Manual de Sedução Ii - do You Love Me?

21 Capítulo 21 - A volta de um passado sombrio


Sim, eu o encontrarei na sala. – Respondeu e logo o segurança saiu. Shion se virou para encarar o filho e depois pediu. – Sim, ele já me enganou. Mas sempre tive a esperança de resgatá-lo dessa imundice. – Ele ficou em silêncio por um tempo e depois prosseguiu. — Fique aqui. Já volto. – Disse e saiu do quarto. Ele caminhou lentamente até a sala, no primeiro andar. Assim que batei o olho no ruivo, viu a fúria se formando nos olhos e sentiu a adrenalina correr por seu corpo. Ele já sabia de tudo. A vontade de matar era recíproca nos homens que ali duelavam. O ruivo sentia-se pegando fogo, tamanha era a sua raiva.

– Shion! – Murmurou no auge de sua raiva, fazendo o ariano sorrir sadicamente.

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O ariano caminhou com passos lentos e firmes em direção a sala onde se encontrava Camus. Deixara a governanta da casa cuidando para que o filho não saísse do quarto, enquanto ele tinha uma conversa com o ruivo. A julgar pela hora e pelos últimos acontecimentos, já imaginava que Camus estaria desconfiando de suas ações do passado.

Todas as suas dúvidas se transformaram em certezas assim que encontrou com os olhos inflamados de ódio do ruivo. Suas feições duras e seu olhar quase assassino indicavam que ele desconfia ou até sabia de algo. Sentiu um arrepio percorrer sua espinha e sorriu, ante a adrenalina do momento. No fundo, sempre sonhou com este confronto, que fora interrompido há tempos atrás, quando o destino o mostrou que ele deveria fazer Camus pagar pelo que fez de um modo mais coerente com a dor que lhe infringiu.

Shion desacelerou ainda mais seus passos, aproveitando aquele torpor que sentia. Ansiava por isso, por encará-lo, e ouvir seu nome de forma tão agressiva aguçou ainda mais seus sentidos. Mal sabia Camus com quem estava lidando...

- Bom dia Camus... – Disse com um meio sorriso sádico, fazendo percorrer um calafrio no corpo do ruivo, que apertou vigorosamente as próprias mãos ao ver o sorriso quase debochado. Sua raiva transbordava por cada poro de seu corpo e ele lutava para manter a calma e a serenidade e não avançar com tudo pra cima dele. – A que devo sua visita tão cedo? – O ariano perguntou casualmente, ignorando o olhar raivoso de Camus e caminhou até seu mini bar, oferecendo o copo de uísque para o francês. – Aceita?

- Eu já sei de tudo o que você fez Shion! Você tentou matar o Milo! Tentou me separar dele! E vai ter que pagar! – Vociferou, antes que ele pudesse fingir inocência. Shion estava impassível por fora. Camus não sabia se era seu estado ou se ele sempre foi assim, o fato era que não conseguia ler nele qualquer sentimento. Nada, parecia que suas acusações não lhe afetavam. Ele depositava tranquilamente o líquido da bebida em seu copo devagar, como se apreciasse um momento relaxante.

- O que está dizendo, meu amigo?!

- Não me chame de amigo, assassino! Eu já sei de tudo, não adianta negar! – O ruivo gritou com ainda mais raiva. Shion manteve a postura séria e tranquila. Tomou o copo em suas mãos e bebericou, para logo depois encarar o ruivo.

- Do que me acusa, Camus? Tem alguma prova contra mim? – Camus calou-se e ele aproximou-se. – Mas eu entendo, você sempre foi louco por Milo. Essa tentativa de assassinato deve ter mexido com você a ponto de dizer estas coisas a meu respeito... – O ruivo estava espantado. Ou ele era inocente mesmo, ou era muito cínico e sem sangue nas veias, porque não é possível que alguém simplesmente responda a acusações tão graves sem expressar qualquer reação mais acalorada.

- Então é mentira? Você não fez nenhuma dessas coisas? – Perguntou seriamente, tentando se acalmar.

