Notas iniciais
Oi, gente! Ai, EU JURO que vou responder os reviews entre hoje e amanhã. Essa semana foi muito enrolada pra mim e eu chegava em casa exausta e só querendo não fazer nada, ou escrever. Espero que entendam, mas não deixarei ninguém no vácuo IJAIOSAIOS Quero agradecer à lunasolista e a myelli por estarem lendo a história e deixando comentários em vários capítulos (comentários que nem consegui responder, socorro!). E também à Mrs Nina e Lyla Uzumaki pelas recomendações MARAVILHOSAS, obrigada meninas! Boa leitura, gente!

Até mesmo meu grito falhou.

Ele já iniciou elevado, mas nos primeiros segundos minhas cordas vocais travaram pela dor insuportável, excruciante, dilacerante – nenhum adjetivo era suficiente para descrevê-la. Eu caí como fruta madura quando Terrence me soltou, sentindo meus braços ralarem no chão áspero ao tentar usá-los como apoio, o que mais pareceu uma carícia frente ao que eu já experimentava. Não havia nada comparado àquilo, nem mesmo os socos, ou chutes, ou braços ralados. A agonia de arregalar os olhos – petrificado pelo medo e pela dor que crescia do ponto onde deveria estar meu olho esquerdo – e enxergar apenas metade do que eu deveria ver.

Meu outro olho chorava.

Minha garganta balbuciava sons incompreensíveis de negação.

Não podia ser real.

O sangue que escorria do orifício parecia esvair-se como a água corrente de uma torneira aberta, só que o chão não se limpava, apenas sujava-se de vermelho-escuro, quase tão negro quanto à noite. Minha mão tremia de maneira deplorável quando a levei até a fenda sangrenta que substituíra meu olho, pensando em curá-lo, mas não encontrando a calma e a concentração para isso. Eu pude escutar o portão abrindo e os passos corridos dos homens de Fajardo avançando para dentro de Chagres, interrompendo o tênue farfalhar do vento.

Eu havia falhado.

Todos iriam morrer.

“Me desculpe, Dominic.” Ainda olhando diretamente para o chão com o olho que me restava, eu escutei a voz de Terrence apesar de não vê-lo. Sua voz pareceu distante, cansada e – eu gostaria de acreditar– arrependida, mas isso não me impediu de pensar que ele iria me matar quando os sons de seus passos se aproximaram e, então, outro foco abrupto de dor explodiu em minha cabeça.

E a metade que restava de minha visão também enegreceu.

XxxX

Havia gritos. E o barulho repetitivo de tiros.

Quando notei o cheiro de fumaça que entrava por minhas narinas, eu abri os olhos. Foi quando percebi que havia apenas um olho, e que nada daquilo fora um sonho. Meu corpo, que parecia doer em cada centímetro, fosse por dentro ou por fora, continuava estirado sobre aquele chão grosseiro, agora empapado por sangue.

E eu me sentia fraco tal qual uma criança desnutrida, encolhida no frio cruel de um inverno londrino. Talvez o frio fosse pior do que a dor, mas nem sequer tremer eu conseguia enquanto a fraqueza me consumia como um ácido venenoso. Minutos ou horas, por quanto tempo eu havia ficado inconsciente? O que estava acontecendo em Chagres? O que era aquela fumaça dificultando pouco a pouco minha respiração?

Fogo, minha mente entorpecida lembrou. Meus sonhos... O fogo, as mortes, os gritos.

Eu estava em meus pesadelos.

Eu percebi que aquela fumaça iria me matar, enchendo meus pulmões como praga para lentamente impedir a entrada vital do oxigênio para o corpo. Mesmo percebendo isso, eu não conseguia encontrar disposição para me mover. Eu estava caído de bruços, o lado esquerdo do meu rosto contra o chão, o que enchia de sujeira meu ferimento. Talvez isso aumentasse a ardência no corte, ou talvez um olho estourado fosse o suficiente para causar aquela sensação agonizante.

Eu perdi um olho. Eu tentei rir disso, mas o som que deixou meus lábios pareceu-se mais com um choro. O anel poderia recuperar um olho? Ele recuperava carne e osso... Por que não um olho?

“Eu tenho de tentar... Dominic, mova-se.” Murmurei com a voz rasgada, tentando forçar-me a algum movimento. “Agora, seu inglesinho de merda. Agora!” Xinguei-me várias vezes, usando os apelidos com os quais lembrava de os piratas terem me agraciado. Minha voz nunca passava de um som arranhado e gasto, desagradável de escutar, tremido de desespero.

Eu ouvi mais gritos. Gritos de mulheres e crianças. Gritos de moribundos.

Gritos de morte.

Todos os meus músculos gritaram também, em declarado protesto, quando me movi, forçando meu corpo fraco a se sentar. Arrastando-me até o muro do passadiço, eu apoiei minhas costas contra ele, puxando várias vezes o ar espesso e fedorento como uma pessoa que acabou de correr centenas de metros. Isso era ridículo. Como eu conseguiria sair dali e correr em meio ao caos se um simples movimento era como carregar uma pedreira nas costas?

