Manual de Sedução Ii - do You Love Me?
11 Capítulo 11 - A festa: A Revelação de Shaka
– Juro que desconfiei que traria Milo junto com você. Fico feliz de ter me enganado. – Ele comentou e Camus correu o olhar discretamente ao seu redor e percebeu que Milo não estava mais ali. – Sr. Minos, a sua casa é realmente grandiosa. Fico feliz de poder participar desse evento tão importante para a nossa sociedade. – Minos o encarou de volta e sorrindo, respondeu:
– O prazer é todo meu, Sr. Shion Lamure!
–-----------------------------*---------------------------------*-------------------------------------
Apenas o fato de Shion ter mencionado Milo já deixou Camus um pouco tenso. Sem saber se deveria dizer a verdade, preferiu calar-se, aproveitando-se da presença do anfitrião para desconversar. Saga, por outro lado, sequer ouvia o que era conversado entre eles. Seus olhos eram magneticamente direcionados para os olhos serenos e ao mesmo tempo inquietantes do loiro. Era profundo, mas estranhamente velado, como se quisesse esconder sua alma. Tinha algo de muito misterioso e muito belo naqueles olhos, algo tão profundo que beirava a solidão.
– Eu confesso que fiquei surpreso com sua vinda Shaka. – Camus disse assim que o anfitrião saiu para cumprimentar os outros convidados. O indiano encarou o ruivo e sorrindo disse:
– Agrada-me estar na presença dos amigos e é ainda melhor quando posso ajudar outras pessoas.
– Ah, então se trata de uma festa beneficente? – Camus surpreendeu-se.
– Não exatamente. – Shion o corrigiu. – É o aniversário de um... amigo de grande estima do Sr Minos, que infelizmente não está mais entre nós, mas que ele faz questão de comemorar todos os anos.
– Você o conhece? – Camus perguntou. O ariano negou com a cabeça.
– Só de nome, mas sei que todo ano ele faz essa festa.
– E como presente ao amigo, ele oferece uma generosa quantia para a instituição que mais se destacou no ano. – Shaka complementou.
–E este ano a Mundus entrou na disputa. – Shion disse. – A isso se deve nossa presença.
– Ah, entendo. – Camus ficou pensativo. A verdade era que ainda faltavam algumas coisas para entender tudo aquilo. – E isso significa que Marin deverá vir também... – Pensou, mas então porque a amiga não disse nada a respeito?
– A Marin também deve ter recebido o convite... – Shion respondeu a tácita pergunta que provavelmente Camus deveria estar pensando.
– Como sabe, não freqüento festas, mas esta é especial. Eu insisti com papai para vir aqui, pois acho muito louvável essa iniciativa do Sr. Minos. Eu ficarei na torcida por vocês, Camus. – Shaka disse.
– Obrigado. – Camus agradeceu com um sorriso tímido. E onde Milo entrava nessa história, afinal? Porque ele foi convidado?
Enquanto isso, um pouco mais afastado do grupo que conversava, Milo observava-os atentamente, pensando num jeito de se aproximar.
– Aceita? – Minos ofereceu champagne aproximando-se do escorpião, que aceitou sem dizer nada. Depois de um tempo, Minos soltou uma risada baixa e disse: – Você não faz a menor idéia do que fazer, não é? – Comentoue sorveu um gole de sua bebida.
– Eu quero falar com o Shaka. – Milo disse olhando fixamente para eles.
– Hunn... o ruivo pareceu-me até simpático.
– O que disse a ele?
– Nada. – O loiro então se virou para ele, arqueando a sobrancelha. – Ele não perguntou. – Emendou.
– Mas ele vai perguntar.
– Eu invento uma desculpa qualquer... afinal a instituição que ele patrocina está na lista das indicações deste ano. Nada mais natural que eu o convidasse.
– Você fez isso? Colocou a Mundus só para chamá-lo? – Milo perguntou incrédulo.
