Marcas do Passado
3 Verdades
Notas iniciais
Após o beijo inesperado que recebi do Sasuke, voltei pro quarto e me aconcheguei ao lado do Itachi. O sono não estava vencendo o meu corpo, na verdade, o que eu sentia era algo que eu não conseguia explicar.
(...)
Quando o dia amanheceu, percebi que foram poucos os momentos em que cochilei, então me levantei logo e fui tomar um banho. Quando saí do banheiro só de toalha, o Itachi estava sentado na cama me olhando.
– Acordou cedo... Dormiu bem?
– Dormi tranquilamente. – disse isso com um sorriso no rosto, mas é óbvio que é mentira.
– Você vai ir ao Hospital hoje?
– Claro... Meu primeiro dia!
(...)
O café da manhã foi tranquilo. Percebi que em nenhum momento o Sasuke dirigiu o olhar até mim. Assim que terminei, me despedi de todos e fui dirigindo no carro do Itachi até o hospital. Assim que cheguei, a Presidente do Hospital estava a minha espera.
– Dr. Sakura Haruno... – ela se levantou ao me receber e apertou minha mão, cumprimentando-me. – Mesmo sendo tão nova, seu currículo é impecável e tive muitas recomendações ao seu respeito, suas pesquisas são muito famosas.
– Obrigada pelos elogios... Vindo da Dr. Tsunade, uma das mais famosas médicas do Japão, é uma grande honra...
– Me diga quais os reais motivos que a trouxeram até Konoha?
– Essa é a cidade na qual eu cresci... E também, tenho alguns assuntos inacabados a resolver...
– Entendo... Mesmo assim, seja bem-vinda...
– Posso conhecer a ala pediátrica?
– Claro que sim... Irei lhe apresentar algumas das nossas crianças... – fomos andando e assim que me deparei com algumas crianças enfermas deitadas em seus leitos. Pude falar com cada uma delas, olhar em seus rostinhos e arrancar um sorriso, por menor que seja, pra mim, faz muita diferença.
Flash Back On
– Eu não vou conseguir! – meus gritos eram de dor. Minha filha estava chegando e meu parto seria improvisado em minha própria casa por uma médica e uma enfermeira particular contratada pelo meu pai. Elas e minha mãe eram as únicas pessoas que se faziam presentes no quarto. – Ahhhh...
– Filha... Vamos... A criança já vai nascer! — ela segurava em minha mão e eu a apertava com força.
Depois de muita dor e gritos, pude ouvir o choro da minha filha. Meu corpo estava exausto e meus olhos querendo se fechar, mas me mantive firme para ver o rostinho do meu bebê. A enfermeira a envolveu em um pano e deu para minha mãe, mesmo com a visão embaçada, eu estendi minhas mãos para tocar em minha filha, ela foi posta em meu lado e eu pude ver o seu perfeito rostinho, seus cabelos negros, suas mãozinhas delicadas, ela estava tão calminha nesse momento. Não consegui ver a cor dos seus olhos, será que são verdes como os meus? Ou negros como os do pai? Em breve eu saberei.
Enlacei a minha pequena em meus braços e comecei a chorar de alegria e emoção ao sentir a minha filha comigo. A porta do quarto foi aberta, olhei e lá estava meu pai conversando com a médica que fez o meu parto. Não pude ouvir o que ele disse, olhei para minha mãe e ela estava com as mãos no rosto, chorando. Senti minha filha ser tirada de meus braços pela enfermeira e ser tirada do meu quarto. Comecei a gritar com as últimas forças que tinha, até sentir todo o meu corpo entrar uma completa escuridão.
Flash Back Off
Depois daquele dia, nunca mais soube nada da minha filha, até alguns meses atrás. Antes disso, implorei, gritei, chorei, me humilhei perante o meu pai, mas tudo o que ganhei foram machucados em meu corpo. Foram os cinco anos mais torturantes da minha vida. Fui proibida de procurar qualquer informação sobre a minha pequena.
Quando meu pai estava em seu leito de morte, ele contou à minha mãe que havia deixado minha filha em Konoha, dentro de um orfanato, para que nunca fosse encontrada por mim.
– Dr. Haruno... O que acha de irmos ver a sua sala? – me desliguei dos pensamentos do passado — Ah... Claro...
Depois de todas as devidas apresentações, voltei para almoçar em casa. E assim que entrei, fui recebida por Itachi que estava na varanda conversando com o Sasuke.
– Oi amor... Oi Sasuke... – cumprimentei cada um deles para tentar parecer normal.
– Você não faz ideia do que eu descobri! – o Itachi disse todo animado.
– O que seria? – perguntei.
– Isso aqui... – ele me mostrou uma foto na qual eu estava em frente a casa da árvore.
– É muito antiga! Como conseguiu?
– Na verdade, estava em meio alguns papéis que eu tinha... – finalmente, o Sasuke se pronunciou. – Decidi entrega-la ao Itachi...
– Hum... Devia ter jogado isso fora... Estou terrível!
