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9 Chapter Eight ― A Psicodelia do Amor


Notas iniciais
Hello-people! Como prometido, aqui está o novo capítulo! Espero muuuuito que gostem desse, eu particularmente a-m-e-i escrevê-lo!! Quero agradecer à todas as pessoas que comentaram e desejar as boas-vindas a todos os novos leitores! Isso daqui só tá de pé graças aos incentivos de vocês ♥ Ah o título do capítulo é uma homenagem a uma peça de teatro que vi há um tempo que tratava de um assunto semelhante! Boa leitura!

Chapter Eight

A Psicodelia do Amor.

Embora já tenha lhes contado diversas histórias sobre Elsa e Jack, espero que não estejam desanimados quanto ao andamento dessa minha narração. Como lhes disse no começo, toda história tem seu início, meio e fim, e esta ainda lhes reserva bastantes surpresas.

A próxima história que retratarei, é uma que em minha opinião, fora bastante inspiradora; digo isto não apenas por ter sido bela, mas sim pela repercussão que a mesma teve.

Histórias de amor, de uma maneira geral são sempre surpreendentes, independente do seu enredo, de seu desfecho, de seus personagens; contudo, para os humanos, as histórias de amor com um fim trágico parecem ser bem mais emocionantes.

É uma espécie de lição, que todos carregam por gerações como histórias, contos, que distraem muitos na reflexão que é a vida.

Pessoalmente (muito embora eu não me encaixe nos padrões normais de uma persona) eu interpreto a visão dos humanos quanto às histórias de amores trágicos excepcionalmente errada.

Não se deve tomar a desgraça alheia como exemplo, ou até mesmo justificativa de seus erros. Esse sim é um grande pecado humano.

Se mais delongas, apresento-lhes o trágico amor proibido de dois corações que não tiveram a tão clamada sorte de seus antepassados.

• • •

Roma, Itália Século XV (1595).

Eu vagava pelo cosmo, olhando sobre a Terra à procura de meus dois amantes preferidos quando encontrei o jovem Jack. Era uma noite fria de inverno e ele estava de pé frente a uma enorme e robusta mansão, olhando para cima, para uma janela mais especificamente.

Parecia inquieto ou talvez fosse apenas o frio; esfregava as mãos com constância, e as passava pelos braços, soprando-as de vez em quando para aquecê-las.

O silencio da noite deixava o que parecia ser sua espera ainda mais agonizante. Ainda mantendo os olhos azul-gelo fixos na janela branca um andar acima. Usava uma roupa um tanto diferente das outras que já o vira. Usava uma calca larga marrom e uma camisa cheia de pregas azul escura. Em suas costas um manto na cor marrom desbotada ia até o chão.

Os sapatos fechados estavam sujos. E em sua cabeça usava um chapéu, algo que nunca tinha notado antes. Uma média pena azul se apontava da parte detrás. Parecia um devido príncipe da Idade Média.

Impaciente, ele se abaixou pegando do chão uma pequena pedra preta e exibindo uma bela pontaria atirou-a na janela que outrora encarava. Um pequeno ruído se ouviu vindo de dentro e a luz do cômodo se ascendeu, junto com um belo sorriso no rosto de Jack.

Com um ruído baixo, a janela se abriu e de lá despontara ninguém menos que Elsa. Majestosa, tinha seus cabelos loiros enormes, chegando até sua cintura. Puxados de lado por uma trança amarrada por uma fita, a jovem vestia um vestido claro azul, que aparentava ser tão leve quanto uma pluma, que supus ser seu traje de dormir.

Ela demonstrou certo espanto ao ver o jovem ali em baixo e se debruçou em sua sacada com os olhos levemente arregalados.

Montecchio! ― sussurrou para Jack. ― O que está fazendo aqui?! É perigoso, mio padre pode te encontrar! Sarà nei guai! Estará encrencado!

Non mi importa di suo padre, Capuleto! ― Ele sussurrou de volta para ela sorrindo ao ver sua preocupação. ― Si prega, deixe-me entrar. Por favor!

Ela pareceu pensar por um instante, que para ele e para mim pareceu uma eternidade. Com um suspiro de ansiedade ela assentiu, e o indicou dois pilares envoltos de uma planta que se erguiam ao lado de sua sacada.

Salita! Suba rápido e sem barulho! ― Ainda sussurrando e vendo-o começar a escalar os pilares.

Ele sorriu brilhantemente no meio do caminho e ela deixou escapar uma risada divertida. Um barulho foi escutado no andar inferior e a janela foi iluminada. Jack apressou-se em subir e tão logo estava sendo puxado por Elsa para o que vi ser o quarto da moça.

