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13 Chapter Ten ― Um Presente de Natal


Notas iniciais
HEEEEY!! VOLTEI E FINALMENTE COM UM CAPÍTULO OFICIAL! E MEU DEUS MTLTY RECEBEU MAIS DUAS RECOMENDAÇÕES!!!! SÉRIO AMO VOCÊS! ♥ Esse capítulo é dedicado à Mariadasgraças e a Melody linda maravilhosa que foram que recomendaram! Amei as palavras de vocês meninas T^T ♥ Podem cantar aleluia.Gente mil perdões, mas eu prometo que agora com as férias e o fim do ensino médio vou voltar a postar com regularidade. Não sumam, viu?? Nem vou enrolar muito, vou deixar vocês aproveitarem esse capítulo quentinho! Boa leitura ♥

Chapter Ten

Um Presente de Natal.

Os humanos me fascinam.

Em sua significância, está sempre a procura de algo que os traga a felicidade, por menor que seja. O mais intrigante são as datas que comemoram. Cada dia é como se houvesse um novo motivo para se sentirem vivos, felizes.

Mesmo que a fé deles não seja estupenda, ainda comemoram.

O natal, para eles, é uma data no mínimo, mágica. Embora eles sejam todos divididos pelas suas religiões, a grande maioria deles comemora o nascimento do seu Salvador.

A fé humana é no mínimo fascinante.

Pergunto-me até onde eles podem chegar com ela.

A verdade é que, muito embora Elsa tenha sido a maior parte de suas vidas uma moça de fé, houve um momento em que ela não se sentia mais tão segura de suas crenças; Não a julguem, pois eu também não o fiz.

Chega um momento onde a esperança dos humanos, que costumo comparar com uma linha tênue, se rompe, deixando-os a beira do precipício da dúvida e de suas incertezas. E é nesse momento, onde inconscientemente eles esperam no fundo de seus corações que um milagre aconteça e os retire do abismo de sua insignificância.

Era o que Elsa Nieves Mardoni esperava naquela bela noite de natal quando a encontrei.

• • •

Barcelona, Espanha ― Século XXI (2012).

Era véspera de Natal e a neve caía lentamente nas ruas da capital. O relógio já marcava onze e quarenta, faltando apenas vinte minutos para as badaladas da meia noite e o início do tão esperado dia 25 de dezembro.

A maioria das pessoas já estava em suas casas, reunidas com suas respectivas famílias, perto das lareiras aquecidas e da enorme arvore de natal esperando logo para degustar da ceia natalina.

Por esse motivo, as ruas estavam vazias e silenciosas, apenas um eco distante das cantorias alegres vindas de dentro das casas aquecidas, soava pela gelada noite.

Por um curto momento o silêncio foi rompido, pelo tintilar de um pequeno sino que estava na porta de um comércio. O motivo deste barulho foi a saída de uma jovem de dentro do local.

O ruído da porta se fechando foi oco e quando a mulher já estava do lado de fora do estabelecimento a rua caiu na imensidão do silêncio outra vez.

A jovem era Elsa. Com os seus aparentes vinte e dois anos de idade e beleza estonteante ela moveu os olhos azuis em torno do local vazio onde se encontrava.

Não pude deixar de notar como eles estavam opacos. Quase tão vazios quanto à rua em que ela estava. O brilho juvenil de suas outras vidas estava apagado.

Estava protegida do frio por uma calça marrom em tom escuro, e um sobretudo grosso de um azul escuro fechado cobria seu corpo chegando até abaixo dos joelhos.

Nos pés, botas negras e de cano longo cobriam sua pele. Os cabelos loiros estavam soltos, caindo em cascata até um pouco abaixo dos ombros e brilhavam quase tanto quanto as luzes natalinas que enfeitavam as ruas.

Um gorro azul escuro cobria sua cabeça chegando até metade da testa tampando suas orelhas. As mãos cobertas por luvas claras seguravam uma caneca de onde saia um vapor quente.

Ela suspirou, com os olhos tristes. De sua boca a fumaça comum em dias de inverno. O rosto corado, devido ao frio estava sério.

Lentamente, ela se virou seguindo o lado esquerdo, em passos calmos.

Em poucos momentos os lábios rosados encontrava a caneca e ela tomava um pequeno gole do líquido quente.

