Manual de Sedução Ii - do You Love Me?
13 Capítulo 13 - A festa: Redenção
Notas iniciais
Mas devo confessar a vocês que esse foi, de longe, a capítulo mais difícil de sair que eu já escrevi por aqui! kkkkk Sério! Aproveito para agradecer a minha querida amiga Minos de Griffon, que com toda a sua paciência, dedicação, e esforço, contribuiu para que o capítulo saísse desse jeito. E creiam-me, se não fosse por ela, o capítulo definitivamente iria demorar muito!
Obrigada querida! Por tudo, todo o apoio e carinho! =)
Bom, a música no capítulo é Like a Prayer, da Maddona: http://letras.terra.com.br/madonna/63184/traducao.html
É isso... boa leitura!!
A noite continuou muito animada para os outros convidados da festa, mas para Milo e Camus aquele lugar estava ficando cada vez mais tenso. Não era a presença de Shion, porém, que dessa vez impunha a eles essa sensação, já que o ariano já tinha saído da festa há um bom tempo. Dessa vez, eles mesmos eram os responsáveis por esta atmosfera tensa entre eles.
O anfitrião Minos, um tanto mais relaxado, continuou conduzindo a cerimônia, que não culminou na vitória do prêmio para a Mundus, mas na arrecadação de uma boa quantia para a mesma, o que por si só já era uma grande vitória do seu evento. Além disso, a Mundus conseguira mais um grande empresário que tinha interesses de levar uma filial a Londres. Certamente Marin ficará satisfeita.
Impulsionado por Minos, Saga circulou pela festa tentando deixar o loiro e o ruivo a sós, coisa que não foi muito do agrado de Camus. As palavras de Milo ainda martelavam em sua cabeça e a recusa de Milo em falar mais sobre isso o deixava irritado e frustrado. Sabia que tinha algo mais nisso tudo, mas ainda não tinha conseguido ligar os pontos.
A madrugada adentrou embalando o ritmo da festa, em contraste com seu próprio estado de humor. O ruivo segurava um copo de uísque em sua mão há bastante tempo, num canto mais afastado da festa, enquanto observava a lua e pensava sobre tudo. Perdera Milo de vista e sabia que o loiro tinha feito de propósito para não ter que falar sobre Shion e responder suas dúvidas.
– Seu amigo está se divertindo muito. – Ouviu a voz de Minos atrás de si, mas não se deu trabalho de se virar para responder.
– Ele é bom para encontrar companhias de uma noite só. – Comentou, sabendo que ele falava de Saga.
– Já não podemos dizer o mesmo de seu outro amigo, não é? Ele tem toda aquela pinta de conquistador, mas ultimamente anda muito quieto.
– De onde você conhece o Milo? E não se dê ao trabalho de inventar uma mentira, pois não estou com ouvidos bons para ladainhas. – Sua voz saiu bem mais incisiva e séria do que esperava, mas a verdade é que já estava farto de toda aquela história! Minos o olhou atentamente e considerou se deveria dizer a verdade e, se dissesse, qual delas diria?
– Eu o conheço há um bom tempo. Fui um dos seus primeiros clientes. – Disse se posicionando ao lado do ruivo, que o encarou surpreso.
– Você não me parece ser do tipo que procuraria alguém como Milo... – Comentou sincero.
– A minha história é mais longa do que você possa imaginar. – Minos sorriu. – E mais melodramática do que eu gostaria... Mas minha vida não vem ao caso. – Camus não precisou muito para perceber que aquele não era um terreno que ele pudesse pisar.
– Então não o chamou por causa da Mundus?
– Também. Ele está numa fase em que toda ajuda é possível, e creio que você sabe bem do que estou falando.
– Por incrível que pareça, não. Então, ele também te pediu ajuda?
– Sabe... O Milo se acha muito auto-suficiente, mas ele não é, e está percebendo isso da pior forma possível. Mas não creio que esse seja o pior dos seus defeitos. Essa paixão que ele nutre por você desde a adolescência ainda vai acabar matando-o. – Camus surpreendeu-se.
– O que sabe de nossas vidas?
– O suficiente para dizer que você deveria ser mais enérgico com ele.
– Como assim? – Camus realmente não entendeu o que ele queria dizer. Minos voltou-se para Camus e com um olhar sério, respondeu:
– Quer saber toda a verdade? – Camus confirmou.– Force-o a contar a verdade ou então nunca saberá. – Camus calou-se, um tanto surpreso por aquilo, mas depois perguntou:
– Porque você mesmo não me conta? Não vai me dizer que não sabe...
