Manual para ser pedida em casamento

1 Si Antes Te Hubiera Conocido


Notas iniciais
Oiee gente, tive a ideia dessa história essa madrugada... espero que gostem <3

POV BELLA

A igreja de Forks tinha aquele cheiro familiar de madeira antiga misturada com flores frescas que alguém havia colocado em todos os bancos naquela manhã. Era um cheiro doce, quase nostálgico, que sempre me fazia lembrar da minha infância, dos domingos em que Charlie insistia que eu fosse à missa com ele apenas porque Sue gostava da tradição. A luz suave do fim da tarde atravessava os vitrais coloridos e desenhava manchas douradas no chão de madeira polida. O piano tocava uma melodia lenta e delicada, e as pessoas murmuravam em expectativa enquanto esperavam o início da cerimônia. Eu estava parada no altar, segurando um pequeno buquê de flores brancas, com um vestido azul claro escolhido por Alice que provavelmente custava mais do que o aluguel do meu primeiro apartamento em Seattle.

E, claro, eu era a madrinha.

Mais uma vez.

Eu mantinha o sorriso educado que se espera de alguém que está no altar de um casamento, mas por dentro minha mente fazia uma espécie de contagem silenciosa, quase automática, como se uma parte de mim estivesse catalogando cada momento em que eu já tinha passado por aquela exata situação. Era impossível não pensar nisso enquanto eu olhava para a porta da igreja, esperando a noiva entrar.

Casamento da minha mãe.

Casamento do meu pai com Sue.

Casamento da minha prima.

Casamento da colega da faculdade.

Casamento da amiga da revista.

Casamento da Leah.

Casamento da Rosalie.

Casamento da Alice.

E agora…

Casamento do Seth.

Meu meio-irmão mais novo.

Eu soltei um pequeno suspiro enquanto ajustava discretamente o buquê nas mãos. Seth tinha apenas vinte anos e estava prestes a se casar com Bree Turner, uma garota doce que eu tinha conhecido alguns meses antes em um jantar de família. Alguns meses. Literalmente. Eles tinham começado a namorar quatro meses antes de ele pedir ela em casamento. Quatro meses. E agora estavam ali, prestes a se casar antes mesmo de completar um ano de namoro. Eu observava aquela situação com uma mistura curiosa de carinho e incredulidade, porque Seth ainda era, na minha cabeça, o garoto de dez anos que corria pelo quintal da casa de Sue com os cadarços sempre desamarrados e os joelhos ralados.

Seth e Leah não eram filhos de Charlie, mas quando meu pai se casou com Sue eu tinha dezessete anos, Leah tinha quatorze e Seth apenas dez. Nós crescemos juntos desde então. Não demorou muito para que aquela convivência virasse uma espécie de laço fraternal inevitável. Eu sempre fui a irmã mais velha responsável, a que ajudava com os deveres da escola, a que dirigia Seth para os treinos de futebol quando Charlie estava trabalhando demais. E agora aquele mesmo garoto estava parado no altar, nervoso, ajeitando a gravata pela terceira vez em menos de um minuto enquanto Emmett, que era padrinho dele, murmurava alguma piada no ouvido dele que provavelmente não ajudava em nada a diminuir o nervosismo.

A música mudou suavemente.

As conversas cessaram.

E a porta da igreja finalmente se abriu.

Bree Turner apareceu no corredor central usando um vestido simples e bonito que parecia ter sido feito especialmente para ela. Sue caminhava ao lado dela, segurando seu braço com um orgulho visível, enquanto Charlie observava tudo da primeira fileira com aquele olhar emocionado que ele sempre tentava esconder atrás de uma expressão séria. Eu observei Bree caminhar lentamente em direção ao altar e, por algum motivo que eu não soube explicar, senti um pequeno aperto no peito.

Talvez porque aquela cena estivesse se tornando familiar demais.

Talvez porque, naquele momento específico, algo finalmente tenha se encaixado dentro da minha cabeça.

Eu tinha sido madrinha doze vezes.

Doze.

Eu tinha pegado mais de dez buquês ao longo dos anos. Dez buquês que, teoricamente, eram sinais do destino dizendo que meu casamento seria o próximo. Dez buquês que aparentemente estavam completamente enganados.

Sempre madrinha...Nunca noiva.

