Manual de Sedução Ii - do You Love Me?
18 Capítulo 18 - A prisão de um inocente
Depois de longo tempo, Shaka saiu do restaurante da mesma forma furtiva de quando chegou, sem perceber que Camus o observava atentamente. Novamente, Saga esperou um tempo até sair e foi só depois de Saga dar a partida de seu carro e sumir de sua vista que Camus sentiu-se seguro de sair do seu carro e ir atrás de seu celular. Não demorou muito e logo estava de volta, com a gravação que tanto almejava em suas mãos. Sentia que agora teria pistas verdadeiras do que estava acontecendo e talvez por isso se sentisse assim, tão aflito e apreensivo pelo que estava gravado em seu celular, pelo que estava prestes a descobrir.
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Shaka estava apreensivo. Ele sempre soube, em seu íntimo, quem era seu pai, mas nunca pensou que ele tivesse coragem de ir tão longe. Todas as vezes, todas as ordens, todas as história que ouviu, que presenciou, toda aquela loucura, sempre esteve ali, mas em nome do sangue se calou. Aquela conversa, de alguma forma, o balançou. Era a primeira vez em que sentia a necessidade de se posicionar diante das atitudes do pai. As evidências do envolvimento de Shion com a tentativa de assassinato de Milo eram fortes e graves, e ele não poderia mais se manter inerte diante de tais suspeitas.
A sua consciência, sempre abalada pelas atitudes obscuras do pai, começou a dar sinais de tormento, talvez tardia. Seu coração estava dolorido, queria esquecer e portar-se covardemente, como tem feito há anos. Porém, essa atitude contribuía a mais tormento em sua vida, e também contribuiria para Shion continuar a agir como se estivesse acima de tudo. Aquilo precisava parar antes que algo pior acontecesse.
Chegou à porta de sua casa e um calafrio percorreu sua espinha. Decidiu, depois de muita relutância de sua parte, que naquela noite precisaria conversar com seu pai. Uma conversa que, conhecendo-o bem, sabia que definiria muitas coisas. Seria uma conversa tensa, complicada, mas estava realmente decidido.
Ele entrou suavemente, mas sem o intuito de se esconder. As luzes apagadas e o silêncio da casa indicavam que todos já dormiam, mas ele sabia que o pai o esperava. Shion jamais se deitava antes de beijar-lhe a testa num anseio de boa noite, portanto, já fora descoberto em sua desobediência. Respirou fundo, estava suando frio. Não podia negar a si mesmo, estava temendo pelo que poderia sair daquela conversa. Fez uma breve oração mentalmente e prosseguiu para seu quarto. E foi lá que com uma parca iluminação o encontrou, sentado em uma cadeira com aquela frieza em seu olhar.
– Shaka... – Ouviu-o murmurar baixinho. O loiro, sem saber o que fazer, manteve-se calado, um pouco acuado. Era sempre assim que se sentia quando recebia aquele olhar de repreensão. – Quando eu disse que eles não eram boas influências, você os defendeu, mas veja... – Shion apontou para o loiro com o olhar decepcionado. – Apenas alguns poucos encontros foram suficientes para você se tornar um rapaz desobediente. Pensei tê-lo ordenado que ficasse em casa agora que está tão próximo do seu grande dia. – Apesar de calmo, a voz de Shion era firme e sombria, causando um leve calafrio no loiro.
– Eu precisava sair... – Tentou argumentar, mas Shion o interrompeu.
– Precisava? Porque precisava? – Shion se levantou e foi até o loiro. – Aqui você tem tudo o que precisa...
– Isso não é verdade. – Ele disse, assustando a si mesmo e a Shion com sua audácia. A postura do loiro fez Shion ficar em alerta.
– Como é? – Ele não podia acreditar que tantos anos trabalhando na elevação de Shaka, e tão rapidamente ele já estava se desvirtuando do caminho, contradizendo-o dessa forma, o que estava acontecendo com ele? Shaka suspirou.
– Papai, precisamos conversar... – Respirou fundo, tomando coragem.
– Onde você estava? – Perguntou, cruzando os braços e respirando fundo.
– Eu fui jantar com um colega. Nada demais. – Tentou fugir dos olhos do pai.
– Que colega?
– Isso não é importante, não tanto quanto o que ele me disse. Ele disse que você... papai, seja sincero comigo. Sei que o senhor deseja muito que eu vá para a vila, mas... qual preço o senhor pagaria para isso? – Shion calou-se, analisando minuciosamente a expressão acuada de Shaka.