– Ah eu sei! – Minos riu. – Mas não tenho vocação para fofoqueiro. E depois, eu tenho uma festa esperando minha presença. – Tomou o copo das mãos de Camus e apontou para a única sacada com a luz acesa do casarão. – Suba a escada, na sua esquerda siga até quarta porta. –Disse enquanto Camus seguia com os olhos a direção indicada. – Mas cuidado, pressionar o escorpião é sempre arriscado. Não se preocupe com a dor do veneno, vai passar.
– O que quer dizer com isso?
– Que a verdade vai ser pra você como o veneno do escorpião seria. – Disse olhando no fundo dos olhos do ruivo, causando-lhe um desconforto. Depois de lhe devolver o copo, Minos voltou para a festa como se nada tivesse acontecido, deixando Camus ainda mais atordoado. Voltou a olhar para a sacada e bebeu um grande gole de sua bebida, sentindo certo receio do que descobriria caso forçasse a barra com Milo.
Meia hora depois e o ruivo já estava na porta do quarto onde Milo se encontrava. O frio na barriga aumentou consideravelmente e ele bebeu mais ainda para manter-se firme. Também pensou bastante e conhecia Milo o suficiente para saber que seria expulso do quarto caso o pressionasse. Mas não custava arriscar. Precisaria escolher bem as palavras para que ele tivesse coragem de contar o que fosse, e que ele estivesse preparado, para o que quer que fosse.
Tocou na porta por três vezes e depois a abriu lentamente, adentrando devagar o amplo quarto, procurando pelo seu ocupante. Não o encontrando entrou um pouco mais e fechou a porta atrás de si, com o coração aos pulos. Talvez fosse a expectativa, mas estava extremamente ansioso pelo que poderia sair daquela conversa. Andou cautelosamente pelo quarto e parou diante da porta corrediça que leva à varanda, surpreendendo-se ao vê-lo deitado no chão, olhando as estrelas. Suspirou e tocou na porta de vidro que separava o quarto da varanda e sem pedir permissão entrou, fechando a enorme porta de vidro atrás de si e aproximando-se.
– Camus? – Milo se surpreendeu e se sentou fazendo menção de levantar, mas desistiu ao vê-lo sentar-se ao seu lado e deitar, com a cabeça apoiada no vidro, olhando para as estrelas.
Camus soube assim que olhou para Milo que ele não estava disposto a conversar sobre nada. Nos olhos dele só notava-se um cansaço tão grande quanto nunca viu antes.
– O céu realmente está incrível hoje. – Ele comentou simplesmente e Milo soube que não o tiraria dali tão fácil. Ainda amaldiçoaria Minos por ter revelado seu lugar de descanso.
– É, realmente. – Concordou voltando a se deitar. – O que veio fazer aqui? – Foi direto ao demonstrar que não queria companhia, muito menos a dele, para falar a verdade.
– A festa estava muito cheia e eu não estou com clima para badalação. Pensei que poderia te fazer companhia aqui. – Milo ficou sem fala. Há muito tempo que Camus não falava assim com ele. Tinha alguma coisa errada com essa nova disposição amistosa do ruivo.
– Que surpresa você querer minha companhia! – Comentou voltando a olhar para o céu.
– Eu quero paz, Milo. – Camus comentou depois de um tempo. Estava cansado de brigar com ele, muito cansado daquelas desconfianças, cansado de tudo.
– Eu também... – De uma forma que ele não sabia explicar, sabia do que ele estava falando. Aquela exaustão de tudo era compartilhada por ambos e sabiam que se sentiam iguais nesse aspecto. E foi com esse desejo que permaneceram calados e observando o céu limpo e estrelado.
O nervosismo inicial cedeu espaço ao conforto que há muito não sentia e relaxou. Não soube dizer depois de quanto tempo, mas em dado momento lembrou-se da época de infância e sorriu. Eles costumavam ver as estrelas deitados no teto da casa de Milo, e às vezes até varavam a madrugada apenas curtindo a noite, o céu, e a companhia um do outro. Lembrou-se também que sempre ficava atento e preocupado com o agitado amigo, que sempre acabava dormindo e rolava para o teto da garagem, um tanto mais baixo, e por vezes quebrando alguma perna.
– O que foi? – O loiro não pode mais ignorar o sorriso no rosto dele.
– Eu estava me lembrando de quando ficávamos dormindo no teto da sua casa de madrugada, vendo as estrelas, e você às vezes dormia e rolava teto abaixo. – Ele riu.
– Ainda bem que tinha o teto da garagem! – Milo comentou aos risos. – Você quase nunca dormia. Mas sempre que você cedia ao sono eu caía.
– E ainda colocava a culpa em mim, porque eu tinha dormido e não tinha visto você rolando. – Riu um pouco mais.