Fechei meus olhos, tentando normalizar minha respiração e me concentrar no que havia ao redor, nas energias que me rondavam e todo o papo sobrenatural de que eu tanto precisava no momento. Mais do que nunca eu precisava do poder do meu anel; dessa vez, era minha vida que dependia disso, e eu estava com medo de falhar como havia falhado com Katana. Se eu o tivesse salvado, teria Terrence nos traído? No final das contas, novamente era tudo minha culpa.

O vento fraco pareceu rodopiar ao redor da minha mão, brincando gentil em meus dedos antes que uma sensação de calor começasse a subir por eles, lentamente alcançando meu braço e então o resto de meu corpo. Eu respirei mais profundamente, com alívio. A vida parecia ter retornado a algumas partes de mim, e até raciocinar tornou-se mais fácil. Dois mais dois eram quatro novamente, e eu decidi tentar curar a ferida em meu olho.

Enchi-me de esperanças enquanto levava minha outra mão ao bolo de sangue coagulado que se aglomerou no orifício vazio... E me concentrei o máximo que pude. Por favor, cure meu olho. Foi o meu mantra. O calor vibrante cresceu em minha mão e correu veloz até a ferida, queimando a região de uma maneira gostosa e revigorante, desmanchando a dor que ali se acumulava.

Eu estava sorrindo quando terminei, crente de que tudo havia dado certo e agradecendo pela primeira vez a Deus por ter-me feito encontrar aquele anel. Ao abrir os olhos, no entanto, eu continuava enxergando apenas através de meu olho direito. Do outro lado, não havia nada além de da escuridão – fria e implacável.

“N-Não...!” Eu tateei o local recém curado. Havia uma leve depressão ali e nenhum orbe, nada além de uma cicatriz em formato de fenda, ladeada por uma pele enrugada cujo aspecto ao toque causou-me repulsa. “NÃO! Seu anel de merda, inútil. Que porra você fez comigo?!” Eu tentei arrancá-lo de meu dedo, mas Zain mais do que nunca pareceu fundido ao meu dedo.

Gritei novamente, com verdadeiro ódio, enquanto meu único olho vertia lágrimas grossas.

“Por quê...? Eu usei o anel... Eu usei.” Murmurei, soluçando. Onde eu havia errado? Por que ele não restaurara meu olho? Minha visão, meu rosto... Desfigurados. Eu solucei, apavorado com a perspectiva. Enojado de minha aparência. Perplexo por ter perdido metade do mundo ao meu alcance. Repugnado com minha cicatriz irreparável. E eu poderia ter perdido horas em meus lamentos e injúrias, se o som de algo explodindo não me acordasse para a realidade.

Eu não podia ficar ali parado para sempre.

XxxX

Eu tentei correr de volta ao castelo com a intenção de usar a entrada para as cozinhas; porém, o caminho já estava interditado por soldados, os quais justamente tentavam arrombar a porta que eu tinha em mente. Parei no mesmo instante e, tropeçando para trás, me virei e corri para o lado contrário. Passando novamente pelo lugar onde eu e Terrence havíamos quase nos matado, eu vi a adaga que ele usara para furar meu olho jogada no chão.

Peguei-a rapidamente, apesar de odiá-la. Seria a única arma que eu teria para me defender.

Eu chegava agora ao final da passarela, onde felizmente não encontrei nenhum pirata ou soldado. Evitei olhar demais para o que rolava dentro do forte, mas em algumas vezes virei o rosto, deparando-me com o que parecia alguma pintura do inferno cristão. Boa parte das moradias pegava fogo, as pessoas corriam alucinadas pelas ruas, piratas atacavam soldados e vários corpos mortos jaziam como um carpete pelo chão. Não vomitei por detalhe antes de conseguir, enfim, descer as escadarias em espiral que me levariam para aquele inferno.

Eu não tinha um plano.

Eu não tinha tempo para pensar em um plano. Meu último plano, a propósito, havia terminado daquela maneira desastrosa.

Não terminou ainda, uma voz interna agourenta ecoou em meus ouvidos. Ela estava certa, e eu ainda precisava chegar de alguma forma ao castelo e encontrar James, Nena e os outros. Eu só não sabia como chegaria até lá, machucado, manco e parcialmente cego, sem nenhuma arma ou proteção. A ideia me pareceu mais com uma nada refinada tentativa de suicídio do que com um plano, mas era tudo que eu tinha em mente.

Respirando fundo em busca de coragem, eu comecei a correr em meio àquela loucura. Era ainda pior respirar ali embaixo, cercado pelas altas muralhas e pelo fogo, mas ao menos o nervosismo e terror obrigavam minhas pernas a correrem como putas doidas em um bordel. Eu dobrei uma esquina e rapidamente precisei me esquivar de tiros, não sabia se em minha direção. Peguei um desvio e continuei correndo, fugindo também do fogo.

