Marcas do Passado

15 Capítulo 15


Pedro

Mais um dia cansativo de trabalho, mas finalmente eu estou em casa. Hoje o dia não foi nada, nada, bom, vários problemas para ser resolvidos na empresa e tudo nas minhas costas já que meu pai está viajando. Pra quê que eu fui escolher essa vida mesmo?

– Oi amor – disse Alice assim que eu entrei na sala.

– Oi

Eu me sentei no sofá ao seu lado.

– Como foi seu dia?

– Péssimo, eu…

– Aii o meu foi incrível, eu estou quase terminando os preparativos para o casamento, tá ficando tudo lindo… — Alice se pois á falar sem ao mesmo prestar atenção em mim, eu adiava esse jeito mesquinho dela, só se preocupava com sigo mesma e com seus interesses, eu não estava mais aguentado isso, hora ou outra eu explodiria. Eu me levantei do sofá.

– Pê, onde você vai?

– Tomar um banho e dormir.

– Mas eu queria falar com você.

– Amanhã Alice.

– Mas…

– Amanhã.

Eu peguei meu paletó e subi ás escadas, tomei um banho bem demorado relaxando todo meu corpo, vesti uma cueca boxer e uma calça moletom cinza permanecendo sem blusa, entrei no closet e fechei á porta, aquele era o único lugar na casa que eu poderia ficar em paz Alice nunca pisava ali já que ela tem um quarto só para suas coisas. Eu desliguei á luz e deixei uma única lâmpada acessa no final daquele cubículo, eu gostava de ficar no escuro, ele me ajudava á pensar. Fui até á ultima gaveta do closet e retirei o envelope com á foto de Karina lá de dentro, observei á foto atentamente e como todas às vezes eu sorri diante daquele riso doce de criança da Karina. Sempre que eu tinha problemas ou ficava frustrado com alguma coisa, eu me enfiava naquele closet e ficava fitando sua foto por horas e horas, ás vezes eu pensava em tudo e ás vezes eu simplesmente não pensava em nada, minha mente esvaziava-se, mas hoje ela estava trabalhando mil por hora. Que saudade dessa loirinha, fazia um mês que eu não havia e só nos falamos duas vezes por telefone. Eu queria tanto que ela estivesse em meus braços agora, sentido o calor que emergia de sua pele, vendo ás profundezas dos seus lindos olhos azuis, ouvindo aquele exuberante e delicioso sorriso, sentido seu doce hálito bater contra meu rosto… Nesse exato momento saudade se definia nisso, eu não aguentava mais ficar longe de Karina, era como se meu corpo sentisse falta dela, eu á necessito como jamais necessitei alguém, eu preciso dela só para mim, para sempre, para mim, eu sinto que logo á terei em meus braços, espero que meu intuito esteja certo. Essa saudade dói, dói e não é pouco, eu não sei como um homem pode se apegar tanto assim á uma mulher, eu não sei mesmo, mas comigo e Karina as coisas aconteciam diferente, um sobrenatural nos envolvia em um jogo brutal arrancando dores e saudades, mas ao mesmo tempo sorrisos e aconchego, eu preciso dela como preciso de ar para respirar, eu não sei, eu só quero tê-la, tê-la para sempre, tê-la para nunca largar. Minhas noites se estendiam com pensamentos em Karina, Karina, Karina, Karina, somente Karina e foi diante desses pensamentos que mais uma vez eu dormi, ali mesmo no chão do closet.

Karina

– Onde vocês estavam? – Eu disse assim que eu vi Duca, Bianca e as meninas entrando no apartamento.

– Negociando nossa casa.

– Humm… O QUE?! – Eu me levantei bruscamente do sofá – Então quer dizer que…

– Nós vamos morar no Brasil – disse Bianca rindo.

– Ahhh eu não acredito Bis – Eu á abracei forte.

– Como eu iria conseguir ficar longe dessa loirinha?

– Como nós iríamos conseguir né Bi, meus dias não seriam os mesmos sem irritar essa baixinha – Duca afagou meu cabelo.

– Ô minha gente eu tenho ou não tenho os melhores amigos do mundo?

– Eu sei que á gente é de mais – disse Duca.

– Aii tia á casa é muito linda e vai ter um quarto pra cada um – disse Allysa.

– Ué, e vocês vão conseguir dormir longe uma da outra? Desde que vocês nasceram que vocês são unidas.

– Ahh tia a gente também não nascemos grudadas né, temos que ter nossa privacidade – disse Valentina.

– Olha um milagre acontecendo – Eu peguei Valentina no colo e á enchi de beijo.

– Epa eu também quero isso ai – disse Allysa fazendo bico.

– Vem cá coisa linda.

– Ahh não tia eu não vou sair dos seus braços não.

– Aii Valentina sai daí vai agora é á minha vez.

– Nada haver sai pra lá.

– Ô Bianca não dava pra ter tido somente uma não?

– Ahh Karina a gente não tem culpa se somos bons produtores de criança né.

– É eu mando bem em todas nada mais natural que vim duas logo de uma vez – disse Duca.

– E como resolvemos isso? – Eu perguntei com Valentina ainda em meus braços e Allysa á puxando, Bianca e Duca se olharam rindo e logo depois olharam para mim.

– ABRAÇO EM GRUPO!

Eles se jogaram em cima de mim e Valentina e nós caímos sobre o tapete felpudo trazendo Allysa junto, começamos á rir até que á falta de ar começou á me atingir.

– Gente eu vou morrer com falta de ar e á Ele vai comigo, vocês estão nos esmagando.

– Aii papai você me quebrou – Allysa riu.

– Só você Allysa? A mamãe é magrinha mais pesa pra caramba em.

– Aii Ally não mente vai eu sou bem levinha.

– Ô feito uma pluma – disse Allysa sarcasticamente.

– Então o papo tá muito bom, o papo tá muito bem, mais dá pra vocês saírem de cima de mim? Não é mole aguentar quatro baleias me esmagado.

– Só por causa disso á gente não sai – disse Duca relaxando seu corpo.

– AHHHHH, adeus vida cruel.

– Papai você vai matar á titia.

Eles se levantaram e eu permaneci deitada.

– Karina levanta logo daí

– Aii Bianca eu não sinto meu corpo.

– Hahaha palhaça – Eu dei risada e me levantei.

– Que tal sairmos para almoçar? – Eu propus.

– Comemoração? – Perguntou Duca.

– Comemoração – Nós todos gritamos e logo fomos para o restaurante.