– Você quase nunca dormia naquelas madrugadas no teto. Eu só caía quando você adormecia. Meus pais ficavam uma fera, me proibiram de subir lá... Mas não tinha jeito e sempre que dava estávamos lá de novo. – Milo sorriu e colocou as mãos pra trás da cabeça, um pouco mais confortável.
– É verdade... E o céu daquela época era bem mais estrelado, não acha? – Camus riu lembrando-se das broncas que levava.
–Sim, era. Eu tenho muita saudade daquela época... Foi muito bom!
– Eu também. Tenho saudades de tudo daquela época. – Milo ficou desconfortável de repente, ao ouvir dele que sente saudades. – Eu sempre me lembro desses momentos. – Camus declarou sem perceber o incomodo do loiro que virou para ele, deitando de lado e apoiando a cabeça com a mão.
– Pensei que não gostasse de lembrar-se do nosso passado. – Comentou seriamente. O sorriso saudoso que estampava o rosto de Camus diminuiu, mas não deixou de existir e então voltou o olhar para os olhos de Milo.
– Eu gosto de me lembrar das coisas boas. Nossa vida foi muito boa, apesar dos pesares, eu não posso e nem quero esquecer. – Sorriu doce e abertamente para ele e Milo sentiu um calor anormal em seu coração ao ver esse sorriso. Seu coração começou a bater mais forte em seu peito. Aquele sorriso era o mesmo de quando eles ainda eram amigos e essas preocupações não existiam. Jurava que nunca mais o veria novamente. Era um sorriso puro, doce, sem nada na entrelinha, indescritível.
Um misto de sentimentos o invadiu, mas prevaleceu a satisfação e felicidade de poder ser merecedor desse sorriso novamente e mesmo sem perceber retribuiu o sorriso, revelando nele a alegria do pequeno, mas valioso momento que estavam vivendo. Voltou a olhar as estrelas, ainda mais fascinado pelo brilho recém descoberto.
Naquela madrugada quente, as estrelas e o céu límpido deram o cenário do saudosismo e do conforto de estarem um ao lado do outro, sem nenhum sentimento ruim, sem nenhuma cobrança, apenas eles e o céu. Foi como se o tempo tivesse regredido à época de quando eles eram crianças, e Milo sentiu-se revigorado com essa sensação. Sentiu-se tão maravilhosamente bem que não conteve um riso mais animado.
– O que foi? – Camus perguntou estranhando a súbita felicidade que brotou nele. Milo soltou um suspiro de um alivio profundo, como se tivesse terminado uma maratona e lhe tivessem permitido um descanso.
– Obrigado, Camus. – Disse simplesmente, um tanto emocionado.
– Pelo quê?
– Por isso, por esse momento que estamos vivendo agora. – Eles se olharam nos olhos e sorriram. Camus não precisou de muitas palavras para entender do que ele estava falando. Elevou a mão e pediu o toque do outro, que não pestanejou em colocar sua mão na dele, entrelaçando os dedos.
– Não precisa agradecer, não estou fazendo nada demais. – Sorriu e beijou a mão tremula. Soube ali que tinha algo de muito errado, mas não forçaria. Não, ele também queria esse momento de paz.
– Está sim. Eu sei o que veio fazer aqui, obrigado por não fazer. – Camus o olhou profundamente nos olhos e suspirou. Não queria quebrar o momento, voltou a olhar as estrelas, escolhendo bem as palavras.
– Você sabe... – Repetiu as palavras do loiro, com certo receio. – O Minos me disse que seu eu quisesse saber a verdade, eu teria que te forçar a dizer, mas caso eu o fizesse, para tomar cuidado, pois o veneno seria doloroso.
Milo pensou um pouco e depois respondeu:
– Ele está certo... Obrigado por não me forçar. – Disse simplesmente e agradeceu.
– Eu acho que ele está certo. Você não vai me contar por conta própria, mas... – Disse e voltou a olhá-lo com carinho. – Eu não quero quebrar esse momento. Confesso que fiquei com um pouco de medo do que ele disse. – Milo o olhou sério e depois fazendo uma cara manhosa, se aproximou mais do ruivo abraçando o braço dele.
– Mas eu não quero falar disso. Não agora, por favor. Está tão bom assim... – Pediu manhoso e Camus sorriu ao ver no loiro o mesmo menino de antes, por quem sempre foi perdidamente apaixonado. Elevou o braço e o trouxe para o seu peito. Milo não pensou duas vezes e o abraçou, se acomodando nos braços quentes do ruivo.