Parou a caminhada em frente á uma casa de tamanho médio com as paredes pintadas em um tom branco. Olhando para a janela ela conseguiu ver o que parecia ser uma árvore de natal perto de onde uma família estava sentada.

Duas menininhas pequenas, um homem e uma mulher. As crianças olhavam os presentes embrulhados e sorriam cúmplices tentando adivinhar o que estava dentro das caixas enfeitadas.

Os pais riam das filhas. Parecia uma família muito feliz, ao menos estavam naquela noite. Família. Algo que Elsa não parecia possuir. Com um sorriso triste, ela se distanciou da casa, continuando seu caminho.

Com o olhar vazio ela seguiu até uma praça, onde uma enorme árvore de natal brilhante se encontrava.

Sentou-se em um dos bancos que por ali estava sem se importar com os poucos flocos de neve que molharam de leve sua roupa. Na verdade ela não parecia se importar com nada.

Outro suspiro dessa vez um pouco mais audível. Ela observou a fumaça sair entre seus lábios. Olhou no relógio em seu pulso.

Faltava exato um minuto para meia noite. Olhou para o céu. Não via as estelas, apenas flocos brancos que caiam como em uma dança a molhando e vez ou outra saindo sore seu rosto, causando um curto arrepio em sua espinha.

Ao longe a cantoria cessou. O momento mais esperado, e as pessoas em coro começaram a contar. O coração da loira acelerou.

Diez.

Nueve.

Ocho.

E os olhos azuis se fecharam.

Siete.

Seis.

Cinco.

Com outro suspiro dessa vez vacilante, ela fechou os punhos.

Cuatro.

Tres.

Dos.

Seus olhos fechados se banharam em lágrimas.

Uno.

Pide um deseo,, Elsa.”

Faça um pedido.

“Eu quero vocês de volta”

E ela chorou. Ao som das famílias felizes, do coro de canções de natal e dos fogos de artifício, Elsa chorou por estar sozinha.

Um choro baixo e sofrido.

Ela se apertou entre os próprios braços como se de repente sentisse frio. Tentou controlar as lágrimas, mas estas insistiam em cair.

Ela não notou quando os coros pararam de cantar, nem quando os fogos acabaram. O seu choro prosseguiu, rompendo o silêncio da rua.

E de repente ela não estava mais sozinha. Uma sombra cobriu as luzes da frente dela e olhando para o chão ela notou dois pares de botinas marrons. Com o rosto manchado de lágrimas ela ergueu os olhos para a figura que a pegara em um momento tão íntimo.

Era um homem jovem com um gorro engraçado na cabeça cobrindo seus cabelos estranhamente brancos. Os olhos azuis dele a encarava de forma interrogativa e um sorriso brincava em seus lábios levemente esbranquiçados devido ao frio.

Jack.

Ele usava uma blusa grossa de tom azul e a calça marrom escuro num tom mais forte que a que a própria Elsa.

Levemente constrangida por estar tão frágil perante a um desconhecido, Elsa cessou o choro e limpou de forma desengonçada as lágrimas do seu rosto. Franziu o cenho para ele.

Quién eres tú? ― Perguntou timidamente, mas sem deixar de ser firme na voz.

O estranho alargou o sorriso e estendeu a mão enluvada para ela.

― Jack Overland. ― Disse apenas.

Ela encarou a mão estendida a sua frente e encarou-o desconfiada. Levantou-se fazendo com que ele afastasse com passos curtos. O solhos azuis dela voltaram a ficar vazios.

― Elsa. Se me dá licença, Senhor Overland, eu preciso ir agora.

E passou por ele seguindo qualquer outro rumo.

Ele correu levemente até onde ela estava impedindo-a de passar ficando em sua frente e assustando-a.

Lo siento, não quis ser intrometido. Só fiquei curioso. Porque estava chorando?

Ela assumiu uma expressão falsamente indignada.

― Pois sua curiosidade o torna extremamente indelicado, Senhor Overland. Não me vejo na obrigação de lhe dar satisfações sobre o que viu. Agora, por favor, deixe-me passar, minha família me espera.

Mentira descarada. O coração dela vacilou ao proferir tais palavras, mas obviamente ela não deixou que ele percebesse.

Mentira.

Ele a assustou ao dizer isso. Como ele se atreve? Ela franziu o cenho para ele.

