Notas iniciais
Queria avisar aos leitores de Código Secreto que não deixei a fic de lado. Apenas estou aproveitando o embalo, pois esta reta é muito importante e precisa de minha dedicação. Espero agradar! =)
Beijos e boa leitura!

– Quero dizer que Milo esse tempo todo tem lutado pra te proteger desse louco que te odeia! Por isso ele está nessa cama de hospital, por isso ele quase morreu! Por isso ele se tornou psicólogo! Por isso que Saga foi preso, o seu irmão foi atacado, tudo não passa de um jogo daquele maluco pra te enlouquecer!

– Me proteger... – Murmurou aquela palavra, aquela palavra... Na mesma hora Camus se lembrou.

– Exatamente... – Aioria confirmou os olhos marejados de Camus. – Foi pra te proteger do Shion que ele fez o que fez com você!

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Camus sentiu seu corpo estremecer, uma repentina falta de ar e então se afastou alguns passos, ainda encarando estarrecido para Aioria, que o olhava com um misto de raiva e preocupação. Sua cabeça dava voltas enquanto ele tentava processar o que o leonino dizia.

– O... o que disse? – Murmurou, mesmo tendo entendido o que ele havia dito, mas por assombro. Percebendo o estado desorientado em que deixou o ruivo, Aioria respirou fundo, e o encarou seriamente, antes de se explicar.

– O Milo me contou tudo o que aconteceu com vocês... desde quando estudaram juntos, como conheceram Shion, tudo, até hoje. E... ele me contou porque estava desesperado. Ele sofria muito com a sua rejeição e então, num dia, ele me contou o que aconteceu. Inclusive porque ele fez o que fez com você. E me contou também o porquê dele ter feito aquilo. – Camus piscou os olhos, aturdido, mas deixou que ele continuasse. – O Milo sempre te amou, desde aquela época. Apesar de nunca ter confessado isso pra você, nem quando eram jovens, ele sempre te amou. E foi por isso, por te amar, que ele passou todos esses anos carregando esse fardo injusto. Foi para te proteger do Shion, que descobriu que você tirou a virgindade do Shaka, e prometeu vingança contra você. Shion está se vingando de você, pela noite que passou com Shaka. – Camus ouvia atentamente, mesmo estando em choque.Ele lambeu os lábios, e tentou racionalizar e organizar o que ouvia.

– Tudo isso é uma vingança... contra mim? Porque transei com Shaka?! – Perguntou num misto de incredulidade e espanto. Aquela informação parecia estranha, não parecia um motivo razoável para alguém querer matar tanta gente. Camus sempre soube que Shion era obcecado pelo filho, pela sua pureza e honra, mas daí a tentar matar Milo, Hyoga... todas essas coisas, era um pouco demais para ele.

– O cara é um louco, um psicopata! Botou na cabeça que o Shaka tem que ser puro, e que você tirou isso dele. O Milo contou que ele tentou te matar, mas não conseguiu. – Camus franziu o cenho, mas logo se lembrou do atropelamento que sofreu e que quase o matou.

– O acidente... – Balbuciou.

– Não foi acidente! Foi ele, Shion, que mandou matar você, pra te punir! Mas não conseguiu!

– Essa é uma acusação muito grave, Aioria! – Camus sentia seu coração pular ameaçando-lhe causar um infarto. Todas aquelas informações eram aterradoras. Mas o pior ainda estava por vir.

– É claro que eu sei disso! Desde que ele voltou, sabe se lá porque, eu e o Milo estamos correndo atrás tentando provar todos os seus crimes. Só que ele é um criminoso, tem muito dinheiro, ou seja, não é nada fácil pegá-lo. Por isso o Milo nunca o denunciou, porque ele não tem provas. Mas essa é a verdade, porque o próprio Shion confessou tudo! E prometeu que se vingaria de você... de outra forma. – Aioria hesitou, sabia que seria a parte mais difícil.

– De que forma? – Perguntou, temeroso, sentindo sua barriga revirar. Aioria engoliu em seco.

