Manual de Sedução Ii - do You Love Me?
2 Capítulo 2 - O início da vingança
Notas iniciais
- O que? Acha que posso fazer alguma coisa? – Perguntou confuso.
- Bem, se é por sua causa que ele está nos seguindo... é uma tentativa, não acha? – Disse enquanto saia da sala de Camus, o deixando atordoado enquanto observava Milo falando ao celular.
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Camus não sabia o que pensar, olhava pela janela e via Milo sozinho, praticamente plantado na rua em frente à instituição, e muitas coisas passaram pela sua cabeça, não só os últimos acontecimentos, mas também de toda a sua juventude com ele. Quando foi que ele mudou tanto? Questionou-se, impressionado e incrédulo com o fato de uma pessoa poder mentir tanto e tão naturalmente. Na verdade, as mentiras eram tantas, mas tantas, que às vezes pareciam surreais. Tinha dificuldades de crer que ele pudesse fazer tais coisas e ser aquele menino que o acompanhou na juventude com um brilho jovial que sempre o encantou.
A verdade que aparecia para ele, no entanto, era completamente oposta ao Milo de antigamente. O Milo que via agora era ardiloso, mentiroso, sedutor... o brilho de seus olhos escondia o veneno de suas palavras, tão doces, tão destrutivas. Esse pensamento levou uma dor forte ao coração do ruivo, um aperto no peito, uma angustia que se entalava na garganta e confundia sua mente, insistindo em dizer-lhe que algo estava errado. Que ele não era esse monstro que aparentava. Que tudo isso era alguma confusão terrível e que o loiro era sim, o inocente da história.
Uma lágrima correu na pele alva do rosto de Camus, sentindo muita dor e confusão. Queria acreditar que tudo isso era mentira e que Milo era inocente, mas a verdade dos fatos mostrava outra coisa. Camus não podia se deixar levar pelo sentimento que ainda nutria pelo escorpião. Não podia deixar-se cegar pela paixão. Não podia permitir ser enganado mais uma vez por ele, ser usado, ter seus sentimentos manipulados ao bel prazer do outro, não podia, não queria!
Perdido em seus pensamentos e sentimentos não viu Shion sair de sua sala, plácido, tranqüilo, certeiro. Não tinha mais nada a fazer ali. Caminhou pelo corredor a procura de seu filho, já era hora de ir. Acabou encontrando-o perto da janela, junto com a moça ruiva que os levou. Eles se encaravam fixamente e o celular na mão da moça não passou despercebido, nem mesmo ao fato de estarem perto da janela.
- Filho? – O pai chamou e o indiano se sobressaltou, olhando assustado para o pai.
- Estou aqui, pai. – Shaka tentou ser o mais natural possível, tentando esconder o nervosismo.
- Está na hora de ir, vamos? – Shion disse, dissimulando sua raiva por ter sido enganado pela ruiva e agora, por seu filho.
- Sim, vamos. – Disse, cumprimentando Marin e indo a direção de Shion, porém este ao invés de seguir com ele, foi até a janela, encarando seriamente Marin, que estremeceu diante do olhar frio e sombrio dele.
- Pai? – Shaka chamou, ficando cada momento mais assustado. Shion, porém, não deu ouvido e, encarando seriamente Marin, foi se aproximando devagar da janela, e com um olhar certeiro, tentou olhar na direção em que Milo estava. O coração de Marin pulava, suava frio, mas ela não cedeu à vontade de sair dali correndo e permaneceu onde estava encarando aquele homem que lhe era tão assustador. Mas talvez, para a sorte deles, Milo não estava mais ali. Shion até procurou, mas não conseguia ver Milo. Voltou a olhar para Marin, pedindo-lhe a mão.
- Agradeço por ter feito companhia ao meu filho, senhorita. – Disse suave, sentindo suas mãos suarem frias, enquanto depositava um beijo.
- Não... não tem de quê. – Marin disse, tentando conter o nervoso. Shion apenas a olhou fundo nos olhos, levando calafrios na moça diante de tão sombrio olhar. Ele parecia carregar em seus olhos todas as crueldades que já cometera e o que é pior, nenhum arrependimento.
- E então, vamos pai? – Shaka pediu já muito angustiado.
- Sim, vamos. Boa noite Senhorita.
- Boa noite.
- Shion? – A voz um pouco mais carregada de emoção de Camus surgiu surpreendendo a ambos.
- Sim Camus. – Apesar de surpreso, Shion já imaginava o que ele queria.