– Não... acho que foi o destino. – Zombou, piscando para ele. Milo suspirou e voltou a olhar para o grupo. – Você tem que concordar que essa instituição fez grandes coisas em prol das crianças carentes este ano. Eu nem precisava fazer qualquer coisa para que ela figurasse na lista...
– Mas e quanto a mim? Não devia ter me convidado junto com ele. Ele desconfiou. – Minos deu de ombro.
– Isso é bom, se não fosse a curiosidade pode ser que ele nem viesse. Mandaria aquela sua amiga ruiva, que, aliás, deveria estar aqui, e nem se daria ao trabalho de vir.
– Mas não precisava ter me convidado através dele.
– E qual motivo eu teria para te convidar que não fosse o fato de você também estar engajado na causa? Se você aparecesse aqui do nada, isso sim seria estranho.
– Você não disse que o bom é a curiosidade?
– Sim, uma curiosidade da qual possamos responder num momento oportuno. E preferivelmente uma que não nos coloque em uma má posição, como numa mentira. – Disse o encarando de forma impaciente. Milo revirou os olhos.
– E qual é a desculpa decente para me convidar?
– A verdade. O que mais? – Perguntou ironicamente, voltando a sorver seu champagne.
– O que? Qual verdade? — Milo assustou-se.
– E existe alguma outra verdade, Milo? – Perguntou impaciente. – Eu estou achando que esta história está fundindo o seu cérebro, meu amigo!
– Não posso dizer a verdade. Se eu disser que você é meu amigo, estará tudo perdido! É capaz dele querer ir embora achando que eu estou armando tudo!
– Mas é bom que ele saiba que você está armando... não é a verdade que ele quer? Então?
– Minos, não foi isso o que combinamos. Eu acho que você não entendeu. O Shion tem aquela cara de santo, mas ele é um psicopata, ele ameaçou...
– Eu sei... Ele ameaçou matar o Camus, ameaçou matar você, ameaçou Deus e o mundo. Eu sei de tudo isso. E você acha que aquele moleque loiro vai fazer alguma coisa? Capacho do pai do jeito que é? O que passa pela sua cabeça, hein Milo? Que o loiro vai convencer o pai psicopata a deixar vocês em paz? Creio que não, você é inteligente demais pra isso. Então, no que está pensando? – Disse, e apesar do tom baixo e natural, suas palavras saíam com certa irritação. É claro que Milo sabia de tudo isso, e no fundo tudo isso o deixavam bastante apreensivo.
– Eu só quero falar com o Shaka... Achar alguma prova que incrimine o Shion. Alguma coisa que prove o que estou dizendo, porque só com a minha palavra não vai ser suficiente. Se fosse eu mesmo já teria dito, mas Camus não acredita em mim... E, além disso, não basta apenas contar a verdade para o Camus. Eu preciso parar esse cara! Ou Camus estará morto logo depois de saber a verdade.
– Então você quer que esse Shaka fale a verdade para o Camus?
– Até que não seria uma má idéia. Apesar de que isso só não adianta. E também eu não sei o que o Shaka sabe, portanto eu preciso conversar com ele primeiro. Essa é a parte dois do meu plano, lembra-se? – Minos bufou.
– Você precisa de um plano mais elaborado...
– Se você tiver um, eu agradeço... – Um silêncio pairou entre eles, na difícil situação de tirar Shaka do encalço de seu pai. – Eu tenho que ir lá...
– Ele acha que você não veio. E o ruivo lá não falou a verdade, que trouxe você.
– O Camus não disse que eu vim? – Milo perguntou estranhando.
– Não, deixou que ele pensasse que você não veio. Se você for lá, lembre-se de dizer que veio sozinho ou Camus entrará na lista de pessoas não confiáveis do pseudo-mafioso lá... – Disse e depois manteve-se em silêncio. Um tempo depois continuou:– Eu vou dar prosseguimento à cerimônia de votação, quem sabe assim eu não tiro o papai grudento? – Disse e saiu, deixando Milo pensativo.