– Na cabeça de Shion, você só não morreu porque os Deuses te protegeram. E isso era sinal de que nem a morte era punição o bastante para o que você fez. Ele queria que você sofresse tanto quanto ele sofreu quando soube de você e Shaka, então, sabendo que você e Milo se amavam, ele decidiu que você deveria perder o Milo.

– Ele já tentou matar o Milo antes? – Camus assustou-se.

Não... não que eu saiba. Ele queria que você o perdesse de outra forma. Porque, se ele morresse, você o teria sempre no seu coração, como lembrança. Ele queria destruí-lo, ele queria que você o destruísse, em seu coração, porque só assim você o perderia da mesma forma que ele perdeu Shaka. – Camus involuntariamente começou a tremer, respirando cada vez com mais dificuldade. – Então, ele concluiu que nada mais justo que o preço a pagar fosse o mesmo, você deveria perder a quem ama da mesma forma que ele perdeu. E foi na cama que a punição se encerrou. – As lágrimas caíram involuntárias, num misto de vergonha, horror, confusão, ódio e tristeza, todos o sufocando que ele já não conseguia respirar. Sua face ficou pálida e ele ergueu a cabeça, puxando o ar com força, e depois voltou a encarar o leonino. Pela primeira vez, Aioria apiedou-se de Camus. Suas palavras eram duras, ele sabia disso.

– Continue... – Pediu com a voz embargada, mas o leonino se calou. O ruivo olhou em volta, referindo-se aos recentes acontecimentos. Ele queria perguntar, mas as palavras são saíam. Não foi preciso, Aioria respondeu:

– Isso, o porquê dele ter voltado, não sabemos... Eu acho que a reaproximação de vocês e fez voltar, mas... eu não sei. – Aioria respondeu simplesmente, e Camus não perguntou mais nada. Eles entraram num silêncio cortante, frio, tenso. O ruivo parecia estar em estado de choque, mas reagia piscando os olhos e puxando o ar. Marin começou a temer pelo pior, que ele tivesse algum surto, ou até algum infarto. Ele não falava nada, e nem reagia. Somente derramava algumas lágrimas, em silêncio, paralisado. Somente a respiração ofegante mostrava alguma vida naquele corpo.

– Camus... – A ruiva chamou baixinho, cautelosa. Mas o ruivo a ignorou solenemente. – Camus, fala alguma coisa. – Ela tentou novamente e só então ele a encarou. E imediatamente se lembrou das palavras dela, a bem pouco tempo.


– O que o Shion faria se descobrisse que dormi com Shaka... – Balbuciou as palavras de Marin. – Você sempre soube... – Concluiu, magoado. Marin, envergonhada, abaixou a cabeça.

– Até certo ponto...

– Porque me esconderam algo tão grave?! – A sensação de ter sido enganado se misturou com o ódio que crescia em si e o estava atormentando e tirando seu ar e sua lucidez.

– Tivemos medo... da sua reação. – Marin respondeu, sincera. Camus a encarou e depois olhou para o prédio do hospital. Sim, Milo achava que era fraco demais para segurar uma história como essa. Fraco e burro, porque nunca foi capaz de perceber a verdade, nem mesmo de arrancá-la deles. Foi necessário o loiro quase morrer para que ele fosse atrás da sua verdadeira história, estava tão ocupado se lamuriando de sua desgraça que não parou para ver as coisas a sua volta.

Ele acha que sou um fraco... – Balbuciou ainda encarando o prédio, molhando ainda mais sua roupa com as lágrimas que não cessavam.

Você não é fraco... Essa história é pesada demais, pra qualquer um. Vocês foram envolvidos pelas armações de Shion! Não se culpe, ele é o culpado! – Marin tentou confortar o amigo. Mas era tarde demais, não havia palavras que tirassem de sua cabeça e de seu coração o quão burro e fraco foi durante todo esse tempo.

