Manual de Sedução Ii - do You Love Me?

17 Capítulo 17 - Traição descoberta.


Camus largou a caneta e ficou olhando o papel com várias anotações e nenhuma ligação, não entendia aquilo, mas agora sabia o por quê. Tinha alguma coisa faltando naquele quebra cabeça. E essa peça que faltava era justamente o que daria sentido a todos aqueles fatos.

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Acabou adormecendo sobre a mesa, depois de horas tentando desvendar todo esse mistério, sem sucesso. Foi despertado por fachos de luz que saíam de brechas da janela. Estava sentindo dores pelo corpo todo devido ao sono desconfortável na cadeira. Camus se ergueu, guardou os papéis e se dirigiu ao seu quarto para um demorado banho na suíte. Estava cansado, dolorido, frustrado e já começava a achar que nunca iria resolver todo aquele problema sozinho. Estava truncado de tal jeito que não conseguia ver saída ou solução. Talvez conversar com Milo mais uma vez fosse a melhor solução, apesar dele ainda estar no hospital.

Tomou seu café junto de Hyoga e Shun, agora oficialmente namorados. Não gostou muito em saber que o namoradinho passou a noite aqui com ele, mas não disse nada. Achava que Hyoga era novo demais para já levar namorado para casa. Se fosse outra época, Camus daria intermináveis lições e sermões ao irmão, mas não estava com cabeça para isso. Primeiro porque Shun parecia ser um menino calmo, tranqüilo, de boa família, talvez até fosse uma boa influencia para Hyoga. E também porque essa história não lhe parecia algo mais sério do que um simples namorico juvenil.

- Como está o Milo? – O irmão mais novo perguntou.

- Está melhorando aos poucos, mas ainda ficará um tempinho no hospital.

- E já sabem o que aconteceu? Quem atirou nele?

- Não, a polícia ainda está investigando. – Camus respondeu e voltou o seu olhar para os dois à mesa.Ele ficouum tempo analisando o irmão e a Shun, sentindo quase uma necessidade em perguntar mais sobre o namoro deles. Com tudo o que aconteceu, Camus literalmente deixou o irmão mais novo de lado, praticamente abandonado. Se seus pais soubessem disso, ralhariam com ele e com razão. – Hyoga, e você? Está tudo bem? Com tudo o que está acontecendo, nem tivemos tempo de parar para conversar... – Justificou-se.

- Está tudo bem, não precisa se preocupar irmão.

- Mesmo? Não tem nada para me contar? Nada que queira me falar? – Camus insistiu. Hyoga deu de ombros, negando gestualmente.

- E você Shun? Gostou da casa? – O rapaz não escondeu a sua surpresa. Desde que começou o namoro com o loiro, nunca o irmão mais velho e, diga-se de passagem, quase o pai de Hyoga, dirigiu uma única palavra a ele. E agora estava ali tomando café da manha juntos tranquilamente e estava até puxando conversa.

- Sim, senhor. É muito bonita. – Respondeu timidamente. O ruivo achou graça da timidez exarcebada do jovem, mas não falou nada. Imaginava que Hyoga devia pintá-lo como um irmão carrasco. Injustamente, é claro.

- Eu espero que o Hyoga não tenha falado muito mal de mim... Posso parecer durão, mas sou tranqüilo. – Tentou gracejar e assim, talvez, fazer o garoto relaxar. Shun sorriu timidamente, mas não disse nada. Hyoga pensou em comentar algo a respeito e contradizer o irmão, mas foram interrompidos pela visita inesperada do delegado Shura. O ruivo se surpreendeu pela visita e logo levou o delegado para seu escritório.

- Bom dia senhor Camus, desculpe-me ter vindo logo cedo.

- Não se preocupe com isso. Sente-se! Quer alguma coisa, um café?

- Não, obrigado. – Shura sentou-se.

- Então... o que deseja? – Curioso e intrigado, o ruivo logo perguntou sem rodeios.

- Eu gostaria de fazer algumas perguntas sobre a tentativa de assassinato contra o senhor Milo. Informalmente, não se preocupe.

- Claro, pode perguntar o que quiser.

- O senhor conhece há muito tempo o senhor Saga? – Camus hesitou, surpreso de o delegado mencionar o amigo.

- Sim. Eu, Saga e Milo estudamos juntos. Depois, com o tempo nos afastamos, só há pouco voltamos a nos falar realmente.

