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10 Chapter Nine ― Encontros Desencontrados
Notas iniciais
Chapter Nine
Encontros desencontrados.

Entre dois humanos, nem sempre há entendimento. Especialmente quando se trata de um homem e uma mulher. São poucos, aqueles que, em uma relação, conseguem se dar bem o tempo todo.
É incrível a meu ver, como em uma raça tão igual, pode ter dois seres tão diferentes. Elsa e Jack, em sua história ao longo do tempo, pouquíssimas vezes possuíram desentendimentos. Acho que esse foi um dos grandes motivos pelo qual me chamaram a atenção.
Um amor, por mais verdadeiro que seja, nem sempre é um mar de rosas. Os desentendimentos, as brigas e discussões fazem parte da convivência a dois.
Desta vez, vocês conhecerão o caso especial de nossos dois amantes. Confesso, ter me comovido com esses dois, devido à simplicidade e complicação de seu romance.
Apresento-lhes o romance entre Elsa Snow e Jack Frost.
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Toronto, Canadá ― Século XXI (2010).
Confesso que de todos os antepassados de Jack e Elsa, esses dois jovens foram os mais cômicos para mim. Honestamente, nunca fui muito de dar risadas – não apenas pelo fato de não ter uma personificação, ora, pois, ainda tenho senso de humor.
Acontece que, por serem mais jovens a vivacidade em ambos parecia mais evidente. A todo o momento, uma avalanche de emoções era demonstrada por ambos, que pareciam inconstantes. O doce e sombrio turbilhão que é adolescência.
Vagando pela adorável fria, em uma pequena cidadezinha no interior, eu encontrei os dois. Estavam sentados em um banco cheio de outro jovens, no que parecia ser uma escola.
Elsa estava um tanto quanto diferente. Seus cabelos, sempre presos por tranças ou coques, dessa vez estavam soltos, a cascata dourada levemente ondulada caía por sobre os ombros chegando até a sua cintura. Os olhos azul-gelo refletiam o brilho sagaz da jovialidade, no auge do que parecia ser seus dezesseis anos.
Ao contrário das roupas pesadas e vestidos longos, saias de paetê e babados que a loira usava em suas outras vidas, Elsa vestia-se em uma simplicidade elegante: uma calça jeans escura, tênis sujos e uma camiseta- que todos ao seu redor também usavam- azul e branca.
A garota dava altas gargalhadas, assim como os a sua volta. Jack, do seu lado esquerdo também ria alto, exibindo os dentes brancos e bem polidos. Os cabelos castanhos, que pouco apareceram nas suas vidas passadas, agora estavam arrepiados, como se jamais tivessem visto um pente na vida. Os olhos castanhos estavam brilhando.
Jack também usava trajes simples, bastante parecidos com os de todos a volta. O uniforme da escola que consistia em calça, tênis e a blusa deixavam todos parecerem uma grande família.
Uma longa e estridente sirene foi ouvida por todo o local e subitamente uma avalanche de adolescentes começou a se locomover no saguão da escola, indo cada um para sua respectiva sala.
Elsa e Jack por vários momentos trocavam olhares entre si, o que não passava despercebido por ninguém, mas mesmo assim todos agiam como se nada estivesse acontecendo.
Um longo período de aulas se passou, e por volta do horário da tarde eles saíram da escola. Caminhando tranquilamente pelo que supus ser o caminho de volta pra casa, Jack e Elsa eram acompanhados por dois amigos que já me eram familiares: Hiccup e Eugene.
Os três garotos caminhavam em velocidade moderada, conversando sobre um jogo qualquer, e a loira andava um pouco mais pra trás, alheia a conversa até insignificante dos homens. Seu atraso em relação à eles me pareceu proposital, embora a possibilidade de ela estar mais atrás devido à sua estatura me passasse pela cabeça vez ou outra.
Bem, ela parecia uma anã perto dos três garotos altos.
Nota:
Isso foi quase uma hipérbole, ela não era tão baixa assim.