- É claro que não Camus! Você me conhece bem... – Disse sem esforço algum, demonstrando uma frieza digna de um inocente, ou de um psicopata. – Admira-me o fato de ter acreditado em acusações infames como essa sem ao menos ter alguma prova contra mim... – Comentou com um quê de indignação e se afastou de costas para o ruivo. Mas este ainda não estava convencido. Disposto a finalmente colocar tudo em pratos limpos, Camus prosseguiu:

- Então é tudo mentira? Você não tentou matar o Milo? Você não tentou vingar-se de Milo, ou de mim? – Perguntou, querendo induzi-lo a confessar. Shion estancou o passo e estreitou os olhos, voltando-os para o ruivo.

- Diga logo o que quer, Camus... – Finalmente conseguiu, apesar de bem sutil, uma reação do ariano. Percebeu um leve tom de irritação e então continuou:

- Quem deve dizer é você... – Encararam-se num duelo mudo, mas significativo.

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Enquanto isso, Shaka permanecia em seu quarto. Logo depois que seu pai saiu, ele sentou-se em sua cama e pegou cuidadosamente o jornal em suas mãos, olhando-o atentamente. Suspirou pesadamente, pensando sobre os fatos que lhe saltavam os olhos. Ali estava a suposta confissão de Saga... Seu amigo, seu querido amigo, preso acusado e acusando-se de ações vis. Será que era mentira todo o seu discurso? Seu coração estava confuso, não conseguia entender o que estava acontecendo, pois os fatos eram claros, mas sua alma gritava coisas distintas e tristes. Coisas que ele preferiria não ver, esquecer.

Respirou fundo, olhando para a janela e recordando a noite anterior...

Flash Back

Ele saiu sorrateiramente de sua casa, aproveitando um momento de distração dos seguranças de sua casa. Tinha marcado com Saga um encontro num restaurante perto de sua casa. Desde o encontro na festa na casa de Minos, nunca mais deixaram de se falar por telefone. Eram horas de conversas agradáveis do qual Shaka sentia-se cada vez mais viciado. E numa dessas ligações, o geminiano parecia muito aflito, por isso não negou o pedido para que fosse ao seu encontro.

Mesmo apreensivo, foi ao encontro dele. Era a primeira vez que saía de casa sem que seu pai soubesse. Ele era muito rígido quanto a sua rotina. Ao chegar, encontrou Saga rapidamente, ele estava sentado em uma das mesas bebendo algo. Aproximou-se cauteloso e sorriu quando este percebeu sua presença. Ambos sorriram e se cumprimentaram, e então Shaka sentou.

- Fico aliviado por ter conseguido vir, Shaka...

- Até que não foi tão difícil... – Riu. – Mas diga-me o que tanto lhe causa apreensão? – Perguntou fitando atentamente o amigo, ele parecia abatido e em suas feições uma apreensão e uma raiva muito grande. Saga respirou fundo e fitou os olhos do indiano. Não sabia por que, mas aqueles olhos lhe traziam muita paz e conforto. Shaka era um homem tão sereno e parecia tão sábio, tinha um algo tão místico que tinha a capacidade de levar mansidão para qualquer um que estivesse próximo de si. Sorriu discretamente. – O que foi? – Perguntou começando a ficar sem graça com aquele olhar.

- Eu gosto muito de olhar para você... Seus olhos transmitem muita paz, serenidade, conforto. Coisas das quais eu mais preciso agora... – Respondeu entrelaçando suas mãos nas do indiano.

- Fico feliz em ouvir isso... – Sorriu discretamente.

- Eu só não entendo como tanta pureza e bondade podem conviver com uma pessoa como seu pai... – Osorriso de Shaka se desfez nesse momento.

- Por que diz isso?

- Imagino que deva ser difícil, até mesmo para você, admitir uma verdade tão cruel, de que o homem que lhe criou, educou e amou, possa não ser quem você sempre acreditou, mas... Sei que você vai ser forte pra isso. Pra ver além do amor que sente por ele... – Saga disse e em seus olhos notava-se um cuidado e um carinho pelo qual Shaka temeu. Era bem verdade que seu pai não era um santo, mas custava acreditar que pudesse ser um monstro.

