Notas iniciais
Primeiramente queria agradecer IMENSAMENTE às SEIS pessoas que recomendaram desde o capítulo passado, sério, amores, fiquei passada, nunca esperaria tanto! Obrigada às lindas: Ladyvikernes, Broken, Bruna Uzumaki, florentina, Sakura hime e Mayan! Amei cada uma das recomendações, vocês me fizeram MUITO feliz! . Em segundo lugar queria muito me desculpar a todos que, ao longo da história, acabei ignorando em algum momento por não ter visto a review enviada. E o pior é que fui descobrir isso apenas ontem, quando comecei a olhar as reviews de cap. em cap. para responder às reviews da querida Aiko, e vi que havia reviews sem resposta, fiquei super chateada, pois vi essas reviews apenas ontem! Me desculpo a todos esses que deixei de responder em algum momento! ;~ . Mas vamos ao capítulo! Boa leitura, galera!

Eu me levantei enquanto eles desciam rapidamente a encosta, contornando a cachoeira. Santiago, Noel e Katana desceram rápida e agilmente, sendo Katana o mais ágil deles, fazendo seus cabelos rastafári se sacudirem com os dois pulos lépidos que deu para chegar ao nível do lago. Ele correu até Terrence, ajoelhando-se ao lado dele para checar se ainda estava vivo. Jaima, com aquela pança enorme, teve bastante dificuldade para descer, e suava feito um porco antes do abate. Estevan desceu pelo lado errado e começou a gesticular do outro lado, sem saber como chegar até nós.

Meus olhos se arregalaram ao perceber que eu estava me esquecendo de salvar Terrence. Eu tentei chegar até ele então, para curá-lo, mas Santiago chegou até mim primeiro. Antes que eu pudesse fazer ou dizer alguma coisa, os braços musculosos do capitão me puxaram contra o peitoral largo.

“Seu grande idiota inconsequente e corajoso.” Ele murmurou antes de seus lábios caírem sobre os meus. Arregalei ainda mais os olhos, constrangido demais por ele tentar me beijar na frente dos outros. Eu não queria beijá-lo, não quando minha boca tinha um gosto horrível e eu fedia talvez tanto quanto Jaima, meu corpo pegajoso pelo suor da caminhada extenuante para levar Terrence até ali.

E eu também não tinha tempo para beijos. Terrence estava morrendo, poderia acabar defunto se eu demorasse mais alguns segundos me perdendo em beijos. Então me debati, deixando meus lábios comprimidos um contra o outro, e empurrei Santiago, por mais que este fosse um ato penoso quando as mãos dele agarravam com força minha cintura nua. Eu continuava sem camisa e iria ignorar até meu último suspiro meus mamilos eriçados.

“Temos de levá-lo logo. Já mal respira!” Katana falou agoniado, tentando passar um braço de Terrence por seus ombros e erguê-lo. “Temos de levá-lo até o Reno!”

“Eu ajudo.” Noel, com todo seu tamanho dantesco, ergueu Terrence como quem ergue um amontoado de penas de ganso. Eu me desvencilhei de Santiago, que não parecia nada feliz pela minha recusa em beijá-lo, e os impedi.

“Não!” Falei, e eles me olharam como se eu fosse louco. “Eu posso curá-lo...” Expliquei. Foi nesse momento em que Jaima finalmente desceu até nós, parando próximo com as mãos apoiadas nos joelhos, ofegante enquanto dobrado em dois.

“Você?” Katana não pareceu convencido. “Foi digno da sua parte tentar salvá-lo, mas ele precisa de um médico, ou vai acabar morrendo.”

Eu não queria ouvir de um pirata o que era ou não era digno.

“Coloque-o no chão de uma vez. Eu vou curá-lo, imbecil. Suas tagarelices apenas dão mais tempo para morte vir levá-lo.” Perdi a paciência. Devia ter curado Terrence antes de eles aparecerem. Tanto Noel quanto Katana continuaram em dúvida, encarando-me como se eu fosse um cão sarnento que tolamente acreditava ser um Greyhound inglês de sangue puro.

Santiago me puxou pelo braço e me encarou irritado.

“Não está pensando em entregar suas energias a ele, está? Você sabe como ficou da última vez. Terrence não vale seu sacrifício.” As palavras foram duras e autoritárias.

Estreitei os olhos para ele.

