MapleStory Online
26 Thugles, o Esmagador de Crianças
–Desista, garoto! Não tem como escapar dessa prisão!
–Sei... E por que eu deveria dar ouvidos a um velho preso que nem você?
Aphanyus olhava o velho por sobre o ombro, zangado. Novamente, teve a impressão de que havia algo incomum naquele homem, alguma coisa que chamava a atenção, mas que ele não conseguia descobrir o que era. Então o velho resmungou novamente e Aphanyus sacudiu a cabeça, aborrecido. A prisão de Orbis era um quadrado marrom sem janelas, onde os presos ficavam amontoados. Não havia HP lá dentro, e eles não podiam se atacar, trocar itens ou mesmo acessar o inventário.
Havia cinco presos junto com ele: o velho, três homens e uma mulher. Quando o guerreiro fora jogado lá, eles tinham lhe contado que a prisão fazia parte do sistema de honra do jogo: quando a honra de uma pessoa caía a um laranja mais escuro, a pessoa começava a ficar procurada. E outros jogadores poderiam capturar a pessoa e jogá-la lá dentro, recebendo uma recompensa que aumentava conforme a honra do capturado diminuía.
–O lado bom é que, quando você sai daqui, a honra volta a ficar verde — a menina tinha dito.
–Mas isso é um absurdo! Eu não fiz nada... Não ataco pessoas, não luto pra matar! Deve haver algum engano!
–Tem mesmo — disse um dos homens, com tristeza — E é seu. Se está aqui, é porque lutou e matou alguém... E não uma só pessoa, pra ter chamado a atenção da Death Star.
–Mas...
Então ele se lembrou: tinha havido uma vez, realmente, em que ele lutara e matara um guerreiro — seis, na verdade. Mas tinha sido durante o ataque da Sunrise of Astoria, e ele tinha pensado que, por serem bandidos, não haveria problema — além de que tinha sido legítima defesa. No entanto, a honra dele havia diminuído o transformado em um candidato para ser capturado e preso. E ele se lembrava da luta contra aqueles sete guerreiros. Todos eles demonstravam excelente habilidade com as espadas e os machados, e ele se deu conta de que tinha enfrentado um bando de homens maus, porém corajosos e... Honrados. Simplesmente não parecia ser a cara deles matar jogadores indefesos. Aphanyus tinha matado seis homens com diamante verde, e agora estaria pagando por isso.
A pena que o rapaz recebera era a segunda mais longa daquela prisão — ou seja, uma semana. Ele, claro, não planejava ficar ali esse tempo todo. Apalpava as paredes, batia no chão,procurando desesperadamente alguma passagem secreta. Mas tinha parede demais pra ele procurar, e a prisão parecia ser realmente à prova de fugas.
–Desista — o velho disse novamente, agora zangado — Se tivesse algum jeito, eu não estaria aqui há tanto tempo.
Aphanyus se virou para ele, prestes a dar uma resposta zangada. Então pensou melhor.
Ele encarou o velho mais detalhadamente. Pequeno, tão magro que parecia um saco de ossos cobero com pele, a barba cinzenta chegando até os joelhos. Havia alguma coisa errada... Mas o quê? Será que estava reconhecendo aquele homem? Não, era impossível. Nunca o tinha visto na vida, tampouco o conhecia como alguém presente no MinarForest...
A escola! Era isso que Aphanyus tinha estranhado nele! E agora que tinha essa idéia, ele se deu conta de que velho ficava sempre sentado contra uma parede, isolado dos outros. Olhando ao redor para garantir que ninguém mais percebia o fato, ele se aproximou do velho e se sentou ao lado dele.
–Senhor — ele começou, a cabeça fervilhando de excitação. Se estivesse certo... — Como foi que você chegou aqui?
–Uma história complicada, garoto. Acredite em mim, você não vai querer saber.
O tom de voz não era encorajador.
–Mas eu quero saber — insistiu Aphanyus — Eu estou pensando... De onde você veio, pra começar? Como chegou aqui, no Maple e tudo?
Ele teve o cuidado de não perguntar "como você chegou aqui no jogo?" Em seguida o coração de Aphanyus pareceu saltar quando percebeu que estava certo. O homem lhe lançou um olhar divertido, como se ele finalmente tivesse feito a pergunta que esperava.
–Faz séculos desde que vi o ar livre pela última vez — o velho sussurrou, e Aphanyus teve que se inclinar para frente para escutar o NPC — Esta prisão... Eu ajudei a construir. Usei-a para prender... Meus inimigos.
–Entendo — Aphanyus assentiu.
–Estou aqui... Faz séculos! — o homem continuou como se ele não tivesse entendido — Preso aqui, sem poder usar minha verdadeira magia. A que mantenho escondida durante todo esse tempo... Com tanto cuidado, que venho guardando... Há muito tempo estou à procura de um guerreiro poderoso, que possa me ajudar a despertá-la. Aqui nesta prisão, entretanto, nada posso fazer.