Minha corrida não era nada espetacular. Eu mancava a cada passo, meu rosto contorcendo-se pela dor do impacto, mas cheguei a acreditar, depois de alguns metros de sucesso sem nenhum machucado, que teria como alcançar ao menos o pátio central em frente ao castelo e ver o que acontecia por ali. Como eu entraria no castelo era um mistério, mas eu teria de pensar em algo quando chegasse lá.

Levei meu primeiro tiro poucos metros antes de atingir meu objetivo. O som do disparo pareceu alcançar meus ouvidos após o choque em meu braço, o qual me fez cambalear para o lado contrário e me bater contra uma parede. Alguns porcos malditos lá nos céus queriam a minha morte naquela noite e deviam estar soltando gargalhas a cada novo machucado que eu recebia, foi a explicação que encontrei quando outro tiro atingiu minha perna.

“Maldição, fodam-se vocês anjos e sua proteção inútil!” Xinguei baixinho, ofegante demais para gritar. Manquei até me encurralar em um vão razoavelmente seguro de novos tiros entre o pátio central e uma irregularidade na parede da muralha lateral. Eu não sabia qual sangue estancar, se de meu braço ou de minha perna, ambos doíam a ponto de eu querer quebrar minha cabeça contra a parede.

Meu único consolo foi ver que o tiro em meu braço pegara apenas de raspão.

Apanhei então a adaga e rasguei minha calça onde havia levado o tiro. Não havia atingido o osso, mas a bala continuava cravada na carne de minha panturrilha. Gani em antecipação, novamente frustrado com aquilo tudo. Quanta dor mais eu teria de aguentar naquela noite? Senti que preferia não saber, até minhas lágrimas já haviam terminado e minha boca seca denunciava uma sede infernal.

Trincando meu maxilar, enfiei a lâmina da adaga no furo da bala.

Reno havia me ensinado algumas coisas. Entre elas, que as chances de um homem ser abatido pela febre e pela morte se a bala de um tiro não fosse retirada de seu corpo eram muito maiores do que se o curativo fosse feito após livrar a carne do artefato. Eu já havia curado um marujo de um tiro usando o anel, mas ele morrera em febre alta ainda assim, pois não tínhamos como retirar a bala sem matá-lo.

Auto infringir-me dor vai contra minha natureza, posso assegurar, logo a cada segundo eu hesitava e tremia, cavoucando minha carne em busca da bastarda e usando palavrões cujos significados eram desconhecidos até mesmo para mim. “Eu odeio minha vida.” Choraminguei com um soluço antes de meter meus dedos na grande ferida que eu havia me arranjado e, com um berro, segurar a bala e puxá-la para fora.

“Engole essa, vagabunda!” Atirei a bala longe e, com a ansiedade de um vira-lata esfomeado, curei minha perna. Eu odiava meu anel, mas o beijei assim que terminei, deixando uma cicatriz feia na pele por minha pressa e falta de energias para fazer algo perfeito. Outra cicatriz...

Não pense nisso agora.

Descansei minha cabeça contra a parede, achando que desmaiaria novamente apesar de minha tentativa de manter-me acordado. O que eu faria caso chegasse ao castelo, de qualquer forma? Se eu tentasse atravessar o pátio, seria atingido novamente e, ou morreria, ou teria de passar por mais um pouco daquela agonia. O melhor era dormir um pouco, quem sabe quando eu acordasse as coisas estivessem melhores...

Os sons começaram a se tornar distantes, e eu quase pude gostar da minha vida outra vez.

“Chefe!” Ouvi alguém chamar, distante. “Chefe!” Abri os olhos e deparei-me com Jaima ajoelhado em minha frente. Pouco atrás dele, grande como uma porta, estava Esteban. Ou seria Estevan? Eu já não conseguia recordar com exatidão. “Não durma, chefe!”

“Mas estou tão cansado...” Murmurei, meus olhos pesando.

“Nós temos de te tirar daqui. Santiago e Emanuel estão chegando, nós já passamos pelo portão principal há algum tempo.” Ele falava ansiosamente. “Se você morrer, o capitão não ficará nada feliz.”

“Ele pode ir pro inferno me buscar, se ele quiser. Eu então poderei chutá-lo de presente para o capeta.” Meus cílios tremularam e meus olhos fecharam outra vez.

Eu os reabri irritado quando Jaima sacudiu-me.

“Yo-ho-Yo-ho!” Estevan exclamou os únicos prováveis sons que sabia articular.

“Chefe!” Jaima chamou, e eu estava prestes a xingá-lo quando gritos chamaram nossa atenção.