E foi como se tivesse sido atingido por um terremoto que ele se lembrou. Camus estremeceu e foi amparado por Marin. Ele continuava com os olhos fixos no prédio enquanto Marin perguntava o que tinha acontecido. Mas Camus não ouvia, a sua mente se inundou da lembrança mais terrível de sua vida. Do dia em que praticamente estuprou Milo. Daquela noite em que se deixou levar pelo ódio e machucou o loiro da pior forma possível. Ele queria puni-lo, mas Milo era inocente, era inocente, inocente, e essa palavra ecoava como fundo das lembranças vívidas da maldade que perpetrou contra a única pessoa que o amou de verdade.

Camus sentiu uma terrível ânsia e pôs as mãos à boca, tentando conter suas entranhas reviradas que lhe ameaçavam sair pela boca. Seu coração se comprimiu e ele sentiu uma dor aguda, empurrando Marin.

– O que aconteceu, Camus?– A ruiva perguntou, assustada, mas Camus não ouviu. Ele apenas queria que ela o soltasse. Ele iria, ele precisava acertar as contas com Shion. Devia isso a ele, mas principalmente a Milo, por tudo o que aconteceu, por tudo o que ele causou, ele precisava pagar. E pensando assim, o ruivo se virou e foi até seu carro, assustando Aioria e Marin.

– Camus, aonde você vai? – O leonino perguntou, segurando-o. Mas foi sem nenhum aviso que Camus se virou e socou com força o rosto de Aioria, que caiu para trás. Talvez ele devesse pedir desculpas pelo ato bruto, mas não. Apenas entrou no carro e saiu em disparada deixando o casal aflito para trás.

Ah meu Deus! Ele foi atrás do Shion! Você não devia ter contado! – Marin se desesperou, sentindo-se culpada. – Shion vai matá-lo!– Concluiu. Aioria a encarou e sem dizer nada correu para dentro do hospital atrás do delegado Shura.

– Onde está o delegado Shura!? Ele deu entrada agora! Anda, diz logo, é uma emergência! – Perguntou desesperado para a recepcionista.

– Na enfermaria... – Assustada, a recepcionista respondeu de imediato, mesmo sem ter certeza se o delegado estava lá mesmo. Aioria saiu correndo antes mesmo que ela explicasse. Ele sabia que não tinha muito tempo, precisava encontrar o delegado e convencê-lo a ir atrás de Camus ou o ruivo morreria. Não tinha a menor dúvida de que Shion iria matá-lo.

Aioria saiu correndo pelo hospital, mas acabou sendo interceptado pelos seguranças por correr desesperadamente, esbarrando em tudo o que encontrava.

Eu preciso encontrar o delegado Shura, é urgente! É caso de vida ou morte! – Gritou, tentando convencer os seguranças a soltá-los. Mas não adiantou. Já o estava levando embora quando, por sorte, encontrou o delegado pelo caminho.

– O que está acontecendo?– Shura perguntou.

– Graças a Deus, por favor delegado, é o Camus!

– Soltem-no.

– Mas doutor, ele estava correndo por aqui.

– Tudo bem eu me responsabilizo por ele. – Contrariados, os seguranças o soltaram. – Agora, me conte o que aconteceu?

– Delegado, o Camus está indo direto para a casa do Shion, e acredite, ele vai matá-lo! Shion vai matá-lo! Precisa impedir isso!

– Como sabe... – Tentou obter mais informações, mas Aioria interrompeu.

– Eu respondo todas as suas perguntas no caminho delegado, mas pelo amor de Deus, vamos logo! – Aioria implorou e ao observar o verdadeiro pânico no jovem, Shura não teve dúvidas e rumou para a casa de Shion atrás de Camus.