–E o que faz esta magia? — o guerreiro quis saber. O homem ergueu os olhos levemente.
–Muitas coisas, meu jovem, muitas coisas. Nas mãos de quem souber usá-las? Poderia torná-lo imortal. Trata-se de uma magia tão grandiosa, tão incrivelmente poderosa, que sua energia atraiiu dezenas de males para esta cidade. Desde então eu fui preso. E desde então eu apodreço aqui, sabendo que talvez nunca consiga reativar minha magia novamente.
Ele se calou e baixou a cabeça. E ficou assim por vários minutos. Repentinamente, ele a ergueu, e vendo que Aphanyus ainda o observava, explodiu:
–O que foi? Por que ainda está aqui me olhando, tá esperando uma Quest pra armadura lendária que te tire daqui? Você está na prisão, garoto, agora senta a bunda no chão e espera sua pena acabar antes que eu te implante a perpétua!
–O quê? Mas... Mas...
Ele recuou resmungando audivelmente, um som abafado pelas risadas dos outros presos sentados naquela cela.
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El Nath, o lugar que parece estar distribuindo doce já que o pessoal sempre é narrado nela, estava frio. Sempre está frio lá, essa frase foi escrita só pra introduzir o fato de que eles estão em El Nath, não que seja surpresa já que eles quase sempre estão lá, mas mesmo assim é interessante saber que Guilber, Bruken, Anna, Davien e Kiara encontram-se lá.
Ah sim, Gatts também estava lá. É que às vezes nos esquecemos dos menos importantes, acontece.
Guilber sugerira que fossem até sua casa na cidade congelada para que pudessem explicar a situação mais tranquilamente. A casa, um pequeno chalé de madeira coberta de neve e com dois andares, serviria perfeitamente a esse propósito.
Assim que entraram, ouviram um latido e a expressão de Guilber, normalmente séria ampliada pela venda, se suavizou em um sorriso. Ele se aganhou para mexer com o pequeno animal que corria até ele, muito animado.
–Eeei, Pikka, como vai? Tomou conta da casa direitinho, hã?
O rosto de Kiara exibiu um misto de tristeza e alegria.
–Nya, que lindo! Ei, Pikka, vem cá, vem?
–Cuidado, ele morde — Guilber advertiu, mas continuando a sorrir.
–E qual cachorro não morde? Você não vai me morder, né? Né coisinha fofa? Vem cá!
Ela aproximou a mão do pequeno husky, que a farejou desconfiado. Ele rosnou baixinho e depois soltou um latido. Mas deixou que ela lhe afagasse o pescoço.
–É uma boa casa — Gatts comentou num assobio. Feita de madeira, a sala principal ocupava todo o andar de baixo. Uma escada de madeira levava ao andar superior onde deveriam ficar os quartos, ele pensou. Tinha alguns poucos móveis como uma mesa e seis cadeiras e parecia um tanto vazia, mas ainda assim, extremamente aconchegante, um refúgio confortável no meio daquela cidade congelada e perigosa.
–Ainda estamos comprando melhorias — o mago explicou — Então não temos cadeiras para todos.
Não havia problema — Anna sentou-se no chão de pernas cruzadas, usando um conjunto de roupas militares no lugar da armadura de chamas. Gatts ocupou a cadeira restante e Kiara, naturalmente, usaria a pedra. Assim que esta se sentou, Pikka saiu de perto de Guilber pulou no colo da garota, resmungando satisfeito.
–Ele gostou de você — o dono riu. A menina sorriu para ele.
–É a pedra. A fada que me deu ela é a mesma que usa a Água da Vida nos animais daqui, eles devem sentir a magia dela mais do que nós.
–São só bichinhos de um jogo. E Acho que vocês têm muita coisa pra contar — Bruken rosnou, nada encorajador. Davien olhou para ele.
–Tenho certeza de que todos estamos ansiosos pra ouvir — ele disse.
–Primeiro as damas — Gatts disse significativamente para Anna — Você podia começar me dizendo por que estava nos atacando lá na floresta.
–Você não foi melhor do que eu — a menina respondeu calmamente.
–Devagar, devagar — interpôs Guilber, erguendo as mãos — Acho melhor começarmos com as apresentações. Eu sou Guilber, estes são Davien e Bruken — ele apontou o guerreiro e o pirata, respectivamente — Fazemos parte de um clã chamado Death Star.
–Muito prazer. Eu sou a Kiara, estes são Gatts e Anna.
–Olá, Anna — Davien sorriu tortamente. A menina o ignorou.
–Quantos às explicações... — Guilber continuou — Acho melhor eu começar. Não encontramos vocês por acaso, estávamos indo prender você.
