Marcas do Passado
1 Manipulações
Notas iniciais
Corri que nem uma louca até o parquinho que ficava um pouco distante da minha casa, mais ou menos, duas quadras. Assim que cheguei lá, me sentei sobre a grama e comecei a chorar, perdidamente, aquelas palavras foram como espadas afiadas em meu peito.
“Você não tem valor algum, seu objetivo é pelo menos dar algum lucro depois de tudo o que passamos por você.”
Em meio a esses pensamentos, senti uma mão tocar em meu ombro, olhei pra trás e lá estava ele, Sasuke Uchiha, meu vizinho, moreno, cabelos negros e olhos de mesma tonalidade, duas orbes profundas e perfeitas. Ele sentou-se ao meu lado, mas não disse nada.
- O que você faz aqui? – perguntei.
- Era você que não devia sair correndo assim, desse jeito e nesse horário, é perigoso... Então, vim lhe fazer companhia.
- Hoje é nossa formatura, você devia estar comemorando com os seus amigos! – limpei as lágrimas do meu rosto.
- E você? Devia estar com seus amigos também...
- Você é a única pessoa que sentiria minha falta em um lugar...
- Eu sei, mas... Seu pai brigou outra vez?
- Como sempre! Daqui há dois meses, eu começo a estudar na faculdade de Medicina, e ele ainda me manipula... Eu me odeio!
- Hum... A faculdade pode ser sua chance de liberdade...
- Penso nisso todo dia, tentando me confortar... Tenho medo que piore!
- A única coisa ruim é o fato de não poder vê-la mais...
- Você foi meu único amigo!
- Amigo? – ele riu. – Eh... Quer ir comigo até a casa da árvore?
- Acho que já somos bem grandinhos pra ir lá...
- Pelos velhos tempos... – ele se levantou e me puxou pela mão. Fomos andando até a nossa casa da árvore, que ficava bem ao lado da minha casa, que por sinal, estava em total silêncio, meu pai não dava a mínima pra mim. Assim que subimos, ele fechou o alçapão e ficamos deitados sobre uns cobertores que haviam dentro da casinha. – Lembra das vezes que dormíamos aqui e seu pai ficava uma fera por não saber onde você estava?
- Como poderia me esquecer? Por sua culpa, eu ficava de castigo por muito tempo! – comecei a rir.
- Viu como ficar comigo faz bem? Você parou de chorar e nem percebeu. – mesmo deitados, ficamos um de frente com o outro. Ele tocou em meu rosto bem devagar, e foi fazendo movimentos lentos sobre o meu corpo até colocar sua mão sobre a minha cintura, me puxando mais para si. Nossa proximidade era tão grande, que eu podia sentir sua respiração misturada à minha. Passamos a nos beijar bem devagar, mas aos poucos, o beijo foi se tornando mais rápido e mais profundo. Ele ficou sobre mim, e começou a tirar minha roupa. Em poucos segundos, estávamos totalmente despidos, o Sasuke nem se incomodou com o fato de estar nu em minha frente, já eu estava toda vermelha, ele é o primeiro homem que me vê assim. Ele beijava todo o meu corpo, isso me acalmava. Ele não esperou muito e logo se posicionou entre as minhas pernas. Meu corpo estava um pouco trêmulo,e minhas mãos seguravam o lençol para abafar o nervosismo. Até que eu senti o seu membro me penetrando bem devagar, a dor estava um pouco forte. Ele me olhou e selou um beijo em meus lábios enquanto me penetrava ainda mais, fazendo alguns movimentos leves dentro de mim. Aos poucos, a dor deu espaço ao prazer, me fazendo gemer de tanto prazer que emanava dos nossos corpos. Depois de alguns instantes, chegamos juntos ao prazer e senti algo diferente dentro de mim. Ele se deitou ao meu lado bem ofegante. Me aconcheguei em seus braços e acabei adormecendo.
Senti os primeiros raios de sol sobre o meu rosto, me levantei e vi o Sasuke sentado me olhando. Acho que fiquei toda sem jeito, pois meu rosto esquentou e eu nem sabia o que falar. Ele chegou mais perto de mim, tocou em meu rosto e manteve o seu olhar sobre o meu.
- Eu te machuquei?
- Machucar? Eh... – ele olhou pro lençol e eu acompanhei seu olhar até uma mancha de sangue. – Ah... Acho que isso é normal quando... Você sabe né...
- É melhor você voltar logo pra sua casa...
- C-certo! Vamos... – Me levantei e juntos, descemos da casa da árvore. Não nos abraçamos, nem nos beijamos, apenas falamos juntos: — Até.
Ele se virou e foi pra sua casa e eu dei uns passos a mais pra chegar na minha. Assim que entrei, minha mãe estava sentada no sofá me esperando.
- Sakura Haruno, onde passou a noite?
- Na casa de uma amiga mãe... Era a minha formatura, se não é importante pra vocês, é importante pra mim.
- Eu sei... Apenas fiquei preocupada... O jeito que seu pai falou com você... Eh... – ela veio em minha direção e me deu um abraço. – Agora, vá pro seu quarto e tome um bom banho, essas roupas estão um pouco sujas. Vá! — Fui pro meu quarto e fiz exatamente o que a minha mãedisse.
(...)
Durante toda a semana, o Uchiha e eu nem nos falávamos. Na verdade, até que ele tentou, mas eu fugi de uma conversa, porque não faço a mínima ideia do que dizer a ele. Meu celular tocou, olhei e vi um número desconhecido. Assim que atendi, uma voz bem familiar soou da outra linha.
