Manual de Sedução Ii - do You Love Me?

19 Capítulo 19 - A dolorosa verdade


– Cala essa sua boca! Você não me engana mais! Eu ouvi toda a sua conversa com Shaka! Já sei de tudo, maldito! – Agarrou-o novamente pelo pescoço, enforcando-o.

– Então... ah... então já sabe de Shion... ah... – Saga tentou dizer, olhando nos olhos do ruivo, que empalideceu e o soltou. Logo depois, os policiais entraram na sala para afastar Camus de Saga, pois estavam vendo pela câmera o desenrolar da cena.

O que tem a ver Shion? Fala Saga!- Gritou a pergunta enquanto Saga era levado para a cela. Saga o encarou e antes de sair, respondeu:

– Pergunte a ele...

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Camus tentou segurar os policiais, precisava obter mais respostas, mais informações de Saga, mas não conseguiu. Os policiais não lhe deram ouvidos e levaram o geminiano para dentro. Logo depois Shura apareceu, irritado.

- O que foi isso, Camus? Não te autorizei a falar com ele para isso! Droga! – Gritou irritado.

- Eu... eu sei, mas... Desculpe delegado! Mas é que eu... eu preciso falar com ele de novo... – Camus tentou novamente, mas Shura estava irritado e irredutível.

- Nem pensar! – Disse e saiu, sendo seguido pelo ruivo. – Já te dei uma chance e você fez esse papelão!

- Eu sei, mas... é porque aconteceram algumas coisas... – O ruivo colocou as mãos na cabeça, confuso. O delegado parou e o encarou por alguns segundos.

- Na minha sala... – Chamou levando-o até a sua sala. Já lá dentro, o ruivo não pestanejou em revelar sobre a gravação. Sem conseguir explicar exatamente o conteúdo da conversa entre Saga e Shaka, Camus simplesmente deixou que o delegado ouvisse. Alguns minutos depois de analisada a gravação, Shura continuava sem entender.

- Nesta gravação, ele confessa que foi o irmão quem tentou matar o senhor Milo, mas indica que não foi ele o responsável. – Analisou.

- Sim, um irmão que eu nem sabia que existia! – Exasperou-se.

- Acalme-se Camus. – Ele se levantou para pegar um copo de água para o ruivo, visivelmente transtornado. — Precisamos ter cabeça fria nesse momento e tentar descobrir quem é esta outra pessoa de quem eles estão falando. – Camus bebeu toda a água num único gole e depois se ergueu e começou a andar de um lado para o outro, pensativo, acabando por apoiar a cabeça na parede, cerrando firmemente os olhos.

- Você suspeita de alguém, não é? – O delegado concluiu. Camus confirmou gestualmente e disse:

- Eu acho que sei de quem ele está falando.

- Quem? – Shura perguntou.

- Shion Lamure. Pai de Shaka e meu sócio. – Vendo a expressão confusa do delegado, Camus voltou a se sentar e encarando-o seriamente, disse:

- Eu vou te contar essa história. Ou a parte que sei. Quem sabe você não consiga entender melhor do que eu. — O delegado ajeitou-se na cadeira para ouvir toda a história de Camus e Milo.

A noite se passou em claro para o ruivo, como muitas outras desde que descobriu que algo estava errado entre ele e Milo. Ele seguiu o conselho do delegado e voltou para casa, para tentar descansar, mas não conseguiu dormir. Ficou acordado em sua cama relembrando todos aqueles fatos bizarros. Levantou-se bem cedo decidido a ir para o hospital ver Milo, mas também para contar sobre os últimos acontecimentos. Talvez assim o loiro resolvesse revelar toda essa história de uma vez.

Não sabia ele que Aioria também já sabia do ocorrido e foi direto contar para o escorpiano, que mal podia acreditar no que ouvia.

- O que? – Ele ainda se via incapacitado, e perceber o estrago que Shion fazia na vida das pessoas próximas a Camus o deixava irritado. Principalmente porque naquele estado via-se impotente e vulnerável.

- Exatamente isso! O Saga foi preso acusado de ter mandado o irmão matar você! E de ter matado esse irmão como queima de arquivo.

- Mas Saga não tem irmãos! - O loiro estava perplexo.

- Sei lá, segundo o policial meu amigo, Saga confessou que o irmão tentou matar você.

- Deuses! Mas eu achei que tinha sido o Shion... – Marin sussurrou, confusa.

