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12 Grande Chefe Alishar
O mapa era imenso, de teto alto e mais longo do que alto. As paredes de tijolos haviam sumido — em seu lugar, estava uma massa preta como se fosse forrada com milhares de cobertores, cabos e ganchos, lembrando a Thugles um avião de carga por onde ele viajava anos atrás. Eles se entreolharam, sérios. Estava claro que haviam chegado ao fim da Quest de Ludibrium.
A única coisa que chegava a animar um pouco o local eram os sempre presentes balões azuis, com os mesmos sorrisos animados de antes. Thugles se aproximou, cauteloso.
–Agora eu preciso chamar Alishar — ele disse — Adeus, bravos viajantes.
Ao mesmo tempo, eles estouraram, um barulho que se espalhou por toda a extensão da sala. E como que respondendo ao chamado, Alishar apareceu.
Ele ainda estava a alguns metros de distância, mas era possível vê-lo com clareza. A maior parte do seu corpo era uma bola branca, com uma capa azul que o fazia parecer um fantasma. Os olhos ficavam na parte da capa que cobria parte de seu corpo, dois grandes espaços brancos e vazios. Usava um chapéu de bruxo com estrela, mas atrás, ele fazia uma curva para cima que se alongava para formar algo bizarro: um grande relógio marrom de ponteiro, com pêndulo e tudo. Cabos dourados e linhas negras saíam do mostrador, estalando no ar como chicotes. A coisa mais impressionante eram suas pernas: minúsculas protuberâncias abaixo do corpo, que ninguém acreditava como podiam ser capazes de sustentar todo aquele corpo imenso.
–ATACAAAAAAAAAR!!!!
A imensa foice cortou o monstro na barriga, abrindo um buraco onde alguma geléia azul brilhava. Mas logo ele se fechou, e outro corte se abriu, seguido de outro.
Alishar abriu a imensa boca, obviamente preparando um ataque. Nick o fez engolir uma Garra Gélida, e Alishar recuou, cuspindo gelo. Nick girou o corpo e ergueu a varinha, concentrando todos os raios no ponto onde estava a boca do monstro.
O gelo dentro dele conduziu a energia livremente, de modo que ele sofreu toda a carga do golpe. Nick tentou outra vez, mas um dos cabos disparou por cima de Davien e o chicoteou no rosto, interrompendo o ataque. Nick caiu de joelhos no chão, pressionando o rosto que ardia quase insuportavelmente.
Os outros cabos levantaram e se retorceram no ar como serpentes prestes a dar o bote. E então, num segundo todas elas foram direcionadas ao guerreiro, que percebeu o que acontecia tarde demais.
Ele fez uma careta e enrijeceu os músculos do rosto ao máximo, na tentativa de reduzir a dor dos cabos que vinham como chicotes. Mas ele sentiu apenas o deslocamento de ar provocado pelos cabos e as armas à frente dele.
Surpreso, o rapaz abriu os olhos. Rabisco e Vampiritico estavam um de cada lado dele, quase tocando em seus ombros. Com as rápidas e precisas adagas, eles haviam desviado os cabos que recuavam e se preparavam para mais uma investida.
–Ataque ele. Finja que os cabos não estão aí — Vampiritico falou sem olhar para ele.
Com um rosnado selvagem e livre da preocupação de ser atacado, Davien pôs-se a cortar o inimigo com todas as suas forças.
Vampiritico e Rabisco acertavam-lhe com as adagas, parando apenas quando os cabos voltavam a estalar no ar, e logo ficou claro que aquele não era um monstro bem desenvolvido. Era grande, forte e perigoso, mas seu único ataque era uma luz azul que disparava do relógio, tirando dano e empurrando-os para longe. Ele não tinha braços ou nenhuma outra arma, e nem pulava para esmagá-los. A luta se resumia a sequências de golpes e cortadas da foice e das adagas, e as magias de Nick(que agora atirava fagulhas de gelo) mais atrás. Não era nem de longe emocionante como a luta contra o Firstkeeper, onde Davien ganhara a foice. Se ele tivesse braços, pelo menos, haveria socos, desvios, choques de armas. Mas enfrentar um fantasma gordo que cuspia luz não era bem algo que fizesse a adrenalina subir.
A primeira mostra de que Alishar não era apenas luzes brilhantes foi quando ele pulou para trás, e o mostrador de vidro do relógio pareceu derreter. Dele, um bando de criaturinhas saíram, em seguida o mostrador voltou a ficar inteiro.
Os monstros eram pequenos e cinzentos, como fantasmas feitos de grossos lençóis sujos e desgastados. Os olhos eram pequenos rasgos por onde uma luz brilhava, e a boca era grande com um pêndulo que balançava no ritmo de um relógio. Eles grunhiram e começaram a ir atrás dos amigos, mas então, eles pararam.