“Não é você quem decide quem vale ou não o meu sacrifício. " Rosnei. "Mas não vou me sacrificar. Eu sei como usar o anel agora.” O olhei francamente, querendo mostrar que não mentia. Santiago encarou-me duramente, seu olhar pesando sobre mim a ponto de me deixar ainda mais cansado, mas então me soltou e se dirigiu aos outros quando ordenou:

“Façam o que ele diz.” E uma vez na vida eu poderia segurar seu rosto e beijá-lo por ser menos estúpido do que os marujos. Katana pareceu furioso, mas, segurando na garganta seus xingamentos, soltou Terrence sobre a grama, junto com Noel.

“O chefe devia ser médico lá nas Europa...” Jaima sussurrou para Katana, e depois se virou para a outra margem do lago e gritou: “CALE A BOCA E SUBA DE NOVO A CACHOEIRA, SEU ANIMAL DE DUAS PATAS.” para o irmão, enquanto eu me ajoelhava e, após expor o ferimento de Terrence, colocava a mão sobre os corte profundos, feios e já cheios de pus. A outra mão coloquei sobre terra e grama, procurando pela energia que fervilhava sob nossos pés, assim como Terrence fervia e delirava pela febre. Eu estava ciente dos olhares postos sobre mim, atentos aos meus atos, e isso me deixou um pouco nervoso.

Porém fechei os olhos, concentrando-me como quando salvei a sereia, e dessa vez aconteceu ainda mais facilmente, como se a energia já conhecesse os caminhos através de meus dedos e fluísse por eles, atraída e dócil. Mas ainda precisei me concentrar bastante e, exausto, percebi que mesmo que não fosse a minha energia vital que eu doasse para Terrence, eu gastava parte dela para o ato de curar alguém. E eu já estava esgotado. Quando terminei, praticamente caí sobre Terrence, mas Santiago me amparou, segurando-me pelos braços, e me ergueu. Apoiei meu corpo contra o dele quando ele passou o braço ao redor de minha cintura, e demorou para que meus olhos readquirissem foco.

Todos olhavam surpresos para a barriga de Terrence, livre de qualquer ferimento. Havia apenas algumas cicatrizes onde antes havia três cortes purulentos. Quando Terrence abriu os olhos, sentando-se meio zonzo, os outros voltaram a olhar para mim com os queixos caídos.

“Mas que merda, Dominic.” Terrence tentou pôr-se de pé, e foi amparado por Katana. “Eu já estava quase vendo o paraíso e todas as anjinhas que havia por lá, e você me puxa de volta para essa porra dessa vida maldita? Eu deveria te enviar para lá por isso, seu filho da mãe.”

“Como sabe que foi ele quem te curou?” Katana perguntou, com toda a raiva evaporada do corpo. Sorria agora, com os olhos marejados. Terrence o olhou.

“Pare de chorar, Katana. Eu estava dizendo ao Dominic que vaso ruim não quebra tão facilmente.” Terrence passou o braço pelos ombros de Katana em um meio abraço, sorrindo malandro. “E é claro que eu sei que foi esse inglesinho embonecado que me salvou! Eu vi ele fazendo o mesmo com a sereia. Tinha pensado que estava delirando, afinal não é sempre que você vê uns peitos que nem os daquelas sereias, mas se estou vivo agora, a única explicação é que ele fez o mesmo comigo.” Terrence se aproximou de mim, mas manteve uma certa distância respeitável ao olhar de esguelha para a expressão seca do Santiago.

“Capitão.” Ele fez uma mesura com a cabeça. “Peço desculpas pelo transtorno. Devia ter tomado mais cuidado na tempestade.” Disse, e era óbvio que pedia desculpas por eu – por culpa dele – ter me jogado no mar. Depois se voltou para mim. “Obrigado, Dominic, tenho uma dívida enorme com você, nunca irei esquecer o que fez por mim. É uma vergonha ser salvo por um inglês cabeludo como você, mas eu te devo uma.” Sorriu.

“M-Mestre...” Jaima se aproximou de mim, ajoelhando-se. “Depois cure-me também. Eu-“

“Você tem o mal de Angola, eu sei." Suspirei. "Farei isso depois. Você pode sobreviver a isso por mais algumas horas, acredito.” Revirei os olhos, cansado demais até para reclamar em ser chamado de mestre. Eu não era chefe, mestre, ou coisa do tipo porra nenhuma, ainda mais de um palerma como ele.

“Sim, mestre. Obrigado, obrigado.” Ele veio tentar beijar meus pés, ainda que não parecesse saber o que era o mal de Angola; o que ele sabia era que suas gengivas estavam apodrecendo. Para meu alívio, Santiago o empurrou para longe com o pé, fazendo-o cair de bunda no chão. Estevan gritou pelo irmão de cima da encosta, provavelmente querendo saber o que deveria fazer em seguida.

