– As equipes da polícia estão muito boas. Este é o homem que tentou matar Milo. A arma que estava com ele é a mesma que serviu para atirar em Milo... Além disso, a empresa de celular nos informou alguns números interessantes. Ele ligava muito para você e também para... o Senhor Shion... Isso seria acaso, senhor Saga? – O geminiano olhou para Minos e vencido, confessou:

– Não, meu irmão tentou matar Milo.

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Camus estava pensativo sentado no corredor do hospital. Estava mais tranqüilo quanto ao bem estar de Milo, que apesar de internado, já estava fora de perigo, mas não menos preocupado. Neste sentido, e sabendo que algo realmente sério acontecia, começou a pensar melhor sobre tudo o que tinha acontecido até então. Aproveitando-se que Anapanter estava fazendo uma visita ao loiro, preferiu ficar do lado de fora, sozinho e tentando achar um jeito de protegê-lo, mesmo que tivesse que descobrir tudo sozinho...

Ele ficava refazendo a cena do atentado na esperança de lembrar-se do rosto do homem que atirou. Mas não, sabia que não lembraria, pois além de tudo ter sido muito rápido, o homem tinha algo sobre o rosto que o impedia de ver. A única coisa que se lembrava era que o homem usou uma arma dourada e especial, com uma espécie de silenciador. Toda aquela situação demonstrava irrefutavelmente que aquilo fora uma tentativa de assassinato premeditada.

O assassino, além de não parecer e não ter agido como um amador, sabia exatamente que Milo estaria na casa do Sr. Minos, na festa beneficente. Poderia ser que ele estivesse seguindo-o e isso explicaria o pavor que viu nos olhos de Milo naquele hotel de quinta categoria. Ele estava com medo de morrer e fugindo desse homem.

Mas quem era o assassino? Quem poderia querer a morte do loiro? Será que ele tinha algum inimigo? Talvez alguém que não gostou dos seus serviços profissionais e estivesse em busca de vingança. Camus respirou fundo, essa idéia até poderia fazer algum sentido algum tempo atrás, mas não agora. Não lhe parecia que algum ex-cliente estivesse tentando se vingar de Milo.

Camus observou de canto de olho a presença de Aioria. Por um momento passou pela sua cabeça que talvez ele soubesse de alguma coisa, talvez Milo o tivesse dito sobre o que estava acontecendo e isso poderia ajudá-lo. Mas também não acreditava que ele fosse dizer, pois se soubesse de alguma coisa e quisesse contar, já teria dito. Portanto, se ele sabe de alguma coisa, teria que tirar essa informação de outro jeito.

– Oi, bom dia. – Aioria o cumprimentou e sentou ao seu lado.

– Bom dia.

– Como o Milo está?

– Está bem, estamos esperando o resultado de alguns exames. A Ana está lá com ele.

– Isso é bom... – Aioria comentou e eles ficaram alguns segundos em silêncio.

– E a Marin? – Camus perguntou.

Ela está resolvendo uns problemas na Mundus... Disse que depois dá uma passada aqui.

– Está tudo bem por lá?

– Sim, não é nada de grave. – Novamente ficaram em silencio por alguns segundos. – Você chegou a ver o rosto? – Subitamente Aioria perguntou sobre o assassino. Camus pensou um pouco do que diria. Desde que Aioria sentou ao seu lado Camus estava pensando num jeito de Aioria falar mais sobre o que sabe.

– Mais ou menos... – Mentiu um tanto vacilante. Não sabia a quem atribuir tal coisa, até porque seria uma acusação sem provas. Mas a julgar pela reação extremamente surpresa de Aioria, talvez estivesse realmente no caminho certo.

E quem era? Você precisa contar para a polícia imediatamente! – A explosão de Aioria foi realmente uma surpresa. É claro que entendia suas palavras, mas essa comoção toda era estranha.

Calma, eu não quero fazer nenhuma acusação leviana. – Suas palavras foram tão sérias que quase ele mesmo acreditou em si mesmo e isso o fez se sentir estranho.

– Mas se você viu tem que contar! Mesmo que não tenha certeza, pelo menos a policia já terá algum suspeito! O que você não pode é deixar o assassino do Milo a solta!

