Manual para ser pedida em casamento
17 I’m Bigger Than My Body
POV BELLA
O hangar estava vazio.
Silencioso demais.
O tipo de silêncio que não era paz… era aviso.
O vento atravessava o espaço aberto, fazendo um som baixo e contínuo, quase como um sussurro constante que dizia que eu não deveria estar ali. As luzes frias refletiam no chão de concreto, criando sombras longas e distorcidas, e por um instante eu tive a sensação absurda de que estava sendo observada de todos os lados.
Mas não era uma sensação.
Eu estava.
Minha mão apertava a arma dentro da bolsa com força, os dedos tensos, frios, enquanto meu coração batia rápido demais no peito, como se já soubesse que aquilo não terminaria bem.
— Sei venuta… — a voz veio atrás de mim, baixa, calma, perigosa — Brava ragazza.
Eu fechei os olhos por um segundo antes de me virar.
Damon.
Encostado em um dos pilares metálicos, como se tivesse todo o tempo do mundo, como se não houvesse urgência, como se aquilo fosse apenas mais um encontro casual e não… aquilo.
Ele estava impecável.
Sempre estava.
Mas agora… eu via.
Via o que estava por trás.
— Você está doente — eu disse, firme, mesmo com a voz traindo um leve tremor.
Ele sorriu.
Devagar.
— E você demorou — respondeu, ignorando completamente a acusação — Achei que viria mais rápido.
— O que você quer?
— Você.
Direto.
Sem vergonha.
Sem máscara.
— Eu já disse que...
— Não — ele me interrompeu, dando um passo à frente — Você disse muitas coisas, bella… mas nenhuma delas foi verdadeira.
Meu estômago revirou.
— Você não pode decidir isso por mim.
— Posso — ele respondeu com calma absurda — Porque eu te conheço melhor do que você mesma.
Aquilo me atingiu de um jeito estranho.
Errado.
— Você não me conhece.
Ele inclinou levemente a cabeça.
Observando.
Como se estivesse analisando cada reação minha.
— Eu conheço você desde o primeiro dia que você entrou naquela revista — disse.
Silêncio.
O mundo parou.
— O quê?
Ele deu mais um passo.
Sem pressa.
— Primeiro dia. Primeiro texto. Primeira reunião onde você discordou do editor chefe na frente de todo mundo.
Meu coração falhou.
— Você estava lá?
— Sempre estive — ele respondeu.
Frio.
Simples.
— Eu te observei crescer. Te observei se destacar. Te observei se tornar… interessante.
O ar ficou mais pesado.
— Isso é… doentio.
— Isso é atenção — ele corrigiu.
— Isso é obsessão.
Ele sorriu.
— Finalmente.
Silêncio.
— Eu sempre gostei de mulheres difíceis — continuou — mas você… você não era só difícil.
Mais um passo.
Mais perto.
— Você era impossível de ignorar.
Minha respiração ficou irregular.
— Você manipulou Capri… — eu disse, sentindo a ficha cair, pedaço por pedaço.
Ele não negou,nem por um segundo.
— Claro que sim.
Meu coração disparou.
— Eu sabia que você iria — ele disse — sabia que você precisava fugir. Sabia que aquele relacionamento perfeito demais estava te sufocando.
Edward.
Meu peito apertou.
— Eu só… te dei o cenário certo.—ele sorriu piscando.
— Você manipulou tudo.—gritei.
— Eu criei oportunidades...Te dei o conto de fadas que você queria.— ele disse sorrindo.
— Você é um psicopata.—gritei.
Ele riu.
Baixo.
— E mesmo assim você ainda veio.— provocou.
Silêncio.
Pesado.
Irrefutável.
— Porque você sabia que eu viria — eu disse, mais baixo agora.
— Sempre sei — ele respondeu.
Meu corpo inteiro gelou.
— Assim como eu sabia… — ele continuou, os olhos descendo lentamente até a minha bolsa — Que você viria armada.
Minha mão travou.
Ele levantou os olhos de volta para mim.
Sorrindo.
— Non spari — disse, se aproximando ainda mais — perché non vuoi davvero farmi del male.
Eu puxei a arma.
Apontei.
Minhas mãos tremiam.
— Não chega mais perto.
Ele parou.
Mas não recuou.
— Bella…
Mais baixo.
Mais perigoso.
— Se você fosse atirar… já teria feito.
Silêncio.
Meu dedo no gatilho, meu coração descontrolado e ele deu mais um passo.
— Katherine também fez isso — disse, casual demais.
Meu estômago virou.
— O quê?
— Tentou me enfrentar — continuou — Tentou ir embora.
Mais um passo.
— Não deu certo.
Minha respiração falhou.
— E Elena…
O nome caiu pesado.
— Ela achou que podia escolher meu irmão.
Silêncio.
Mortal.
— Também não deu certo.
O ar sumiu dos meus pulmões.
— Você… matou elas?
Ele inclinou a cabeça.
Pensativo.
— Eu corrigi situações.
Meu corpo inteiro gelou.
E foi nesse segundo…que eu entendi.
De verdade.
Eu não estava falando com um homem apaixonado.
Eu estava falando com alguém perigoso.
Instável.
Obcecado.
— Você vai sair daqui comigo — ele disse, finalmente.
A frase veio como uma sentença.
— Eu não vou a lugar nenhum com você.
Ele sorriu.
Devagar.
— Già sei che non è vero.
Eu dei um passo para trás, mas era tarde.
Movimento rápido.
Um braço.
Um impacto.
O mundo girou.
E tudo ficou escuro.
POV EDWARD
— Ela não voltou.—sussurrei em choque.
O silêncio caiu na sala.
Pesado.
Errado.
— O quê? — Alice perguntou.
— Ela disse que ia pegar um café — eu respondi, já pegando o celular — Já faz tempo demais.
Meu coração já sabia.
Antes mesmo da minha cabeça aceitar.
— Edward… — Esme chamou.
— Não.
Eu já estava andando.
— Não, não, não…
— Edward—!
— Ele pegou ela.—A frase saiu baixa, mas destruiu tudo.
Horas depois…ninguém respirava direito.
Até que…a tela acendeu.
Stefan.
— Eu sei onde ela está — disse, sem rodeios.
O mundo parou.
— Onde? — minha voz saiu mais dura do que eu pretendia.
Ele hesitou.
— Itália.— ele disse sério.— Toscana.
Meu sangue gelou.
— O que ele quer?
Stefan fechou os olhos por um segundo.
Como se aquilo também fosse difícil pra ele.
— Ele disse que vai se casar com ela.—disse ele preocupado.
O mundo…
parou de verdade.
—Só por cima do meu cadáver...— eu disse.
E pela primeira vez…
não era uma promessa.
Era uma sentença.
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