- Mas foi o Shion! Ele armou contra o Saga para despistar! – Milo gritou irritado, mas uma dor em seu peito o fez calar e pôr a mão no peito.

- Calma Milo... – Aioria tentou acalmá-lo.

- Aquele desgraçado! Eu tenho certeza que foi ele! Ele deve ter plantado essas provas! Bem que eu desconfiei, ele estava quieto demais... Estava armando o tempo todo! — Sentiu novamente a dor e se apoiou, sem tirar a mão no peito.

- Ele vai tentar matar você de novo? – Marin perguntou, assustada.

- Provavelmente...

- Então temos que avisar a polícia! – A ruiva sugeriu.

- Não temos provas suficientes para acusá-lo. Seria um prato cheio para ele. E a policia não o prenderia sem provas...

- Mas e agora, o que a gente faz? – Aioria perguntou. Milo o encarou, sem saber o que dizer. Sua estratégia era Shaka, que se mostrou um covarde até agora. Ou então Minos...

- E o Shaka? Você não estava atrás dele? – Marin perguntou.

- Perda de tempo. Shaka não tem pulso firme para enfrentar Shion. Se não já teria feito alguma coisa... – Aioria comentou.

- Você ligou para o Minos? – Milo perguntou.

- Sim, mas a secretária disse que ele saiu do país. Desculpa Milo, mas eu sempre desconfiei desse cara... – Aioria disse, desconfiado.

- Estranho... Shion invadiu a casa dele para tentar me matar. Ele não é do tipo que deixaria isso barato. – Nesse exato momento, eles escutam a porta tocar. Eles se olham confusos e então Marin abre a porta.

- Camus... – Milo sorri ao ver o ruivo plantado na porta.

- Nossa, Camus! Você está bem? Está com uma cara péssima! – Marin comentou enquanto ele entrava.

- Eu não dormi muito bem hoje... – Comentou com um sorriso amarelo. Vou que Milo tinha uma expressão de dor e mantinha uma mão sobre o peito, o que o deixou preocupado. – E você? Como está?

- Estou melhorando...

- Que bom... – Camus queria perguntar e sabia que devia, mas temia fazer mal a Milo devido a seu estado. Mas ao mesmo tempo precisava perguntar. Era uma difícil decisão.

- Você está bem? Parece angustiado... – Milo notou o desconforto do ruivo e não perdeu tempo em perguntar. Camus respirou fundo antes de responder e colocou as mãos no bolso.

- O Saga foi preso acusado de ter mandado te matar... – Ele deu um tempo, tentando analisar a reação de Milo. O loiro ficou calado, encarando-o, sem saber o que dizer.

- Nós já estamos sabendo... – Aioria interrompeu a intensa troca de olhares entre eles.

- E o que acham disso? Pra mim isso foi... Indescritível! Até agora não sei o que pensar. Parece surreal. – Eles ficaram calados alguns segundos que pareciam intermináveis.

- Fiquei sabendo que ele confessou. – Camus o encarou confuso. – Um policial amigo meu me disse. — Emendou.

- Até onde sei, ele confirmou que o irmão tentou te matar, mas que ele mesmo é inocente.

- Acredito nele... – Milo, pela primeira vez, se pronunciou. Todos eles agora se voltaram para encarar Camus, que não tirava os olhos de Milo. A tensão entre eles eram tão acumulada que dava para ouvir a respiração de Milo e Camus. Marin, completamente tensa, mordia o lábio inferior sem perceber.

- Você sabia que ele tinha um irmão? – Camus perguntou, sondando.

- Não... não, mas acredito que ele é inocente. Não foi ele quem mandou me matar. Tenho certeza... – Eles ficaram novamente em silêncio por um tempo.

- Então quem foi? – Camus finalmente perguntou. Milo ficou encarando-o por um tempo, indeciso e temeroso. Os olhos de Camus estavam flamejantes, ele não mentiu quando disse que investigaria até o fim, e provavelmente estava bem perto. Ele iria fazer alguma coisa, podia ver claramente isso em seus olhos, estava ali apenas para confirmar suas tão fundadas suspeitas. Mas também sabia quem era Shion, estava com medo por ele, pela vida de seu amor.

- Camus, não faça nada que te ponha em risco, por favor. Eu te peço... – Camus desviou o olhar marejado. Ele não iria falar, não iria mesmo. – Camus... uhnn... – Milo tentou se erguer, mas a dor o impediu. Marin se prontificou a ajudá-lo. – Camus, olhe para mim! - Implorou e então o ruivo o olhou. – Não faça isso!

