Manual para ser pedida em casamento
11 You like your girls insane, choose your last words...
POV BELLA
— Você é louco?
A pergunta escapou antes que eu pudesse filtrar, antes que eu pudesse suavizar, antes que eu pudesse transformar aquilo em algo socialmente aceitável.
E o silêncio que veio depois… não foi silêncio de filme.
Foi silêncio real, pesado, desconfortável e quase violento.
O tipo de silêncio que faz todo mundo prender a respiração ao mesmo tempo, como se qualquer movimento pudesse quebrar algo irreversível.
Damon não se levantou imediatamente, ele continuou ajoelhado com o anel ainda aberto entre nós e então ele sorriu...Calmo, controlado e perfeito, mas eu já sabia.
Eu já tinha visto aquele olhar antes no corredor com Alice e agora… estava ali de novo.
Mais claro.
Mais frio.
— Eu sei que não é a resposta que você esperava dar na frente de todo mundo, Bella… — ele disse, com a voz baixa, suave, como se estivesse acalmando uma criança assustada. — Mas grandes decisões… nunca são simples.
Meu estômago revirou, porque ele não estava constrangido e muito menos estava surpreso.
Ele estava… conduzindo.
Como se aquilo já estivesse dentro do plano e se até a minha reação estivesse prevista.
— Damon… — minha voz saiu mais baixa do que eu queria. — Isso não foi… certo.
Ele finalmente se levantou devagar e elegante, como se não tivesse acabado de colocar o mundo inteiro contra mim.
— Non fare così, bella… — ele murmurou, inclinando levemente a cabeça. — Não transforma um gesto de amor em um problema.
Aquilo me atingiu como um tapa.
— Um gesto de amor? — eu repeti, incrédula. — Você me colocou contra a parede na frente de todo mundo!
— Eu te coloquei diante da verdade — ele respondeu, ainda calmo demais. — É diferente.
Meu coração começou a bater mais rápido.
Errado.
Tudo aquilo estava errado.
— Não, não é diferente — rebati, a voz começando a tremer. — Você tirou a minha escolha.
Um pequeno silêncio e então Damon deu um passo na minha direção com os olhos presos nos meus.
— Você já escolheu, Bella.
Aquilo…
aquilo fez o ar sumir.
— Não… — eu balancei a cabeça, sentindo o chão fugir. — Não escolhi você...
Ele sorriu.
Devagar.
Quase paciente.
— Escolheu quando veio para Capri. — disse ele. — Quando ficou. Quando olhou pra mim daquele jeito… quando ficou comigo… quando...
— Para. — eu interrompi, sentindo o peito apertar.
Porque ele estava misturando tudo, confundindo tudo e transformando sentimento em decisão.
— Você está distorcendo as coisas — eu disse.
— Não estou — ele respondeu, com uma leve inclinação de cabeça. — Estou apenas dizendo em voz alta aquilo que você ainda não teve coragem de admitir.
— Damon...
— Você não ama mais ele como antes.- disse ele apontando para Edward.
A frase caiu seca e doeu, porque não era totalmente verdade.
Mas também não era totalmente mentira e ele sabia disso, claro que sabia.
— Você não pode decidir isso por mim! — minha voz subiu.
E foi aí que...
— Já chega.
Charlie.
A voz do meu pai cortou o espaço com uma firmeza que eu não ouvia há muito tempo.
Eu me virei e ele estava de pé com uma postura rígida, seu olhar era duro e direto em Damon.
— Ela acabou de dizer que não — ele continuou. — E você continua falando como se ela não tivesse.
O silêncio voltou.
Mas agora… era outro tipo de silêncio.
Mais tenso.
Mais perigoso.
Damon virou lentamente o rosto na direção dele e sorriu educado, perfeito e muito falso.
— Signor Swan… — ele disse, com uma leve inclinação de cabeça. — Eu respeito a sua preocupação.
— Não parece — Charlie respondeu seco.
Por um segundo...um segundo muito rápido…eu vi.
O sorriso de Damon falhar, quase imperceptível. Mas falhou e aquilo foi suficiente para me gelar.
— Eu não estou pressionando a Bella — Damon continuou, voltando ao tom controlado. — Estou oferecendo a ela uma vida.
— Ela já tem uma — Charlie rebateu.
Silêncio.
E então…
— Uma vida que a fez fugir para outro continente? — Damon respondeu, com um leve arquear de sobrancelha.
Aquilo…aquilo foi baixo.
Eu senti, todo mundo sentiu.
Charlie deu um passo à frente.
— Cuidado com o que você está insinuando...
— Eu não estou insinuando nada — Damon cortou, ainda sorrindo. — Estou apenas sendo honesto.
Mentira, aquilo não era honestidade, era estratégia, manipulação e controle.
— Minha filha não é uma decisão de negócios — Charlie disse, firme.
— E eu nunca a trataria como tal.- Damon inclinou a cabeça.
Mas tratava.
Eu estava vendo.
Estava sentindo.