A festa continuava e os presentes sequer percebiam o clima tenso que se estabelecia entre os principais convidados daquela noite. Camus permanecia inquieto e apreensivo, coisa que Shion percebera sem que fizesse qualquer comentário, porém. Apesar de não saber exatamente do que se tratava, ele sabia que tinha algo estranho no ar, diferente do simples e já corriqueiro fascínio que Shaka exercia sobre as pessoas.
É claro que a troca de olhares entre seu filho e o amigo de Camus também não lhe passou despercebido, porém aquele olhar não lhe trazia preocupações, ao contrário. O olhar de Saga tinha muito de curiosidade e fascinação, mas nada de malicioso ou ameaçador. Ao olhar atentamente ao jovem, pareceu reconhecê-lo, voltando sua atenção para o geminiano.
– Desculpe, mas eu não o conheço? – Ao ouvir a voz de Shion, Saga parou de encarar o loiro indiano e sorriu para ele.
– Estudamos todos juntos. – Respondeu alternando o olhar entre Camus e Shaka. O indiano voltou a olhá-lo com curiosidade e disse-lhe:
– Então era isso, sabia que o conhecia de algum lugar...
– Ele é o Saga. Lembra-se? — Camus perguntou olhando para Shaka. Saga riu baixinho.
– Sei que não sou do tipo inesquecível, mas lembro-me bem de você. Continua o mesmo... ou quase. – A última frase fora dita de forma baixa, quase como um sussurro.
– Nem tanto... – A resposta do loiro veio mais para os seus olhares do que para a sua frase.
– E qual o seu ramo, rapaz? – Shion perguntou.
– Eu não sou empresário...
– Ele veio a meu convite. – Camus logo explicou. Shion olhou um a outros e com um meio sorriso, disse:
– Entendo... – Camus e Saga se entreolharam discretamente. É claro que eles perceberam o tom malicioso na voz e até mesmo no olhar de Shion, mas preferiram não contradizer. Mesmo que falsamente, essa era uma boa desculpa.
– Senhor Shion? – A voz de Minos pôde ser ouvida novamente. – Gostaria que me fizesse companhia na apresentação dos indicados ao prêmio deste ano. – Shion encarou o filho, que o incentivou.
– Seria uma honra. – Disse sem muita empolgação. Falou algo no ouvido do filho e depois seguiu com o anfitrião da noite. Logo depois da saída dele, Saga comentou:
– Não achei que ele fosse aceitar.
– E porque não? – Shaka perguntou.
– Pelo que me lembro ele nunca o deixava sozinho e eu não estou vendo nenhum segurança por aqui.
– Sim, é verdade. Mas creio que me pai confia em você, Camus. – Disse olhando para Camus, que mirava um ponto fixo. Eles olharam na direção onde o ruivo olhava, mas não viram nada.
– Camus? – Saga chamou tocando-o em seu braço.
– O que foi? – Perguntou desviando o olhar.
– Aconteceu alguma coisa? O Shaka está falando com você.
– Ah não, não aconteceu nada. Perdoe-me Shaka, eu estava distraído. O que disse? – Mentiu. Na verdade Camus estava olhando Milo. Ele percebeu, mesmo de longe, que ele estava vigiando o grupo e provavelmente estava esperando uma oportunidade para se aproximar. Sem saber exatamente o que ele pretendia, novamente preferiu ficar calado.
– Eu disse que meu pai confia em você. – Camus estranhou, mas não deixou transparecer.
– Você acha?
– Sim. Ele não gosta de me deixar exposto como acabou de fazer. Certamente deve estar confiando em você.
– Eu não entendo. Você já é um homem feito. Porque tanta super proteção? – Saga perguntou. – Desculpe-me se pareço muito indiscreto em sua vida... Apenas estranho o fato de você não poder sair sozinho... Entendia que antes você era jovem, mas atualmente... Perdoe-me mais uma vez. – Logo se corrigiu.