Nós três nos viramos. Algumas pessoas saíam pelas portas principais do castelo, alcançando o pátio principal. Eram Fajardo e seus capangas, incluindo todos que nos haviam acompanhado quando entramos em Chagres. “Filhos da puta...” Murmurei, rangendo os dentes. Meu coração, no entanto, parou ao ver que levavam duas pessoas da comitiva do Labareda e uma do Tigre Imperial como prisioneiros.

Nena, Fradique e James.

Eu tentei me erguer, mas Jaima me impediu. Até mesmo esse pequeno pedaço de bosta barrigudo e feioso tinha mais forças do que eu no momento.

“Não... Morreremos todos se formos ali agora. Eu e Estevan estamos sem munição.” Ele disse com os olhos presos na cena.

Restou-me observar, fraco demais para protestar.

“Fajardo!” Nena gritou, tentando chamar a atenção do enorme capitão. Um dos capangas de Fajardo a mantinha presa, por mais que se debatesse. “Fajardo, por quê?!” Seus olhos estavam repletos de lágrimas, e eu achava que era a primeira vez que a via daquela forma.

“Por quê?!” Fajardo gritou em retorno, virando-se para Nena. “Você deveria saber porque...” Ele falou, como num rosnado. “Tragam o irmão!” Fajardo gritou a ordem, e dois homens arrastaram Fradique até perto dele.

Tanto Fradique quanto James estavam desacordados.

Fradique foi colocado de joelhos em frente ao Fajardo, e o capitão pirata ergueu-lhe o rosto ao puxar-lhe os cabelos da maneira brusca. Fradique pareceu acordar, ainda que não totalmente consciente. Abriu as pálpebras, mirando Fajardo com o olhar esverdeado e, com o que lhe restava de ousadia, cuspiu em direção ao pirata.

“Você não deveria ter me provocado em meu próprio navio, fedelho.” Fajardo falou e, para meu completo pavor, pressionou o cano da pistola contra a testa de Fradique. Sem esperar um segundo, ou compadecer-se dos gritos desesperados de Nena, ele atirou. Eu ofeguei, sentindo meu nariz arder, na sensação que se tem pouco antes das lágrimas brotarem.

“N-Não...” Murmurei, perplexo. Por mais que não fosse exatamente amigo de Fradique, sua morte fez meu peito arder de raiva.

Perplexidade... Tristeza.

Nena gritava e chorava de uma maneira que doía ao olhar e à audição.

“Seu porco! Fajardo, seu filho da puta! Desgraçado, traidor!!! Você é podre! Eu te odeio!” Nena berrava debatendo-se ainda mais violentamente, como uma leoa furiosa. “Me larguem! Me larguem! Fradique!!! Fradique!!! Não, não, por favor...”

“Em frente!” Fajardo ordenou, e eu, enojado de minha inércia, empurrei Jaima e me levantei, correndo em direção ao grupo.

Eles corriam para os portões por onde haviam entrado, e eram obviamente muito mais rápidos. Eu jamais conseguiria alcançá-los... E mesmo se os alcançasse eu sabia que seria inútil, que significaria a minha morte. James e Nena estavam jogados nos ombros de dois grandalhões. James continuava desacordado, e eu não entendia o que diabos poderiam querer com ele, porém era melhor do que o terem matado como haviam feito com Fradique.

Mas não podia deixar que o levassem... Não podia!

“Nena!” Gritei o mais alto que pude, e ela, que chorava sem forças, com os pulsos amarrados e a cabeça baixa, ergueu o olhar para mim. Seus lábios se entreabriram enquanto ela e seus captores já atravessavam o portão.

“Dominic...” Vi seus lábios dizerem, apesar de não escutar nenhum som. Ela puxou o colar que sempre usava por baixo da blusa e o arrancou, depois me lançou um olhar que implorava para que eu cuidasse de seu bem mais preciso, a única lembrança física que tinha da irmã.

Eu estendi a mão.

Ela atirou o colar com o camafeu.

Por pouco não consegui pegá-lo, mas o tempo pareceu se arrastar enquanto eu esticava o braço, levando minha mão até o colar. Meus dedos se fecharam fortemente no camafeu, eu pude dar ao menos essa certeza à Madalena. O portão se fechou abruptamente assim que eles o atravessaram, impedindo-me de continuar. Não importava de qualquer maneira, eu havia perdido as forças e caído de joelhos no chão, incapaz de mais um passo sequer.

Perdido em mim mesmo, apertei fortemente o camafeu em minha mão, olhando para ele. O mesmo estranho desenho de um esqueleto feminino, que parecia sorrir, hoje de maneira macabra, gerou-me um arrependimento ainda maior por não ter sido capaz de impedir que levassem meus amigos. Você falhou, Dominic, alguém parecia sussurrar em meu ouvido e por um momento achei que fosse a mulher-esqueleto do camafeu. Encarei-o arregalando os olhos, mas o guardei rapidamente quando percebi pessoas correndo em minha direção. Eram novamente Jaima e Estevan.

O grandalhão me ajudou a levantar, e, quando nos viramos, me dei conta do que se passava.

