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14 Chapter Eleven ― Segredo dos teus Olhos
Notas iniciais
Chapter Eleven
Segredo dos teus Olhos.

Dentre os milhares de segredos do mundo humano, o que particularmente mais me instiga é o que está nas profundezas do oceano. A beleza indescritível das enormes piscinas do mundo, quase me é mais fascinante do que os próprios humanos e suas histórias. A voz do mar é sedutora; nunca cessa, sussurra, clama, murmura, convida a alma a vaguear por um feitiço em seus abismos de solidão; se perder em labirintos de contemplação interior. A voz do mar fala com a alma.
E é sobre segredos que a história que hoje irei lhes contar. Mas não apenas de um dos segredos do oceano. É um segredo bem mais profundo que este. O do destino.
Apresento-lhes Jack Kailani e Elsa Stalteri.
• • •
Honolulu, Havaí ― Século XXI (2015).
Mais uma manhã agitada no aeroporto de Honolulu, a cidade capital do Havaí. Era um lugar lindo – e exótico, devo admitir. Foi ali mesmo com malas nas mãos, que encontrei Elsa.
Quase nada mudara em sua aparência, de certa forma. Os mesmos cabelos platinados, desta vez mais longos – bem mais longos –, os olhos azuis-cristal, brilhando de alegria, a pele pálida e as bochechas rosadas. Vestia um roupa um tanto quanto inapropriada, considerando que estava na terra praiana.
Pelo menos, na minha concepção, jaqueta e calças jeans, sapatos de salto e cachecol, definitivamente não são roupas de praia.
De qualquer forma, por estar em um aeroporto e com malas na mão, era previsível supor de que estava chegando de viajem. Provavelmente era a primeira vez que pisava naquele lugar. Ela saiu apressada e sorridente do local, demorando a pegar um táxi.
Como eu presumi corretamente, a viajem se fez até um hotel que ficava de frente pra uma das praias lindas de Honolulu. A loira desfez toda sua bagagem – um processo demoradíssimo na minha opinião – e se adentrou no tolete tomando maus um enrolado banho.
O celular tocou quando esta saía do chuveiro, com os cabelos pingando e a toalha enrolada no corpo. Ela atendeu alegremente.
― Aloha*, mama!
― Elsa, my Darling! Vejo que chegou bem, huh? ― A voz com sotaque forte britânico se pronunciou pelo aparelho.
― Sim senhora. Tem que ver o quanto é lindo aqui! Ainda não me conformo que não veio me acompanhar, a senhora iria adorar esse lugar!
― Ah minha filha, sabe como as coisas são. Sua mãe não tem mais idade para sair viajando pelo mundo. Tenho Anna para cuidar! ― Ambas riram.
― Mas não é uma viajem de férias, mãe. ― a loira se sentou na cama secando os cabelos com uma toalha pequena. ― Estou aqui a negócios. Por isso acho que deveria ter vindo. Anna também.
― Ah Elsa, não seja como seu pai! Negócios são importantes, mas você está no Havaí! Quem sabe uma boa praia e um pouco de sol tire esse seu ar de britânica que só vê chuva?
― Nada de mar, mamãe. Sabe como tenho pavor de água, me afogo em piscinas, que dirá em um oceano! ― Ela se levantou e começou a se vestir, com certa dificuldade por uma das mãos estar ocupada com o celular.
― Não quero que você se arrisque, mas fingir um afogamento seria uma ótima chance de conseguir arrumar um havaiano gato e bronzeado. Você precisa de um namorado, filha!
― Mama! ― Elsa riu, as bochechas se avermelhando mais um pouco. ― Não preciso de um namorado. Estou muito feliz sozinha, e tenho coisas mais importantes a fazer aqui do que ficar de paquera no meio da praia.
― Filha, você nasceu na época errada. Ninguém mais fala paquerar hoje em dia. ― A mãe não perdia uma, é notável. ― Por favor, Elsa! Só umas horinhas! Um pouco de sol e água de coco não mata ninguém, sabia?! Faz bem pra pele!
Elsa suspirou e riu levemente. Os olhos claros e voltaram para dentro do guarda roupas extremamente organizado onde por acaso, encontrou o par de biquínis claros que tinha resolvido levar por nenhum motivo especial.