- E a relação de vocês sempre foi boa? Já tiveram algum problema, talvez entre Milo e Saga?

- Desculpe delegado, mas é impressão minha ou o senhor está desconfiando de que o Saga possa ter feito...?

- Calma senhor Camus. Eu não acho nada, estou apenas checando algumas possibilidades.

- Envolvendo o Saga? Não, eu o conheço. Ele nunca faria algo como isso!

- Eu tive informações de que você, ele e o senhor Milo tiveram um envolvimento amoroso no passado. É verdade? – Camus ficou surpreso e um pouco constrangido com a pergunta, mas respondeu mesmo assim:

- Ah... bem, eu e Saga tivemos um relacionamento sim. Mas já tem muito tempo.

- E Milo? – Camus ficou um tempo em silêncio, processando aquilo.

- Nós... a nossa relação é muito complicada senhor delegado. Mas... nós estamos tentando nos acertar.

- E o senhor Saga? Como se sente em relação a isso? Ele ainda sente algo pelo senhor?

- Ah... eu não sei. Quer dizer, o Saga não concorda com isso, acha que não devo confiar no Milo, mas... Sinceramente, não sei aonde quer chegar delegado! – Camus estava cada vez mais confuso com aquelas perguntas.

- Quero apenas confirmar algumas suspeitas. Considerando tudo isso, eu posso supor que esse crime tenha sido passional, já que o senhor Saga, enciumado pelos seus sentimentos para com Milo, tenha se aproveitado de um momento vulnerável para efetuar o disparo? Aproveitando-se de que, sendo convidado da festa, ninguém desconfiaria de sua entrada e saída da festa? Seria uma hipótese muito absurda, senhor Camus? – O ruivo ficou atônito. Ele nem conseguia falar nada, aquilo era surreal, apesar de fazer certo sentido.

- Não!

- Não? – O delegado estranhou a atitude de Camus.

- Não é assim, quer dizer, o Saga não sente mais nada por mim!

- Tem certeza? — Não, Camus não tinha certeza. Sabia dos sentimentos do amigo, mas também o conhecia, sabia que ele não seria capaz de tal ato.

- Delegado, o motivo que faz o Saga não ser a favor do meu relacionamento com Milo é outro, não tem nada a ver com isso! Eu tenho certeza disso!

- E como o senhor pode ter tanta certeza?

- Eu o conheço desde que somos moleques!

- Mas você disse que não o vê há muito tempo...

- Mesmo assim, não acredito que ele tenha feito tal coisa! – Nesse momento, Shura recebe uma ligação.

- Só um momento. – O delegado pediu e foi atender. Foram uns dez minutos de muita tensão e expectativa para Camus, que ainda estava chocado com todas as suspeitas levantadas por Shura.

- Senhor Camus? – O delegado, percebendo que Camus estava aéreo, o chamou.

- Sim, pode falar.

- Bem, eu temo que o senhor tenha se enganado quanto ao seu amigo.

- Porque diz isso? – Perguntou apreensivo.

- Ontem recebemos uma denúncia anônima sobre uma explosão ocorrida pouco depois do ataque ao senhor Milo. Aparentemente nada poderia ligar essa explosão com a tentativa de assassinato, mas em todo caso fomos averiguar e levando em conta o seu depoimento e o fato do homem morto nessa explosão levar consigo uma arma dourado parecida com a que o senhor nos descreveu, começamos a desconfiar que este homem morto seja o mesmo homem que atirou em Milo. Apesar de essa explosão estar sob investigação de outra delegacia, pedi para que fizessem análise balística na arma e na bala que feriu Milo.

- E era ele? – Camus perguntou assustado com a proporção de tudo aquilo.

- Acabo de receber a informação que o laudo de compatibilidade saiu e a resposta é positiva.

- Céus! Isso significa que...

- Que o assassino de Milo está morto agora. Foi carbonizado numa explosão que ainda não sabemos se foi acidental ou algum tipo de queima de arquivo.

- Mas o que Saga tem a ver com isso?

- A informação que temos é que este homem é, na verdade, irmão de Saga. — Camus ficou lívido. Ele não podia acreditar, será que Saga tinha algo a ver com tudo isso?

- O... o que? Mas... ele não tem irmãos! Tem alguma coisa errada! – Aquilo não fazia sentido. Nunca ouviu Saga falar de irmão algum.