Ele olhava para Gatts. O guerreiro imediatamente desviou o olhar acusador para Anna e fitou o mago com uma expressão de total incredulidade.
–Me prender? Por quê?
Davien bateu uma palma e se inclinou sobre a cadeira, fingindo estar confuso.
–Como podemos começar? Bom, seu nível de honra está... Um pouco abaixo do que eu consideraria aceitável. Catorze mortes creditadas a você só em uma semana, e...
–Quinze — Bruken corrigiu — E um Clérigo muito honrado, por sinal.
–Ah sim, eu tinha me esquecido dele — Davien assentiu várias vezes — Com o Helion, um membro do que podemos chamar de "grupo policial", você se torna uma ameaça que não pode ser ignorada. É uma pena não haver pena de morte aqui — acrescentou em tom de lamentação.
–Eu posso implantar uma — Bruken sugeriu os punhos fechados.
–Não podem ter sido catorze...
–Quinze...
–..mortes! — interpelou Gatts — Quer dizer... Eu matei algumas pessoas pra proteger meus amigos, mas mesmo que fossem, como vocês poderiam saber? E que história é essa de grupo policial e sobre honra? Vocês não me parecem o tipo de gente que...
Então ele viu o diamante acima dele: não estava verde, tampouco laranja ou vermelho. Estava azul, claro e brilhante. O de Guilber e Bruken também, embora o do pirata fosse um azul mais desbotado e pálido.
–Nada disso é da sua conta — Davien sorriu maldosamente.
–Faz parte de uma Quest que você ganha quando se tem honra alta o bastante — Guilber explicou, ignorando o rapaz ao seu lado — Fazer Quests que ajudem bons NPC, colocar pessoas desonradas na cadeia, tudo isso te dá honra. Nós somos a Death Star, um clã que busca prender e eliminar as pessoas más do jogo.
–Afinal, todos queremos sair daqui — Davien acrescentou.
–Nessa Quest, ganhamos permissão pra matar pessoas com honra abaixo do verde. Mas só matamos os vermelhos, que são as pessoas mais perigosas. Os laranjas nós só jogamos na cadeia. Isso dá à pessoa tempo pra pensar e mudar a maneira de ser.
–Não que eu concorde com isso — Bruken disse irritado.
–Seja como for, ganhamos um par de óculos — Guilber continuou e Davien mostrou um par de óculos redondos e salientes que pareciam ter lentes de plástico — Que nos permitem analisar as mortes que uma pessoa cometeu. Também nos permitem localizar jogadores desonrados nas proximidades. Por isso andamos separados.
–Costumamos juntar os cinco quando é alguém muito forte — tornou Davien — Mas então vimos que não era mais preciso tanta força. E nesse caso, achamos que quatro fossem ser suficientes.
–Bem, vocês pensaram errado — Gatts riu secamente.
–Há muitos como vocês por aí? — Kiara quis saber. Davien sorriu, evidentemente orgulhoso.
–Só seis. Pelo menos é o limite que a Quest diz. Eu e Gui começamos a recrutar pessoas pro nosso clã, mas quando alcançamos cinco pessoas, deu que já tinha atingido o limite. Então tem outro policial por aí.
–Entendo — assentiu.
–Foi muita sorte você ter gritado — Bruken disse de repente — Ou teríamos demorado pra achar vocês.
–E eu estaria morta, pelo meu próprio companheiro. É, sei disso — Kiara disse secamente. Gatts olhou para ela, assustado.
–O quê?
–Você me atacou — ela o encarou irritada — Eu usei Cura em você e você veio pra cima de mim como se eu fosse sua inimiga! Como você pôde fazer isso? O que esperava fazer depois de me matar? Porque era o que você parecia que ia fazer.
–Matar você? A Anna que estava pra fazer isso! Eu só... Tentei ajudar, mas então...
–Então você ativou alguma coisa nessa armadura com toda essa raiva — Guilber deduziu — Porque é o que me parece. Eu vi sua cara quando baixou o capacete. Não parecia o monstro que tínhamos acabado de enfrentar.
Gatts o olhou sem entender, então Kiara explicou-lhe o que tinha acontecido. O rosto do guerreiro empalideceu, contrastando com a armadura negra que usava.
–Bom, tem até um lado positivo. Você conseguiu a cor preta que queria — Kiara sorriu para ele, lembrando que ele reclamara da cor vermelho-bronze — E não se preocupe, eu estava brincando. Sei que não foi sua culpa. Você não teria me atacado. Eu só não entendo como é que você pode não se lembrar de nada.
–Eu entendo — Anna disse calmamente, e todos olharam para ela — Ou melhor... Não entendo. Vocês me disseram que eu ataquei vocês, mas eu não lembro de nada. Estava na barraca, chorando por... — ela corou furiosamente — Bom, estava lá descansando. De repente estou parada na neve vendo Gatts atacando a Kiara e um pessoal que não conheço. Não me lembro de nada que aconteceu antes disso.