“Voltem para o navio todos vocês. Nós os alcançaremos depois.” Santiago ordenou, estreitando-me contra seu corpo. Eu o olhei com uma sobrancelha erguida, mas não retruquei. Eu só queria descansar um pouco e seria bom não voltar a caminhar tão cedo.

Com um aceno, eles se afastaram. Noel lançou um olhar significativo para Santiago, que assentiu de leve. Eu não sabia o significado daquilo. Katana chegou a se afastar alguns passos, mas depois virou-se para nós novamente e correu até mim.

“Obrigado, senhor.” Disse. Nesse momento percebi que ele deveria ser mais novo que eu, talvez uns dezessete anos. “Obrigado por salvar meu primo. Também nunca esquecerei disso.” Complementou e voltou a correr para junto de Terrence, quase pulando em cima das costas deste em uma alegria infantil.

“Consegue se sustentar sozinho?” Santiago perguntou e eu volvi o olhar para ele. Ele estava sério, a testa ligeiramente enrugada pelo sol e pela preocupação. Me afastei dele, não querendo mostrar-me tão frágil a ponto de sequer me manter sobre minhas pernas.

“É claro que sim.” Retruquei.

“Achei melhor perguntar. Você parece podre.” Ele me analisou de cima abaixo. “O sol te castigou bastante. Está com a pele avermelhada, e teu rosto ganhou algumas sardas.”

Meus lábios tremeram involuntariamente.

“S-Sardas?” Perguntei, horrorizado. Me virei e corri imediatamente até a margem do lado, pondo-me de joelhos na areia e me inclinando para ver meu reflexo na água. Meu nariz e minhas bochechas haviam ganhado vários pontinhos amarronzados, manchas terríveis e grotescas que destruíam e consumiam a palidez de minha pele. “Não!” Soltei, num grito lamentoso. “Nããããão!” Girei o corpo e deixei-me cair de costas na água. Afundei ligeiramente, mas ali ainda era raso e a água ficou oscilando na altura de minhas orelhas.

Santiago se aproximou e me olhou de cima, perplexo.

“O que deu em você?” Perguntou.

“Deixe-me em paz, Santiago. Deixe-me ser comido pelos peixes.” Levei as mãos para meu rosto, escondendo aquelas sardas horríveis. Lágrimas queriam brotar de meus olhos. “Não vale à pena viver sem ser belo!¹” Exclamei, começando a soluçar. Afundei mais um pouco na água, decidido a deixá-la entrar nos meus pulmões e me matar. Minha única qualidade era ser bonito, o que eu seria se virasse uma coisa horrível como aqueles piratas maltrapilhos, sujos e carcomidos daquele navio?

“Por Deus...” Santiago suspirou sem acreditar e, espiando através das fendas entre meus dedos, vi que revirava os olhos, estafado. “Depois você não gosta que o chamem de boneca.”

Eu retirei as mãos do rosto e me sentei rapidamente na água quando o Santiago começou a tirar a camisa. Senti meus fundilhos molhados, mas era bom sentir a água fresca contra meu corpo deteriorado. Talvez aquela água lavasse minhas sardas asquerosas. Porém, esqueci das sardas ao ver o peitoral largo, firme e musculoso dele, refletindo-se moreno com os raios de sol. Engoli em seco, afastando-me um pouco mais da margem do lago.

“O que está fazendo?” Perguntei nervosamente, com a voz um pouco frágil pelo choro. Meu coração começou a acelerar sem permissão assim que Santiago abriu a braguilha da calça e começou a tirá-la também. “Santiago!” Chamei, já que ele me ignorava.

“Vou mostrar para você que não são algumas sardas que te farão menos belo.” Ele pronunciou a palavra com um ar de deboche e então jogou a calça longe, como havia feito com a camisa. Santiago não demonstrou nenhuma vergonha em ficar completamente nu e exibir a ereção hirta que já gotejava. Meu queixo caiu mais do que o de Noel, Katana ou Jaima ao me verem curar Terrence.

“Está louco? Como pode estar tão excitado por nada?” Perguntei, arrastando-me para trás. “Não chegue perto!” Ordenei, mas a voz saiu entrecortada por eu ter caído na parte funda do lago. Eu não sabia nadar muito bem e um pouco de água invadiu minha boca. Comecei a me debater para não afundar, mas meus braços estavam cansados demais para isso. Santiago, como sempre me ignorando, entrou na água e se aproximou, afundando também e me puxando para colocar as minhas mãos em seus ombros, e não acabar afogado.