Subitamente, eles começaram a gritar, um berro agudo de explodir os ouvidos, amplificado pelas cinco gargantas que o produziam. Davien chegou a baixar um joelho no chão, a cabeça estourando com o barulho. Mas finalmente, ele parou.
O único monstro que estava ali na sala era Alishar. E ele parecia tão perplexo quanto os cinco jogadores.
–É a Cura! — Thugles gritou de repente — Devem ser mortos-vivos... A Cura afeta qualquer um que estiver perto!
–Use ela nos meus ouvidos, então! E fala mais alto, quase não dá pra te ouvir daqui — Davien gritou de volta.
Passado o momento da surpresa, Alishar tornou a atacar. Mas ele só tinha uma forma de fazer isso: jogando sua luz azul brilhante neles, que Davien logo aprendeu a desviar. O HP dele já estava bem reduzido, embora ninguém soubesse dizer. Uma barra gigante havia aparecido perto do teto assim que o monstro aparecera, como no Firstkeeper. Mas ela durou apenas meio segundo antes de desaparecer. Davien suspirou zangado. Já não gostava muito de Quests, menos ainda quando eram longas, monótonas e cheias de erros como aquela.
"É a Quest mais tosca e bugada do mundo!" ele pensou.
Houve um momento, durante a luta, em que centenas de Rombots apareceram ao mesmo tempo, mexendo as pernas sem sair do lugar, como se estivessem em esteiras de exercício. Eram tantos que alguns chegavam nas paredes, e simplesmente as atravessavam, e quatros deles pareceram se fundir ao Rombot. O acontecimento durou apenas alguns segundos, mas foi suficiente para causar surpresa e resmungos irritados de medo. E Davien estava para resmungar outra vez quando viu outro bug: Em um momento, estava enfrentando Alishar, no outro, o fantasma estava de ponta-cabeça. O relógio servia de corpo, e a bola branca era como uma gigantesca cabeça. "Uma boa foissada deve consertar", pensou. Mas ele parou.
Naquela posição, Alishar parecia muito mais assustador do que antes. A boca agora era uma curva invertida que tinha uma expressão cruel, o vidro circular do relógio era como um olho gigante... E ao mesmo tempo, uma boca. Ele não sabia explicar, mas aquela era uma visão terrível. O que antes eram os olhos eram e ao mesmo tempo não eram olhos, era como se estivesse vendo um corpo e, ao mesmo tempo, a alma totalmente diferente dentro dele. E nenhuma delas se parecia com o Alishar que vira no começo. Era como se, de repente, ele tivesse se tranformado em uma criatura totalmente diferente.
–Cuidado!
O grito de aviso de Nick ajudou a reordenar o cérebro e colocá-lo no lugar: ele pulou para o lado, mas foi impossível evitar o golpe. A luz azul era um círculo cheio de runas, o grito pegou tudo o que estivesse à frente do monstro. O chão, as paredes, o ar tremeu como se a própria existência estivesse derretendo, e a força foi tanta que Davien e os amigos foram jogados para trás como pinos de boliche. A imensa bola acabara de fazer um strike.
Felizmente, Alishar estava ocupado voltando à posição inicial, mas logo voltara à luta. Sem Rabisco e Vampiritico, os cabos disparavam a toda velocidade no único que tinha coragem de chegar até ele agora. O guerreiro estava tendo um momento difícil: tinha que atacar o corpo mole ao mesmo tempo que usava a lâmina para bloquear os cabos que saíam do relógio e pulava quando ele disparava a luz.
Alishar acabou por invocar mais fantasmas, mas desta vez, maiores e com um chapéu azul-escuro em forma de "u", com uma bola que nem as de Natal presa em cada ponta. Eles eram fortes demais para a Cura de Thugles, que já estava ficando sem poções de MP.
–Só tenho mais quatro Elixires de Mana! — avisou, desesperado. Nick apressou-se a dividir o que tinha com ele, mas suas habilidades custavam ainda mais MP que as do clérigo.
Eles enfrentavam um problema sério agora. Os novos fantasmas haviam sido derrotados por Davien e os gatunos, mas perderam bastante HP. Também estavam ficando sem poções já que, como tinham uma fonte inacabável de magia curativa, eles se concentravam mais em comprar MP para Thugles, salvando apenas algumas poucas para si, em caso de emergência. Eles amaldiçoaram a insensatez. Estavam tão acostumados a serem curados pelo Clérigo que não pensaram no que fazer se ficassem sem a habilidade. Se Sheddeer estivesse ali, certamente os teria lembrado disso.
–Fique com as minhas — disse Rabisco — Não sou bom contra ele de qualquer jeito. Ele é grande demais e aqueles cabos não me deixam em paz.
–As minhas também — Vampiritico concordou, e ambos recuaram para trás do guerreiro.
