Marcas do Passado
2 Revivendo o Passado
Notas iniciais
Já se passaram seis anos desde a última vez que estive em Konoha. Sou formada em Medicina e acabei de ser contratada por um hospital em minha cidade natal.
– Precisa levar tudo isso de malas? – estávamos em meu apartamento arrumando a bagagem para a viagem.
– Itachi, não reclama... Sabe que essa viagem irá durar muitos meses...
– Sei disso, principalmente, porque vou te apresentar a minha família!
– É muita coincidência você ser de Konoha também... Pelo menos, facilita na escolha de possíveis lugares para morarmos... – ele deu um sorriso lindo, amava ver isso em Itachi. Nos conhecemos em uma biblioteca pública, ele era o empresário que apenas estava se distraindo a procura de um livro e eu era a estudante desesperada em estudar. Começamos a namorar meses depois, meu pai não era muito a favor, entretanto, ele já estava muito doente e a beira da morte. Nunca desejei que ele morresse, mas quando isso aconteceu, me senti aliviada. Espero não ser castigada por isso, mas do que já fui no passado. – Você nunca me falou da sua família... Eles são legais?
– Digamos que eles não mordem... – dei um sorriso de canto. – Eles vão te adorar!
– Assim espero... O sobrenome Yamazaki não me lembra nenhuma família que eu tenha conhecido no passado...
– Eh... Sakura...
– O que foi?
– Bem... – ele respirou fundo. – Haruno também não soa muito familiar, apesar de seu pai ser muito rico...
– É mesmo... Vamos logo, lembre-se de que a viagem é longa!
(...)
Passamos horas dentro do carro a caminho de Konoha. Itachi me levaria primeiro até a sua casa. Ele me contou que desde criança, ele foi morar no exterior com os seus tios para ter uma formação melhor. Sua comunicação com os pais, era exclusivamente por cartas e telefonemas.
Assim que adentramos as fronteiras de Konoha, percebi que a cidade estava mais movimentada, entretanto, continuava a mesma em relação as antigas casas e prédios. Itachi foi dirigindo até o meu antigo bairro, olhei com nostalgia para cada casa. Meu coração começou a palpitar mais forte, quando entramos na mesma rua da minha antiga casa. Minha expressão era de muito medo.
– O que estamos fazendo aqui?
– Minha família mora nessa rua... Sakura, sabe essa história de sobrenome... Eu preciso te contar uma coisa... – ele parou o carro bem em frente a casa dos Uchihas. Saí do carro sem esperar o que o Itachi ia dizer. Olhei para o lado e vi o antigo lugar onde eu morava. Estava abandonado. Entre as casas, ainda existia a velha casa da árvore. Senti uma lágrima escorrer em minha face. Quando dei por mim, Itachi já estava ao meu lado. – Meu nome, na verdade, é Itachi Uchiha... Apenas ocultei esse fato de você pela influência que o seu pai poderia ter sobre os meus negócios se soubesse o meu real sobrenome... Quis proteger o nosso futuro!
– E mais uma vez, meu pai... – ele segurou em minha mão e me levou até a entrada da sua casa. A cada passo que eu dava, o medo tomava conta de mim. Será que o Sasuke ainda mora nesse lugar?
Quando ele bateu na porta, fomos recebidos pela bela senhora Mikoto. Ela continuava com aquela beleza natural, mesmo com os seis anos que se passaram, ela continuava do mesmo jeito.
– Itachi! – ela o abraçou com toda a força e fomos entrando bem devagar. Olhei em volta daquela sala e pude ver que nada havia mudado.
– Mãe, eu gostaria de lhe apresentar.... – ela ficou me olhando, enquanto o Itachi falava. Ela mostrou uma expressão de surpresa e o interrompeu.
– Sakura? – dei um sorriso e concordei com a cabeça. – Menina, você cresceu! – ela me abraçou bem mais forte e o Itachi ficou nos olhando sem entender nada. Nunca contei esses detalhes do meu passado para ele.
– Vocês já se conhecem? – ele perguntou.
– Morei na casa ao lado... Éramos vizinhas!