Santiago e Emanuel estavam ali.

Emanuel avançou sem titubear para dentro do castelo, enquanto Santiago mantinha-se parado, olhando diretamente para o corpo inerte de Fradique caído ao chão. Eu comprimi meus lábios e apertei meu olho, percebendo que minha expressão transfigurava-se em uma careta de choro. Ao que parecia, não importava o desfecho, ao final eu estaria com lágrimas nos olhos. No olho, melhor dizendo.

Não pense nisso.

Escondi meu olho furado atrás dos cabelos, não querendo que Jaima enfim percebesse esse pequeno detalhe. Nisso, mais pessoas chegaram ao pátio – Noel, Jack, Rigo, Valgor, entre outros desconhecidos cujos nomes eram difíceis de recordar no momento. Santiago caiu de joelhos no momento em que Noel gritou e correu até o corpo de Fradique, segurando-o e chamando-o, como se o furo da bala em sua testa não fosse comprovação óbvia de sua morte.

“Leve-me até ele.” Eu murmurei para Estevan, que obedeceu docilmente. Quando eu estava próximo o suficiente, ajoelhei-me ao lado de Santiago, colocando uma mão sobre seu ombro. Ele pareceu não me notar, seus olhos ainda presos no cadáver de Fradique; seus braços caídos inertes ao lado do corpo.

“Sant-“ Abri a boca para chamá-lo, mas outra cena desenrolou-se à nossa frente, chamando minha atenção.

Edmond era empurrado para fora do castelo por Emanuel, assim como alguns outros prisioneiros levados por homens do Caveira Cinzenta. Edmond tropeçou e caiu de joelhos no chão, levantando-se rapidamente ainda que trôpego. Ele olhou aparvalhado para Emanuel, que caminhou altivamente até ele, mirando-o de maneira fria.

“Jullien!” Edmond exclamou com lábios trêmulos. “Jullien! Não é possível, você está vivo... Irmão!” Sua voz era um misto de surpresa, encantamento e alegria. Ele sorriu, enquanto eu arregalava os olhos, entendendo agora por que Edmond me parecia familiar. Emanuel não parecia compartilhar da mesma alegria do irmão; seu rosto era frígido, porém ele abriu um sorriso obscuro.

Edmond caiu de joelhos, rastejando até Emanuel.

“Irmão... Me perdoe. Me perdoe por tudo.” Ele implorou, começando a chorar. “Eu me arrependo tanto... Nossa mãe... Eu não deveria... Me perdoe, irmão.” Edmond escondeu o rosto nas vestes de Emanuel. “Jullien, eu sempre, por todos esses anos, eu não pude me perdoar...”

Emanuel acariciou os cabelos grisalhos do irmão, sua mão parecendo delicada e gentil antes de escorregá-la pelo rosto de Edmond para erguer-lhe o queixo.

“É claro que eu o perdôo, Edmond.” Ele falou doce, com um sorriso. Não parecia haver emoção em suas palavras, mas Edmond não pareceu, ou preferiu não perceber. Ele segurou a mão de Emanuel, começando a beijá-la.

“Obrigado, irmão. Obrigado.” Balbuciava, beijando-o repetitivamente. O sorriso de Emanuel desvaneceu e ele passou a apenas observar a cena com uma expressão insensível. Edmond ergueu-se numa alegria voraz, esquecido daqueles que os observavam, abraçando Emanuel ao começar a beijar-lhe por todo o rosto. “Eu continuei amando-o, Jullien. Eu te amo, eu te amo. Perdoe-me.” Até que o beijou nos lábios.

Todos que presenciavam a cena arregalaram os olhos.

Não pelo beijo entre os irmãos. Mas pela adaga que Emanuel fincou no abdômen de Edmond.

“Eu também te amo, Edmond.” Emanuel cravou mais profundamente a adaga quando Edmond cambaleou um passo para trás, certamente atingido em um ponto vital. Edmond olhou em choque para o irmão e, quando tentou falar, uma golfada de sangue escorreu por seus lábios. Emanuel tocou-lhe o rosto com as costas das mãos, num carinho leve. “Agora morra.” Ordenou, sorrindo de uma maneira estranhamente carinhosa.

Edmond tropeçou para trás, seus olhos ainda cravados em Emanuel, antes de cair e... morrer.

“Levem a filha dele para o Caveira Cinzenta, eu e ela conversaremos mais tarde.” Emanuel ordenou ao seus homens. Só então a moça pareceu acordar para a realidade e começou a gritar e espernear enquanto era arrastada. Ninguém impediu, e Emanuel ajoelhou-se perto de Edmond. Vi ele arrebentar o colar que Edmond usava, para carregar o anel, e colocar o objeto em seu bolso.

Avançou até onde nós estávamos após a cena dramática e surreal.

Ele olhou sem emoção para Fradique, um momento para Santiago, e então seu olhar parou em mim. Sorriu de maneira estranha, aproximando-se. Meu coração bombeou acelerado e eu tentei afastar o rosto quando ele me tocou a bochecha.