- Vamos resolver isso agora mesmo! – Camus lançou um olhar tão raivoso que deixou Marin assustada.
- Tem certeza? Não prefere... – Shion tentaria articular, já que não queria que seu filho presenciasse qualquer coisa, mas foi interrompido pela recente atitude intempestiva do ruivo. No entanto, tal atitude demonstrava que ainda residia ali um sentimento do qual poderia tirar algum proveito. E assim seguiu Camus junto ao elevador, sem antes ordenar que seu filho ficasse ali. Shaka e Marin se entreolharam, indecisos sobre o que fazer, mas assim que se viram sozinhos, resolveram ir atrás deles.
- Camus, não perca a cabeça. Não deixe que ele te manipule... – Shion tentou dizer já dentro do elevador, mas Camus estava estranhamente firme em seu propósito.
- Não se preocupe Shion, eu sei bem o que estou fazendo e ele não me manipula, nisso você pode ficar tranqüilo. – Camus disse tão friamente que surpreendeu Shion. Pelo visto não seria tão fácil articular com ele como fora um dia.
Camus até queria disfarçar dos outros, mas a verdade é que seu coração batia tão forte e acelerado que achava que poderia passar mal a qualquer momento, mas tinha que se segurar, não iria conseguir ficar em paz com aquela coisa engasgada em sua garganta. Precisava desabafar, falar, gritar tudo o que estava entalado, ou acabaria tendo um surto. Com passos firmes, seguido de perto por Shion, Camus foi até a portaria esperando encontrar Milo no outro lado da rua. Mas não o viu e então seguiu para a rua, a procura dele. Correu o olhar para todos os lados, mas não o encontrou.
- Onde ele está? – Camus perguntou retoricamente, extremamente ansioso. Logo atrás de deles, vieram Shaka e Marin, esbaforidos por terem corrido.
- Shaka, o que faz aqui? –Shion repreendeu o filho que ficou sem saber o que dizer. – Volte lá para cima... – Mas a voz de Milo acabou interrompendo-os, levando todos os olhares na direção que ela vinha.
- Mas eu não acredito no que estou vendo!! Será possível mesmo!!?? Shaka?! É você mesmo? – Disse alegremente, num tom de voz alto para que eles o escutassem, já que estava um pouco distante. Milo não deixou de perceber o olhar frio que Shion o lançava e também a face dura e raivosa de Camus, bem como a expressão de surpresa de Marin e Shaka. Não conseguiu evitar e sorriu amplamente para todos.
- Nossa! Você não imagina o quanto eu te procurei! – Bebeu um pouco do drink que segurava em sua mão e foi até eles, dirigindo seu olhar fixamente para Shaka ignorando os outros. Quando chegou bem perto abraçou o indiano que, muito surpreso, olhava para todos os lados, e um tanto acanhado o abraçou de volta. Milo podia sentir em seu pescoço o perigo que se formava em forma volta de si, a raiva de Shion era tão forte que chegava a ser palpável.
- Hunn... seu pai não lhe contou que andei te procurando? – Perguntou assim que se separou dele. Shaka apenas negou com a cabeça, ainda aturdido com a forma tranquila e alegre com que ele lhe falava. – Ele devia estar muito ocupado... – Disse num tom mais baixo, encarando e devolvendo o olhar em forma de desafio que Shion lhe direcionava. Bebeu mais um gole de sua bebida, mas logo se interrompeu ao se lembrar de algo. – Shaka, só não te ofereço a bebida, pois senão eu teria morte súbita provocado por seu pai zeloso. – Riu, elevando um pouco o copo e piscando jovialmente um dos olhos, numa brincadeira perigosa.
- O que faz aqui Milo? – Camus enfim conseguiu dizer, ainda aturdido com as atitudes do loiro.
- Hunn Camus, aqui tem um bar ótimo, sabe?! Não sei se já foi lá, mas tem o melhor coquetel da cidade, é uma verdadeira obra prima, um néctar dos Deuses! Uma delícia mesmo! E os aperitivos?! Delícia! Arrisco dizer que é o melhor bar da cidade... – Milo dizia despreocupado, gesticulando bastante e com uma postura tão relaxada que qualquer um que passasse pensaria que ali estava um grupo de amigos. Mas não era bem essa a realidade.
- Sabe, eu estava pensando... Camus, porque não convidamos o nosso amigo Shaka para um encontro de amigos no bar? – Perguntou, demonstrando verdadeira animação com a idéia.
- Ele não vai. – Shion se adiantou em dizer. – Shaka não bebe essas bebidas alcoólicas.