“Por nada?” Ele perguntou, aproximando a boca de meu ouvido, mas mordendo o meu pescoço logo abaixo da minha orelha. “Eu não preciso de muito para sentir tesão por você, Dominic. Basta tê-lo pressionado contra meu corpo, vulnerável e entregue.” Sussurrou, deixando toda a minha nuca arrepiada. Fechei os olhos, não tentando lutar uma batalha que eu já sabia perdida.

“Não estou vulnerável, nem entregue, estúpido.” Disse mesmo assim, resguardando meu orgulho, mas o abracei em retorno quando ele passou os braços pela minha cintura e apertou-me de encontro a seu corpo.

“Nunca mais pule de um navio, Dominic.” Ele avisou, e seu tom ficou sério e autoritário novamente. “Na próxima tempestade eu vou te trancar dentro dos meus aposentos, para que não apronte mais uma dessas.” Mordeu-me com força o ombro, como um castigo.

A próxima tempestade eu vou controlar com meu anel, pensei enquanto gemia, mas não falaria nada até aprender a controlar esse poder de Zain.

“Se o navio afundar, eu vou estar trancado na cabine. Irei morrer afogado e a culpa será sua.” O culpei hipoteticamente. Conseguia sentir a ereção dele contra minha barriga, e de alguma forma a dureza dela causava-me fisgadas na boca do estômago.

“O Labareda nunca afundou, nem nunca decepcionou. Não será sob o meu comando que algo assim acontecerá.” Santiago falou, arrogante e prepotente, e se afastou com um sorriso malicioso que me deixou apreensivo. “Acho melhor também livrá-lo das roupas...”

Soltei um resmungo baixo de susto quando Santiago me virou de lado e agarrou a coxa que não estava pressionada contra o abdômen dele, com seu braço servindo de apoio minhas costas. Por instinto, passei o meu braço pelos ombros dele, buscando sustentação. Com a mão livre, Santiago arrancou uma bota e depois a outra de meus pés, e as jogou para a margem. Depois tratou de tirar minhas calças enquanto eu sentia o sol queimar ainda mais minhas bochechas, porque elas ardiam, e a culpa só podia ser do sol.

“Estou bem de calças.” Tentei dizer e segurar a barra delas, mas Santiago inesperadamente virou o rosto e capturou meus lábios e, dessa vez, não tive como fugir. Ele enfiou despudoradamente a língua dentro de minha boca e rendeu-me facilmente ao me domar com um beijo. Arrancou minhas calças sem nenhum dó assim que eu amoleci e as jogou também para a margem.

Então eu estava completamente nu, tal qual Santiago, e ele me arrastou pelo lago até que eu estivesse prensado contra a pedra na qual Eudora se escondera de Dione, quando esta a repreendeu. Ofeguei ao sentir o corpo dele atritar-se de encontro ao meu e, quando ele segurou a parte de trás das minhas coxas e as ergueu, para que eu envolvesse sua cintura com as pernas, fiquei tão excitado quanto ele estava.

Santiago segurou a borda da pedra, para se apoiar e se forçar mais contra mim. Nossos falos roçaram e eu revirei os olhos sob as pálpebras fechadas, esquecendo-me de retribuir ao beijo faminto dele por alguns segundos. Só consegui respirar quando ele desceu a boca para lamber-me a garganta.

“Como me encontrou?” Perguntei, quase sem voz, ofegante para aquele prazer. “O que aconteceu depois que eu caí?”

Santiago chupou meu pescoço, sendo um bastardo ao deixar uma marca ali, e se afastou apenas o suficiente para olhar-me dentro dos olhos. Seu braço criava sombra sobre meus olhos, e por isso eu conseguia enxergá-lo claramente, sem ter meus orbes ofuscados pelo sol.

“As sereias nos avisaram... Depois que você caiu no mar a tempestade estranhamente diminuiu até desaparecer. Nós estávamos quase à deriva e passamos algumas horas assim, até que vimos essa ilha e paramos aqui para começar os reparos. Não havia como continuar no mar e eu não iria me iludir... Seria um milagre se você ainda estivesse vivo, mas eu acreditava que não estava e, se estivesse, estaria perdido em qualquer lugar do oceano, onde eu não conseguiria te alcançar.” Santiago tocou meu rosto e, como todos os carinhos suaves dele, eu me senti mais constrangido e quente do que nunca. “Imagine minha surpresa quando duas sereias apareceram e falaram que você estava no outro lado da ilha. Que havia acordado e entrado na mata carregando outro homem. Imediatamente chamei Noel e Katana para virem comigo buscá-lo. Jaima insistiu em vir junto e trouxe o irmão. E agora você está aqui, vivo perante meus olhos. Meu pequeno milagre.” Santiago sussurrou a última frase contra minha orelha e eu voltei a entrar num frenesi que me deixava sem ar. Agarrei-me a ele, buscando seus lábios, os quais ele cedeu prontamente.