– O Milo não morreu... – Estava cada vez mais estranha aquela atitude e cada vez mais Camus tinha certeza que ele sabia de alguma coisa.

– Ah e você vai esperar que ele tente de novo? Vai esperar o Milo morrer pra abrir a boca? – Aioria se ergueu e começou a andar em direção a parede a frente deles. O ruivo o ficou olhando, perplexo por aquela simples fala.

– Você acha que podem tentar de novo? – Aquela pergunta saiu antes que ele pudesse controlar. Depois se arrependeu, pois viu no olhar de Aioria que falou demais.

Eu não sei, mas pode ser né...

– Eu não sei quem poderia querer a morte dele.

– A tal pessoa que você viu, talvez...

– Mas por quê? Não quero fazer acusações levianas Aioria, foi tudo muito rápido eu posso ter me enganado... – Camus resolveu fingir-se de inocente, quem sabe assim pudesse obter mais informações.

– Mas e se você não estiver enganado? Vai deixar solto o homem que tentou matar o Milo... – O ruivo ficou encarando-o, com um claro ar de dúvidas. A óbvia tentativa de Aioria em convencê-lo a contar quem supostamente viu poderia significar apenas o desejo de encontrar o homem que atirou em Milo, mas talvez não. Aioria demonstrava em seus olhos um quê de desespero que julgou ter visto mais de uma vez no próprio Milo. – Conte-me quem você acha que viu... – O pedido de Aioria o fez despertar de seus pensamentos.

– O que?

– Talvez possamos ver se essa pessoa tem realmente motivos para querer a morte de Milo...

– Você conhece alguém que teria motivos para querer a morte dele?

– Pessoalmente não... – A resposta de Aioria foi bem significativa e se Camus estava com algum resquício de dúvidas, agora não tinha mais. Aioria realmente sabia de alguma coisa.

Pessoalmente?– Camus iria perguntar mais, porém nesse exato momento foram interrompidos por Ana.

– Camus, Aioria, não sabia que estavam aí...

– Olá Ana... – Aioria cumprimentou. Camus apenas cumprimentou gestualmente.

– Eu bem queria ficar aqui, mas não posso. O delegado me chamou para depor hoje. – Ela se justificou para Camus.

Tudo bem. Não se preocupe, foi ótimo você ter vindo... – Camus respondeu docemente.

– Ele está querendo ficar com você.

– Ele me chamou?

– Não, mas eu o conheço e sei que ele quer. – Ela sorriu tristemente. – Cuide bem dele, Camus.

– Vou cuidar, não se preocupe. – Ele a abraçou, confortando-a.Eles ficaram assim por um tempo, até que Ana sussurrou no ouvido do ruivo:– Você acredita no amor do Milo por você?

– Sim, acredito... – Ele sussurrou de volta. Não entendeu o por quê da pergunta, mas respondeu assim mesmo. Ele não viu, mas Ana emocionou-se.

E você o ama? – Camus não pôde ignorar tal pergunta.

Porque está me perguntando isso?

Apenas responda... – Ela pediu e ele suspirou.

Sim, eu o amo. – Ela sorriu contidamente.

Então o proteja... – Ela pediu e se soltou de seus braços para encarar seus olhos.

É o que mais quero, mas não sei como. Milo não me diz quem está fazendo essas coisas... – Ele a viu morder o lábio inferior e logo inferiu que ela sabia alguma coisa. – Diga o que sabe Ana, por favor! – Ele pediu com a voz baixinha.

– Ele não te conta porque quer te proteger... e eu também tenho medo por você, Camus... — O ruivo franziu o cenho.

– Me proteger de quem? Como ele pode me proteger se ele está sendo atacado?

– Eu não posso te dizer mais do que isso, Camus... É um assunto muito sério, envolve muitas vidas, somente ele pode te dizer... – Ela colocou as mãos no rosto pálido do ruivo e sorriu pesarosa. – Tenho certeza que o amor de vocês vai superar isso... – Ela disse e depois de depositar um beijo no rosto do ruivo, saiu, o deixando sozinho e pensativo.

– Camus? – Aioria o chamou.

– Sim?