Se eu pudesse ler pensamentos, naquele momento, é quase uma certeza de que Elsa teria pensado “por que não?”.
E se dando por vencida, ela aceitou as propostas da mãe.
― Okay, mama. Eu vou à praia.
A mulher festejou do outro lado da linha e elas conversaram por mais um tempo, até que Elsa se despediu, com mais um aloha.
O tempo passou e já era três da tarde quando Elsa decidiu finalmente ir até a praia. Arrumou em uma bolsa de pano um protetor solar, um creme bronzeador – que honestamente, eu duvidei que ela usaria – um guarda sol dobrável, uma toalha e um livro. Colocou o biquíni no corpo e se vestiu com um vestido de croché, que modelou seu corpo esbelto e até mesmo definido, embora muito pálido.
Olhou para si mesma no espelho grande que estava na sala do apartamento – que eu esqueci de mencionar, era deveras luxuoso – ela colocou os óculos no rosto e saiu em direção ao sol forte do Havaí.
Chegando na praia, a loira ajeitou o guarda sol, estendeu a toalha embaixo da sombra e se sentou, retirando o vestido e começando a passar o protetor.
Os olhos azuis, viajaram para o extenso oceano à sua frente. O pacífico, enorme, gigantesco, de águas límpidas e cristalinas. Um calafrio percorreu sua espinha.
O pavor inexplicável do mar, vinha desde pequena. Não sabia bem o motivo, só o sentia de forma assombrosa. Resolveu espantar aqueles pensamentos e retirou o livro de sua bolsa, começando a ler.
Perdida na leitura, Elsa não percebeu quando entremeio à uma onda razoavelmente grande, surgiu uma cabeleira castanha. Mas esse detalhe, eu não perdi. Era Jack.
E este surfava. Tão bem como o Jack francês patinava no gelo.
Os cabelos castanhos ricocheteavam conforme a força do vento se impunha sobre eles. Nos olhos castanhos claros, um brilho estonteante irradiava, e o sorriso estampado nos lábios, mostrava o doce sentir da liberdade.
Não dava pra negar, o rapaz amava estar entre o mar. Tanto que, parecia já fazer parte do mesmo, como um só. Mais umas boas ondas e ele decidiu sair. Com a prancha debaixo do braço, ele foi em direção ao pequeno quiosque que havia logo ali perto, onde guardou a prancha e se sentou na cadeira do bar.
Uma jovem de cabelos curtos e castanhos, vestida de garçonete e com uma curiosa flor roxa atrás da orelha o atendeu.
― Jack! ― o saudou alegremente. ― As ondas estão bem altas hoje, não?
― Oi, Zel. Estão ótimas como sempre, na verdade. Nunca há mau tempo para surfar. ― Ele riu e a moça o acompanhou.
NOTA:
A jovem Zel, se chamava na verdade, Rapunzel. Ela curiosamente esteve presente em boa parte das vidas passadas de nossos dois amantes. Engraçado, não?
A morena sorriu e tirou de dentro do bolso de seu avental uma pequena caderneta e uma caneta.
― O que vai ser hoje, goofy*? ― ela deu outro sorriso, o que me fez pensar se ela sempre era alegre daquele jeito.
― Me vê um Mai Tai*. O sol hoje está judiando! ― Ele pegou o leque da morena que estava sobre o bar e se abanou.
Ela sorriu – mais uma vez – e se afastou para preparar o drink do rapaz. Este se virou de costas para o bar e olhou a praia em volta.
Honolulu, por ser a capital, era um ponto turístico movimentado. Entretanto, dessa vez a praia não estava cheia, como o habitual. Alguns turistas se banhavam e outros apenas se aconchegavam debaixo das sobras de seus guarda-sóis.
Foi quando os olhos castanhos do jovem pousaram sobre um ponto quase albino bem no meio da areia, a uma distância exageradamente segura de onde as ondas beiravam. Ele reprimiu um sorriso sacana.
E mais uma vez, se eu pudesse ler pensamentos, sem dúvidas Jack teria pensado “turistas” com aquele ar de deboche que sua face demonstrava. Ele tentou analisar bem a pessoa, mas estava longe demais. Porém, era bem claro que se tratava de uma mulher.