– Não vou perguntar nada... – Declarou afagando os cabelos loiros. Era realmente estranho, não sabia explicar. Chegou ali determinado a fazer de tudo para que ele contasse a verdade. Mas agora não queria mais. Aquilo estranhamente não era mais tão importante. Talvez, passara tanto tempo tentando ser racional e entender, que tenha deixado de lado o sentimento que tinha por ele. A mera suspeita da sua inocência fora suficiente para desejar ardentemente baixar a guarda, apesar de toda a confusão, de todas as dúvidas, de toda a insegurança. Seu coração gritava enlouquecidamente para se aproximar e relaxar, mas a oportunidade não aparecia nunca. E quando menos esperava esse momento aconteceu e ele não estava disposto a desperdiçar.
Milo sorriu discretamente e se aninhou ainda mais em seu peito, acariciando-o por cima da camisa, se perdendo no calor do seu corpo e perdendo a noção do tempo. Sentiu uma paz tão profunda e uma felicidade explodirem em seu peito de uma forma tal que não conseguiu evitar que algumas lágrimas caíssem.
Mas Camus não percebeu sua camisa levemente molhada, estava imerso em pensamentos. Lembranças e mais lembranças de um tempo bom, e de um tempo ruim, se misturando enquanto ele o apertava em seu peito. O loiro percebeu e voltou seus olhos para os do ruivo, que estavam marejados.
– O que houve? – Sussurrou a pergunta, capturando com os dedos uma lágrima que caiu.
– Desculpa... não é nada. – Milo pôde ver angústia e medo nos olhos dele e não entendeu. Continuou encarando-o. Sabia que não poderia cobrar uma resposta dele. Não depois de tê-lo negado respostas também. Deitou-se novamente no peito de Camus, ouvindo seu coração disparar. Poucos minutos depois sentiu que ele começava a chorar. Voltou a olhá-lo, preocupado.
– O que foi? – Perguntou começando a ficar aflito. Camus não respondeu nada, apenas o abraçou forte e foi correspondido. Milo não soube o que estava causando tanta dor, mas não perguntou. Apenas o abraçou fortemente e se deitaram, com Camus derramando lágrimas de dor, desespero e angústia. O loiro permaneceu abraçado a ele, até que as lágrimas cedessem e ele pudesse olhar em seus olhos. Ergueu-se um pouco, mirando o rosto molhado de Camus.
O ruivo continuou com os olhos fechados, tentando acalmar-se. E sabia também que era atentamente observado por Milo e por isso mesmo mantinha seus olhos fechados. Não queria que ele os visse. Sentiu as pontas dos dedos dele acariciar sua face e sentiu-se culpado por ter quebrado o momento. E depois de pouco tempo, sentiu os seus lábios serem cobertos num beijo suave e tímido.
Abriu os olhos lentamente. Surpresa não era a palavra adequada para o que sentia. Não esperava aquele beijo tímido, mas não chegou a ser uma grande surpresa. O que mais o surpreendeu foram os olhos marejados do loiro. Eles transmitiam tanto amor que ele ficou desconcertado. Nunca os tinha visto. Milo nunca tinha se aberto tanto.
– Não chore, meu amor. Por favor. Eu não quero mais te ver sofrer. – Ele sussurrou fechando os olhos e deixando as lágrimas caírem por sobre o rosto do ruivo. O ruivo ouvia apenas a respiração forte dele, e o bater do seu coração, enquanto admirava aquela face entristecida pelo seu próprio pesar. Seu coração pesou novamente, pela culpa de ter perdido o momento. Ergueu um pouco a cabeça e com beijos, recuperou as lágrimas que o outro ainda deixava cair.
Milo deixou seu rosto cair por sobre o ombro do ruivo e eles ficaram um tempo ali, num momento raro de cumplicidade e carinho, tentando um confortar o outro. Acariciando as costas e o cabelo loiro, o ruivo declarou-se:
– Eu amo você, Milo. – Disse e sorriu. Como aquelas simples palavras podiam ser tão libertadoras? Era impressionante! O loiro ergueu-se um pouco para fitá-lo, com o olhar deslumbrado. O ruivo sorriu timidamente e acariciou a face admirada. – Amo você como nunca amei ninguém. Não duvide disso. – Voltou a declarar, sorrindo.
– Eu também amo você, Camus. Eu seria capaz de tudo por você. Eu daria a minha vida por você... – A declaração foi interrompida pelos dedos carinhosos do outro.
– Não diga isso, eu não mereço tanto. – Comentou amargo. Ele fez menção de se explicar, mas Milo não queria ouvir. Era doloroso demais ouvir o que ele já sabia que Camus diria. Então simplesmente o calou com um beijo.