Eles não demoraram em entrar na viatura e seguir o ruivo, que já estava bastante adiantado, devido a alta velocidade que empregou para chegar a casa do ariano. Marin, extremamente nervosa, ficou no hospital para dar apoio a Milo e cuidar para que nada acontecesse a ele. O loiro esperava uma resposta e devia estar aflito com essa espera. Antes, porém, ela tomou um copo de água e tentou se acalmar. Contar que Aioria contou a verdade para Camus e que o mesmo foi até Shion iria abalá-lo, com certeza, mas ele também iria cobrar uma resposta. Iria perguntar onde estava Camus e no estado de nervos em que se encontrava, não conseguiria esconder isso. E também nem sabia se devia esconder isso de Milo. Foi por esconder verdades que chegaram a esse ponto. Se acontecesse algo com Camus, o loiro não resistiria.

Ela fechou os olhos e fez uma breve oração, pedindo aos Deuses força e sabedoria para conversar com o escorpião. Depois rumou para o quarto do loiro. O encontrou sentado, visivelmente aflito. Mas não estava conseguindo se controlar, seu nervosismo era muito evidente, estava estampada em sua expressão. E claro, Milo percebeu essa aflição assim que a viu, logo ele perguntou:

O que aconteceu? Onde eles estão? – Perguntou apreensivo.

Calma Milo... – Ela respirou fundo e sentou na cama. – Está tudo bem. – Tentou mentir, mas sua expressão a denunciava.

– Você é uma péssima mentirosa Marin... – Ela desviou os olhos, sem graça. – Porque está tão aflita, o que aconteceu? – Perguntou, tentando manter o controle. Sem conseguir olhar para o loiro, ela decidiu falar a verdade.

– Achamos que o Camus foi para a casa do Shion... – Milo empalideceu imediatamente e tombou para o encosto da cama.

Vocês contaram... – Ele balbuciou, incrédulo. Marin o encarou e tentou se justificar.

Não teve jeito Milo! Ele pressionou muito e... ele iria pra lá de qualquer jeito! Ele precisava saber... – Mas a justificativa não impediu as lágrimas silenciosas de Milo, que permaneceu em silêncio por alguns segundos. Não poderia culpá-los, acreditava mesmo que Camus estava decidido a ir atrás de Shion. Talvez tivesse sido melhor, a despeito de sua falta de coragem em fazê-lo. Sabia que o ruivo estava correndo perigo, que isso era praticamente um suicídio, mas as coisas saíram de seu controle, se é que em algum momento esteve em seu controle. Suspirou temeroso.

Shion vai matá-lo... – Balbuciou novamente, desviando o olhar para o lado e tentando enxugar as lágrimas, com uma expressão perdida nos olhos.

Não... O Aioria avisou o delegado Shura e eles foram correndo atrás dele. Calma, Milo... vai dar tudo certo! – Tentou acalmá-lo.

– Não, Marin... Não vai dar tudo certo... Eu sei, o conheço mais do que ninguém. Camus é um homem racional, muito frio e calculista, é muito difícil ele perder a cabeça, mas quando ele perde... – Pausou, pois as próprias palavras machucavam. Ele sabia que quando Camus perdia a cabeça era devastador. Ele mesmo sentiu na pele as poucas vezes em que isso aconteceu. – Ele fica transtornado. Deuses, eu tentei evitar que ele se jogasse pra cima do Shion... Porque isso é suicídio! Mas eu não pude... Eu preciso impedi-lo! – Tentou se erguer, mas ainda estava muito debilitado e mal conseguia ficar em pé.

– Não se levante! – Ela o amparou antes que ele caísse da cama. – Você não pode sair daqui Milo... está muito debilitado ainda...

– Marin... você precisa me ajudar. Eu não posso... eu não vou aguentar vê-lo morrer! Eu não... Posso suportar qualquer coisa, menos isso! – Disse as lágrimas.

Ele não vai morrer! Confia! Vai dar tudo certo! – Milo a encarou e enxugou as lágrimas que teimavam em cair.