Em determinado momento, na curva de uma esquina, Elsa estendeu o braço, agarrando a manga da blusa de Jack, obrigando os três garotos a interromperem o assunto e diminuírem o rítimo de suas passadas.
Ela olhava pra baixo envergonhada e Jack estreitou os olhos em sua direção em sinal de dúvida Os dois garotos deram uma cutucada discreta em Jack e sorriram pervertidos, dando um tchau e simplesmente foram embora.
Depois do que pareceu ser um minuto de silencio, como que para se certificar de que os dois colegas já estivessem longe o suficiente, Elsa pigarreou e puxou Jack pelo braço, indo parar de baixo de uma pequena árvore na esquina á frente da qual eles pararam.
O rapaz a seguia em total silêncio. Escorou no muro assim que chegaram, encarando a loira à sua frente. Ela respirou fundo e ergueu seus olhos para Jack.
― Eu... Acho que te devo uma resposta. ― Ela começou parte receosa, parte envergonhada.
― Você acha? ― Ele cruzou os braços e sorriu levemente, como que para encorajá-la a continuar.
―Bem... É que eu estou um pouco nervosa, sabe. Você me deixa assim. ― Admitiu e um leve rubor pode ser visto em suas bochechas. Jack alargou o sorriso.
― Isso é muito bom. Não que eu faça de propósito. ― Corrigiu rapidamente. ― É só que... Bem, eu estive esperando sua resposta por muito tempo.
Confesso que fiquei bastante perdida durante metade desta conversa, portanto, devo interrompê-la para explicar a vocês o que eu não entendi de início.
A história desses dois jovens é bastante complicada. Ao que pude descobrir, Eles namoraram por um período curto de tempo e devido a uma briga bastante séria devido à um erro de Jack, terminaram seu relacionamento.
Depois disso decidiram retomar a amizade que outrora tiveram, deixando pra lá o pequeno fato de que por certo período nutriram sentimentos mais fortes um pelo outro. Jack, um tempo depois, engajou em um namoro com uma amiga da turma deles, chamada Rapunzel, aquela mesma que já fizera parte da história dos dois.
Jack permaneceu por dois meses com Rapunzel. Até que por um motivo ainda desconhecido até mesmo por ele, decidiu terminar com a garota de cabelos enormes, e desde então parar de falar com ela.
Rapunzel se distanciou do grupo de amigos de ambos os garotos, muito embora não fosse mesmo amiga de Elsa. As duas se apresentavam mais como duas conhecidas, que por acaso tinham amigos em comum, mas não o suficiente para estabelecerem uma amizade entre si.
Nem mesmo uma discórdia surgiu entre elas, depois que ambas tiveram não só amigos em comum, mas certo ex-namorado em comum.
Elsa e Jack continuaram com sua amizade, que para mim, não passava de um belo disfarce, tendo em vista que no fim das contas, ainda nutriam seus sentimentos um pelo outro.
Embora fossem amigos, e se gostassem, os dois brigavam com frequência absurda. E digo isso, sem hipérboles, desta vez. Era a todo dia, a todo o momento ma nova discussão, algumas até serias, que os fizeram ficar sem se falar por dias, e até semanas.
Contudo, ambos ainda tinham um resquício de esperança de que foram feitos para ficarem juntos e que fora forte o suficiente para leva-los a situação que se encontram agora. Jack pedira uma nova chance para Elsa, e esta pedira um tempo para considerar suas opções.
E agora, viria à resposta que prometera dar ao garoto.
Ela pigarreou outra vez.
― Jack, nós somos muito diferentes. Brigamos até tarde da noite, até o amanhecer. Somos opostos. Discutimos por coisas inúteis que não têm importância nenhuma, discordamos de tudo um do outro. As mesmas brigas sempre pelos mesmos motivos, mas nenhum de nós dá o braço a torcer.
― Não consigo ceder, pois você sempre quer ser a dona da verdade, Elsa. Você desconfia demais de mim e sempre quer me controlar. E eu sou livre...