Ele tirou a mão de minha coxa e levou até meu pênis, masturbando-me embaixo da água. Eu movi o quadril, gemendo em sua boca, naufragando em incertezas nas quais já não conseguia me concentrar; aceitava aquele desejo corrosivo que me rasgava a razão e enchia com lascívia as fendas deixadas pelos cortes. Aceitei gemente a mão que me tocava e deixei as minhas próprias percorrerem o corpo másculo e molhado dele, experimentando em minhas palmas o que antes eu me negava a tocar.

Encontrei a ereção dele também, e quis senti-la pulsando com todo o viço viril que existia em todo o resto de seu corpo, mas que ali era ainda mais intenso... Naquela parte de seu corpo que desejava me possuir, enquanto a língua dele violava cada recanto de minha boca. Mas Santiago afastou minha mão, deixando-me aturdido.

E quando a afastou, parou também de tocar-me a ereção. No lugar disso, sua mão atravessou o vão entre nossas pelves e levou os dedos para me acariciar entre os glúteos. Prendi a respiração e me afastei de seus lábios, assustado com aquele novo toque, a nova sensação.

“Santiago...” Falei fracamente, movendo o corpo em desconforto. “Isso... Eu não...”

“Apenas aproveite essa nova forma de sentir prazer, Dominic.” Ele me encarou de uma forma que me impediu de negar, ou impedi-lo. Eu me odiava por perder tão fácil as forças quando as mãos dele violavam meu corpo, e era ainda mais difícil mantê-las quando eu já estava tão fatigado.

Minha cabeça bateu contra a pedra quando ele me invadiu com um dedo e massageou, lenta e calmamente, as paredes que se apertaram ao redor de seu indicador, até que eu soltasse um gemido baixo pela torrente rápida de júbilo que me percorreu e nublou os olhos. Ele colocou o segundo dedo e, junto ao outro, passou a massagear-me com firmeza e experiência, usando apenas aqueles dois dedos para fazer explodir faíscas brilhantes perante meus olhos, esquentando a temperatura de meus pensamentos conflituosos.

Quando Santiago pressionou os dedos contra um ponto extremamente estratégico, eu gritei, contorcendo-me. Ele aproveitou para capturar um de meus mamilos e eu levei as mãos aos seus cabelos curtos, como se tentasse agarrá-los. Ele continuou a pressionar aquele ponto, até que um gemido deixasse minha boca a cada respiração e golfadas de ar.

"Santiago..." Comecei a gemer, desorientado, achando que desmaiaria a qualquer momento porque meu corpo não estava em condições de aguentar tudo aquilo. Porém, com uma rajada cortante de prazer, eu ejaculei e acabei com aquela loucura. Cristo... Eu iria para o inferno, era isso. Estava me entregando a um homem, um pirata, falando o nome dele entre suspiros e desejando que aquele tipo de prazer não acabasse nunca. Meu pai me olharia com nojo e vergonha, e toda a corte da Inglaterra riria de mim com desprezo e me excluiria de suas festas, jantares e passeios.

Mas o que importa? Eles estão lá do outro lado do mundo, vivendo um dia depois do outro de suas vidinhas monótonas e cheias de intrigas. Minha mente entorpecida sussurrou em algum recanto de minha consciência. Santiago já havia afastado os dedos de mim e agora amparava meu corpo flexível e débil de orgasmo.

“Algum dia...” Ele sussurrou, levando-me com ele para o outro extremo do lago. “Eu vou te fazer gozar com algo bem maior.” Sorriu malicioso, enquanto eu corava miseravelmente. Santiago conseguia constranger-me de uma maneira que nenhuma outra pessoa era capaz. Minha vontade era afogá-lo, mas então uma vozinha cruel em minha mente me lembrou que, enquanto ele trabalhava em levar-me ao gozo daquela forma, eu havia imaginado sozinho que era o ‘algo bem maior’ que me violava. Enrubesci ainda mais, sussurrando um xingamento dirigido não ao Santiago, mas a mim mesmo.

“E algum dia...” Avisei. “Eu vou arrancar fora a sua língua para que você não possa mais ferir meus ouvidos com as suas sandices.” Naquele momento, cheguei à conclusão de que eu jamais conseguiria parar de brigar com o Santiago; as implicâncias eram parte do que éramos.