- O que aconteceu para estar me dizendo estas coisas? – Saga fechou os olhos e apertou ainda mais as mãos do indiano nas suas.

- Meu irmão... era o meu irmão quem estava dirigindo aquele carro que você viu explodir... – Shaka assustou-se.

- Céus! Saga... eu sinto tanto... – Compadeceu-se limpando com as mãos as lágrimas que caíram. O geminiano tomou a sua alva e suave e a beijou, reverenciando-o.

- Eu também sinto, mas por você. – Disse ainda apegado as mãos do outro.

- Por mim?

- Sim... Porque eu sei quem foi, e isso não vai ficar impune. Mas temo que sofra por isso... – Ele disse fechando os olhos e aspirando o cheiro que saía das mãos dele. – Mas também sei que é forte, vai superar. Estarei sempre com você... – Sorriu, mas não contagiou Shaka. Logo o garçom apareceu, fazendo com que se soltassem.

Fim do Flash Back

Adalta, a governanta da casa, entrou no quarto trazendo consigo uma bandeja com o café da manhã, e um sári branco com detalhes em pratas dobradas em cima de seu braço. Ela entrou com um belo sorriso no rosto, mas o loiro não viu. Estava imerso demais em seus pensamentos e lembranças para perceber a doce senhora. Ela aproximou-se e o cumprimentou.

- Bom dia meu menino... – Disse e depositou a bandeja e o sári na cama e o olhou. Shaka ergueu a cabeça e sorriu tristemente.

- Bom dia...

- Sei que deve estar triste pelo castigo de seu pai, mas talvez tenha sido melhor, não? – Perguntou afagando seu rosto. Ele sorriu. – Vamos, levante-se. Precisa trocar-se. — Ele obedeceu e se ergueu, vestindo o sári.

- Meu pai é um bom patrão? – Perguntou e ela franziu o cenho.

- Trabalho aqui com seu pai desde que você era bem pequeno e seu pai sempre foi um patrão bom e justo. Mas porque pergunta isto, menino?

- Por nada... – Respondeu simplesmente. Ela, contudo, percebeu a grande tristeza estampada na face alva.

- O que tem? O que tanto o aflige?- Ela perguntou docemente.

- Meu coração... O meu coração me aflige... – Ele disse e sentou-se assim que terminou de vestir seu sári. Ela, sem entender, fitou-o um pouco antes de sentar-se ao seu lado.

- Seu coração ou a sua mente? – Perguntou. O jovem loiro a fitou por um tempo. Bom, talvez sejam os dois, essa seria a resposta correta. Sorriu tristemente.

- Meu coração diz uma coisa, mas a mente diz outra... – Disse com os olhos vagando pelo quarto e se fixando num ponto imaginário. – Sabe... Às vezes as atitudes do meu pai me deixam confuso. Às vezes parece que ele quer apenas me proteger, que apenas quer que eu siga o caminho certo. Mas outras vezes, penso que ele tem intenções obscuras, que eu não vejo, que eu não quero ver... – Disse e voltou o olhar marejado para a doce senhora.

- Obscuro? Mas seu pai sempre se mostrou um bom pai, um bom homem. Sempre teve uma conduta irrepreensível. Que intenções obscuras ele teria? – Ela afirmou sinceramente.

- Sim, sei disso. Não só para você aliás. Mas, isso é só um lado dele. Eu... o meu pai é um homem bom até determinado momento. Quando passa disso... Eu não sei se ele é tão bom. – Ela franziu o cenho.

- Ele fez algo para que desconfie dele?

- Eu não sei... alguns fatos dizem que sim, outros dizem que não... – Disse pegando o jornal em suas mãos, fitando-o melancólico. – Eu realmente não sei...

- E o seu coração, o que diz? – Ele voltou seu olhar marejado para ela.

- Eu não sei se quero ouvi-lo... – Ele sussurrou, profundamente envergonhado. Ela então o fitou com tristeza.

- Então, meu querido, a resposta está onde costuma está. E você já tem a resposta... – Disse tocando levemente no peito de Shaka. — Sempre esteve ao seu alcance, esperando que você tivesse coragem em buscá-la. – O loiro engoliu em seco sem perceber, e algumas lágrimas desceram por seu rosto sem que pudesse controla. Estava sentindo-se oprimido por um dor tão grande, mais tão grande que ele não estava mais suportando. Percebendo o sofrimento dele, a doce senhora o amparou num abraço reconfortante.