–Fico feliz em saber que não estou enlouquecendo — Gatts sorriu sem jeito para ela.
–Na verdade, eu estou aliviada — ela disse em tom de desculpas — Pensei que fosse a única a sofrer isso.
–Mas sabe, o que é mais estranho — Gatts continuou depois de um silêncio — É que eu me lembro de algumas coisas. Lampejos, sabe, quer dizer... Eu vi um homem — acrescentou, pensativo — Ele vestia túnicas brancas e emanava uma energia que parecia... Divina. Como um anjo, um homem de pureza inquebrantável. Pude ver a determinação e a bondade em seus olhos, é o lampejo mais forte que tenho. Era como se... Como se eu estivesse encontrando com alguma visão superior de uma alma extremamente pura, a salvação no meio de todo aquele tormento.
–Ah sim, esse era o Helion, o cara que você matou quando achamos você — Davien respondeu dando de ombros.
Gatts arregalou os olhos.
–Ele era um bom homem — Guilber ajuntou — Embora eu não culpe você pela morte dele.
–Eu culpo — interpelou Bruken.
–Eu também, e acho que culpados não deveriam estar aqui na base da Death Star — completou Davien.
–Eu não, e nesta casa quem manda sou eu — Guilber retrucou com mais firmeza — Bruken... Não vou discutir com você. E Davien, você sabe que ele não estava no estado normal quando fez isso.
–Não sei de nada — disse o guerreiro — Só estamos aceitando as palavras dele. Quem me garante que ele não tá mentindo? Ele é um criminoso, pra começar.
–Eu confio nele — Kiara retrucou com paciência — E era eu o alvo daquela coisa. Você não tinha nada que ter se intrometido com sua foice. Você tem muita sorte de ele ter ficado tão forte, porque se tivesse matado ele, seria uma lesma sentindo o peso do meu pé.
–Ela pode fazer isso — Gatts advertiu. Davien os encarou sem medo, mas não falou mais nada. Ambos tinham o ohar sério demais pro gosto dele.
–Você já tinha sentido aquilo antes? — Guilber perguntou olhando para Gatts.
–Bom... Não. Mas venho sentindo umas dores estranhas ultimamente. Na verdade... — ele franziu a testa como se lembrasse de algo — Foi logo depois que consegui essa capa. Mas não sei como ela... Espera...
Ele franziu a testa surpreso ao abrir o menu e olhar a descrição da armadura.
–Ela... Está diferente!
–Quer dizer, além do fato de que ela era vermelha e agora está negra? — Kiara sorriu.
–Não! Quer dizer... Sim! Tem um efeito novo aqui, deixa eu ler... Armadura do Berserk. Abriga um perigoso demônio, que se funde ao jogador em um laço de tal forma que as emoções são passadas de um para o outro. A chave para libertar o demônio é um misto de várias emoções. Raiva, ira, dor, ódio... Quando o usuário sentí-las em um nível particularmente grande, o demônio acordará de seu sono.
Ele fechou o menu e olhou para os rostos à sua volta.
–Abinnef não me falou nada disso quando me contou sobre a armadura!
–Ela era vermelha... E agora está preta. E tem a ver com esta capa... Hm... — Guilber baixou o aparelho vermelho que tinha apontado para Gatts.
–Você tem alguma idéia? — Davien adivinhou. Guilber coçou o queixo, pensativo.
–Aquela armadura de fogo. Pode equipá-la? — pediu, e Anna obedeceu — Hm... Ela tem alguma coisa a ver com magia negra?
–Não — Anna sacudiu a cabeça veementemente — Pelo contrário, o fogo nela é sagrado. Mas eu tenho uma outra armadura... Negra e cheia de espinhos — ela não gostou nada da expressão de Guilber ao ouvir isso, então acrescentou: — Mas nunca a usei.
Gatts tossiu.
–Usou, sim — Kiara lhe disse, solidária — Foi quando nos atacou. Armadura negra, espinhosa e uma espada enorme e cinza.
–É... É essa mesmo. Mas...
De repente, o rosto de Anna empalideceu.
–Ah, não! Rock me disse algo sobre uma roupa negra quando eu apareci em Edelstein, mas não pensei muito sobre isso na hora. E se...
–Você perde o controle quando usa a armadura negra — Guilber completou, pensando o mesmo que ela — Engraçado... Aqui diz que você está usando aquele conjunto militar — ele franziu a testa levemente, encarando a tela do dispositivo vermelho apontado para a garota.
–É porque não é um equipamento — Anna explicou — É uma habilidade. Kansou, troca de armaduras. Tenho essas duas aqui, e estou com uma Quest que me leva pra próxima. Eu estava indo atrás dela, mas...