Davien ergueu as sobrancelhas para eles. Aquela era a oportunidade que queria: enfrentar o monstro sozinho — ok, talvez com um Clérigo pra ajudar — e mostrar que não precisava de ajuda para derrotá-los. Mas ele queria fazer isso com um monstro digno, um oponente que lutasse contra ele adequadamente, não com uma bola que jogasse luz o tempo todo. Era como enfrentar uma parede cheia de buracos por onde lanças afiadas surgissem. Não era divertido, não era emocionante.
Porém, isso não serviria para desanimá-lo. Ao contrário: estando doido pra acabar com aquilo e sair dali, estava motivado da mesma maneira.
Analisou seu estoque de poções. Quinze Brancas, seis Laranjas. Não era muito, mas tinha que servir. E ele ainda tinha Thugles atrás dele. Se o rapaz ficasse sem MP, ele as usaria, embora puxar a poção do bolso tomasse tempo. Pensando nisso, ele teve mais uma idéia. Propôs um desafio a si mesmo: matar o Alishar antes que o MP do amigo se esgotasse. E na mente daquele rapaz, isso era suficiente para animá-o a lutar com ainda mais convicção.
Ele procurou no inventário até encontrar o que queria: um capacete pequeno com um buraco para o rosto. Não era muita coisa, na verdade era apenas um pote de bronze com uma abertura para ele enxergar. Ele o colocou no rosto e constatou, como esperava, que aquilo também imitava a realidade: ele podia sentir o desconforto do metal contra sua cabeça, mas pelo menos ficava firme. Suspirando, ele atacou.
Deu um arco em diagonal contra o corpo do monstro, depois girou a arma e a subiu com força, depois a desceu novamente para atingí-lo em cheio. Os cabos que lhe atingiam causavam dor, mas o capacete absorvia a maior parte do impacto. Era por isso que estava usando ele agora, mas odiava ter que usá-los. Eram desconfortáveis e não aumentavam a defesa geral como nos jogos: ali, um capacete era um capacete, protegia apenas a cabeça. Decidiu que a forma mais rápida de acabar com aquilo seria atacá-lo com tudo o que tinha, ignorando os cabos que o atacavam, confiando no pequeno rapaz atrás dele.
Jogando dessa forma, ele teve que admitir que a luta não era tão ruim assim. Alishar agia como um saco de pancadas que ele atacava sem parar, mas era a primeira vez que ele enfrentava um inimigo que continuava de pé depois de tantos golpes. Ele sorriu para si mesmo. Provavelmente, os controladores do jogo iriam consertá-lo mais tarde, pois era evidente que aquele monstro não funcionava completamente. Mas agora, até que estava sendo divertido. Sem tirar os olhos da barriga da criatura, ele sentiu mais do que viu quando ele se preparou para cuspir a esfera azul, então pulou para o lado para se desviar. Depois, Alishar se ergueu e curvou o corpo para trás. Davien o ignorou. Durante esse momento, os cabos pararam de investir, e ele aproveitou o fato.
Depois, eles voltaram. Chicoteavam-lhe a cabeça, sempre abaixada para evitar ser atingido no rosto. Momentos depois, ele ouviu gritos atrás dele, mas não sabia bem o que era. E então ele ouviu algo que oa ssustou de verdade.
Era seu alerta de HP. Estava abaixo dos 20% agora, e descia lentamente, cada vez mais... Assustado, ele recuou, respirando fundo. Estivera tão concentrado na luta que se esquecera do HP? Como isso era possível? Então ele se lembrou dos gritos. Rapidamente, voltou-se para trás.
–A Água Benta, Dave, usa logo!
Finalmente ele viu: um cadeado negro com uma espécie de cometa orbitando ao redor, acima de cada um deles. Então ele olhou para cima e viu, acima dele próprio, o mesmo cadeado flutuando. Lembrando-se do que Rockfield tinha dito, percebeu que ele não apenas bloqueara as habilidades, mas impedia que ele percebesse seu HP instintivamente. Como ele atacava sem usar quaisquer habilidades de ataque, não percebera.
Ele se atrapalhou ao erguer a garrafinha e, de costas para Alishar, não viu quando ele se virara novamente, o relógio abaixo do corpo. O grito fez-se soar novamente, jogando o rapaz de encontro aos amigos com uma força surpreendente, maior que a anterior. A garrafa de Água Benta caiu no chão e se quebrou.
Mal o monstro voltara à posição inicial e Alishar já pulara para frente, a pouquíssimos metros dos jogadores. Eles encararam a criatura aterrorizados, mas talvez por pura sorte, ela usou novamente a magia de cancelar as habilidades. Isso deu tempo de Thugles recuperar Nick e Davien, mas logo ele estava selado novamente.