Se quiser ir sozinho tudo bem... Eu espero. – Camus agradeceu gestualmente e foi até o quarto de Milo. Ele entrou silenciosamente e o viu de olhos fechados, provavelmente não está esperando mais visita. Ele dá mais alguns passos na direção da cama e como se sentisse sua presença, o loiro abre os olhos e o encara diretamente, fazendo-o sorrir.

Oi... – Camus cumprimentou sorrindo.

– Hunn... hoje é dia de visita? – Milo riu contidamente.

– Deve ser, Aioria está lá fora esperando para entrar. – Milo sorriu e desviou o olhar.

Agora sim estou me sentindo um doente...

– Você não está doente, mas está debilitado. Quem mandou ser tão querido por tantas pessoas?! Agora vai ter que nos aturar... – Camus brincou. O tratamento gentil que recebia de Camus era um alento, mas o loiro ainda não estava muito acostumado com isso.

Eu sou querido por você? – A pergunta saiu involuntariamente, mas logo se arrependeu ao sentir o tom frágil que saiu de sua voz.

Muito... – Camus respondeu sem pestanejar e se sentou na cama onde Milo estava. – Mais do que isso... Eu amo você. – A serenidade e a espontaneidade com a qual a declaração foi dita só não foi mais surpreendente do que a própria declaração. Se Milo já achava estranho ouvi-lo sendo tão gentil e carinhoso, fazendo declarações como essa desse jeito era ainda mais estranho. – Desculpe, não quis te constranger. – Camus sorriu ao perceber o rubor na face do loiro.

– Err... é que eu não estou acostumado com você falando desse jeito. – A frase despretensiosa atingiu em cheio o coração do ruivo.É claro que depois de todo o tratamento que dedicou a Milo durante todos esses anos, era de esperar que o loiro estranhasse sua nova postura. Mesmo assim, sentir que ele esperava de si apenas espinhos, mesmo que inconscientemente, lhe fez sangrar o coração, apesar de ter prometido a si mesmo não se culpar caso Milo fosse realmente inocente. Afinal, ele não tinha como saber.

Eu entendo... Sempre te tratei mal, mas... bom você sabe, não foi uma situação fácil para nós dois e... até agora não sei o que pensar... – Confessou seus pensamentos confusos.

Eu sei... sei que deve estar confuso com tanta coisa acontecendo. Mas eu peço que uma coisa fique clara pra você. Quero que saiba e que nunca duvide, que eu te amo. Eu te amo muito mesmo. Sempre te amei e sempre vou te amar... sempre! Nunca duvide disso... – A declaração fez Camus sorrir e seus olhos marejarem. Ele então se aproximou e delicadamente se apossou de sua boca. O beijo cálido e amoroso era a prova irrefutável do amor que existia entre eles. E era na esperança desse amor que jamais morreu mesmo depois de tudo o que eles estavam vivendo. Era desse amor que eles mantinham a força para continuar a combater, mesmo sem Camus saber a quem ou a que devia combater. O beijo foi apartado, mas eles continuavam muito próximos, com Camus apoiado com as mãos sobre Milo.

Você não tem a mínima idéia de como fico feliz em ouvir isso. – Camus declarou com um sorriso aberto no rosto, fazendo Milo sorrir junto. O ruivo queria perguntar um monte de coisas, a começar pela verdade de toda aquela história, mas perdeu toda a coragem ao encontrar aqueles belos olhos. Sim, há muito não os via. Havia muita Paz e serenidade naquele olhar, e sabia bem que se mencionasse esse assunto, toda essa paz seria sobrepujada pelo pavor e angustia de antes e Camus não queria isso. Então, ao menos por um tempo, ele deixaria Milo descansar de toda essa tormenta. Foi pensando nisso que, com um aberto e radiante sorriso, tomou os lábios de Milo novamente, demonstrando com esse singelo carinho o quanto tinha de saudade e amor dentro do seu coração.

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Enquanto isso, na casa de Minos, Saga recebia um copo com água, pois saber da morte do irmão daquele jeito não foi fácil. Apesar de saber que o irmão não era pessoa boa, ainda sim era o seu irmão e era isso que ele tentava explicar para o dono da casa, tanto sobre o fato de aparecer no vídeo com Shion quanto porque seu irmão tentou matar Milo.