E o que diabos somos? Me perguntei, e só percebi que havia dado voz a meus pensamentos, feito um lunático fugido do hospício, quando Santiago retrucou com a voz rouca, assustando-me:

“Somos amantes, Dominic.” Eu me arrepiei inteiro, erguendo o olhar para ele. Santiago havia sentado numa pedra não muito alta, e eu havia ficado entre suas pernas, numa altura bem mais baixa, bem de frente para... Oh, deus. “E amantes dão prazer um ao outro.” Santiago segurou meus cabelos e inclinou-se para falar perto de meu ouvido. “Está na hora de você se redimir por me fechar fora do quarto na outra noite.” Ele voltou a se sentar ereto em seguida, tão ereto quanto seu falo que desafiava meus olhos.

Oh, Deus. Voltei a pensar, nervoso. Eu não era lento a ponto de não entender o que Santiago queria. Meu orgulho queria mandá-lo à merda, mas havia uma outra necessidade revolvendo-se através de meus poros, um instinto e uma curiosidade que estavam me deixando ofegante antes mesmo de tomar qualquer atitude. Meu coração principiou uma orquestra de bumbos e eu voltei a erguer o olhar para Santiago, enquanto deslizava mais para perto, colocando os antebraços sobre suas coxas musculosas para usá-las como apoio. Senti meus cabelos rubros pesando às minhas costas, molhados, quando Santiago agarrou-os suavemente atrás da minha orelha. O olhar dele era mais negro do que nunca quando segurei seu membro pela base e minha língua surgiu entre meus lábios entreabertos para tocar a glande gotejante, sem tirar os olhos dele.

Eu nunca havia feito aquilo, mas já havia recebido muitas vezes antes. Eu sabia na prática inversa como era e também sabia muito bem como eu gostava que alguém fizesse em mim; sabia o que era bom, o que era ruim. Concentrei-me nisso quando fechei os olhos e deixei a extensão avantajada do falo de Santiago escorregar para dentro de minha boca. Tive de parar um pouco antes de a glande tocar minha garganta, e ainda havia um bom pedaço para fora. Usei minha mão para tocar o que não podia colocar na boca e, instigado pela pressão que aumentou nos dedos entrelaçados em meus cabelos, comecei a mover-me, usando a língua e os lábios para recolher a água que escorria pela pele quente e tesa, e pressioná-la até arrancar alguma reação do Santiago.

Voltei a abrir os olhos e olhei para o Santiago. Era insano o que eu fazia, ou assim eu pensava. Mas não queria parar. A maneira como ele reagia – sua expressão de prazer – de novo me deixou com uma sensação de ter algum poder sobre ele, de que não era apenas eu que enfraquecia quando ele me tocava. Isso me deixava mais confiante, me fazia sentir menos vulnerável, porque eu odiava me sentir vulnerável. E gostava daquele controle, gostava dos gemidos roucos dele, e de ouvi-lo sussurrar meu nome enquanto o colocava fundo na garganta ou o tirava da boca, para recolher com a língua o pré-gozo e depois deslizá-la da ponta até a extremidade inferior do falo, mirando-o num jogo de olhares provocativo sem fim; eu também apertava em minha outra mão os músculos de sua coxa grossa, achando toda aquela masculinidade erótica diferente de tudo a que eu me acostumara.

“Ah, Dominic...” Santiago disse, embargado. “Eu já imaginava o quanto você era bom com essa boca de boneca.” Ele disse, malicioso. Eu o encarei com raiva, mas só fiz aumentar o ritmo e pressão ao redor de seu pênis. Suspeito que era justamente isso que ele queria. Ele segurou com mais força meus cabelos e forçou-me a acolhê-lo ainda mais profundamente quando ele estava perto de gozar. E no momento em que aconteceu, Santiago derramou-se diretamente em minha garganta, com um grunhido animalesco que enviou arrepios pela minha espinha. Engoli tudo que ele havia dado e me afastei, vendo que, a despeito do orgasmo, ele continuava excitado.

Eu também estava.

Antes que eu pudesse fugir; fugir como sempre fazia quando estava constrangido e não sabia como reagir frente a alguma situação difícil ou estranha, Santiago segurou-me abaixo das axilas e me puxou para cima, levando-me para seu colo. Manejava meu corpo com a mesma facilidade do irmão mais velho em erguer Terrence, fazendo-me sentir como aquele saco de penas de ganso.

“Dominic...” Ele me abraçou pela cintura, afundando o nariz em meu pescoço e aspirando meu cheiro. “Você não imagina o quanto eu estava louco por isso.” Disse sincero, abalando-me por conseguir dizer tais asneiras com tanta facilidade. “O quanto estou louco para muito além disso...” Complementou, beijando minha pele molhada, recolhendo os pingos que escorriam.

Eu gemi em resposta, sem encontrar palavras.

