Manual de Sedução Ii - do You Love Me?
5 Capítulo 5 - Porque não consigo te esquecer?
- Sr. Milo Seferis, é um grande prazer revê-lo! – Falou o homem assim que o loiro adentrou seu sóbrio e belo escritório. Milo sorriu o seu melhor sorriso ao rever seu velho amigo e quem sabe, um importante aliado contra Shion.
- Sr. Minos de Griffon, o prazer é todo meu! – Cumprimentou se aproximando e apertando sua mão.
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- Gostaria de me acompanhar? – Minos perguntou a Milo enquanto se dirigia a um pequeno bar em seu escritório.
- Dry Martini. – Pediu com um sorriso largo nos lábios.
- É claro... – Minos sorriu também e pegou a bebida para ambos, voltando a sentar em sua mesa. – Pensei que ainda estivesse no Japão. – Comentou.
- Eu não fui ao Japão. Cancelei a viagem.
- Mas por quê? Não me diga que seu cliente desmarcou?
- Não. Na verdade fui eu quem desmarcou. Eu estou passando por momentos pessoais muito delicados, Minos. – Minos balançou a cabeça como se já imaginasse o porquê.
- Suponho que seja em relação ao tal francês.
- Exatamente.
- Devo admitir que você é um homem tão teimoso quanto eu, Sr Seferis. – Riu um pouco. Milo o acompanhou.
- Você sabe, eu nunca perco um cliente.
- Sim, mas o francês não é seu cliente.
- Não deixa de ser. No caso dele, eu sou o meu próprio cliente e ao mesmo tempo meu próprio fracasso. – Deu um meio sorriso amargo. Minos se aproximou da mesa, apoiando-se nela.
- Não acha que já está na hora de desistir? Ora, Milo! Você pode ter quem quiser, porque ainda insiste nessa história?
- Seria ótimo, seu eu pudesse. Mas as coisas agora estão um pouco mais complicadas, Minos.
- Mais complicado do que já era? – Surpreendeu-se.
-Sim, sinceramente... eu já estava prestes a desistir mesmo. – Milo disse, lembrando-se da conversa com Aioria.
Flash Back
Naquela noite eu fui violentado de todas as formas, tanto física quanto moral e emocionalmente. Levei muito tempo para me recuperar de tudo, e por isso mesmo eu me afastei ainda mais do Camus. Eu sei, foi covardia, mas o que eu poderia fazer? Eu fiquei com medo. Acho que por isso acabei fazendo psicologia... ajudar os outros se tornou um tipo de terapia para mim, dessa maneira eu expiava um pouco de minha culpa, como também tentava superar meus traumas.
- Eu não posso fazer nada. Eu não farei nada.
- Mas Milo...
- Não dá Aioria! Não depois de tudo o que eu passei para protegê-lo! Não dá pra de repente jogar tudo para o alto e expor o Camus desse jeito! Não dá! Acabou! Acabou!
Fim do Flash Back
- Eu estava prestes a desistir Minos, estava convencido de que nunca conseguiria reconquistá-lo, fazê-lo acreditar em meus sentimentos.
- E o que te fez mudar de idéia?
- Hunn... talvez a sensação de injustiça, a sensação do perigo e, claro, a insistência de um amigo. – Disfarçou e sorriu, lembrando-se de Aioria. Minos, porém, não entendeu nada e continuou olhando para o loiro interrogativamente. - Pensei muito antes de vir aqui, Minos. – Sorveu enfim um pequeno gole da bebida, pensando bem no que diria. – E resolvi que devo ser franco com você, até porque não tenho outro jeito de te falar o que tenho para dizer.
- E o que você tem para me dizer? — Minos franziu o cenho, estranhando, e sorveu também uma pequena dose de sua taça.
- Não estou aqui para te enrolar, então vou ser direto: Eu preciso de um favor seu. – Milo se ajeitou na cadeira, colocando a bebida na grande mesa de madeira. Ambos ficaram em silêncio por uns segundos. Minos olhava intensamente para Milo, como se estivesse estudando-o e Milo, mesmo muito nervoso, manteve com ar natural.
- Prossiga... – Minos pediu um tanto curioso.
- Você conhece o empresário Shion Lamure?
- Não pessoalmente, mas seu nome não me é estranho.