- Desculpe Milo. Mas eu preciso... Se você não quer dizer, não me resta outra solução a não ser perguntar para ele. – Disse e saiu.

- Não Camus! Ahh... – Ele gemeu de dor pelo movimento brusco e olhou o seu amado sair pela porta, caminhando direto para um assassino frio e cruel e se desesperou. – Vai atrás dele! – Implorou para Aioria, que correu atrás do ruivo.

- Camus! Camus, espera! – Aioria foi atrás dele, mas o ruivo não deu ouvidos e continuou seu caminho. O leonino percebeu que ele o ignoraria e se colocou de frente pra ele, parando-o. – Espera! - Camus então o parou, extremamente irritado, e cruzou os braços.

- O que você quer?

- Você não pode sair assim! Deixou Milo aflito! – Tentou argumentar.

- Não mais do que já me deixaram com toda essa história. – Disse entre dentes e saiu, empurrando-o do caminho.

- Merda! – Aioria exasperou-se e foi novamente atrás dele. – Espera Camus!

- O que foi Aioria? – Ele finalmente se virou. – Por acaso você vai me dizer a verdade? – Gritou, mas depois se arrependeu ao ver os enfermeiros o olharem torto.

- Não podemos ter conversa em outro lugar? – Aioria pediu.

- Não sei. Podemos? Se você quiser me contar a verdade podemos ir pra onde você quiser... – Camus desafiou. Aioria hesitou, sem saber o que fazer. Percebendo a hesitação, Camus bufou e saiu do hospital. Aioria o seguiu.

- Diga pelo menos pra onde você vai! - Aioria pediu seguindo-o.

- Pra que? – Ele perguntou e entrou no carro sendo seguido pelo leonino, que entrou no carro mesmo sem permissão. – O que você quer? – O ruivo irritou-se.

- Eu sei que o Milo não quer te contar o que está acontecendo, mas mesmo assim, acredite, você não pode encarar essa situação sozinho! Veja o que aconteceu com Milo! Com sorte ele não morreu, mas foi por pouco! É o que quer? Você quer morrer?! – Aioria disse, com uma firmeza que calou o ruivo. – Vamos voltar lá pra dentro? – Pediu. Eles ficaram se encarando, Aioria torcendo para que ele acatasse e Camus pensando se faria ou não. Nesse ínterim, Camus percebe a presença do delegado Shura chegando numa viatura. Ao ver o delegado saindo com Hyoga machucado é que ele se desespera e sai do carro e vai até o irmão e o delegado. Aioria o acompanha.

- Hyoga?! – Seu coração se contraiu em seu peito ao ver o irmão com sangue no braço, com marcas das lágrimas no rosto alvo e expressão apavorada.

- Camus! – O loiro tentou abraçar o irmão, mas o braço machucado o impedia de abraçá-lo.

- O que aconteceu? – Perguntou exasperado levando o irmão para dentro do hospital.

- Foi horrível mano! – Camus tentou proteger o irmão com seu braço e encarou Shura.

- Ele sofreu um ataque, mas vamos cuidar dele primeiro. – Shura sugeriu. O ruivo, muito preocupado com o irmão, assentiu. Eles entraram e logo Hyoga foi atendido pelo médico enquanto Aioria voltava para o quarto de Milo. Por sorte, o tiro que levou passou de raspão por seu braço, causando um grande susto no loiro, nada mais grave. Depois de se certificar que ele estava bem cuidado, Camus o deixou com as enfermeiras e foi conversar com o delegado, para tentar entender toda aquela história.

- O que foi que aconteceu Shura? Quem atirou nele?

- Um grupo de motoqueiros passou atirando na hora que ele saiu de casa para ir à escola. Por sorte, estava passando um homem chamado Radamanthys e o protegeu.

- Foi o mesmo mandante que tentou matar Milo, não foi?! – Aquilo já estava passando de todos os limites.

- Creio que sim... Depois da história que me contou, eu suspeitei que algo assim pudesse acontecer.

- Mas o Saga acabou de ser preso! Como ele pode ter entrado em contato com esses caras?! E o que ele iria querer com meu irmão? Isso não faz sentido!

- Acho que seu irmão não era o alvo.

- Como assim?