“Eu poderia te devorar inteiro agora.” Santiago continuou, agarrando com as mãos grandes a minha bunda, o que me fez puxar o ar pela pegada forte. “Te deitar nessa pedra e te possuir de todas as maneiras que já imaginei.”

“Mas você não vai.” Não era uma pergunta, e nem uma ordem para que ele não o fizesse. Era uma constatação de algo que ele já havia decidido. Santiago beijou-me no pescoço e depois nos lábios.

“Seria desconfortável para um virgem.” Sorriu torto. “Vou fazer da tua primeira vez com um homem algo tão bom, que não vai querer outra mulher nunca mais, e ainda vai implorar todas as noites para que eu te possua de novo, e de novo...” Se aproximou predatório e mordeu meu lábio inferior a ponto de machucar.

“Filho da mãe.” Murmurei quando ele se afastou, e apertei meu lábio contra minha mão. “Vá sonhando que algum dia eu irei te implorar qualquer coisa. É você quem vai ter que implorar da próxima vez para que eu te chupe de novo. Porque vamos admitir que é você quem não consegue manter essas mãos longe do meu corpo.” Não iria deixar ele ser convencido sozinho.

“Ah, mas quer ver como eu consigo?” Santiago ergueu as sobrancelhas e abriu uma expressão perigosa. Eu o encarei de testa franzida mas, antes que eu pudesse entender o que ele tinha em mente, ele me empurrou de volta para o lago, com um empurrão forte.

Eu caí estatelado na água e engoli parte dela no processo. Quando consegui controlar minhas pernas e braços e me erguer para superfície, puxei o ar com força e olhei furioso para Santiago, que, de pé, ria-se feito um bobo da corte.

“Bastardo!” Gritei e comecei a tocar água na direção dele; porém, quando comecei a afundar, Santiago deu uma ponta, sumindo nas águas densas do lago. Quando emergiu, foi às minhas costas, envolvendo novamente meu torso com os braços fortes. Ele não tinha dificuldade nenhuma em flutuar no meio do lago.

“Vai me contar como aprendeu a usar o anel?” Ele perguntou roçando os lábios em meus cabelos. “A última vez que o usou quase se matou para me salvar.”

“Uma sereia me explicou.” Falei, mais calmo, usando-o como suporte ao apoiar meus braços sobre os dele em minha cintura. “Ela me contou sobre os quatro anéis...”

“Uma sereia? Não entendo por que estavam tão dóceis. Elas não gostam de humanos, e atacam marujos que tentam se aproximar delas com más intenções.” Santiago falou com um ar pensativo e curioso, apoiando o queixo em meu ombro. “Não sentiu atração por elas?”

Eu franzi a testa. Lembrava de tê-las achado bonitas, mas atração... Me vi subitamente surpreso e envergonhado por não ter sentido nenhuma. Antigamente eu teria uma ereção ao olhar para três pares de seios à mostra à minha frente.

Santiago pareceu ler em meu corpo a resposta.

“Sabia que dizem que apenas os apaixonados não sentem atração por sereias?” Ele debochou, mordiscando o lóbulo de minha orelha.

Bufei.

“Elas queriam minha ajuda.” Desconversei. “Há sereias morrendo desde que os anéis readquiriram poder, ou algo assim... Meu anel poderia curar uma sereia chamada Parténope. Ela me explicou então como usar o anel. Os nomes são Hê, Vô, Zain e Caph. Nós temos três deles. Você tem Hê ou Caph, Nena tem Vô e eu tenho Zain.” Enumerei. “Provavelmente o que falta estará em Chagres. Eu lembro de Nena ter falado sobre um tal Chave da Imortalidade... Mas-“

“Nena não tem nenhum anel.” Santiago interrompeu-me.

Eu pisquei, sem entender.

“Mas ela tem visões...”

“Ela tem uma parte de um dos anéis. Uma pequena pedra que fazia parte do anel da irmã dela, e esta pedra ela guarda no camafeu que sempre carrega no pescoço. Isso faz com que ela tenha algumas visões. As visões vêm sem aviso, sem o controle dela, porque quem está com o anel e o controla é a irmã... E a irmã está nas mãos de Aguirre.” Santiago explicou e então me levou até outras pedras, onde a água era profunda para atingir apenas meus ombros. Ele se apoiou numa pedra e me olhou, esperando que eu processasse a nova informação.

“Eu vi esse camafeu.” Lembrei-me do desenho de um esqueleto feminino que havia nele. “Aguirre mantém a irmã dela cativa, por isso ela se juntou a você.”