“Você precisará de um tapa-olho.” Ele disse, afastando meu cabelo e revelando o que eu havia tentado esconder. “Pegue o meu.” Ele tirou o próprio tapa-olho e, frente à minha falta de resistência, colocou-o em mim. O lugar onde antes estivera seu olho era nada além de uma cicatriz grotesca e enrugada, provavelmente muito similar a que eu carregava.

Ele sorriu, satisfeito, e olhou novamente para Fradique.

“Uma grande sorte a sua, Santiago, que seu amante é capaz de ressuscitar os mortos com Zain.” Emanuel falou num regozijo seco, levemente sarcástico, antes de caminhar para longe.

Santiago olhou-me, enfim demonstrando alguma reação. Seus olhos pareceram ganhar foco e ele segurou meus ombros com muita mais força do que eu gostaria.

“Você pode trazê-lo de volta?” Perguntou.

“E-Eu não sei.” Sussurrei, espantado com aquilo. Como Emanuel sabia sobre isso? Sobre os anéis? Eu mesmo já estava me esquecendo disso. Não pode ressuscitar um, sem entregar outro em seu lugar. Eu estremeci com a lembrança. “Não posso ressuscitar alguém sem matar outra pessoa...”

“Há dezenas de prisioneiros.” Santiago levantou-se e caminhou rápido até o primeiro encarcerado, agarrando-o pelo ombro e o arrastando até mim, fazendo-o cair ajoelhado à minha frente. Notei que Santiago usava Hê, o anel que roubara de Aguirre. “Use este.”

Era um dos homens de Edmond, ninguém que eu conhecesse, mas ele me olhou em pânico, seus olhos lacrimosos.

“P-Por favor, eu tenho esposa e filhos. E-Eu”

“Calado!” Santiago exclamou, dando-lhe uma joelhada no rosto do prisioneiro que arrancou-lhe dois dentes. Ele chorou com a cabeça baixa, assustado e lacrimoso, e eu senti novamente aquele enjôo tomar meu corpo, junto com a tontura. “Vamos, Dominic! Use-o!”

Eu apertei meu estômago. Depois de tudo que havia passado até ali, depois de tudo que presenciara... Eu simplesmente não conseguia imaginar matar outra pessoa. Não assim, a sangue-frio. Não podia. Não conseguiria. Eu tapei minha boca e comecei a soluçar, olhando para Fradique, caído nos braços de Noel. Eu não sabia mexer com aquele tipo de magia, e eu tinha certeza de que não era algo tão bonito quanto curar feridas.

“E-E não posso. Por favor.” Implorei.

“Você deve! É meu irmão!” Santiago gritou alterado, sem paciência.

“Santiago.” Jaima se aproximou, a expressão hesitante e nervosa. “Olhe para o menino, ele está acabado. Ele-“

Santiago tirou a arma da cintura, mirou no prisioneiro e atirou. Ele caiu morto, de olhos abertos, à minha frente, a luz das chamas que queimavam Chagres dançando em suas íris agora opacas.

“Eu vou matar cada um deles, Dominic, um por um, e essas mortes estarão nas suas costas. O que você prefere? Matar um, ou matar vários?” Santiago perguntou, e não havia lugar para diálogos em seu tom implacável. Ele não esperou minha resposta, caminhou até outro prisioneiro e o trouxe para perto de mim, erguendo a arma para a cabeça dele. “O que vai ser?” Perguntou outra vez, contundente.

Eu o encarei, não o reconhecendo, questionando-me se algum dia o havia conhecido de fato. Seu olhar era duro e inflexível, não havia hesitação em seu coração. Também não havia nenhuma piedade. Matar era uma atitude fácil para ele. Ele mataria aquele homem caso eu demorasse a responder, e continuaria matando-os, não importava quantos fossem necessários para me convencer.

Não encontrei formas de aceitar aquilo em voz alta. Novamente o prisioneiro implorou por sua vida, novamente seus olhos eram carregados por lágrimas e medo, novamente falou-me de filhos e família. Eu coloquei a mão sobre sua cabeça, mas ele gritou, debatendo-se em pânico. Santiago o derrubou no chão, pisando em suas costas para mantê-lo contido. Eu respirei fundo, segurando a bile em meu estômago, e recoloquei minha mão sobre a cabeça dele, a outra sobre o ferimento na testa ensanguentada de Fradique.

Eu não sabia como fazer aquilo, então decidi apenas arrancar toda a energia daquele homem e tentar repassá-la para Fradique. Achei que poderia ser simples, pensando dessa maneira. Mas eu estava enganado. Quando comecei a puxar a energia do prisioneiro, eu senti como se eu próprio me afogasse. Meus braços esticaram e minha cabeça foi jogada para trás, como se o ar ao redor se tornasse mais carregado e me obrigasse a isso. Minha visão nublou e o mundo pareceu escurecer ainda mais. Eu senti que alguém me puxava, lutava contra mim e eu estava fraco demais para rebater.

