Manual para ser pedida em casamento
16 Look What You Made Me Do
POV BELLA
O hospital tinha um silêncio estranho.
Não era ausência de som, porque havia passos, vozes baixas, máquinas apitando ao longe… mas ainda assim, existia um tipo de tensão no ar que deixava tudo mais denso, mais pesado, como se o próprio ambiente estivesse esperando alguma coisa acontecer.
E estava.
Todos nós estávamos.
Rosalie estava em trabalho de parto há horas.
E Emmett Cullen… estava à beira de um colapso.
— Eu não posso ficar aqui — ele disse pela décima vez, andando de um lado para o outro no corredor como se estivesse preso dentro de uma jaula invisível — Eu devia estar lá dentro com ela.
— Você foi convidado a se retirado da sala de parto — Alice corrigiu, encostada na parede com os braços cruzados, claramente tentando não rir.
— Eu não fui retirado — ele rebateu, ofendido — eu fui… momentaneamente realocado.
— Ela mandou você sair — Jasper disse, tranquilo.
— Ela gritou comigo!
— Sim — Esme respondeu com calma — Porque ela está em trabalho de parto, Emmett.
— Isso não justifica o tom — ele insistiu, passando a mão pelo cabelo.
Charlie, sentado mais afastado, soltou um riso baixo.
— Filho… você tem sorte de ainda estar inteiro.
Sue concordou com um aceno.
— Eu também teria te colocado pra fora.
— Eu só perguntei se ia demorar! — Emmett se defendeu.
Silêncio.
— Você perguntou isso… durante o trabalho de parto?—Edward arqueou levemente a sobrancelha.
— Eu precisava de uma previsão!— ele disse inconsolável— Eu só queria pegar meus bebês no colo...
— Meu Deus… — Alice murmurou.
Eu não consegui evitar.
Ri.
E aquilo fez Emmett me olhar como se eu tivesse cometido uma traição pessoal.
— Bella!— ele me repreendeu magoado.
— Desculpa — respondi, ainda sorrindo — Mas você mereceu...
Ele bufou, voltando a andar.
Mas dessa vez… eu vi.
Não era só drama.
Não era só exagero.
Era medo.
De verdade.
— E se alguma coisa der errado? — ele perguntou de repente, mais baixo.
O clima mudou.
Esme se levantou e caminhou até ele, segurando o rosto do filho com delicadeza.
— Não vai dar — disse com firmeza — Rosalie é forte.
Carlisle assentiu.
— E ela está sendo acompanhada por uma equipe excelente.
Emmett respirou fundo, tentando se convencer.
Mas não conseguiu.
Voltou a andar.
Mais rápido.
Mais inquieto.
— Eu devia estar lá…
— Você não devia — Alice respondeu.
— Eu sou o pai!
— E você quase desmaiou...3 vezes!— Jasper comentou.
— Isso é mentira!
— Você ficou branco — Edward acrescentou.
— Eu SEMPRE sou branco!
— Mais do que o normal — eu disse.
Ele parou.
— Isso é possível?
— No seu caso? Muito — Alice respondeu.
E dessa vez…ele riu.
Fraco.
Mas riu.
E aquilo… aliviou.
Mesmo que só um pouco.
O tempo passou de forma cruel.
Arrastado.
Pesado.
O relógio parecia parado, como se cada segundo estivesse sendo esticado só para provocar todos nós.
Emmett sentava.
Levantava.
Sentava de novo.
Levantava.
Bufava.
Reclamava.
— Eu não aguento mais isso.
— Vai aguentar — Esme disse.
— Não vou.
— Vai sim.
— Não vou.
— Emmett — Edward chamou, firme.
Ele parou.
— O quê?
— Senta.
— Não.
— Senta.
— Eu não...
— Senta...agora— disse autoritário.
Ele sentou.
Contrariado.
Cruzando os braços como uma criança.
— Isso é abuso emocional.
— Dramático — Jasper murmurou.
— Muito — eu concordei.
E então…o som.
Primeiro baixo.
Distante.
Depois mais claro.
Até que não havia mais dúvida.
Um choro.
Alto.
Forte.
Vivo.
O mundo parou.
— Isso… — Emmett sussurrou, levantando devagar — isso é…?
O segundo choro veio logo depois.
E dessa vez…
ninguém precisou confirmar.
— EU SOU PAI!
A voz dele ecoou pelo corredor inteiro.
Alice riu.
