebê.
— Majestade — alguém falou. Não tinha sotaque nortenho, talvez fosse do tridente ou do vale —, perdi meus irmãos na guerra! Perdi minha esposa e filhos! Não tenho nada!
— Você tem eles em sua mente e sabe que um dia irá revê-los após a sua hora chegar. Chore por eles, viva por eles. Aproveite o que nem todos tem: vida!
Como ele fala bem, observou Margaery. Bem demais. O rapaz havia vivido anos na selva; era um milagre estar tão bem assim…
Por que o tratavam assim? Pareciam vê-lo como um rei. Ou pior, um Deus.
(Estavam todos loucos?)
— Meu salvador! — o mesmo homem que perdeu a família voltou a falar. — É verdade o que dizem? A muralha caiu? Os Outros realmente vem até nós? Então, você é nosso salvador?
— É verdade que estamos na Longa Noite — Bran revelou. — Mas um salvador? Quem sou eu para almejar tal coisa? — Ergueu os braços. — Sou um príncipe Stark! Por que me tomam como salvador quanto tantos outros preferem meu irmão? Ou, então, a rainha?
— Você é meu salvador! — o homem retrucou, se ajoelhando no chão. — Dizem que você é a reencarnação de Brandon, o Construtor, que voltou para nos salvar e construir um novo mundo, e nisso irei crer!
Bran esquadrinhou o homem, parecendo curioso, franzindo o cenho.
— Por quê? — o Stark quis saber.
— Por que é tudo que tenho!
— E se eu negar tal coisa?
O homem meneou a cabeça.
— Continuarei a acreditar. Está apenas me testando! Testando minha fé!
— Ele é o Último Herói! — Uma louca desvairada crocitou.
— O Rei Jon nos largou pela sórdida rainha — um velho disse, sem medo do perigo —, os Velhos deuses trouxeram o verdadeiro herdeiro de Lorde Eddard para nos salvar do mal!
Antes que Margaery pudesse entender, todos se jogaram na neve, de braços estendidos. Um sinal máximo de devoção. Apenas ela e mais alguns se mantiveram em pé.
“Deus Bran!” multidão gritava, “Deus Bran!”, “Rei Corvo!”.
Essas pessoas deviam estar bem desesperadas, deduziu Margaery. Muitas não tinham mais casas e família. Sentiam que o Rei do Norte as traira, tinham medo da rainha nova…
Sim. Desespero movia montanhas. Tal como a fé. E um caminho levava ao outro. Margaery lembrava-se bem como o desespero ajudara o povo a elevar o maldito Alto Pardal e armar a fé.
Dificilmente seria o caso ali, entretanto. Bran não lutava, era um aleijado e sem meios de tomar algo para si. Logo aqueles desvairados perceberiam isso e o largariam, envergonhados.
De repente, ela se deu conta de que Bran Stark a observava.
Margaery congelou. Não sabia porque, mas sentia-se desconfortável ao ver aqueles estranhos olhos verdes a fitando.
— Uma coisa que todos devemos nos lembrar — Bran disse, nunca deixando de olhar para ela —, é que grandes impérios podem ser destruídos por pequenas pessoas. Lembrem-se disso.
Todos apenas pareciam concordar, murmurando graças a Bran Stark, como se fosse um Alto Septão.
Margaery se virou, desconfortável, e esbarrou em Ysilla Royce, usando um manto de lã pesado, com o capuz cobrindo seu cabelo trançado e usando um belo vestido dourado.
— Desculpe — sussurrou a moça. — Vi-lhe vindo para cá e vim falar com a Senhora. — Olhou em volta, analisando o local com seus olhos que eram tanto cinza quanto castanhos. — Podemos conversar?
Margaery assentiu, sentindo-se aliviada por sair daquele local. Passou pelas pessoas agachadas na neve, que pareciam rezar. Fez tudo o que pôde para se controlar e não olhar o Príncipe-Àrvore.
— Desculpe não ter falado com você, milady — desculpou-se Ysilla, após elas terem se afastado da coorte de pessoas, ainda andando a esmo pela relva morta do bosque.
Margaery deu um sorriso gentil. Sabia que o jogo dos tronos era assim. Ela mesma havia feito isso com Sansa Stark, há muito tempo. Pareciam até séculos.
— Não se preocupe — disse ela. — Sei bem que teve seus motivos.
Ysilla assentiu.
— Lorde Waynwood me convidou para uma dança — revelou ela. — Creio que devo agradecê-la por isso, pois, após dançarmos, fui tratada com mais cortesia.
Margaery sorriu. Ah, como homens eram maleáveis por belos rostinhos e palavras nobres!
— Acho que as coisas vão melhorar para nós duas — respondeu. — Vamos sair dessa neve e tomar um vinho quente, que me diz?
Ysilla assentiu e ambas aceleraram um pouco o passo.
Ao voltarem para Torre da Viúva, ambas tiveram de andar sobre grandes e numerosos degraus até chegarem ao andar onde se encontravam os aposentos de Ysilla.
