Notas iniciais
Desculpem a demora, mas ai está! Espero que gostem...

Alguns Dias se passaram a dor da perda de Reita não tinha cicatrizado e provavelmente não iria. Ruki não saía mais de casa, ficava dia e noite trancado no apartamento cheio de lembranças que o machucava a cada minuto. O menor tentava seguir em frente mesmo que as lembranças não permitissem. Sabia que levaria tempo para passar um pouco essa dor, só queria saber quando.

Aoi revezava com Kai e Uruha para que Ruki nunca ficasse sozinho. Temiam o que o baixinho pudesse fazer alguma besteira, todos o aconselhou a deixar o apartamento e que fosse morar com um deles, Ruki se negava a ir. Queria ficar em um lugar que não o deixasse esquecer-se de Reita, com medo que um dia acabasse esquecendo ele, do sorriso, ou o que Reita tinha significado para ele.

Dessa vez era Uruha que estava no apartamento com Ruki. O loiro desceu na portaria para ajudar Aoi e Kai a subirem com algumas sacolas de compras. Ruki estava sentado na sala, encarando o vazio que estava naquele ambiente que antes era cheio de alegria e risada.

_Ele disse que voltaria... — Conversou sozinho.

Levantou-se e ficou parado na sala. As palavras, promessas, um simples gesto, tudo que Reita falou ecoava em sua mente, torturando-o.

“você me ama?"

“Ruki, eu nunca vou te deixar."

Aquela maldita sensação era pior que qualquer tipo de dor física. Não seria um simples calmante de tarja preta que faria as feriadas curar. Ruki se recusava a aceitar que Reita está morto, tentava acreditar que ele voltaria ou que diria mais uma vez que o ama. Esperanças difíceis de manter.

Ainda estava meio perdido enquanto caminhava até a sacada. A única certeza que tinha era que Reita tinha levado todos os motivos que o prendia ali. O menor parou quando encostou a barriga na fria grade de vidro. Olhou para baixo, viu pessoas como se fossem formiguinhas andando depressa, carros coloridos indo e vindo.

Ruki impulsionou seu corpo e se sentou naquela grade, estava praticamente pendurado, um movimento errado e cairia. Começou a chorar quando se lembrou de uma pergunta pelo namorado.

“Não está pensando em fazer besteiras, está?"

-Não... Naquele dia... -Chorava descontrolado.

Impulsionou-se para frente na tentativa de suicídio, mas antes que pudesse separar seu corpo da grade algo envolveu seu pescoço e puxou ferozmente para trás. Aoi deu um "mata-leão" para conseguir tirar Ruki de cima da grade. O menor caiu no chão de costas, ficou respirando fundo para recuperar o fôlego. Tossiu um pouco por conta da força utilizada para tirá-lo de cima da grade.

_FICOU MALUCO?-Aoi gritou com tal atitude irresponsável.

O menor ficou menos de dez minutos sozinho e tentou se matar, isso não tinha irritado só Uruha. Levaram Ruki para sala, este ficou com o rosto entre as mãos chorando. Kai se ajoelhou e olhou com pena para o amigo.

_Não é se matando que seus problemas vão sumir. Os seus até vão, só pare e pense nos problemas que isso causaria ao resto de nós.

Ruki chorava mais forte agora. Kai o abraçou e deixou que chorasse aliviar aquela tristeza seria melhor que se ficasse acumulando para ele. Aoi foi para o lado de fora um pouco estressado com o ocorrido, percebendo isso, Uruha o seguiu.

_Não podemos deixá-lo aqui, temos que arranjar outro lugar para ele ficar.

_Não vou ficar mais bancando a Babá se ele continuar desse jeito!- Aoi acendeu um cigarro.

_Tente por mais um tempo. Sabe que para Ruki é mais difícil de aceitar do que qualquer um de nós.

_Ruki, Ruki, Ruki! Será que ele não vê que TODOS estão sofrendo? O Reita podia namorar com ele, mas era meu... Amigo. -Tragou mais uma vez o cigarro.

_Reita era meu melhor amigo! Para de ficar pensando só em você, Aoi. Dá próxima vez pode ser que ninguém chegue a tempo de salva-lo.

Uruha foi para sala sem escutar uma resposta. Aoi sabia que Ruki era o mais emotivo dentre todos eles, só não queria ficar em silêncio sofrendo sozinho. Apagou o cigarro e pensou em não causar brigas.

_Agora quem quer pular daqui de cima sou eu.- Pensou alto.

(...)

Kai levou Ruki para o quarto, ambos se sentaram no meio da cama.

_Queria ter evitado o acidente. Acho que eu podia... -Ruki disse encarando uma almofada.