Ela sacudiu a cabeça. Guilber assentiu.
–Você não sabe o que pode ter ativado a armadura negra? Raiva, emoções fortes...
–Não — ela negou antes mesmo que ele terminasse de falar — Quer dizer, eu não me lembro do momento. É como se tivesse uma névoa na minha cabeça, eu apareço num lugar... E só o que me lembro é de que estava em outro, mas não consigo lembrar da armadura tomando conta de mim. Mas a vez que eu estava em Perion, por exemplo. Estava indo dormir, não acho que estivesse pensando em nada forte, ou tendo alguma emoção grande assim.
Afinal, a emoção mais forte que ela sentia envolvia Donnie. E ela conseguia se lembrar perfeitamente dos momentos que pensava nele. Não, seja lá o que for que ativa aquela armadura, não eram emoções fortes.
–E onde você ganhou essa capa? — Ele perguntou subitamente para Gatts.
–De um dos caras que atacaram nosso grupo em El Nath. No mesmo ataque onde matei os catorze jogadores, sabe, legítima defesa — acrescentou aborrecido para Bruken.
–É crime da mesma maneira — o rapaz deu de ombros.
–Não importa. Um deles, Nils, sobreviveu e eu requisitei a capa pra deixar ele vivo. Era do Aphanyus, mas... Bom, vocês não o conhecem, mas ele não a quis e...
–Aphanyus? — Bruken repetiu, inclinando-se para a frente e sorrindo — Conhecemos sim, jogamos ele na cadeia dois dias atrás.
–Vocês o quê?– Anna explodiu. O sorriso de Bruken se alargou. Davien suspirou.
–Cala a boca, Bruken. Quanto ao Apha, ele matou seis guerreiros, e eram mais honrados que os catorze que você matou. Foda-se que era defesa, ele matou e pronto.
–Que maravilha — Gatts assentiu sarcástico — Só falta vocês quererm me prender também.
–Ora, mas quem disse que não queremos? — Bruken retrucou numa risada — Você vai pra cadeia assim que acabarmos aqui, meu amigo.
–Você vai ser o primeiro a se juntar aos seis guerreiros se se atrever a se meter comigo — Gatts rosnou.
–Não, esse idiota é meu — Anna retrucou. Kiara abafou uma risada.
–Já chega! — Guilber vociferou, pondo-se de pé num instante — Bruken, mais uma palavra e está fora do clã. Davien, eu sei que você é o líder, continue com isso e teremos uma vaga nova pra policial. Como novo líder do clã, poderei recrutar quem quiser.
–Sannavrashamvrashamguilbervigarista!
Davien relaxou, Bruken voltou a se sentar e Gatts encarou o guerreiro com novos olhos. Ficou surpreso com a súbita aceitação das palavras do mago por parte dele. Pensava que Davien jamais aceitaria aquelas ordens daquela maneira, mas era exatamente o que estava acontecendo.
–Agora — Guilber disse devagar, sentando-se novamente — Acho que vocês três poderiam ser de grande ajuda para nós.
–Ajuda? — retorquiu Gatts. Ele, Anna e Kiara se surpreenderam com o pedido repentino.
Guilber assentiu.
–Como eu disse, nós podemos localizar prisioneiros nas proximidades. E tem um que nos escapa há um tempo. Nosso plano era ir atrás dele depois de pegar você, porque...
–Você é bem forte — Davien fez questão de explicar — E prender você daria muita EXP, quem sabe até itens bons. Pensamos que poderíamos até upar, pra ficarmos mais fortes e pegar esse bandido, porque ele realmente é um problema.
–Pois é, segundo o relatório, ele tem quarenta e duas mortes creditadas em oito dias. Por isso relutamos em caçá-lo. Ninguém mata tão rápido assim, pelo menos, ninguém que já tenhamos encontrado.
–Podem contar comigo — Gatts respondeu com certo orgulho — Se for pra acabar com um bandido, claro que estou dentro.
–Eu não ficaria tão animado assim...
–Ah, mas a gente consegue — Gatts sorriu encorajador para Davien — Não gosto de ficar falando, mas fui escolhido pra ser o top 6. Acho que posso lidar com um assassino.
–Guilber foi chamado pra ser o top 3 — Davien deu um sorriso cansado que apagou o de Gatts — E de acordo com o bangs vermelho...
–MapleDex — o mago corrigiu — De acordo com ela, ele poderia muito bem ser o top 2 do mundo.
–Uia — Gatts assobiou — Isso sim vai ser um desafio.
–Vai sim. Ainda mais sem um Clérigo, já que... — Davien inclinou a cabeça, deixando a frase no ar. Gatts estreitou os olhos.