Alishar abriu a boca. Rabisco e Vampiritico estavam sem poções, pois as tinham entregado para Davien, que agora tinha o HP cheio. Eles escaparam do golpe por um triz. Davien era o único com mais de 30% da barra de vida.
–Acabou a Água Benta! — Thugles gritou, o pânico distorcendo a sua voz. Nick e Vampiritico sacudiram as cabeças, alarmados. Também estavam sem. Mas Davien ergueu a última garrafa.
–Aqui, eu perdi uma, mas ainda tenho...
–Usa em mim, Dave, depressa!
Era Nick quem gritava, e o guerreiro levou alguns segundos para se decidir. Atrás dele, Alishar abria a boca novamente, já estava de cabeça para baixo...
–VAI, ANDA LOGO!
Davien tirou a tampa da garrafa e balançou o pincel um pouco, jogando todo o conteúdo no garoto. Assim que as gotas tocaram o corpo do rapaz, o cadeado derreteu até sumir. Estava livre para usar suas habilidades novamente.
Mas Alishar estava prestes a atacar. Se tivesse usado em Thugles, ele talvez conseguisse curá-los... Rabisco e Vampiritico, mais rápidos, corriam a toda velocidade para longe do monstro, mas por fim chegaram à parede. Não havia como escapar. Lentamente, a luz tornou a surgir, como antes...
Nick pulou para a frente, ficando entre os amigos e o monstro. No instante em que a luz começou a surgir, ele atirou a Garra Gélida em sua boca.
A magia quebrou o círculo de luz, ainda não totalmente formado, e o gelo penetrou no relógio. Alishar recuou, parecendo confuso. Ele se curvou no chão quando o relógio começou a pulsar e a sacolejar incontrolavelmente... Assustado, Thugles percebeu que ele ia explodir...
Por puro instinto, Davien pulou em cima dos dois amigos, jogando-os no chão. Antes que eles pudessem se perguntar o que estava acontecendo, viram a sólida parede de aço dos Lanceiros surgir na frente deles, seguida pelo estrondoso barulho que tomou conta do aposento.
Mas não era o poderoso rugido da magia de Alishar. Era algo diferente, uma explosão estranha e gorgolejante, como se um ogro estivesse vomitando bombas no chão. Durou vários minutos, mas finalmente ela parou.
Uma luz azul surgiu ao redor de Davien, de Nick e de Thugles. Níveis 50, 47, 46. E então eles souberam que a luta havia chegado ao fim.
Vampiritico e Rabisco corriam de volta. À distância que estavam, não haviam sofrido com o que aconteceu, quando Alishar entrou em colapso. Davien desfez a grossa parede de aço que os salvara e então eles viram.
Um gigantesco e acidentado pilar de gelo com ponta erguia-se onde antes Alishar se encontrava pronto para dar o golpe, que provavelmente seria o final para alguns deles. Ele ainda estava de cabeça para baixo, a imensa boca aberta ao máximo apontada para cima, o relógio quebrado e rachado. No chão ao lado dele, alguma coisa brilhava: uma pequena chave presa a uma argola de couro endurecido.
–Bom trabalho — Davien elogiou, dando um tapinha no ombro de Nick. O garoto deu de ombros, modesto.
–Nah, foi fácil. Eu pensei que havia algo estranho naquele relógio, o vidro só abria quando ele atacava, no resto do tempo ficava fechado. Achei que ali era o ponto fraco dele.
–Graças a Deus era o ponto onde ele cospe o que quer que você tenha jogado nele — Vampiritico riu, satisfeito — Mas teve ter a ver com aquela brecha do tempo e outras coisas, deve ter dado erro nele e aí acabou nisso.
–Ou talvez ele simplesmente tenha tido indigestão — Thugles sugeriu dando de ombros.
Rabisco olhou para o bruxo que os salvara.
–Foi uma bela sacada, boa mesmo. Mas eu queria que você fosse feiticeiro de fogo. Seria legal ver ele explodir no ar.
–Mas aí você seria pego na explosão — lembrou Vampiritico.
–Sem falar que é "fogo e veneno", ou seja, cuspiria veneno em você — Thugles ajuntou.
Rabisco encarou os dois, pensativo.
–Como eu disse, que bom que o Nick é um feiticeiro de gelo e raio e não de fogo e veneno — falou, e todos riram.
–Ainda bem que essa merda acabou — Davien comentou alegre — Agora, cadê aquele balorento que explodiu pra não ter que deixar a gente sair? Precisamos dele pra sair!
–E pra ganhar recompensa. Queremos recompensa! — Vampiritico acrescentou.
Nick suspirou.
–Ou a gente pode ir por aquela porta ali — ele apontou para o outro lado do aposento — A chave deve abrir a porta, e pensando bem... Eu também não vejo a hora de ir embora.
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