— Não estou nos serviços de Sansa — ela pontificou após adentrarem no cômodo. Era um quarto simples para os padrões de Harrenhal, imenso, entretanto, para qualquer outro castelo. — Consegui me estabelecer aqui, pois não quis ficar com meu marido.
— E seu pai? — Margaery indagou, sentando-se numa cadeira perto da lareira. Estava morrendo de frio, e isso a lembrou de como quase morreu na Capital, devido a alta exposição a neve e ao vento congelante.
— Ele me convidou, mas recusei. Os aposentos dele estão perto do Sansa e Myranda, e eu não quero chegar perto delas e nem de Mya. E meu irmão parece andar irritado comigo. Parece que ele não está apto a acreditar em minha inocência.
Margaery assentiu. Apesar do ódio de Myranda, Sor Ronnel, Mya, Sor Mychel (e do deslize de Sansa), Ysilla logo estaria nas graças dos bons lordes.
E isso podia ser útil. Só precisava pensar em como…
Os pensamentos de Margaery foram interrompidos quando a porta se abriu, um servo entrou — pelo menos Margaery achou que fosse um, até ver a reação de Ysilla, que deu um passo para trás, assustada.
Vendo a reação da moça, Margaery estremeceu, percebendo que o homem usava um manto cinza e encardido. O capuz cobria-lhe o rosto.
— Quem é você? — indagou Ysilla. Margaery se levantou, languidamente. Sentia-se fraca pelo vento invernal.
A figura deu um risinho e afastou o capuz.
Margaery voltou a sentar-se na cadeira, chocada ao ver o homem baixinho, de olhos verde-acinzentados, com alguns cabelos grisalhos, um cavanhaque preto com pontas cinzentas.
Margaery havia visto aquele homem poucas vezes em sua vida: quando ele conversou com seus pai em Highgarden, quando ela foi para a Capital…
Todavia, nunca havia falado diretamente com Lorde Baelish. Nem quando ele e sua avó combinaram a morte Joffrey.
— Lorde Baelish — ela disse, fitando-o.
O homem de baixa estatura sorriu para ela.
— Ah, olá, milady! — ele a saudou. Virou-se para Ysilla e acenou com a cabeça na direção dela. — E pensar que Sor Mychel a trocou por aquela mula de duas pernas. Bem, os Redforts são uma casa antiga e orgulhosa, mas não são conhecidos pela inteligência, temo.
Ysilla olhou para Margaery. Seus olhos escuros e coloridos imploravam que ela falasse algo.
Tentando se recompor, Margaery inspirou fundo e levantou-se. Olhou o Lorde nos olhos, de cabeça erguida. A camada de neve açucarada que cobria seus cabelos estava quase toda derretida.
— Soube que caiu em desgraça, Milorde — disse. Esse homem era pequeno e duvidava que era dado a combates.
Baelish manteve o sorriso nos lábios, mas os olhos não sorriam com ele. Eram frios.
— Andou bem informada.
— Sim. As fofocas correm soltas, e eu tenho meus meios, mesmo quando estou presa.
Na realidade, não havia ouvido Ysilla falar nada sobre Lorde Petyr. (Por isso, inclusive, a própria Ysilla lhe olhou com relativo espanto.) Graças aos deuses ela esteve no Salão onde Harrold havia falado o que havia ocorrido — tentou demonstrar que sabia disso muito antes, quando ainda era prisioneira. Por sorte, Petyr parecia ter acreditado.
— Que quer aqui, milorde? — indagou Margaery. Ambos sabiam que bastava um grito que Petyr estaria perdido. Havia guardas por perto.
Petyr acenou.
— Direto ao ponto, como tem de ser. Bem, vamos ao que interessa: eu posso lhe dar a vida daqueles a quem você mais odeia Margaery.
Ela achou difícil acreditar nele. Ysilla foi até perto dela, como que procurando segurança.
— Margaery… — A Royce parecia estar nervosa com o silêncio.
— Você não pode tocar Daenerys — rebateu ela, dirigindo a palavra a Lorde Petyr. — Ela tem guardas, provadores reais, e além do mais…
—... Eu não me referia a Rainha Dragão — retrucou ele. — Falo das pessoas em Porto Real. Arianne, suas primas e, é claro, o falso Rei Aegon.
Ysilla parecia estar incrédula, esperando que ela mandasse Petyr ser preso.
Ao invés disso, ela disse:
— Estou ouvindo.
Ysilla arregalou os olhos na direção dela ao ouvir aquilo.
Margaery não tinha nada a perder. Caso aquilo fosse uma armadilha — pouco provável, dado tudo que ocorreu —, ela seria morta. Caso tudo aquilo fosse verdade, quem sabe ela não tinha algo a ganhar? Se perdesse, morreria de qualquer forma.
Entretanto, tinha de admitir: era melhor morrer do que ser serva de Daenerys. Ser sua ajudante, casar com seus pretendentes, ter de se rebaixar a ela e a sua tirania paganista…
Não. Preferia morrer do que aquilo.
— Ótimo — Petyr disse. — Sei que pensa que perdi tudo, mas ainda tenho meus contatos. Assim como você tem os seus.