–Não terão um Clérigo — Kiara ignorou os dois rapazes — Terão uma Sacerdotisa. O que, não desmerecendo seu amigo, pode ser de mais ajuda.
–Também vou ajudar — falou Anna.
–Supondo que isso acabe com nossos problemas com a "lei" — Gatts replicou para Guilber, que assentiu.
–Sim, acredito em você, que tenha matado aqueles homens para se defender de um ataque. Infelizmente, legítima defesa não parece existir por aqui. Com o tempo, sua honra vai ser restaurada e você sairá do nosso alerta.
–Parece um bom acordo pra mim.
–Mas espera — Kiara começou, lembrando-se de algo que faltava — Vocês disseram que tinha cinco de vocês. Contando com aquele Clérigo, eram quatro... Onde está o outro?
Bruken baixou a cabeça para sufocar uma risada, Davien olhou para o lado num sorriso estranho. As sobrancelhas de Guilber se ergueram bem acima da venda, como se ele pedisse desculpas.
–Ela está em atividade... Indo atrás de alguns criminosos.
–Quem? — Anna quis saber, desconfiada do tom de voz do homem. Bruken ignorou a ordem de ficar calado e a encarou.
–Seus amigos — ele disse simplesmente.
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–Nick — Thugles chamou, e o bruxo se virou para olhá-lo.
Um calafrio percorreu sua espinha ao encarar o amigo. Estava claro no tom de voz de Thugles que algo havia acontecido. Eles estavam na fenda onde Donnie e os outros acamparam, prestes a sair depois que este desistira de continuar procurando o tal item usado para a saída do jogo.
Donnie estava do lado de fora, então não havia motivos para Thugles ter alguma preocupação ali dentro. Mas ele exibia um olhar triste e surpreso, um holograma à sua frente, claramente o menu de amigos...
–Quem? — Nick perguntou rapidamente.
–Vampy e Sheddeer — disse o amigo, depois de hesitar.
Nick respirou fundo. Seu coração parecia ter se transformado em pedra.
–Você sabe, talvez eles tenham achado algum meio de deslogar...
–...Afinal, segundo o Donnie, Sheddeer tinha aquele aparelho que rastreava falhas no jogo. Sim, ele pode ter achado o Vampy.
–Pode ter escapado da Anna, encontrado o Vampy por acaso e ido achar o item — Nick continuou.
–Claro, antes de vir ver a gente, então ficando offline junto com o Vampy. Perfeitamente compreensível. É, deve ter sido isso.
Fez-se silêncio.
–Se já tiverem acabado aí — Donnie resmungou do lado de fora — Acho que gostaria de sair antes de anoitecer.
–Vampy e Sheddeer morreram — Thugles disse pelo canto da boca, e Donnie arregalou os olhos.
–Ah, eu... Desculpe — acrescentou em tom definitivo, sacudindo a cabeça — Desculpe.
Thugles dirigiu-lhe um sorriso cansado.
–Não importa mais, não é?
Eles começaram a andar para Edelstein sem dizer palavra. Rockfield ainda estava online, portanto, suporam que tinha escapado. Ou que estava capturado. Na dúvida, Sheddeer diria para sempre esperar o pior.
Repentinamente, Donnie parou.
Nick e Thugles não entenderam a princípio, mas logo viram o que ele tinha visto antes deles.
Um vulto se aproximava vindo da estrada que seguiam. Estava longe, mas estava claro que se tratava de uma pessoa pequena, vestida em trajes vermelhos e cabelos longos esvoaçando com o vento frio.
–Anna! — Thugles reconheceu animado, mas logo retirou o pensamento.
Quem se aproximava era de fato uma menina, mas não era Anna em sua armadura de guerreira de fogo. Aquelas roupas vermelhas eram uma túnica, e ela carregava uma varinha com uma bola dourada e asas na ponta, que eles reconheceram como História Diabólica — a versão varinha do cajado Asas Diabólicas que Thugles usava. Ela ficou a uns bons mentros deles antes de parar.
–Você é Donnie Nirvana? — perguntou. Não podia ter mais do que doze ou treze anos.
–Sim, sou eu. Quem deseja saber?
–Não desejo saber, mas confirmar. Sei que é você — a menina retrucou — Em nome da Death Star, eu vim te prender.
Nick franziu a testa. Donnie olhou para os dois e apontou o polegar para a menina, num gesto descontraído que surpreendeu os dois garotos.
–E em nome dos piores criminosos que andam por esse jogo, eu vou te matar — ele respondeu — Se não me der licença e vier com gracinhas pro meu lado. Não estou de muito bom humor hoje.
Ele ergueu o cajado — uma bola de fogo surgira da mão da menina e foi direto para cima do rapaz. Ele, entretanto, não se desviou — apenas iluminou o cajado com a luz roxa e a magia desapareceu.
–Como eu disse...