– Por você, meu filho, eu faria tudo. Pagaria o preço que fosse. Só por você.
– Até matar? – A pergunta rápida não escondia o temor da voz do loiro. Shion demorou alguns longos segundos para responder.
– Eu mataria e morreria por você. – A resposta sincera balançou Shaka. Tremendo, seus olhos marejaram enquanto encarava a expressão fria do pai. Fria demais para quem acabou de dizer que mataria.
– Pai... o senhor... diga-me a verdade, pelo amor de Deus, diga-me... – Shaka não conseguiu evitar as lágrimas. – O senhor tem algum... envolvimento com o que aconteceu com o Milo? – Shion estreitou os olhos, com certeza alguém plantou algo na cabeça de Shaka.
– Não. Apesar de achar que ele não é uma boa companhia para você. – Respondeu secamente.
– E por quê? O que ele fez? — Shion fechou os olhos, externando seu nojo.
– Shaka, que perguntas são essas? Quem está colocando essas coisas na sua cabeça? Não vou permitir que ninguém te tire do seu caminho. – A expressão de Shion mudou de repente, transformando-se em algo estranho, até maligno, arrepiando Shaka.
– Eu quero saber o que está acontecendo com o senhor! – Shion o encarou seriamente, tentando descobrir o que significavam aquelas palavras.
– A pergunta deveria ser o que está acontecendo com você! Shaka, não se deixe levar pelo mundo, eles são mentirosos, ardis. Sua vida é iluminada, trará luz para muitos!
– Será? Eu não tenho tanta certeza assim, aliás... É muito estranho que você tenha essa certeza. De onde você tirou essa certeza toda?
– O que... ? Você é meu filho Shaka! Sei quem você é, sei que você é o guia que tanto esperaram! Eu tenho certeza! – Exaltou-se, percebendo uma dúvida que não deveria estar ali.
– Eu não sei... – A dúvida pairada sobre a cabeça do loiro irritou Shion.
– Está duvidando de mim? Estou te dizendo! – Perguntou incrédulo.
– Como você pode ter certeza se nem eu tenho? Sei lá... Às vezes acho que você está apenas transferindo pra mim a sua vida. É normal pai... você pode ter passado pra mim a frustração de não ter conseguido ser o guia, e agora quer que eu seja... – Shaka não pode concluir, pois foi interrompido por uma bofetada de Shion. Descontrolado, o ariano agiu por impulso e arrependeu-se assim que viu o olhar estarrecido do filho
– Pai!? – Surpreso, Shaka silvou ao sentir o tapa.
– Olha o que você me faz fazer! – Tocou carinhosamente o rosto de Shaka, como se pedisse perdão.– Quem anda colocando essas ideias na sua cabeça, Shaka? É Camus, não é? Você estava com ele, não é? Ou talvez tenha ido ao hospital com Milo, hein? Você nunca me desrespeitou, nunca me levantou a voz, e agora está falando esses absurdos? Anda, me fala! Você estava com ele? – Se afastou um pouco.
– Não! Não estava com Camus, estava com Saga! E ninguém me disse nada, pai! Até porque eles não sabem de nada da nossa vida! Ou sabem? O que Camus poderia me dizer? O que está acontecendo? – Shaka, pela primeira vez, encarou Shion de frente, desafiando-o.
– Eu não sei! Quem deve dizer isso é você, não é? Não é você que resolveu se rebelar, ir contra seu pai?! Desafiar a quem sempre te amou? Desconfiar de mim? O que está passando aí na sua cabeça, agora? Daqui a pouco vai dizer que sou um péssimo pai. Que sou um monstro, o que mais vai ser, hein?
– Não é nada disso! Só estou dizendo que estou em dúvida, eu não sei... eu... eu não quero ir agora. Preciso de tempo pra pensar...
– Que história é essa de dúvidas? Você vai ser o grande guia daquele povo, conforme eu te preparei durante todos esses anos, desde que você nasceu, você me entendeu?! Você nasceu pra isso, não pode decepcionar todas essas pessoas, e nem a mim só por causa de um capricho mundano! – Enfureceu-se, pegando em seu braço, apertando-o e o jogou com força para trás, fazendo-o bater na porta.
– Ahh... Mas eu não sei se sou mesmo esse guia, que eles esperam... ah pai, me solta! Está me machucando! – Disse com voz entrecortada e um choramingo. Shion afrouxou o aperto em seu braço e cerrou bem os olhos, tentando se controlar.