– Eu disse que ele faria isso... Disse que a primeira coisa que ele faria ao saber de tudo era correr atrás de Shion. E a primeira coisa que o Shion vai fazer ao perceber que ele sabe de tudo é matá-lo. Por isso não queria contar... ele não se controlaria nunca. – Meneou a cabeça. – Nem eu pra falar a verdade, olha a situação em que estamos... – Milo agora parecia falar sozinho. — Quem iria manter a calma depois de saber toda essa história?! Eu devia ter contado antes, mas... eu tive medo, éramos crianças! Ele deve estar pirando agora... Eu devia ter contado a ele, não era pra ser assim... – Levou as mãos à cabeça, transtornado.

– Por favor, Milo... tente manter a calma! Se culpar não vai levar a nada... – Marin o entendia e sentia seu coração se apertar ao ver aquele homem que sempre se mostrou tão seguro se derrubar desse jeito, e por amor, somente por amor.

– Precisa me ajudar Marin, eu preciso encontrá-lo antes que algo pior aconteça... Por favor! – Marin o encarou, indecisa. Ficou um silêncio por um instante, e depois perguntou:

– Mas como vamos sair desse hospital? Você nem consegue ficar em pé! – Ele encarou o quarto a sua volta e viu uma cadeira de rodas. Era isso. Era com ela que ele tentaria salvar mais uma vez seu grande amor.


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Na casa de Shion, as coisas também estavam tensas. O ariano passou a noite em claro, pensando no acontecimento da noite anterior. Era mais do que óbvio que sua influência sobre Shaka estava abalada. Precisava fazer alguma coisa para mudar essa concepção na cabeça do loiro ou todo o seu plano iria por água baixo. Estava decidido a mudar isso quando plantou as falsas provas na casa de Saga. Já de manha, depositou seu copo sobre a mesinha ao seu lado e saiu do escritório onde passara toda a noite e se dirigiu para o quarto do filho.

Era cedo e tinha planejado deixá-lo meditando por mais algum tempo, mas mudou de ideia. Assim que amanheceu ligou para seu funcionário na Vila e marcou a ida imediata com o filho. Antes, porém, de chegar ao quarto, passou na cozinha e preparou um suco de laranja e pegou o jornal do dia. Voltou e cuidadosamente abriu a porta do quarto.

Encontrou o loiro deitado na cama de modo desleixado, olhando fixamente para o teto. Não dava para saber no que ele estava pensando, tal era o modo inerte de seu corpo e face. Ele se aproximou um pouco depositando o jornal na cama, fazendo-se ver pelo indiano, mas este não se moveu.

– Shaka? Eu lhe trouxe um suco. – Ele chamou, mas Shaka não o encarou. Continuou com seus olhos fixos no teto.

– Pensei que me deixaria sem comer ou beber hoje... – Disse baixo, mas sem a intenção de tomar o suco. Em sua voz não havia raiva, nem ódio, nem nada. Shion sentou na cama.

Foi o que pensei ontem à noite, mas... mudei de ideia. Não acho que você precise de jejum. – A forma serena com que Shion falou surpreendeu o filho, e este finalmente voltou seus olhos para o pai. – Por favor, beba. – Shion pediu gentilmente. O loiro ficou encarando-o por um tempo, analisando-o até se decidir por sentar e pegar o suco.

– Pai, eu pensei muito essa noite e tomei a decisão... – Mas logo foi interrompido.

– Eu sei que errei, Shaka. Perdoe-me... – Disse num tom comovido. Shaka franziu o cenho.

– Errou...? – Instigou.

– Sim... Não sabe como suas desconfianças me abalam. Eu... sempre fiz tudo por você. Sempre me esforcei ao máximo para que você alcance o máximo de pureza e evolução para que cumprisse o seu papel e, nunca na minha vida pensei que veria você me acusando...

– Eu não ... eu só queria saber, pai! – Shion desviou o olhar e se levantou indo até a janela, suspirando pesadamente.

– Saber se tentei matar Milo? Me incomoda o fato de você pensar que eu seria capaz de fazer algo assim... Eu nunca matei nem um inseto! – Disse indignado. – Mas errei ontem, você é ainda é muito jovem para entender.

