Marcas de Uma Vida
4 Anéis
Notas iniciais
Ruki acordou totalmente destruído, o rosto estava vermelho e um pouco inchado. Olhou em volta ainda tonto procurando alguém que saberia que não o acharia, fungou olhando Uruha. O loiro estava no chão, recostado no sofá, dormindo.
Se levantou, cambaleando, parou para ver o estrago que fez. Em um canto estava cacos dos enfeites que Uruha se esqueceu de jogar fora, a mesinha estava quase destruída e o golfinho azul estava inteiro. Era o único objeto que ficou praticamente intacto.
O baixinho foi para o quarto e parou na porta, imagens preencheram o ambiente, deixando cenas do baixista na manhã em que completaram 6 anos de namoro, passando como filmes.
Podia ver Reita estendendo um ursinho de pelúcia que ganhara de aniversário, as imagens sumiram dando lugar a lágrimas. Ruki deitou-se na cama de casal se agarrando ao ursinho.
Aquele quarto parecia tão frio e escuro, o aroma de Reita estava em todos os lugares: No travesseiro, na cama, no urso; Ruki se lembrou das calorosas risadas do loiro. Doía-lhe tanto a ponto de querer arrancar o próprio coração, não importando que sangrasse.
Abafou gritos e gemidos do choro no travesseiro, queria dizer que aquilo não passava de um pesadelo, queria acordar e beijar Reita, abraçar com toda força que tinha e dizer que o ama. Não podia fazer isso.
(...)
_Ele acordou?-Aoi perguntou baixo.
Uruha balançou a cabeça negativamente. Kai se sentou no sofá, cansado, estava segurando a tal caixinha preta. Algumas horas foram marcadas pelo silêncio, até que gritos do vocalista fizeram todos saírem correndo para o quarto do mesmo.
Ele se debatia enquanto chorava, Kai e Aoi o seguraram para que não se machucasse e acordaram o vocalista, que só parou de chorar minutos depois.
_Você tem que conversar Uruha e eu vamos estar na sala caso precisem. -Aoi disse fechando a porta do quarto.
Ruki estava sentado na cama tentando recuperar um pouco das forças que pareciam ter sumido, Kai buscou as palavras que julgou certa, sentou-se ao lado do amigo.
_É um assunto bem delicado ainda... Está doendo em todos nós e deve estar doendo ainda mais em você... Bem aqui. — Kai indicou em seu próprio corpo o coração.
Ruki não conseguiu falar, só acenou com a cabeça com a cabeça, passou a mão pelo nariz.
_Sabe... Ele estava com muitos planos que não pode colocar em pratica. -Parou tentando ter forças.
Kai pegou a caixinha preta, ficou brincando com ela entre os dedos enquanto pensava no que falar.
_Uruha achou isso com Reita, ele segurava na hora em que foi... Atropelado, achei que você merece ficar com isso, por ser direito seu. — Kai estendeu a mão mostrando a caixa.
Ruki lentamente estendeu a mão temendo o que teria dentro daquela, respirou fundo e a abriu. As lágrimas tomaram o controle, o vocalista pegou uma das alianças e leu. Fechou os olhos com força sentindo uma estaca ponte-aguda atravessar-lhe pelo peito.
“Tenho que pegar uma encomenda"
Começou a soluçar ao entender o que estaria acontecendo. Seu choro ficou mais denso, se levantou e deixou as alianças na cama. Foi na direção a uma cômoda que tinha diversas fotos dos dois. Ruki começou a quebrar os porta-retratos, tacando-os no chão e o mais longe que conseguia.
Odiava Reita por te-lo deixado, odiava o fato de se sentir sem ninguém. Não iria perdoá-lo por te-lo deixado, pelo menos até que Ruki conseguisse entender que Reita não teve culpa de nada.
_EU NÃO PEDI PARA ELE IR BUSCAR ESSA MERDA DE ALIANÇA!- Estava vermelho e seu choro o atrapalhava. -Por culpa dele eu estou assim! POR CULPA DELE!
_Ruki para com isso!- Kai se levantou as pressas e sacudiu o baixinho, teve que gritar para chamar a atenção do mesmo.
_ELE NÃO PODIA TER FEITO ISSO COMIGO!-Levantou a voz- NÃO PODIA!
Gritava enquanto abraçava intensamente Kai. O baterista tentava em vão acalmar o menor.
Na sala, Aoi e Uruha escutava os berros e coisas quebrando, uma coisa atormentadora. O loiro começou a chorar querendo que Ruki parasse. Aoi precisou abraçá-lo, deixou que chorasse.