– Graças a esses amiguinhos, ah como pode Shaka?! Você deixou tudo o que te ensinei pra trás, e por quê? Pra que? – Ele finalmente o soltou, para alívio de Shaka. – Poucos dias aqui e já foram suficientes para isso?! – Ele apontou para o filho, visivelmente enojado e nem mesmo as lágrimas de Shaka amenizavam a fúria estampada no rosto do ariano.
– Isso não tem nada a ver com ninguém. Eu só estou em dúvida, em muitas coisas, principalmente com relação a você. Essas suas desconfianças... porque você mencionou o Camus? Que eu saiba vocês são amigos... – Shaka disse, chorando ao ver seu pai se transformando em puro ódio.
– Chega Shaka! Chega! Primeiro me desobedece, sai de casa a noite para encontros sujos e... ainda tem coragem de levantar suspeitas contra mim? Muito bem, Shaka. Se em seu coração paira a dúvida, você deve ficar aqui em jejum, meditação sobre essas palavras e tudo porquanto você foi ensinado. Quem sabe os guias espirituais consigam limpar seu coração. Você só sairá daqui quando for o dia de irmos para a vila. Aproveite para refletir sobre essas atitudes. – E dizendo isso, Shion o deixou em seu quarto, trancando a porta.
– Pai, espera! Eu preciso falar com você! Abre essa porta, por favor! – Shaka pediu, batendo na porta, mas Shion o ignorou. Ele estava controlando-se ao máximo para não fazer nenhuma besteira. A sua vontade era de surrar o filho, mas não faria isso. Se alguém deveria pagar, esse alguém deveria ser o responsável por tudo isso.
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O escritório estava mergulhado no silêncio absoluto. Assim que chegou, Camus tomou a precaução de pedir a sua secretária que não deixasse ninguém entrar e trancou a porta. Precisava ficar sozinho. Mas ao mesmo tempo precisava de alguém ali, pois uma sensação de pânico se apossou dele de forma assustadora. Camus tremia e suava frio, sentia seu estômago revirar e um calafrio percorrer-lhe a espinha, olhando o seu próprio celular, numa briga entre ansiedade e pavor, que tinha diante da possibilidade de enfim descobrir a verdade que tanto almejou.
O ruivo sabia da importância daquilo, das informações que aquela gravação poderia conter, das verdades que permeavam por toda a sua vida, talvez até permeando toda a sua história com Milo. Esse pensamento o deixou ofegante e ainda mais nervoso pelo que estava prestes a ouvir. Ajeitou-se na cadeira, respirando fundo para conseguir coragem e voltou quando estava prestes a ouvir a gravação, o seu celular toca, dando-lhe um leve susto. Era Marin.
– Alô?
– Oi, Camus. É a Marin...
– Oi, Marin...
– Você está bem? Está com uma voz estranha. – Ela logo percebeu a voz angustiada de Camus.
–Estou... estou bem, estou só cansado. Só isso... – Tentou disfarçar.
– Bom, eu estou saindo aqui do hospital e o Milo perguntou por você. Achei que devia saber... – Camus levou a mão aos cabelos.
– Eu tive um dia cheio hoje, mas ele está bem, não é?
– Sim, ele está se recuperando muito bem. Só te falei pra você saber mesmo... E como você tem vindo aqui todos os dias desde que ele deu entrada no hospital, pensamos que talvez estivesse com algum problema.
– Não, quer dizer, mais ou menos, mas depois eu te explico.
– Tem certeza? Se quiser eu posso te encontrar pra conversarmos um pouco. Essa situação toda com o Milo não foi fácil mesmo...
– Não, tudo bem Marin. Está tudo bem, amanhã eu vou bem cedo vê-lo. Mas obrigado mesmo assim, vocês têm sido bons amigos tanto pra mim como para o Milo.
– Como você preferir então... Qualquer coisa que precisar, me liga. Ok?
– Ok, obrigado mais uma vez.
– Que isso... Beijos e boa noite.
– Boa noite Marin. Um beijo. – Camus desligou o telefone e suspirou. Esqueceu completamente de ver Milo. Com tudo o que estava acontecendo, só conseguia pensar em resolver esse mistério logo de uma vez. Mas com a ligação da amiga acabou se sentindo meio culpado. O loiro deve ter sentido sua falta, para ela ligar perguntando. De certa forma, isso o deixou feliz porque mostrava que Milo ainda gostava dele, apesar de tudo o que aconteceu.