Rapunzel chegou com o drink do moreno, que logo deu um generoso gole no líquido laranja e refrescante. Ele acenou com a cabeça em direção a jovem deitada na areia.
― O que é aquele ponto branco estirado lá no meio da areia?
A moça estreitou os olhos verde-esmeralda e se debruçou sobre o balcão, na tentativa melhor de enxergar para onde exatamente ele estava apontando. Quando ela avistou, deu um sorriso torto e um leve murro no ombro dele.
― Uma turista, idiota.
― Uma turista que nunca viu sol na vida, pra ser mais exato.
― Coitada Jack. Ela parece ser bonita. Uma digna Maria Parafina* ― Olhou novamente para a jovem deitada.
― Não minta tão descaradamente, Zel. Você nem tem certeza de que é uma mulher, pra início de conversa.
― Jack! ― Ela deu outro soco no mesmo lugar, dessa vez com mais força. ― É claro que é uma mulher. Homens não tem seios grandes como aqueles.
Ele olhou novamente. Estreitou os olhos e analisou bem.
― Aquilo são seios? São tão pequenos... ― Proferiu em um tom inocente, visivelmente fingido.
Rapunzel perdeu a paciência e estapeou o amigo. Este só riu da reação dela e deu mais um gole em seu drink.
― Você é um idiota ― brincou mais uma vez. ― Aposto dez dólares e um Mai Tai que é uma mulher bonita, rica e britânica.
Jack olhou para ela e para o olhar desafiador que lhe era lançado. Ele nunca recusava um bom desafio. Eram muitas características pra acertar, ainda mais que eles estavam longe o suficiente para não conseguirem enxergar mais que a bolsa colorida ao lado dela e o livro em suas mãos.
Ele riu com o desafio. Apertou a mão pequena que ela o estendeu.
― Desafio aceito. Sabe que gosto do meu Mai Tai bem gelado e com limão. Pode começar a preparar.
E saiu andando na direção da jovem. Rapunzel deu um sorriso singelo olhando o amigo.
― Aposto que vai ficar caidinho pela turista... Ah, Jack. Não subestime o poder de uma branquela. ― A morena riu tomando o último gole da bebida do rapaz que já não estava mais tão gelada. Se virou para atender os outros clientes que chegavam.
• • •
Elsa lia seu livro distraidamente por isso nem notou quando o rapaz se aproximou dela, ficando a uma distância perto o suficiente para invadir o seu espaço pessoal.
Ele a avaliou bem. Teria que matar Rapunzel depois. Aquela loira, na sua concepção era a mais gata da praia. Talvez a mas gata que já vira.
O moreno, notando que a jovem estava alheia à sua presença, pigarreou alto, a fim de trazer a atenção dela para si.
Ela finalmente percebeu não estar sozinha. Desviou a atenção para o moreno e desceu os óculos espelhados até a ponta do nariz, o avaliando de cima abaixo. Jack deu um sorriso galanteador ao fitar os olhos azuis mais lindos que já vira.
Elsa permaneceu com a expressão de dúvida, segurando os óculos na ponta no nariz. Um lampejo de reconhecimento passou pela mente dela, que pareceu entender o motivo dele estar ali. Voltou os óculos para o lugar certo.
― Não quero comprar nenhuma arte, obrigada. ― e voltou a ler o livro.
Jack a olhou indignado. Ela pensava que ele erva vendedor de praia?! Ele era o surfista mais reconhecido de Honolulu! E quem ela pensava que era para trata-lo assim?
― Eu não estou vendendo nada. ― Sibilou um pouco alto demais fazendo com que ela fechasse o livro e retirasse seus óculos, o olhando com desconfiança.
― Então o que deseja?
Ele suspirou, fazendo sua melhor cara de simpático. O sotaque dela não negava. Era britânica. Rapunzel, maldita, acertara duas vezes.
― Conversar. Muito prazer, meu nome é Jack. ― Se sentou ao lado dela, não muito perto, para não assustá-la.
Elsa o olhou como se fosse um ser de outro planeta.
― Me chamo Elsa.
Devo dizer que, a partir daqui um longo diálogo se passou entre eles. Não irei contar a vocês para que não se torne extenso demais, e também porque não teve tamanha relevância assim. Basta saberem que, os dois conversaram sobre tudo. E riram bastante. Ali se dava o início de uma bela amizade, e que futuramente se tornaria algo mais. É claro.