- Meu querido, venha cá... – Ele deixou-se abraçar, enquanto as lágrimas teimavam em cair, em quase silêncio. – Não se martirize desse jeito. Todo mundo já passou por situações em que se decepcione com uma pessoa amada. É assim para todo mundo... porque você não conversa com ele sobre isso? – Ela sugeriu inocentemente. Shaka cerrou os olhos com força, sentindo seu coração se apertar cada vez mais dentro do peito.

- Porque é pior do que uma simples decepção. Não é como se ele tivesse feito alguma coisa errada... É questão de quem ele é. – Disse com a voz embargada. Soltou-se do abraço reconfortante da governanta e limpou as lágrimas que caíam. – Eu não sei mais se o conheço, e quais as coisas que ele seria capaz de fazer para satisfazer um desejo, um objetivo. Não sei quais princípios ele segue... Não sei se ele foi honesto comigo quando me ensinou a ser quem sou. E por outro lado, ele é meu pai. Ele sempre cuidou de mim, sempre me amou, é um pai rígido, exigente, mas amoroso e cuidadoso e... Deuses! Eu o amo tanto... – Deixou toda a sua dor transbordar nas lágrimas que caíam sem controle.

- Calma, meu querido... Não fique assim. – Ela tentou acalmá-lo, afagando seu cabelo.

- Eu sei que eu devia ser forte, mas eu sempre soube que eu não era a reencarnação do grande líder daquele povo... Sinto tanto por isso, por decepcioná-los. Mas não sou quem papai diz que sou. – Murmurou com certa raiva de si mesmo.

- Porque está se acusando, Shaka? Não compreendo...

- Eu devia saber. Conseguir ver a verdade por trás da mentira. Os fatos por trás da ilusão, a justiça por trás do engano. Mas eu não vejo... Não vejo nem o que minha covardia esconde de mim! Nem o mais claro dos fatos, deixo meu coração me enganar...

- Não se culpe por isso, ninguém pode culpá-lo por amar o seu pai...

- Não por isso, mas por não ter sido justo. De não ter buscado a justiça. Fui covarde e me calei e... temo pelo que ele pode ter feito por conta disso... – Martirizou-se.

- Não é fácil amar Shaka... Principalmente quando quem amamos faz algo ruim. Não se culpe por não ter tido coragem de buscar a verdade. Você não foi o primeiro e nem foi o último a se calar por amor... – Ela sorriu caridosa. Shaka ficou pensativo por um tempo e depois a fitou.

- Obrigado... – Agradeceu. Aquele desabafo tinha sido muito bom pra ele. Ela então o abraçou. Ele fechou os olhos, tentando acalmar seu coração.

- É bom desabafar, falar o que está preso dentro de nós, mas é bom também perdoar, principalmente a nós mesmos. O auto perdão é fundamental, é o entendimento de que não somos perfeitos e a resignação para aceitar tal fato, do qual não podemos mudar. – Ela disse e dessa vez quem sorriu foi ele.

- Não sabia que era tão sábia... – Ela riu.

- Apenas sou mais experiente, tenho mais vivência... – Ela voltou a fitá-lo. – Mas vamos, recomponha-se, pois seu pai o espera para a viagem.

- Viagem? – Ele franziu o cenho.

- Sim, seu pai antecipou a viagem que vocês fariam na semana que vem... – Ela respondeu recolhendo as peças de roupa para lavar. Shaka a fitou por um instante, pensativo.

- É mesmo o Camus quem está aí?

- Sim, por quê? – O loiro não respondeu de imediato. Sentia-se trêmulo por dentro, sabendo que poderia esclarecer todas as suas dúvidas. No entanto, aquele medo ainda o afligia. Mas era necessário, as acusações que pairavam sobre ele eram muito graves e mesmo amando-o muito, não poderia ficar inerte. Devia isso a Milo, a Camus, mas principalmente a si mesmo. Sem dizer nada ele se ergueu e caminhou até a porta.