Margaery franziu o cenho.
— Não tenho nenhum contato…
— Tem suas primas — Baelish pontificou. — Elas estão na corte. E são menos vigiadas que a sua avó.
— Eu…
— A nova rainha tem seus próprios inimigos — Petyr disse.
— Eu imagino. É óbvio que poucos aceitam dorneses reinando na corte.
Ao ouvi-la dizer aquilo, Petyr deu um sorriso malicioso, achando graça naquilo.
Ele escondia algo, mas Margaery não sabia o quê.
— Podemos firmar contatos na corte deste falso rei, acredite no que lhe digo — garantiu Baelish.
Margaery ainda estava dividida. Não tinha garantias de que aquilo fosse dar certo. E, mesmo que desse, suas primas podiam ser pegas.
— Mas…
— Ora, já sei todos os seus receios — Petyr a interrompeu antes que ela falasse algo. — Diga-me, Lady Margaery, o quanto você odiava Joffrey?
Ela franziu o cenho. Que teria seu quase-marido a ver com tudo aquilo.
— Eu não o odiava. Digo, ele destratou Sansa e o próprio povo, mas ele nunca me fez…
— E, mesmo assim, você o matou — Pontificou Petyr, arqueando as sobrancelhas.
— Que quer dizer? Seja claro, ou gritarei pelos guardas!
— Você matou Joffrey por sua segurança, mesmo quando ele nada lhe fizera. Agora, diga-me: o que sente por Aegon e Arianne?
Entendo aonde ele queria chegar, Margaery respondeu a primeira coisa em sua mente:
— Ódio — sibilou, como uma serpente. — Desprezo.
Petyr assentiu.
— Bom. Muito bom, milady. Existe muito de sua avó em você, posso ver.
— E o que estaria disposta a sacrificar para vê-los cair?
Margaery sabia o que ele realmente queria dizer: “Quem você está realmente disposta a sacrificar?”
Ela não hesitou em responder:
— Tudo. Eu sou capaz de tudo.
Petyr sorriu e anuiu.
— Depois que matarmos esses falsos monarcas, nada impedirá Daenerys de tomar Porto Real. Sua família poderá se unir a ela, pois a outra escolha não existirá mais. Nem mesmo para os lordes traidores.
— E, depois — completou Margaery —, cuidaremos de Daenerys e dos Stark.
Petyr levantou uma sobrancelha.
— Todos? — ele parecia divertido.
— Todos. Todas essas aberrações nortenhas. — O olhou de soslaio. — Ou ainda pretende acreditar que cairá nas graças de sua amada Sansa?
Petyr tremeu o sorriso. Ele quase o desfez. Apesar de esconder, era visível a fúria em seus olhos.
Sim, esse era um homem magoado. Vingativo, capaz de tudo.
— Minha amada filha Sansa me desprezou — ele disse, entredentes. — Preferiu desprezar tudo o que fiz por ela. — Deu de ombros. — A mãe também fez isso. Ambas verão a queda da Casa Stark, então.
Sim, ele não mentia. O ranço em suas palavras era quase palpável.
— Margaery — Ysilla a chamou, puxando a manga de seu vestido. — Acredita mesmo nisso?
— Você também odeia o reinado atual — lembrou Margaery. — Sansa lhe desprezou e preferiu a bastarda que coloca chifres em você.
A moça corou, mas não negou.
—É verdade — admitiu. — Mas o que podemos fazer? Somos apenas duas damas…
— Ora, Lady Ysilla — ralhou Margaery —, pensei que já tinha aprendido!
A jovem Royce ficou confusa, franzindo o cenho, fitando Margaery com seus olhos belos e estranhos.
— Ninguém se importava com Daenerys, e ela surgiu de Essos com três dragões; ninguém sequer preocupou-se com o bastardo de Ned Stark, e hoje, ele usa coroa. — Olhou para Petyr e apontou em sua direção com o queixo. — Ninguém se importava com o generoso Mindinho, e ele matou reis e fez uma rainha.
A tola ainda não havia compreendido.
— Eu não entendo. O quê…?
— Nós, Lady Ysilla, a quem todos ignoram e desprezam, somos capazes de destruir grandes impérios.
Petyr Baelish riu alto ao ouvir aquilo. As duas moças o olharam, desconfiadas.
— Qual é a graça? — quis saber Margaery, preocupada. Será que era agora que algumas pessoas sairiam dos escuros esconderijos e as prenderiam? Olhou para a porta, prevendo que ela seria aberta.
— É uma escolha interessante e Lady Margaery — ele respondeu.
Voltou a fitá-lo, franzindo o cenho, indagou:
— Por quê?
— Quero saber até onde está disposta a ir por essa aliança.
Ela respirou fundo, temendo o que ele lhe diria. Fosse o que fosse, ela o faria. Estava preparada para tudo.
— Que quer que eu faça? Anda, diga!
Finalmente, os olhos de Petyr brilharam e sorriram, tal como seus lábios.
— Quero que mate um Rei por mim.
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