– Temos tantas coisas pra conversar... Sentem-se aqui! – ficamos todos sentados. O Itachi ficou ao meu lado e a senhora Mikoto ficou bem em frente a nós dois. – Fiquei muito triste quando soube que vocês foram embora... Sua mãe não me disse os motivos...
– Eh... Meu pai quis ficar mais perto de mim durante os meus estudos... Então, fomos todos embora...
– O Sasuke ficou muito diferente depois que vocês partiram... Sabe Itachi, seu irmão e a Sakura eram muito amigos, brincavam desde crianças... – ele me olhou de forma bem estranha, concordei com uma expressão toda sem jeito.
– E onde o meu irmãozinho está?
– Ele saiu com o seu pai, mas já estão chegando... Então, vocês dois estão...
– Namorando... Sim... – ele respondeu bem rápido.
– Podem levar as malas para o seu antigo quarto... Seu pai o reformou e acho que está perfeito pra você e a Sakura caso fiquem no mesmo quarto.
– Com certeza... Já moramos juntos há um mês e em breve vamos noivar...
(...)
Depois desse momento bem constrangedor, fomos pro quarto arrumar nossas coisas. Ele era bem espaçoso e a cama bem grande. Conhecia esse quarto, mas nunca tinha entrado nele. Quando passei em frente a porta do quarto do Sasuke, um arrepio correu em todo o meu corpo. Terei que encará-lo em poucos instantes, não tenho certeza se estou pronta pra isso.
(...)
Quando terminamos de arrumar tudo, olhei pela janela e o Sol já estava se pondo.
– Vou ajudar sua mãe com o jantar...
– Acho uma ótima ideia!
Fui até a cozinha e me disponibilizei a ajudá-la. Ela aceitou bem alegre e logo me deu vários temperos para serem cortados.
– Sakura, querida... Fiquei surpresa em saber que você está namorando o Itachi...
– Por que?
– Achei que seria o Sasuke quem namoraria com você! – fiquei estática com essas palavras. Ela me olhou e percebeu que eu fiquei um pouco serena. – Ah... Me desculpe se eu te ofendi...
– C-claro que não... Sem problemas...
– Voltaram pra cidade apenas pra nos visitar?
– Na verdade não... Vou trabalhar em um Hospital daqui de Konoha, e como o Itachi me disse que sua família era daqui, então decidimos vir embora pra cá, definitivamente...
– Hum... Entendo... E sua mãe? Como está?
– Muito bem... Depois que meu pai faleceu, ela saiu em viagem. Se não estou enganada, ela está em Paris com algumas amigas...
– Nossa... ela está muito bem pra uma viúva...
– Você não faz nem ideia...
Ouvimos barulhos na porta e sorrisos vindo da sala que se aproximavam cada vez mais de onde estávamos.
– Eles chegaram... – ela estava toda alegre. Fiquei de costas pro balcão, pensando na melhor forma de conter o medo que inundava o meu corpo. Pela expressão da Mikoto, eles já estavam atrás de mim, apenas esperando minha reação. Virei meu rosto bem devagar para encontrá-los e assim que meus olhos deram de encontro com aquelas orbes negras e profundas de um velho amigo, percebi que ele deu um passo para trás.
– Sakura? – ele perguntou muito surpreso.
– Meu filho, sua antiga vizinha está aqui em casa e vai ficar por um bom tempo conosco!
– O que você faz aqui? – ainda não consegui falar nada. O tom de voz dele era de raiva.
– Irmãozinho, esse jeito de receber minha namorada está sendo um pouco grosseiro. – Itachi surgiu na cozinha e veio andando para perto de nós.
– Então, a Sakura é a sua namorada? – ele ficou calado por uns tempos. – Meus parabéns... – ele ficou com uma expressão bem séria. Já eu, estava em pânico!
– Rapazes, vão conversar na sala... A Sakura e eu estamos um pouco ocupadas... Durante o jantar conversamos melhor...