- Se seguirmos a linha de que Saga é quem está por trás desses crimes, não faria sentido ele querer matar seu irmão. O alvo é você, sendo te matando ou matando pessoas que te são queridas.

- Mas Saga está preso! Como ele iria fazer isso!?

- Ou ele já encomendou todos esses crimes e eles apenas o estão executando, ou Saga realmente não é o mandante desses crimes. Particularmente acredito nessa segunda hipótese. – Camus ficou calado e fechou os olhos por alguns segundos. Estava furioso, possesso!

- Eu sei que parece maluquice o que vou dizer, mas eu não acho que tenha sido ele.

- Se está pensando em Shion, eu não acredito. Ainda não vejo motivos para ele fazer isso... Pelo que você me contou o alvo dele seria Milo, não é? – Disse o delegado.

- Acho que sim. – Camus calou-se, pensativo. Em sua expressão, notava-se a imensa raiva que se formava dentro de si. Mas ele parecia que tinha tido uma ideia. O delegado o encarou preocupado.

- O que foi? – Camus o olhou e pediu:

- Eu acho que ele pode tentar algo contra Milo novamente, precisa de guarda neste hospital por um tempo. Eu acho que podem tentar algo contra Milo novamente.

- Eu já fiz isso... Já deixei meus homens de guarda.

- Ok. Eu queria pedir pra cuidar do meu irmão, um instante.

- Por quê? Aonde você vai?

- Resolver isso de uma vez por todas... – Camus sabia que não poderia perguntar para Milo. Ele ainda estava debilitado. Mas tinha outra pessoa que sabia de tudo.

O ruivo tencionou se afastar, mas foi impedido por Shura. O experiente delegado sabia que não poderia mantê-lo sob sua guarda o tempo todo e, ao que tudo indicava, Camus era o próximo alvo. Pensando nisso, decidiu quebrar o protocolo. Encarando-o seriamente, sacou sua arma e a entregou para o ruivo. Camus olhou a arma e não entendeu.

- Sabemos que estão atrás de você, vai precisar pra se proteger. – Disse forçando-o a aceitar a arma. – E lembre-se, eu nunca te entreguei essa arma. Cuide-se. – O delegado emendou antes de se afastar. Iria colocar todos os homens que dispusesse para protegê-los, mas intimamente entendia que ele precisava apurar aquilo por conta própria. É claro que não o deixaria sozinho, mas ainda assim, era melhor prevenir.

Camus engoliu em seco mirando a arma em sua mão. Respirou fundo e a escondeu por baixo da camisa e foi procurar por Aioria. Não o achou, mas imaginou que ele tivesse voltado para o quarto de Milo. Com passos firmes seguiu para o quarto de Milo.

Abriu a porta do quarto abruptamente, assustando quem lá estava. Encontrou Aioria e Marin abraçados num canto enquanto uma enfermeira trocava alguns curativos em Milo. Seus olhares se cruzaram e o loiro sentiu sobre si o peso da acusação silenciosa. Ele reconhecia aquele olhar do ruivo, já o recebeu diversas vezes, mas dessa vez tinha algo diferente. Ele estava perto, bem perto da verdade, porque ele parecia acuado também. Era uma raiva diferente, era como se tivesse chegado ao seu limite da razão.

- Mas o que é isso? Quem é você?! Não pode entrar desse jeito no quarto do paciente! – A enfermeira ralhou, mas o ruivo não lhe deu ouvidos, ele mirava Milo com raiva. Não, ele não tinha mais nenhuma raiva de seu loiro, mas estava furioso por ele não lhe contar a verdade, e mais furioso ainda por não poder cobrar dele as respostas que queria, pois ele estava ainda debilitado e não queria prejudicar a sua recuperação. E aquela sensação de ameaça misturada com a sensação de impotência o estava deixando louco, transtornado.

- Quem mais vai precisar morrer pra vocês me contarem a verdade? – A pergunta acusatória soou baixa, quase como um murmuro. Eles nada responderam e nem Camus esperou alguma resposta. Encarou o leonino e em questão de segundos o puxou, tirando-o sobre os protestos de Marin, que o seguiram. Milo faria o mesmo, se não fosse sua condição. Angustiou-se ainda mais, principalmente depois de Aioria ter contado sobre o que aconteceu com Hyoga. Aquilo estava perigoso demais. Se pelo menos conseguisse entrar em contato com Minos! Precisava de ajuda, principalmente naquele momento em que nada podia fazer.