Eu desviei o olhar da noiva por um momento e olhei para a primeira fileira de bancos e lá estava ele.

Edward Cullen estava sentado calmamente, com as mãos entrelaçadas no colo, observando a cerimônia com aquele ar tranquilo que sempre parecia envolver tudo ao redor dele. O terno escuro caía perfeitamente em seu corpo, o cabelo bronze estava levemente bagunçado como se ele tivesse passado a mão pelos fios antes de entrar na igreja, e o sorriso suave que aparecia em seus lábios quando nossos olhares se encontraram era exatamente o mesmo que eu conhecia desde os dezessete anos.

Lindo, perfeito, aquele sorriso torto perigosamente encantador capaz de desarmar qualquer mulher e aqueles olhos da cor do oceano que eram completamente serenos. Mas, sem absolutamente nenhuma intenção aparente de me pedir em casamento.

É, talvez eu morra sendo madrinha profissional...

O pensamento surgiu na minha mente com uma clareza quase absurda, e eu precisei conter um riso nervoso enquanto o padre começava a falar sobre amor, compromisso e promessas para a vida inteira.

A recepção do casamento aconteceu no salão comunitário de Forks, que tinha sido transformado por Alice em algo que parecia saído de uma revista de decoração. Luzes pequenas pendiam do teto como estrelas, as mesas estavam cobertas com toalhas brancas e arranjos delicados de flores cor-de-rosa, e havia uma mesa enorme cheia de sobremesas que provavelmente fariam qualquer nutricionista ter um ataque cardíaco. Eu estava sentada com Alice e Rosalie em uma mesa perto da pista de dança, observando as pessoas conversarem, rirem e celebrarem enquanto a banda tocava uma música animada ao fundo.

Dessa vez eu tinha tomado uma decisão:

Eu não ia tentar pegar o buquê, de jeito nenhum.

— Você precisa ver essas fotos — disse Alice animadamente, deslizando o celular sobre a mesa na minha direção. — As fotos oficiais do meu casamento chegaram ontem à noite. Eu quase chorei quando vi essa aqui.

Rosalie se inclinou para olhar a tela enquanto eu tentava prestar atenção.

— Meu Deus, Alice… essa iluminação está perfeita — comentou Rosalie, passando a mão distraidamente pela barriga ainda pequena, mas já visível sob o vestido elegante. — O Jasper está ridiculamente bonito nessa foto.

— Ele sempre é — respondeu Alice com um sorriso satisfeito fazendo a Rosalie rir.

— Eu juro que ainda não acredito que vou ter dois bebês ao mesmo tempo — disse ela, acariciando a barriga com um olhar que misturava orgulho e incredulidade. — Gêmeos! Dois bebês de uma única vez! Emmett está convencido de que eles vão herdar o talento dele para esportes e piadas.

— Deus nos ajude — murmurou Alice e eu tentei sorrir, de verdade.

Mas aparentemente minhas amigas me conheciam bem demais. Rosalie levantou os olhos da tela e me observou por um momento mais longo do que o normal.

— Bella — disse ela lentamente — o que está acontecendo?

Eu levantei as sobrancelhas.

— Nada.- menti descaradamente bebericando minha taça de champanhe.

Alice inclinou a cabeça, estreitando os olhos.

— Você faz essa cara quando está escondendo alguma coisa.

— Eu não estou escondendo nada.- disse chamando o garçom e pegando outra taça da bandeja.

Rosalie apoiou os cotovelos na mesa e me encarou.

— Bella… você e o Edward já falaram sobre casamento? — perguntou ela

Silêncio, aquele silencio pesava 1 tonelada.

Eu peguei minha taça de champanhe e virei o conteúdo inteiro de uma vez.

Alice piscou assustada com minha ação.

— Ok… isso responde a pergunta.- disse ela levantando as mãos.

Todas as solteiras para o centro da pista! — anunciou Bree no microfone animadamente alguns minutos depois, segurando o buquê acima da cabeça.

Eu continuei sentada.

— Bella...— murmurou Alice enquanto agarrava meu braço.

— Não.- disse seca bebendo um gole de uma nova taça de champanhe.

Rosalie cruzou os braços.

— Levanta, antes que você entre em coma alcoólico devido a tanto champanhe- disse a loira séria.

— Eu não vou.- disse séria encarando a multidão se fomar em frente ao pequeno palco onde Bree brincava com o buquê.