- Temos a testemunha do dono do veículo destruído que nos garantiu que eles são irmãos. De qualquer forma vamos pedir o exame de DNA ao senhor Saga.

- Não... não, eu tenho certeza. Eu saberia se ele tivesse um irmão. – Camus pensou e chegou a conclusão de que Saga não poderia ter mentido sobre isso, afinal eles se conhecem desde muito tempo, chegou a freqüentar a casa dos pais dele, e nunca ouviu falar de nenhum irmão. – Será que este homem não quer desvirtuar a atenção para o verdadeiro assassino? – Indagou.

- Sim, pode ser. Mas se foi isso, então o verdadeiro assassino não só conhece o senhor Milo como também conhece o senhor Saga e toda a essa relação entre vocês, e aproveitou-se disso para induzir a polícia a acreditar que seu amigo é o verdadeiro mandante, fazendo parecer se tratar de um crime passional. E para ter tantas informações, esse mandante só pode ser uma pessoa muito próxima de vocês e de extrema astúcia. E sendo assim, eu pergunto: Quem teria interesse em matar Milo e colocar todos os indícios sobre a pessoa do senhor Saga? – Imediatamente Camus lembrou-se de Shion. Ele era o único que os conhecia e que tinha algo contra Milo. Mas ainda assim permaneceu quieto, não queria ser leviano de levantar suspeitas se nem mesmo ele tinha certeza delas. A hesitação, porém, foi notada pelo experiente delegado e, percebendo que o ruivo tinha mais a contar do que realmente estava falando, perguntou:

- Senhor Camus, tem algo a mais que o senhor gostaria de me contar? Informalmente, é claro.

- Delegado... eu conheço alguém que nunca gostou do Milo e que conhece toda essa história. Mas... eu não tenho provas contra ele.

- Não se preocupe, senhor Camus. Nossa conversa é informal.

- Bom, eu sei que Shion Lamure não gosta do Milo. Ele é meu sócio e estava conosco na festa na casa do senhor Minos.

- Shion Lamure...

- Sim, desde muito tempo, quando nos estudamos com o Shaka, filho dele, juntos no colégio, que ele não gosta do Milo. Só que ele sempre evitou contato com ele, até que... – Camus lembrou-se do dia em que viu o loiro na Mundus, naquele episódio onde ele, Shaka e Milo se reencontraram sob as vistas de Shion.

- Até que o quê senhor Camus?

- Até que Milo se reaproximou do filho dele, o Shaka, só que de um jeito muito estranho.

- Estranho como?

- Eu não sei explicar delegado. Ficou um clima muito tenso e eu senti que o Shion não ficou satisfeito com essa aproximação.

- Entendo. Bom, muito obrigado pelas respostas. Eu preciso ir agora. – Shura levanta-se, despedindo-se.

- Que isso, qualquer coisa me procure.

- Farei isso...

- E delegado, por favor, qualquer novidade, me avise. – Camus pediu enquanto levava o delegado até a porta de casa.

- Não se preocupe, eu avisarei. – Eles então se despediram e o ruivo voltou para o escritório. Pensativo, ele ainda tentava assimilar todas aquelas coisas que ouviu do delegado. Não podia negar que tinha algum sentido, apesar de ser muito estranho para ele pensar que Saga tenha mandado matar Milo. Ainda assim, o que mais o intrigava era esse novo personagem, o tal irmão de Saga.

Camus era freqüentador assíduo da casa do geminiano quando eram jovens. Conhecia os pais dele, pessoas muito tranqüilas e honestas. Também o namorou por um ano, logo depois que se mudou de cidade por conta daquele terrível incidente com Milo. E em nenhuma das vezes o viu ou ouviu falar de algum irmão. Ele sempre foi uma pessoa confiável e não tinha nenhum motivo para desconfiar dele. Portanto, aquela informação que o delegado trouxe só poderia ser falsa.

Mas por via das dúvidas, resolveu ligar para a casa do amigo. Poderia até ser que o verdadeiro mandante tenha tentado incriminá-lo e Saga precisava ficar sabendo disso. Porém todas as tentativas de entrar em contato com o amigo foram frustradas. Por alguma razão, Saga não atendia nem o telefone de casa e nem o celular.