Como te atreves― foi impedida de continuar, pois ele a interrompeu.

― Não sou tão bobo quanto pareço. Noite de natal e você estava sozinha no banco de uma praça chorando no frio? Não acredito que sua família esteja a esperando. Você não parecia alguém cuja um grupo de pessoas estivesse esperando. ― Ele disse sério, encarando-a fundo nos olhos.

Ela o fuzilou com o olhar, mas não disse nada. Quanta petulância!

― Olha, eu não quero te irritar. Como eu disse, só fiquei curioso. Na verdade, te achei parecida comigo. ― Ele admitiu, coçando a nuca, meio constrangido.

Elsa o encarou com dúvida no olhar.

― Han?

― É... ― Ele riu sem graça. ― Não me refiro à falta de melanina do corpo, sabe. Nem as roupas estranhamente iguais. ― Apontou para as próprias vestimentas e para as delas. ― Falo da solidão. Também não tenho uma família.

Elsa quase sentiu compaixão. Mas ele ainda era um estranho.

― Que tal se a gente sentasse no banco onde você estava e conversássemos um pouco?

― Porque deveria me sentar com você?

― Tem algo melhor pra fazer? ― Perguntou com audácia.

Elsa suspirou duvidosa. Ela não tinha nada melhor pra fazer. E se ele só ia conversar tudo bem. Não é como se fosse morrer por ter uma conversa.

Sentaram-se no banco. Elsa estremeceu devido ao frio e a neve que se tornara mais espessa; Jack pigarreou chamando-lhe a atenção.

Entonces... O que fazes sozinha numa noite como esta?

Elsa suspirou o encarando de soslaio enquanto soprava as mãos tentando aquecê-las.

― É uma noite como qualquer outra. E eu só vim para o mercado comprar um pouco de chocolate quente. ― Respondeu simplesmente.

Uou. ― Ele ergueu as sobrancelhas. ― Quanta insensibilidade. É noite de natal.

Elsa de repente se sentiu incomodada. Ele era um estranho e estava sendo muito invasivo em suas perguntas. Além de tê-la chamado de insensível. Aquele assunto já não era muito conveniente para ela, e devido ás circunstâncias ela ficou irritada.

― Senhor Overland, não quero ser mal educada, mas este assunto não diz respeito ao senhor, sí? Mal nos conhecemos. Nunca o vi antes e nem sei quais são suas intenções para comigo, as quero que saiba que estou de saída. Buenas noches para ti.

― Por que é tão amarga? O que aconteceu para que uma moça tão bela seja tão fria numa noite tão especial? Sua família não―

― Minha família está morta! Todos se foram!

Um silêncio sepulcral pairou sobre o local. Jack ficou com a respiração pesada. A neve estava mais densa e o frio estava quase absurdo.

― Quer ir à uma lanchonete? ― Perguntou hesitante. Elsa o encarou como se fosse um maluco. ― Não sou louco. Só estou curioso. Você me intriga de certa forma. E eu acho que você esta precisando de um desabafo.

Elsa suspirou. Talvez a maluca fosse ela.

• • •

Estava quente e aconchegante na lanchonete chamada “Arendelle” que estava há duas ruas da praça. Elsa tomava uma outra caneca de chocolate, cortesia da insistência de Jack.

― ...E então ela caiu no lago e eu não pude salvá-la. Encontraram o corpo dela dois dias depois. Estava pálida e inexpressiva. Minha mãe acabou entrando em depressão e se matou alguns meses depois. Desde então fiquei sozinho.

Elsa o encarava de forma penosa e triste. A história da vida de Jack era sem dúvida uma das piores que já ouvira. A compaixão lhe preenchera e ela escondeu o impulso repentino de abraça-lo.

Ele suspirou após o fim de seu monólogo e a olhou com um sorriso melancólico.

― Por que está me contando isso? ― Ela perguntou o encarando intensamente.

O sorriso dele se tornou mais amplo.

― Se quiser que alguém confie em você, prove que confie nela. ― Respondeu simplesmente. ― Agora é a sua vez.

Elsa respirou fundo.

― Eu não sei se... ―

― Vá em frente. Vai se sentir melhor, acredite. ― Ele a interrompeu dando um sorriso aconchegante em seguida. Elsa sentiu que podia confiar nele. E então ela começou a sua história.