Milo encaixou lenta e sensualmente sua língua na dele, numa dança que arrepiou os corpos de ambos, aproveitando um beijo que conhecia, mas que há muito não sentia. Ele agora estava diferente, mais maduro, mais consciente, mais seguro e menos agressivo. A lembrança do dia em que Camus o beijou afoitamente e depois o acusou pelo que fez o perturbou, fazendo com que apartasse o beijo.
– Perdão... – Milo pediu, constrangido.
– Não, não peça perdão. Apenas me beije novamente. – Camus sussurrou ainda de olhos fechados.
– Não quero que pense que o estou seduzindo, apenas, como fiz com tantos outros, como você costumava dizer. – Ele fez menção de se afastar, mas Camus o segurou.
– Eu não vou pensar. – Procurou pelos olhos fugitivos de Milo e quando encontrou, continuou: – Prove-me que não sou como os outros. Ame-me como jamais amou outro qualquer. – O loiro engoliu em seco e ofegou, voltando a beijá-lo com paixão e amor, determinado a amá-lo como jamais amou ninguém. Milo entrelaçou seus dedos aos cabelos ruivos e se encaixou em cima do corpo do amado, trazendo-o para um beijo mais profundo e envolvente. Um beijo no qual todo o seu amor pudesse ser derramado naquela carícia, demonstrando que não era apenas uma questão de química e desejo.
O francês estava com tanta saudade de Milo, que aquele beijo estava mais do que delicioso. Era um bálsamo que acalentava seu corpo e sua alma. Beijá-lo agora era uma experiência única, e sentir todo o amor de Milo naquele toque o deixou realmente emocionado. Há pouco tempo estava se sentindo sufocado pela angústia e dor, mas aquele beijo parecia levar para bem longe toda e qualquer dor. Naquele momento existiam apenas ele e Milo. Nada de dor, nada de sofrimento.
Os beijos do loiro começaram a descer pelo pescoço, e enquanto beijava deliciosamente a tez alva, mordiscando e lambendo a maciez daquela pele, suas mãos ocupavam-se em desabotoar a camisa, livrando-o do tecido que os privava de sentirem o calor de suas peles. Camisas, calças, sapatos e meias... Eles despiram peça por peça, e bem lentamente, apreciando cada momento de prazer e intimidade. As roupas eram jogadas no chão sem nenhuma preocupação, enquanto mantinham-se unidos sentindo o prazer do contato intimo e intenso.
Os toques carinhosos causavam arrepios e sorrisos. Milo passeou o nariz pela cútis macia do rosto de Camus, sentindo a textura delicada e o perfume do seu amor, em total adoração àquele corpo que tanto desejava, do homem que tanto amava.
O ruivo, completamente maravilhado, segurou a cabeça do loiro e o guiou para mais um beijo deleitoso. O corpo do francês respondia timidamente a cada carícia do grego, a cada beijo.
A boca do grego continuava a explorar o pescoço e as mãos exploravam o peito nu, tentando descobrir as regiões mais sensíveis, que respondiam mais aos seus toques.
Milo afastou-se um pouco para contemplar a beleza do homem que ama acima de tudo e todos. Um amor que beira à idolatria.
Life is a mystery
Everyone must stand alone
I hear you call my name
And it feels like home
A vida é um mistério
Todos devem permanecer sozinhos
Ouço você chamar meu nome
E me sinto em casa
“Como é belo o meu ruivo...” — pensava admirado, observando-o com um brilho carinhoso no olhar enquanto passeava os dedos pela tez alva da face simétrica e tão perfeita, fazendo todo o contorno dos olhos, do nariz, das maçãs coradas do belo rosto, da boca tentadora, do queixo, do pescoço alvo e sensível, dos ombros largos, dos braços levemente definidos, pelas mãos grossas e dedos longos, aproveitando a proximidade para um beijo molhado em um dos dedos, deliciando-se com um gemido abafado. Voltou o caminho dos seus dedos, traçando uma nova trilha pelo peito definido, esquadrinhando-o com o olhar cada vez mais desejoso e intenso, dedicando-se um pouco mais aos mamilos enrijecidos, deixando escapar um arfar ao ser agraciado por mais um gemido, espalmando a mão no lugar do coração, fechando levemente os olhos ao senti-lo bater descompassadamente, como se desta forma pudesse adentrar nele e descobrir os sentimentos mais secretos guardados ali. Seus olhos pareceram sorrir para o ruivo, quando Milo desceu lentamente seus lábios tocando-lhe a pele alva e macia, depositando um singelo e demorado beijo no peito esquerdo, numa reverência explícita ao seu coração. Continuou seu caminho sem desviar a atenção dos orbes que lembravam crepúsculo no tom rubro do olhar profundo, passeando a língua úmida pelo abdômen fugitivo que teimava em escapar-lhe a cada toque. Traçou o caminho até a virilha e afastou-se em tempo de contemplar o corpo esbelto sob si arquear-se enquanto um gemido manhoso e longo foi escutado.