Sem saber o que fazer, Camus resolveu ir trabalhar. Já estava exausto com tudo aquilo e sentia-se correndo em círculos. Precisava parar e pensar em outra coisa ou acabaria enlouquecendo. Mais tarde, tentaria falar com Saga e com certeza entenderia melhor essa história.

Mas o tempo foi passando e nada de Saga aparecer. Ele não queria acreditar nas suspeitas do delegado, mas tinha que confessar que seu sumiço estava suspeito demais. Já era noite e depois de passar o dia inteiro sem conseguir deixar de pensar no assunto, Camus decidiu procurar por ele em sua casa. Mas mais uma vez a sua tentativa de se comunicar com Saga foi frustrada. O ruivo tocava insistentemente a campainha, mas não era atendido. E a julgar pelas luzes apagadas, considerou que ele realmente não estava em casa.

E então voltou para o carro, mas decidido a não ir embora sem falar com o geminiano. Uma hora ou outra o amigo teria que voltar para casa, então resolveu esperá-lo dentro do carro. O tempo de espera foi de aproximadamente uma hora e Camus já estava quase desistindo quando avistou o amigo no outro lado da rua. Ajeitou-se no banco do motorista e tencionou sair para encontrá-lo, mas a postura do amigo estava tensa, olhando para os lados como se fugisse de alguém. Então, pela primeira vez, Camus seguiu seus instintos. Não havia motivos racionais para desconfiar dele, mas seus instintos diziam para não se anunciar. Ao contrário, ele deveria esperar mais um pouco.

E talvez estivesse certo, porque Saga não demorou nem cinco minutos em sua casa e logo saiu novamente, dessa vez de carro. O ruivo não pestanejou em segui-lo de perto pelas ruas da cidade, o mais discreto possível, para que o amigo não percebesse que estava sendo seguido. Não tinha muita experiência nesse tipo de ação, não sabia o que poderia encontrar, e nem o que estava investigando, mas sabia que precisava de respostas que caso ele tivesse, não diria por livre vontade. Então não tinha alternativa a não ser seguir o amigo e quem sabe assim obter mais respostas.

Camus já estava tenso e ficou ainda mais quando chegaram ao bairro onde Shion morava. Poderia ser apenas coincidência, mas talvez não. Parou no mesmo momento em que Saga parou e estacionou perto de uma árvore, procurando certa invisibilidade, e esperou o próximo movimento do amigo. Não reconhecia o lugar. Estavam no bairro onde Shion morava, mas não era exatamente perto da casa dele. Era uma rua residencial, relativamente tranquila, com a exceção de um discreto restaurante perto de onde Saga estacionou.

A cada momento a situação ficava ainda mais estranha e tensa para Camus. O que ele estava fazendo? Porque não saía do carro? Porque estava ali parado? Será que ele estava esperando alguém? Olhou no relógio, eles já estavam parados ali por volta de uns cinco minutos. E o silêncio absurdo, as luzes enfraquecidas, e o coração descompassado de Camus o fazia ficar ainda mais nervoso. Era um homem calmo e sensato, mas não estava conseguindo lidar com todo aquele suspense. Precisava fazer alguma coisa, precisava entender o que estava acontecendo.

E foi então que olhou de relance para o próprio celular e tomou uma decisão. O pegou o discou para Saga. Ele demorou um pouco para atender, talvez estivesse em dúvida em falar com ele, mas acabou atendendo.

- Alô.

- Oi, sou eu. Camus.

- Oi Camus, tudo bem? – O ruivo logo percebeu que havia tensão na voz dele.

- Tudo, e com você? Parece tenso... Está tudo bem? – Sondou.

- Estou sim, eu... eu estou bem.

- E onde você está? Preciso falar com você, mas não te encontrei o dia inteiro.

- Ah... eu... eu estou em casa. Eu estive resolvendo uns problemas, mas o que você queria? É sobre o Milo? Ele está bem? – A resposta mexeu profundamente com o ruivo. Sentiu um misto de raiva, decepção, frustração, traição. Estava atordoado, não estava acreditando que aquilo estava acontecendo, não podia ser, como ele teve coragem de traí-lo? – Camus? – Saga percebeu que o amigo ficou em silêncio de repente e estranhou.

- Eu... eu estou aqui. Não é com Milo... está tudo bem, não se preocupe. – A voz saiu seca, quase rude, mas o ruivo se controlou ao máximo para não soar agressivo, apesar de estar sentindo uma vontade de ir até lá e cobrar explicações. Mas não faria isso, queria saber mais e iria até o fim. – Bom, eu vou ter que desligar agora.