Porém eu sabia que morreria caso perdesse a disputa.

Eu gritei, ou achava ter gritado. Eram mãos, várias delas, tocando meu corpo, tentando arrancar-me um pedaço. Elas imploravam, em lamentos sinistros. Eu olhei para os lados e gritei para que me soltassem, seus rostos pareciam perdidos ao redor, apareciam e sumiam, alguns bafejavam em meu rosto, enojando-me. “Leve-me! Leve-me, ou venha conosco!” Elas diziam, soltando suspiros longos, arrastados e cansados. “Dominic...! Dominic...! Dominic...!” Chamavam-me, eu um coro. Eu gritei de novo, sentindo que havia em mim algo que não deveria, na minha pele, em meu corpo.

Dentro de mim, agarrado em minha alma. Implorava-me para que não o obrigasse a ir. “Eu tenho esposa e filhos.” Aquela voz desesperada ecoou distante. Ou seria em minha mente? “Eu tenho esposa e filhos.”

Dominic...! Dominic...! Dominic...!

Venha conosco.

Eu tinha de ignorar aquilo.

Dominic...!

Não podia dar ouvido a nenhum deles.

Eu tenho esposa e filhos.

Por favor, por favor.

Eu sei! Me perdoe, eu sei... Eu não queria.

Eu tenho esposa e filhos..

Venha conosco. Leve-me!

Não posso! Não posso! Por favor, entendam!

Dominic...! Dominic...! Dominic...!

“Deixem-me em paz!” Eu berrei com a cabeça explodindo, expulsando aquilo de dentro de mim, jogando-o para longe. Uma energia absurda parecia ter-se acumulado em mim e, estimulado por ela, abri os olhos.

Tomei o susto da minha vida.

Um mar de fantasmas parecia rodear à minha volta, soltando urros, e berros, e lamentos. Eu olhei ao redor, atônito e perturbado. Eu precisava encontrá-lo... Precisava encontrá-lo... Mas quem? Eu me levantei e girei ao redor de mim mesmo, procurando não sabia bem o quê. Havia tantos mortos. Tantos soldados mortos. Todos os mortos de Chagres. Eles me olhavam, alguns se aproximavam e tentavam puxar-me pela manga, ou arrancar meu tapa-olho.

Por favor, por favor.

Eu tenho esposa e filhos.

Venha conosco.

Leve-me!

Dominic...! Dominic...! Dominic...! É sua culpa, Dominic...!

Tudo sua culpa!

“Fradique!” Gritei quando o vi, lembrando-me de quem procurava. Corri até ele e estendi-lhe a mão. Ele me olhou surpreso, parecendo não me reconhecer por um momento, mas, com um sorriso fraco de compreensão e dúvida, ele também estendeu a mão para mim.

Ele parecia distante, mas eu segurei-lhe a mão em desespero, com todas as minhas forças.

Forças que já mal existiam.

Foi como cair de uma altura absurda e bater dolorosamente com as costas no chão, quebrando todos os ossos do corpo. Eu gritei novamente, e meus olhos abriram-se como se houvesse subido à superfície de um grande lago após vários minutos afogando-me no tormento da asfixia. Eu mal podia controlar minha respiração, ela exigia mais ar do que eu conseguia puxar.

“Fradique!” Noel exclamou quando Fradique abriu os olhos. Não havia mais nenhuma ferida em sua testa e ele havia recuperado sua cor, ainda que tremesse violentamente.

“O-O quê...? O que aconteceu?” Ele perguntou, parecendo em choque.

Jaima me amparava e tive a impressão de que me perguntava se eu estava bem, se eu conseguia escutá-lo e entender-lhe as palavras. Porém os sons aos poucos pararam de fazer sentido, eu via as pessoas movendo seus lábios, mas nada chegava aos meus ouvidos.

Nada.

Quando Santiago aproximou-se de mim, segurando-me pelos ombros com a expressão preocupada, eu o empurrei e me levantei, correndo para longe não sabia como. Não sentia nenhuma dor, nem sequer mancava mais. Não sabia tampouco para onde eu corria. Mas eu corri, porque precisava. Porque não aguentava aquilo. Minha mente não aguentava aquilo. Eu tentava afastar aquelas mãos de meu corpo, dando-me tapas enquanto corria, mas a sensação de que arranhavam suas unhas compridas e sujas em mim persistia e prolongava minha agonia.

Parei de correr apenas quando saí de Chagres, alcançando o fim das pedras à beira do mar. Caí de joelhos e fiquei olhando para o mar, negro àquela hora da noite. Tudo estava enegrecido, e os sons das ondas eram minha única companhia. Uma bruma erguia-se daquelas águas, misturando branco com negro. As estrelas pareciam afundar na maré.