- Ele é um grande empresário, mas não é isso o que quero dizer. Eu conheço o Shion desde que sou um adolescente. Eu estudei com o filho dele, Shaka, mas ele não gosta muito de mim. E... bem, ele agora está fazendo negócios com o Camus e foi assim que nos reencontramos. Eu, eu gostaria muito de voltar a ver o Shaka, mas infelizmente eu não posso. Eu tive uma conversa com ele pelo telefone, mas só consegui utilizando uma amiga para isso. Como disse, ele não gosta muito de mim.
- E porque?
- Bem, digamos que eu não tenho uma boa fama. Eu era um adolescente muito... animado. – Sorriu. – E o Shion sempre foi um homem muito conservador, e criou o filho para ser também.
- Entendo, ele acha que você não é uma boa influência para o filho.
- Exatamente.
- Imagino o que você não tenha feito para que ele conservasse essa ressalva até hoje. — Comentou, sorrindo malicioso. Milo riu.
- O pior é que, dessa vez, eu sou totalmente inocente! Eu não fiz nada! – Minos riu um pouco mais alto.
- Você nunca é totalmente inocente, Milo! Mas então, porque você quer tanto se encontrar com esse Shaka? –Milo suspirou.
- Você pode até não acreditar, mas Shaka é a chave para Camus... descobrir a verdade. – Milo hesitou um pouco. – Descobrir que eu não sou o monstro que ele pensa.
- Hunn... – Minosvoltou ao bar, pegando mais uma bebida e depois voltou ao seu lugar. – Então Milo... eu estou planejando dar uma festa em minha casa e, bem... seria interessante convidar esse tal Shion, você acha que ele traria o filho?
- Convide o Camus também, eu faço com que ele leve o Shaka. – Milo comentou, animado.
- Certo, eu permito que você promova o reencontro de estudante em minha festa. Mas somente com uma condição. – Minos disse seriamente. A alegria de Milo esfriou completamente ao ouvir a última frase.
- Que condição?
- Que me conte o segredo que está por trás disso. É justo, não? Se eu vou te ajudar a resolver seu problema, nada mais justo que eu saiba qual é o problema de fato a ser resolvido. – Comentou naturalmente enquanto sorvia outro gole de sua bebida.
- Bem... eu... – Milo não queria ter que contar tudo, já tinha gente demais sabendo de toda aquela história e era possível que se ele soubesse o quão perigoso Shion era... talvez Minos desistisse de ajudá-lo.
- Você pode começar me explicando porque motivo Shaka pode mudar a impressão de Camus sobre você. É essa a verdade de que falou, não é? — Perguntou, percebendo a relutância do outro.
- É... Shaka pode. – Confirmou hesitante.
- E porque?
- A história é muito longa Minos...
- Tenho todo o tempo do mundo. Aceita outro Dry Martini? – Interrompeu Milo, deixando claro que queria a verdade. Milo suspirou, percebendo que não teria outro jeito.
- Aceito. – Concordou, afinal precisava da ajuda de Minos e sem dizer o que ele queria, provavelmente ele não o ajudaria.
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Aquele dia tinha sido realmente desgastante. Além de ter passado a noite em claro e toda a manhã dentro daquele carro desconfortável, ficou um tempão de vigia para só depois conseguir as fotos que provavam o saque em sua casa. E depois, relembrar mais uma vez toda aquela história o deixava extremamente cansado, mas o sacrifício valeu à pena. Minos, apesar de inicialmente ter ficado incrédulo com a história, aceitou ajudar Milo. E o fato de não poder voltar para casa também o deixava extremamente cansado. Teria que voltar para aquele hotel vagabundo e, realmente, não estava com a mínima vontade de atravessar a cidade. Então, mesmo sabendo que poderia estar sendo vigiado, procurou um bar por ali mesmo e se sentou para comer e tomar umas cervejas.
O lugar era muito agradável e discreto e Milo se sentiu seguro o suficiente para ficar ali até umas duas da manhã, até que Aioria, preocupado, resolveu ligar para o seu celular.
- Sai daí agora cara! ‘Ta’ maluco!?! Esqueceu do Shion?? – O amigo leonino deu uma bronca no loiro.
- Não Aioria, eu não esqueci. – O loiro mais balbuciava do que dizia, cansado e já um pouco bêbado. – Eu só queria... relaxar um pouco, não posso? – Perguntou sonolento enquanto mordiscava uns aperitivos. – E precisava comer alguma coisa que não fosse aquela merda que servem naquela espelunca que chamam de hotel! – Reclamou com um pouco mais de força.
- Você pode comer, relaxar, ficar bêbado se quiser.... mas em local seguro!!