Meneou um pouco a cabeça, depois se entenderia com o loiro. Agora o que mais importava era tentar descobrir o que estava acontecendo. Faria porque precisava saber e por Milo, para protegê-lo. E foi pensando nisso que, respirando fundo, ligou a gravação para ouvir a conversa entre Shaka e Saga. Assim que ligou começou a ouvir a voz das pessoas, provavelmente eles estavam em silêncio, o que aumentou ainda mais a ansiedade de Camus.
– Mas você tem certeza? – Ouviu bem baixinho e reconheceu como sendo a voz de Shaka. Aproximou o telefone de seu ouvido para ouvir melhor.
– Absoluta. Era ele mesmo. – Eles ficaram um tempo em silêncio.
– E o que vai fazer?
– Eu não sei Shaka. Eu acho melhor ficar quieto agora... – A voz de Saga estava angustiada. De quem será que eles falavam?
– Mas você não devia contar isso para a polícia?
– Não! Agora não! Eu... preciso pensar no que fazer. Pra eles pensarem que tenho alguma coisa a ver com isso não custa.
– Mas você não tem nada com isso! Não tem como a polícia pensar numa coisa dessas!
– Não sei, Shaka. De qualquer forma, tem outra coisa que eu quero te falar.
– O que foi?
– Essa morte do Kanon... ela não foi acidental. Alguém o matou. Eu sei quem foi, e você também sabe de quem estou falando. No fundo você também sabe. – Novamente um silêncio. – Sei que é difícil pensar nisso, mas não tem mais jeito... Está indo longe demais.
– Quem era esse Kanon?– Camus perguntou confuso em um murmúrio, enquanto ouvia a gravação, com o olhar perdido no vazio.
– O que está dizendo? Isso é muito sério!
– Eu sei, mas eu tenho certeza. É por isso mesmo que eu te chamei aqui... Eu já tinha te falado dele, não é?
– Sim, já sim.
– Então... é muita coincidência. E eu não te falei, mas... eu encontrei com ele lá na festa do Minos e... ah droga! Eu juro que tentei evitar! Mas... foi tudo mais rápido que eu. Quando eu dei por mim as coisas já tinham acontecido e o...
– Fala baixo Saga! – Shaka ralhou antes que ele falasse mais. O que deixou Camus ainda mais apreensivo. - Calma, Saga. Me conta direito o que aconteceu!? Devagar, com calma. – Novamente silêncio entre eles.
– Shaka! Não tem o que contar! Foi o Kanon quem tentou matar o Milo! E você sabe por quê! Agora o Minos vai chegar até ele... o cara me pressionou ontem. Ele está correndo atrás disso! Você sabe bem o que vai acontecer não é?
– O que eu posso fazer? Não tenho controle sobre isso!
– Não vou entrar nesse mérito Shaka. Mas eu quero que esteja preparado. Porque as coisas vão explodir. E quando isso acontecer, eu vou estar lá. Eu...
– Saga!?
– Eu quero que ele pague Shaka. Desculpe dizer isso, mas ele matou o meu irmão e não há nada que me convença do contrário. Então, eu só quero que se prepare, não me odeie por isso! – Camus arregalou os olhos, então era verdade. Saga tinha um irmão. Como ele nunca contou isso?! Desgraçado! E o pior, pelo que entendera, foi o irmão de Saga quem tentou matar Milo! Céus!
– Eu não vou ficar. Eu sei que... bom, todos nós plantamos o que colhemos. É o certo, é a lei da vida... – Shaka disse, resignado. Mas a essa altura, Camus não ouvia mais nada. Estava sentindo um ódio mortal de Saga nesse momento e a única coisa que passava por sua cabeça era de que ele era o grande traidor. Sua cabeça começou a doer violentamente. Não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Porque ele fez isso? Por quê?
– Mas agora aquele desgraçado vai me explicar aquilo o que realmente está acontecendo! Ou não me chamo Camus Verseau! – Camus murmurou entre dentes serrando os punhos. Sentia-se encanado, usado e traído mais uma vez e, pior que isso; por alguém que podia jurar que jamais o apunhalaria!
O ruivo pegou as chaves do carro e rumou para a casa de Saga, ignorando a dor de cabeça. Precisava esclarecer as coisas e só se acalmaria quando desse um murro na cara daquele traidor!