– Não se desculpe. É uma longa história... – Shaka disse de forma vaga e depois de alguns segundos reflexivos, continuou: – Mas não se preocupe, não é tanta indiscrição. Afinal é perceptível a forma quase obsessiva com que meu pai se preocupa comigo.
– Questiono se isso alguma vez foi saudável. Não acho que ele deva confiar em mim, já que não concordo com a relação de vocês. – Camus foi sincero, o que arrancou um sorriso de Shaka.
– Eu sei, Camus. Mas você há de concordar que você não seria capaz de algo que...
– O prejudicasse? – A voz de Milo soou baixa entre o grupo, mas não escondeu certa irritação. – É estranho ele pensar isso... Não acha? – Disse ignorando os olhares dos outros. Shaka fechou os olhos, complacente.
– Achei que não iria aparecer... – Shaka disse num tom baixo.
– Eu também, achei que ficaria escondido para sempre. – Camus comentou cruzando os braços olhando para Milo que o ignorou sem pestanejar.
– Preciso conversar com você. – Falou próximo a Shaka.
– Milo... ele continua nos olhando. Meu pai jamais me perde de vista. Seu... disfarce foi desfeito, por assim dizer. – Todos que estava a sua volta estranharam a forma como aquilo foi dito, mas deixaram que os loiros acertassem suas contas.
– Ahn? Então você também o viu? – Camus perguntou se referindo a Milo e Shaka confirmou.
– E porque não nos explica de uma vez porque tanta proteção? Eu acho que vocês dois nos devem isso, não?
– Você sabe...
– É eu sei... O seu pai não passa de um maluco que só quer saber de te preparar para colocá-lo no altar dos reis da sua terra natal, não é isso?
– Milo! – Camus ralhou pela forma como ele falava, mas foi ignorado mais uma vez e Shaka permanecia imóvel e de olhos fechados.
– Eu nasci com este estigma... fui criado para ser o guia de um povo. O rei dentre os que me depositam a fé e a esperança.
– E o que ele ganha com isso?
– Prestígio, poder e... vingança. – Shaka murmurou deixando que uma lágrima corresse pela sua pele alva.
– Vi... vingança? – Por esta até mesmo Milo não esperava. – O que quer dizer?
– Meu pai foi criado pelo pai dele para ser o escolhido, o rei de meu povo, e ele se esforçou muito para isso.
– Shaka, que história é essa? – Confuso, Camus perguntava e olhava para eles sem entender. O indiano voltou seus olhos para o ruivo e sorriu docemente.
– Creio que o destino de minha família é encontrar no caminho aquele que nos desvirtua da ágape. – Disse e colocou as mãos suavemente na face de um confuso Camus.
– O que quer dizer? – Camus perguntou quase sussurrando, olhando no fundo dos olhos dele. Milo cerrou os punhos firmemente e com uma lágrima nos olhos, respondeu:
– Você tirou dele a chance de se tornar rei de seu povo! – Disse num impulso, e então Camus se virou para ele.
– Não foi culpa dele... – Shaka disse e desviou os olhos. – A culpa é minha. A responsabilidade que recaía sobre meu espírito era minha... e eu falhei. Entreguei-me de corpo e alma, saciando o desejo e a fome de uma vida normal, e abandonei os anseios e dores de todo um povo. – Disse com amargura.
– Você sabe o caos que se tornaram nossas vidas depois disso???!!! – Milo acabou gritando aquilo que o sufocava há muito tempo. – Vamos, diga-me Shaka! Você sabe a destruição que causou para além de seu povo???
– Do que está falando? – Shaka imediatamente se virou para Milo, estranhando aquela acusação. Mas antes que Milo pudesse dizer alguma coisa, Shion foi apresentado no palco, surgindo de forma imponente e indo ao lado de Minos para frente do palco. Depois de ser anunciado pelo anfitrião, Shion se apresentou:
– Senhoras e Senhores, é uma grande honra que apresento esta noite a lista das instituições que mais ajudaram para um futuro de esperança para a nossa sociedade. Eu sou Shion e estarei com vocês na apresentação dos indicados da noite.– Disse com um sorriso vitorioso e correu os olhos até onde o filho estava. O sorriso, porém, não morreu quando o encontrou com Milo. Apesar de sentir uma raiva incontrolável dentro de si, continuou apresentando como se nada tivesse acontecido.