- ‘Ta’ legal mamãe... já estou indo. – Reclamou, chamando o garçom e pedindo a conta.
-Milo, isso é sério!! Você sabe o quanto é sério!!
- Eu sei, eu sei. – Tinha que dar razão ao amigo. – E você, onde está?
- Na casa da Marin. Você tem certeza que não quer vir pra cá? Está tudo tranqüilo por aqui.
- Não, não quero que ele associe você a mim, ou até mesmo ela a mim. Não tem problema, eu vou para aquele hotel mesmo. – Falou enquanto pagava a conta.
- Você tem certeza que não está sendo vigiado?
- Tenho, quer dizer, acho que tenho. Bom, se eu aparecer morto, vocês já sabem. – Brincou.
- Não fala isso nem de brincadeira Milo!! – Reclamou o moreno, gritando.
- Relaxa amigo, foi só uma brincadeira! Você está muito nervoso. Aproveita que está aí e namora um pouco e vê se relaxa também! Eu vou pegar um táxi, está bem? Bem escondidinho. – Riu.
- Está bem. – Suspirou um pouco indignado pelo comportamento do outro. – Escuta, como foi lá?
- Deu tudo certo, o cara aceitou me ajudar.
- Ah graças a Deus!
- Pois é! Eu vou desligar, vou pegar o táxi. Boa noite e aproveita hein. – Aioria riu.
- Valeu, se cuida! Boa noite.
- Ah! Não se esquece de me ligar quando chegar.
- Ok, mamãe!! Vou levar o casaco também, taaaa? – Zombou.
- Sem graça! – Mas acabou rindo junto de Milo.
O loiro dormiu durante todo o trajeto do táxi. Ele estava “morando” temporariamente num quarto de hotel na cidade vizinha e, por mais horroroso que aquele lugar pudesse ser, era o mais afastado de Shion que pôde conseguir, lhe dando mais segurança.
Estava tão cansado que assim que deu o endereço ao motorista, recostou-se no banco traseiro e apagou. O trajeto até a outra cidade durava uma hora e meia onde o loiro pôde dormir um pouco, mas para Milo aquele tempo passou tão rápido que nem acreditou quando o motorista o acordou avisando que já tinham chegado ao destino.
Subiu um lance de escada preguiçosamente enquanto praguejava mentalmente contra o porteiro da espelunca que também dormia e não queria acordar para entregar a chave. Tudo bem que já era tarde, mas ele era pago para receber os infelizes, quer dizer, os hóspedes que chegasse a hora que.... estancou o passo ao entrar no quarto. Será que estava tão bêbado a ponto de ter uma alucinação?
- Camus? – Chamou, mais para ter certeza de que não estava tendo uma miragem do que para falar com o outro.
- Olá Milo. – O ruivo estava sentado numa poltrona velha olhando diretamente para o loiro. Milo piscou algumas vezes, olhou para trás e logo entrou fechando a porta atrás de si.
- O que faz aqui? – Perguntou estranhando a presença dele ali.
- Queria falar com você. – Disse tranquilamente.
- E como me achou?
- Aioria me deu o endereço. – Milo bufou. Claro, fez uma nota mental para não se esquecer de matar aquele idiota!
- Como conseguiu entrar?
- Nada que vinte dólares não resolvam...
- Merda de espelunca. – Milo pensou contrariado - E o que você quer? – Perguntou enquanto se dirigia até uma cômoda, depositando algumas coisas, sem olhar para Camus.
- Já disse, quero conversar com você. – Levantou-se e se aproximou de Milo, buscando seu olhar. – A propósito, o que faz nessa espelunca?
- Estou morando aqui. – Respondeu secamente evitando o olhar do ruivo.
- Como assim morando aqui? E a sua casa? – Perguntou arqueando uma sobrancelha.
- Pra que quer saber, hein Camus? Você não vai acreditar em mim mesmo... – Milo explodiu.
- Está bem, se não quer dizer tudo bem. – Suspirou. – Eu vim aqui falar com você sobre um convite que recebi.
- Convite? Que convite? – Milo arqueou uma sobrancelha.
- O Senhor Minos de Griffon mandou um aviso para o meu escritório dizendo que estou convidado para uma festa na casa dele.
- Hunn... bom pra você! – Disse, surpreso com a rapidez de Minos em fazer o convite.
- É, só que o convite veio no nosso nome.
- Como assim?
- Eu não sei, imaginei que você soubesse.