— Bella Swan — disse Emmett surgindo atrás da minha cadeira com um sorriso malicioso — Você está quebrando uma tradição, os casamentos só dão certo quando você pega o buquê...

— Vai se lascar, Emmett.- disse entre dentes bebendo novamente meu champanhe.

— Você já pegou o que? uns dez desses ?— perguntou ele brincando, mas sem ter noção do quanto aquilo me feria.

— Exatamente, por isso resolvi me aposentar- disse fingindo brincadeira o que levou a mesa em gargalhadas.

Eu permaneci sentada enquanto todas as mulheres solteiras se reuniam no centro da pista. E então Bree virou de costas fazendo uma contagem regressiva e jogou o buquê.

E, aparentemente, o universo decidiu que tinha senso de humor.

O buquê caiu direto no meu colo.

A sala inteira explodiu em aplausos.

Eu levantei os olhos lentamente e Edward estava olhando para mim, ele estava sorrindo torto.

Estendeu a mão sobre a mesa para pegar a minha, acariciando meus dedos com carinho.

Mas não fez absolutamente mais nada, nenhum pedido de casamento veio...Nenhuma esperança.

A música mudou de repente.

O ritmo latino tomou conta do salão, e algumas pessoas começaram a bater palmas no ritmo animado. Eu reconheci a música imediatamente.

Si Antes Te Hubiera Conocido, da Karol G.

Levantei a cabeça automaticamente, eu e Edward amavamos aquela musica e sempre dançávamos juntos.

Alice sorriu maliciosamente.

— Bella…- disse ela me provocando

— Não.- disse seca

— Você ama essa música.- disse ela fazendo cara do gato do Sherek.

— Alice…- disse revirando os olhos e levantando

— Vai logo.- Rosalie riu dando um tapinha na minha bunda.

Eu caminhei até a pista de dança, que estava lotada e comecei a balançar no ritmo da musica. Antes que eu pudesse me sacudir mais, senti mãos firmes segurando em minha cintura no ritmo da musica por trás.

Eu nem precisei olhar para saber quem era.

Edward.

Edward Cullen me virou de frente para ele com aquele sorriso que eu conhecia desde os dezessete anos, o mesmo sorriso que sempre parecia dizer que o mundo ficaria bem enquanto nós dois estivéssemos juntos.

— Dança comigo?- perguntou em meu ouvido

Eu revirei os olhos, mas não consegui esconder o sorriso.

— Você faz isso de propósito.-sussurei

— Faço o quê?- ele perguntou fingindo não entender, porem o sorriso safado não saia do seu rosto.

— Se aproveitar de musicas latinas para se esfregar em mim em locais públicos — provoquei

Ele inclinou a cabeça ficando a centímetros do meu pescoço.

— Você nunca reclamou antes.- ele sussurro fazendo meus pelos do pescoço se arrepiarem.

Eu suspirei dramaticamente.

Mas coloquei minha mão no peito dele acariciando.

— Só porque você dança bem e é extremamente sexy.- continuei provocando e mordi o labio

— Muito bem, gosto de ouvir isso.- disse Ele rindo.

O toque das mãos de Edward em meu corpo era familiar, natural, como se aquele gesto tivesse sido repetido milhares de vezes ao longo dos anos.

Como se nossos corpos simplesmente soubessem o ritmo um do outro. Edward girou meu corpo devagar, e o vestido rodou ao meu redor enquanto eu ria.

— Você dança como se tivesse sangue latino — murmurei brincando com ele

— Eu sou talentoso em muitas coisas, meu amor- disse ele mordendo o lóbulo da minha orelha

— Você é exibido.- disse dando um tapinha no peito dele.

Ele riu.

A música continuava crescendo ao nosso redor, e algumas pessoas começaram a se juntar à pista, mas naquele momento parecia que existíamos apenas nós dois.

Edward me puxou de volta para perto.

Muito perto.

Eu conseguia sentir o calor das mãos dele na minha cintura e o cheiro familiar do perfume dele.

O mundo inteiro parecia desaparecer quando ele me olhava daquele jeito.

Então a parte da música começou e Edward abriu um sorriso travesso.

E começou a cantar baixinho perto do meu ouvido:

Yo me caso contigo…

Eu soltei uma risada surpresa.