As horam passando, e a conversa fluía animadamente. O relógio já marcava seis da tarde, quando ambos se desviaram da conversa.
― Gostaria de chamá-la para surfar comigo amanhã. ― Jack falou sorrindo em seguida.
Elsa o olhou como se ele estivesse fazendo-lhe a proposta mais indecente do mundo. Ela mal o conhecia e já enfrentaria seu maior medo com ele? Sem chances.
― Muito obrigada pelo convite, mas eu não sei surfar. ― Foi sincera, dando um sorriso singelo.
Ele sorriu também.
― Tudo bem, eu posso te ensinar. O mar tem estado ótimo para umas aulas.
Elsa suspirou.
― Eu não gosto do mar. ― Os orbes azuis se voltaram para as águas límpidas.
Jack a encarou confuso.
― Isso explica o motivo de ter se sentado tão distante dele. ― Sorriu. ― Por que não gosta? Tem medo?
Ela o encarou. Ele não parecia ser uma má pessoa. E estava sendo bem educado. Ela teve um ótimo dia com ele. Por fim, decidiu só assentir com a cabeça e voltou os olhos para o mar. Ambos ficaram um pequeno tempo só contemplando a beleza da praia.
― Eu entendo. Também tinha medo quando criança, não conseguia sequer olhar por muito tempo sem ter calafrios.
Ela arregalou levemente os olhos.
― E hoje em dia surfa? Como perdeu o medo?
Ele riu suavemente.
― Digamos que o mar tem muitos mistérios. E a descoberta de um deles me deixou tão extasiado, que eu acabei tomando-o como um presente. Acabei me acostumando.
Elsa franziu o cenho.
― E qual é esse mistério?
Jack a encarou nos olhos. Ela era definitivamente linda. Ele deu um sorriso largo.
― Me encontre nas rochas a oeste da praia, antes de o sol nascer. Eu vou te mostrar o mistério mais lindo que essas águas podem lhe dar.
Elsa o olhou cética. Mas estranhou mais ainda quando ele levantou e saiu andando. Ela o acompanhou.
― Ei, espera! Como acha que vou me encontrar com um cara que acabei de conhecer na beira da praia, de madrugada?
Ele parou de andar e se virou para ela.
― I don’t think so. ― Sorriu. ― Eu não acho. Mas, caso venha, saiba que não irá se arrepender.
E saiu.
Elsa definitivamente não se arrependeria. E foi com esse pensamento e com a sensação de que estava louca que ela se levantou as quatro e meia da manhã e desceu em direção à praia, rezando para que ele fosse mesmo uma boa pessoa e que não estivesse com mas intenções.
Por via das dúvidas, ela levava um spray de pimenta dentro da bolsa, junto com seu celular. Vestia o mesmo biquíni que usara cedo, um branco e por cima o vestido de croché. Os cabelos platinados presos em uma trança feita às pressas.
Ela estava nervosa, e sentiu seu estômago dar uma volta quando chegou nas rochas e encontrou Jack vestindo um bermudão simples e com uma prancha debaixo do braço.
Ele parecia extremamente feliz em vê-la ali.
― Você veio. ― Afirmou mais para si do que para ela.
A loira sorriu de lado.
― E espero que tenha sido por um bom motivo.
Ele gargalhou com a leve provocação dela.
― E foi. Não vai se arrepender, eu prometo.
― I hope so... Eu espero. ― Elsa sussurrou tão baixo que ele não a ouviu.
― Bem... Você pode... Tirar o vestido, se quiser. Nós vamos entrar.
Elsa estremeceu, sem saber se pelo rio ou pela ideia de entrar no mar de madrugada com um cara que acabara de conhecer. Mas fez o que ele sugeriu.
Ela não conseguia enxergar a beira da praia nem mesmo um centímetro do mar. As rochas eram altas demais para permitir que ela encarasse seu grande inimigo. Tudo o que via era Jack a encarando fundo nos olhos, o céu muito estrelado e ouvia o barulho das ondas calmas.
Depois de ela estar só de biquíni, meio constrangido, Jack pigarreou.
― Close your eyes. ― Ela o olhou desconfiada. Ele sorriu. ― Feche os olhos. É sério, não vai ter sentido se olhar agora.