– Não está tão feia assim! – Itachi falou em forma de deboche e me puxou para perto de si, selando um beijo rápido em meus lábios. Assim que nos separamos, olhei para o Sasuke e ela não nos olhava, sua visão estava focada em sua frente, ignorando-nos completamente, até que ele apenas nos deixou sozinhos.
(...)
Assim que terminamos o almoço, a Sr. Mikoto resolveu nos contar algumas historias.
– Você devia ter visto Itachi... Quando crianças, o Sasuke e a Sakura em uma brincadeira de atirar pedras acabaram matando um pobre passarinho... Eles ficaram tão tristes, que fizeram até um túmulo para o animalzinho... – começamos a rir.
– Não foi bem assim... O túmulo foi ideia da Sakura, eu apenas ajudei... – o Sasuke disse com um sorriso no rosto.
– Uchiha, você estava tão triste quanto eu...
– A Sakura tem razão... Vocês ficaram até de luto! – a Sr. Mikoto disse em meio a sua risada bem calma, nisso o Sasuke se parecia com ela.
(...)
Já era um pouco tarde, e todos haviam saído. Fiquei na sala aguardando uma ligação bem importante, mas até agora, não havia recebido nada.
A porta da sala se abriu e um Uchiha, ao perceber que eu estava sozinha em casa, se aproximou e se sentou ao meu lado.
– Fico feliz por você ter se tornado uma Médica... Parabéns...
– Obrigada... Sua mãe me contou que você trabalha com o seu pai nos negócios da família... Isso é bom!
– Por que você está namorando o Itachi? Foi o jeito que encontrou para voltar a ter contato comigo? – dei um sorriso de canto.
– Para a sua informação, apenas soube que Itachi era da sua família no momento em que cheguei à porta dessa casa...
– Você não esqueceu que todos da nossa família têm o sobrenome Uchiha... Isso é uma desculpa bem esfarrapada.
– Itachi me deu um sobrenome falso... Ele tinha medo do meu pai, como todos os outros...
– E há quanto tempo vocês estão juntos?
– Já faz uns seis meses...
– Hum... E pretende avançar o relacionamento?
– Como assim?
– Se casar?
– Não sei... Ainda tenho muitos assuntos a resolver... Muita coisa está inacabada em minha vida... e uma delas é... – meu telefone começou a tocar, o atendi bem rápido. – Oi?
– Já temos o que você procura... Estamos a aguardando em nosso orfanato...
– Obrigada... Muito obrigada! – desliguei o telefone e olhei no relógio para ver se não era muito tarde para pegar um táxi. – Preciso sair... Qual é o ponto de táxi mais próximo?
– Se você vai sair, eu a levo...
– Ótimo... Vamos logo!
O Sasuke estranhou assim que pedi que ele estacionasse em frente ao orfanato de Konoha.
– Por que você veio aqui? – fiquei calada, olhando o lugar e sentindo uma emoção tão grande em finalmente, encontrar alguma notícia a respeito do meu tesouro mais valioso.
Fui andando até a entrada e o Sasuke veio me acompanhando sem entender nada. Avisei a recepcionista sobre a minha chegada e ela me pediu para aguardar alguns instantes. Nos sentamos e eu fiquei com um sorriso todo bobo em meu rosto ao ver algumas crianças andando no corredor com alguns brinquedos em sua mãos, acompanhados por pessoas responsáveis por cuidar do lugar.
– Sakura, você ainda não me respondeu... Por que viemos até esse lugar? Por acaso, você e o Itachi pretendem adotar uma criança?
– Vim saber notícias da minha filha... – ele me olhou com uma cara bem assustada. Sua expressão era de uma confusão total. – Entre comigo!
Antes que ele dissesse mais alguma coisa, a recepcionista nos pediu para entrarmos na sala da Diretora do orfanato, pois ela já nos esperava. Assim que entramos, ficamos bem em frente à ela.
– Então, você é a Dr. Haruno? E esse é... O seu marido?
– Não... Ele... Eh... – Sasuke e eu nos olhávamos para tentar entender o que éramos um para o outro.
– Tenho boas notícias... Após os documentos que nos foram enviados pelo seu e-mail, pude realizar toda a documentação correta para comprovar a legitimidade da sua maternidade em relação à Kaori.
– Então, o nome dela é Kaori? Ela sabe sobre mim?
– Uma das psicólogas responsáveis por cuidar e atender as nossas crianças, tem conversado e explicado toda a situação à sua menina... Ela é uma ótima garota e está muito animada e ansiosa com a sua chegada...
– Quem é Kaori? – Sasuke perguntou. – Ela é sua filha mesmo?
– É uma longa história... Você está confuso, mas em breve, eu te explico... – minha alegria era imensa. – Posso conhecê-la?
– Ainda não... Como você sabe, ela nunca foi adotada... Essas foram as ordens do Sr. Kizachi Haruno... Ele era o principal fornecedor de verbas a esse lugar... Quando soubemos da sua morte, ficamos receosos com o destino da Kaori e o que fazer caso surgissem futuros pedidos de adoção... Mas aí, recebemos seu e-mail e seus questionamentos sobre o envolvimento do seu pai com o desaparecimento da sua filha e tudo mais... É óbvio que eu não omitiria esses detalhes a você, já que é a verdadeira mãe da Kaori.