Aioria foi arrastado por Camus até saírem do Hospital. Na calçada, ele finalmente o soltou e o encarou.

- Vou ter que repetir a pergunta? — É claro que o leonino o entendia. E não só isso, também concordava com ele e Deus sabe o quanto estava se controlando para não gritar a verdade para ele. Mas não tinha certeza, Milo não o perdoaria, pois era fato que nessa situação, a primeira coisa que o ruivo faria era encarar Shion, e isso seria uma condenação certa, um verdadeiro suicídio. E também não queria se tornar responsável caso algo acontecesse a eles por sua causa.

- Porque está perguntando isso? – Tentou desconversar.

- Por quê? – Perguntou incrédulo. – Bom, deixe-me ver: Primeiro foi o Milo, quase foi assassinado, depois Saga preso acusado de tentar matar Milo, agora meu irmão foi atacado, por sorte um homem o salvou, e você me pergunta porque estou perguntando isso? Pelo amor de Deus! O que mais precisa pra me dizer? Quem mais precisa morrer pra vocês perceberem que precisam me contar! – Gritou raivoso. Aioria cerrou os olhos, indeciso.

- E o que você acha que pode fazer? Acha que pode sozinho? – Respondeu sério. O ruivo riu nervoso.

- No mínimo preciso saber contra quem me defender!

- Olha... eu não sei! Você pode fazer merda e...

- Droga Aioria! Precisamos fazer alguma coisa e vocês não estão fazendo nada! Estão matando pessoas, tentaram contra Milo e contra Hyoga! Você está sendo cúmplice! Está sendo permissivo porque sabe quem está por trás disso e está se calando! – Gritou irritado.

- Eu não...

- Você vai esperar mais quem morrer Aioria? Vai esperar atacarem a Marin? – Apontou para a ruiva que estava em silêncio. – Só quando tentarem contra quem você ama é que você vai resolver agir?

- Você não sabe o que está dizendo! Não sabe o quanto me arrisquei nessa história que nem minha é! Então não me acuse, pois estou tentando ajudar!

- Se calando?! Deixando esse assassino livre?! Não me tome por idiota! Sei que Milo te pediu silêncio, mas olha no que deu, ele quase morreu, e tudo porque vocês ficaram calados até agora, esperando sei lá o quê! E quanto mais vocês se calarem, mais ele estará impune! Tentando matar quem vier pela frente! Isso precisa parar antes que mais alguém se machuque! – Aioria desviou o olhar, porque tudo o que ele disse, todas as palavras, concordava com todas elas. Camus se aproximou e o tocou nos braços, forçando-o encará-lo. – Eu só preciso de um nome Aioria, só preciso entender o que está acontecendo. – Disse olhando fixamente para os olhos do leonino.

- Você sabe... – Disse. Sua respiração estava alterada, estava nervoso, indeciso, mas acreditava que ele precisava contar.

- Saga? – Camus arriscou.

- Saga? Que Saga! – Irritou-se, afastando-se do ruivo. – Você só pode estar louco em acreditar nessa história do Saga! Armaram contra ele, isso sim! – Aioria respirou fundo. Eles ficaram em silêncio por um momento.

- Shion Lamure! – O nome que surgiu em sua mente não foi uma surpresa completa para Camus, mas mesmo assim sentia o baque.

- Sim... Esse mesmo! – Aioria confirmou. Novo silêncio entre eles.

- Mas porque ele tentaria contra a vida do Hyoga? – Perguntou tentando entender.

- Porque o loiro é o irmão do grande inimigo dele! – Camus franziu o cenho.

- Como assim?

– Acorda ruivo! Tudo isso não tem nada a ver nem com Milo, nem com Saga, nem com ninguém! É só com você! – Camus perdeu o fôlego, assustado.

- O que quer dizer com isso? – Aioria suspirou, cansado.

- Quero dizer que Milo esse tempo todo tem lutado pra te proteger desse louco que te odeia! Por isso ele está nessa cama de hospital, por isso ele quase morreu! Por isso ele se tornou psicólogo! Por isso que Saga foi preso, o seu irmão foi atacado, tudo não passa de um jogo daquele maluco pra te enlouquecer!

- Me proteger... – Murmurou aquela palavra, aquela palavra... Na mesma hora Camus se lembrou.

- Exatamente... – Aioria confirmou os olhos marejados de Camus. – Foi pra te proteger do Shion que ele fez o que fez com você!

Continua...