- Eu? Porque eu?
- Não sei, eu nem sabia que esse homem me conhecia.
- Ah sei lá Camus. – Disse entrando no banheiro sem porta do quarto. – Vai ver o cara quer fazer festa com os empresários. Essas coisas de empresários.... – Soltou apressadamente, lavando o rosto.
- Mas como ele sabe que nos conhecemos?
- Porra Camus! E como eu vou saber? – Irritou-se.
- Está bem, desculpa! Nossa, mas você está muito nervoso!
- Eu estou cansado! – Disse tentando recompor-se. – Você pode virar, eu quero tomar um banho! – Disse já retirando a camisa. Camus corou e logo se virou, olhando a janela. Ouviu o chuveiro ligar e então suspirou.
- Milo? – Chamou enquanto olhava a rua pela janela.
- O que foi? – Perguntou já mais relaxado.
- Eu queria.. te pedir... – Hesitou.
- Pedir o que, Camus? – Perguntou sem reparar no tom hesitante do ruivo.
- Eu queria pedir... desculpas. – Se Milo estivesse vendo seu rosto, poderia notar como ele estava corado e envergonhado. Mas ele não precisou ver para se assustar com o que o outro disse. Olhou para Camus pela porta, ainda debaixo d’água, e o viu de costas olhando pela janela com as mãos no bolso.
- Como é? – Perguntou surpreso.
- Eu queria te pedir desculpas. – Camus se virou automaticamente, querendo falar olhando-o nos olhos, mas se assustou ao vê-lo nu e rapidamente se virou novamente corado.
- Desculpas pelo que? – Perguntou lavando o cabelo, mas ao menos tempo olhando atentamente para Camus.
- O que aconteceu na minha biblioteca... eu... eu cometi um grave erro. Espero que me perdoe.*
- Ah.. é isso. – Milo apenas balbuciou por não saber o que dizer.
- Sim, é isso. – Camus abaixou a cabeça, envergonhado. – Eu perdi o controle, fui horrível, eu realmente sinto muito. – Milo ouvia, mas não sabia o que dizer.
- É...- Balbuciou, mas Camus prosseguiu.
- As coisas ficaram muito confusas para mim, Milo. Na verdade, ainda estão. Eu sei que isso não justifica o que eu fiz, e eu me sinto tão mal por tê-lo feito passar por aquilo. Eu pensei num monte de coisas pra te dizer agora, mas nenhuma delas justifica realmente o que eu fiz. Nada justifica, então... eu.. eu só queria...
- Tudo bem Camus. – O ruivo ouviu a voz de Milo tão perto que se assustou, virando-se para ele. Milo já estava seco e com uma bermuda. – Quer dizer, não que esteja tudo bem, mas... eu entendi o que você queria dizer. E eu te desculpo pelo que fez. Vamos dizer que, de certa forma, ficamos empatados. – Disse um tanto sem graça.
- Eu não fiz aquilo para descontar o que...
- Ah não? Então porque fez? Olha Camus, se estamos pedindo desculpas, então vamos fazer isso direito, está bem?
- Eu concordo, mas eu estou falando sério, não fiz para me vingar... eu não pensei... me deixei levar pela emoção, pelo calor do momento, pela raiva, pelo ódio... – Camus disse olhando para as próprias mãos , mas só percebeu o quanto estava magoando Milo quando voltou a olhar para os seus olhos e viu neles uma profunda tristeza.
- Eu não sabia que me odiava tanto assim...
- Não Milo, não foi isso o que eu quis dizer. Eu não odeio você. Eu odeio as coisas que você me fez passar.... – Milo riu incrédulo, desviando o olhar.
- Sei... olha Camus, eu realmente estou muito cansado, então... se foi só para isso que veio aqui, eu gostaria realmente que você fosse embora. Eu te desculpo, está tudo bem. Então, por favor. – Pediu, indo até a porta e abrindo-a, indicando que Camus saísse.
- Está bem Milo, eu vou deixar que você descanse. – Disse indo até a porta. Tentou olhar nos olhos de Milo, mas este desviou o olhar. – Nós vamos à festa? – Perguntou obtendo a confirmação de Milo com apenas um aceno de cabeça. – Boa noite Milo.
- Boa noite. – Disse secamente e fechou a porta atrás de si, encostando-se nela, completamente arrasado.
- Porque eu não consigo te esquecer Camus? – Murmurou baixinho, deixando uma única lágrima correr por seu rosto.
Continua...
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