Suspirando e com o estômago se revirando, Elsa fechou os olhos. Jack a puxou pela mão delicadamente, a levando até a beira da praia, onde a água tocava seus pés. A loira deu um pulo para trás ao sentir o mar tão perto. Jack apertou sua mão com firmeza, passando segurança.
― Confie em mim. Não vai acontecer nada.
Ele foi a puxando com calma para cada vez mais fundo, até que a água já estivesse nos joelhos dela. Ele pediu para que ela se sentasse na prancha que ele deitou sobre a água, e ela o fez. Ele sentou logo em seguida de frente para ela.
Remando com as mãos, Jack os guiou até um ponto mais distante da beira da praia, ode a água já não dava mais pé para nenhum dos dois.
Ele suspirou fundo, olhando para Elsa que permanecia de olhos fechados, segurando firme a barra da prancha. Ele sorriu.
― Sabe Elsa, são poucos os que conhecem o que você irá conhecer agora. Assim como o mar, o céu também tem seus mistérios... É tão comum nos impressionarmos com o que está acima de nós. Os humanos e sua mania de grandeza não é? A maioria das pessoas costuma olhar para cima. Acho que por esperar que algum milagre de algum ser místico que por alguma razão acreditamos ser superiores a nós. Mas acho que nos esquecemos, que lá em cima o único lugar para o qual eles olham, é para nós. Para baixo.
Ele riu baixo, e Elsa o acompanhou, embora confusa com o que estava acontecendo. Jack olhou para cima. O céu, amontoado de estrelas, estava lindo particularmente naquela noite.
― Entretanto, não é só o que está acima de nós que deveria impressionar. O céu espelha-se no mar. Se engana se pensa que as estrelas são exclusividade do céu. Olhe para o céu, Elsa.
A loira levantou a cabeça, e abriu os olhos contemplando mais uma vez o manto estrelado. Estava extasiada. Ela ouviu Jack gargalhar e olhou para ele, confusa.
― Está olhando para o céu errado, Elsa. Olhe para baixo.
Assim que Elsa o fez, seus olhos brilharam de emoção. A explosão de azul fluorescente espalhada pelo oceano como se milhares de estrelas tivessem caído e se espalhado pela água.
Estrelas, literalmente dentro da água.
― My god... ― Os lábios rosados de Elsa murmuravam, quando os olhos não acreditavam no que viam. Ela levou a mão de pele alva dentro da água, agitando-a e se admirando ainda mais com os movimentos que causava. ― O que é isso?
― É um fenômeno natural dos fitoplânctons. Acontece quando ficam agitados. Se chama bioluminescência.
― Isso é... Incrível...
Jack a observava, analisando cada traço dela, nem mesmo ligando para o espetáculo natural que lhe era exibido naquele momento. Os olhos azuis refletiam a luz neon da água, o vento gelado já havia desfeito a trança e os fios loiros voavam livremente.
Ela era perfeita aos olhos dele.
Em um surto repentino de coragem, Elsa tombou o corpo caindo da prancha, assustando Jack. O medo pareceu não mais existir. Ela flutuou para cima, leve como uma pluma e encarou o rapaz que permanecia sentado na prancha. Ele sorriu.
A loira gargalhou de sua própria coragem, e fez movimentos com os braços dentro da água, extasiada com o modo que as luzes fluorescentes se movimentavam ao redor de si.
― O oceano... É perfeito, Jack. Mahalo*.
Ela sorriu sincera e o rapaz sentiu seu coração se preencher.
Passaram muito tempo ali, até o sol nascer e o fenômeno desaparecer. Jack os levou de volta para a beira da praia. Deitaram-se um ao lado do outro e ficaram a olhar o céu recém amanhecido. Ficaram um tempo, em silencio, apenas contemplando o manto azul.
Ele virou o rosto para fita-la e encontrou ela o olhando também.
Naquele momento, olhando fundo dentro das orbes azuladas, Jack entendeu que mesmo se juntasse todos os segredos que o céu e o oceano possuem, estes não chegariam nem perto da quantidade de segredos que os olhos de Elsa escondiam.
E algo dentro de si sabia que ele descobriria todos os segredos que aqueles olhos azuis guardavam, mesmo que levasse outras vidas até isso acontecer.
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