Ele levantou a arma novamente — antes da bola de fogo o atingir, a bruxa já movia a varinha em um feitiço.
Desta vez, não houve contra o que se defender — um sapo apareceu acima deles e abriu a boca, explodindo em uma nuvem esverdeada direto em cima do rapaz, atingindo a ele e aos amigos.
Eles tossiram, Thugles e Nick caíram de joelhos, Donnie resistiu um pouco mais. A névoa queimava-lhe os olhos e doía os ouvidos, e o cheiro era repugnante. Seu cajado não absorvia a névoa. Sentiu o HP coimeçar a baixar lentamente e se deu conta de que aquilo não era magia, mas veneno.
Então ele e os amigos foram jogados para um lado numa explosão quente e sufocante. Donnie caiu de cara no chão. Levantou-se de um salto e conjurou uma corrente de magia negra, na skill que envolve a menina e acaba com a luta.
No entanto, a corrente nunca chegou a aparecer. Somente então ele se deu conta do cubo acima de sua cabeça — um selo. Nick e Thugles ainda estavam caídos, o Sacerdote parecendo ter recebido menor dano. Ele ergueu a mão para curar Donnie, mas foi interrompido por uma flecha de fogo.
Rápida, a menina disparou uma flecha de fogo contra Donnie, que procurava Água Benta no bolso. Nick finalmente se levantou e usou uma Garra Gélida que instantaneamente congelou a menina, o suficiente para Donnie usar a Água Benta.
Quando se libertou, ela viu que Donnie corria na direção dela. Sabia pouco sobre o rapaz, mas Guilber a advertira para nunca deixá-lo chegar perto demais. Ela jogou outra flecha de fogo, que foi absorvida pelo cajado. Tentou um ferrão de bolhas venenosas, mas Donnie habilmente se teleportou para desviá-las.
Sabendo que precisava pensar rápido, ela jogou várias flechas para Nick, que as desviou com facilidade. Então atirou uma bola de fogo — mais forte e compacta do que as flechas. Magias de fogo tinham dano extra contra monstros de gelo, mas a recíproca também era verdadeira. Gelo feria fogo, fogo feria gelo. Por isso, numa disputa entre um bruxo de fogo e veneno contra um de gelo e raio, as vantagens que um tinha sobre o outro eram as mesmas que marcavam as desvantagens.
A bola de fogo era uma skill de terceiro avanço, algo que Nick, que mal tinha saído do segundo, não conseguiu bloquear. Antes que Donnie chegasse mais perto, ela se teletransportou até ele e atirou mais bolas de fogo. Thugles o curava, mas não tinha nada que pudesse livrar o amigo das bolhas venenosas.
–Parem agora ou ele morre!
Tinha sido rápido demais, até mesmo para Donnie. Agora a menina, com uma habilidade tamanha que chegou a impressionar o rapaz, cobrira Nick de magias de fogo e as bolhas venenosas, e agora tinha uma flecha do ar apontada para ele. Àquela distância, o fogo seria perigoso e o menino estava caído no chão, de forma que não poderia se teleportar. O HP descia lentamente...
Ela olhou para Thugles.
–Você, tente alguma coisa e eu...
–Fofinha?
Seus olhos se arregalaram e ela baixou a varinha, incrédula.
–Thug... uuuuuuuuf!
Nick se levantou meio confuso, meio dolorido, vendo Donnie se aproximar andando, sem saber bem o que fazer. Thugles apertava a menina num abraço tão forte que ela tinha a cabeça jogada para trás, os olhos parecendo que iam saltar do rosto.
–Não precisa matá-la, só incapacitar já tá bom — Nick resmungou num sorriso.
–Julia! — o garoto finalmente a soltou, um largo sorriso em seu rosto. Donnie se aproximou, curioso.
–Olá, Julia. Eu sou o Donnie do tumblr.
–Ah... AH! Oi, Donnie do tumblr — ela disse para ele, ainda um pouco desconcertada. Thugles ainda sorria, extremamente animado.
–Cara... Não acredito! Sempre achei que a gente fosse se encontrar tipo, eu indo até sua cidade, é bom a gente ter se encontrado assim, quer dizer, não que eu esteja tão feliz assim, afinal a gente pode morrer aqui a qualquer momento, então...
–Desculpe interromper a animação de vocês — começou Nick — Mas quem é você?
–Eu sou a Julia — ela disse inocentemente. Nick suspirou.
–É uma menina que eu conheci quando ainda acessava o tumblr — Thugles explicou — Acabou que mandei o tumblr do Donnie também. É estranho ela ter aparecido aqui, e ainda por cima... Quase ganhou da gente!
–Não sei se foi bem isso que aconteceu — tornou Donnie — Mas isso não é importante. EU quero saber... Que história é essa de me prender? Como, por quê e com que direito você acha que... Thugles, seu criança, larga ela.
