Manual de Sobrevivência na Ilha dos Perdidos
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Bob fica acocorado, com seus olhos fixados em sua casa. Ele tira sua touca cinza e a pressiona no peito. Ele estava em pânico, mas seu semblante estava triste.
Wendy permanecia paralisada. Pac segura a mão de Wendy. Ela aceita sua atitude, e encosta sua cabeça em seu ombro.
A casa de Blake era a última da fileira. Ainda não pegava fogo completamente.
Ela não pensou. Correu.
— Blake?! Blake, volte aqui! — Wendy grita tentando correr atrás dela, mas é barrada por Pac.
Desesperada, a jovem gira inúmeras vezes a maçaneta de sua casa mas sem sucesso. Ela olha ao redor, e vê a janela de vidro aberta a sua altura. Ela passa segundos raciocinando. Blake arromba a porta. Sobre as escadas tossindo, havia fogo por toda a parte. Ao chegar ao quarto abre a larga gaveta de seu armário e pega um pé de cabra. Corre para uma caixa metálica cinza, o cofre da mãe, e tenta abri-lo com o objeto pego a instantes. Falha em todas as suas tentativas. Joga pela janela do quarto o pé-de-cabra, e já zangada resolve levar o próprio cofre para fora. Blake é parada pelo teto do lado de fora do quarto que desaba pegando fogo. Só resta a janela de seu quarto como saída. Era alto. Porém, o teto da casa ao lado era como uma rampa. Ela olha para baixo. O rapaz de gorro de hoje cedo deve ter se quebrado inteiro ao descer. Blake deveria estar sentindo uma pontada de culpa, mas não sentia. Ela olha ao redor, tensa, procurando ao redor algo que podia ajuda-la, uma corda, uma escada... QUALQUER COISA! Blake olha novamente para fora da janela, tentando lidar com o fato de que alguma hora teria de cair lá embaixo, e se estatelar. Realmente, seria melhor quebrar um braço ou uma perna que ser incinerada. O destroço que mantinha Blake presa em seu quarto começara a fazer o chão do quarto rachar.
Blake corre para o espelho de seu quarto. Não se via muito bem, por conta da fumaça. Ela diz para si mesma:
— Você é uma vilã corajosa! UMA VILÃ CORAJOSA! — Blake estapeia forte seu rosto. Começa a gritar em direção a janela, quando tropeça em seu colchão. Ela para na hora e olha por instantes o objeto que a barrou, raciocinando.
— Blake! Você está aí? — Wendy grita do lado de fora do quarto de Blake esperançosa por uma resposta. — Blake... — Wendy abaixa sua cabeça.
— WENDY!
— BLAKE! — Wendy procura de onde vem a voz.
— SAAI DA FREENTEE! — Blake grita descendo o teto da casa vizinha fazendo-o de ladeira em cima de seu colchão, carregando com as duas mãos o cofre.
Wendy joga-se para a direita, uma telha se enrosca no colchão, fazendo-o parar no caminho, e fazendo Blake e o cofre de sua mãe, caírem no meio-fio. O escorrego improvisado estava muito plano até a telha fora do lugar... Wendy corre em direção a amiga. Logo, Pac e Bob aparecem, e param no meio do caminho.
Blake levanta seu rosto. A fonte de sua cabeça estava sangrando, o lado esquerdo de seu maxilar estava em carne viva. Ela se levanta rapidamente e agarra o cofre.
Wendy corre em direção a Blake.
— Oh, Deus, Blake! Eu fiquei tão preocupada...
— Se acalma, eu estou aqui agora, não estou? — Blake, agora em pé, assegura a Wendy.
— É... Está... — Wendy sorri.
O teto da casa de Blake desaba, arremessando escombros com fogo para todos os lados, um deles, de tamanho colossal, acerta Wendy de maneira brutal, envolvendo quase todo o seu corpo. Blake vira para Wendy, e começa a procurá-la.
