Manual de como não ser bem-sucedido

9 Capítulo 9: O Desafio do Home Office (E o Fiasco do Café)


Ah, o home office… o sonho de qualquer pessoa que já tenha olhado para o despertador e pensado: “Quer saber? A cama é meu lugar, o trabalho que se vire”. No início, parecia incrível. Sem o horror de sair de casa, sem o sofrimento de engolir o café do posto e ser forçado a interagir com outros seres humanos que, honestamente, eu não queria nem saber o nome. O home office era, basicamente, um nirvana de liberdade. O problema é que, como toda liberdade, ela vem acompanhada da falsa sensação de que podemos fazer absolutamente qualquer coisa. E é aí que a cagada acontece.

Acordei 5 minutos antes da reunião.

Quem diz que precisa de mais de 5 minutos para se preparar para uma reunião virtual? Se você se arrumar, o chefe não vai saber que está usando a mesma camiseta de ontem e que seu cabelo parece o reflexo de uma árvore após um furacão. Quem é que precisa de 30 minutos para estar preparado? Eu só precisava de uns 5 minutos. Claro, o despertador tocou 5 minutos antes da reunião, mas não, não é um problema, porque o que é 5 minutos, né? É só colocar uma camisa social por cima do que já estou usando. Ninguém precisa saber que a parte de baixo é um combo de pijama, pantufas e… ok, só a camisa social salva.

Dei aquela olhada rápida no espelho e, com a mesma animação de quem vai para uma festa, olhei meu cabelo bagunçado e pensei: “É só uma reunião virtual, ninguém vai ver isso”. Logo, estava na frente da câmera, me sentindo um puro luxo, até que fui pegar o café e… levantei da cadeira sem perceber que minha cueca estampada com dinossauros estava na vista de todo mundo. Quem diria que a palavra “profissional” e “dinossauro” não combinam? A reunião parou por um segundo e, claro, ouvi algumas risadinhas. Mas, como um profissional de home office que sou, fiz de conta que nada havia acontecido. A reunião continuou como se nada tivesse ocorrido. Afinal, no home office, o que é um pouco de vergonha, não é mesmo?

Fazer uma pausa para ver uns episódios da Netflix

.Eu, no auge da minha autossuficiência, decidi que merecia uma pausa. Porque, sério, quem não merece uma pausa depois de 2 horas de “trabalho” em casa? Dei play em uma série qualquer. São só 10 minutinhos, né? Bom, 10 minutos é só o tempo de um episódio de 15 minutos. E, claro, me perdi. Mas, tudo bem, é só uma série, nada de errado em pegar um pedacinho de diversão no meio do dia de trabalho. O problema é que, em 4 episódios, percebi que minha vida inteira passou e nada de trabalho foi feito. “Ah, mas estou descansando a mente”, me consolei. Porque quem nunca usou a desculpa do descanso mental para fugir das responsabilidades?

Fazendo faxina durante o expediente.

E aí, se é home office, claro, aproveito para dar aquele trato na casa. Já que estou em casa mesmo, por que não deixar a casa impecável? Entre um e outro episódio de série, entrei no modo “multitarefa” e fui limpando a casa. Passei o aspirador, dei uma organizada na cozinha, e pensei: “Amanhã, talvez eu faça algo produtivo, mas pelo menos a casa vai estar brilhando.” Claro, porque o que importa é parecer ocupado, não é mesmo?

Claro que a faxina não foi concluída. Não só a faxina não foi feita, como eu também não fiz absolutamente nada de trabalho. Como sempre, a tarefa ficou para depois. Porque a verdadeira produtividade é, sem dúvida, criar um ambiente propício para não fazer nada, certo?

Conclusão Final:

A verdade sobre o home office é que ele é uma armadilha. Porque a liberdade de trabalhar de casa vem com o grande poder de fugir de todas as responsabilidades. E, no fim, você fica sentado na sua cadeira, de cueca estampada, se perguntando: “Como diabos cheguei aqui?” Mas, sério, quem precisa de 30 minutos para se preparar para uma reunião quando se pode fazer tudo de última hora e ainda parecer o maior dos desleixados? Home office, meu amigo, é o paraíso para os procrastinadores. E, enquanto eu escrever esse capítulo em vez de responder aquele e-mail, vou só me convencer de que estou fazendo um ótimo trabalho em criar conteúdo criativo para o meu futuro livro.

Ah, claro, esse livro. Com ele, finalmente, vou ficar famoso. O mundo vai me reconhecer, vou ser a estrela do momento e, quem sabe, até posso fazer aquele TEDx sobre procrastinação criativa. E aí, meus caros, nada mais vai me impedir de procrastinar em paz. Quer saber? Vou virar o novo guru da produtividade – só que, ao contrário. Porque, no fim, todo o meu esforço vai ser recompensado com fama, sucesso e o prazer eterno de fazer absolutamente nada enquanto todos acreditam que sou o mais produtivo dos seres humanos.

Mas, claro, esse “sucesso” vai chegar logo depois que eu terminar todos os episódios da minha série, quem sabe na próxima semana… ou mês.