Jasper sorriu.
Esme levou a mão à boca, emocionada.
Carlisle assentiu.
Charlie deu um leve tapinha no joelho.
Sue sorriu orgulhosa.
E Edward…
Edward apertou minha mão.
Forte.
Eu olhei para ele.
E havia algo diferente ali.
Mais profundo.
Mais… cheio.
— Você está pensando nisso também? — perguntei baixo.
Ele não desviou o olhar.
— Em tudo.
Meu coração acelerou, mas antes que eu pudesse responder…a porta abriu.
Algum tempo depois, o quarto estava mais calmo, mais silencioso e completamente transformado.
Rosalie estava deitada, exausta, mas com um brilho que eu nunca tinha visto antes.
E Emmett…
Emmett estava completamente rendido.
— Eles são pequenos demais…parecem dois ratinhos...— ele murmurava, olhando os bebês como se fossem feitos de vidro — eu posso quebrar eles?
— Se você fizer isso eu te mato — Rosalie respondeu, sem nem abrir os olhos.
— Tá bom… não vou quebrar.
Eu ri.
Edward estava ao meu lado.
Silencioso.
Observando.
— Quer segurar? — Esme perguntou enquanto segurava o pequeno Alec .
Eu assenti e quando o bebê foi colocado nos meus braços…
o mundo desacelerou.
Pequeno.
Quente.
Real.
— Oi Alec… — sussurrei, sorrindo sem perceber.
Edward se aproximou, passando o braço pela minha cintura.
— Você fica linda assim — disse baixo.
— Assim como, tio edward? — perguntei fazendo vizinha de criança e sem tirar os olhos do Alec.
— Com o nosso futuro nos braços.— disse ele me dando um beijo no ombro.
Meu coração falhou.
— Edward…— sussurrei virando o meu olhar para ele.
Ele sorriu.
— Eu não vejo a hora.— ele disse encantado segurando a pequena mão do bebê.— De ter o nosso.
Silêncio.
Cheio.
Bonito.
— Você está planejando muito — eu brinquei.
— Eu estou atrasado — ele respondeu.
Encostei a cabeça no ombro dele.
— Então vamos com calma.
— A gente tenta — ele disse — mas eu não prometo nada.
Mais tarde, a sala de visitas estava mais vazio, todos estavam no quarto com rosie e os bebês.
Só nós dois que resolvemos sair um pouco.
Eu estava encostada na janela, tentando respirar normal.
Tentando sentir paz.
E por um momento…eu consegui.
Até o celular tocar.
Número desconhecido.
Meu coração disparou.
— Bella? — Edward chamou.
Eu me afastei e atendi.
Silêncio.
E então…
— Mi sei mancata, amore…
O mundo parou.
— Damon…
— Finalmente — ele disse, baixo — Eu estava esperando.
— O que você quer?
— Você.
Frio.
Direto.
— Eu não pertenço a você.
— Vediamo…—Ele riu — Tem um jatinho te esperando.
Meu estômago revirou.
— Você está louco.— disse séria.
— Não — ele respondeu — Só cansado de esperar você brincar de casinha...Ou você vem… ou eu começo a tirar tudo de você.
A voz dele mudou, mais sombria e meu corpo gelou.
— O que você quer dizer?
— Il tuo Edward… la tua famiglia…os lindos bebês que nasceram agora...
Minha respiração falhou.
— Você tem uma hora.
A ligação caiu.
Eu não pensei.
Só senti.
Medo.
Desespero.
E uma certeza.
Eu não podia arriscar.
— Bella?
Edward.
Atrás de mim.
Eu me virei.
Forçando normalidade.
— Eu vou pegar um café.
— Eu vou com você...
— Não precisa — interrompi — Já volto.
Ele hesitou.
— Rápido.
— Rápido.
E eu saí.
A casa do meu pai estava silenciosa,familiar e pesada.
Eu fui direto, sem hesitar.
A gaveta.
Abri.
A arma estava lá.
Fria.
Real.
— Me perdoa, pai… — sussurrei.
Peguei.
E saí sem olhar para trás.
O endereço chegou.
Eu não hesitei.
Não pensei.
Só fui.
Porque naquele momento…
não era sobre mim.
Era sobre proteger quem eu amava.
Mesmo que isso significasse…
me entregar ao perigo.
E pela primeira vez…eu não estava com medo do Damon.
Eu estava com medo de quem eu estava me tornando.
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