When you call my name
It's like a little prayer
I'm down on my knees
I want to take you there
In the midnight hour
I can feel your power
Just like a prayer
You know I'll take you there
Quando você chama meu nome
É como uma pequena oração
Estou de joelhos
Quero levá-lo lá
À meia-noite
Posso sentir seu poder
Igual a uma oração
Você sabe que o levarei lá
O coração do ruivo, por sua vez, aquecia-se ainda mais à medida que Camus sentia os olhares desejosos, repletos de carinho e admiração, e os toques tão cuidadosos e delicados que lhe fizeram ver a reverência e pura idolatria as quais o grego lhe dedicava.
I hear your voice
It's like an angel sighing
I have no choice
I hear your voice
Feels like flying
I close my eyes
Oh God, I think I'm falling
Out of the sky
I close my eyes
Heaven, help me
Ouço sua voz
É como um anjo suspirando
Não tenho escolha
Ouço sua voz
Sinto vontade de voar
Fecho meus olhos
Meu Deus, acho que estou caindo
Fora do céu
Fecho meus olhos
Paraíso, me ajude
O loiro sorri deliciado e se afasta um pouco, salivando ao vislumbrar o membro túrgido do ruivo. Passeou com os dedos por ali, vendo Camus contorcer-se por antecipação ao prazer que lhe proporcionaria. Percorre o caminho sinuoso de sua virilha e ao aproximar-se do membro túrgido hesita afastando levemente o rosto para encontrar os orbes escarlate e ver neles a permissão para prosseguir, temendo que seus atos fossem mal interpretados pelo ruivo. Não queria provocá-lo, deixá-lo louco de tesão por estimular os pontos certos. Queria amá-lo, queria que ele sentisse prazer por ser tão vividamente amado, queria passar para o corpo a sensação única de amor em forma de prazer. E queria que Camus tivesse a certeza de que não o estava apenas estimulando seus pontos erógenos. Queria que ele sentisse e tivesse a certeza de que seus toques apenas refletiam o que existe no âmago de seu coração.
When you call my name
It's like a little prayer
I'm down on my knees
I want to take you there
In the midnight hour
I can feel your power
Just like a prayer
You know I'll take you there
Quando você chama meu nome
É como uma pequena oração
Estou de joelhos
Quero levá-lo lá
À meia-noite
Posso sentir seu poder
Igual a uma oração
Você sabe que o levarei lá
Camus observa extasiado o olhar temeroso que lhe pede permissão para tocar-lhe ainda mais intimamente e com um leve toque em sua face e um sorriso cúmplice que demonstra sua entrega aos toques mais íntimos, sem receios ou pudores. Milo sorri em contentamento e toca o membro intumescido e sente-se recompensado pelo gemido acompanhado de uma mordida no lábio inferior, uma tentativa frustrada de conter um gemido mais alto. Voltou a mirar o membro rijo de seu amor e, masturbando-o lentamente, o levou à boca e lambeu toda a sua extensão, sentindo-o se contorcer em seus braços.
– Ahh!!! - Camus não se segurou e gemeu mais alto e rouco, agarrando-se aos cabelos loiros, quando o sentiu abocanhar seu membro, sugando devagar e se deliciando com seu gosto. Voltou o olhar carinhoso encontrando as íris rubras do francês, esgueirando-se por sobre seu corpo e tomou-lhe os lábios em um toque profundo e delicado, esfregando seus corpos proporcionando ainda mais prazer e arrepiando-se ao sentir as mãos suaves do francês por sobre a pele.
– Je t'aime! Hunn.. – O ruivo sussurrou embriagado de prazer e emoção pelo amor e veneração que Milo lhe dedicava. Estava realmente se sentindo verdadeiramente especial e amado e isso era maravilhosamente incrível.
Like a child
You whisper softly to me
You're in control
Just like a child
Now I'm dancing
It's like a dream
No end and no beginning
You're here with me
It's like a dream
Let the choir sing
Como uma criança
Você sussurra suavemente para mim
Você está no controle
Igual a uma criança
Agora estou dançando
É como um sonho
Sem fim e sem começo
Você está aqui comigo
É como um sonho
Deixe o coro cantar
Milo sorriu com a declaração, sentindo-se ainda mais aquiescido por perceber que estava conseguindo demonstrar com carícias todo o seu amor. Voltou a fitá-lo nos olhos já marejados pela emoção e os beijou algumas vezes, fazendo Camus sorrir e acariciar-lhe a face afastando delicadamente uma mecha loira e prendendo-a atrás de sua orelha, antes de Milo voltar e se declarar também.