–Mas ela é muito fofinha!
–Ela vai cuspir nuvem de veneno em você, solte ela — Nick riu, e Thugles a soltou novamente. Julia recuou alguns passos, respirando profundamente.
–Antes que o Thugles a sufoque, talvez você queria me contar que história é essa de querer me prender.
–Sua honra — ela disse, mirando-o com firmeza — Seis mortes registradas. Honra suficiente pra...
Ela soltou um suspiro, um "nya" estranho que quase fez pessoas quererem sufocá-la. Abriu o menu e leu o que tinha escrito, a expressão nada agradável.
–Desculpe tentar prender você — ela disse distraída — O assassino que procuramos está aqui em El Nath.
Olha só, El Nath é tão legal que até os assassinos passam por lá. Esta fala é justamente pra evitar comentários gays tipo "ah a trama tda eh em el nath vc caga td n da dps fik fland k eu arrgeo"
–Que assassino? — Donnie perguntou impaciente — E como assim queria me prender?
Julia desativou o menu e o encarou.
–É o que meu clã, Death Star, faz. Procuramos pessoas más, tipo, que matam muito e perdem honra, essas coisas. Jogamos eles na cadeia e tal. Por falar nisso, Davien disse pra tomarmos cuidado com você, Donnie... Vocês o conhecem?
Até Donnie riu quando ela disse aquilo.
–Arregão.
Julia fez cara de quem entendia.
–Bom, agora que você decididamente não vai nos prender — inquiriu Nick — Talvez agora a gente possa ir atrás do Rock e do Sheddeer.
–Ou talvez ele possa vir atrás de vocês.
Andando na direção oposta a eles, sorrindo, vinha ninguém menos que Rockfield, acompanhado de um outro garoto. E não era Sheddeer.
–Você! — Julia estreitou os olhos, erguendo a varinha. O menino ao lado de Rockfield fez menção de erguer a mão.
–Calma, Julia, está tudo bem. Ele é um amigo.
–Puxa, que coincidência! — Thugles disse — Eu também sou um amigo! Somos todos amigos! Não é legal quando tem um grupo cheio de amigos e nenhum inimigo?
–É maravilhoso — Donnie retorquiu entredentes — O que aconteceu, Rock?
–O Sheddeer...
–Sim — o rapaz disse rapidamente. Nick arregalou os olhos, e Thugle soltou um longo e profundo suspiro.
–Vocês devem ter reparado que o Vampy também ficou offline — continuou, sério. Eles assentiram.
–Julia! — disse o outro garoto, com um largo sorriso. Era um menino ainda mais novo que ela, cabelos castanhos espalhados e uma expressão doce e infantil — Como é bom ver que você está bem!
Ele a abraçou um tanto sem jeito, embora a expressão estivesse longe de demonstrar vergonha. Julia virou a cabeça para encarar Rockfield, que deu de ombros.
–Encontrei eles quando voltava pra cá — explicou aos amigos — E ouvi um papo interessante sobre "prender Donnie" pra cá, "capturar Donnie" pra lá, essas coisas. Só que eu fui descoberto — acrescentou, rabugento — Mas consegui levar o Clérigo. Vocês tinham que ver, ele gritou pra Julia fugir e deixar ele morrer. Foi tão genuíno que eu nem matei ele. Estou brincando, não ia te matar — ele sorriu depressa ao notar a expressão magoada do menino.
–Falando nesse papo de prender...
–Ah, e você também está na lista — acusou a menina — Mas agora que a gente se encontrou e tipo, sou amiga do Thugles que é amigo de vocês, não vou mais prendê-los.
–Awn, obrigado!
–Temos que voltar para nossa base — disse o menino, sério, então, repentinamente sua expressão mudou — Ah, esqueci, meu nome é Karlin. Quem é você?
–Thugles — respondeu o outro.
–Você?
–Donnie.
–Você?
–Nick.
Eles se entreolharam, Donnie ergueu uma sobrancelha.
–Precisamos voltar para a base — tornou Karlin, sério novamente — Julia me encontrou e disse que ia pedir para me admitirem na Death Star. E eles combinaram de se encontrar numa casa em El Nath. Já que não vamos mais executar a missão de prender, podemos ir pra lá.
–Então nos separamos aqui — Donnie começou, mas Thugles se adiantou.
–Nah, fale por você. O Rock já voltou, não já? E o Sheddeer... Bom, não tem jeito. De qualquer maneira, eu vou com a fofinha. Esperei meses pra conhecer ela, e não quero correr o risco de ser comido por algum Yeti antes de falar com ela. Por falar nisso... Fofinha!
–Aaaaaaaag... — ela fez quando ele a apertou novamente. Nick sorriu, Donnie deu um tapa na própria cara.
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