— Você não está cantando isso.- provoquei ele

Mas ele continuou, olhando diretamente nos meus olhos:

Mi nombre suena bien con tu apellido…

Meu coração deu um pequeno salto.

— Edward…

Estoy esperando el primer descuido…

Ele girou meu corpo novamente e me puxou de volta contra ele, nossas testas quase se tocando.

E então cantamos juntos:

Pa’ presentarte como mi marido.

Eu ri, meio sem fôlego.

— Você é impossível.- disse entre risos

— Eu estou apenas sendo romântico.- disse ele beijando a ponta do meu nariz

— Você está sendo dramático.- brinquei e ele arqueou uma sobrancelha, aquelas sobrancelhas perfeitas... Porque tudo naquele homem era perfeito...

— Você ama quando eu sou dramático.- ele retrucou sorrindo torto.

Eu ia responder alguma coisa sarcástica, mas então percebi algo estranho as pessoas ao redor estavam olhando.

Alguns estavam sorrindo e Alice estava literalmente pulando de empolgação perto da mesa. Emmett assobiou alto.

— Cullen! Arrasa!- o grandão gritou

Eu escondi o rosto no ombro de Edward, rindo.

— Eles estão olhando.- disse envergonhada

— Deixa olharem.- ele sorriu — Eu amo que olhem como a gente se completa!

Ele girou meu corpo mais uma vez e me puxou de volta, dessa vez devagar.

A música continuava tocando enquanto nós dois nos movíamos juntos no ritmo.

Edward abaixou a cabeça um pouco.

— Você é minha parceira favorita de dança.- disse ele a centímetros dos meus labios.

— Você diz isso para todas.- brinquei com ele

— Não.- disse ele se aproximando mais da minha boca, ficando a milímetros dela. — Só para você.

Por um momento eu esqueci completamente que estávamos em um casamento. Edward me beijou.

Um beijo quente, intenso, que imediatamente trouxe de volta as mesmas borboletas no estômago que eu sentia desde os dezessete anos....Esqueci as dúvidas, esqueci as perguntas e esqueci o fato de que dez anos tinham se passado sem um pedido de casamento.

Naquele instante… Eu apenas sabia de uma coisa:

Viver com Edward sempre parecia certo.

Sempre.

Como se o mundo inteiro se encaixasse perfeitamente naquele momento. Como se o futuro já estivesse decidido...

Mais tarde, eu, Alice e Rosalie resolvemos sair mais cedo da festa. Eu estava sentada no sofá da casa nova de Alice, segurando uma taça de vinho.

Alice estava sentada no chão cercada por revistas de decoração e bebericando uma taça também. Rosalie estava recostada na poltrona com uma xícara de chocolate quente, a gravidez a obrigava a isso . E eu estava oficialmente no limite.

— Eu não aguento mais isso — murmurei, passando a mão pelos cabelos e Alice levantou os olhos.

— Isso o quê?- perguntou ela

— Eu namoro o Edward desde os dezessete anos — continuei, levantando a voz sem perceber. — Dez anos! Minha mãe casou de novo, meu pai casou de novo, a Leah casou, vocês casaram, minhas amigas do trabalho também, agora o Seth casou depois de quatro meses de namoro e eu continuo sendo madrinha em todos os casamentos! Nunca a noiva...

— Continue, desabafe- disse Rosalie erguendo a caneca lentamente.

— Eu peguei mais de dez buquês!- disse incrédula

— Isso é verdade.- disse Alice piscando freneticamente.

— E nada — disse eu, jogando as mãos para o alto. — Absolutamente nada!

Rosalie trocou um olhar cumplice com Alice, que se levantou lentamente. Cruzou os braços ao redor do corpo.

— Então nós vamos resolver isso.- disse ela com um brilho perigoso nos olhos.

— Resolver o quê?- perguntei franzindo a testa.

— Edward Cullen e o pedido de casamneto- disse ela sorrindo diabolicamente.

— Está na hora de escrevermos um manual.- disse Rosalie erguendo a xicara como se estivesse fazendo um brinde.

— Manual?- Eu pisquei confusa.

— Manual para conseguir um pedido de casamento. -Alice abriu um sorriso conspiratório para a loira gravida que ria.

E naquele momento eu tive a estranha sensação de que a minha vida estava prestes a ficar muito mais complicada...