― Eu não tenho culpa se você sempre faz besteira e me dá motivos para isto, Jack. Eu também prezo a minha liberdade, mas tudo tem um limite. Que você sempre finge não enxergar!
― Tudo bem, Elsa, tudo bem. Vamos deixar isso pra lá, antes que comece uma nova discussão. Me diga a sua resposta. Não aguento mais esperar.
Ela bufou e consentiu. Naquele momento eu percebi o quanto eram diferentes um do outro. Ele frio, determinado, embora agisse sempre de forma defensiva. Escondia seus sentimentos atrás de uma barreira enorme de orgulho.
Ela era espontânea e extremamente sentimental. Se estava triste chorava, feliz gritava, com raiva implicava, tudo num turbilhão de emoções que o deixava completamente perdido.
― Eu sou muito esperta, Jack. Modéstia parte, eu entendo de tudo, você sabe. Meu orgulho não permite que meu ego seja ferido quando não sei de algo. Não saber me irrita. Me irrita tanto que eu sinto que vou explodir de raiva, angústia e frustração quando não sei de alguma coisa. E sinceramente, eu não sei o que sinto por você. Não sei como posso ficar tão confusa entre dois sentimentos que deveriam ser opostos, como nós dois.
“Como eu posso te amar e te odiar ao mesmo tempo? São sentimentos tão opostos, mas que não se separam. Parecidos a gente. Te amo quando você me fala coisas sem sentido. Te odeio quando faz brincadeiras que me deixam com raiva. Te amo mais ainda quando vem com esse seu jeitinho rude fingindo que não se importa e quando menos espero me surpreende com carinho, conquistando ainda mais o meu coração. Mas também te odeio quando faz isso. Te odeio quando diz que tudo vai ficar bem, quando me faz parar de chorar. Te amo por me acalmar. Te odeio quando me deixa com ciúmes. Te amo quando faz a sua própria cena de ciúmes. Te odiar é tão fácil quanto te amar. Te odeio quando me deixa esperando. Quando não me liga. Quando não me chama de baixinha, pititica, até anã de jardim, embora isso me irrite mais que qualquer coisa. Te amo quando percebe que eu não estou bem só por uma frase dita. Te amo quando me deixa entrar na sua vida. Te odeio por não me sair da minha. Amo a sua voz e o seu riso, mas odeio poder ter somente isso. Odeio não ser a única. Odeio não poder te tocar. Odeio não ser a única a conhecer o gosto do seu beijo. Odeio não ser a única a conhecer o calor do seu abraço. Mas amo a idéia de que tudo será sempre meu. Te amo de forma inexplicável. Te odeio da maneira mais racional possível. Te amo por ser chato. Te amo por ser bobo. Te odeio por estar longe, mas tão perto... Mas, depois de tudo o que amo e odeio em você... Só uma coisa prevalece, eu odeio o fato de não conseguir te odiar a ponto de não deixar de te amar.”
Depois do monólogo, Elsa que estava com os olhos fechados deu um longo suspiro, como se todo esse tempo estivesse prendendo a respiração. Jack estava perplexo. Os olhos estavam levemente arregalados, se negando acreditar na declaração que há pouco ouvira.
― Isso... Foi... Um... Sim? ― Perguntou pausadamente, receoso da resposta que haveria.
Ela ainda envergonhada e de olhos fechados, consentiu de leve com a cabeça. O sorriso de Jack fora brilhante.
Um abraço apertado.
E um beijo.
Depois disso, reataram o namoro. Que infelizmente durou pouco mais de um mês. Outra briga outro adeus.
Desta vez, Jack mandara Elsa sumir de sua vida. E foi o que ela fez. Ele parecia sempre fazer isso com ela; Quando não a mandava embora de sua vida, tirava ela a força, ou simplesmente a deixava ir.