E eu tremia, e soluçava, e respirava mal, em golfadas de ar rápidas, pequenas, trêmulas e repetitivas. Toquei meu tapa-olho, começando a chorar ainda mais. Pensei na morte de Katana e na traição de Terrence, e verti mais lágrimas. Pensei na minha estupidez, nos meus erros, em tudo que havia feito e me levado até aquele momento horrível. Pensei em Santiago me obrigando a brincar de Deus, escolhendo quem vivia e quem morria.

Em meio ao choro, cuspi o dente que havia ficado frouxo, após um dos socos de Terrence. Eu o toquei longe, gritando para o nada e, para meu pavor, achei ter escutado alguém gritando em retorno, muito ao longe. Olhei ao redor, arrepiando-me ao sentir que não estava sozinho. Havia alguém nas brumas. Achei ter visto Paco, rindo de minha desgraça, provocando-me com palavras sujas. Ou Katana, olhando-me tristemente, silencioso. Abracei a mim mesmo, pensando em James e Nena, ambos levados por Fajardo. Ele os mataria? O que aconteceria com eles? Meu melhor amigo...

Abaixei meu rosto e não sei por quanto tempo chorei encolhido.

Até que ela aparecesse – Raiska.

“Dominic.” Ela chamou envolta em brumas, seus olhos cobertos como das outras vezes, sua voz como uma carícia. “Dominic...”

O anel... Ainda trará tanta dor, tanta dor...

Evitar a dor, a tristeza e a traição. Evitar a morte e a destruição.

A traição. A primeira traição, mas não a última.

Partes do que ela me falara em nosso primeiro encontro flutuaram por minha mente, lembrando-me de que ela se oferecera para me livrar do anel. Eu podia ter evitado tudo isso... Por que eu escolhi viver a dor, a tristeza e a traição? Uma promessa. Você tinha uma promessa. Aquela mesma voz me recordou. Ou teria sido Raiska quem havia falado? Eu ergui meu olhar para ela, que sorria melancolicamente.

“Você passou por grandes provações até aqui Dominic. Ah, sim, passou, sim...” Ela murmurou aproximando-se, caminhando sobre as águas. “Eu lhe avisei que há mais por vir... Sim... Muito mais por vir...”

“Por que está aqui?” Eu perguntei, minha voz uma miséria pelo choro. “Para me jogar tudo isso na cara?”

“Para alertá-lo... Sim, Dominic. Não pode confiar em ninguém. Ninguém...” Raiska moveu as mãos e, nas brumas, imagens apareceram, surpreendendo-me. “Nem mesmo em sua família, Dominic. Oh, sim, nem família. Nunca em família. Eles também traem, Dominic...”

Nas imagens, vi Garuda e Helena preparando o navio de Edmond, chamando os desertores do Labareda, Rosa Negra e do Tigre Imperial para partirem com eles. Enquanto Chagres queimava, ao final do conflito, eles fugiram. Perplexo, eu olhei para trás, só então percebendo que um dos navios já não estava mais ali e, apertando meus olhos, notei um pequeno ponto luminoso no horizonte, afastando-se.

“Oh, sim... Ela fugiu com o homem que ama. Sim, sim, após descobrir que James foi levado e que você está vivo, sim, mas ainda assim, ela fugiu... Família trai, Dominic. Não confie... Não, em ninguém.” Suas palavras saíam mansas e etéreas, como se arrastassem-se pelas brumas, ecoando algumas vezes no nada.

“Helena...” Eu murmurei, arrasado. “Por quê?” perguntei, sentindo-me só, abandonado. Até mesmo minha irmã havia me traído, me deixado. Fugido com um pirata que ela mal conhecia, favorecendo-o em relação a mim e James, seus mais antigos amigos.

“Você abriu hoje um portão que não deveria nunca ser aberto, Dominic. Ah sim, abriu sim... O portão dos mortos... Não pense que será fácil. Eles o atormentarão, Dominic. Eles também querem voltar. Sim, querem sim... Deve tomar cuidado... Deve tornar-se forte e dominar por completo o poder de Zain... Deve sim...” Uma risada arrastada ondulou pela noite.

“COMO?!” Eu gritei. “Eu não sei como!”

“Irá descobrir. A chave, Dominic. Sim... A chave da Imortalidade.”

E, assim como surgiu, ela também sumiu, deixando-me sozinho na escuridão. O vento congelante da noite atingiu meu corpo, fazendo-me estremecer de cima abaixo.

Diferentemente da primeira vez, naquela noite Raiska não me deu nenhuma escolha.

Eu não tinha ninguém ao meu lado, naquela solidão devastadora.

Notas finais
Pobrezinho do meu Dom... #chora Próximo capítulo é o Interlúdio desse primeiro arco, e será narrado pelo Santiago. Pretendo postar no domingo! Obrigada a todos que vem comentando e deixando suas impressões, isso é muito importante pra mim! E lembrando que ainda responderei a todos!!! Beijão, gente!