— Então pare de agir como se ela já fosse sua — Charlie retrucou.
O ar ficou pesado, pesado demais e então Damon olhou para mim de novo.
Sempre para mim.
— Io non la possiedo… — ele disse baixo. — Eu só não tenho medo de lutar por ela.
Aquilo deveria soar bonito, romântico.Mas não soou.
Soou…errado.
Meu peito apertou, porque eu estava começando a entender e não era bom.
Não era nada bom.
— Bella — ele disse, mais baixo agora. — Non scappare da questo.
Não fuja disso, mas era exatamente isso que eu queria fazer.
Fugir.
Do olhar dele.
Da pressão.
Daquilo tudo.
— Eu preciso… — minha voz falhou — …eu preciso de ar.
Então eu virei e fui embora, sem olhar pra trás, sem esperar resposta, sem pensar e só fui...
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POV EDWARD
Eu esperei um segundo, só um.
Antes de ir atrás dela, porque isso não era mais sobre disputar espaço. Era sobre não deixar ela desmoronar sozinha.
Stefan apareceu ao meu lado antes que eu desse o primeiro passo.
— Não adianta — ele disse, baixo.
Eu parei.
— O quê?
— Não importa o que ela escolha — ele continuou. — Meu irmão já decidiu por ela.
Meu maxilar travou.
— Isso não funciona assim.
Stefan soltou uma pequena exalação.
— Com ele? Funciona.
Silêncio.
— Ele não está apaixonado — Stefan completou. — Ele está obcecado por ela.
Aquilo…não me surpreendeu, mas ouvir em voz alta tornava tudo mais real e perigoso.
— E quando ele não consegue o que quer? — perguntei.
Stefan me encarou e por um segundo eu vi algo ali muito pesado.
— É aí que as histórias acabam mal.
Eu não respondi, porque já estava indo atrás dela.
POV BELLA
Eu não parei de andar, nem quando o ar começou a faltar ou quando meus olhos arderam e tudo ficou embaçado.
Eu só parei quando cheguei à beira do terraço lateral.
Onde o mar estava escuro, profundo e infinito.
O vento bateu no meu rosto com força e pela primeira vez naquela noite…eu consegui respirar.
Mas não por muito tempo.
— Bella.- A voz dele.
Atrás de mim sempre.
Eu fechei os olhos por um segundo antes de me virar.
Edward.
Ali, de novo. Como se sempre fosse ele.
— Você veio — eu murmurei.
Ele deu de ombros.
— Eu sempre venho.
E aquilo…aquilo quebrou alguma coisa dentro de mim de novo.
— Isso está saindo do controle — eu disse, passando a mão pelo rosto.
— Eu sei.
— Eu não queria isso — continuei. — Eu não queria magoar ninguém… eu não queria...
— Ei… — ele interrompeu, se aproximando devagar. — Olha pra mim.
Eu olhei e foi um erro, porque tudo ainda estava ali.
— Você não fez isso sozinha — ele disse.
— Fiz sim — respondi, a voz quebrando. — Eu escolhi vir. Eu escolhi ficar. Eu escolhi...
— E você também escolheu me amar por mais de dez anos — ele cortou, firme.
Silêncio.
— Isso não desaparece em um mês, Bella.
Meu peito apertou.
— Eu não sei mais o que é real.
Ele respirou fundo e então disse:
— Então para de tentar decidir agora.
Eu franzi a testa.
— O quê?
— Você não precisa escolher hoje.
— Mas todo mundo está esperando...
— Dane-se todo mundo.
Aquilo me fez piscar.
Edward Cullen.
Dizendo isso.
— Eu passei anos esperando o momento certo — ele continuou. — E olha onde isso levou a gente.
Silêncio.
— Eu não vou fazer isso de novo.
Meu coração disparou.
— Então o que você vai fazer?
Ele se aproximou mais, parando a poucos centímetros.
— Eu vou ser honesto.
Minha respiração travou.
— Eu te amo.
Simples.
Direto.
Sem medo.
— Eu sempre amei.
O mundo ficou menor.
Mais silencioso.
Mais intenso.
— E eu não vou lutar com ele — ele continuou. — Não vou transformar você em prêmio.
Meu peito apertou.
— Mas eu também não vou ir embora.
Silêncio.
— Porque se ainda existir alguma coisa aqui… — ele tocou levemente meu peito — …eu quero que você escolha isso por você. Não por pressão. Não por medo. Não por ele.
Eu senti os olhos encherem.
— E se eu não escolher você?
Ele hesitou.
Só por um segundo.
Mas foi honesto.
— Então eu vou embora.
Aquilo…doeu.
Mas também…foi a coisa mais justa que alguém já me disse.
E talvez…a coisa mais bonita também.
Porque pela primeira vez…ninguém estava tentando me prender e foi exatamente isso que me fez querer ficar.
Silêncio.
O vento.
O mar.
E aquela sensação estranha…de que tudo estava prestes a mudar.
De novo.
E talvez…dessa vez…pra sempre
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