Idiota! Não pode chegar assim do nada, meus pais podem ver você! ― Ela ralhou divertida de forma baixa, abraçando-o apertado.

― Já disse que não me importo com seus pais, Elsa. A intriga deles com minha família não é nada perto do amor que tenho por ti.

Um esclarecimento:

Naquela época, a cidade de Roma era comandada por duas grandes famílias: Os Capuleto e os Montecchio. Devido a um desentendimento há muito tempo ocorrido, ambas as poderosas famílias entraram em um conflito enorme, que se perdurou por muitos séculos. Todos os Capuletos nutriam um ódio irracional pelos Montecchio assim como todos os Montecchio odiavam os Capuletos. Mas a história de ódio não pareceu atingir os primogênitos de ambas as famílias.

Elsa sorriu abertamente para o rapaz, roubando-lhe um beijo calmo e doce. Jack a segurava em suas mãos como se a mesma fosse uma boneca de porcelana que pudesse quebrar a qualquer movimento em suas mãos.

O beijo não fora muito grande, mas sua simplicidade me comoveu. Um amor nascido entre dois jovens frutos de um ódio irracional poderia ser a cura para todo o mal que Roma passara na luta entre as poderosas famílias.

Agarrada firmemente ao peito de Jack, Elsa sorriu e se permitiu dizer baixinho:

― Ti amo, mi amore.

A felicidade de Jack ao ouvi-la proferir tais palavras seria suficiente para fazê-los esquecer de todos os conflitos e dificuldades que enfrentariam com aquele amor proibido.

― Passei muito tempo procurando alguém como tu, Elsa. ― Ele a afastou apenas para observá-la fundo nos olhos azuis. Acariciou lhe a bochecha antes de prosseguir. ― Independente de todo o ódio que possuem as nossas famílias, eu ti amo, e não pretendo deixar que as desavenças de nossos antepassados nos impeça de ficarmos juntos.

Ele ajoelhou-se perante a ela que assustada sentiu seus olhos marejarem. Segurando suas mãos e com um olhar doce, porém firme, Jack seguiu com sua emocionante declaração.

― Elsa, tenho lutado em vão. Não resistirei. Meus sentimentos não podem ser reprimidos. Preciso lhe dizer o quão ardentemente eu a amo.

“Você é parte da minha existência, parte de mim. Você esteve em cada linha que já li desde que vim aqui pela primeira vez, quando ainda era o garoto comum e rude cujo pobre coração você partiu. Você esteve em todos os projetos que eu fiz desde então – nos rios, nas velas dos navios, nos pântanos, nas nuvens, na luz, na escuridão, no vento, nos bosques, no mar, nas ruas. Você era a encarnação graciosa de todas as fantasias que a minha mente alguma vez concebeu. Embora seja seu inimigo, peço-lhe mi amore, mi vuoi sposare? Quer se casar comigo?”

Elsa chorava emocionada, e por um momento eu quis estar no seu lugar. Eram as palavras mais lindas que já havia escutado em toda minha existência e duvido que chegasse a ouvir algo tão belo e apaixonado outra vez.

Sorrindo em meio às lágrimas de alegria, Elsa se ajoelhou de frente ao seu amor, e segurou firme suas duas mãos, olhando fundo em seus olhos.

― É apenas o teu nome que é meu inimigo; tu és tu mesmo, e não um Montecchio. O que é um Montecchio? Não é mão, nem pé, nem braço, nem rosto, nem qualquer outra parte que pertença a um homem. Oh! Qualquer outro nome! Que há em um simples nome? O que chamamos de rosa, sob outra designação, teria igual perfume. Assim, Jack, ainda que não se chamasse Jack, conservaria a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Jack renuncie ao teu nome e, em vez dele, que não faz parte de ti mesmo, apodera-te de mim!

Aceitando aquilo como um sim, ele tomou seus lábios em outro beijo apaixonado. Após aquela noite de declarações, eles decidiram se casar no dia seguinte com a ajuda de um reverendo bondoso Chamado North, conhecido por Elsa.

Contudo, no mesmo dia antes do casamento, Breu, um rapaz invejoso e com uma estranha obsessão pela formosa Elsa, descobriu o plano de ambos e desafiou Jack para um duelo em praça pública. A honra pelo coração de Elsa ficou espalhada por toda a Roma, chegando ao ouvido dos Capuleto, pais de Elsa que se enfureceram ao descobrir o motivo do duelo.

Aprisionando a bela moça em casa, eles rumaram para a praça onde estava acontecendo a luta, bem a tempo de ver Jack enviando uma adaga no peito de Breu, que caiu duramente no chão, manchando suas proximidades de um sangue vivo.