Todos saíram e ficou apenas nós duas na cozinha. Minhas mãos tremiam só pelo fato de tê-lo visto e sentindo que ele me odiava pelo passado. Depois que fomos embora, meu pai me obrigou a ligar pro Sasuke para dizer coisas horríveis com o objetivo de afastá-lo de mim e do bebê que eu esperava. Mesmo com esses pensamentos terríveis, voltei a cortar os temperos e em um descuido, acabei cortando o dedo.
– Ai... – acabei gemendo de dor.
– Querida, você se machucou! – ela se aproximou e olhou o sangue escorrer em minha mão. Fui até o banheiro e lavei o sangue e pude ver que o corte era profundo. Como médica, cuidei disse rapidinho e voltei pra cozinha.
– Desculpe... Fui muito descuidada! – continuamos a preparar o jantar e logo, todos estaríamos reunidos em uma mesa.
(...)
Quando o jantar começou, Itachi e eu ficamos de um lado, enquanto o Sasuke ficou bem em frente a nós dois ao lado da sua mãe. O patriarca estava no lugar de destaque na mesa. Todos conversaram normalmente, até o Sasuke deu alguns sorrisos de vez em quando. A família deles era bem diferente da minha.
Flash Back On
– É bom que você coma tudinho! – estávamos sentados ao redor da nossa mesa. Minha barriga já é de oito meses, e a vontade de comer essa maldita comida estava em zero.
– Posso ir pro meu quarto? – perguntei.
– Isso é culpa sua... – ele jogou o meu prato ao chão e acertou um tapa no rosto da minha mãe. – Sua comida não presta!
– N-não é nada disso... – minha voz estava trêmula. – Apenas estou com muitos assuntos acumulados da faculdade para estudar! A comida estava ótima...
– Então vá pro seu quarto e apenas saia de lá quando eu mandar! – fui andando até o meu quarto em passos bem lentos e assim que entrei me joguei na cama e comecei a chorar passando a mão em minha barriga que já estava imensa.
– Minha menina... Te amo tanto!
Flash Back Off
Depois do jantar, ajudei novamente a senhora Mikoto, dessa vez, contribui com as louças. Meu corpo estava bem cansado, demos boa noite a todos e fomos para o nosso quarto.
(...)
Já era mais de meia-noite e eu ainda não havia conseguindo dormir. Itachi estava dormindo profundamente ao meu lado. Me levantei da cama em passos silenciosos e saí do quarto. Fui até a cozinha e peguei um pouco de água para beber. Andei até a varanda e fui olhar a casa da árvore. Me sentei ao chão e comecei a olhar pra esse lugar.
– Sem sono? – Sasuke estava em pé atrás de mim, quando o olhei, ele se aproximou e sentou bem ao meu lado.
– Oi... Tive coragem de dizer isso agora...
– Entendo... – ele continuava lindo, seu corpo estava mais másculo, seu rosto bem formado estava com uma expressão serena, e seu cabelo bagunçado continuava o mesmo.
– Esse lugar é bem nostálgico para mim... E também assustador...
– Seu pai ainda te controla?
– Ele já faleceu há algum tempo...
– Sakura... Por que você foi embora daquele jeito, dizendo aquelas coisas?
– Eu fui obrigada pelo meu pai a dizer tudo aquilo... – olhei para ele e um sorriso de canto brotou em seu rosto.
– Sempre desconfiei disso... Você não era tão má assim...
– Então, vamos ficar bem daqui pra frente?
– Você está com o meu irmão agora... Mas, na verdade, nunca se separou de mim... – ele tocou em meu rosto e eu fiquei um pouco nervosa. – Se você foi obrigada a dizer aquilo, então significa que ainda não terminamos... Então, essa é a sua chance...
– Eh... – ele encostou os seus lábios nos meus e começamos a nos beijar profundamente. Sua língua se sincronizou a minha perfeitamente, como se uma fosse feita para a outra. Em meio a falta de ar, nos separamos e meu rosto parecia um vulcão de tão quente que estava.
– Foi o que pensei... Boa noite cunhadinha... – ele se levantou e me deixou ali, sem saber o que fazer.
Fale com o autor