- Ah mas não se preocupe com isso... lá não servem apenas bebidas alcoólicas. O que você acha Shaka? – O indiano estava tão nervoso que sua respiração estava alterada e para ele isso era algo de assustar.
- Err... bem, eu..
- Eu já disse! Ele não vai e ponto final! – Shion gritou e se aproximando mais de Milo, disse num tom ameaçador. – Se afaste dele Milo, ou vai se arrepender. – Por alguns segundo eles apenas ficaram se encarando, sérios. Milo tremeu com a ameaça, que o fez voltar um pouco no tempo. Aquela mesma voz, aquele mesmo olhar. Mas não poderia fraquejar agora. Não poderia se intimidar novamente por esse mesmo homem, então buscando forças deu um sorriso e colocou uma mão no ombro dele.
- Calma Shion, eu não vou fazer mal ao seu filho. – Riu um pouco mais alto. – Mas eu te entendo, eu entendo a sua preocupação. Afinal, tem tanta gente maluca nesse mundo, tanta gente cruel, tanto bandido, tanta gente que faz mal aos outros não é? É realmente muito perigoso deixar um rapaz puro como o Shaka solto por aí não é mesmo, Shion? – Dessa vez sua voz veio carregada de ironia, olhava bem fundo nos olhos do outro enquanto proferia aquelas palavras que condiziam perfeitamente com o caráter e atitudes de Shion. Sabia que estava comprando briga com um vespeiro perigoso e cruel, mas não tinha saída, não tinha outra opção. É claro que estava com medo, estava apavorado, mas era preciso ser forte e pensar com calma e frieza, arquitetar um plano, tal qual ele fazia. Ele precisava Pará-lo ou nunca mais teria paz. Nem ele e nem Camus. – Mas se você preferir, o Camus pode vir conosco. Nele você confia muito, não? – A ironia era tanta que era percebida por todos, fazendo-os se entreolharem.
Shion estava bufando de raiva por dentro, mas se controlava. Era óbvio que aquele idiota o estava desafiando, e o pior, na frente de todos. Um pensamento de que aquela situação fora armada o deixou ainda mais irritado. Não era possível que ele, Shion, tinha caído na armadilha plantada por esse idiota. Ele não seria tão inteligente a ponto de prever que ele falaria para Camus sobre sua presença, e ainda por cima prever que Camus iria querer descer para tirar satisfação, trazendo todos para o encontro e assim ele não poderia agir como aquele pirralho merecia. Respirou fundo, tentando manter o controle. Aproximou-se mais de Milo, ficando a milímetros de seu rosto e sussurrou.
- Espero que não tenha esquecido de que comigo não se brinca. Não tente me desafiar garoto... – Ameaçou. Mas Milo não se intimidou e sussurrou de volta.
- É claro que me lembro... como poderia esquecer? É por lembrar que estamos aqui... – Devolveu com um olhar frio e intimidante, mostrando que não tinha medo. – Shion apenas o encarou por um tempo, tentando desvendar de onde ele tirou toda essa coragem.
- Vamos embora Shaka. – Finalmente disse enquanto se afastava de Milo, que sorriu vitorioso. Shaka consentiu, olhando para Milo, que novamente o cumprimentou erguendo um pouco seu copo e sorrindo. Depois que eles se foram, Camus se pronunciou.
- Agora pode me explicar? Não pense que acreditei nessa história totalmente ridícula de que estava no bar bebendo. — Milo sorriu e voltou a encarar Camus.
- Porque ridícula? Foi exatamente o que eu estava fazendo..
- Não seja cínico Milo! – Camus finalmente explodiu, gritando. – Pare de mentir!
- Eiii... calma!!! Eu não estou mentindo. Veja aqui a prova.... – Disse balançando o copo de bebida no alto. Camus o olhava incrédulo.
- Deixa de ser cínico... – Mas antes de Camus continuar, Milo disse um pouco alterado.
- Você quer parar!? Que mania você tem de falar mal de mim!
- Eu te vi olhando para minha janela!! Eu vi!!! – Camus gritou.
- Ah sim... é uma bela fachada. – Milo disse olhando para o prédio. – Mas espera aí.. você não achou que eu estava olhando por sua causa não é? Ah por favor né Camus... se toca! Meu mundo não gira em torno do seu não... – Milo dizia naturalmente, deixando Camus cada vez mais confuso.
- Você... você... não viajou... – Camus balbuciou as palavras, sem conseguir pensar direito, confuso com as novas atitudes de Milo.