_Também pensei nisso. Pensei que se eu tivesse ficado mais um pouco como ele me pediu, talvez Reita não precisasse ir a joalheria. Aoi me fez perceber que mesmo se eu estivesse lá não poderia ter feito absolutamente nada. -Desviou o olhar.

_Comigo é diferente... -Ruki deitou no colo do amigo- Sabe... Lembra de algumas noites em que eu acordava... Agitado?

_Lembro.

_Sempre que eu fechava os olhos eu via um filme passar na minha mente. -A voz tremeu- Eu me via parado encarando Reita a certa distância, em um lugar escuro. — Parou.

Kai ficou calado tentando entender o que uma coisa teria haver com a outra.

_Eu corria para ele, mas parecia que eu não me movia. E Reita lá, parado... Sorrindo. Eu tentei correr por causa da sensação estranha. Vi o sorriso dele morrer e quando paro... Escuto um barulho muito alto, depois berros... E vejo Reita atirado no chão. — Deixou uma lágrima escapar ao se lembrar do pesadelo, prosseguiu com voz de choro- Eu tentava gritar o nome dele, mas minha voz não saía! Nesse maldito pesadelo... Eu vi a rua... E o carro que o atingiu era idêntico ao do meu sonho... E antes que eu acordasse gritando, eu sempre via Reita sangrando! Eu sabia que algo ruim estava para acontecer, mas eu preferi acreditar que tudo não passava de um sonho de merda!

_Ruki... — Ele não teve argumentos, ficou acariciando os cabelos cor de mel do baixinho.

No quarto só se escutava pequenos ofegos e uma respiração acelerada. Ficaram daquele jeito por quase uma hora, até que Ruki foi vencido pelo cansaço e acabou dormindo. Kai teve cuidado ao sair do quarto para não acordar o pequeno. Foi para sala.

Aoi estava deitado no sofá com Uruha, o loiro estava com a cabeça apoiada no tórax do moreno quase dormindo. Kai parou de frente aos dois com uma expressão séria. Sentou-se no chão.

_Descobri a razão do Ruki acordar gritando.

_Como?-Uruha abandou o tórax do moreno e se arrumou no sofá.

_Ele me contou. Ainda estou estranhando as coisas que ouvi...

_Então, o que descobriu?- Aoi perguntou curioso.

Kai suspirou, contou tudo com as palavras que escutou. Uruha ficou perplexo com aquilo tudo. Antes que pudessem fazer algum comentário não construtivo, o telefone de Kai toca.

_Um minuto. — Foi para a sacada, deixando Aoi e Uruha na sala.

_Agora entendi o motivo dele não falar sobre o assunto com Reita. — O moreno encarou Uruha.

_Foi algum tipo de... er... Premonição?

_Não sei. -Desviou o olhar- Uruha, eu tenho que te contar uma coisa... Naquela noite, antes daquele maldito cara...

Kai entrou pela sala interrompendo a conversa

_Vão ter que me desculpar, mas eu tenho que ir embora.

_Aconteceu alguma coisa?

_Hm... Sei lá, Miyavi disse que temos que conversar. Não gostei do tom dele.

_Sem problemas. Eu e Aoi vamos ficar aqui com Ruki. Pode ir tranqüilo.

_Obrigado. -Kai acenou com a mão e deixou o apartamento.

_O que ia me contar antes dele entrar?- O loiro estava curioso

_Eu... Consegui ver as duas últimas escritas da placa do carro. — Aoi desviou o olhar.

_Hã? Mas no depoimento você disse... Não contou isso para a polícia?

_Não achei que ajudaria muito.

_Mas ajudaria sim! Um pouco que fosse! Aoi, você precisa falar com o investigador sobre isso! -Uruha se irritou.

_Não. Eu não fui com a cara dele. Alguma cosa me diz que ele não é confiável.

_Vou fingir que não escutei isso!

_Eu não vou com a cara dele. -Falou em um tom alto- Escutou agora?

_Olha aqui Aoi... -Aoi fez sinal que queria falar

_Essa história do Ruki... * respirou*... Ter pressentido a morte de Reita... — Disse estranhando o fato.

_O que tem? — O loiro disse irritado com o desvio do assunto.

_Se eu mostrar pra ele será que ele vai ser capaz de reconhecer a placa? Pelo que Kai falou, Ruki viu a rua onde tudo aconteceu... Porque não reconheceria a placa?

_É... Pode até ser que de certo- Uruha concordou- Mas depois que Ruki reconhecer os números ou não, você vai procurar o Hayato-san e contar tudo que sabe! Não estou perguntando.