– Eu também te amo, meu amor. – Sussurrou rouco e manhoso, com a boca rente à dele e voltou a beijá-lo, enquanto suas mãos se acariciavam mutuamente, deixando-se levar pelo sentimento que transbordava de seus corações. Milo apartou os lábios entreabrindo-os em um arfar quando sentiu as unhas do ruivo arranharem levemente a tez de suas costas e acabou por afundar-se na curva do pescoço perfumado, arrancando gemidos com beijos molhadas e leves mordidas. Em retribuição, Camus o abraçou ainda mais forte e devolveu os beijos e mordidas pela pele bronzeada do pescoço e ombro.
When you call my name
It's like a little prayer
I'm down on my knees
I want to take you there
In the midnight hour
I can feel your power
Just like a prayer
You know I'll take you there
Quando você chama meu nome
É como uma pequena oração
Estou de joelhos
Eu quero te guiar
A meia-noite
Eu posso sentir seu poder
Assim como uma oração
Você sabe que te guiarei
As mãos apalpavam e marcavam as peles com toque febril, desejosas de mais contato, enquanto mergulhavam mais uma vez nos beijos que os entorpeciam. Milo novamente passeou suas mãos por todo o corpo torneado, dessa vez chegando às coxas grossas e as erguendo, com o intuído de alcançar-lhe o esfíncter do seu ruivo, penetrando-lhe delicadamente um dígito.
– Ahnnn... – Camus gemeu entrecortado ao sentir-se invadido profundamente e preparado com muito cuidado. Fitou os olhos de Milo com paixão e o puxou para mais um beijo, dessa vez impondo ele mesmo o ritmo de suas bocas e línguas, afundando os dedos nos fios loiros e macios, transbordando nessa carícia todo seu sentimento e agradecimento por aquele momento. O loiro por sua vez tateava dentro do ruivo com extremo cuidado, deliciando-se com aquela carícia tão íntima. Quando sentiu que Camus estava mais relaxado, introduziu outro dígito, ouvindo-o arfar entre o beijo e se enrijecer. Apartou o beijo e acariciou a sua face corada, com cuidado, admirando e percebendo-o ainda mais belo sob o domínio do prazer.
When you call my name
It's like a little prayer
I'm down on my knees
I want to take you there
In the midnight hour
I can feel your power
Just like a prayer
You know I'll take you there
Quando você chama meu nome
É como uma pequena oração
Estou de joelhos
Quero levá-lo lá
À meia-noite
Posso sentir seu poder
Igual a uma oração
Você sabe que o levarei lá
– Você é tão lindo... — Sussurrou docemente vendo o ruivo com os olhos cerrados e arfante pelo desejo crescente. Com o tempo, Camus passou a sentir ainda mais ondas de prazer com a invasão dos dedos que o preparavam, fazendo-o ondular os quadris, empurrando-se contra os dígitos que lhe acariciavam. Sorriu contorcendo-se pelos beijos molhados que recebia em seu pescoço e voltou a acariciar as costas musculosas enquanto abria um pouco mais as pernas para o loiro.
Milo entendeu aquele sinal e introduziu outro dígito, levando sua outra mão ao membro intumescido do ruivo, arrancando um gemido do ruivo, enquanto o masturbava lentamente. Sentiu sua respiração alterar e soube que ele estava pronto. Voltou a fitá-lo nos olhos e mordeu o lábio inferior do ruivo enquanto retirava os dígitos do seu francês.
Life is a mystery
Everyone must stand alone
I hear you call my name
And it feels like home
A vida é um mistério
Todos devem permanecer sozinhos
Ouço você chamar meu nome
E me sinto em casa
– Tente relaxar... – Pediu enquanto posicionava o membro na entrada do ruivo e se enterrava devagar e cautelosamente. Camus jogou a cabeça levemente para trás, curvando o corpo ao sentir-se preenchido pelo loiro. Milo estancou ao ver a expressão dolorida do outro e voltou com a mão ao membro dele, intensificando os movimentos de vai e vem, esperando que ele se acostumasse para continuar. Eles se olham e Milo volta a contornar seu rosto com o nariz, sentindo seu aroma, sua pele. Camus aproveita a proximidade para sentir o loiro da mesma forma, aproximando e roçando levemente seus rostos, numa leve e sensual carícia. Depois de um tempo, Milo ondula levemente o quadril, arrancando um gemido abafado de dor e prazer. Camus enlaça-o com as pernas incentivando-o a continuar, mas Milo continuava em um ritmo lento. Ambos arfaram ao mesmo tempo quando seus corpos finalmente encaixaram-se com tanta perfeição como se nascessem moldados um para o outro.