– Espera aí... Você teve uma filha que foi abandonada aqui pelo seu pai? É isso que vocês estão dizendo? – O Sasuke estava um pouco exaltado.
– Sim... – olhei tristemente para ele, e o seu olhar ficou fixo ao meu. – Não posso esconder isso de mais ninguém...
– Então, Sr. Haruno... Soube que você é a única herdeira da fortuna do seu pai, então, sabe que o orfanato continuará necessitando dessa assistência!
– Entendo e fique tranquila... O que preciso fazer para levar a minha filha comigo?
– Um processo como o seu não é demorado... Em poucos dias, eu garanto...
– Obrigada!
– Lembre-se de providenciar o teste de DNA, dessa forma, sua filha logo estará em sua casa...
– Amanhã mesmo eu dou entrada de um teste no próprio Hospital em que trabalho, tudo será bem rápido!
– Então, até breve!
Me despedi da Diretora e logo, Sasuke e eu estávamos dentro do carro a caminho de casa. O que havia ao meu lado era um Uchiha bem calado. Respirei fundo e quebrei o silêncio.
– A filha é sua Sasuke... – ele parou o carro bruscamente em meio à pista, por nossa sorte, as ruas de Konoha não eram muito movimentadas. — Você sabe que eu odeio mentir... Então, vou lhe contar a verdade...
– E você acha que esse é o momento?
– Podemos não ter uma oportunidade melhor... Eu achei que as coisas seriam bem mais devagar, mas tudo está acontecendo muito rápido, então, é melhor você saber de tudo mesmo...
– Pode começar... Estou te ouvindo. – ele ficou me olhando seriamente.
– Depois que tivemos nossa relação sexual, descobri que estava grávida... Minha mãe logo soube e é óbvio que o meu pai também... Ele me proibiu de te procurar e me fez dizer todas aquelas coisas horríveis a você... O pior de tudo era que ele dizia que ia dar a minha filha... Mesmo com tudo o que fiz, ele cumpriu o que disse e me separou da minha pequena... Desde esse dia, eu busquei informações sobre o que ele havia feito com ela, mas tudo se tornava complicado, pois ele sempre me observava... Entretanto, quando ele morreu, minha mãe soube onde a nossa garotinha estava e eu fiz de tudo para recuperá-la e hoje recebi essa confirmação... Minha filha se chama Kaori, e logo se chamará Kaori Haruno...
– Você ia esconder isso de mim por quanto tempo?
– Apenas o necessário. Não queria voltar como a Sakura fracassada e oprimida que perdeu a própria filha... Minha vontade era tê-la novamente em meus braços...
– O Itachi sabe sobre isso?
– Não... Ele pensa que eu voltei pra Konoha pelo trabalho, mas isso foi apenas uma desculpa para me aproximar da minha pequena... Vou reformar a minha antiga casa para morar sozinha com a Kaori...
– O que te leva a pensar que tudo será fácil? Eu estou me sentindo tão perdido... – ele apertava com força o volante do carro. – Se temos uma filha agora, eu quero assumi-la...
– Hum... Qual será a reação de todos ao saber sobre nós dois?
– As coisas vão ficar bem complicadas...
– Nós dois temos alguns dias para nos preparamos para contar a todos... Não podemos simplesmente aparecer com a Kaori e dizer que a família ganhou mais um membro... Temos que contar antes que ela chegue em sua casa...
– Certo... Mas, você vai continuar com o Itachi?
– E por que não?
– Se temos uma filha, por que não ficamos juntos para cuidar dela?
– Não é tão fácil assim...
– Escuta Sakura... Se você sabia que a nossa filha estava em Konoha, então você fazia ideia de que me encontraria... Mais cedo ou mais tarde, eu ia saber de tudo... Então, você devia ter se preparado...
– Você tem razão... Esse foi o real motivo por eu ter aceitado namorar o seu irmão... Ele era muito parecido com você... Quando eu contasse a verdade, ele não ia se negar em aceitar a minha filha, ele é um homem muito bom... E se um dia eu o encontrasse, poderia afirmar que a filha era do Itachi... Mas, o destino me pregou uma peça... A semelhança entre vocês dois também está no sangue... O Itachi é seu irmão e o tio da Kaori... Não poderia mentir mais... Por isso, quando você se ofereceu para me levar ao orfanato, eu não recusei o pedido e te trouxe para que você descobrisse tudo...
– Sakura... Como você pode pensar um absurdo desse? Droga... Você é muito idiota! Sabe por que o seu pai sempre te manipulou? Porque você é fraca! Fraca pra lutar por aquilo que é importante... Eu não vou deixar ninguém ficar ao seu lado cuidando da minha filha, nem que eu tenha que desafiar o meu próprio irmão pra isso! – fiquei sem saber o que dizer. – Aprenda comigo o que é lutar de verdade!
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