O ruivo pegou o seu carro e acelerou direto para a casa do amigo, se é que ele ainda podia chamá-lo de amigo. Estava atordoado, se sentindo traído pelo amigo, e ao mesmo tempo confuso. Porque apesar de ter ouvido tudo o que ouviu, ainda não fazia sentido aquela história. Parecia que estava vivendo um pesadelo onde as coisas se confundiam e perdiam o sentido. Não via a hora de acordar deste pesadelo!
Quando chegou a casa de Saga, desacelerou seu carro ao observar a presença da polícia ali. O lugar estava movimentado, alguns policiais na porta, umas duas viaturas paradas ali perto. Achou aquilo estranho. O que será que estava acontecendo? Ele desceu do carro e se aproximou da casa encontrando o delegado Shura.
– Delegado! – Chamou e então Shura foi até ele.
– Senhor Camus... boa noite.
– Boa noite. O que está acontecendo aqui? Onde está Saga?
– Saga está preso acusado de ser o mandante da tentativa de assassinato do senhor Milo Seferis.
– O que?
– Nós recebemos uma denúncia anônima agora à noite informando que encontraríamos provas do seu envolvimento com o caso. Nós viemos averiguar e de fato encontramos a prova que o liga ao crime.
– Que prova é essa?
– Calma Camus! Sei que é uma situação difícil, mas você precisa manter a calma. Nós encontramos emails trocados por eles confirmando que ele mandou o irmão matar o senhor Milo. Agora só precisamos da amostra de DNA dele para comprovar o parentesco.
– E a morte do irmão?
– Estamos trabalhando com a possibilidade de queima de arquivo. – Camus ficou alguns minutos em silêncio.
– Onde ele está?
– Está no carro.
– Eu preciso falar com ele. Delegado, por favor. Ele é meu amigo, como se fosse um irmão. Eu preciso entender o que está acontecendo.
– Infelizmente, isso não será possível.
– Por favor, talvez eu consiga tirar dele porque matou o irmão! Pensa bem delegado! – Shura pensou um pouco.
– Ok, vamos então. Você falará com ele na sala de interrogatório. – Shura o encaminhou até uma viatura e todos eles seguiram até a delegacia. Camus a todo o momento pensava se devia mostrar a gravação para o delegado, mas resolveu esperar. Queria olhar para Saga diretamente em seus olhos e perguntar para ele porque de tanta mentira.
Foi tudo muito rápido para o ruivo. Em um momento estava na viatura e logo depois já esperava na sala de interrogatórios a presença do ex amigo. Ele esperou por meia hora até ver Saga entrando por aquela sala. O seu primeiro impulso foi de avançar nele, socá-lo, mas se segurou. Esperou que ele sentasse e ficassem sozinhos para conversar. Assim que se virão sozinhos, Saga tentou se explicar.
– Camus, me escute! Não acredite neles! Isso foi uma armação!
– Cala a boca! – A voz agressiva e cortante fez o geminiano se calar. – Como pode fazer isso comigo, Saga? Desde quando? Me diz! Desde quando anda planejando matar o Milo?
– Não! Eu nunca quis matar ninguém!
– Ah não? Então não era seu irmão morto naquele quarto? Não foi seu irmão Kanon quem tentou matar o Milo? – Gritou, possesso de raiva. Saga o encarou surpreso e depois suspirou amargo, abaixando a cabeça.
– Sim, foi o meu irmão quem tentou matar o Milo...
– Maldito! – Camus não se agüentou e avançou para cima de Saga, desferindo-lhe um soco que o fez cair da cadeira. Ele foi até onde o geminiano estava e o ergueu pela gola da camisa. – Porque fez isso? Achou mesmo que nunca iriam te pegar, maldito? – Um novo soco.
– Ah! Espera Camus! Não é isso! Pergunte a Milo! Ele sabe!
– Cala essa sua boca! Você não me engana mais! Eu ouvi toda a sua conversa com Shaka! Já sei de tudo, maldito! – Agarrou-o novamente pelo pescoço, enforcando-o.
– Então... ah... então já sabe de Shion... ah... – Saga tentou dizer, olhando nos olhos do ruivo, que empalideceu e o soltou. Logo depois, os policiais entraram na sala para afastar Camus de Saga, pois estavam vendo pela câmera o desenrolar da cena.
– O que tem a ver Shion? Fala Saga!- Gritou a pergunta enquanto Saga era levado para a cela. Saga o encarou e antes de sair, respondeu:
– Pergunte a ele...
Continua...
Notas finais
Como percebem, fanfic caminhando para o final =D
Ai ai ai... tenso! rs
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