― Eu tinha dezoito anos e estava viajando para Madri com meus pais e minha irmã mais nova Anna. Eu estava discutindo muito com a mesma, nem me lembro mais o porquê. Se que tudo o que me resta na memória são flashes. Em um segundo eu estava discutindo com Anna, no segundo seguinte meus pais se viraram para nos fazer parar e... Depois disso, só me lembro do farol alto na nossa direção, dos gritos de pavor de minha mãe e do som de derrapagem dos pneus do carro contra a neve. ― Ela respirou fundo, contendo as lágrimas. ― Então acordei uma semana depois no leito do hospital com a notícia de que fui a única sobrevivente. E fim.

Jack se aproximou, sorrindo carinhosamente em conforto.

― Não há mais nada a dizer?

Elsa o encarou triste, os olhos marejados.

― Era noite de natal quando tudo aconteceu.

Jack afirmou com a cabeça em sinal de compreensão.

― Depois daquilo, ainda no leito do hospital eu quis ligar pra alguém. Contar o que tinha acontecido, e que doía. Mas não havia ninguém ali. Ninguém com que eu pudesse contar. Ninguém disposto a abrir mão do sono para ouvir minhas queixas. Ninguém que se importasse. Então eu virei pro lado e a dor veio. Rápida. Forte. Devastadora. Senti minha alma se rasgando ao lembrar que não estariam mais ali. E dói. Ainda dói. As vezes eu só queria ter alguém do meu lado, sabe? Alguém pra contar os segredos, alguém pra dividir emoções até mesmo para brigar. Alguém pra dizer “Feliz Natal, Elsa”.

Elsa nem percebera quando começara a chorar em meio às lágrimas, ou quando Jack abandonou o seu lugar a frente dela, para se sentar ao lado dela, a abraçando com receio.

― Não precisava ser assim. Não precisava doer como dói. Eu não podia apenas sorrir quando me lembrasse deles? Mas acontece tipo assim: lembro dos rostos, dos abraços, dos cheiros, dos olhares e começo a sorrir, é assim mesmo, automático, como se tivesse uma parte do meu cérebro que me fizesse por um instante a pessoa mais feliz do mundo. ― Ela negou com a cabeça se afastando singelamente dele tentando limpar as lágrimas. ― Eu sei, é lindo. Mas logo em seguida, quando penso em quão longe eles estão sinto-me despedaçar por inteira. E dói. Uma dor cujo único remédio é a presença deles.

Jack secou uma das lágrimas que ainda desciam pelo rosto corado. Ele sorriu pra ela.

― Minha mãe sempre dizia: Não há dor que dure para sempre! Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos! E apesar de saber de tudo isso eu ainda me pergunto porque algumas dores duram tanto? ― Ele riu sem graça. ― Ela também me dizia que se você precisa de algo ou pede conselhos a alguém, no final a única coisa que vão te dizer é “vai dar tudo certo”. É assim com todo mundo. Mas você só precisa de alguém que te faça se sentir seguro, confiante disso.

Elsa sorriu, pelo que notou ser a primeira vez em longos anos. Sorriu de verdade para e por um cara que acabara de conhecer. E que de repente se tornara especial para ela.

Já estava muito tarde e então tiveram que sair da lanchonete por serem os últimos a ainda estarem lá. Os caminhos que seguiriam eram opostos e por isso tiveram de se despedir. Elsa não conteve o impulso dessa vez e agarrou-se em Jack, dando-lhe um abraço apertado e agradecendo por tudo que ele fizera.

Jack sorriu e prometeu que eles se encontrariam novamente, naquela mesma lanchonete. E então, cada um seguiu seu caminho. Mal virara a esquina, e a loia ouviu seu nome ser gritado por ele.

Ela se virou com um olhar interrogativo e o viu acenar para ela com um sorriso brilhante.

― Feliz Natal, Elsa.

Ela sorriu de volta com os olhos marejados e acenou também.

― Feliz Natal, Jack.

Notas finais
Entãaaaao gente? Comentem para eu saber se estão gostando ou não. Feliz natal atrasado, e boas festas pra todos vocês!!! Nos vemos no próximo capítulo que com certeza vai ser oficial e não tardará a sair ok?! Beijos ♥