– Entender o que? – Shaka perguntou confuso. O pai então se virou para o loiro, caprichando no olhar triste.

– Eu nunca gostei desse rapaz, o Milo. Desde que era jovem sempre se mostrou libertino, uma má influência para você. Sei que não percebe, mas desde que viemos para cá, você mudou seu comportamento. Está arredio, em duvidas...

– Isso não é verdade, eu nem falei com ele!

– Mas falou com amigos dele. O tal Saga, que a propósito, estou sabendo que foi preso acusado de tentar matar o Milo.

– O que? – Shaka perguntou assustado, se levantou e foi até o pai. – O que está dizendo?

– Saiu nos jornais. – Apontou para o jornal em cima da cama, e o loiro rapidamente o pegou para ler, confirmando o que o pai dizia.– Parece que encontraram algumas provas no apartamento dele. Ele confessou que foi o mandante e o irmão executou, algo assim, não prestei muita atenção. – Shion fingiu confusão. O loiro estava espantado, não conseguia acreditar que Saga o tivesse enganado desse jeito.

– Não... isso não é possível! – A confusão de Shaka era evidente. E Shion, aproveitando-se disso, fez-se de vítima, abraçando-o forte.

– Ah meu filho! Eu sei que deve estar confuso com tudo isso. Tentei te avisar, mas não você me ouviu. – Então o soltou apenas para olhá-lo nos olhos marejados, acariciando de leve os sedosos cabelos. – Eu disse para não confiar, mas você preferiu confiar nele, em alguém que mal conhece. Isso me deixou tão triste, em pensar que não confia em mim.

– Papai, não é isso... – Shaka tentou se explicar, mas sua cabeça estava confusa.Apesar dos fatos, não era apenas a palavra de Saga que o fazia desconfiar de Shion. Era algo mais, algo intuitivo, seu coração, em sua alma repousava a desconfiança. O ariano segurou a cabeça do loiro para que o encarasse. – Por quê?– Perguntou confuso e com os olhos marejados.

– Conheço seus olhos e sei que desconfia de mim. E sei que foram eles que plantaram essa mentira, porque querem envolver você e sua pureza nessa devassidão em que eles vivem. Você não sabe, mas pelo que sei desse rapaz, ele sempre foi apaixonado por Camus. Ele, Milo e Camus sempre estiveram nessa teia de devassidão, e fizeram de tudo para te arrastar.

– Camus? – Shaka perguntou, já que o ruivo era sócio de Shion.

– Sim... Camus! Este é o pior deles! Porque se esconde sob uma falsa moral. Ele engana e já enganou a nós filho, mas não se preocupe. Eu nunca mais vou permitir que ele nos engane novamente! — Disse e não conseguiu esconder uma pontada de ódio em seu olhar, fazendo Shaka engolir em seco.

– Ele já te enganou? – Perguntou, achando estranha a última fala do pai. O ariano apenas o encarou, por alguns instantes, antes de responder. Porém, a resposta não veio. Um dos seguranças apareceu afirmando que Camus estava na residência.

– Deixo entrar? – O segurança perguntou. Ele desviou o olhar de Shaka, ficando de costas, e sorriu levemente.

Sim, eu o encontrarei na sala. – Respondeu e logo o segurança saiu. Shion se virou para encarar o filho e depois pediu. – Sim, ele já me enganou. Mas sempre tive a esperança de resgatá-lo dessa imundice. – Ele ficou em silêncio por um tempo e depois prosseguiu. — Fique aqui. Já volto. – Disse e saiu do quarto. Ele caminhou lentamente até a sala, no primeiro andar. Assim que batei o olho no ruivo, viu a fúria se formando nos olhos e sentiu a adrenalina correr por seu corpo. Ele já sabia de tudo. A vontade de matar era recíproca nos homens que ali duelavam. O ruivo sentia-se pegando fogo, tamanha era a sua raiva.

– Shion! – Murmurou no auge de sua raiva, fazendo o ariano sorrir sadicamente.



Continua...