Minos também percebeu que Milo fora descoberto e, atento a todos os detalhes, permaneceu imóvel do lado de Shion. Recebeu um olhar de súplica por parte de Milo, mas não via exatamente como ajudá-lo numa hora dessas. A única segurança dele era, acontecesse o que fosse, manter-se na festa. É claro, sabia que a preocupação dele também residia na segurança de Camus, mas sem uma resposta plausível, não conseguiria mantê-lo dentro de casa.
– E então? Diga-me Shaka. – Milo disse fechando os olhos. Sim, percebeu que fora descoberto por Shion, então precisava ser rápido, agir e pensar rápido.
– Eu realmente não sei do que está falando... – Shaka disse deixando Milo ainda mais desesperado.
– Eu só quero que saiba de uma coisa! Uma única coisa!– Disse e apontou para Shion. – Ele sabe! Sempre soube de vocês dois! – Disse apontando para Camus e depois voltou a olhar para o ruivo. Novamente aquele olhar que arrepiou Camus da última vez. E depois disso saiu apressado. Camus foi atrás dele.
– Você está bem? — Saga perguntou percebendo que Shaka estava atônito.
– Eu... estou sim. – Disse e voltou seu olhar para o pai. Aquela sensação que sempre sentia, seria um aviso? Sempre soube que o pai não era o mais puro dos homens, mas o que será que ele fez para Milo ficar daquele jeito?
– Não parece bem, você está pálido. – Saga disse segurando em sua mão. Shaka desviou o olhar e mirou o chão.
– Eu... você poderia me acompanhar até o jardim? – Shaka pediu e foi atendido, sendo acompanhado até o lado de fora da mansão.
– Milo? – Sem perceber a confusão interna de Shaka, Camus foi atrás de Milo para poder entender melhor toda aquela história. – Espera! – Pediu e então segurou no braço dele.
– O que você quer Camus? – Perguntou desviando o olhar.
– Eu quero entender melhor o que aconteceu lá. – Disse e apesar de seu estado de nervos alterado, sua voz era mansa.
– É exatamente o que você entendeu. Eu contei a ele que Shion sabe o que rolou entre vocês. – Disse e Camus o soltou. Eles ficaram se olhando por um tempo. Milo estava muito apreensivo e isso era claramente percebido pelo ruivo, mas essa apreensão era fundada em que? Pensava Camus.
– E porque você nunca me contou isso? Por acaso isso faz parte de todo esse mistério entre vocês? – Perguntou e Milo confirmou com a cabeça. – E porque não me contou antes?? – Perguntou irritado.
– Porque você iria tirar satisfações com ele... e depois, você nunca acredita em mim mesmo... – Milo deu de ombros, mas diferente do que tentava mostrar, a verdade era que estava em frangalhos
– Pois muito bem, então se eu disser que acredito em tudo o que você for me dizer, você me conta? – Arriscou e Milo voltou seus olhos para os do ruivo. Ficou um tempo pensando, analisando tudo e todas as conseqüências. Já estavam ferrados mesmo! Será que deveria?
– Eu apenas contei porque queria saber o que o Shaka sabe dessa história toda, mas pelo visto ele sabe menos do que eu.
– E o que é para ele saber?
– A reação do pai quanto ao seu pecado. O que Shion faria sabendo que vocês... – Não conseguiu concluir.
– E você sabe o que ele fez? – Milo confirmou com a cabeça. – Então diga logo!! — Milo voltou a olhar aqueles olhos tão angustiados e considerou tudo para depois responder:
– Dentre outras coisas, tentar te matar. Aquele atropelamento não foi acidental. – Disse deixando Camus boquiaberto.
Continua...
Fale com o autor