— Wendy? — Ela se levanta para procurar sua amiga, até que pisa na mão dela, a única parte do corpo que sobrara inteiro. Blake encara a mão cheia de anéis. Sua expressão era de completo horror. Ela cai ajoelhada, suada e aterrorizada. Seus olhos permanecem arregalados. Suas mãos vão vagarosamente até seu rosto. De repente, Aparecem Pac e Bob, escalando o muro e resgatando Blake daquela zona da morte. Enquanto Bob levanta Blake e leva-a para longe, Pac consegue ver a mão de Wendy para fora do escombro. Ele fica boquiaberto e logo corre seguindo Bob e Blake.
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Blake Justice, Bobby Belmont e Pac Daniels localizavam-se no momento numa carruagem de carga, escondidos entre os sacos de açúcar que o proprietário da locomotiva obviamente roubara. Quando a carruagem começara a andar, Blake sai do meio dos imensos e moles sacos de açúcar e fica na ponta da carruagem, observando de muito longe o imenso castelo de Auradon. Pac chega de fininho e comenta, quebrando o silêncio:
— Naquele lugar, com certeza quem sofresse acidentes como este, seria levado por uma maca e seria cuidado de maneira mais apropriada. Não me pergunte como sei disso. — Ele ri, descontraído.
—Pac... Eu não tô no clima.
—Eu sei, eu... Sinto muito pela Wendy. Ela tinha tanta compaixão...
— Pac. Não acha escroto alguém acabar de morrer e você ficar por aí ressaltando os defeitos dela?
— Bom, eu... Só acho que compaixão é o antônimo de descompaixão, e não é o que você quer que eu aparente sentir por ela agora. Então, compaixão é realmente uma limitação pra você?
Há segundos de silêncio, certamente Pac começara a raciocinar o que acabara de falar.
— O que eu quero dizer é...
— Cale-se! Se eu tô quase pulando da carruagem, certamente meu objetivo é ficar sozinha! — A carruagem começa a andar mais rápido.
— Saquei. Desculpa...
— Desculpa... Esse cara tá vendo séries de Auradon demais... — Pac ouve, e retorna para a ponta da carruagem, agora mais sério.
— Ao menos, em Auradon, as pessoas tem respeito e são gentis.
— Que se exploda! Auradon e seu... Respeito e gentileza! — Blake aumenta consideravelmente seu tom de voz. — A carruagem aumenta sua velocidade. Ela parecia péssima. Pálida, seu rosto estava cheio de fita isolante, tapando seus ferimentos. Na hora, Bob aparece entre as sacolas.
— Pessoal!
— Eu sei o que vai dizer, que a Wendy não gostaria que nós brigássemos por causa dela. — Pac adivinha.
— Bom... Na verdade ela gostaria sim, a Wendy gosta... Gostava de uma briga. Eu vim aqui dizer que estamos quase chegando.
—Para onde vamos mesmo?
— Desde que a carruagem não faça curva alguma, para a casa de um colega meu, das antigas. Enfim... Que droga isto ter acontecido... Nosso lar destruído, nossa grande amiga morta...
— É... Isso sempre acontece com gente ruim. Eu tenho que aprender. — Blake reflete. — Ela era uma vilã brilhante... Tinha um futuro maléfico e bem-sucedido pela frente...
— Ela ainda tem... Só não será aqui, neste mundo. Pense bem! Onde quer que ela esteja agora, do jeito que é esperta, se tornará a Dona do Pedaço logo, logo.
— Com certeza, ela será como uma Malévola do Inferno. — Pac comenta.
— Olha, não me leve a mal. Mas estou farta de historinhas como esta, de inferno e coisas deste tipo.
— Blake... — Bob com uma cara de "Não diga isso..."
— Bob! Eu ouvi o ranger de seus ossos após a queda do destroço, Wendy virou pó. Virou pó na MINHA FRENTE! — Ela faz esforço para manter a cara séria enquanto as lágrimas desciam, ela lembrava novamente do som que ouvira quando estava se recompondo da queda, lembrava de seu estômago revirando. Ela vira seu rosto e consegue ver além do horizonte, olhando para o castelo de Auradon, ferve em ódio ao sentir o quanto as pessoas de lá são mais felizes que as daqui. Ela nunca teve tanta incerteza do que faria no momento.
—Blake... Que merda, não faça assim...
Blake pula da carruagem, a mesma em alta velocidade.
— BLAKE! — Os dois rapazes gritam em uníssono ao ver a inconsequente atitude da garota.
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