– Ne pas avoir peur de l'amour, mon amour! (Não tenha medo de me amar, meu amor!)– O ruivo sussurra, sentindo o cuidado extremo do seu amante em possuí-lo. O loiro sorri e volta a beijá-lo apaixonadamente enquanto se afunda ainda mais no interior do ruivo, movimentando-se lentamente seguindo as ondulações do corpo do outro, entrelaçando suas mãos. Volta a distribuir beijos e mordidas e aumenta o ritmo na virilidade pulsante do ruivo, para que ele pudesse sentir ainda menos dor e muito mais prazer.
Just like a prayer
Your voice can take me there
Just like a muse to me
You are a mystery
Just like a dream
You are not what you seem
Just like a prayer, no choice
Your voice can take me there
Quando você chama meu nome
É como uma pequena oração
Estou de joelhos
Quero levá-lo lá
À meia-noite
Posso sentir seu poder
Igual a uma oração
Você sabe que o levarei lá
– Hunnn... – O ruivo geme baixinho e lambe os próprios lábios, sentindo o aos poucos o prazer crescente misturar-se à dor que sentiu no início com os movimentos lentos e excitantes e pouco a pouco substituí-la, extinguindo-a em definitivo. A expressão antes sôfrega transfigura-se em puro deleite diante do olhar atento e apaixonado do loiro que retribui da mesma forma intensa.
– Ah Camyy... meu Camyu.... – Milo sente todo o seu corpo vibrar e arrepiar-se conforme se move mais rapidamente no interior do francês, conforme escuta que ele geme mais e mais alto. Por instinto, larga o membro do outro e agarra as nádegas branquinhas se impulsionando cada vez mais viril e intenso, fazendo-o gemer mais alto e descontroladamente.
ust like a prayer, I'll take you there
It's like a dream to me
Just like a prayer
Your voice can take me there
Just like a muse to me
You are a mystery
Just like a dream
You are not what you seem
Just like a prayer, no choice
Your voice can take me there
Assim como uma oração, te guiarei
É como um sonho para mim (x4)
Assim como uma oração
Sua voz pode me levar lá
Igual a uma musa pra mim
Você é um mistério
Igual a um sonho
Você não é aquilo que parece
Igual a uma oração, sem escolha
Sua voz pode me levar lá
Eles entram num vórtice voluptuoso, insano e alucinante enquanto se abraçam e se movem rapidamente, tentando extravasar toda aquela tensão sexual que se acumulou, derramando-se em sementes entre os corpos e no interior de Camus, com gemidos guturais de ambos, extasiados, esgotados, completos.
Just like a prayer, I'll take you there
It's like a dream to me
Igual a uma oração, eu o levarei lá
É como um sonho para mim
Milo tombou exausto em cima de Camus, com a respiração ofegante e o coração batendo impetuoso no peito. Eles sorriram um para o outro, sem perceber que no quarto mais alguém os observava atentamente. Alheios a isso, continuaram trocando leves carícias e juras de amor, enquanto recuperavam o fôlego.
Camus estava extasiado e mal conseguia parar para pensar. O loiro então se deitou ao seu lado e fechou os olhos, sorrindo. O francês, sentindo-se observado, levou um pouco a cabeça para trás e, pelo vidro, viu um homem todo de preto e com uma máscara preta apontar uma arma para eles. Os olhos nublados em êxtase de Camus delinearam um estranho encapuzado apontando-lhes uma arma dourada. Foi muito rápido, a visão lhe deu apenas o tempo de sentir o frio correr a espinha e o vidro da porta se estilhaçar e vir pra cima deles. Por reflexo, o ruivo cobriu o rosto com os braços e segundos depois olhou para o lado. Seu corpo inteiro gelou ao ver Milo com o peito ensangüentado.
– Milo!!!
Continua...
Notas finais
E aí, gostaram? Minos ajudou pra caramba nesse lemon, o romantismo é todo dela! ^^ Aliás, a escolha da música também! Aliás, a betage e quase todo o lemon é dela kkkk XD Enfim... mas a ideia é minha XD!
Quanto ao final... errr.... emocionante não é? E a ideia foi minha, não matem a Minos... tudo bem que ela adorou, mas ela não tem nada a ver...
Legal, agora vou sair de fininho e não me matem, pois aí não terá mais fic =D
Beijoos!!
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