- Aonde você vai menino? – A governanta o interrompeu.

- Preciso saber o que Camus quer com meu pai...

- Mas seu pai deu ordens para que ficasse no quarto enquanto ele conversa com o Sr. Camus... – Shaka respirou fundo e pegou na mão da senhora.

- Por favor, eu preciso muito ir lá... – Ele implorou.

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Na sala, Camus mantinha-se apreensivo e com a raiva explodindo em seu peito. A impressão que tinha era que pela primeira vez estava conhecendo o verdadeiro Shion Lamure, o homem de olhar de ferro, frio e calculista. Podia distinguir sob o olhar frio o ódio que pulsava em suas veias.

- Diga logo porque veio... – Ele intimou, pondo o copo sob uma mesa e encarando como se quisesse intimidá-lo.

- Quero justiça! Que assuma o que fez... Porque não me convencerá mais que é inocente. Como fui idiota em um dia acreditar que você, tão obcecado pelo Shaka como é, pudesse não saber de nada! – Shion riu sadicamente.

- De fato... Nada me passa despercebido quando o assunto é meu filho. Se um dia achou que eu nunca soube o que você fez, é mesmo um idiota!

- Desgraçado! – Grunhiu. — Então você confessa!

- Só me intriga saber como descobriu depois de tanto tempo... quer dizer, não deve ter sido o babaca do Milo, já que idiota como é, jamais deu credibilidade a única pessoa nesse mundo que realmente se importa contigo... Sacie minha curiosidade, Camus... Como foi esse estalo de sanidade? Será que foi a iminência da morte do loiro?- Shion sabia perfeitamente seu ponto fraco. Milo foi a única pessoa que o amou e o protegeu, e ainda assim o rejeitou, o machucou...

- Cala a boca desgraçado! Você vai pagar muito caro pelo que fez!

- É mesmo? E porque você não foi direto contar sua grande descoberta para a polícia? Ah deixe-me ver... você não tem provas contra mim. – Riu e se aproximou, regozijando-se pelo recuo involuntário de Camus. – Aposto contigo que sei bem como está se sentindo agora... Tem a sensação de perda de alguém muito valioso para você, uma vida inteira perdida por culpa de outra pessoa. A sensação de angústia, de revolta, de um ódio tão grande que não cabe dentro de si, ameaçando-lhe rasgá-lo todo por dentro. Não é isso Camus? – Aproximou-se ainda mais tocando os fios ruivos. – Pois eu senti o mesmo quando soube o que fez com meu Shaka... – Sussurrou no ouvido do ruivo. O nojo instantâneo que sentiu o fez socar imediatamente o ariano, que tombou pra trás, rindo sadicamente.

- Não se aproxime de mim, Shion! Você é um doente! Eu não fiz nada contra Shaka, nunca lhe fiz mal algum! – Gritou exasperado. Ainda rindo, Shion respondeu.

- Você profanou meu filho. Tentou roubar-lhe a pureza necessária para assumir seu lugar de direito! Por sua culpa! O que fiz nada foi além de pagar-lhe seus atos na mesma moeda... – O olhar e o sorriso que beirava a loucura surpreendeu Camus. Sim, ele era louco, um psicopata, e isso nunca lhe pareceu tão óbvio como agora.

- Você é louco... – Balbuciou.

- Não, Camus! Sou apenas um pai defendendo o seu filho e o que lhe pertence de direito... – Gritou para Camus.

- Não Shion... Shaka jamais foi o escolhido, o rei prometido do seu povo! – A voz grave ressoou no ambiente, assustando-os.

- Minos? O que faz aqui? – Camus perguntou, mas foi ignorado.

- Como ousa entrar em minha casa desse jeito e ainda dizer tal absurdo! — Shion retorquiu.

- Não é nenhum absurdo e sabe muito bem disso! Seu passado é muito mais sombrio do que poderíamos supor, Shion. Mas se é este o caso, talvez ele possa relembrá-lo disso... – Minos abriu espaço e por detrás dele apareceu um homem que deixou pálido.

- Não acredito... – Balbuciou. – Dohko...