Dois dia depois do término, Hiccup dera uma festa em sua casa. Por ser uma festa jovem, o local estava cheio de adolescentes dançando, pulando, bebendo, e bem, o conceito de diversão adolescente estava vivo ali.
Inevitavelmente, os dois se encontraram. Elsa, bruta de orgulho, ignorou Jack toda a festa. Ele, pelo contrário, a encarava com tristeza, como um pedido de desculpas silencioso... E ignorado.
No final da festa, quando Elsa ia embora, Jack a seguiu silenciosamente até uma praça que, estava vazia, devido à hora; passava-se da meia noite. Ele resolveu se mostrar para ela, assuntando-a ao subitamente aparecer ao seu lado.
Ela parou de andar.
― O que está fazendo aqui? ― Perguntou sua voz um oitavo mais alto que o normal, deixando nítida sua raiva em tê-lo ali, tão perto.
Ele também parou de andar, e encarou o céu nublado.
― Doeu. ― Foi sua resposta. Elsa o olhou como se ele fosse um louco. Ele moveu os olhos para a direção dela. ― Doeu te ver e não poder dar um oi. Nem dançar. Ainda tive que aguentar aqueles otários tentando dançar com você, puta que pariu, danço muito melhor que qualquer um deles. Mas você mal olhou pra mim, não pude te chamar. Você... Sumia a todo o momento, e eu não podia ir atrás. Você... Beijou alguém? Eu não beijei ninguém, pergunte ao Hiccup, Eugene... Mas... Droga, o que pensou quando me viu?
Ele a encarou, com tristeza e esperança. Elsa mantinha os olhos estreitos em sua direção.
― Jack você bebeu? Por que ta me dizendo essas coisas?
― Porque eu quero você de volta.
Elsa respirou fundo, sentindo seu coração acelerar. Mas manteve a calma.
― Você não gosta de mim, Jack, pra quê insistir nisso? Você não mantêm relacionamento algum, nunca dá o braço a torcer. Você é assim, e eu tô começando a aceitar isso.
Ela não mudou a expressão de indiferença em nenhuma das palavras que proferiu. Toda sua sensibilidade pareceu se dissipar, e Jack sentiu o maior remorso ao perceber que ele era o culpado por ter retirado o brilho dos olhos azuis gelo dela.
― Eu perdi você de vez, foi isso? ― A voz dele estava embargada, e Elsa sentia seu coração se partindo. Estava difícil se manter firme. ― Me ignorou a festa inteira, sequer olhou para mim.
― Se eu olhasse, não iria aguentar. ― Ela assumiu de cabeça baixa cedendo aos seus sentimentos mais uma vez.
― Você não aguentaria? ― Ele apareceu ter mais esperança, um singelo brilho refletiu em seus olhos. Ele se aproximou, fazendo-a olhar nos seus olhos.
― Eu não saberia como reagir. Podia brigar, gritar, chorar, te xingar...
― E eu só poderia te beijar.
E foi o que ele fez. A beijou, forte e intensamente. Como se a vida dependesse daquele beijo. E outra vez eles reataram e terminaram, e reataram, sempre com o mesmo vigor e a paixão cada vez maior a cada retorno.
Parecia cansativo para todos a sua volta, mas não para eles. A cada amanhecer era um nova briga com o mesmo motivo. Mas entre tantas diferenças, os dois se igualavam em uma coisa, eram loucos um pelo outro…
Ninguém sabia, mas todas as brigas, sempre acabavam com um beijo.
Mesmo quando queria ficar juntos, terminavam. A vida é uma série de puxões para frente e para traz. Quando queremos uma coisa, somos forçados a fazer outra. Algumas coisas nos machucam, apesar de saber que não deviam.
Aceitamos certas coisas como inquestionáveis, mesmo quando sabemos que não devemos aceitar nada como absoluto. Tensão dos opostos é como o estiramento de uma tira de borracha, onde a maioria de nós fica bem no meio. É como se a vida se resumisse a uma luta livre. E sabe qual lado vence? O amor. O amor sempre vence.
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