- Ok, mas tem certeza que está tudo bem? Você ficou estranho de repente...

- Estou bem, depois nos falamos melhor.

- Tudo bem então, boa noite.

- Boa noite... – Camus desligou o celular, mas seus olhos não deixaram de mirar no carro nem por um segundo. A mentira que Saga disse foi um golpe duro para Camus, mas ele segurou a vontade de explodir com ele e esperou. Segurou no volante com força, talvez assim se mantivesse firme no propósito de descobrir o que ele estava fazendo ali, e principalmente para não ceder a vontade de esganá-lo. O sentimento de traição era forte, só não era pior do que sentimento de solidão. Nesse momento, sentia-se absolutamente sozinho. Não sabia mais em quem confiar. Até seus amigos o estavam traindo. Isso só poderia ser um castigo dos Deuses. Nunca foi religioso, mas não via outra explicação para essas coisas estarem acontecendo em sua vida.

Eles esperaram ainda mais dez minutos, até que Camus viu a ultima pessoa que esperava ver naquele momento. Vestido dos pés a cabeça, Shaka caminhou até o carro de Saga e pelo vidro traseiro mostrou seu rosto. Camus percebeu o movimento, mas esperou. E então o loiro entrou no tal restaurante e o ruivo pensou que agora seria a hora de Saga sair e se encontrar com Shaka. Então ele estava esperando o indiano! Mas o que o indiano teria a ver com isso?

Mas ao contrário do que ele pensou, nada aconteceu. Saga permaneceu dentro do carro aumentando a tensão no ruivo. O que raios ele estava esperando? Será que estava dando um tempo? Para disfarçar? Será que ele percebeu que estava aqui? Será que foi descoberto? Mas foi então, depois de outros cinco minutos, Saga saiu de carro e entrou no restaurante.

Camus rapidamente saiu de seu carro e foi até o restaurante. Porém, se entrasse seria imediatamente reconhecido por Saga. Precisava entrar disfarçadamente, mas como? Não veio preparado para se disfarçar e nem sabia como faria isso. Como entraria sem ser percebido?

Ele olhou pelos vidros e percebeu que eles estavam perto de alguns vasos de plantas e foi então que teve uma idéia que aparentemente parecia muito louca, mas a única que poderia dar certo para que ele pudesse ouvir o que eles estavam falando lá dentro. Sabia que não poderia entrar, então, ao ver um dos garçons indo até o lado de fora para atender algumas mesas externas, cogitou que algum deles poderia ajudá-lo.

Ele escolheu o garçom que parecia ser o mais jovem e mais suscetível a ser subornado em troca de algum favor. Não foi difícil e logo achou alguém que poderia fazer isso. A princípio, o jovem se recusou a entrar lá dentro e colocar dentro do vaso de planta o celular de Camus, que possuía um gravador. Porém, a ambição ao ver notas altas a disposição foram suficientes para convencer o jovem garçom.

Com o dinheiro nas mãos, o jovem garçom entrou no lugar e logo foi atender Saga e Shaka. Esperto, o jovem tentou distraí-los como pôde e no momento certo se aproveitou de uma distração dos dois para colocar o celular com o gravador ligado perto deles, escondido sob as plantas. Depois, saiu novamente deixando-o com o celular gravando toda a conversa e saiu do restaurante para avisar o ruivo. Acenou positivamente para Camus, que já se encontrava escondido dentro do carro, e este entendeu o recado. E então, controlando toda a sua ansiedade, o aquariano esperou até que eles saíssem do restaurante e ele pudesse resgatar seu celular.

Depois de longo tempo, Shaka saiu do restaurante da mesma forma furtiva de quando chegou, sem perceber que Camus o observava atentamente. Novamente, Saga esperou um tempo até sair e foi só depois de Saga dar a partida de seu carro e sumir de sua vista que Camus sentiu-se seguro de sair do seu carro e ir atrás de seu celular. Não demorou muito e logo estava de volta, com a gravação que tanto almejava em suas mãos. Sentia que agora teria pistas verdadeiras do que estava acontecendo e talvez por isso se sentisse assim, tão aflito e apreensivo pelo que estava gravado em seu celular, pelo que estava prestes a descobrir.

Continua...