- Tenho uma surpresa pra você!
- Pra mim?
- Você pode vir aqui em casa?
- Eh... Me espere aí, já estou chegando.
(...)
Entrei na casa do vizinho, sem bater nem nada. Fui correndo direto pro quarto do Sasuke. Assim que entrei, ele pegou um envelope do seu bolso e assim que abriu, fui capaz de ver uma linda foto, na qual Sasuke e eu estamos juntos.
- É pra você! – eu fiquei até emocionada com o gesto do Sasuke.
- Por que está me dando um presente?
- Mesmo você não sabendo, mas acho que hoje deveríamos completar uma semana juntos...
- Eh... Juntos? Você sabe que estarei indo embora pra bem longe em alguns dias...
- E daí? Nunca ouviu falar em celular?
- Engraçadinho... – ele riu e me puxou para perto de si, selando um beijo em meus lábios que me tirou o fôlego.
- Não fuja mais de mim!
- Me beijando assim, acho difícil!
(...)
Voltei pra casa e assim que cheguei, meu pai estava vendo televisão. Tentei passar sem ser percebida. Mas, foi em vão. Ele me chamou e pediu pra que eu ficasse bem de frente com ele.
- Você não está mais estudando, então, o que fazia na rua?
- Fui falar com a mãe do Sasuke. Ela queria uma receita de bolo pra... – ele acertou um tapa na minha cara.
- Não importa o motivo... Não quero que saia dessa casa! Se tentar me contrariar, sabe muito bem as consequências. – coloquei a mão no rosto, e saí de perto dele com os olhos todos lacrimejando. Tenho que ser forte e aguentar isso. Em poucos dias, eu saio daqui.
(...)
Minha única comunicação com o Sasuke era pelo celular. Olhávamos pela janela um do outro e ficávamos a trocar olhares e sorrisos. Ficamos assim por três semanas.
(...)
Acordei bem enjoada e tonta. Minha mãe me chamou pro café da manhã. Mas, preferi ficar deitada. Como ela é bem preocupada, levou o meu café até a minha cama e me forçou a tomar tudo. Quando estava prestes a dar o último gole, saí correndo até o banheiro e despejei tudo.
- Você precisa ir ao médico! E vamos agora! – ela pediu que eu trocasse de roupa e me levou de carro até o hospital.
(...)
- Parabéns minha jovem... Você está grávida!
- Eh... O que? – perguntei assustada.
- É normal ficar com medo, mas se você fizer o acompanhamento do pré-natal todo certinho e tiver o apoio da sua família, esses problemas vão passar bem rápido.
(...)
Voltamos pra casa, minha mãe me acompanhou até o meu quarto sem dizer nada. Mas, assim que ela me deitou na cama, ela se sentou ao meu lado e me bombardeou de perguntas.
- Quem é o pai? Por que não me disse? Faz quanto tempo que você não é virgem? Onde foi?
- Mãe, calma! Eu to cansada... Quero ficar só...
- Apenas me diga quem é o pai! Espera aí... É o filho da Mikoto? – concordei com a cabeça. Ela estava tão nervosa quanto eu. – Durma e depois eu volto pra conversarmos.
(...)
Assim que acordei, olhei pro calendário e vi que ainda tinha uma semana pra ficar na cidade. Mas, agora, tem um bebê nessa história. O que eu faço?
Levantei e fui tomar um banho... Depois que me arrumei, ouvi alguns barulhos vindo da parte de baixo de casa. Saí correndo em direção ao barulho e vi o meu pai batendo em minha mãe. Ele olhou pra mim e disse:
- É uma vagabunda!
- Sakura... Filha, não desça... Volte para o seu quarto... – Minha mãe disse em meio ao choro.
Meu coração palpitava muito forte. Voltei pro meu quarto com o corpo todo trêmulo. Olhei pela janela e não vi o Sasuke. Não sei o que fazer. Se eu não agir rápido, minha mãe vai sofrer muito. Entretanto, ela nunca quis que eu ligasse pra alguém pra dizer o que acontecia dentro de casa. Se eu ainda suporto isso, é pela minha mãe e agora, por esse filho.
(...)
Acordei com os raios de Sol incidindo em meu rosto. Ouvi um barulho no meu quarto e assim que olhei para a frente, vi minha mãe arrumando minhas roupas em uma mala.
- Mãe?
- Sakura... Estamos indo embora... Seu pai já providenciou uma casa na cidade em que você fará a faculdade, para que eu possa te ajudar durante a sua gravidez...
- Mas, e o Sasuke?
- Ele não quer que o garoto saiba disso... Filha, ele decidiu dar esse bebê pra uma outra família, parentes distantes do seu pai que querem uma criança... É o melhor pra você!
- Que absurdos são esses? O filho é meu e do Sasuke!
- Por favor, Sakura... Você sabe do que o seu pai é capaz... Faça o que ele quer!
- Isso nunca... Ele não vai mais mandar em mim! – saí correndo do meu quarto e fui em direção a porta de saída de casa, mas ela estava trancada. Tentei as portas do fundo, mas, infelizmente, não obtive sucesso. Me joguei no chão e olhei ao redor. As janelas, as portas, tudo estava trancado.
- Sakura... Seu castigo por me desobedecer está apenas começando. – ele estava bem de frente comigo com o meu celular em suas mãos. Meu pai me olhou com desprezo e ódio. – Se você falar alguma coisa pra alguém, qualquer pessoa, eu mato você e a sua mãe... É bom ir logo arrumando as malas, a partir de hoje, você não vai ficar longe do meu olhar.
(...)
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