_Ele sangrava... Muito... -Uruha se lembrou da cena em que Reita foi atropelado, e pala primeira vez, voltava à realidade.
(...)
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“Não há como descrever a dor de quando você perde a coisa mais importante da sua vida, você preferia estar morto ao ter que suportar tudo. Não consegue me ver? Mas eu estou bem aqui ao seu lado"
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Mais um dia se passou devastando tudo que Ruki podia chamar de amor, tiraram a coisa mais importante que tinha. Um dia novo começa dando início a uma vida de dor e saudade.
Ruki estava sentado na sacada do apartamento que dividia com o namorado, tragou o resto do cigarro e o apagou em um cinzeiro próximo a ele.
_Está muito cedo, o que faz ai?- Uruha chegava com uma xícara de chá estendendo-a ao amigo.
_Obrigado, mas não consigo digerir nada. -Falou em um tom triste- Fico vendo se ele vai voltar, mesmo sabendo que não.
O loiro balançou a cabeça tentando não se lembrar de tudo.
_Você precisa se alimentar, eu posso fazer algo para você comer.
_Estou sem fome. — A voz tremeu.
Uruha colocou a xícara em cima de uma pequena mesa, saiu da sacada falando alguma coisa.
_Não continue assim, por favor... Você vai fazer a gente sofrer, entende que está triste, mas nós também estamos. Não quero perder outra coisa importante. — Virou as costas e deixou Ruki sozinho.
O menor sentiu-se atingido de certa forma, colocou a face entre as mãos e chorou.
(...)
Kai estava em casa com Miyavi, estavam deitados no sofá sem fazer nada. Sós dois estavam apenas abraçados e deixando o silêncio permanecer.
_ Como consegue?
_Consigo o que? — O baterista perguntou confuso
_Se segurar dessa forma.
_Preciso passar um pouco de segurança para Ruki- Sorriu cansado- Ele está pior que qualquer um de nós, Reita era uma pessoa indispensável em nossas vidas. Uma amizade de quase 10 anos, mas, para Ruki é diferente... Eles são mais que amigos: são namorados, companheiros. Ou... Eram.
_Mas...
Kai fez sinal demonstrando que ainda não tinha terminado.
_Se não conseguir tentar me manter seguro, acho que não tem como a gente se estabilizar novamente. Para falar a verdade... Eu estou em cacos que não poderão ser totalmente colados. -A voz tremeu- Não sei o quanto mais eu vou agüentar. São tantos problemas.
_Estou com você, não se preocupe. — Miyavi beijou a testa do amante.
_Sabe... — Kai desviou o olhar e mudou o assunto- queria você por completo só que "ela" não deixa.
_Não posso pedir o divórcio agora. Acho que ela iria pirar, tenho medo por minha filha.
_Ela sabe de alguma coisa entre nós?
_Não. Se ela soubesse faria um escândalo e prejudicaria a sua carrei... — Parou ao recordar Kai passava por um momento difícil- Ela tem me feito umas perguntas estranhas.
_Que tipo de pergunta?
_Se já houve traição de minha parte. Pelo que me falou, podia jurar que me viu beijando outra, que no caso...
_Era eu. Temos que tomar mais cuidado podia ter sido um fotógrafo ao invés dela.
_Ela está tentando me ameaçar.
_COMO? Ela não pode fazer isso! Não a deixe te ameaçar só por causa do título de sua mulher.
Miyavi balançou a cabeça concordando enquanto brincava com os dedos de Kai.
_Ela deve estar muito desconfiada, preciso dobrar meus cuidados quando for vir para cá ou te encontrar em lugares abertos.
Kai ficou calado processando as palavras, parecia que os problemas faziam fila. Estava destruído por ter perdido um dos melhores amigos, e agora, corria o risco de perder outra pessoa que amava, ele não saberia por quanto tempo mais agüentaria. Miyavi é casado com Melody e tem uma filha, mas o cantor dizia cansado das crises de ciúmes da esposa. O amor entre marido e mulher tinha morrido e se perdeu a coisa que mais queria era poder pedir o divórcio.
Queria viver com a filha e ir morar com Kai, mas sabia que ela não aceitaria a separação e muito menos perder a guarda da filha. Ele precisava pensar no que fazer.
Ás vezes pensava que o melhor a fazer era terminar com Miyavi, por precaução, não podia porque o amava demais. Nem mesmo a esposa dooutropoderia mudar isso, mesmo se quisesse.
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"Eu posso ver como você chora,
Posso sentir sua angústia,
Estou te chamando,
Consegue escutar?
Eu tento tocar sua face,
Mas não consigo.
Me escute, ouça minha voz.
Eu não morri."
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