Foi uma grande surpresa pra mim também. Na verdade, eu descobri que tenho um irmão gêmeo a bem pouco tempo. Nós somos órfãos e fomos adotados por famílias diferentes. Mas há um ano eu descobri o Kanon e... – Saga deu uma pausa, escolhendo com calma as palavras enquanto bebia mais goles da água. – Bem, eu descobri que ele foi adotado por uma família problemática e acabou se envolvendo com pessoas erradas.

– Inclusive o senhor Shion? – Minos perguntou.

Sim, eu fiquei sabendo que Kanon fazia alguns trabalhos para o senhor Shion, mas eu não sabia exatamente que trabalhos eram esses. No início eu não vi muitos problemas com o fato dele trabalhar para o senhor Shion, inclusive achei que seria bom... enfim.

– Pelo visto não foi muito bom para o seu irmão... Ele teve uma morte rápida, pelo menos. – Minos comentou pegando de volta os documentos.

– Eu não sabia que ele era um bandido... — Saga disse entre dentes, sentindo raiva de Shion.

– Jura? – Minos demonstrou que não acreditava no geminiano.

Juro, senhor Minos. Como eu poderia desconfiar que ele fosse capaz de matar alguém?

– Bom, você poderia desconfiar quando soube que seu irmão estava indo matar Milo a mando de Shion...

– Mas eu só soube disso depois... eu juro! Só depois eu encontrei com meu irmão e então ele me contou. Ou melhor, eu o forcei a contar.

– E o vídeo? O que Shion queria com você?

– Ele me procurou. Eu estava curtindo a festa e ai ele me procurou querendo falar comigo. Nós nos afastamos um pouco e...

– E o que?

– E ele me pediu... ou melhor, ele me ameaçou. Disse que se eu não fizesse o que ele queria iria mandar o Kanon para a cadeia. Disse que tinha muitas provas contra Kanon, o meu irmão fez algumas coisas erradas nessa vida, e que seria fácil colocá-lo na cadeia e até acabar matando-o lá dentro...

– E o que ele te pediu?

– Ele... queria que eu colocasse na cabeça do Camus que a morte do Milo foi por culpa dele... Ele disse que mataria Milo por tudo de ruim que ele fez, e também puniria a Camus, mas eu tinha sido escolhido para dar a lição no Camus, porque a morte não era o castigo correto. Eu não entendi isso direito, eu só queria salvar o meu irmão! – O ariano ficou estático, surpreso com a revelação.

– Então você sabia que Milo estava correndo riscos! Sabia que aquele louco queria matar Milo! E mesmo assim não tentou impedir, não fez nada! Você é um cúmplice dele, Saga!! – Minos vociferou.

–Não! Isso não é verdade! Eu só queria salvar o meu irmão!!

– Não me tome por idiota Saga! – Minos se irritou.

Juro por Deus, senhor! Eu não sabia que meu irmão já estava lá para matar o Milo. Quando Shion me fez essa proposta, eu disse que tinha aceitado, mas... o que eu queria mesmo era convencer o meu irmão de fugir do país para que depois eu pudesse alertar ao Milo e ao Camus, mas foi... ele foi mais rápido que eu! Logo depois que Shion saiu, eu encontrei meu irmão e ele me disse o que tinha feito. Eu não tive tempo de evitar! Quando vi tudo já tinha acontecido e... ! – A confissão dita na forma de desabafo sincero fez com que Minos acreditasse nas palavras dele, mas mesmo assim, preferia não arriscar, então resolveu pegar Saga como seu aliado.

– Muito bem senhor Saga. O senhor ainda será chamado para depor, não é mesmo?

– Sim, senhor. Amanha irei depor.

– Pois o senhor não vai... – Minos se ergueu e contornou a mesa para chegar perto de um confuso geminiano. – O senhor vai ficar doente, qualquer coisa, mas você não vai encontrar o delegado Shura amanha.

Por quê?

Bom, porque eu preciso entender algumas coisas sobre essa história e você, como o bom homem que é, vai me ajudar a desmascarar o homem que matou seu irmão e tentou matar Milo, certo? – Saga queria mesmo se vingar de Shion, então logo aceitou a proposta de Minos. A única pessoa com quem ele se preocupava nessa hora era com Shaka. Por isso, assim que saiu da casa do ariano, ele ligou para a casa do loiro indiano.

Shaka?

– Oi Saga...