_Ta, eu converso com ele... — Aoi teve que aceitar ou o loirinho brigaria até não poder mais.

(...)

A noite caiu, Uruha estava deitado no sofá adormecido. Aoi agachou-se perto doloiro, acariciando os cabelos lisos. Aos poucos Uruha abriu os olhos, sorriu de canto quando viu quem lhe fazia carinho.

_Quer chá, café, alguma coisa? -Aoi ofereceu.

_Acho que vou beber um pouco de café. Ruki acordou?

_Ele está na cozinha.

Ambos foram para a cozinha falar com o amigo. Ruki serviu café aos amigos e se sentou logo em seguida.

_Kai me falou sobre... Seu sonho. -Uruha bebeu um pouco do café.

_Sonhos não viram realidade, sonhos não te destroem em todos os sentidos... Sonho seriam coisas boas e não coisas ruins... Isso é um pesadelo. -Comentou sério.

_Aoi tem uma coisa para te contar.

Ruki deixou o recipiente sobre a mesa e fechou ainda mais a expressão.

_Fala.

_Eu consegui ver as últimas dois dígitos da placa do carro que matou o Reita.

_Hã?!-Arregalou os olhos com a expressão assustada. Uruha continuava calado. — Você disse que não tinha visto nada! Você mentiu?! Já poderia te achado o maldito assassino!

_Calma. Pare um pouco e pense: Quantos carros vermelhos podem ter o final da placa "72" pode haver? Demoraria muito tempo até acharem o...

_Dane-se o tempo que levaria! Eu só quero que esse desgraçado pague pelo que fez! Quero vê-lo atrás das grades!

_Eu também quero que achem o culpado, mesmo sabendo que um filha da... Mãe desses só vai pegar alguns anos de prisão. Tsc, ele deve ter tanto dinheiro como nós temos.

_Comprarei quem for preciso para ver o rosto desse safado apodrecer.

_E se pegassem um inocente com os 2 dígitos que eu tenho?Sem essa...

_Seja quem for alguém vai ter que pagar por te-lo tirado de mim. — Ruki se levantou e foi para o quarto.

_Parabéns, Aoi. Agora eu te dou 48 horas para você mudar seu depoimento, se não fizer isso, eu faço por você. Hayato-san irá te procurar dentro desse tempo. — Uruha saiu da cozinha irritado.

_Tsc... -Aoi passou a mão pelo rosto. -Eu não deveria ter dito nada...

(...)

Uruha estava com raiva da atitude de Aoi, sobre esconder um fato importante que com certeza iria ajudar em alguma coisa. Ele esperava não precisar procurar a ajuda do investigador para que Aoi falasse sobre a placa do carro. Não queria comprometer Aoi e sabia que se procurasse a polícia daria problemas à eles.

_Podemos conversar?-Aoi sentou na cadeira ao lado.

Uruha olhou de canto e assentiu.

_Sobre o que conversei ontem, eu tomei minha decisão. Vou mudar o depoimento amanhã cedo.

_Não faça isso, por favor. — Abaixou a cabeça tendo o olhar surpreso do moreno sobre si. -Isso vai te prejudicar... Vão falar que você estava mentindo para não prejudicar o motorista.

_Eu não faria isso! O que eu mais quero é descobrir quem foi o safado!

_Não estou falando que faria. -Olhou para o outro com um brilho triste- Não precisa mudar o depoimento, eu conversei com Ruki e ele também concordou que é pequena chance de descobrir quem é.

_Se descobrirem depois, eu vou me dar mal.

_Não vão descobrir Aoi. Se tivermos que reconhecer o carro, você até pode dizer que se lembra da placa.

_É... -Pareceu indeciso- Acho que não vai dar problema pra mim ou pra algum de vocês.

Uruha sorriu. Estava mais aliviado por Aoi não precisar mudar o depoimento, ele tinha pensado bastante sobre o assunto e chegou a conclusão de que se importava mais com Aoi perto dele à ter que se afastar do moreno ou causar problemas ao amigo.

Aquilo tinha mexido muito com Uruha. O medo de ser culpado por algo que no futuro prejudicaria Aoi era maior que achar o possível dono do carro que atropelou Reita. Não ariscaria perder Aoi de jeito nenhum. Não queria dizer que se importava com Aoi, apenas falava que não queria se sentir culpado por um erro futuro.

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“Meu coração é esmagado a cada vez que percebo uma lágrima cair.

Não deixe que esse amor te mate"

Notas finais
Reviews? Criticas, sugestões, qualquer coisa é bem vinda haushuashu xD Acho que não é tarde demais pra desejar a todos um Feliz 2011. Até mais!