Já enfurecido pela audácia do jovem Montecchio em se atrever a lutar pela hora da mão de sua filha, o pai de Elsa ordena o exilio de Jack de Roma, e o ameaça de morte caso retornasse à cidade. Contudo antes de ir embora, Jack invadiu o quarto de Elsa, como despedida consumando-o seu amor e prometendo um da voltar.

A mãe de Elsa, temendo que a filha fugisse para ir atrás de Romeu, propõe um casamento para a moça com um jovem chamado Hans de Verona que ficara marcado para uma semana após o exilio de Jack.

Desesperada e sem saídas, com medo de nunca mais rever seu grande amore, e se casar com alguém que nunca amou, Elsa recorre ao reverendo North, que lhe oferece um frasco contendo um remédio entorpecente que a faria se passar por morta durante um tempo.

Bebe seu conteúdo, que pelas veias, logo, há de correr-te humor frio, de efeito entorpecedor, sem que a bater o pulso continue em seu curso normal, parando logo…

Foram as palavras de North sobre o entorpecente. Quando acordasse, já dada como morta, Elsa conseguiria fugir com a ajuda do reverendo para Verona, cidade onde estava seu amado Jack e eles poderiam viver felizes e em paz.

Entretanto como uma má notícia tem o poder de ultrapassar montanhas, a morte de Elsa chegou aos ouvidos de Jack, que inconformado com a perda de seu grande amor ruma de volta para Roma, para confirmar os boatos.

Entrando novamente às escondidas nos aposentos de Elsa, onde jazia o seu corpo, Jack chorou silenciosamente sobre o corpo gélido de sua amada. Antes de chegar a Roma, o jovem comprar um veneno de um boticário, e prometera a si mesmo que caso a mote e Elsa fosse verdadeira ele morreria com ela.

Encontrando-a daquela forma, Jack enlouqueceu e bebeu todo o conteúdo do veneno, caindo sobre o corpo de Elsa dizendo suas ultimas palavras... Ti amo, mi amore.

Poucos minutos depois, Elsa acordou se deparando com o corpo de seu grande amor. Desesperada ao vê-lo morto em seus braços ela tomou-lhe a adaga em suas mãos.

―Que este frio punhal cravado sobre meu peito eternamente me corrompa. Este estranho corpo que aqui deixo e que me esventrei a entranhas. Mas que jamais no tempo e no espaço este punhal com que desfaço meu coração me apodreça a alma eterna minha.

Porque em outras vidas na distância das eras que me lembre da tua face dos teus gestos e das tuas carícias. Que o destino todo-poderoso nos separe vezes sem conta; E que nós, num acaso desse mesmo destino unamos nossas mãos e nossos lábios. E outrora perdidos nos encontremos no fôlego de mil beijos de amor proibidos… Novamente juntos voltaremos então; À cama de lençóis brancos ainda quente de nossos desejos e cumpridos os dois seremos um, pois na memória do mundo que sabendo sem saber nos proibiu e eternizou na palavra amor, seremos relembrados; Culpados e julgados; De um dia por acaso do destino Termos inventado no amor; A palavra Eternidade…”.

E com essas magníficas palavras de despedida, Elsa cravou a adaga em seu peito, caindo ao lado do grande amor da sua vida.

A população de toda a Itália ficou sabendo da história de amor impossível que foi narrada pelo reverendo North, e todos a passaram por gerações, servindo de inspiração para autores, obras de arte, e todo o tipo de reconhecimento que uma história trágica de amor poderia ter.

Eu me comovi por muito tempo com tal história. E posso confessar que jamais esquecerei ambos Elsa e Jack. Muito embora não tiveram todo o enredo feliz e completo que seus antepassados tiveram, eles foram os únicos que conseguiram expressar em palavras todo o sentimento que carregavam a séculos, de outras vidas.

E por esse motivo, para mim, eles são os mais especiais de todos. Não por serem inspiração, não por serem usados como justificativa dos humanos. Mas pelo motivo simples de que alguém ser capaz de morrer por um grande amor, é motivo de que a humanidade jamais estivera perdida.

E é por isso que Elsa Capuleto e Jack Montecchio foram a minha encarnação preferida de Elsa e Jack.

Por provarem que o amor não ultrapassa apenas a eternidade, mas também engana a própria morte.

Notas finais
Entãaaao? Gente eu amo Romeu e Julieta, então sim, muitas partes aqui, especialmente as declarações de amor são todas do conto de Shakespeare! Espero muito que tenham gostado, e que continuem a acompanhar e comentar a história ein!! Nos vemos no próximo capítulo ♥ P.S.: Algum chute para os próximos Elsa e Jack? Deixe nos comentários!