– Tudo bom? Como você está?

– Estou bem... quer dizer, mais ou menos.

– O que houve?

– O meu pai marcou a minha viagem para a Índia e você sabe, eu não quero ir...

– Se você não quer ir, não se acha preparado, então não vá Shaka. Seu pai vai ter que entender e aceitar.

– Você não entende Saga, meu pai nunca vai aceitar que eu não queira... enfim... Mas e você?

– Eu preciso muito falar com você!

– É grave?

– Sim, é. Muito grave. Mas eu não quero falar por telefone. Você pode me encontrar hoje à noite?

– Tudo bem, no lugar de sempre então...

– Ok, até lá.

– Até... – Shaka desligou o telefone sentindo-se um pouco aflito. Sua intuição lhe dizia que algo muito grave estava rondando sua família. Mas algo mais, uma sensação estranha, uma intuição estranha estava lhe deixando com medo, com muito medo.Sem perceber de nada, não sabia que Shion, em outro cômodo da casa, ouvia toda a ligação entre ele e Saga e já planejava para que o encontro marcado nunca fosse realizado.


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Já era noite quando Camus saiu do hospital e foi direto para casa. Apesar de ter passado uma excelente tarde ao lado de Milo, as perturbações sobre todas as coisas que estava acontecendo não deixaram sua mente nem por um segundo. Ele chegou e tomou um banho rápido para tentar relaxar e só depois foi até o seu escritório.

Na mesa ele encontrou as fotos do assalto que estavam com Milo. Imediatamente lhe veio a idéia de que esse assalto tivera sido um aviso para Milo. Aquilo não era um simples assalto e sim uma ameaça, uma ameaça que foi concretizada com a tentativa de assassinato. Convencido dessa nova idéia, ele pegou um pedaço de papel e começou a fazer algumas anotações, uma tentativa de colocar todas as suas idéias em ordem.

Ele começou anotando sobre Milo e todas as pessoas que não gostavam dele e que não gostavam do loiro. A única pessoa que lhe veio a mente foi Shion. O sócio sempre deixou clara a sua aversão ao escorpiano, e sempre considerou que ele era uma influência negativa para Shaka.

Mas de não gostar para matar ia uma distancia grande. Shion não tentaria matar Milo só por achar que ele era uma influencia ruim para o filho. Tinha que ter outro motivo. Camus lembrou-se que Shaka havia dito algo sobre Shion ter ficado agradecido ao Milo por este ter ajudado o indiano uma vez, talvez numa boate. Camus anotou isso também, pois como Shion passou de gratidão para aversão a Milo?

Todas as informações não pareciam se encaixar de jeito nenhum. Os fatos do presente não estavam encaixando, então talvez tivesse algo no passado. Algo aconteceu para fazer Shion não gostar de Milo. Mas o que? O loiro sempre fora um pervertido, será que era isso? De repente, Camus se lembrou do que Milo lhe fez no passado. E apesar de ter anotado aquilo, não entendia como aquilo tinha a ver com a tentativa de assassinato.

Milo disse que estava tentando protegê-lo, e Anapanter no hospital disse o mesmo, mas proteger do que se era Milo quem estava em perigo? Se era ele que tinha sofrido atentado, como protegê-lo? De repente uma nova idéia lhe ocorreu. Será que Milo fez algo com Shaka? E por causa disso Shion tentou matá-lo? Mas o que? E o que isso tinha a ver consigo e com o fato de Milo ter feito aquilo consigo? Ele e Shaka tiveram uma noite...

– O que você acha que ele faria se descobrisse que você dormiu com Shaka? – Foi a pergunta que Marin lhe fez há algum tempo.

Mesmo que Shion fosse maluco o suficiente para querer a morte de quem levou Shaka para a cama, essa pessoa deveria ser eu. Eu fui para a cama com Shaka e não Milo... Ou será que Milo também? E porque ele atentaria contra a vida de Milo logo agora? — O ruivo murmurou para si mesmo.

Camus largou a caneta e ficou olhando o papel com várias anotações e nenhuma ligação, não entendia aquilo, mas agora sabia o por quê. Tinha alguma coisa faltando naquele quebra cabeça. E essa peça que faltava era justamente o que daria sentido a todos aqueles fatos.



Continua...