“Aguirre também busca os anéis. Ele tinha dois, mas tirei um das mãos dele, como você já sabe. Ele não deve saber muito sobre os anéis também, apenas que eles lhe garantirão grande poder. Ele destruiu várias aldeias da América Central atrás de um dos anéis... Minha aldeia foi uma delas. Ele matou meus pais, meus amigos, e estuprou minha irmã de quinze anos na minha frente e na frente dos meus irmãos. Depois a entregou aos outros soldados e eles terminaram o serviço, estuprando-a até que sangrasse e desmaiasse, e depois a mataram. Eles saíram, rindo e debochando, e apenas um ficou para acabar comigo e meus dois irmãos. Fradique tinha apenas três anos... O homem o pegou pelos cabelos e cravou uma faca enferrujada na perna dele, rasgando-a apenas por diversão. Foi graças a Noel que fugimos. Ele atirou-se contra o homem, conseguindo retirar-lhe a faca e a enfiou no pescoço dele. Depois, tomado por uma determinação cega, pegou Fradique no colo e me arrastou com ele para um esconderijo, mesmo que eu tentasse alcançar nossos pais e irmã e me debatesse ferozmente. Agradeço-o até hoje por isso. Porque é graças a ele que estou vivo e posso vingar minha família e amigos.”

Eu o encarava surpreso e atordoado por ele estar me revelando tudo aquilo, uma parte triste e terrível de seu passado. Seu desabafo tocou-me, pois significava que ele confiava em mim a ponto de revelar tudo aquilo. Aproximei-me dele e acariciei seu rosto alterado e rígido, assim como seus ombros e os punhos que apertava sob a água.

“Santiago...” Chamei, num sussurro. Queria poder dizer alguma coisa que aliviasse aquela raiva, mágoa e sofrimento. “Sinto muito.”

“Não quero sua pena.” Ele segurou meu pulso e afastou minha mão. “Não deveria ter contado nada disso.”

“Mas contou... E eu... Agradeço pela confiança.” Não deixei que ele me afastasse. “Eu quero te ajudar a conquistar seus objetivos, Santiago. E... não só porque isso me garantirá uma viagem de volta para casa.” O encarei e me aproximei devagar. Coloquei uma mão em seu ombro e me ergui um pouco até que nossos lábios roçassem. Dessa vez ele segurou minha nuca e nos beijamos lentamente, compartilhando um segredo através do ato. Havia uma ligação diferente entre nós, e eu a saboreei durante cada segundo em que sentia sua língua premir-se intimamente contra a minha.

Quando nos olhamos outra vez, com os lábios separados pela distância de um sussurro, ele pareceu querer dizer alguma coisa, mas não disse. Seus olhos eram dois poços de avelã que me encararam de uma forma completamente nova e inusitada. Desviei o olhar, mas o abracei, deixando minha bochecha se pressionar contra seu tórax.

E perdi a conta de quanto tempo ficamos assim, silenciosos, com os barulhos da mata, da cachoeira e do vento enchendo nossos ouvidos.

Notas finais
¹É uma fala parecida com a do Howl da animação Howl's Moving Castle, que eu amo! hauhauahau! . E minha defesa... Essa foi a última lime antes da lemon (Dominic já 'tá bem rendido, né, galera?). hehehe! Queria também me desculpar pela demora. Vou tentar escrever bastante da fic nos próximos dias! Espero de coração que tenham gostado, eu estava meio travada, talvez isso tenha se refletido no capítulo, me perdoem qualquer coisa! . Obrigada aos amores que comentaram no capítulo passado: Brunza Uzumaki, Becca, Kao, Bia Yuuji, Dakota Phantom, Álefe, Persephone, Srta. Laila, Pandora Beamount, menina dos olhos, Mary Winchester, Diana R Barros, Okumura Yui, Poke Face, Hamano Chiaki, Helo unleashed, MianaAzevedo, Sally Black, Mariana, Hanajima, Ryouji Shaoran, lari_thekiller, dark rose, Denny, Nandacullen OCorcelNegro, KassiaKarolayne, Flying Cupcakes, RayUzu, Lucca James, Nishan, Nath, Gabhy_hina_chan, TheAnjoRaphael, Lady Cherry Lollipop, carlacascao, Mayan, Joichirukis2, Umi-ao! Obrigada mesmo, pessoal! . Também queria aproveitar para fazer propaganda de uma fanfic que foi dedica a mim pela querida a Bruna Uzumaki: http://fanfiction.com.br/historia/334314/What_To_Do/! Todo mundo que gosta de triângulo amoroso dos bons deveria ler! . É isso, gente, com sorte até o final de semana estou postando de novo! . Beijoooos! ♥