- O que? – Milo perguntou sem se preocupar muito.
- Você não viajou... não foi para o Japão como disse que iria.... – Finalmente conseguiu concluir, só que agora sem tanta certeza.
- Ora... que idéia absurda é essa Camus?! É claro que eu viajei!! – Milo disse encarando seriamente o ruivo.
- Sim, ele viajou sim. Eu mesma o acompanhei até o aeroporto. – Dessa vez foi Marin que confirmou, deixando Camus cada vez mais confuso. Então ele viajou? Mas porque Shion disse que o viu? Que estava acontecendo? – Pensou, abaixando o olhar e voltando para dentro do prédio.
De costas, Camus não viu o olhar consternado que Milo lhe lançou. Sim, Milo sabia da confusão que deveria estar à cabeça de Camus e sentia uma vontade louca de ir até lá e contar toda a verdade e consolá-lo, e amá-lo, e dizer-lhe que não precisava duvidar, que nele encontraria um amigo em quem poderia confiar, um amante com quem dividiria não só a cama, mas também os prazeres e as crises que viriam na vida deles.
Sentiu uma vontade louca de ir até ele, de abraçá-lo, de dizer que estava tudo bem, que ele não era mentiroso, dizer o porquê fez o que fez, que a única coisa que sempre quis foi protegê-lo da dor. Que se por um momento ele foi o responsável por ela, que com certeza doeu mais em Milo do que em qualquer pessoa. Céus, como era difícil ver seu amor naquela confusão mental. Naquele sofrimento, mas era preciso. O aquariano nunca o receberia sem antes saber quem era Shion e somente assim ele entenderia e acreditaria de vez nele. Mas era tão difícil...
- Cuida bem dele... – Milo pediu a Marin, sofrendo por não poder ser ele neste papel.
- Não se preocupe... – Marin atendeu ao pedido e entrou no prédio, tão consternada quanto Milo pela história e pela barra que o amigo teria que enfrentar.
Milo observou Marin entrar no prédio e mesmo contra a sua vontade, voltou para o bar que a essa altura já estava bem movimentado, onde Aioria o esperava. Preferiram ficar ali, pois não duvidavam que Shion mandasse seus capangas atrás deles, então o ideal é ficar cercado do maior número de pessoas possíveis. Sentou-se na cadeira em frente a do leonino, enquanto este bebia e comia algumas coisas. Suspirou pesadamente, cansado.
- E aí? Como foi? – Aioria perguntou.
- Difícil.... mas consegui. A primeira parte está completa. – Disse, pedindo mais um drink.
- Hunn... não vá ficar bêbado... Ainda temos que ir à sua casa de manhã. – Aioria tentou evitar que Milo se embebedasse.
- Sim, você tem razão. – Milo dispensou a bebida.
- Escuta, se o plano correu tudo bem, que cara de enterro é esse? Pensei que estaria animado!
- Sim, eu estou feliz pelo plano ter dado tudo certo. Mas em compensação, o Camus... ele ficou tão arrasado. Dava para ver na cara dele a confusão. Ele deve estar sofrendo muito. E eu... eu queria...
- Você queria estar ao lado dele agora né? Eu sei..
- Sim, queria. – Milo rendeu-se.
- Você o ama muito, não se culpe. É até bonito esse sentimento. – Milo, porém sorriu amargo.
- Bonito... mas ele me odeia, me acha a pior das criaturas e eu nem posso estar do lado dele quando ele precisa, porque ele acha que sou uma pessoa ruim... – Lamentou-se.
- Isso vai passar, não se preocupe. – Aioria tentou consolar o amigo. – Olha, você quer que eu ligue para a Marin para saber como ele está? – Perguntou e diante do brilho no olhar no loiro, o leonino não pensou duas vezes e, sorrindo, ligou para a namorada para ter notícias de Camus. Enquanto ele falava ao telefone, Milo ficava observando ao redor, para ver se identificava algum capanga de Shion. Depois de alguns minutos, Aioria desligou.
- Milo, a Marin disse que ele está confuso, formulando várias teorias. Mas que está bem. – Aioria sabia que não era muito, mas para Milo foi muito. Só de saber dele já o acalentava.
- Obrigado Aioria, você tem sido um grande amigo!
- Depois, quando tudo estiver resolvido, você me agradece. Agora vamos.. não é seguro ficar muito tempo no mesmo lugar.
- Certo, vamos. – Milo concordou, saindo do bar e rumando para algum lugar com muita gente, até o amanhecer, onde provavelmente teria um novo encontro com Shion.
Continua....
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